Aécio Júnior: “Nós, os contadores, atuamos como instrumento de fortalecimento da democracia”

Entrevista

Jozailto Lima

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Aécio Júnior: “Nós, os contadores, atuamos como instrumento de fortalecimento da democracia”

“Não se pode falar em transparência e controle sem a presença do profissional da contabilidade”

 

“A contabilidade é a ciência da informação”. Esta definição é dada pelo cantador Aécio Prado Dantas Júnior, 51 anos, que detém quase 30 anos de atividade na área e que acaba de assumir a Presidência do Conselho Federal de Contabilidade - CFC -, sendo o primeiro sergipano a acessar este cargo.


E Aécio Júnior está certíssimo em sua afirmação. A contabilidade e os contadores estão para a firmação dos negócios, sejam públicos ou particulares, assim como a advocacia e o advogado estão para formação e a manutenção do Estado Democrático de Direito.

Tocar negócios sem a expertise e a participação dos profissionais da contabilidade é meio que malhar em ferro frio. Nada viceja. É improdutivo e contraproducente.


Por isso, essa profissão levanta um vistoso estandarte no contexto nacional. Os signatários dela são nada menos do que 520 mil em todo o Brasil. E, na visão de Aécio Júnior, com boa formação - ou formação suficiente e compatível com as variadas necessidades nacionais.

“Temos excelentes cursos de Ciências Contábeis no país que vêm entregando profissionais preparados ao mercado de trabalho. A evolução do ensino e da contabilidade são um trabalho e uma preocupação constante”, diz Aécio. Preocupação constante do CFC, ressalte-se.

Sim, tudo isso a serviço daquela necessidade de que fala Aécio Júnior. “Não se pode falar em transparência e controle sem a presença do profissional da contabilidade”, diz ele.


“Na área pública este papel da contabilidade se torna especial, na medida em que são as informações contábeis que serão objeto de apreciação e controle, seja por intermédio dos Tribunais de Contas, controles internos ou até mesmo da sociedade em geral. Nós, os contadores, atuamos como instrumento de fortalecimento da democracia”, diz o presidente do CFC.

Nesta Entrevista, Aécio Júnior fará uma incursão forte no modelo de CFC que ele pensa tocar durante a gestão dele. Dirá de onde vem a sua vocação classista, falará das parcerias diversas que o Sistema CFC-CRC’s já fez e fará com organismos para tornar as atividades e a aplicação da sua mão de obra cada vez mais útil à sociedade e, sobretudo, convocará as diversas instâncias de governos municipais e estaduais a que deem mais atenção a esta atividade e aos seus profissionais executores.


Aécio Prado Dantas Júnior nasceu no dia 4 de março de 1971 na cidade de Aracaju. Ele é filho de Aécio Prado Dantas - um contador clássico e já falecido - e de Eldiza Bitencourt DantasDivorciado, é pai do casal de gêmeos Breno Abud Dantas e Mariana Abud Dantas, de 17 anos Aécio Júnior bacharelou-se em Ciências Contábeis em 1994 por uma universidade sergipana e pós-graduou-se em Contabilidade Pública.


Ele se demostrou desde cedo um profissional muito ligado à organização de classe. Está, por exemplo, no terceiro mandato como conselheiro do CFC. Antes, Aécio Júnior exerceu o mandato de conselheiro do Conselho Regional de Contabilidade de Sergipe pelo período de 2010-2013. Durante a passagem pelo CRC-SE, foi presidente nos biênios 2010-2011 e 2012-2013. Depois foi eleito conselheiro do CFC para o mandato 2014-2017, onde assumiu o cargo de vice-presidente de Desenvolvimento Operacional nos biênios 2014-2015 e 2016-2017.


Foi reeleito conselheiro do CFC para um novo mandato. No período de 2018-2021 - no primeiro biênio - 2018-2019 - exerceu o cargo de vice-presidente de Desenvolvimento Operacional e no segundo - 2020-2021 -, o de vice-presidente de Desenvolvimento Profissional.

Em novembro de 2021, Aécio Júnior foi eleito para mais um mandato como conselheiro do CFC para o quadriênio 2022-2025 e em janeiro de 2022 chegou à Presidência do CFC para o biênio 2022-2023.

Aécio Júnior em ação de juramento durante a passe no CFC
Aécio Júnior numa corridinha para segurar melhor o rojão de uma agenda entre Aracaju e Brasília

UM CONTADOR COM VISÃO CLASSISTA

“Destaco que sempre pautei a minha atividade classista com muito trabalho, dedicação, responsabilidade, o que também acredito que contribuiu para que eu ocupasse o atual cargo. A minha atividade profissional sempre foi na área da contabilidade pública”

JLPolítica - Quais foram as ações de retaguarda em sua atuação como contador em Sergipe que lhe levaram à Presidência do Conselho Federal de Contabilidade do Brasil?

Aécio Prado Dantas Júnior - Há 12 anos iniciei minha atividade classista no Conselho Regional de Contabilidade de Sergipe - CRCSE - e fui presidente nesse Regional por dois mandatos -2010-2011 e 2012-2013. Mais tarde, ocupei duas Vice-Presidências no CFC - Desenvolvimento Operacional e Desenvolvimento Profissional. Acredito que essas experiências foram me capacitando e me preparando para chegar à Presidência do Conselho Federal de Contabilidade. No entanto, também destaco que sempre pautei a minha atividade classista com muito trabalho, dedicação, responsabilidade, o que também acredito que contribuiu para que eu ocupasse o atual cargo. A minha atividade profissional sempre foi na área da contabilidade pública. Estou à frente de uma empresa que possui 48 anos de atuação nesta área e que já atendeu praticamente todas as Prefeituras do Estado de Sergipe. Sempre exerci a minha profissão com bastante responsabilidade e ética, seguindo o legado deixado por meu pai, Aécio Prado Dantas, meu grande exemplo e maior fonte de inspiração.

 

JLPolítica - O senhor seria o primeiro sergipano a ocupar esse que é o cargo de maior relevância na contabilidade brasileira?

APDJ - Sim. Sou o primeiro sergipano a ocupar o cargo de presidente do CFC, órgão máximo de minha profissão. Isso é motivo de muito orgulho e satisfação para mim.

 

JLPolítica - O senhor sucedeu a quem, de que região do Brasil, e como recebeu, administrativamente, o CFC?

APDJ - O meu antecessor foi o contador Zulmir Ivânio Breda, que é natural do Rio Grande do Sul. Zulmir fez um excelente trabalho, sendo um grande conhecer do Sistema CFC/CRCs. Recebemos um Conselho muito bem organizado e com grandes projetos em andamento.

Aécio Júnior com o ex-presidente dos EUA Bill Clinton em Congresso Brasileiro de Contabilidade em 2012, em Belém, no Pará

O CONTADOR E A PARCERIA COM AS EMPRESAS

“O CFC tem importância expressiva no cenário socioeconômico do país. Isso porque a nossa classe é composta por profissionais que são os grandes parceiros das empresas, que movimentam a economia brasileira”

JLPolítica - Antes de assumi-lo, qual era a visão que o senhor tinha da relação do CFC com os Conselhos Regionais, e no que o senhor quer modificar?

APDJ - Quando estive na Vice-Presidência de Desenvolvimento Operacional pude manter um contato mais permanente com os Conselhos Regionais. Temos um cenário bastante variado em relação a estrutura e porte dos Conselhos, o que demanda necessidades também diversas. O CFC já vem atuando no sentido de apoiar os CRCs nas suas variadas ações, inclusive auxiliando financeiramente na melhoria de suas estruturas físicas, do parque tecnológico e de toda infraestrutura necessária para a melhoria dos serviços junto à classe. Pretendemos nos aproximar mais ainda dos CRCs, pois entendemos que é na base que as principais demandas surgem. Neste propósito, criaremos já no início da gestão um grupo de trabalho com conhecimento multidisciplinar, formada por conselheiros e colaboradores do Sistema, visando estreitar mais ainda este relacionamento com os Regionais.

 

JLPolítica - Como o senhor enxerga a posição do CFC no cenário socioeconômico brasileiro e qual a relação dele e dos CRC´s com as entidades governamentais?

APDJ - O CFC tem importância expressiva no cenário socioeconômico do país. Isso porque a nossa classe é composta por profissionais que são os grandes parceiros das empresas, que movimentam a economia brasileira. No período da pandemia, por exemplo, em um curto período, estudamos, analisamos e implementamos as inúmeras normas publicadas pelo Governo Federal voltadas sobretudo para a manutenção do emprego e renda. Fomos o parceiro de primeira hora dos empresários e gestores públicos, ajudando a engrenagem econômica do nosso país a continuar funcionando. A nossa essencialidade nunca foi tão demonstrada e isso já está se refletindo nesse momento de “pós-pandemia” que estamos vivendo. Nossa relação com os órgãos governamentais é muito próxima e profícua e pretendemos estender ainda mais esse diálogo. A partir dessas parcerias, esclarecemos as dúvidas da classe sobre os assuntos que envolvem essas instituições e, simultaneamente, levamos a essas entidades as demandas e os feedbacks dos profissionais da contabilidade.

 

JLPolítica - Recentemente o TCU apontou o Sistema CFC/CRC´s como o Conselho de classe mais organizado em termos de políticas de governança pública. Isso se deve ao quê?

APDJ - Há alguns anos o CFC vem capitaneando um processo de implantação de governança nos Conselhos Regionais, por entender que é preciso a criação de mecanismos e boas práticas que possibilitem a avalição, o direcionamento e o monitoramento da gestão do Sistema, visando a melhoria contínua dos nossos serviços. Estes são os princípios da governança. Foi um relevante trabalho que contou com a participação direta dos CRCs e que nos levou ao reconhecimento por parte do TCU. Com certeza avançaremos ainda mais nesta área.

Aécio Júnior num click família, com a mãe Eldiza Bitencourt Dantas, as irmãs Ana Carla, Ana Cristina e o irmão Memede Neto

CONTABILIDADE, SUPORTE PARA TRANSPARÊNCIA

“A contabilidade é a ciência da informação. Não se pode falar em transparência e controle sem a presença do profissional da contabilidade. Na área pública este papel da contabilidade se torna especial, na medida em que são as informações contábeis que serão objeto de apreciação e controle”

JLPolítica - O senhor é um contador originado da contabilidade aplicada ao setor público. Qual o papel do contador público nos problemas da administração pública brasileira?

APDJ - A contabilidade é a ciência da informação. Não se pode falar em transparência e controle sem a presença do profissional da contabilidade. Na área pública este papel da contabilidade se torna especial, na medida em que são as informações contábeis que serão objeto de apreciação e controle, seja por intermédio dos Tribunais de Contas, controles internos ou até mesmo da sociedade em geral. Nós, os contadores, atuamos como instrumento de fortalecimento da democracia. A contabilidade pública passou recentemente por inúmeras transformações visando evidenciar de forma mais clara e precisa o patrimônio das entidades públicas. O contador público precisa estar atento a tudo isto. E preciso ainda entender que o nosso papel não acaba apenas com a produção da informação - vai bem além disso. Precisamos atuar verdadeiramente como consultores, auxiliando os gestores na correta tomada de decisão a partir dos elementos extraídos da contabilidade.

 

JLPolítica - Há mais problemas contábeis na esfera pública do que na particular?

APDJ - Em todas as áreas vemos atitudes e cases louváveis e ainda ações que precisam ser corrigidas ou revistas. A comparação entre as esferas pública e particular é complexa, já que são dois mundos bastante distintos. O Sistema CFC/CRCs realiza um trabalho sério e comprometido de fiscalização da atividade profissional contábil, uma atividade que beneficia toda a sociedade. Ao mesmo tempo, divulgamos boas práticas, prestamos orientações em todo o país e fornecemos treinamentos com a finalidade de preparar os contadores e os técnicos em contabilidade para fornecerem um serviço de qualidade e de excelência aos seus clientes.

 

JLPolítica - Os Tribunais de Contas dos Estados são receptivos às parcerias com o CFC e os CRCs?

APDJ - Sim, e estamos estendendo cada vez mais essas parcerias. Nosso objetivo é trazer benefícios para todo o Brasil e, trabalhando unidos, tornamo-nos mais fortes. Os órgãos de controle são fundamentais para monitorar a adoção das normas brasileiras de contabilidade do setor público por parte dos seus jurisdicionados. A contabilidade é parceira direta do controle. A qualidade da informação contábil do setor público passa pela atuação dos Tribunais de Contas, sem sombra de dúvidas. Estaremos em breve firmando uma parceria com a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil - Atricon - visando a adoção de iniciativas conjuntas para o aprimoramento das rotinas de controle e adoção das normas contábeis. Sou um entusiasta dessa área.

A tríade dos Dantas: Mamede, Aécio pai e filho na sede primeira do Erpac, na Galeria do antigo Palace Hotel

PODER PÚBLICO NEM SEMPRE TEM BOA CONTABILIDADE

“Precisamos incentivar junto aos governos municipais e estaduais a implantação da carreira do contador público e a remuneração digna destes profissionais. Como já afirmei, a contabilidade se reveste de uma enorme importância para a transparência das contas públicas”

JLPolítica - É certo se imaginar que, pela importância que detém na vida nacional, o poder público esteja bem servido de contadores e de serviços de contabilidade?

APDJ - Infelizmente esta não é uma realidade. Precisamos incentivar junto aos governos municipais e estaduais a implantação da carreira do contador público e a remuneração digna destes profissionais. Como já afirmei, a contabilidade se reveste de uma enorme importância para a transparência das contas públicas. Vamos citar o nosso Estado como exemplo. O último concurso para contador havia acontecido em 1993. No final do ano passado, o governador Belivaldo Chagas anunciou a criação de 43 cargos de contador e a realização de concurso público para provimento de 55 vagas, o que deverá acontecer ainda este ano. Uma conquista importante, mas precisamos avançar ainda bem mais. Este é um cenário que vivenciamos em todo o Brasil e que precisamos transformar. O CFC estará integrado neste propósito.

 

JLPolítica - Quais são o peso e a importância da contabilidade brasileira no PIB do empreendedorismo nacional?

APDJ - A contabilidade pode e vem contribuindo positivamente para o crescimento do Produto Interno Bruto do empreendedorismo nacional. Isso porque os contadores são consultores de negócios e, desse modo, prestam assessoria às empresas e constroem os planejamentos estratégicos desses negócios. O nosso país tem grande vocação para o empreendedorismo, no entanto, nem todos os empresários conhecem as normas e as obrigações que precisam ser cumpridas em atendimento à legislação do país. Além disso, muitos possuem deficiência em relação aos conhecimentos de educação financeira e de gestão e, nesse cenário, o profissional da contabilidade está pronto para orientá-los.

 

JLPolítica - Hoje são menos 600 mil o número de contadores no Brasil. Esse número está à altura das necessidades e da economia nacional?

APDJ - A demanda por profissionais da contabilidade cresce a cada dia, principalmente após a pandemia, quando ficou ainda mais evidente a nossa essencialidade. Nosso mercado está bastante aquecido e, cada vez mais, as empresas percebem o diferencial de poder contar com um profissional da contabilidade, não apenas para o cumprimento das obrigações acessórias, mas também - e principalmente - para os serviços de assessoria e de consultoria. Nesse cenário, mais uma vez, a tecnologia é nossa aliada, já que torna nossos processos mais ágeis e ainda coloca ao nosso dispor grande quantidade de dados de forma concentrada e prática. Isso permite uma avaliação mais precisa e rápida, garantindo que os contadores realizem mais atividades em menos tempo. 

Em Sidney, na Austrália, Aécio Júnior num Congresso Mundial de Contadores

DA PREPARAÇÃO DA MÃO DE OBRA DA CONTABILIDADE

“Temos excelentes cursos de Ciências Contábeis no país que vêm entregando profissionais preparados ao mercado. O primeiro curso de mestrado em contabilidade do Brasil data de 1970 e foi aberto na Universidade de São Paulo - USP. Ainda na década de 70, foi criado o primeiro curso de doutorado, também na USP”

JLPolítica - Como é que está a formação da mão de obra do contador no Brasil? Há boas escolas e normalidade de cursos?

APDJ - Temos excelentes cursos de Ciências Contábeis no país que vêm entregando profissionais preparados ao mercado de trabalho. O primeiro curso de mestrado em contabilidade do Brasil data de 1970 e foi aberto na Universidade de São Paulo - USP. Ainda na década de 70, foi criado o primeiro curso de doutorado, também na USP. Em seguida, os docentes da USP estiveram empenhados em formar outros mestres e doutores no país. Nesse contexto, o CFC prestou apoio para que esses professores fossem a algumas capitais brasileiras para formar os docentes que ainda não possuíam as titulações stricto sensu. Mais tarde, novos cursos de mestrado e de doutorado foram abertos, novos profissionais foram formados e as Ciências Contábeis brasileiras desenvolveram-se e tiveram os seus níveis elevados. A evolução do ensino e da contabilidade são um trabalho e uma preocupação constante. Nesse sentido, o CFC coordena, atualmente, uma iniciativa com alcance nacional voltada para a alteração da Resolução CNE/CES 10/2004, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Ciências Contábeis, bacharelado. Essas mudanças também vão contribuir para trazer mais qualidade na formação contábil brasileira.

 

JLPolítica - Qual é o maior problema da categoria a ser enfrentado pelo CFC e o pelos Conselhos Regionais?

APDJ - Os desafios enfrentados pelos profissionais da contabilidade têm intensidades e faces diferentes em cada parte de nosso país, que possui dimensões continentais e realidades bem distintas. No entanto, podemos ressaltar dois temas que têm sido foco do Sistema CFC/CRCs: a simplificação das obrigações acessórias, que demandam horas de trabalho dos contadores com a transmissão de dados, por vezes, já informados em outros documentos, e a implantação da tecnologia no dia a dia da contabilidade, um grande desafio, já que algumas localidades brasileiras ainda carecem de desenvolvimento de infraestrutura.

 

JLPolítica - Há muito problema de charlatanismo na área?

APDJ - Um dos pilares dos Conselhos de Profissões Regulamentadas é realizar a fiscalização do exercício profissional. Nesse sentido, o CFC, por meio dos Conselhos Regionais de Contabilidade, trabalha incansavelmente para mitigar práticas que sejam contrárias ao nosso código de ética e aos normativos que regem a profissão. Com isso, a sociedade é a maior beneficiada, já que receberá serviços com mais excelência, ética, segurança e transparência. Hoje, com o uso da tecnologia e com o bom relacionamento institucional que conquistamos, conseguimos cruzar diversas informações e, desta forma, evitar o exercício irregular da profissão.

O contador Aécio Júnior dá uma pausa na contabilidade para paparicar Breno e Mariana, os filhos

NA PANDEMIA, A PREPARAÇÃO PARA O PÓS-PANDEMIA

“Ainda no auge da crise pandêmica, preparamos as empresas para o pós-pandemia. Isso porque construímos planejamentos estratégicos que contemplavam não apenas o presente, mas o futuro também. Nesse momento, estamos aplicando as ações que já havíamos mapeado em 2020, guiando nossos clientes nesse sentido e fazendo os ajustes que se firmarem necessários”

JLPolítica - O CFC detecta desvio de conduta por parte dos que têm formação regular na área?

APDJ - Uma das funções basilares do CFC é realizar a fiscalização do exercício profissional, por intermédio dos Conselhos Regionais de Contabilidade. Essa atividade protege e desenvolve a profissão, mas, principalmente, traz benefícios para a sociedade que desfruta de bons serviços da contabilidade e, claro, fica, de certa forma, protegida. Nesse trabalho, deparamo-nos com profissionais com desvio de conduta, como ocorre em todas as áreas. Nesse contexto, realizamos nossos procedimentos de fiscalização e tomamos as medidas cabíveis de acordo com os normativos que regem a profissão. Fiscalizar o exercício profissional é a nossa principal missão.

 

JLPolítica - Durante esses dois anos de pandemia, como o Sistema CFC/CRC´s atuou para proteger o profissional da contabilidade dos efeitos da crise, e qual o papel desses profissionais na retomada da economia?

APDJ - Desde que a pandemia foi decretada, o Sistema CFC/CRCs passou a analisar os ambientes interno e externo para compreender, em um primeiro momento, as medidas que deviam ser tomadas em favor dos colaboradores e dos profissionais da contabilidade. Em pouco tempo, para atender ao necessário isolamento social, passamos ao trabalho remoto e, ainda nesse cenário, não pausamos nossas atividades dia algum.

 

JLPolítica - Muito disso feito à distância?

APDJ - Sim. À distância, demos todo o suporte à nossa classe, de diferentes formas, como a realização das lives e de treinamentos virtuais, em que buscamos tratar de assuntos de interesse da classe, principalmente aqueles relacionados aos normativos publicados pelo Governo Federal voltados para a manutenção do emprego e da renda para conter a crise econômica. Nesse mesmo período, também buscamos publicar, diariamente, em nossos canais de comunicação, notícias sobre as principais publicações do Governo. Outra medida que tomamos foi o envio de grande quantidade de ofícios para os órgãos governamentais solicitando a prorrogação dos prazos de entrega das obrigações acessórias e tributárias, somente para mencionar alguns exemplos. Para a retomada da economia, os profissionais da contabilidade serão essenciais, assim como têm sido durante toda a pandemia. Contudo, cabe destacar que, ainda no auge da crise pandêmica, preparamos as empresas para o pós-pandemia. Isso porque construímos planejamentos estratégicos que contemplavam não apenas o presente, mas o futuro também. Nesse momento, estamos aplicando as ações que já havíamos mapeado em 2020, guiando nossos clientes nesse sentido e fazendo os ajustes que se firmarem necessários.

Aécio Júnior com os pais Aécio Dantas e Eldiza Bitencourt Dantas

DA NECESSIDADE DE INVESTIR EM INOVAÇÃO

“Não há escolha: o profissional da contabilidade e as empresas contábeis que não investirem em inovação e não absorverem as novas tecnologias correm o risco de ficar fora do mercado de trabalho. A pandemia acelerou o processo de digitalização, que já vinha ocorrendo há anos”

JLPolítica - O profissional da área é receptivo ou reativo às inovações tecnológicas?

APDJ - Não há escolha: o profissional da contabilidade e as empresas contábeis que não investirem em inovação e não absorverem as novas tecnologias correm o risco de ficar fora do mercado de trabalho. A pandemia acelerou o processo de digitalização, que já vinha ocorrendo há anos e os serviços do Governo passaram também por uma grande transformação. Precisamos falar a linguagem das máquinas e utilizar esse novo cenário ao nosso favor. A grande quantidade de dados que temos disponíveis hoje, enriquecem os nossos serviços e nos ajudam a fazer análises mais assertivas dos ambientes interno e externo das empresas, assim como a desenvolvermos os planejamentos estratégicos das empresas. A tecnologia veio para agregar mais valor a nossa profissão.

 

JLPolítica - Contador sem foco em governança ou sustentabilidade social tem futuro?

APDJ - Não. Essas duas pautas, na realidade, são essenciais para a sobrevivência do planeta e, simultaneamente, são assuntos para os quais a sociedade tem ficado atenta e exigido novas posturas dos profissionais e das empresas. O contador precisa ficar atento para esses temas de forma dupla: precisa olhar para dentro, ou seja, para a sua empresa contábil, absorver e aplicar esses conceitos, e também estar pronto para assessorar as empresas quanto à sustentabilidade e à governança.

 

JLPolítica - A categoria tem um piso salarial nacional?

APDJ - Não há piso salarial determinado para o profissional da contabilidade, bem como não há tabela pré-estabelecida de valores de honorários, pois a definição do valor dos serviços cabe ao profissional. O Código de Ética Profissional do Contador - NBC PG 01 - prevê que “o contador deve estabelecer, por escrito, o valor dos serviços em suas propostas de prestação de serviços profissionais”. O contrato de prestação de serviços, além de ser uma exigência, é o instrumento para nortear os valores dos serviços que serão cobrados. Os Conselhos Regionais são vigilantes com relação ao aviltamento de honorários.

Aécio Júnior sob a proteção da mãe Eldiza Bitencourt Dantas

CONTABILIDADE E PRESTAÇÃO DE CONTAS ELEITORAIS

“Independentemente de ser ano eleitoral, a contabilidade eleitoral nunca cessa suas atividades. No ano em que ocorrem as eleições, essa demanda aumenta consideravelmente, o que torna esse nicho de mercado muito promissor. Uma conquista recente do Sistema CFC/CRCs foi a inclusão nas normas eleitorais da obrigatoriedade da participação dos profissionais da contabilidade”

JLPolítica - De que modo o CFC desenvolve os processos de educação continuada voltados para os contadores do país?

APDJ - O Programa de Educação Profissional Continuada do Sistema CFC/CRCs é regulamentado pela NBC PG 12 - R3. Por meio desse normativo, por exemplo, é estabelecido que os profissionais da contabilidade, enquadrados na norma, precisam somar 40 pontos de educação profissional continuada por ano-calendário. Essa medida é importantíssima para uma área que está em constante evolução e transformação e que exige reciclagem constante. O Programa também traz benefícios para a sociedade, que recebe serviços contábeis de profissionais atualizados e mais bem preparados.

 

JLPolítica - O senhor acha que as prestações de contas dos candidatos nas eleições deste 2022 vão demandar a presença do contador mais do que antes?

APDJ - Sem dúvida. Contudo, ressalto que, independentemente de ser ano eleitoral, a contabilidade eleitoral nunca cessa suas atividades. No ano em que ocorrem as eleições, essa demanda aumenta consideravelmente, o que torna esse nicho de mercado muito promissor. Uma conquista recente do Sistema CFC/CRCs foi a inclusão nas normas eleitorais da obrigatoriedade da participação dos profissionais da contabilidade nas prestações de contas dos candidatos e partidos.

 

JLPolítica - O exercício da Presidência do CFC vai lhe exigir trocar Aracaju por Brasília, como domicílio?

APDJ - Não. O presidente e os conselheiros eleitos do Conselho Federal de Contabilidade não precisam residir em Brasília. Naturalmente a Presidência me exigirá uma maior presença na sede da entidade, mas buscarei também fazer uso da tecnologia disponível para auxiliar no processo de gestão. Há de se frisar que o CFC possui um excelente quadro de colaboradores, o que nos proporciona maior segurança para o exercício dessa difícil, mas honrosa missão

Aécio Júnior com as duas irmãs, a mãe e a namorada Alanny Leite
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