Cristiano Dias: “Medidas urgentes precisam ser tomadas” pela preservação das quadrilhas juninas

Entrevista

Jozailto Lima

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Cristiano Dias: “Medidas urgentes precisam ser tomadas” pela preservação das quadrilhas juninas

“A marginalização das quadrilhas ganhou força pelo pensamento de que são coisas de quem não tem o que fazer”
11/6/2022-19h

Na paisagem de junho no Nordeste brasileiro é impossível não se deparar com as quadrilhas juninas e com toda a significação estética e cultural delas.

É, comparativamente, como estar na Amazônia e não se ter ao alcance da contemplação um mundaréu de árvores e tudo o mais que elas permitam em sua configuração de ecossistema.

Mas, assim como estão suprimindo árvores na Amazônia dia a após dia, na paisagem junina do Nordeste “as árvores” dos grupos de quadrilhas também têm sofrido sérios impactos.

Nas quadrilhas, funciona como uma espécie de queimada a falta de estímulo para que sigam em frente coreografando a alegria, a chuva do inverno, a bonança das colheitas do milho, do amendoim, do feijão. A tradição de uma macrorregião.

A medir por Sergipe, que é um Estado bem representativo do ciclo junino e da preservação das quadrilhas, a “devastação” dessa atividade cultural revela uma preocupação maiúscula.

“Em média, são 35 grupos em atividade atualmente. Esse número tem caído significativamente em nosso Estado, que já chegou a contar com cerca de 155 quadrilhas juninas entre de adultos, idosos e mirins. Esta última, atualmente só contamos com uma”, diz Cristiano Dias, 36 anos.

Cristiano Dias não é qualquer um palpiteiro empírico na floresta do que se passa com as quadrilhas de Sergipe. Nelas e com elas, ele tem francas vivências práticas e teóricas.

Para começo de conversa, Cristiano Dias é um administrador de Empresas por formação e defende que as quadrilhas devam se profissionalizar administrativamente a cada dia mais para enfrentar com mais técnica a selva das dificuldades.

Ademais, atualmente ele é administrador e marcador da Quadrilha Xodó da Vila. Mais do que isso: em 2020 pós-graduou-se em Administração Pública, cuja tese foi “Impactos causados pela ausência de políticas públicas e de gestão interna nas quadrilhas juninas de Aracaju”.

Cristiano já ocupou cargos em algumas entidades de classe na esfera das quadrilhas - foi vice-presidente da Liquajuse - Liga das Quadrilhas Juninas de Aracaju e Sergipe -, presidiu a Quadrilha Cacimba Nova e foi vice-presidente da Quadrilha Xodó da Vila.

Do alto desses postos todos, ele prevê: “Em tempos remotos, o risco de extinção das quadrilhas não era cogitado pelo fato de não termos as dificuldades que enfrentamos hoje, como o financeiro principalmente. Esse é o fator-chave que está causando a decadência do movimento junino no nosso Estado”, diz Cristiano Dias.

“Um grupo competitivo a nível nacional custa muito caro. Uma estimativa de cerca de R$ 500 mil e essa é uma realidade um tanto quanto distante de nós quadrilheiros”, diz. Na busca de patrocínio, consegue-se, quando se consegue, jogos de camisa.  

Por tudo isso, ele teme um futuro sem toda a algaravia das alegrias juninas. “Particularmente, não consigo imaginar o mês de junho sem os concursos, sem toda aquela bagunça boa que é o nosso São João. É muito triste pensar que estamos caminhando para este fim. Medidas urgentes precisam ser tomadas”, diz. 

Cristiano Dias de Menezes nasceu no dia 11 de setembro de 1986, em Aracaju. Ele é filho de Hilda Dias de Menezes e casado com a administradora de Empresas Edenilza Rodrigues Dórea, a Susy, e é pai de três filhos - Natália, Yan e Sophia.

Em 2011, com a Xodó da Vila, ao ser campeão no Centro de Criatividade com o tema “O cangaço em verso e prosa”
Cristiano Dias nasceu no dia 11 de setembro de 1985 e é administrador de Empresas por formação acadêmica

 

GRUPOS DE QUADRILHA NÃO MORREM...
“O movimento ainda encontra-se de pé, apesar das dificuldades em torno dele, como por exemplo a falta de componentes. Muitos deixaram as quadrilhas devido aos altos custos que são necessários para a realização dos espetáculos, como indumentária, locomoção para os ensaios”

JLPolítica - Neste momento de junho, em que situação encontram-se os diversos grupos de quadrilhas juninos de Sergipe?
Cristiano Dias -
O movimento ainda encontra-se de pé, apesar das dificuldades em torno dele, como por exemplo a falta de componentes. Muitos deixaram as quadrilhas devido aos altos custos que são necessários para a realização dos espetáculos, como indumentária, locomoção para os ensaios, entre outros. Gostaríamos de ver as quadrilhas com um número maior de componentes, bem como um número maior de quadrilhas juninas, mas agradecemos aos que ainda permanecem firmes tentando manter viva a tradição.

JLPolítica - O senhor acha que essa situação advém essencialmente dos dois anos da pandemia de coronavírus ou haveriam outras razões?
CD -
É uma mescla de diversos fatores juntamente com a pandemia. Antes do período turbulento do corona vírus, algumas quadrilhas já vinham declarando sua saída dos arraiás e, mesmo que temporariamente, a falta de qualquer quadrilha já deixa uma lacuna no nosso movimento, porque apesar de competirmos, sabemos da importância de cada grupo. Afinal, quanto mais quadrilhas competindo, mais concursos, mais oportunidades de apresentar os nossos espetáculos. E quadrilheiro gosta disso. Como costumamos dizer, nosso desejo é “gastar o traje”. Em continuidade, a pandemia teve impacto negativo na economia, o que consequentemente afeta as quadrilhas que fazem demasiados investimentos para realizar seus trabalhos.

JLPolítica - O senhor acredita que o apoio oficial que se dá às quadrinhas juninas está bem abaixo da representação e do significado culturais delas para o Estado?
CD -
Quadrilha junina, principalmente no nosso Estado, reúne muitas pessoas, diverte gente e movimenta grande parte da economia em diversos setores, como o de aviamento, têxtil, artesanato, costura, calçados, musical, entre outros. E são os componentes que arcam com grande parte desses gastos, a outra parte é suprida pelos esforços da organização de cada quadrilha. Recentemente recebemos ajuda da Lei Aldir Blanc, que nos agraciou com recursos financeiros através de aditais e isso amenizou as dificuldades das juninas após o período pandêmico. Ainda assim, é árduo o trabalho para recuperar as quadrilhas que hoje não estão mais ativas por questões financeiras.

Cristiano Dias: choro de emoção por dançar pela primeira vez na Rua de São João com a Cacimba Nova, quadrilha que ele fundou

 

... MAS VÃO PERDENDO A IMPORTÂNCIA
“Não precisamos de muito para perceber a diferença da valorização da nossa cultura atualmente, comparada a tempos atrás. Então, claramente cada vez mais esses fatores impactam negativamente na continuidade do movimento junino no nosso Estado. Isso é preocupante”

JLPolítica - Mas foi sempre assim ou está pior de recentemente para cá?
CD -
Não precisamos de muito para perceber a diferença da valorização da nossa cultura atualmente, comparada a tempos atrás. Então, claramente cada vez mais esses fatores impactam negativamente na continuidade do movimento junino no nosso Estado. Isso é preocupante, uma vez que a cultura precisa dessa valorização para continuar existindo. Mas podemos dizer que o olhar do Estado para as nossas quadrilhas juninas melhorou da pandemia pra cá.

JLPolítica - O avanço excessivo das religiões protestantes sobre a católica não tem sido um obstáculo a mais para a firmação e sobrevivência das quadrilhas juninas, uma vez que protestantes e evangélicos criminalizam essas atividades que tem três santos por ponto de festejo?
CD -
Acredito que não. Não a religião em si, uma vez que temos brincantes católicos, evangélicos, candomblecistas e das diversas religiões que conhecemos. Acredito que a marginalização das quadrilhas juninas ganhou força pelo pensamento de que elas são coisas de quem não tem o que fazer, como no dito popular. Quem está de fora do meio junino e não o admira, acha um absurdo os investimentos. Acha uma bagunça os espetáculos e infelizmente não entende o prazer que é dançar quadrilha.

JLPolítica - O senhor consegue medir a influência das quadrilhas juninas na formação pessoal dos sergipanos? Qual seria, então?
CD -
Durante meus 22 anos de quadrilha junina como marcador e brincante, vi minha vida tomar rumos favoráveis. Foi após entender a quadrilha junina como mais que lazer, que percebi a necessidade de organizar para poder lidar melhor com o social e o financeiro para obter um resultado positivo dos espetáculos. Tudo isso está atrelado à administração, área na qual sou pós-graduado. Em minha comunidade, vi muitas crianças fazerem parte das juninas mirins e hoje dão continuidade as quadrilhas adultas. Esses mesmos integrantes exercem um papel importante nas quadrilhas, auxiliando sempre que possível para o andamento dos trabalhos, além da responsabilidade adquirida por cada um deles com relação a horário, ao convívio social, a reserva financeira para custear os adereços, entre outros.

Cristiano Dias: desde os sete anos a força da tradição junina pesa sobre seu destino

 

O ESTRANHO OLHAR DE QUEM ESTÁ FORA
“Acredito que a marginalização das quadrilhas juninas ganhou força pelo pensamento de que elas são coisas de quem não tem o que fazer, como no dito popular. Quem está de fora do meio junino e não o admira, acha um absurdo os investimentos. Acha uma bagunça os espetáculos e infelizmente não entende o prazer que é dançar quadrilha”

JLPolítica - O senhor não sente e percebe uma certa escassez das quadrilhas juninas mirins, sendo que elas poderiam funcionar como uma espécie de laboratórios de incubação desta tradição para a fase adulta?
CD -
Sim. Infelizmente a marginalização das quadrilhas tem forte influência sobre o fim das juninas mirins. Muitos pais ainda têm receio de permitir que seus filhos participem do meio junino. Atrelado a isso, está o fator financeiro, como já citado anteriormente, e também a desvalorização das juninas. Particularmente, não consigo imaginar o mês de junho sem os concursos, sem toda aquela bagunça boa que é o nosso São João. É muito triste pensar que estamos caminhando para este fim. Medidas urgentes precisam ser tomadas.
 
JLPolítica - Qual seria o papel da escola nisso, seja a particular ou a pública?
CD -
Por ser uma instituição que cuidada de grande parte da vida das crianças, as escolas poderiam incutir mais pontos da nossa cultura em seus currículos. Talvez, o conhecimento despertasse nas crianças e na família o interesse de participar ativamente das quadrilhas, independentemente de ser instituição pública ou particular. A cultura é uma parte extremamente importante da nossa sociedade.

JLPolítica - Aquele arraialzinho de um dia, que as escolas realizam no pico de junho, levando os estudantes a dançarem quadrilha, não é apenas um arremedo e uma folclorização da atividade?
CD -
Na minha opinião, sim. Quadrilha junina é bem mais que um dia de preparação para a sua plena realização, sem contar que muitos estudantes o fazem por obrigação, e não é isso que o movimento junino preza.

Cristiano Dias e a musa Edenilza Rodrigues Dórea, com quem dança quadrilha há 16 anos e a quem fez de esposa

 

COMO A QUANTIDADE DE QUDRILHAS VAI MURCHANDO
“Em média, são 35 grupos em atividade atualmente. Esse número tem caído significativamente em nosso Estado, que já chegou a contar com cerca de 155 quadrilhas juninas entre de adultos, idosos e mirins. Esta última, atualmente só contamos com uma”

JLPolítica - O jovem classe média sergipano, sobretudo o aracajuano, tem preconceito dela, no aspecto de ser um dançante e um brincante?
CD -
Até então não vimos nenhum comportamento do tipo. Muito pelo contrário: os brincantes veem a quadrilha como um meio agregador para o seu currículo pessoal.

JLPolítica - Qual é o volume, ou a quantidade, de quadrilhas juninas em atividade nos últimos anos? Tem caído ou aumentado?
CD -
Em média, são 35 grupos em atividade atualmente. Esse número tem caído significativamente em nosso Estado, que já chegou a contar com cerca de 155 quadrilhas juninas entre de adultos, idosos e mirins. Esta última, atualmente só contamos com uma.

JLPolítica - Os gestores atuais delas as conduzem bem ou são excessivamente amadores? Em síntese, não falta-lhes uma boa visão de gestão?
CD -
Não generalizo esta e muitas outras questões. Mas alguns diretores ainda precisam ter uma visão mais amplificada e atualizada do que realmente é fazer quadrilha junina nos dias de hoje. Lidamos com um número considerável de pessoas que depositam boa parte de seu tempo, esforço e dinheiro para fazer parte de um belo espetáculo. Então temos que saber conduzir muito bem essas situações. A gestão é algo primordial e precisamos ter esse olhar empresarial para nossas quadrilhas juninas.

Cristiano Dias e Edenilza Rodrigues Dórea: grudados para não perderem o passo

 

DA BAIXA SIGNIFICAÇÃO DE AJUDAS
“Os organizadores das quadrilhas juninas procuram as empresas privadas e até oferecem apresentações em troca do patrocínio, mas por algum motivo desconhecido essas empresas não abraçam a causa, e quando acatam algum pedido fazem o mínimo, como por exemplo, custear algumas camisas”

JLPolítica - Por que não se estabelecem parcerias de patrocínios com a iniciativa privada para potencializá-las?
CD -
Os organizadores das quadrilhas juninas procuram as empresas privadas e até oferecem apresentações em troca do patrocínio, mas por algum motivo desconhecido essas empresas não abraçam a causa, e quando acatam algum pedido de ajuda fazem o mínimo, como por exemplo, custear algumas camisas.

JLPolítica - Afinal, seria custoso manter-se um grupo de quadrilha harmônico, profissional e bem competitivo?
CD -
Com toda certeza, sim. Harmônico pelo fato de o financeiro influenciar o ânimo do brincante a dar continuidade no projeto junino, e se manter numa quadrilha sem ajuda de custo, a depender da situação financeira do componente, é extremamente difícil. Quanto ao profissional, os valores estão subindo exacerbadamente. Claro que devemos valorizar o trabalho dos músicos que, diga-se de passagem, é belíssimo, mas a escassez de profissionais vem fazendo com que as quadrilhas necessitem de investimentos muito maiores do que a tempos atrás. Por fim, um grupo competitivo, a nível nacional custa muito caro. Uma estimativa de cerca de R$ 500 mil e essa é uma realidade um tanto quanto distante de nós quadrilheiros até então.

JLPolítica - Qual é o papel da Liga das Quadrilhas no contexto de manutenção e orientação delas para o presente e o futuro?
CD -
Primeiramente, é o de atuar efetivamente na orientação jurídica. Por exemplo, a participação da Lei Aldir Blanc não contou com a inscrição de todas as quadrilhas pela falta de informação por parte da Liga das Quadrilhas. Outro ponto importante deveria ser a preocupação com as juninas nos demais meses do ano e não somente durante o período dos concursos, uma vez que as quadrilhas juninas não conseguem se manter com as premiações adquiridas nas disputas, pois somente algumas delas são agraciadas com esses eventos.

Cristiano Dias, em 2021, durante a pandemia, numa apresentação para o Governo do Estado

 

DISPARIDADE ENTRE O TRADICIONAL E O ESTILIZADO
“Não denomino de conflito de identidades, mas sim como disparidade e falta de equilíbrio entre o tradicional e o estilizado. Este último, vem tomando uma proporção gigantesca. A grande questão é que o balanço de saia está sendo excluído dos espetáculos devido a estilização das saias que não permitem o balançado - algo que é tão peculiar do Estado de Sergipe”

JLPolítica - O que são Liquajuse e Asquajuse, a que se destinam, e não seriam redundantes entre si?
CD -
A Liquajuse é a Liga das Quadrilhas Juninas de Aracaju e Sergipe e Asquajuse é a Associação das Quadrilhas Juninas de Sergipe. Ambas tem a mesma finalidade, que é a de dirigir e organizar as quadrilhas juninas do nosso Estado. Quanto à redundância, é nítido que sim, uma vez que o Estado de Sergipe é pequeno, bem como o número de quadrilhas existentes está bastante reduzido, o que faz com que o movimento se divida ainda mais.


JLPolítica - O senhor acha que há conflito de identidade entre as quadrilhas juninas estilizadas e as tradicionais, raízes?
CD -
Não denomino de conflito de identidades, mas sim como disparidade e falta de equilíbrio entre o tradicional e o estilizado. Este último, vem tomando uma proporção gigantesca, uma vez que as quadrilhas juninas de fora do Estado têm uma forte influência e disputam concursos com as quadrilhas do nosso Estado. A grande questão é que o balanço de saia está sendo excluído dos espetáculos devido a estilização das saias que não permitem o balançado - algo que é tão peculiar do Estado de Sergipe. Embora seja importante que acompanhemos a evolução das coisas, agregando novos elementos, também é importante buscarmos manter a tradição.


JLPolítica - O senhor não vê nas estilizadas um sonho de assemelharem-se a uma escola de samba carioca?
CD -
A estrutura das escolas de samba é grandiosa, tudo o que é bom e mais próximo do perfeito deve ser tido como referência, mas, como dito anteriormente, é importante ter cuidado em como se inspirar em algumas coisas. Os cenários imensos chamam a atenção, mas a dança coreografada e o balançado de saia é o que fazem a diferença nas nossas quadrilhas.

Cristiano Dias com dois dos três filhos - Yan e Natália

 

COMO SE DEFINE UMA BOA QUADRILHA?
“Trago comigo a filosofia de que o tratar bem os componentes, buscando manter uma harmonia dentro do grupo, é de extrema importância para a formação de uma boa quadrilha. Com relação ao Estado, com maior força percebo que a disputa entre as melhores quadrilhas do Nordeste está entre o Ceará e Pernambuco. Os trabalhos ali são grandiosos”

JLPolítica - A quadrilha junina não poderia ser uma instituição com o pé no social durante o ano inteiro, como  são determinadas escolas de samba do Rio de Janeiro?
CD -
Algumas quadrilhas juninas, diferentemente do que muitas pessoas imaginam, trabalham durante cerca de 10 meses preparando seus espetáculos para o ano seguinte. Então pode-se dizer que o nosso trabalho social se assemelha ao das escolas de samba.

JLPolítica - Sergipe tem sido um bom arrebatador de prêmios com quadrilhas em eventos Brasil afora?
CD -
Nos últimos anos, infelizmente não.

JLPolítica - Afinal, o que é uma boa quadrilha junina e, no Nordeste, que Estado mantém a maior força nessa tradição?
CD -
Cada grupo junino tem suas particularidades, mas uma boa quadrilha junina leva uma explosão de animação para os telespectadores, além de conseguir transmitir o tema proposto de forma clara e explanar no arraiá que dança com paixão. Particularmente, trago comigo a filosofia de que o tratar bem os componentes, buscando manter uma harmonia dentro do grupo, é de extrema importância para a formação de uma boa quadrilha. Com relação ao Estado, com maior força percebo que a disputa entre as melhores quadrilhas do Nordeste está entre o Ceará e Pernambuco. Os trabalhos ali são grandiosos.

Em 2019, numa disputa com a Xodó da Vila no Clube da Caixa

 

DIFICULDADES FINANCEIRA É CHAVE DA DECADÊNCIA
“Em tempos remotos, o risco de extinção das quadrilhas não era cogitado pelo fato de não termos as dificuldades que enfrentamos hoje, como já mencionado - o financeiro principalmente. Esse é o fator chave que está causando a decadência do movimento junino no nosso Estado”

JLPolítica - Há quadrilha junina fora do ciclo nordestino, em outros Estados da federação?
CD -
Há quadrilhas juninas em diversos lugares do Brasil, como no Rio de Janeiro, local onde surgiram as primeiras quadrilhas, e em São Paulo, por exemplo.

JLPolítica - O senhor acha que as quadrilhas, enquanto entidades de afirmação de identidade cultural, nunca correm o risco de desaparecer tais como são hoje?
CD -
Em tempos remotos, o risco de extinção das quadrilhas não era cogitado pelo fato de não termos as dificuldades que enfrentamos hoje, como já mencionado - o financeiro principalmente. Esse é o fator chave que está causando a decadência do movimento junino no nosso Estado.


JLPolítica - São muito demandosos os custos?
CD -
Sim. Componentes não conseguem se manter e arcar com esses altos custos exigidos para a montagem dos espetáculos, muitas quadrilhas não recebem apoio financeiro e algumas das que recebem não conseguem gerenciar da maneira correta o apoio recebido. Hoje seria essencial as quadrilhas, em sua linha de frente da organização, ter pessoas capacitadas e que de fato lutam pelo movimento, que sejam participantes assíduos e que enxerguem o problema como um todo para que se chegue a uma solução eficaz.

A caminho da roça junina em família: com Yan, Sophia, a filha mais nova, e a esposa Edenilza Rodrigues Dórea
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