Chiquinho Costa: “Os setores públicos são parceiros inseguros”

Entrevista

Jozailto Lima

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Chiquinho Costa: “Os setores públicos são parceiros inseguros”

12 de dezembro de 2020
“Precisamos um pacto de diálogo e de planejamento para um Brasil melhor”

O ritmo de vida e de atuação do empresário e engenheiro civil Chiquinho Costa, 64 anos, fundador e mantenedor há 40 anos da Construtora Teccol Engenharia Ltda, obedece a uma intensa dinâmica de rapidez e de celeridade.

Aos 18 anos, ainda imberbe, já estava Chiquinho Costa em terras baianas cursando Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia. 

Chegou por lá em 1974 e em 1978 já estava de volta, com o canudo debaixo do braço - a Politécnica da Bahia é a mesma escola que formou o engenheiro Luciano Barreto, mantenedor da Celi, e tantos outros sergipanos amigos de Chiquinho.

Três anos depois de chegar a Aracaju, ele aliou-se ao amigo e engenheiro Garibalde Mendonça e fundou a Teccol em 1981. Tinha 25 anos e a empresa fará 40 no ano que vem.

O portfólio da Construtora Teccol Engenharia Ltda, com atuação nos mercados de incorporação - coisa dos últimos 10 anos - e das obras públicas é vasto. Já revirou muito chão. E nesse meio tempo, Chiquinho Costa se fez um homem de classe. De responsa coletiva.

Um defensor do empreendedorismo pessoal e coletivo, da engenharia e dos bons, lucrativos e transparentes negócios. “Numa nação em construção, a Engenharia, modéstia à parte, é fator primordial, pois trata-se de uma atividade que trabalha muito com planejamento, aspecto preponderante para o crescimento nacional e dos Estados”, teoriza ele.

 

Em 1978, Chiquinho Costa põe o anel de engenheiro civil no dedo
A formatura foi na Bahia e uma festa para toda a família

Mas o otimismo de Chiquinho não se descuida das injustiças de instituições do setor, como o Tribunal de Contas da União, seus acórdãos e a excessiva judicialização do setor que empurra muita coisa para o universo tenebroso dos precatórios.

“Os órgãos de controle juntamente com os gestores e com o Congresso Nacional esquecem o diálogo com a classe que emprega e gera riqueza, anulando a Constituição, deixando a Justiça decidir a maioria dos casos, levando assim todo o sistema a uma grande insegurança jurídica e o país para uma infinidade de precatórias absurdos e desnecessários. Onde já se viu se prescrever um lucro bruto de 1,75% se somente ao Imposto de Renda do país paga-se 2%?”, provoca ele.

E aqui Chiquinho Costa evoca a palavra planejamento, que lhe é uma espécie de mantra. “A palavra-chave seria planejamento. Infelizmente, nosso país não tem isso”, diz ele. 

“Tudo na vida depende de concentração, diretriz e planejamento - não abrimos mão dessa palavra. Aliás, levamos muito a sério o lema PDCA - Planejamento, Desenvolvimento, Controle e Ação”, reitera.

Enquanto o planejamento geral da nação não apresenta suas armas, Chiquinho Costa vai tocando em frente com a expertise pessoal e o otimismo que lhe são próprios.

Nesse contexto, ele encaixa a Aseopp e a mobilidade dessa instituição. “Há 12 anos a Aseopp vem lutando com seu lema do Preço Justo, Obra Concluída Sociedade Atendida. Simples. E assim temos que acreditar que, mais cedo ou mais tarde, teremos um reconhecimento da importância da Engenharia perante toda a comunidade nacional”, diz.

 

Em 1980, ele casou-se com Maria Francisca Tereza Nogueira de Souza Costa, com quem teve três filhos

Francisco Otoniel de Mesquita Costa nasceu no dia 10 abril de 1956, em Aracaju - embora muitos pensem que ele é de Arauá, por ter sido prefeito de lá numa dessas suas mobilidades sociais. É filho de Francisco Manoel da Costa e de Dirce de Mesquita Costa.

Chiquinho foi casado com Maria Francisca Tereza Nogueira de Souza Costa, uma professora de quem é hoje divorciado, mãe dos filhos dele Francisco Roberto Nogueira de Souza Costa, 39 anos, Luiz Henrique Nogueira de Souza Costa, 36 anos, e Moema Tereza Nogueira de Souza Costa Carvalho, 35 anos.  

Através de Francisco Roberto e de Moema Tereza, ele já é avô três vezes - de Pedro Melo Andrade Costa, quatro anos, e de Letícia Melo Andrade Costa, um, e de Luiz de Souza Costa Carvalho, três anos – este, de Moema.

Chiquinho Costa vive um novo casamento com a patologista oral e professora Marta Rabello Piva e se relaciona bem com os enteados Diogo Piva, 39 anos, Breno Piva, 38, João Victor Piva, 32, e Paulo Henrique Piva, 29 anos, e com as netas Helena Piva e Aurora Piva, três anos, e Antonella Piva, de quatro, filhas dos três primeiros enteados. 

Depois da formação acadêmica na Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, Chiquinho fez especializações nas áreas de Rodovia, Estradas e Edificações. Além da Teccol, ele toca outra atividade empresarial: uma fazenda que vem de herança paterna e pela qual tem muito afeto.

“Somente através de uma política de diálogo e boa e justa legislação é que vamos obter êxito”, diz ele, como um bom aseoppiano. A Entrevista com Chiquinho Costa vale a leitura.

No dia 1º de janeiro de 1997 toma posse no mandato de prefeito de Arauá, obtido na eleição de 1996
DOS 40 ANOS DA TECCOL
“Em 2021 a Teccol completará 40 anos na construção civil, o que muito nos orgulha, pois ser empresário em nosso país requer um esforço muito grande, devido não só aos impostos que somos obrigados a cumprir, mas pela insegurança jurídica que reina em nossa sociedade”

JLPolítica - Agora em 2021, a Teccol Engenharia Ltda fará 40 anos. Há algo na programação da empresa para marcar esta data redonda?

Chiquinho Costa - Em 2021 a Teccol realmente completará 40 anos de atuação na construção civil, o que muito nos orgulha, pois ser empresário em nosso país requer um esforço muito, grande devido não só aos impostos que somos obrigados a cumprir, mas pela insegurança jurídica que reina em nossa sociedade. Quanto à programação, estamos tão somente dependendo dessa incerteza que assola nossos objetivos devido a pandemia que impossibilita qualquer tipo de planejamento mais seguro.

JLPolítica - Qual o tamanho e o real portfólio da Teccol nestes 40 anos de mercado?

Chiquinho Costa - A Teccol Engenharia Ltda é uma empresa que passou seus 30 anos trabalhando diretamente com obras públicas de pequenos e médios portes - infraestrutura e edificações -, bem como com casas populares e obras particulares, passando nos últimos 10 anos a atuar também no mercado imobiliário padrão B para A. Diria que somos uma empresa de porte médio. 

JLPolítica - Qual foi a importância do engenheiro e depois deputado estadual Garibalde Mendonça na fundação dela como sócio e como é a relação dos senhores hoje em dia?

Chiquinho Costa - Garibalde Mendonça é meu amigo e meu irmão, e sempre foi uma pessoa presente em minha família desde os tempos de nós adolescentes e como sócio até 1998. Nunca tivemos sequer um distanciamento, inclusive quando do seu afastamento da sociedade solidificou ainda mais nossa amizade. Hoje tenho Garibalde como um ídolo político. Ele é um deputado equilibrado, amigo de todos, inclusive dos colegas. É um político de palavra. Talvez se possa fazer uma pergunta: de palavra? Sim, porque gosto sempre de dizer: vocês já viram políticos que prometem e não cumprem?

JLPolítica - Familiarmente, o senhor toca a Teccol sozinho ou tem ajuda?

Chiquinho Costa - A Teccol é uma empresa com sucessão garantida e já não a toco sozinho. A nossa Diretoria Técnica é entregue hoje ao engenheiro civil Francisco Roberto, meu filho primogênito, que já tem 14 anos de formado pela Universidade Federal de Sergipe. A Diretoria de Projetos tem hoje como responsável a arquiteta e filha Moema Tereza Nogueira de Souza Costa, que também zela pelo Programa de Qualidade PBQPH da empresa, atendendo nas diversas obras. Ela também formada há nove anos pela UNIT. 

Deputado e engenheiro Garibalde Mendonça: o amigo-irmão que se fez sócio
UMA ATUAÇÃO MISTA NO MERCADO
“É, sim, possível viver de incorporações. Mas nossos sentidos são nas duas áreas - imobiliária e pública. Esta última é onde nos iniciamos e a primeira há oito ou há 10 anos. Tudo na vida depende de concentração, diretriz e planejamento - não abrimos mão dessa palavra”

JLPolítica - Neste mercado, é possível viver só de incorporação, ou fica difícil se a empresa não caçar com dois sentidos - ou seja, se não tiver um pé nas obras públicas?

Chiquinho Costa - É, sim, possível viver de incorporações. Mas nossos sentidos são nas duas áreas - imobiliária e pública. Esta última é onde nos iniciamos e a primeira há oito ou há 10 anos. Tudo na vida depende de concentração, diretriz e planejamento - não abrimos mão dessa palavra. Aliás, levamos muito a sério o lema PDCA - Planejamento, Desenvolvimento, Controle e Ação.

JLPolítica - Neste segmento, o das obras públicas, como estão atualmente as chances de negócios?

Chiquinho Costa - Olha, a cada dia piorando! Os órgãos de controle - somos totalmente favoráveis a existência deles -, juntamente com os gestores e com o Congresso Nacional esquecem o diálogo com a classe que emprega e gera riqueza, anulando a Constituição, deixando a Justiça decidir a maioria dos casos, levando assim todo o sistema a uma grande insegurança jurídica e o país para uma infinidade de precatórias absurdos e desnecessários. 

JLPolítica - União, Estado e Municípios são bons parceiros de negócios?

Chiquinho Costa - Eu diria que ora sim, ora não. Assim, se traduzem como parceiros inseguros, tendo que melhorar esse relacionamento. Somente através de uma política de diálogo e boa e justa legislação é que vamos obter êxito.

JLPolítica - Mas o senhor acha que um dia essas três esferas de poder chegarão às licitações justas, permitindo remunerações e obras adequadas, republicanas, com entregas e pagamentos em dia, como bem defende a Aseopp?

Chiquinho Costa - Há 12 anos a Aseopp vem lutando com seu lema do Preço Justo, Obra Concluída Sociedade Atendida. Simples. E assim temos que acreditar que, mais cedo ou mais tarde, teremos um reconhecimento da importância da Engenharia perante toda a comunidade nacional.

Garibalde Mendonça foi presença na posse de prefeito de Arauá em 1997
SETORES PÚBLICOS SÃO BONS PARCEIROS?
“Eu diria que ora sim, ora não. Assim, se traduzem como parceiros inseguros, tendo que melhorar esse relacionamento. Somente através de uma política de diálogo e boa e justa legislação é que vamos obter êxito”

JLPolítica - Qual o dano para o setor da construção de tantas judicializações, com conversação de obrigações públicas em eternos precatórios?

Chiquinho Costa - O dano é o da desconfiança, da descrença e da perda de liberdade. Ao nosso ver, existe maior falta de liberdade que a desconfiança?

JLPolítica - De que tanto o setor da construção civil, sobretudo o das obras públicas, reclama dos acórdãos do Tribunal de Contas da União? O que eles trazem de anormal?

Chiquinho Costa - Às vezes acho que quem assessora os ministros que assinam os acórdãos nunca participou dos ambientes de obras. 

JLPolítica - Por que o senhor pensa assim?

Chiquinho Costa - Ora, onde já se viu se prescrever um lucro bruto de 1,75% se somente ao Imposto de Renda do país paga-se 2%?Uma Adm Central de 1,30%? Uma taxação de ISS 0%, quando na verdade a nota fiscal é de prestação de serviços, portanto sendo obrigado o pagamento pelo Código Tributário? Precisa dizer mais alguma coisa diante destes absurdos? Que gestor público arriscaria seu nome em outras variações? 

JLPolítica - Qual é a leitura que o senhor faz da desoneração de folha de pagamento do setor da construção civil por mais todo o ano de 2021?

Chiquinho Costa - A desoneração na folha de pagamento tem que ser avaliada segmento por segmento. Em certo segmento, ela é prejudicial. Em outros segmentos, e a depender do tipo de obras, teremos benefícios. Todavia, como está sendo feito, de forma obrigado ou tudo ou nada, mais uma vez foi tomada decisão sem ouvir o segmento, e fica sem o alcance ideal para a geração de emprego e renda, tão fundamental para sustentação e crescimento de qualquer país em desenvolvimento.

Chiquinho é gregário e muito família: aqui, no aniversário de 50 anos em 2006
DA ESTRANHEZA DOS ACÓRDÃOS DO TCU
“Às vezes acho que quem assessora os ministros que assinam os acórdãos nunca participou dos ambientes de obras. Onde já se viu se prescrever um lucro bruto de 1,75% se somente ao Imposto de Renda do país paga-se 2%?”

JLPolítica - O senhor trocaria isso por uma outra atitude pública na relação com as empresas, como a redução de impostos gerais, por exemplo?

Chiquinho Costa - Na verdade, a redução de impostos gerais tem que existir, sim. No entanto, sabemos que o país tem que arrecadar a cada dia mais, meta de país desenvolvido, com certeza sem sacrificar o seu povo, mas de forma que venha a produzir mais e mais, gerando assim mais arrecadação. A palavra-chave seria planejamento. Infelizmente, nosso país não se tem isso. 

JLPolítica - Qual tem sido o real papel da Aseopp na ordenação do mercado entre as empresas, as obras e os setores públicos?

Chiquinho Costa - A Aseopp tem um papel fundamental e vem lutando e conseguindo alguns avanços, mesmo que lentos. Mas vem fazendo uma ação relevante, como fez e ainda está fazendo agora no momento de pandemia frente ao Ministério Público do Trabalho. 

JLPolítica - É uma quantidade boa ou não a existência de 36 empresas associadas a ela?

Chiquinho Costa - Diria que é o insuficiente, pois temos uma cultura individualista em todo setor da construção civil, sendo assim quanto mais empresas para debatermos assuntos que venham melhorar a área dando a importância que a mesma requer, melhor.

JLPolítica - Qual é o perfil exigido da empresa para ser aceita como uma associada?

Chiquinho Costa - Um perfil menos individualista, que tenha comprometimento com os ditames pregados pela entidade, seja participativa e que venha apresentada por pelo menos três membros da Associação.

Chiquinho Costa e a floresta de netos que não acaba mais
DO PAPEL DA ASEOPP COMO ÓRGÃO DE CLASSE
“A Aseopp tem um papel fundamental e vem lutando e conseguindo alguns avanços, mesmo que lentos. Mas vem fazendo uma ação relevante, como fez e ainda está fazendo agora no momento de pandemia frente ao Ministério Público do Trabalho”

JLPolítica - O senhor, como vice-presidente, se dá por satisfeito ou não com o nível de atuação e participação desses associados nas demandas da Aseopp?

Chiquinho Costa - Dentro da realidade do que estamos passando, com certeza me dou. Mas poderíamos ter maior participação com relação à luta efetivamente a nível nacional conjuntamente com a classe política.

JLPolítica - Qual tem sido o papel do empresário e engenheiro Luciano Barreto no comando da Aesopp? Sem as ideias dele, ela teria a mesma performance?

Chiquinho Costa - É redundância falar da competência e da dedicação de Luciano Barreto à frente de uma entidade ou até mesmo de uma empresa. Sou até suspeito em falar da grandeza, do bem-sucedimento e da atuação dele, levando-se em consideração a nossa amizade. Digo isso devido à dedicação e à vontade dele em ajudar aos demais colegas naquilo que mais gosta de se envolver: empresariamento da construção civil a serviço da sociedade, valorizando a engenharia. A Aseopp tem um destaque, sim, graças à grande atuação dele durante estes 12 anos.

JLPolítica - O senhor identifica de 2012 até hoje o período mais tenso do país e de Sergipe na construção civil, da incorporação às obras públicas?

Chiquinho Costa - Não usaria a palavra tenso e sim duvidoso, pois temos condições de avançar. No entanto, não temos a certeza do que nos espera. O planejamento de que falo, como fica? Se não sabemos desenvolver, como controlar e caso precise acionar?

JLPolítica - Nestes oito anos, tem um deles que pode ser marcado como o mais perigoso e ameaçador das estabilidades empresariais?

Chiquinho Costa - Logicamente que no país Brasil, devido a ser uma nação continental de diferentes regiões, há uma variação disso de ano de região para região. Senão vejamos: na região Centro Sul a crise da construção civil iniciou-se em 2014 e teve 2015 e 2016 como os piores anos. Já nas outras regiões, como a nossa, os piores anos foram 2016, 2017 e 2018, que deixaram empresas descapitalizadas e algumas chegaram a falir.

Bom gosto e rigor no que faz: nisso está o planejamento de que tanto fala Chiquinho Costa
PESO DE LUCIANO BARRETO PARA A ASEOPP
“A Aseopp tem um destaque, sim, graças à grande atuação dele durante estes 12 anos. É redundância falar da competência e da dedicação de Luciano Barreto à frente de uma entidade ou até mesmo de uma empresa. Sou até suspeito em falar da grandeza, do bem-sucedimento e da atuação dele, levando-se em consideração a nossa amizade”

JLPolítica - O segmento está conseguindo visualizar a famosa luz de fim de túnel neste início de 2021 para as duas esferas, incorporação e obras públicas?

Chiquinho Costa - Temos que acreditar e ser otimistas, pois somente dessa forma é que encontraremos essa luz. Precisamos de mais respeito. Precisamos, acima de tudo, de diálogo com a classe política. Quem sabe um pacto envolvendo a maioria dos segmentos avançando para um Brasil melhor?

JLPolítica - O senhor acha que hoje a retomada do mercado imobiliário, da incorporação, estaria se aproximando de 2012, ou falta algo ainda?

Chiquinho Costa - Falta é muito ainda para chegarmos a esse ponto, mesmo porque não se chega da noite para o dia. Assim, estamos ainda saindo da crise. Precisamos nos fortalecer, para iniciar uma nova caminhada que com certeza poderemos alcançar de forma mais rápida, uma vez que a economia venha a permanecer como 2019 e 2020 - mesmo este último ano sofrendo as mazelas da pandemia, mas foi onde a construção civil e agricultura deram exemplo.

JLPolítica - Para o senhor, o que estaria fazendo acender a chama de uma retomada com fôlego?

Chiquinho Costa - É difícil você enumerar o que estaria, especificamente, acendendo a chama para uma retomada, uma vez que a cadeia da construção civil tem sofrido um impacto muito grande da crise econômica com a pandemia, restando tão somente o equilíbrio nos juros da economia, que seria o grande fator de incentivo para o crescimento da indústria produtiva, estando incluída aí a construção civil.  

 

JLPolítica - É possível prever hoje quantas unidades estariam em construção, da parte final, prestes a serem entregues, às que estão saindo dos projetos em Sergipe?

Chiquinho Costa - No momento não tenho essas informações tanto a nível de Estado quanto a nível de Brasil.

Estátuas que marcam a cultura do Brasil na Aralaia: marcas da Teccol
DE COMO AMPLIAR A LUZ DO FIM DO TÚNEL
“Temos que acreditar e ser otimistas, pois somente dessa forma é que encontraremos essa luz. Precisamos de mais respeito. Precisamos, acima de tudo, de diálogo com a classe política. Quem sabe um pacto envolvendo a maioria dos segmentos avançando para um Brasil melhor?”

JLPolítica - O que representam hoje municípios como Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão para o mercado da incorporação de Sergipe?

Chiquinho Costa - São municípios que estão em pleno crescimento neste setor e têm fator primordial para a demanda de habitação, ainda mais que em Aracaju, em sua Zona de Expansão, não existe nada definido com relação ao plano de ação. Na verdade, nada relativo ao Plano Diretor do Município de Aracaju.

JLPolítica - No interior mais profundo, fora da Grande Aracaju, onde os negócios da incorporação estão acontecendo mais?

Chiquinho Costa - Estão em Propriá, Nossa Senhora da Glória, Itabaiana, Lagarto, Tobias Barreto, Simão Dias, Boquim, Itabaianinha e Estância. 

JLPolítica - Aracaju é uma cidade saturada, ou cara, do ponto de vista dos terrenos urbanos?

Chiquinho Costa - De forma alguma. Aracaju tem carência de habitação principalmente de interesse social, todavia precisa urgentemente da aprovação do novo Plano Diretor bem como a liberação o mais rápido possível da Zona de Expansão. 

JLPolítica - Imóvel em Aracaju é algo caro, fora dos padrões nacionais, ou segue uma linha de normalidade?

Chiquinho Costa - Segue uma linha de normalidade para as classes B, C e D, até mesmo com preços bem atraentes.

Chiquinho Costa acredita que é possível, sim, sobreviver só de incorporação. Mas a Teccol é mista
“ESTAMOS AINDA SAINDO DA CRISE”
“Precisamos nos fortalecer, para iniciar uma nova caminhada que com certeza poderemos alcançar de forma mais rápida, uma vez que a economia venha a permanecer como 2019 e 2020 - mesmo este último ano sofrendo as mazelas da pandemia, mas foi onde a construção civil e agricultura deram exemplo”

JLPolítica - Qual é o paralelo que o senhor faz hoje entre o Minha Casa Minha Vida da era petista com o Casa Verde e Amarela recém-lançado pelo Governo Bolsonaro?

Chiquinho Costa - O Programa Minha Casa Minha Vida teve os seus dias de sucesso. Ajudou muito a construção civil e ainda continua ajudando. Logicamente que tem seus problemas, como todo e qualquer programa, e deveria sempre ser revisto, o que não foi feito, chegando ao seu final com alguns defeitos, outros têm o meu reconhecimento como um grande programa. Quanto ao Programa Casa Verde e Amarela, não muda muita coisa, todavia com a estabilidade da economia, isto é, caso continue, após essa terrível pandemia, tudo leva a crer que será tão bom quanto o PMCMV. Neste momento, prefiro usar a expressão vamos pagar para ver.

JLPolítica - O Casa Verde e Amarela já tem uma boa inserção hoje em Sergipe?

Chiquinho Costa - Pra falar a verdade, é um Programa por ser implantado, pois depende ainda alguns pontos do Congresso Nacional, o que deverá fazer ainda neste final de ano.

JLPolítica - O senhor e o mercado trabalham com a ideia de um déficit habitacional de quantas unidades residenciais em Sergipe? E no Brasil?

Chiquinho Costa - No Brasil, fala-se em 7,8 milhões o déficit habitacional, incluindo neste a falta de moradias próprias e a existência de moradias sub-humanas. 

JLPolítica - O superaquecimento dos valores do material de construção gera que problema para o mercado?

Chiquinho Costa - Vem trazer uma incerteza e chegaremos a acarretar um grande descontrole no planejamento, dificultando a compra e a venda dos imóveis, bem como a conclusão de obras públicas, prejudicando a sociedade de uma maneira geral.

O portfólio da Construtora Teccol Engenharia Ltda é vasto e multidiversificado
PODER DAS CIDADES DA GRANDE ARACAJU
“São municípios que estão em pleno crescimento neste setor e têm fator primordial para a demanda de habitação, ainda mais que em Aracaju, em sua Zona de Expansão, não existe nada definido com relação ao plano de ação. Na verdade, nada relativo ao Plano Diretor do Município de Aracaju”

JLPolítica - E a falta do material pode elevar ainda mais o valor do imóvel?

Chiquinho Costa - Acho que a partir do mês de fevereiro as coisas se estabilizam, pois muitos fatores influenciaram nesse aspecto e que com o passar do tempo é evidente que as coisas irão se normalizando. É o que esperamos!

JLPolítica - Ao que o senhor atribui tamanha supervalorização do material?

Chiquinho Costa - O aumento no valor do material se deu por diversos fatores. Primeiro, devido à grande demanda, em função de estar muito tempo com preço fixo e houve um aproveitamento de momento para exagerar no preço. Segundo, se deve também em alguns casos à falta de matéria prima devido a paralisação das indústrias de insumos, providências tomadas sem planejamento com o “apavoramento” pelo desconhecimento do coronavírus, ocasionando prejuízos sem precedentes. Por último pela variação cambial, para os produtos globalizados, uma vez que a pandemia atingiu os países do mundo inteiro, prejudicando sobremaneira as comodities mundiais. Vele ressaltar o aproveitamento vantajoso de empresas de grande porte, utilizando-se de seu poderoso poder econômico para fazer valer o aumento de preços, usando subterfúgios propositalmente, deixando faltar produtos no mercado e provocando mal-estar entres os clientes.

JLPolítica - Os representes da construção civil têm alguma culpa pelo fato de a cidade de Aracaju ter um Plano Diretor tão atrasado?

Chiquinho Costa - A meu ver, de forma alguma. Todavia, considero que devemos mais uma vez sair de nossa inércia, sair de nosso individualismo para obter junto com a sociedade e a classe política este Plano tão importante para o município.

JLPolítica - Qual a real importância de se tê-lo atualizado?

Chiquinho Costa - Ora, uma nova cidade com seu direcionamento de crescimento, com definição pensada de sua mobilidade urbana, além de tornar a cidade com uma condição de habitabilidade planejada por anos e anos futuros. O Plano Diretor moderno e aprovado por uma sociedade é um marco de consciência e amadurecimento de um povo. É o mesmo que você sempre fazer atualização em sua vida fisicamente, ou ideologicamente, mas sempre fazendo avalições e melhorando com ajuda daqueles que participaram do seu dia a dia, trazendo o que se tem de novo e melhor sem exageros e com bastante equilíbrio, levando-se em consideração o bem de todos.

Luciano Barreto e Chiquinho Costa: uma dupla de todos por um
PROGRAMAS DE MORADIAS DO GOVERNO
“O Programa Minha Casa Minha Vida teve os seus dias de sucesso. Ajudou muito a construção civil e ainda continua ajudando. Quanto ao Programa Casa Verde e Amarela, prefiro usar a expressão vamos pagar para ver”

JLPolítica - Qual o papel reservado às diversas engenharias, sobretudo a civil, numa nação em construção e em desenvolvimento como a brasileira?

Chiquinho Costa - Numa nação em construção, a Engenharia, modéstia à parte, é fator primordial, pois trata-se de uma atividade que trabalha muito com planejamento, aspecto preponderante para o crescimento nacional e dos Estados. É preciso trabalhar com disciplina, outro ponto indispensável para fazer cumprir e ou alterar o planejamento se necessário. Trabalhar com equilíbrio, fator essencial para o controle das atividades e não aceitar desaforos, aguardando o tempo passar e não ter as providencias tomadas no tempo certo, no momento em que os assuntos foram amadurecidos e bastante analisados.

JLPolítica - A devassa da Lava-Jato ajudou a melhorar a imagem do construtor brasileiro, geralmente associado à corrupção de Estado, ou piorou?

Chiquinho Costa - A Lava-Jato teve e tem ainda seu papel fundamental na história do Brasil, pena que as conclusões não surtiram os efeitos que uma nação moderna e séria poderia esperar e alcançar. Mas teve um papel primordial na vida política e econômica do país. Precisamos ainda avançar, mas tudo depende do exemplo dos podres constituídos para que a população possa se espelhar em líderes e pessoas multiplicadoras de boas ações. 

JLPolítica - O senhor, um dia mais jovem, já foi prefeito de Arauá. O que lhe sobrou daquela experiência e a repetiria novamente?

Chiquinho Costa - Aprendi muito, pois na época conhecia apenas a política classista. Fiz um bom trabalho - isso dito pelos outros -, mas não repetiria, pois a política partidária como hoje é praticada é bastante desgastante para quem quer implementar o bem-comum para toda a sociedade. Mas sou político, pois nenhum cidadão pode se ausentar dessa atividade. Então concluo afirmando que tudo é uma questão de momento.

 

 

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