Entrevista

Jozailto Lima

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Almeida Lima: “Sou um jovem moderno, um parceiro do tempo”

24 de outubro de 2020
“Sou almeidista, mas penso e ajo igual a Bolsonaro e Hamilton Mourão”

E quem disse que é crime ser um bolsonarista, mesmo estando numa disputa por um espaço de poder, como o do Governo de Aracaju, em que Jair Bolsonaro há dois anos tombou derrotado no segundo turno com 16.289 votos a menos que Fernando Haddad, PT?

E quem disse que é crime ser um bolsonarista, mesmo tendo se submetido ao longo da vida a uma militância revestida de um certo verniz de centro-esquerda, por ter estado lado a lado com o primo Jackson Barreto, que é hoje um antibolsonarista assumido e convicto?

Quem diz com letras garrafais que nada disso é anormal ou fora de curva é José Almeida Lima, 67 anos, ex-tantos partidos e que até há dois anos ocupava o cargo de secretário de Estado da Saúde no Governo de Jackson Barreto, MDB. E quem há de negar-lhe razão, posto ser Almeida um homem liberto e a ideologia, algo desprovido de tutelas?

Portanto, depois de ter sido deputado estadual, vice-prefeito e prefeito da capital - ainda que fruto de uma elevação do posto de vice -, deputado federal e senador, Almeida Lima vem agora para mais uma tentativa de ser prefeito da capital de Sergipe, e sob o manto do PRTB, o partido do vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão.

Sob o manto do PRTB é pouco. Ou coisa pequena. No geral, em nome de Deus, da pátria e da família, o novo velho Almeida Lima subscreve com peito estofado e muita galhardia toda uma barbárie posta em prática pelo bolsonarismo e uma nova direita que viceja mais do que erva da daninha no país.

Sem rodeios, é ele mesmo quem anuncia. “Sou um almeidista, mas, se deseja saber, eu penso e ajo igual a Bolsonaro e Hamilton Mourão, que é do meu partido, em muitas coisas: eu sou a favor do porte de arma, sou contra o aborto, a favor da escola com disciplina, tanto que apoio a Escola Cívico-Militar e a trarei para Aracaju, sou contra à perversão dos costumes, defendo a pluralidade de gênero como direito individual de cada um, sou a favor da integridade da família, sou um patriota, tenho Deus no coração e nas minhas ações, combato a corrupção”, diz.

Pronto: e quem quiser que tire com o gancho! E é com essas credenciais que Almeida montou uma chapa puro sangue com o PRTB e vai tentar suceder o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PDT, de quem ele não reconhece nada de eficaz em favor de cidade enquanto gestor.

Antes que se hasteie a bandeira do preconceito, o que não se pode negar a José Almeida Lima é uma razoável teorização do que deve ser feito por Aracaju e suas necessidades e do que ele pessoalmente se propõe a fazê-lo. “Não serei prefeito pela metade. Serei um prefeito de verdade”, anuncia.

“Logo, todos os segmentos da administração municipal serão vistos e trabalhados como prioridades. Aracaju vive um momento de falência geral”, diz ele.

“Vejam se não falo a verdade: a educação é a última do país pelo Ideb. A saúde é reclamação geral por faltar médico nos postos, exames de imagem, pela existência de enormes filas para cirurgias. Falta medicamento”, enumera.

E completa: “O desemprego é dos maiores do país, a tarifa de ônibus de R$ 4 é a sétima mais cara entre as capitais; o meio ambiente é destruído pela própria prefeitura; o centro comercial está abandonado e destruído; a mobilidade urbana não existe; no esporte e lazer, não se fez nem torneio de jogo de botão”.

Para fazer frente a tudo isso, José Almeida Lima empunha sua biografia como se uma espada afiadíssima, esquecendo-se de que entre de 2000 e 2012 tombou três vezes na tentativa de colocar a mão na Prefeitura - na de 2012, renunciando à candidatura na sexta-feira véspera do domingo da eleição, por pura inanição eleitoral.

“Na política eu sou um vitorioso, e sempre pelo que sou, pelo que represento. Fui deputado estadual duas vezes, vice-prefeito, prefeito, deputado federal e senador. Quem tem ou teve essa biografia aqui em Sergipe? Apenas João, Valadares, Albano, Jackson e Déda. No mais, fiz uma administração na prefeitura de dois anos e meses, recebendo uma prefeitura falida, e sem recursos do Estado nem do Governo Federal, mas realizando uma grande gestão, mudando a cara da cidade”, gaba-se.

Mas, apesar desse convencimento todo, a inanição eleitoral que o alcançou em 2012 parece ensaiar um bis para 2020. Agora, ele aparece com 1% de intenção de voto na pesquisa do Ibope realizada pela TV Sergipe esta semana e com 47% de rejeição. Isso mesmo: 47% de rejeição - é claro e óbvio que Almeida desmerece as pesquisas e os institutos delas.

Almeida prefere fazer uma espécie de evocação a Belchior e ver rejuvenescimento em sua pessoa e nas suas ideias. “A idade mais produtiva da vida humana é entre 60 e 70 anos. Logo, estou na faixa etária mais apropriada para ser o prefeito de Aracaju, mais do que qualquer outro. No mais, sou um jovem moderno, um parceiro do tempo”, diz.

Com mandato obtido em 2002, ao lado de João Alves Filho eleito governador, ele foi senador até 2011
Há 41 anos, José Almeida é casado com a professora Maria Helena Tavares de Lima
O VELHO ALMEIDA LIMA JOVEM
“A idade mais produtiva da vida humana é entre 60 e 70 anos, a segunda mais produtiva é entre 70 e 80 anos e a terceira é entre 50 e 60 anos. Logo, estou na faixa etária mais apropriada para ser o prefeito de Aracaju, mais do que qualquer outro. No mais, sou um jovem moderno, um parceiro do tempo”

JLPolítica – Aos 67 anos, o senhor ainda acha que há espaço e vez para suas visões política e administrativa no solo de Aracaju?
José Almeida Lima – 
Estudo de uma equipe de médicos e psicólogos publicado em 2018 no New England Journal of Medicine, periódico semanal, impresso e online, de responsabilidade da Massachusetts Medical Society, o mais lido no mundo, concluiu que a idade mais produtiva da vida humana é entre 60 e 70 anos, e que a segunda mais produtiva é entre 70 e 80 anos, e a terceira é entre 50 e 60 anos.

JLPolítica – Isso lhe contempla, então.
José Almeida Lima –
Sim. Logo, estou na faixa etária mais apropriada para ser o prefeito de Aracaju, mais do que qualquer outro. No mais, sou um jovem moderno, um parceiro do tempo e, por isso mesmo, apresentei, de minha autoria com a participação do meu vice, Luís Eduardo Prado, o melhor Plano de Governo para Aracaju. Mas vale lembrar que Winston Churchill, então primeiro ministro inglês, com mais de 70 anos de idade, salvou a humanidade das garras de Hitler, enquanto Nero, imperador, com apenas 27 anos, incendiou Roma. 

JLPolítica – Mas depois de um segundo lugar na disputa pela Prefeitura de Aracaju em 2000, ainda que não fosse ao segundo turno ali, e de uma renúncia à candidatura de 2012, na sexta-feira véspera da eleição, o senhor não entende que algo rachou na sua biografia?
José Almeida Lima – 
O que racha uma biografia é ser corrupto. É pertencer a um partido que roubou o Brasil como nenhum outro, e ainda ser conivente com isso. É transportar dinheiro roubado na cueca, nas nádegas. Administrei o dinheiro público e tenho certidão de honestidade. Ademais, pelo seu critério de “biografia rachada por perder eleição”, em Sergipe todos teriam biografia rachada, pois João Alves, Maria do Carmo, Valadares, Valadares Filho, Déda, Zé Eduardo Dutra, Albano Franco, Jackson Barreto, Edvaldo Nogueira, Eduardo Amorim e tantos outros, já perderam eleições. Logo...

Com quem ele se fez pai de Danilo Almeida Tavares de Lima, 39 anos, Juliana Almeida Martins, 37 e Daniel Almeida Tavares de Lima, 32
TODO CAIADO E PINTADO DE DIREITA
“Sou um almeidista, mas penso e ajo igual a Bolsonaro e Hamilton Mourão em muitas coisas: sou a favor do porte de arma, contra o aborto, a favor da escola com disciplina, tanto que apoio a Escola Cívico-Militar, sou contra à perversão dos costumes. Sou um patriota, tenho Deus no coração e nas minhas ações, combato a corrupção”

JLPolítica – Não parece uma afronta à sua biografia estar hoje no PRTB, um partido ligado ao bolsonarismo?
José Almeida Lima – 
Esta pergunta não deveria ser dirigida a mim e sim aos que convivem com Lula, Dilma, Zé Dirceu e todos os ladrões da República. Ora, um partido que teve presos os presidentes da Petrobras, dos Correios, do Banco do Brasil, da Eletrobrás, da Nuclebrás, da Valec, da Caixa Econômica Federal, do BNDES, três presidentes do PT, cinco secretários do PT, três tesoureiros do PT, o líder do PT na Câmara, o líder do PT no Senado e uma enxurrada de ministros, executivos, parlamentares do PT e assessores, e você fazer essa pergunta justamente a mim, que sou do PRTB. É um despropósito. Ademais, quem é Bolsonaro diante dessa gente toda, senão um diamante não lapidado? No mais, a minha biografia é construída no dia a dia com os meus atos e não pelo comportamento alheio.
 
JLPolítica – Aliás, o senhor se autodefine mais um bolsonarista na sucessão de Aracaju?
José Almeida Lima – 
Eu sou um almeidista, mas, se deseja saber, eu penso e ajo igual a Bolsonaro e Hamilton Mourão, que é do meu partido, em muitas coisas: eu sou a favor do porte de arma, sou contra o aborto, a favor da escola com disciplina, tanto que apoio a Escola Cívico-Militar e a trarei para Aracaju, sou contra à perversão dos costumes, defendo a pluralidade de gênero como direito individual de cada um, sou a favor da integridade da família, sou um patriota, tenho Deus no coração e nas minhas ações, combato a corrupção. 

JLPolítica – O senhor não está um direitão?
José Almeida Lima –
Não. Não sou direitão nem esquerdalha, pois tenho o sentimento e a prática política do Estado de bem-estar social aliado à ideologia da economia mista que é ser a favor do capitalismo, da livre propriedade, livre mercado e concorrência, livre iniciativa, mas que trabalha o pleno emprego, o bom salário, a diminuição das diferenças salariais, a seguridade social, a educação inclusiva e plural, a saúde universal e de qualidade, o meio ambiente e a paz.

Depois de fazer as pazes com o primo Jackson Barreto, foi secretário de Estado da Saúde até a chegada de Belivaldo Chagas, com quem se trombou
MANTER UMA CHAPA PURO SANGUE DO PRTB...
“... É uma confissão clássica de que tenho juízo e de que respeito o povo de Aracaju, cujo nosso propósito não é fazer negócio com a Prefeitura. Uma aliança com uma enxurrada de partidos é fazer da Prefeitura um balcão de negócios, e esta é uma das razões do fracasso da Prefeitura de Aracaju e do Governo do Estado de Sergipe”

JLPolítica – Manter uma chapa puro sangue, com uma figura neófita e imberbe para disputas eleitorais, como Luís Eduardo Prado Correia, não é uma confissão clássica de solidão política?
José Almeida Lima –
Não. É uma confissão clássica de que tenho juízo e de que eu respeito o povo de Aracaju, cujo nosso propósito não é fazer negócio com a Prefeitura. Uma aliança com uma enxurrada de partidos é fazer da Prefeitura um balcão de negócios, e esta é uma das razões do fracasso da Prefeitura de Aracaju e do Governo do Estado de Sergipe. Uma chapa puro sangue é autêntica, sem barganhas, sem acordos espúrios. O que tenho visto aí é saco de gatos. No mais, qual o candidato a vice que possui as qualidades do Dr. Luís Eduardo? Um médico ginecologista obstetra, com mestrado e doutorado, professor da Faculdade de Medicina da UFS e da Faculdade de Medicina da Unit, ex-diretor da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, de alto risco, ex-diretor do Huse, ex-secretário adjunto da Secretaria de Estado da Saúde, em nossa gestão. Um profissional de gabarito e um gestor público qualificado. A escolha do Dr. Luís é uma demonstração da nossa seriedade e compromisso com a saúde pública de Aracaju. Qual candidato a prefeito que teve essa preocupação?

JLPolítica – Qual é a explicação plausível que o senhor teria para os 42% de rejeição que os aracajuanos lhe atribuíram na pesquisa do Ibope de 7 a 9 de outubro?
José Almeida Lima – 
Sobre pesquisas, Ibope e demais institutos eu já me pronunciei em 15 de setembro de 2005, da tribuna do Senado Federal, e a minha análise àquela época serve para hoje e sempre.

JLPolítica – A memória aracajuana teria diluído o significado do gestor público que o senhor diz ter tido à frente da PMA e da Secretaria de Estado da Saúde?
José Almeida Lima – 
Não tenho porque aceitar a sua avaliação. Ela não é verdadeira. É equivocada. Na política eu sou um vitorioso, e sempre pelo que sou, pelo que represento. Fui deputado estadual duas vezes, vice-prefeito, prefeito, deputado federal e senador. Quem tem ou teve essa biografia aqui em Sergipe? Apenas João, Valadares, Albano, Jackson e Déda. No mais, fiz uma administração na prefeitura de dois anos e meses, recebendo uma prefeitura falida, e sem recursos do Estado nem do Governo Federal, mas realizando uma grande gestão, mudando a cara da cidade. Salário em dia, calendário anual, aumentos, pagamento de atrasados e sem greve. Obras por toda a cidade: pavimentação dos bairros e urbanização das praças. Saúde e educação de qualidade. Tarifa de ônibus justa. Contas aprovadas e sem corrupção. Quer mais? Na saúde foi a mesma coisa em um ano e dois meses. Trabalhei na saúde de março de 2017 a maio de 2018 com menos recursos do que foi gasto no período anterior, e fizemos muito mais. O que significa isso, senão competência e honestidade com o dinheiro público? Ora, recebi a saúde na UTI e em estado terminal, e fizemos uma mudança que só faz quem sabe fazer, quem entende de gestão pública, quem tem vontade de atender ao povo, e quem é honesto. A oncologia estava no chão e levantamos. Nenhum aparelho funcionando e os enfermos indo para Arapiraca se tratar. Uma vergonha. Resolvemos isso zerando a fila de radioterapia, e deixamos com quatro unidades funcionando, três de radioterapia e uma de braquiterapia, suprindo de medicamentos a quimioterapia. Zeramos a fila de hemodiálise com a instalação do novo Centro de Nefrologia. Regularizamos a realização dos exames de imagem. Compramos três tomógrafos instalando o primeiro do interior de Sergipe, em Itabaiana. Compramos e instalamos duas carretas para o diagnóstico precoce de câncer no homem e na mulher. Samu com 20 ambulâncias velhas e quebradas, deixamos com 80 novas e em funcionamento. Suprimos os hospitais, maternidade e unidades móveis com medicamentos e mais de oitocentos aparelhos e equipamentos que faltavam na rede, a exemplo de respirador pulmonar, desfibrilador, oxímetros, monitores, berços aquecidos e tantos outros. Um Centro Administrativo moderno, eficiente que otimizou os serviços e gerou e ainda gera uma economia de dois milhões e quinhentos mil reais todos os meses. Concluímos a construção do hospital de Glória, de Itabaiana, e reconstruímos a Maternidade Hildete Falcão Baptista e outras unidades de saúde, além da criação de cem novos leitos dentro do Huse. Logo, não dá para negar ou não enxergar tudo isso.

Almeida Lima aos 67 anos e a boa visão de si mesmo: “Estou na faixa etária mais apropriada para ser o prefeito de Aracaju, mais do que qualquer outro. No mais, sou um jovem moderno, um parceiro do tempo”
DA LICITAÇÃO DO TRANSPORTE E OUTRAS MEDIDAS
“A licitação é importante e será feita, até para se estabelecer novas bases de contratação das empresas e novas bases de prestação dos serviços de transporte público em Aracaju. Mas quem imagina que a licitação é a Salsaparrilha (o chá para todos os males), não sabe o que é o sistema de transporte de Aracaju”

JLPolítica – Como candidato a prefeito, quais os três principais eixos do seu programa de Governo?
José Almeida Lima – 
Não serei prefeito pela metade. Serei um prefeito de verdade. Logo, todos os segmentos da administração municipal serão vistos e trabalhados como prioridades. Aracaju vive um momento de falência geral. Vejam se não falo a verdade: a educação é a última do país pelo Ideb - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. A saúde é reclamação geral por faltar médico nos postos, especialistas no Cemar, exames de imagem, pelas existência de enormes filas para cirurgias. Falta medicamento. O desemprego é dos maiores do país, a tarifa de ônibus de R$ 4 é a sétima mais cara entre as capitais; o meio ambiente é destruído pela própria prefeitura; poluição, fedentina e falta de esgotamento sanitário; o centro comercial está abandonado e destruído; a mobilidade urbana não existe; no esporte e lazer, não se fez nem torneio de jogo de botão; a cultura não promove nada e ninguém; o turismo simplesmente não existe, enfim, todos esses problemas precisam ser enfrentados ao mesmo tempo, e é isto que nós vamos fazer. Aracaju se tornará uma cidade belíssima, com várias áreas de interesse, a exemplo de um centro comercial aconchegante, seguro, belo, com espaços atrativos e com muitos estacionamentos; com a despoluição, desassoreamento e aprofundamento da calha de toda a bacia do Rio Poxim, evitaremos as inundações dos bairros e conjuntos da zona oeste, criaremos uma via de transporte fluvial, espaços de esporte náutico e atração turística com a construção de toda orla ao longo da avenida Beira Mar, com píeres e atracadouros; uma Atalaia até o Mosqueiro com muito verde em suas áreas de restinga; a Sementeira transformada em uma espécie de Central Park, com a inclusão das áreas da Embrapa e Codevasf a serem cedidas pelo governo Bolsonaro e Mourão; moderna mobilidade urbana com alteração das vias públicas e abertura de avenidas, além das ações nas áreas sociais de educação, saúde, assistência social e geração de emprego e a promoção da atividade esportiva e cultural, sem se descuidar dos nossos servidores públicos.

JLPolítica – O que há a revisar nas configurações do IPTU e do ISS de Aracaju?
José Almeida Lima – 
Quando eu fui prefeito lá de 94 a 96, baixei as alíquotas do IPTU para todas as espécies de imóveis como residencial, comercial, industrial e sem construção, o que já foi um alívio para o contribuinte, ampliando o número de isenções para as pessoas de baixa renda. Revi a planta de valores para equalizar as avaliações que apresentavam inúmeros critérios que estabeleciam injustiça fiscal. Vinte e cinco anos depois precisa ser revista para eliminar as distorções e injustiças criadas pelos dois últimos prefeitos. Quanto ao ISS, será revisto para diminuir a alíquota a fim de estabelecer atrativos para a abertura de empresas em Aracaju, que hoje perde para as cidades vizinhas. Portanto, eu criarei um ambiente favorável à atividade empresarial em Aracaju.

JLPolítica – Por onde se deveria iniciar a licitação do transporte público municipal de Aracaju e no que isso melhoraria os serviços prestados por esse setor?
José Almeida Lima – 
A licitação é importante e será feita, até para se estabelecer novas bases de contratação das empresas e novas bases de prestação dos serviços de transporte público em Aracaju. Mas quem imagina que a licitação é a Salsaparrilha (o chá para todos os males), não sabe o que é o sistema de transporte de Aracaju.

A persona José Almeida Lima nasce no dia 28 de setembro de 1953 em Santa Rosa de Lima, Sergipe. Ele é filho de José Américo de Almeida e Berila Alves de Almeida
DE UMA ARACAJU COM 100% DE ESGOTO TRATADO
“Não importa de quem vai depender do ponto de vista financeiro. O que importa é que o município é o responsável pelo esgoto sanitário, e ele, por seus gestores, é quem têm que resolver, e será por nós resolvido. E mais: até que seja resolvido, o povo não deve pagar a tarifa do esgotamento sanitário”

JLPolítica – E onde está o problema?
José Almeida Lima – 
O Calcanhar de Aquiles está é na Planilha de Custos, que define o valor da tarifa. Aliás, abrir essa caixa preta é precedente à licitação, pois ela servirá de base para a elaboração do seu edital. Feito isso, a licitação será iniciada pela elaboração do edital de forma transparente com o auxílio dos órgãos de fiscalização e da sociedade organizada. A melhoria está em um novo sistema, novos ônibus, bons serviços e preço justo da tarifa. 

JLPolítica – Dotar Aracaju de 100% de tratamento de esgoto sanitário é missão que possa ser levada a cabo por um Governo Municipal, ou isso pede as mãos do Estado e da União?
José Almeida Lima – 
Não importa de quem vai depender do ponto de vista financeiro. O que importa é que o município é o responsável pelo esgoto sanitário, e ele, por seus gestores, é quem têm que resolver, e será por nós resolvido. E mais: até que seja resolvido, o povo não deve pagar a tarifa do esgotamento sanitário, pois esgotamento não é apenas a coleta domiciliar do esgoto e das águas servidas, mas da sua canalização e tratamento para só depois ser liberada no meio ambiente. Como isso não existe, não há a prestação do serviço, não sendo legal a sua cobrança. 

JLPolítica – Nisso implicaria o desassoreamento dos rios e canais que servem de veias para esta capital roubada às águas, e como estão eles hoje?
José Almeida Lima –
Sim. Desassorear a Bacia do Rio Poxim a partir da confluência com o Rio Sergipe e por toda a sua extensão, dentro dos limites do território de Aracaju, dando-lhe a navegabilidade própria de seu calado, é parte do nosso Programa de Governo. Realizar obras de contenção de encostas e de recuperação ambiental, na mesma Bacia do Rio Poxim, a fim de evitar o transbordamento de suas águas na época das enchentes, o que tem causado frequentes inundações provocadoras de vários transtornos, prejuízos materiais, ao meio ambiente e à saúde da população dos bairros e conjuntos da zona oeste, também integra o nosso programa de governo, bem como, a construção de píeres, atracadouros e muretas em alguns pontos da Bacia do Rio Poxim, sobretudo, ao longo da Avenida Beira Mar até o ponto situado na rotatória do Terminal de ônibus da Atalaia, bem assim, ao longo do Conjunto Inácio Barbosa, do Santa Lúcia e do JK/Sol Nascente. Ressalte-se que essas intervenções representam a realização de uma obra de importância monumental para Aracaju, pois, além dos benefícios de natureza urbanística, turística, de prática esportiva e de lazer, contribuirá para a mobilidade urbana da cidade, como via fluvial de transporte.

Almeida Lima, o vovô babão, com a netinha Helena Almeida Martins, de sete anos
UM SOPRO NOVO SOBRE O TURISMO
“Iremos aprovar uma lei municipal que estabeleça uma política municipal de turismo, e que autorize ao Poder Executivo Municipal a estabelecer as condições, critérios e formas de incentivo, material e logístico para a captação de eventos a serem realizados em Aracaju, desde que sejam com a participação de pessoas de fora do Estado, ou que tenham essa participação”

JLPolítica – O senhor fala em propiciar um microclima para enfrentar e dissipar o aquecimento da cidade de Aracaju. Como isso seria feito?
José Almeida Lima – 
Com a execução do projeto “Aracaju para Viver e Amar”, que é um amplo programa de arborização da cidade, corrigindo as inadequações, recuperando áreas degradadas - inclusive pelo poder público estadual e municipal, na realização de suas obras -, e plantando milhares e milhares de mudas de árvores em todo o território de Aracaju, que é de 181,857 km². 

JLPolítica – O que mais esse programa contempla?
José Almeida Lima – 
Esse programa inclui as calçadas, onde for possível, canteiros das avenidas, praças e parques, bem assim a doação de mudas para a plantação em áreas privadas, por qualquer cidadão, que passará a ter benefício tributário. Ressalte-se a elaboração e execução de um projeto especial que será a arborização de toda a extensão das áreas de restinga, ao longo da costa de Aracaju, com a plantação de espécies próprias do bioma, ou incorporadas a exemplo do coqueiro. Trata-se de um mega programa por envolver a plantação de milhares e milhares de árvores no território do município de Aracaju, inclusive estabelecendo a possibilidade da geração de créditos de carbono cujos recursos serão utilizados em benefício do meio ambiente.

JLPolítica – Como o turismo e o emprego poderiam se intercambiar em benefício dos aracajuanos?
José Almeida Lima – 
A atividade turística passará a ser um braço forte para o desenvolvimento econômico, para a geração de renda e de emprego. Por sua grande importância, e por se encontrar na inatividade, tanto em Aracaju que é a porta de entrada dos turistas, quanto no estado, necessário se torna a criação de uma Secretaria de Turismo para a execução e gerenciamento da política de turismo a ser estabelecida e posta em prática pela próxima gestão. Para tanto, iremos aprovar uma lei municipal que estabeleça uma política municipal de turismo, e que autorize ao Poder Executivo Municipal a estabelecer as condições, critérios e formas de incentivo, material e logístico para a captação de eventos a serem realizados em Aracaju, desde que sejam com a participação de pessoas de fora do Estado, ou que tenham essa participação. Com a realização das obras e serviços a que me referi, a gestão municipal abrirá grandes perspectivas de atrativos turísticos e de lazer por conta do uso de todas as potencialidades oferecidas por cursos d’água fluviais como se faz em várias cidades do mundo, e que, com efeito, serão praticadas em Aracaju nas Bacias do rio Poxim, em todo o seu curso à margem da Avenida Beira Mar, nos Conjuntos Inácio Barbosa, Santa Lúcia, JK e Sol Nascente, do rio Vasa Barris, do Mosqueiro a Areia Branca, e do rio Sergipe, com atividades esportivas, de lazer e de transporte urbano, através de catamarãs e outros barcos.

Almeida Lima, com seu candidato a vice-prefeito Luís Eduardo Prado, à esquerda, e o amigo e conselheiro do Tribunal de Contas, Clovis Barbosa, à direta
PREFEITO FRACO, EDUCAÇÃO MUNICIPAL FRACA
“Se a educação de Aracaju está avaliada em último lugar no Ideb, é sinal de que deixa a desejar em tudo. A verdade é que não necessita de lero-lero e de muito conversê para saber o que deve ser feito. Todos sabem o que precisa, inclusive os que estão aí no poder. O que basta para resolver o fracasso da educação é o nosso povo saber escolher o prefeito”

JLPolítica – O que é que de fato falta para que o turismo de Sergipe e sobretudo o de Aracaju não seja associado a tanta fragilidade e a tanto fechamento de hotéis?
José Almeida Lima – 
O que falta são um prefeito e um governador de verdade.

JLPolítica – A saúde pública de Aracaju necessita de que 
ajustes?
José Almeida Lima – 
Necessita de competência, vontade política, seriedade e honestidade com o dinheiro público. Supridas essas deficiências, a saúde funcionará e prestará um grande serviço à população. E nós faremos isto, basta que os aracajuanos nos dê essa oportunidade.

JLPolítica – No que a educação pública de Aracaju deixa a desejar e no que pode ser atalhada e reparada?
José Almeida Lima – 
Se a educação de Aracaju está avaliada em último lugar no Ideb, é sinal de que deixa a desejar em tudo. A verdade é que não necessita de lero-lero e de muito conversê para saber o que deve ser feito. Todos sabem o que precisa, inclusive os que estão aí no poder. O que basta para resolver o fracasso da educação é o nosso povo saber escolher o prefeito. Pronto. Disse tudo.

Almeida Lima do milharal: o homem rural que se guarda em Nossa Senhora das Dores
CONTINÊNCIA PARA A ESCOLA CÍVICO-MILITAR
“Essa (o atual modelo) não foi a escola em que eu estudei, nem que meus filhos estudaram. O que eu desejei para mim e os meus filhos, e o que eu desejo para os meus netos, eu desejo para os outros: uma escola com disciplina, que eduque defendendo princípios morais universais e valores como Deus, pátria e família”

JLPolítica – O senhor acha que há mesmo espaço para uma Escola Cívico-Militar em Aracaju?
José Almeida Lima – 
A pergunta insinua que a atual escola de Aracaju está no caminho certo em que prevalece a desordem, a indisciplina, a circulação de drogas. Essa não foi a escola em que eu estudei, nem que meus filhos estudaram. O que eu desejei para mim e os meus filhos, e o que eu desejo para os meus netos, eu desejo para os outros: uma escola com disciplina, que eduque defendendo princípios morais universais e valores como Deus, pátria e família.

JLPolítica – De que forma podem se intercomplementar mobilidade urbana e resgate do centro histórico de Aracaju?
José Almeida Lima – 
O resgate do centro comercial de Aracaju não depende, apenas, de ações bem-sucedidas que venham melhorar a mobilidade. É necessário executar um amplo projeto de revitalização do centro e adjacências, contemplando a melhoria da segurança pública, da organização do transporte público coletivo, melhoria dos terminais de transporte, o acesso ao centro da cidade por transporte coletivo alternativo, a criação de dez mil vagas de estacionamento público para veículos, além da criação de espaços comerciais aconchegantes, inclusive, com a criação de ambientes adequados para a promoção de atividades culturais, esportivas e de lazer. Tudo isso fará do centro de Aracaju uma área atrativa para o retorno de moradias, para as atividades comerciais e de prestação de serviços, além de tornar um polo atrativo para turistas.

JLPolítica – No que o senhor é mais crítico nestas obras urbanísticas do Governo de Edvaldo Nogueira?
José Almeida Lima – 
Quais obras? Por onde elas estão? Você fala de asfalto nas ruas e do corte das árvores da Avenida Hermes Fontes? Essas são as obras urbanísticas? Não as considero, eu ando muito em Aracaju e não as vejo. Será mesmo que essas obras existem e somente eu que não vejo?

É vida que se renova: aqui, com o recém-nascido neto Breno Almeida Martins
NÃO TERIA NEGLIGENCIADO AO FICAR NA SAÚDE?
“Nem negligente nem apegado ao poder. Eu fui politicamente disciplinado, mesmo com prejuízo pessoal, pois somente me mantive para atender a Jackson que havia me pedido para engolir os sapos e não sair”

JLPolítica – O senhor não foi negligente com a sua pessoa, ou se fez demasiado apegado ao poder, ao permanecer na Secretaria de Estado da Saúde na transição entre Jackson Barreto e Belivaldo Chagas em 2018 e esperar cair daquele jeito tão tomboso?
José Almeida Lima – 
Nem negligente nem apegado ao poder. Eu fui politicamente disciplinado, mesmo com prejuízo pessoal, pois somente me mantive para atender a Jackson que havia me pedido para engolir os sapos e não sair.

JLPolítica – O senhor erigiu na figura de Belivaldo Chagas um fantasma particular para se assustar no dia a dia?
José Almeida Lima – 
Essa figura não me assusta.  

JLPolítica – O senhor não identifica uma disritmia, um descompasso, entre o seu modo de comunicação pessoal e a dinâmica mais veloz e quase líquida de ser nas mídias sociais? Não lhe há um certo apego a um passado velho?
José Almeida Lima – 
A pessoa que sempre foi e é um parceiro do tempo, não entra em descompasso com a vida atual. Esta pessoa sou eu.

JLPolítica – O senhor consegue convencer ao total da sua família mais nuclear - esposa, filhos, genro e noras - da pertinência de estar mais uma vez candidato a um mandato público?
José Almeida Lima – 
Quem é casado com a mesma mulher por 41 anos, cujos três filhos, genro, noras e netos vivem ao seu redor, não tem projeto pessoal.

José Almeida Lima e a programação para Aracaju: “Não serei prefeito pela metade. Serei um prefeito de verdade”