Entrevista

Jozailto Lima

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Edvaldo Nogueira: “O que estou prometendo no meu programa de governo, cumprirei”

13 de novembro de 2020
“A política é o espaço para melhorar a vida das pessoas e mudar a sociedade”

Se Edvaldo Nogueira, PDT, 59 anos, for reeleito prefeito de Aracaju, independentemente de se neste domingo, 15, ou se no outro, 29, ele entra definitivamente para a história do lugar como um político que terá administrado a capital de Sergipe por quatro vezes. Nenhuma delas bionicamente.

Terão sido três vezes pelo voto direto na pessoa dele e uma na condição de vice-prefeito - que foi na eleição de 2004, quando se reelegeu vice de Marcelo Déda, PT, que desincompatibilizara-se em 2006 para concorrer ao Governo do Estado e se eleger, deixando Aracaju sob os cuidados dele. 

Edvaldo Nogueira se reelege prefeito em 2008, se elege de volta em 2016 e agora quer amarrar a sua burrinha da felicidade em uma nova reeleição - a que garantiria a quarta condição de prefeito aracajuano a esse alagoano do município de Pão de Açúcar, mas que bebe da vida de Aracaju desde a adolescência. Aqui, ele pulou fora da formação de médico faltando quatro períodos para terminar o curso pela Universidade Federal de Sergipe. Para seguir carreira de político.

Humilde, de origem simples - a mãe é sergipana de Simão Dias -, Edvaldo Nogueira reconhece, obviamente, a alta significação disso na sua vida e na composição da sua biografia pessoal. Mais do que isso: acha que esse histórico fez bem à sua pessoa e fez bem à cidade.

“É uma felicidade imensa. É uma sensação de realização muito grande, porque eu não tenho sobrenome famoso, não tenho ninguém da família na política, vim estudar aqui em Aracaju com 14 anos, sou de uma cidade do interior de Alagoas, apesar de minha mãe ser de Simão Dias”, diz.

O regente Edvaldo Nogueira: está no comando de Aracaju pela terceira vez, já tendo sido reeleito em 2008
A vida é doce: o topetudo Edvaldo Nogueira Filho nasce no dia 25 de janeiro de 1961, em Pão de Açúcar, Alagoas

Incomoda-lhe ver Marcio Macêdo tratando a sua pessoa como a de alguém que não faz a boa política, como quem tivesse perdido o senso de justiça social?, provoca-lhe uma das perguntas do JLPolítica.

“Incomoda-me que políticos que integraram nosso grupo, que conhecem nosso trabalho, prefiram mudar o discurso em nome de uma eleição. Isto não é só uma atitude contrária a mim, mas a todo o projeto que iniciamos em Aracaju e contra, sobretudo, a população, que conhece o meu trabalho, sabe da minha conduta e do meu compromisso com a cidade. Mas os aracajuanos têm sinalizado de maneira muito clara que sabem quem é quem e que não acreditam nessa mudança de discurso”, responde ele, sem mais delongas.

Edvaldo Nogueira vai dar uma resposta muito consistente, ao modo dele, para uma possível visão que Marcelo Déda teria da sua pessoa pública hoje se fosse permitido ter uma interlocução com os mortos.

Edvaldo Nogueira Filho nasceu no dia 25 de janeiro de 1961 e é filho de Edvaldo Bezerra Nogueira e de Maria de Lourdes Santana Nogueira – ela já falecida.

Em segundas núpcias, ele é casado com a engenheira civil, empresária e atleta Danusa Silva.

Edvaldo Nogueira vem de uma sombra familiar simples: é filho de Edvaldo Bezerra Nogueira e de Maria de Lourdes Santana Nogueira – ela já falecida. Aqui, também com o filho, Maurício Nogueira

Do primeiro casamento com Tânia Soares, é pai de Maurício Soares de Souza Nogueira, advogado. 

Pela parte de Danusa, considera como filhas as enteadas Maria Silva Menezes, advogada, e Marina Silva Menezes, arquiteta. E, por via de Maurício, já é avô da pequena Julieta Carolina Westrup Soares Nogueira, de quatro anos.
 
Pela Universidade Federal de Sergipe, com início no final dos anos 1970, ele chegou a cursar até o quarto ano Medicina.

“A política não é uma ação que você possa fazer de qualquer jeito - por isso mesmo é que larguei a Medicina, porque sabia que eu não podia fazer as duas coisas bem. Além disso, também busco, a cada dia, melhorar a minha atuação. Faço da política um instrumento não para meu deleite e benefício próprio, mas exerço a política para aquilo que eu optei como razão fundamental, que é melhorar a vida das pessoas”, diz Edvaldo Nogueira num dos trechos desta Entrevista, que está super convidativa.

É casado com a engenheira, empresária e atleta Danusa Silva, a quem ele apoia em todos os eventos esportivos
DAS RAZÕES PARA MERECER MAIS QUATRO ANOS
“O meu histórico de realizações na cidade, a minha capacidade enquanto político e gestor e os projetos que apresentei ao longo desta campanha me credenciam a buscar junto ao eleitorado mais quatro anos como prefeito de Aracaju”

JLPolítica – Por que o senhor acha que o aracajuano deve carimbar o seu passaporte para mais quatro anos de gestão?
Edvaldo Nogueira – 
O meu histórico de realizações na cidade, a minha capacidade enquanto político e gestor e os projetos que apresentei ao longo desta campanha me credenciam a buscar junto ao eleitorado mais quatro anos como prefeito de Aracaju. Em 2016, o aracajuano me lançou um desafio, que era o de reconstruir a cidade. Ao olhar para os últimos três anos e 10 meses, não só cumpri com esta missão, como também avançamos em vários setores, melhorando serviços, realizando obras e colocando Aracaju num outro patamar. No enfrentamento à pandemia, atuamos com responsabilidade e planejamento, o que colocou Aracaju como a capital do Nordeste com menor taxa de letalidade (e a sexta capital do país). Além disso, dada à condição que nos encontramos, com uma série de projetos importantes para a cidade em andamento ou com recursos que já assegurei e diante dos desafios que a cidade precisará lidar, ainda por causa da pandemia e do seu impacto na economia, avalio que sou o mais preparado e com mais experiência para dar respostas ao cidadão e preparar Aracaju para o futuro.

JLPolítica – O seu programa para um eventual futuro Governo parece muito recheado de promessas. São factíveis ou apenas para ganhar uma eleição?
Edvaldo Nogueira –
Todas as nossas promessas são factíveis, realizáveis e estão dentro de um planejamento para assegurar à cidade as condições de protagonizar o seu desenvolvimento econômico, gerar emprego e renda e oferecer ao cidadão serviços públicos com mais qualidade. O que me respalda? O que prometi em 2016 e realizei até aqui. Quem olhar para o cenário de 2016, verá uma cidade completamente desestruturada, com serviços paralisados e dívidas de R$ 540 milhões. Isso não me desanimou. Enfrentei cada situação com muito planejamento. Hoje, Aracaju possui a melhor avaliação no sentido da sua saúde financeira, de modo que isto abre um leque de oportunidades para captação de recursos com organismos nacionais e internacionais. Não é à toa que sou o prefeito de capital do Nordeste que mais cumpre promessas, de acordo com levantamento anual realizado pelo G1, portal de notícias da Globo. Aquilo que estou prometendo no meu programa de governo, eu cumprirei.

JLPolítica – A promessa de investimento de R$ 1 bilhão na geração de obras e alavancagem da economia da capital de Sergipe tem lastro material real ou é só gogó?
Edvaldo Nogueira – 
Todo este recurso está 100% garantido. Só com o financiamento do Banco Interamericano do Desenvolvimento, que assinamos no final do ano passado, são R$ 425 milhões para obras como a avenida Perimetral Oeste, a revitalização do Parque da Sementeira, a construção de duas escolas, duas unidades de saúde, dois Centros da Assistência Social, 12 praças, 10 ecopontos e mais de 700 casas. Temos a construção das 1.102 casas do Residencial Mangabeiras e toda a infraestrutura da região e a criação da Reserva Extrativista, com investimento de R$ 120 milhões. Este recurso também já está conveniado com a Caixa Econômica Federal. Temos a Parceria Público Privada da Iluminação Pública, que terá um investimento de R$ 83 milhões. Temos ainda as obras que serão realizadas dentro do nosso Projeto de Mobilidade Urbana, além do projeto de modernização administrativa e tecnológica e um conjunto de obras de infraestrutura, saneamento, drenagem e pavimentação.

Uma amizade sem suspeita: “Déda foi um amigo-irmão. Déda sempre torceu por mim sempre quis o melhor para Aracaju”
DAS NOVAS PROMESSAS PARA O FUTURO
“A partir do ano que vem, caso eu seja reeleito, irei realizar a licitação do transporte público, agora com a cidade tendo boa parte da sua malha viária revitalizada, com corredores de transporte estruturados e semaforização inteligente. Faremos também a revitalização do Centro e a urbanização da Zona de Expansão”

JLPolítica – O que o senhor faria de 2021 a 2024 que não pôde ser feito de 2017 a agora?
Edvaldo Nogueira – 
Honrei o máximo possível os compromissos que firmei com o cidadão, de modo que construímos as bases para fazer Aracaju dar um salto para o futuro. De 2017 até agora, reconstruímos a cidade, arrumamos a casa, dotamos Aracaju de melhor infraestrutura, de condições para receber investimentos, lidamos com problemas históricos, como a maior ocupação irregular da cidade, as Mangabeiras, que não existe mais e que dará lugar a um novo conjunto residencial; acabamos com os alagamentos da avenida Euclides Figueiredo, levamos infraestrutura urbana para dezenas de loteamentos, e asseguramos um conjunto de recursos para executar projetos futuros. A partir do ano que vem, caso eu seja reeleito, irei realizar, por exemplo, a licitação do transporte público, agora com a cidade tendo boa parte da sua malha viária revitalizada, com corredores de transporte estruturados e semaforização inteligente. Faremos também a revitalização do Centro e a urbanização da Zona de Expansão, entre outras ações, que só serão possíveis como consequência da estruturação da cidade que tornamos realidade. Faremos de 2021 a 2024 aquilo que estabelecemos no nosso programa de governo.
  
JLPolítica – O senhor apresentou um plano de urbanização e de economia sustentável para a região da Zona de Expansão. Mas diante do tamanho diminuto do território de Aracaju, e da evolução demográfica dele, não seria de se pensar em planos maiores, inclusive resolvendo o Plano Diretor em definitivo?
Edvaldo Nogueira – 
O Plano Diretor preside todas as discussões e ações a serem executadas no Plano de Desenvolvimento da Zona de Expansão. Tanto que na última sexta-feira, dia 6, quando apresentei o projeto para a comunidade, iniciei minha explanação justamente por este ponto. O primeiro passo do nosso plano é justamente tratar da Zona de Expansão dentro do novo Plano Diretor. Ou seja, as ações que queremos realizar naquela região e as medidas que precisam ser tomadas para que consigamos transformá-la num polo de desenvolvimento sustentável da cidade precisam estar cobertas por um Plano Diretor moderno e por uma legislação específica que crie ordenamentos para a localidade, que transforme os povoados em bairros, que defina as áreas de preservação ambiental e todas as regras de ocupação do solo. É o que faremos a partir de 2021, caso eu seja reeleito.
 
JLPolítica – As oposições empacam com duas licitações no seu Governo - ou com a ausência delas –, que são a do lixo e a dos transportes públicos. O senhor afirma que a primeira foi feita. E por que não a segunda?
Edvaldo Nogueira –
A oposição se utiliza o tempo todo de mentiras e fake news na tentativa de enganar a população sobre a licitação da limpeza pública. O procedimento licitatório foi iniciado em maio de 2017 e concluído em fevereiro de 2018, com as assinaturas dos contratos de limpeza. Eu realizei, efetivamente, a licitação da limpeza pública, como havia me comprometido na eleição. A licitação se deu de maneira transparente, respeitando todas as normas legais, de modo que os contratos se encontram em plena vigência, sem qualquer irregularidade, respaldados pelos órgãos de fiscalização e controle. Quanto à licitação do transporte público, sua execução envolve não só Aracaju, como os municípios de Barra dos Coqueiros, São Cristóvão e Nossa Senhora do Socorro. Já foi constituído por lei estadual um Consórcio Metropolitano, mas o funcionamento efetivo deste órgão ainda precisa ser discutido e tratado de maneira mais aprofundada. Não é um processo simples. Mas isto não me parou. Assegurei a infraestrutura adequada da cidade para, num segundo momento, realizar uma licitação competitiva. Neste sentido, executamos o nosso projeto de mobilidade urbana, com a constituição dos quatro corredores de transporte e a renovação da pavimentação asfáltica, instalamos semáforos inteligentes, reformamos terminais de ônibus, estamos construindo o maior terminal da cidade, no Mercado, e instalaremos 150 novos abrigos. Assim, a cidade está com toda uma infraestrutura montada para que a licitação do transporte aconteça num ambiente favorável ao cidadão. Reitero: nós realizaremos a licitação do transporte público.

Com a mãe Maria de Lourdes Santana Nogueira, a quem tinha como uma fortaleza, e a irmã Tereza Nogueira: sempre atento à família
O ERRO DOS QUE CRITICAM A OBRA DO GOVERNO
“Até outubro deste ano, já investimos mais de R$ 600 milhões. Como pode não ser socialmente justa uma obra que leva drenagem, esgotamento sanitário e pavimentação para lugares antes esquecidos? A visão que tenho sobre estas queixas dos adversários é uma só: eles não conhecem a cidade, as necessidades da população, só aparecem para criticar no período eleitoral e estão presos a um modelo de política pública de inclusão que não leva em conta a realidade das pessoas”

JLPolítica – Não é gabolice e convencimento do senhor e dos seus assessores diretos achar que Aracaju nunca teve um Governo Municipal tão operoso quanto este atual desde a volta das eleições diretas para as capitais em 1985?
Edvaldo Nogueira – 
Não é. É resultado de uma observação sóbria do que tanto que realizamos nessa cidade nos diversos mandatos pelos quais passamos. Operamos em Aracaju uma revolução. Foi em nossos governos que a cidade se expandiu em seus mais diversos aspectos. Levamos infraestrutura para todos os cantos de Aracaju. Bairros inteiros foram urbanizados por nós, construímos escolas, unidades básicas de saúde, executamos o mais ousado projeto de mobilidade urbana, não só com as ações dos últimos três anos, mas também com a construção do viaduto do DIA e do Complexo Viário Marcelo Déda, que liga o Inácio Barbosa ao Augusto Franco. Construímos 6 mil moradias, criando um novo bairro, o 17 de Março. Acabamos com a maior ocupação da cidade, retirando de barracos mais de mil famílias. Fizemos os maiores investimentos em obras e na modernização dos serviços. E, ao me deter ao mandato que exerço neste momento, conseguimos reconstruir a cidade, mesmo com uma herança de dívidas e serviços paralisados, num cenário de crise econômica persistente e de mudanças grandes na política.  

JLPolítica – Quanto terão sido investidos nos seus quatro anos de gestão em obras em Aracaju?
Edvaldo Nogueira –
Até outubro deste ano, já investimos mais de R$ 600 milhões.

JLPolítica – Qual é a visão do senhor para as queixas dos seus oponentes de que suas obras não são tão socialmente justas quanto seu Governo acha?
Edvaldo Nogueira – 
A melhor resposta é a mudança na vida do cidadão. Como pode não ser socialmente justa uma obra que leva drenagem, esgotamento sanitário e pavimentação para lugares antes esquecidos? Levamos infraestrutura e dignidade para o Barroso, Pantanal, Marivan, Jardim Bahia, Moema Mary, Rosa do Sol, Jardim Indara, Tia Caçula, Japãozinho, Coqueiral, 17 de Março, Joel Nascimento, Isabel Martins - lugares onde as pessoas viviam na lama, conviviam com a poeira, com o esgoto passando na porta de casa. Como não é socialmente justa uma obra como a retirada de mil famílias da Ocupação das Mangabeiras? As pessoas moravam em barracos, hoje estão em casas de alvenaria com o aluguel pago pela Prefeitura e, em dois anos, receberão suas casas próprias. Como não ser socialmente justa a construção da Estação Cidadania no Bugio, um centro de esportes com mais de 30 modalidades para crianças e adolescentes? A visão que tenho sobre estas queixas dos meus adversários é uma só: eles não conhecem a cidade, não conhecem as necessidades da população, só aparecem para criticar no período eleitoral e estão presos atavicamente a um modelo de política pública de inclusão que não leva em conta a realidade das pessoas, mas o seu manual partidário de assistência. Eu rompi com essa visão ortodoxa e ideologizada. É isso que eles não enxergam, porque querem que a carência da população caiba nos seus códigos partidários. Chega disso!

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DOS EXCESSOS DA OPOSIÇÃO NA CAMPANHA
“É opinião geral da população e não apenas minha de que a oposição preferiu me atacar, me agredir e usar a propaganda para disseminar mentiras e tentar criar uma imagem muito negativa da cidade. Em detrimento disso, me mantive no modo que considero o mais adequado e correto para uma campanha eleitoral: fui propositivo”

JLPolítica – Quem vai um dia dotar Aracaju e a Grande Aracaju de tratamento 100% dos esgotos sanitários e garantir balneabilidade às águas de córregos, rios e do Atlântico que emolduram a capital de Sergipe?
Edvaldo Nogueira – 
A questão dos esgotos sanitários é de responsabilidade da Companhia de Saneamento - a Deso. No que diz respeito à Prefeitura, nós temos levado infraestrutura urbana ao máximo de localidades, inclusive com drenagem e esgotamento. E em janeiro deste ano, assinei com a Deso o convênio que garante o prosseguimento da prestação de serviços pela empresa em Aracaju com a inclusão de ações de melhoria e expansão dos serviços de saneamento na cidade, aumentando o percentual de cobertura de esgotamento sanitário de 60%, atuais, para 90%. A proposta é de que, até 2033, estes serviços estejam universalizados e à disposição de todos os aracajuanos.
  
JLPolítica – Qual é o seu conceito do tom da campanha? Houve exorbitância na exibição das plataformas e nas posturas dos candidatos frente à sua pessoa?
Edvaldo Nogueira – 
É opinião geral da população e não apenas minha de que a oposição preferiu me atacar, me agredir e usar a propaganda eleitoral para disseminar mentiras e tentar criar uma imagem muito negativa da nossa cidade. A questão da licitação da limpeza pública mesmo, os meus adversários afirmam que ela não foi realizada, e isso é uma mentira descarada. Outra questão diz respeito às nossas obras. Me acusam de fazer obra eleitoreira, quando, na verdade, trabalhamos desde o início da gestão e nossas obras são transformadoras de realidade, pois melhoram a vida da população. Em detrimento disso, me mantive no modo que considero o mais adequado e correto para uma campanha eleitoral: fui propositivo. Expus o que realizei e mostrei o que quero fazer por Aracaju.

JLPolítica – Qual é a sua expectativa para os resultados desse domingo, 15 de novembro?
Edvaldo Nogueira – 
Diante do imenso carinho das pessoas nas ruas e nas redes sociais e das pesquisas que temos para consumo interno, as expectativas são as melhores possíveis. Dei o meu melhor, atuei com ética e responsabilidade e fiz uma campanha muito propositiva. Torcemos pelo melhor.

Edvaldo Nogueira, na martelada da Bolsa de Valores de São Paulo durante o leilão da PPP da Iluminação Pública de Aracaju
SE PRECISAR DO SEGUNDO TURNO, VAI, E SEM ÓDIO
“Estou totalmente preparado para enfrentar mais 15 dias de campanha eleitoral, se assim for o desejo do eleitorado. Seguirei propositivo. Não acredito em campanha eleitoral de ódio, feita por ataques e difamações. Nunca agi assim em toda a minha história e não mudarei meu perfil agora”

JLPolítica – Como estariam as suas energias físicas para um possível segundo turno?
Edvaldo Nogueira – 
Estou totalmente preparado para enfrentar mais 15 dias de campanha eleitoral, se assim for o desejo do eleitorado.

JLPolítica – O senhor mudaria alguma postura no seu perfil de candidato num eventual segundo turno?
Edvaldo Nogueira – 
Seguirei propositivo. Não acredito em campanha eleitoral de ódio, feita por ataques e difamações. Nunca agi assim em toda a minha história e não mudarei meu perfil agora.

JLPolítica – Afinal, o que de fato se possa com o valor do IPTU de Aracaju sob o Governo do senhor? Houve aumento, queda ou estabilidade?
Edvaldo Nogueira – 
Houve a revogação do aumento anual de 30% do imposto, que seria aplicado até 2022. Foi este o compromisso que firmei com os aracajuanos e cumpri. Fiz mais: apliquei um desconto de 15% na planta de valores para todos os contribuintes. E estabelecemos um regramento geral, segundo o qual realizamos anualmente um reajuste de até 5% - isso varia de acordo com a planta de valores de cada imóvel - mais a correção inflacionária do período. O resto é blá-blá-blá da oposição.

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O QUE DE REAL HOUVE COM O IPTU DE ARACAJU
“Houve a revogação do aumento anual de 30% do imposto, que seria aplicado até 2022. Foi este o compromisso que firmei com os aracajuanos e cumpri. Fiz mais: apliquei um desconto de 15% na planta de valores para todos os contribuintes. São 50 mil imóveis isentos de IPTU, algo que simboliza justiça social e fiscal, uma vez que a isenção é dada para aquelas pessoas cujo poder aquisitivo é menor”

JLPolítica – Quantos aracajuanos são isentos hoje de pagamento do IPTU e quais os critérios para se chegar a essa isenção?
Edvaldo Nogueira – 
São 50 mil imóveis isentos de IPTU na cidade, algo que simboliza justiça social e fiscal, uma vez que a isenção é dada para aquelas pessoas cujo poder aquisitivo é menor. No início deste ano, sancionei uma lei que deixou os critérios ainda mais claros e amplos. A isenção ficou garantida aos contribuintes cuja renda familiar é de até dois salários-mínimos e que possuam residência com valor venal de até R$ 160 mil, um tempo maior para realizar o procedimento. Também fica assegurado com a sanção o perdão de dívidas anteriores, relacionadas ao imposto, e a simplificação dos procedimentos administrativos para comprovação, tanto da renda quanto da propriedade do imóvel. 

JLPolítica – Qual a média de rendimento financeiro do IPTU de Aracaju anualmente, e para onde vão esses recursos?
Edvaldo Nogueira – 
Em 2020 serão arrecadados aproximadamente R$ 220 milhões. Deste montante, R$ 45 milhões serão aplicados na Saúde, R$ 55 milhões na Educação e o restante dos recursos será utilizado no pagamento de salários, aposentadorias e pensões, na limpeza urbana, na manutenção das ruas da cidade, nas obras e no custeio do funcionamento das Secretarias.

JLPolítica – O senhor dá por ineficiente a educação pública municipal de Aracaju?
Edvaldo Nogueira – 
Não. E nossa administração tem elevado os patamares da educação. Temos realizado um trabalho persistente com foco nisso. Melhoramos significativamente a infraestrutura da rede, facilitamos o acesso, dotamos todas as escolas de tecnologia e investimos na contratação de mais profissionais, além de trabalhar na atualização dos currículos e na formação dos professores. E isto deu resultado: a nossa nota no Ideb melhorou seja do 1º ao 5º ano, seja do 6º ao 9º ano. Agora, é claro que ainda não chegamos aonde queremos. Esse é um desafio constante que vamos continuar enfrentando para que nossas escolas possam oferecer uma educação de melhor qualidade aos nossos meninos e meninas.

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DO MODO COMO TRATOU O SERVIDOR
“Ao chegar à Prefeitura em janeiro de 2017, encontrei as finanças municipais em situação muito difícil. Eram mais de R$ 540 milhões em dívidas de curto prazo, sendo R$ 120 milhões só com salários que não haviam sido pagos. Logo nos primeiros dias, fiz o pagamento do 13° salário de todos os servidores referente ao ano anterior, que estava em aberto”

JLPolítica – E a saúde?
Edvaldo Nogueira – 
A Saúde de Aracaju avançou de maneira muito clara. Encontramos postos fechados, com estrutura comprometida, sem profissionais e falta de medicamentos. Reformamos 26 postos, ampliamos o fornecimento de remédios, zeramos filas em diversas especialidades, implantamos o prontuário eletrônico e o aplicativo da Saúde para marcação de consultas e exames. Contra o coronavírus, montamos o hospital de campanha, direcionamos 8 unidades para atendimento exclusivo, contratamos médicos e estamos fazendo testagem nas pessoas nos bairros. De modo que ficou comprovada a importância do sistema de Saúde de Aracaju e como ele funciona bem. Temos muitos desafios pela frente ainda, mas acredito que o caminho traçado até aqui foi o melhor possível. No primeiro trimestre de 2021 a primeira maternidade pública municipal estará concluída e iremos, caso eu seja reeleito, ampliar o número de equipes de saúde da família, estender o horário de funcionamento dos postos e construir novas unidades.

JLPolítica – O que o senhor acolhe de queixas contra o seu governo frente às ações de enfrentamento da pandemia de coronavírus?
Edvaldo Nogueira – 
Da parte da Prefeitura de Aracaju, agimos com total dedicação. Uma única queixa, que embora não formulada, está expressa nas atitudes da oposição: a evidente frustração dessa oposição com a forma eficiente como lidamos com a pandemia. A luta contra o coronavírus foi uma experiência inédita na vida de todos, algo que abalou o mundo e ainda não foi superado. Para você ter uma ideia, ainda no final de janeiro, quando o coronavírus não havia chegado ao país, já determinei a criação de um Plano de Contingenciamento, que nos guiou na tomada de medidas. Nos guiamos pela ciência e atuamos de maneira firme. Não foram decisões fáceis determinar que as pessoas ficassem em casa, fechar escolas, fechar o comércio, fechar praças e impedir aglomerações. Mas entendemos que eram medidas necessárias para salvar vidas. Ao mesmo tempo, montamos uma estrutura muito eficiente de Saúde que funciona até hoje. Com o fechamento das escolas municipais, realizamos a distribuição mensal de kits da merenda escolar para mais de 32 mil alunos e disponibilizamos aulas pela TV Câmara. No campo social, criamos centros de acolhimento para pessoas em situação de rua, distribuímos máscaras no transporte público e estamos fazendo testagem nos bairros todos os dias. Criamos serviços de monitoramento de pacientes com síndromes gripais, implantamos um arrojado programa de desinfecção de espaços públicos e vias. Se houve falhas nesse processo, acredito que elas foram muito normais, dentro daquilo que é possível esperar numa situação de pandemia. Mas nunca é demais lembrar que somos a capital do Nordeste com a menor taxa de letalidade e sexta capital do país, o que comprova o êxito do nosso trabalho.

JLPolítica – Qual é o tratamento que o servidor de Aracaju tem hoje da gestão municipal quanto a aumento e a pagamento de salários?
Edvaldo Nogueira – 
Ao chegar à Prefeitura em janeiro de 2017, encontrei as finanças municipais em situação muito difícil. Eram mais de R$ 540 milhões em dívidas de curto prazo, sendo R$ 120 milhões só com salários dos servidores que não haviam sido pagos. Logo nos primeiros dias, fiz o pagamento do 13° salário de todos os servidores referente ao ano anterior, que estava em aberto. Ao finalizar janeiro de 2017, primeiro mês de minha gestão, já fiz o pagamento em dia, honrando o compromisso que havia firmado com os trabalhadores. No mês seguinte, além de manter o pagamento em dia, também fiz o pagamento do salário de dezembro de 2016, que também não foi pago pela gestão anterior. Desde então, com muito esforço e priorizando o servidor, temos feito o pagamento em dia, dentro do mês trabalhado. Também retomei a política de pagamento antecipado da primeira parcela do 13º salário e o pagamento em dia do terço de férias. Em três anos e 10 meses, já pagamos 51 folhas salariais - 46 dos meses correntes, três folhas de 13º salário e as duas que estavam atrasadas da administração passada. Assim, o servidor foi contemplado com um investimento superior a R$ 4 bilhões. Também retomamos a política de reconhecimento de direitos. Até outubro, mais de 6.127 avanços de letra e mais 2.815 titulações foram concedidos, além de adicionais de insalubridade e abono permanência.

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DO INCÔMODO DE VER OS MODOS DE MARCIO
“Incomoda-me que políticos que integraram nosso grupo, que conhecem nosso trabalho, prefiram mudar o discurso em nome de uma eleição. Isto não é só uma atitude contrária a mim, mas a todo o projeto que iniciamos em Aracaju e contra a população, que conhece meu trabalho, sabe da minha conduta e do meu compromisso. Os aracajuanos têm sinalizado que não acreditam nessa mudança de discurso”

JLPolítica – Para quem o senhor repassar a gestão de Aracaju no dia 1º de janeiro de 2021, o fará em que condições financeira e estrutural?
Edvaldo Nogueira –
Como afirmei em vários pontos desta entrevista até aqui, reorganizamos completamente a Prefeitura. Encontrei a cidade com R$ 540 milhões em dívidas e com avaliação C junto ao Tesouro Nacional, o que restringia a nossa capacidade de captação de recursos. Hoje, a cidade é letra A e já temos assegurado R$ 425 milhões dos recursos do BID, R$ 120 milhões para as casas nas Mangabeiras, R$ 83 milhões da PPP da Iluminação Pública, então fica muito evidente a condição extremamente organizada da administração. 

JLPolítica – Incomoda-lhe ver Marcio Macêdo tratando a sua pessoa como a de alguém que não faz a boa política, como quem tivesse perdido o senso de justiça social e como se fosse alguém com quem ele nunca tivesse divido projetos políticos antes?
Edvaldo Nogueira – 
Incomoda-me que políticos que integraram nosso grupo, que conhecem nosso trabalho, prefiram mudar o discurso em nome de uma eleição. Isto não é só uma atitude contrária a mim, mas a todo o projeto que iniciamos em Aracaju e contra, sobretudo, a população, que conhece o meu trabalho, sabe da minha conduta e do meu compromisso com a cidade. Mas os aracajuanos têm sinalizado de maneira muito clara que sabem quem é quem e que não acreditam nessa mudança de discurso.
 
JLPolítica – Qual a diferença do comando político que o senhor exerce nesta disputa na comparação com o das duas anteriores, de 2008 e 2016?
Edvaldo Nogueira – 
Não sou um ser estático, portanto acredito que o tempo, a experiência e a minha capacidade de me relacionar bem com as transformações do mundo em que vivemos e captar as necessidades da sociedade me deram as condições de comandar o processo político com mais altivez, mais amadurecimento, com a necessária desideologização do trabalho e com planejamento. Em todas as outras campanhas, participei do comando, das discussões e das decisões, mas acredito que, nesta eleição, a minha liderança no processo se dá de maneira mais efetiva.

Nogueira, pai moço, paparicando o filho adolescente Maurício Soares de Souza Nogueira, hoje um advogado experimentado
O SIMPLES QUE SE FEZ TRÊS VEZES PREFEITO
“Sou filho de uma família que nunca fez política, nunca discutiu política, eram politizados, mas não discutiam política. Sou filho de uma auxiliar de enfermagem e de um pequeno comerciante. Alguém da minha origem chegar a ser prefeito de uma capital por três vezes e em condição de alcançar este posto em mais uma oportunidade, me deixa muito feliz. E, ao mesmo tempo, aumenta minha responsabilidade”

JLPolítica – Há uma preocupação do senhor reeleito prefeito e ter Marcio Macêdo deputado federal na vaga de Fábio Reis, caso ele seja eleito prefeito de Lagarto?
Edvaldo Nogueira – 
Esta é uma questão que não me diz respeito e sobre a qual não tenho qualquer inferência. O que posso dizer é que o deputado federal Fábio Reis é um aliado importante de Aracaju na liberação de recursos e no apoio às nossas demandas em Brasília. 

JLPolítica – Se o senhor for reeleito, será a única pessoa de Sergipe a ter sido por quatro vezes prefeito de Aracaju. O que isso significaria para o senhor?
Edvaldo Nogueira – 
É uma felicidade imensa. É uma sensação de realização muito grande, porque eu não tenho sobrenome famoso, não tenho ninguém da família na política, vim estudar aqui em Aracaju com 14 anos, sou de uma cidade do interior de Alagoas, apesar de minha mãe ser de Simão Dias. Sou filho de uma família que nunca fez política, nunca discutiu política, eram politizados, mas não discutiam política. Sou filho de uma auxiliar de enfermagem e de um pequeno comerciante. Assim, alguém da minha origem social chegar a ser prefeito de uma capital por três vezes e em condição de alcançar este posto em mais uma oportunidade, me deixa muito feliz. E, ao mesmo tempo, aumenta minha responsabilidade. Porque, primeiro, representa uma grande confiança das pessoas em mim, porque ninguém vota três, quatro vezes numa pessoa se não tiver confiança. Segundo, representa que de fato cumpri os meus compromissos como prefeito, porque se você não cumpre seus compromissos não se reelege. E aumenta a expectativa do cidadão, porque, nesses três anos e dez meses, fizemos uma gestão de grandes realizações na cidade, de modo que o desafio e a preocupação é conseguir fazer mais. Como não me acomodo, nem me envaideço, me esforçarei para fazer mais e melhor, para continuar tendo o respeito, a solidariedade e o carinho da população.
 
JLPolítica – O senhor se sente um desertor do PT?
Edvaldo Nogueira –
Não. Foi o PT quem rompeu conosco. Foi o PT quem se afastou de nós. Se há um desertor não sou eu. Permaneço no mesmo lugar, ao lado dos mesmos aliados que estiveram juntos na eleição de Belivaldo Chagas e Eliane Aquino. Os aliados históricos, que há anos constroem o projeto progressista de Aracaju e de Sergipe.

“Meu histórico de realizações, a minha capacidade enquanto gestor e os projetos que apresentei me credenciam a buscar mais quatro anos como prefeito”
“DÉDA CONCLUIRIA QUE SOU O MELHOR PARA
 ARACAJU”

“Eu e Déda éramos companheiros leais, nutrimos uma amizade de década e uma relação de respeito mútuo. Déda sempre torceu por mim e eu nunca quis o lugar dele, de modo que acredito que ele estaria satisfeito com a posição que ocupo atualmente. Déda sempre quis o melhor para Aracaju e não tenho dúvida que sua inteligência e compreensão históricas o fariam concluir, outra vez, que eu sou o melhor candidato para a nossa capital”

JLPolítica – Se pudéssemos interlocutar com os mortos, o que senhor acharia que Marcelo Déda diria da sua posição hoje no cenário político de Aracaju?
Edvaldo Nogueira – 
Déda foi um amigo-irmão, com o qual dividi sonhos, projetos e com quem executei grandes transformações em Aracaju. Fui duas vezes seu vice-prefeito, me tornei prefeito com sua saída da Prefeitura para disputar o Governo do Estado, me reelegi dois anos depois com o seu apoio, de modo que acredito que ele estaria muito feliz de me ver na posição que cheguei hoje e com o que consegui realizar nesta gestão. Eu e Déda éramos companheiros leais, nutrimos uma amizade de década e uma relação de respeito mútuo. Mesmo quando discordávamos, mantínhamos nossa amizade. Déda sempre torceu por mim e eu nunca quis o lugar dele, de modo que acredito que ele estaria satisfeito com a posição que ocupo atualmente. Déda sempre quis o melhor para Aracaju e não tenho dúvida que sua inteligência, sagacidade e compreensão históricas o fariam concluir, outra vez, que eu sou o melhor candidato para a nossa capital.
  
JLPolítica – Com que idade o senhor lembra de qualquer referência real de política na sua vida?  
Edvaldo Nogueira – 
Minha primeira lembrança da política se dá em Pão de Açúcar, na disputa entre Jurandir Gomes e Dr. Pascoal, pela Prefeitura da cidade. Dr. Pascoal fez uma bela campanha e ganhou a eleição. Eu tinha 14 anos e fui acompanhar os comícios de Pascoal. Ali talvez tenha entrado na minha cabeça o sentimento da política. E uma coisa muito importante é que Dr. Pascoal foi um grande prefeito, e mudou a cidade. Em quatro anos, ele fez muita coisa em Pão de Açúcar. E eu vi que o que ele prometia ali naqueles discursos - ele era grande político, grande orador - conseguiu realizar. Isso é subliminar na minha cabeça, porque quando vim morar em Aracaju, para estudar, nunca pensava em ser político. Eu queria ser cientista, médico e não político. Mas aquele primeiro contato me deixou marcas. Quando eu comecei a participar do movimento estudantil, voltou em mim a ideia de que eu tinha que dar a minha contribuição à sociedade. E o fiz através da política.
 
JLPolítica – O que é a política para o senhor?
Edvaldo Nogueira – 
A política é o espaço para melhorar a vida das pessoas, de contribuir para mudar a sociedade, no sentido de assegurar mais democracia, mais liberdade e, principalmente, diminuir as desigualdades. Política é a arte de levar para as pessoas aquilo que há de melhor, para que elas tenham uma vida mais feliz, mais humana, mais digna. A política é também o elemento regulador e organizador da sociedade. É através da política que estabelecemos as pactuações e o comportamento da sociedade. Porque se não tiver a política, vira a guerra. Vira a luta fratricida, a disputa sem lei. Então, a política faz com que a sociedade possa viver harmonicamente.

“Até outubro, já investimos mais de R$ 600 milhões. Como pode não ser socialmente justa uma obra que leva drenagem, esgotamento e pavimentação para lugares esquecidos?”
DA SIGNIFICAÇÃO DE BELIVALDO NESTA HORA
“Belivaldo foi de uma lealdade muito grande. Desde o primeiro momento, se posicionou a favor de minha candidatura. Não teve dúvidas, e isso colaborou na consolidação do bloco. O apoio do governador foi preciso, como só os aliados fiéis e sinceros sabem dar. É um amigo de valor, integra o nosso conselho político, participa dos nossos atos sempre que possível”

JLPolítica – O senhor acha que a pratica bem?
Edvaldo Nogueira – 
Acho que a pratico bem. Inclusive foi um dos motivos que me levaram a abandonar Medicina, porque eu sabia que a política exige preparação, exige compromisso, trabalho, dedicação. A política não é uma ação que você possa fazer de qualquer jeito - por isso mesmo é que larguei a Medicina, porque sabia que eu não podia fazer as duas coisas bem. Além disso, também busco, a cada dia, melhorar a minha atuação. Faço da política um instrumento não para meu deleite e benefício próprio, mas exerço a política para aquilo que eu optei como razão fundamental, que é melhorar a vida das pessoas.

JLPolítica – O apoio do governador Belivaldo Chagas à sua reeleição foi sob medida, ou faltou mais empenho pessoal dele?
Edvaldo Nogueira – 
Belivaldo foi de uma lealdade muito grande. Desde o primeiro momento, ele se posicionou a favor de minha candidatura. Não teve dúvidas, e isso colaborou na consolidação do nosso bloco. O apoio do governador foi preciso, como só os aliados fiéis e sinceros sabem dar. Ele é um amigo de valor, integra o nosso conselho político, participa dos nossos atos sempre que possível, e foi uma voz sempre firme em defesa da nossa candidatura, mesmo em meio aos interesses do nosso grupo. Estou muito satisfeito com o empenho dele e estou ao seu lado.

JLPolítica – Como tem sido fazer a campanha ao lado da delegada Katarina Feitoza? 
Edvaldo Nogueira – 
Fiquei muito feliz pela indicação de Katarina, pessoa por quem tenho imenso carinho, respeito e admiração. Alguém que, aonde quer que esteja, exerce sua função com amor, pensando no bem e na melhoria de vida das pessoas. Katarina é uma pessoa de respeito, leal e tem uma trajetória que fala por si. É uma mulher, o que consideramos importante na construção de uma chapa com a representação feminina. E alguém que tem um histórico de bons serviços prestados, competente e que tem se dedicado de maneira muito efetiva na nossa campanha. Katarina representa a mulher competente, guerreira, trabalhadora e com compromisso social.

“A decisão de largar a Medicina foi muito pensada. O que me motivou foi um cálculo objetivo: quantas pessoas eu poderia ajudar como médico e de quantas eu poderia ajudar como político”
DA LUZ NO FIM DO TÚNEL DO BRASIL
“Eu acho que tem essa luz. Eu sou esperançoso. Tenho muita esperança de que as dificuldades, mesmo graves, vamos superá-las, porque o Brasil já superou outras. O Brasil superou as dificuldades quando era colônia de Portugal, tendo promovido sua Independência; as dificuldades de 1930. O Brasil superou as dificuldades da guerra, da crise econômica de 1940, a Ditatura Militar, então vamos superar também esta crise”

JLPolítica – Que tipo de contrapartida o grupão de políticos e de partidos que lhe apoia exigiu num futuro governo do senhor?
Edvaldo Nogueira – 
O compromisso que firmei com os meus aliados foi o de seguir na grande transformação da cidade e avançar no desenvolvimento de Aracaju, além de prosseguir com uma gestão ética, democrática e que não se distancia do seu propósito central, que é o de melhorar a vida dos aracajuanos.
 
JLPolítica – O Brasil vive hoje um momento tenso na política, na economia e no social. Para o senhor, há uma luz nesse fim de túnel e de onde ela virá?
Edvaldo Nogueira – 
Eu acho que tem essa luz. Eu sou esperançoso. Há duas poemas que gosto muito. Um deles, de Mário Quintana, diz assim: “se as coisas são tão difíceis, por que não querê-las? Quão longos seriam os caminhos não fora a presença distante das estrelas”. Esse poema expressa que, por mais difícil que as coisas sejam, a gente sempre tem uma saída. É mirar no futuro, é olhar para o futuro, é olhar para os caminhos que podem ser iluminados. Ou seja, mesmo diante das dificuldades, a gente pode sempre superar. E o outro poema é uma frase lapidar do Mário Lago, que diz o seguinte: “no dia que o ser humano perder a esperança, é como se apagassem as cores do arco-íris”. Então, eu tenho muita esperança de que a crise, as dificuldades, os problemas existentes mesmo graves, mas vamos superá-los, porque o Brasil já superou outras dificuldades. O Brasil superou as dificuldades quando era colônia de Portugal, tendo promovido sua Independência; superou as dificuldades de 1930, quando estava esgarçado. O Brasil superou as dificuldades da guerra, da crise econômica de 1940, superou a Ditatura Militar, então vamos superar também esta crise.

JLPolítica – Mas qual é a saída para essa crise? 
Edvaldo Nogueira – 
Nós precisamos sair dos extremos, pois a luta dos extremos tem sido um elemento de desagregação do país. Nós precisamos de um projeto político que una os setores progressistas do Brasil, para que a gente encontre um caminho que seja o da maioria do povo brasileiro.

JLPolítica – O senhor se arrepende de não ser hoje um médico, um cardiologista?
Edvaldo Nogueira – 
A decisão de largar a Medicina foi muito pensada. O que me motivou a isso foi um cálculo muito objetivo: fiz a conta de quantas pessoas eu poderia ajudar como médico e de quantas pessoas eu poderia ajudar como político. Entendi que eu faria muito mais como político. E o que me deixa muito feliz e satisfeito é saber que aquilo que planejei se materializou: as transformações que operamos em Aracaju nos meus mandatos anteriores e na gestão atual transformaram a vida de milhares de pessoas para melhor. De modo que cada abraço, sorriso e expressão de gratidão que recebo diariamente dos aracajuanos mostram que eu estava correto. Por isso, não me arrependo. Até sinto saudade da Medicina, mas jamais me arrependi da escolha que fiz.

Aos 59 anos, Edvaldo Nogueira foi vice-prefeito de Aracaju por duas vezes, está no terceiro mandato de prefeito e disputa um quarto. Ele acha que fez por onde