Entrevista

Jozailto Lima

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Danielle Garcia: “Vejo que Aracaju terá sua primeira mulher eleita prefeita”

7 de novembro de 2020
“Não busquei criar um personagem, mostrei a Danielle real, sem filtros”

Não há como negar que a candidata a prefeita de Aracaju pelo Cidadania, Danielle Garcia, 43 anos, chega à reta final da campanha mais leve. Mais macia. Aparentemente mais palatável - tudo isso, óbvio, no aspecto político. 

Não que Danielle Garcia não tivesse um pouco de cada um desses predicados. Mas os tinha meio que ralamente, preponderando umas certas aspereza e brutalidade no modo de ver e sobretudo de dizer as coisas no dia a dia de um embate de quem vai ao primeiro round no próximo domingo, 15. 

Nesta campanha, Danielle Garcia funcionou politicamente como se a razão e a lógica no mundo político assistissem somente a ela. Exercitou um radicalismo deliberado. Coisa de iniciante.

Mas agora, além dessa palatabilidade, Danielle Garcia está vendendo esperanças a três por quatro. Esperança de ir ao segundo turno da disputa e de, nele, tornar-se a prefeita de Aracaju para o período de 2021 a 2024.

“Mostrei aos aracajuanos a mulher determinada que eu sou, que não foge dos desafios e que tem coragem de enfrentar o que for preciso, inclusive os que estão no poder”, avisa ela. 

E garante: “Não busquei criar um personagem. Mostrei a Danielle real, sem filtros. Eu estou indignada com a realidade de Aracaju. São milhares de pessoas vivendo sem dignidade alguma e sendo totalmente ignoradas pela gestão municipal”.

“Convido a todos os leitores a fazerem uma visita ao Bairro 17 de Março e ver os banheiros na rua. À invasão do Marivan, ao Tamandaré. Conheçam a Aracaju profunda. A minha indignação, expressa na minha forma de falar, é reflexo da minha responsabilidade e da empatia com a nossa população”, diz Danielle, justificando o modo, para alguns, duro de expor as realidades políticas. 

Para Danielle Garcia, o fundamental hoje é a interdição do Edvaldo Nogueira prefeito do amanhã. Interdição pelo voto. Ela entende que a continuidade do atual gestor é prejuízo fundo e certo para Aracaju e para os aracajuanos. “Seria a continuidade de antigos problemas”, diz. 

“Seriam mais quatro anos de promessas não cumpridas e Aracaju se afundando num atraso inestimável. Seguiríamos, por exemplo, sem a realização das licitações do transporte público e do lixo. Com comunidades periféricas sem atenção do poder público. Seguiríamos com famílias morando em invasões e sem acesso a serviços essenciais, como temos no Marivan. Nossas crianças e jovens continuariam sem acesso à educação de qualidade e sem espaços de lazer e prática esportiva”, ressalta.

Danielle afirma que se for eleita passará de imediato um pente fino nos atos e contratos da gestão de Edvaldo. “Realizaremos uma auditoria e uma revisão de todos os contratos para acabar com possíveis excessos, além de promover uma reforma administrativa para reduzir o número de Secretarias. Vamos abrir a caixa-preta da Prefeitura de Aracaju”, afirma ela.

Nesta Entrevista, Danielle Garcia afasta os boatos de que esconda o senador Alessandro Vieira, Cidadania, da campanha. Nega a mesma boataria em relação ao seu candidato a vice-prefeito Valadares Filho, PSB, e se queixa do modo agressivo como o marketing de Edvaldo Nogueira trata a ela e aos seus aliados.

Danielle Garcia Alves Soares nasceu em Aracaju no dia 26 de dezembro de 1976. Ela é filha de Rosival da Silva Alves e Dilma Alves Garcia. Divorciada, é mãe da jovem Maria Garcia, 20 anos, estudante universitária.

Danielle Garcia tem formação acadêmica em Direito pela Universidade Federal de Sergipe desde 1999, especialização em Gestão Estratégica em Segurança Pública e mestrado em Direito Público, ambos pela UFS, e curso superior de Inteligência Estratégica na Escola Superior de Guerra.

Desde o ano 2000 ela é uma delegada da Polícia Judiciária do Estado de Sergipe e na esfera da Secretaria de Segurança Pública foi diretora do Departamento de Combate a Crimes Contra a Ordem Tributária e à Administração Pública - Deotap - e coordenou o Laboratório de Tecnologia no Combate à Lavagem de Dinheiro de Sergipe.

Na companhia de Valadares Filho, o candidato a vice-prefeito, não lhe faltou perna nem ânimo para percorrer Aracaju
A executiva de segurança pública Danielle Garcia em curso da Escola Superior de Guerra
DO QUE COLHE NO FINAL DA CAMPANHA 
“Diante de toda receptividade e carinho que estamos recebendo nas localidades que visitamos, vejo que estamos no caminho certo e que Aracaju terá a sua primeira mulher eleita prefeita. Estão nítidos no olhar das pessoas a esperança e o desejo de eleger Danielle Garcia”

JLPolítica – A senhora está a uma semana da eleição. O que é que este horizonte próximo lhe sinaliza?
Danielle Garcia – 
Diante de toda receptividade e carinho que estamos recebendo nas localidades que visitamos, vejo que estamos no caminho certo e que Aracaju terá a sua primeira mulher eleita prefeita. Estão nítidos no olhar das pessoas a esperança e o desejo de eleger Danielle Garcia, uma mulher com coragem para promover as mudanças necessárias e há tantos anos aguardadas.

JLPolítica – Durante a campanha a senhora se sentiu incorporada pelos ideais do bolsonarismo ou se sentiu excluída?
Danielle Garcia – 
Sinto-me incorporada pelos ideais que eu acredito, que é na forma de fazer a boa política, com seriedade, ética, transparência e compromisso com a melhoria da vida dos aracajuanos, independentemente de ideologia. 

JLPolítica – Impactou muito sobre o projeto eleitoral do seu grupo a abrupta ruptura entre Sergio Moro e Jair Bolsonaro?
Danielle Garcia – 
De forma alguma. Até porque o convite para que eu fosse atuar no Ministério da Justiça veio por minha capacidade técnica e reconhecimento ao trabalho que sempre desenvolvi enquanto delegada de polícia, especialmente no combate à corrupção. Além disso, vale destacar, que eu saí do Ministério muito antes do então ministro Sérgio Moro entregar o cargo.

Danielle em treinamento para a atividade policial em Sergipe
DE NÃO TER ESCONDIDO O SENADOR ALESSANDRO 
“Alessandro tem dado sim, enquanto presidente do nosso partido, o Cidadania, todo o apoio necessário à minha candidatura. Vejo afirmações de que estou escondendo ele, o que é uma grande mentira. Gente, a candidata sou eu e estou diariamente em campanha nas ruas”

JLPolítica – A senhora se sentiu segura no campo político-eleitoral com as ações da parte do senador Alessandro Vieira ou ele poderia ter participado mais?
Danielle Garcia – 
Estou segura e sei da minha capacidade. Se eu não estivesse preparada não teria aceitado entrar na política e disputar mandato eletivo. Inclusive, uma das condições para eu aceitar foi a de que eu teria independência. Alessandro tem dado sim, enquanto presidente do nosso partido, o Cidadania, todo o apoio necessário à minha candidatura. Vejo afirmações de que estou escondendo-o, o que é uma grande mentira. Gente, a candidata sou eu e estou diariamente em campanha nas ruas. Alessandro é senador da República e está cuidando do seu mandato, fazendo o trabalho para o qual ele foi eleito.

JLPolítica – A senhora subscreve até que ponto as observações críticas de que a sua campanha não deu a Valadares Filho a verdadeira importância que ele poderia ter tido?
Danielle Garcia – 
Essa é mais uma fake news contra a minha candidatura. Veja até que ponto estamos incomodando. Como é que eu não dei importância a Valadares Filho, se ele está comigo em absolutamente todos os eventos? Nas entrevistas sempre faço questão de ressaltar que tenho ao meu lado uma pessoa com caráter ilibado, com serviços prestados ao nosso Estado e com uma experiência que será essencial em nossa gestão. Acho que os que fazem esse tipo de crítica não estão acompanhando a campanha eleitoral em Aracaju, principalmente a nossa. Ou simplesmente tentam criar factoides para agradar quem está no poder e quer permanecer por mais tempo.

JLPolítica – A senhora acha que o modelo de ataque a adversários que o marketing do prefeito Edvaldo pratica excedeu sobre Valadares Filho, Eduardo Amorim e outros aliados da senhora?
Danielle Garcia – 
Sim. Essa é uma velha prática do marqueteiro de Edvaldo, sempre utilizada nas campanhas eleitorais. O pior é que eles atacam os adversários, mas o prefeito tem a cara de pau de se vitimizar e diz que não faz ataques. Ou seja, mente descaradamente para os aracajuanos. Nossa população está cansada de mentiras. Quer a verdade.

No estrelato: Danielle Garcia, numa das tantas entrevistas sobre as operações da Deotap
DA DUREZA NA PROPAGANDA ELEITORAL
“Dividimos a campanha em três fases, sendo a primeira para mostrar nossa disposição de combater a corrupção. Vale lembrar que estamos num embate direto com o prefeito que está há 16 anos no poder e pedindo mais tempo para solucionar problemas antigos, além de terminar obras que só começou próximo do ano eleitoral. Precisávamos fazer um contraponto a tudo isso”

JLPolítica – Foi do prazer pessoal da senhora tanta judicialização da campanha, ou deu-se aí o inevitável?
Danielle Garcia – 
Não entrei com representações na justiça contra adversários por prazer pessoal e sim por ter minha honra atacada, e por meus opositores descumprirem a legislação eleitoral. Por exemplo, era para ver a Prefeitura de Aracaju, que deve ser impessoal, ser utilizado pela turma do prefeito Edvaldo Nogueira para me atacar e não fazer nada? A lei é muito clara, proibindo esse tipo de coisa, tanto é que o juiz salienta na decisão. Portanto, todas as representações judiciais que apresentei tinham embasamento jurídico.

JLPolítica – A senhora se achou muito dura e incisiva na configuração dos programas eleitorais da propaganda obrigatória, sobretudo os do começo?
Danielle Garcia – 
Dividimos a campanha no rádio e na TV em três fases, sendo a primeira para mostrar nossa disposição de combater a corrupção. Além disso, vale lembrar que estamos num embate direto com o atual prefeito, que está há 16 anos no poder e pedindo mais tempo para solucionar problemas antigos, além de terminar as obras que ele só começou próximo do ano eleitoral. Precisávamos fazer um contraponto a tudo isso. Na sequência, passamos a apresentar nossas propostas para a população. Agora no final a gente vem com uma nova significação, que será uma surpresa.

JLPolítica – Olhando a reta final da campanha, a senhora faz alguma autocrítica ao seu modelo de linguagem, à sua inflexão de falas e visões?
Danielle Garcia – 
Não, pois mostrei aos aracajuanos a mulher determinada que eu sou, que não foge dos desafios e que tem coragem de enfrentar o que for preciso, inclusive os que estão no poder. Não busquei criar um personagem. Mostrei a Danielle real, sem filtros. Eu estou indignada com a realidade de Aracaju. São milhares de pessoas vivendo sem dignidade alguma e sendo totalmente ignoradas pela gestão municipal. Convido a todos os leitores a fazerem uma visita ao Bairro 17 de Março e ver os banheiros na rua. À invasão do Marivan, ao Tamandaré. Conheçam a Aracaju profunda. A minha indignação, expressa na minha forma de falar, é reflexo da minha responsabilidade e da empatia com a nossa população. 

“Como é que não dei importância a Valadares Filho, se ele está comigo em absolutamente todos os eventos? Nas entrevistas sempre faço questão de ressaltar que tenho ao meu lado uma pessoa com caráter ilibado”
DO PLANEJAMENTO PARA UM SEGUNDO TURNO
“Vamos trabalhar para conquistar a confiança daqueles que não votarem em nossa chapa no primeiro turno, mas entendem que Aracaju precisa de alguém que tenha a coragem para fazer o que é necessário e a sensibilidade para olhar e cuidar dos que mais precisam. A nossa cidade precisa voltar a se desenvolver e a ser referência”

JLPolítica – Eventualmente num segundo turno, a senhora sente condições de atrair os oponentes de Edvaldo Nogueira mais à direita?
Danielle Garcia – 
Claro que abriremos o diálogo, mas vamos respeitar os caminhos que cada um decidir seguir. Independentemente de qualquer coisa, vamos trabalhar para conquistar a confiança daqueles eleitores que não votarem em nossa chapa no primeiro turno, mas entendem que Aracaju precisa de alguém que tenha a coragem para fazer o que é necessário e a sensibilidade para olhar e cuidar dos que mais precisam. A nossa cidade precisa voltar a se desenvolver e a ser referência. Somos a capital do menor Estado do país, temos força, garra e criatividade para inovar e empreender.

JLPolítica – O que a senhora espera de Alessandro Vieira num eventual segundo turno?
Danielle Garcia – 
Alessandro seguirá sendo o presidente estadual do Cidadania e o senador da República. Como no primeiro turno, seguirá contribuindo.

JLPolítica – Com que medidas e observações a senhora dá por certo que a definição da sucessão de Aracaju só ocorrerá num segundo turno?
Danielle Garcia – 
Temos as pesquisas internas que mostram essa tendência e a polarização entre a nossa chapa e a de Edvaldo. Vale lembrar que a última eleição para prefeito foi decidida no segundo turno, e olhe que tínhamos menos candidatos que o pleito deste ano.

Danielle Garcia enfrentou na primeira campanha um clima diferente, na qual as máscaras não afetaram os sentimentos
A PERMANÊNCIA DE EDVALDO NOGUEIRA...
“Seria a continuidade de antigos problemas. Seguiríamos, por exemplo, sem a realização das licitações do transporte público e do lixo. Com comunidades periféricas sem atenção do poder público. Seguiríamos com famílias morando em invasões e sem acesso a serviços essenciais, como temos no Marivan. Nossas crianças e jovens continuariam sem acesso à educação de qualidade e sem espaços de lazer”

JLPolítica – Se a senhora for ao segundo turno, espera ter um impulsionamento maior da ala governista nacional?
Danielle Garcia – 
Não existem planos neste sentido.

JLPolítica – Como está o fôlego da senhora para a segunda etapa?
Danielle Garcia – 
Tenho fôlego e preparo de sobra (risos). O meu combustível é o carinho das pessoas por onde a gente passa, a esperança nos olhos de cada aracajuano. Uma energia contagiante e que nos fortalece.

JLPolítica – Quais seriam os eventuais danos para o futuro de Aracaju e dos aracajuanos que Edvaldo Nogueira se reconfirmasse prefeito da capital sergipana por mais quatro anos?
Danielle Garcia – 
Seria a continuidade de antigos problemas. Seguiríamos, por exemplo, sem a realização das licitações do transporte público e do lixo. Com comunidades periféricas sem atenção do poder público. Seguiríamos com famílias morando em invasões e sem acesso a serviços essenciais, como temos no Marivan. Nossas crianças e jovens continuariam sem acesso à educação de qualidade e sem espaços de lazer e prática esportiva. Seguiremos com uma gestão que se preocupa mais com publicidade do que com a saúde dos aracajuanos. Seriam muitos os problemas que população seguiria enfrentando por falta de interesse do atual prefeito. Seriam mais quatro anos de promessas não cumpridas e Aracaju se afundando num atraso inestimável.

Também não faltou disposição para ir onde houvesse demanda
CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DO SECRETARIADO
“Queremos técnicos de cada área à frente das Secretarias. Você jamais verá em minha gestão um professor comandando a saúde ou um médico na Secretaria de Turismo. Cada um ocupará a área que domina para promover melhorias e melhorar a qualidade dos serviços prestados. Não há problema de ter envolvimento com a política”

JLPolítica – A senhora desejou de verdade ou foi só teatro a intenção de ter a Edvaldo num debate público?
Danielle Garcia – 
Desejei, sim, esse debate e lamento muito que as emissoras tenham decidido não realizar. Quem perde é a população, pois não terá a oportunidade de ver a discussão das propostas. No debate, o prefeito não teria o marketing para maquiar a realidade e esconder os problemas, como os enfrentados pelos moradores do Izabel Martins, do Jardim Recreio e de tantas outras localidades. Ele também teria que falar para a população sobre as investigações da Polícia Federal por suspeitas de irregularidades em sua gestão relacionadas ao Hospital de Campanha. Foram R$ 27 milhões gastos e não foi disponibilizado um leito sequer de UTI. Enquanto isso, pacientes ficaram horas aguardando um leito dentro de ambulâncias do Samu e depois eram encaminhadas para o interior. 

JLPolítica – O que isso certifica?
Danielle Garcia – 
Um absurdo. Mostra a falta de sensibilidade e de compromisso com a vida das pessoas. Enquanto isso, milhões foram gastos com publicidade durante a pandemia. Mas ainda temos tempo para um debate no primeiro turno e o desafio segue de pé. Mas acredito que Edvaldo seguirá fugindo. Vamos ver se no segundo turno ele vai recusar os convites das emissoras para debater.

JLPolítica – Uma vez prefeita, que critérios técnicos norteariam a escolha do seu secretariado, mesmo respeitando a ligação política dos selecionados?
Danielle Garcia – 
É justamente isso: queremos técnicos de cada área à frente das Secretarias. Você jamais verá em minha gestão um professor comandando a saúde ou um médico na Secretaria de Turismo. Cada um ocupará a área que domina para promover melhorias e melhorar a qualidade dos serviços prestados. Não há problema de ter envolvimento com a política, mas o critério que levaremos em conta será sua capacidade técnica. Não vamos fazer como ocorre atualmente, onde secretários são escolhidos para agradar aliados, mesmo que a pessoa não tenha preparo.

JLPolítica – Foi real ou maldade política de oponentes a sua suposta oferta de Secretaria ao empresário Milton Andrade?
Danielle Garcia – 
A escolha de Milton Andrade para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico é um exemplo de como serão as nossas opções. Embora os adversários e setores da imprensa destaquem o lado político, Milton é um empresário de sucesso, com um histórico de recuperação de empresas que estavam à beira da falência. Além disso, ele tem toda uma gama de conhecimento em administração que pode ser trazido para a gestão municipal, à exemplo da implantação do sistema de compliance. Tenho certeza de que Milton vai ser uma peça fundamental na gestão para promover a retomada da economia em nossa cidade, dialogando com os diversos setores e atuando na captação de recursos e atração de investimentos.

Em Brasília, DF, durante um dos tantos cursos de Inteligência Policial
PERSONALIZAÇÃO NA ESCOLHA DE MILTON ANDRADE
“A escolha de Milton Andrade para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico é um exemplo de como serão as nossas opções. Embora os adversários e setores da imprensa destaquem o lado político, Milton é um empresário de sucesso, com um histórico de recuperação de empresas que estavam à beira da falência. Além disso, ele tem toda uma gama de conhecimento em administração”

JLPolítica – A senhora conhece por dentro como estão as finanças de Aracaju?
Danielle Garcia – 
Conheço a partir dos dados disponibilizados pela Prefeitura de Aracaju no Portal da Transparência, como determina a lei. Temos uma máquina inchada, que gasta muito com cargos comissionados e servidores requisitados. Além disso, sabemos que o município está no limite da capacidade de endividamento, porque já pegou vários empréstimos e teremos que reorganizar para poder pagar. 

JLPolítica – O que uma eventual gestão da senhora faria de imediato?
Danielle Garcia – 
Em todo caso, realizaremos uma auditoria e uma revisão de todos os contratos para acabar com possíveis excessos, além de promover uma reforma administrativa para reduzir o número de Secretarias. Vamos abrir a caixa-preta da Prefeitura de Aracaju.

JLPolítica – A senhora faz uma avaliação negativa ou positiva do excesso de delegados da Polícia Judiciária concorrendo à Prefeitura de Aracaju?
Danielle Garcia – 
Muito positivo. Eu me admiro com todo esse “barulho” que as candidaturas de delegados têm causado. Qual o medo dos delegados se tornarem gestores? Há algo a esconder? Eu, por exemplo, quero trazer minha experiência e conhecimento para promover uma gestão atenta ao controle e à disciplina na administração pública, utilizando de forma consciente os recursos públicos. Além, claro, do combate à corrupção.

Quem nunca se imaginou pilotando um helicóptero ou uma prefeitura como a de Aracaju??
O POSITIVO DO EXCESSO DE DELEGADOS NA DISPUTA
“Eu me admiro com todo esse “barulho” que as candidaturas de delegados têm causado. Qual o medo dos delegados se tornarem gestores? Há algo a esconder? Eu, por exemplo, quero trazer minha experiência e conhecimento para promover uma gestão atenta ao controle e à disciplina na administração pública, utilizando de forma consciente os recursos públicos”

JLPolítica – Quanto por cento da construção do seu plano de governo é fruto da audiência com a população de Aracaju?
Danielle Garcia – 
Quase a sua totalidade, pois é a população a parte mais interessada, a que convive diariamente com os problemas da cidade. A interação com os aracajuanos ocorreu por meio de encontros presenciais e virtuais, buscando ouvir moradores dos diversos bairros e representantes de coletivos, por meio do site www.novotempoaracaju.com.br e das nossas redes sociais. Por isso digo, com toda certeza, que este é um programa focado na realidade, com compromissos claros e estabelecidos de forma colaborativa junto à população de Aracaju.

JLPolítica – Para que modelo de governança participativa apontam as subprefeituras que a senhora planeja criar se for eleita prefeita?
Danielle Garcia – 
Apontam para um modelo que fortaleça a participação política da população, que tomará parte das definições do que precisa ser feito na localidade onde mora. Por isso, vamos descentralizar a gestão municipal, aproximando-a das comunidades, estabelecendo diretrizes para a redução dos prazos nas demandas apresentadas. Para concretizar esse objetivo, serão implantadas essas subprefeituras, modelo já executado em outras cidades. Assim, conseguiremos descentralizar a manutenção da infraestrutura da cidade, bem como a prestação de serviços básicos. Em cada subprefeitura haverá um Conselho de Moradores que definirá as prioridades da região. Junto a isso, será implementado o sistema de avaliação digital de todos os serviços da Prefeitura.

JLPolítica – A senhora desmontaria 100% do modo de Edvaldo Nogueira administrar ou aproveitaria algo?
Danielle Garcia – 
Faremos uma avaliação para identificar os problemas da gestão e fazer as mudanças necessárias para solucionar essas demandas. O que estiver funcionando, será melhorado. Tudo será feito levando em conta sempre o benefício dos aracajuanos, principalmente daqueles que dependem dos serviços públicos.

Danielle Garcia em família, com o pai e o clã de irmãos
DOS EIXOS ESTRATÉGICOS DA GESTÃO
“A gestão contará com quatro Eixos Estratégicos envolvendo as diversas áreas de atuação das Secretarias: Gestão Eficiente, Cidade Sustentável, Desenvolvimento Econômico, Dignidade e Inclusão. Esses eixos serão transformados em Comitês Estratégicos, espaços de construção de ações intersetoriais, transversais e articuladas”

JLPolítica – Quais seriam as primeiras prioridades para o início de uma eventual gestão sua?
Danielle Garcia – 
Além da auditoria, revisão dos contratos e reforma administrativa, e priorizaremos a Saúde, que está na UTI. Os postos não funcionam, os exames não são realizados. Isso é o que ouvimos da população. Por isso, iniciaremos o processo de reestruturação da Saúde. Também vamos priorizar a Educação, que é uma vergonha. Aracaju é a pior capital do Brasil em educação. Eles estão matando o futuro das nossas crianças. Além disso, daremos uma atenção especial ao desenvolvimento econômico, para gerar emprego e renda em nossa cidade. Cobraremos ações efetivas em todas as áreas já a partir do primeiro dia, pois os aracajuanos aguardam ansiosos por uma gestão eficiente com serviços públicos de qualidade.

JLPolítica – No curto e no longo prazo, quais seriam os principais eixos de um Governo tocada pela senhora e pelos seus aliados?
Danielle Garcia – 
A gestão contará com quatro Eixos Estratégicos envolvendo as diversas áreas de atuação das Secretarias: Gestão Eficiente, Cidade Sustentável, Desenvolvimento Econômico, Dignidade e Inclusão. Esses eixos serão transformados em Comitês Estratégicos, espaços de construção de ações intersetoriais, transversais e articuladas. Uma estratégia inovadora de gestão pública que busca melhorar a qualidade da entrega, dando celeridade à execução e reduzindo os gastos com a implementação.

JLPolítica – Qual é a maior demanda do planejamento urbano e de infraestrutura de Aracaju que um Governo sensato devesse resolver prioritariamente?
Danielle Garcia – 
Nossa cidade precisa atualizar, aprovar e implementar o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, e leis complementares, como Código de Obras, Urbanismo, Meio Ambiente, Posturas e demais legislações específicas. Dessa forma, vamos garantir o planejamento democrático, que atenda a complexidade da cidade e da sociedade atual, com controle do uso e ocupação do solo, preservação do meio ambiente e do patrimônio cultural, fortalecendo as centralidades, dinamizando e qualificando os espaços públicos e garantindo a diversidade dos usos e circulação das pessoas na cidade. Em relação à infraestrutura, é preciso aprovar e implementar um projeto de macrodrenagem, promovendo melhoria das condições de drenagem nos pontos críticos de alagamentos, em especial revitalizando os canais abertos. Também é preciso um olhar especial àquelas comunidades sem infraestrutura e saneamento básico.

Danielle Garcia, na formatura de Direito em 1999, ao lado dos pais Rosival da Silva Alves e Dilma Alves Garcia
DO QUE VAI ACONTECER COM A SAÚDE
“Vamos fortalecer a atenção básica, profissionalizando, informatizando e despolitizando a gestão. O número de Equipes do Programa Saúde da Família será ampliado. Queremos zerar a fila logo nos três primeiros meses. Para isso, vamos firmar convênios com clínicas particulares e criar o Centro de Diagnóstico por Imagem e Análises Clínicas. A Saúde das crianças e das mulheres, especialmente das gestantes, também será priorizada”

JLPolítica – Seu plano de Governo trabalha com que déficit de habitação popular em Aracaju, e isso seria quantidade para ser suprida em quanto tempo?
Danielle Garcia – 
O déficit habitacional de Aracaju é incompreensível, levando em conta o tamanho da cidade, sua saúde financeira e os investimentos realizados no passado. São famílias que vivem em habitações completamente insalubres, nas ruas ou dependem do auxílio moradia. Mudar essa realidade significa trazer dignidade para a vida destas pessoas. Fizemos um levantamento e identificamos que o município apresenta 95 aglomerados subnormais. Vamos resolver esse problema com a implementação do Programa Morar Melhor, que prevê a construção de cinco mil moradias para famílias de zero a três salários mínimos, prioritariamente em áreas que já dispõem de infraestrutura. Por meio do Programa de Monitoramento e Controle de Assentamentos Precários, realizaremos o cadastro transparente e atualizado de beneficiários. Queremos reformular e fortalecer o órgão gestor, bem como seus instrumentos legais de planejamento e gestão, como o Conselho Municipal de Habitação e reativar o Fundo Municipal de Habitação.

JLPolítica – A Saúde e a Educação públicas de Aracaju estão em que níveis e exigem o que para estarem no patamar do suportável?
Danielle Garcia – 
Os níveis não são nada bons, tanto na Saúde quanto na Educação. Falta prioridade e um olhar mais sensível para identificar quais são os problemas e buscar soluções a curto, médio e longo prazo. Colocamos em nosso plano de governo o que faremos nestas áreas.

JLPolítica – Na Saúde?
Danielle Garcia – 
Na Saúde, vamos fortalecer a atenção básica, profissionalizando, informatizando e despolitizando a gestão dela. O número de Equipes do Programa Saúde da Família será ampliado. Queremos zerar a fila logo nos três primeiros meses. Para isso, vamos firmar convênios com clínicas particulares e criar o Centro de Diagnóstico por Imagem e Análises Clínicas. A Saúde das crianças e das mulheres, especialmente das gestantes, também será priorizada com a implantação do Centro de Referência para o Atendimento da Mulher e da Primeira Infância. Essas e outras ações serão focadas em garantir um atendimento digno e eficiente.

Danielle Garcia: alegre e feliz com o que disse e propôs nesta curta temporada de campanha
CREDO NO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SUSTENTÁVEL
“Aracaju tem que ser um ambiente de desenvolvimento, apostando na população e oferecendo a infraestrutura necessária para gerar riquezas e implementar políticas públicas de desenvolvimento econômico, ancoradas nas vocações e potencialidades da cidade, realizando também ações estruturadas e integradas”

JLPolítica – E na Educação?
Danielle Garcia – 
Em relação à Educação, é preciso capacitar e valorizar os profissionais. Além disso, tornar a escola um local atrativo para os alunos. Somado ao ensino profissional, levar projetos que aproximem a cultura e o esporte à educação. 

JLPolítica – É razoável imaginar que a segurança municipal fosse de extrema prioridade na gestão de uma cidade por uma delegada prefeita?
Danielle Garcia – 
Temos propostas neste sentido. É essencial promover a integração dos setores da segurança pública e a implementação de ações estruturantes para que Aracaju deixe de ser a 6ª capital mais violenta do Brasil. Para isso, vamos fortalecer a nossa Guarda Municipal, valorizando os profissionais e investindo em equipamentos, incluindo a implantação de um extenso programa de videomonitoramento integrado aos sistemas já existentes – SMTT, PM, Ciosp. Queremos uma Guarda atuando de forma mais integrada com as demais instituições responsáveis pela segurança pública, priorizando sempre o cuidado e atenção com as pessoas.

JLPolítica – O esporte e lazer teriam que elo neste contexto de bem-estar?
Danielle Garcia – 
A elaboração de políticas públicas voltadas para o esporte e lazer, além de qualidade de vida para os aracajuanos, pode significar oportunidade de mudança de trajetórias de vida. Infelizmente, nossa cidade não oportuniza a prática esportiva e o lazer. Temos quase todas as praças em condição de abandono e degradação e o que serviria para o convívio da comunidade, hoje, é motivo de insegurança. Mas nós vamos mudar essa realidade, com a requalificação dos espaços esportivos e de lazer da cidade. Levaremos projetos para as comunidades e será criado o programa de apoio ao esporte amador. Em nossa administração a prática esportiva será valorizada como elemento essencial à qualidade de vida.

JLPolítica – A senhora considera sustentáveis essas promessas de desenvolvimento econômico específico de Aracaju, apartado do contexto do Estado e do país?
Danielle Garcia – 
Todas as propostas que apresentamos em nosso plano de governo são possíveis de realizar. Em relação ao desenvolvimento econômico, a atuação em conjunto é importante, mas o município precisa fazer a sua parte e desenvolver suas políticas públicas. Nossa cidade vem perdendo o time do desenvolvimento econômico. Falta infraestrutura em rede e todas as condições necessárias para a dinamização da nossa economia. Aracaju tem que ser um ambiente de desenvolvimento, apostando na população e oferecendo a infraestrutura necessária para gerar riquezas e implementar políticas públicas de desenvolvimento econômico, ancoradas nas vocações e potencialidades da cidade, realizando também ações estruturadas e integradas.