Georgeo Passos: “Judicialização é necessária para combater a decisão de Luciano Bispo arquivar CPI”

Entrevista

Jozailto Lima

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Georgeo Passos: “Judicialização é necessária para combater a decisão de Luciano Bispo arquivar CPI”

23 de outubro de 2021
“Foi uma traição e fiquei bastante frustrado com a postura de Zezinho Guimarães”

Arquivada desde a última quinta-feira, 21, pelo presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, Luciano Bispo, MDB, entalada na garganta do deputado Georgeo Passos, Cidadania, e sob perspectiva de virar uma pendência judicializada, para saber se vinga ou se de fato morre.

Este é, por ora, o breve necrológio da Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI - da Covid-19 que a oposição sergipana sonhou em ver implantada na Alese, em nome da qual conseguiu obter as oito assinaturas necessárias para protocolá-la oficialmente.

Mas o articulador do projeto, Georgeo Passos, esqueceu-se de contar que no lote das oito estava a do deputado Zezinho Guimarães, MDB por enquanto mas de passe adquirido pelo PL, e uma das figuras mais polêmicas do parlamento - um trânsfuga e escapista que ninguém consegue fisgar em nada facilmente.

Portanto, na hora de a onça beber água - ou seja, de protocolar o pedido de abertura da CPI na Presidência da Alese -, Zezinho deu uma cambalhota mortal, retirou a assinatura, caiu fora e deixou os sete outros deputados, incluindo Georgeo, de cara pra lua.

Foi com base nesse recuo que o presidente Luciano Bispo, que é um governista desde a primeira infância, puxou o tapete geral e jogou areia nos olhos do lote de opositores do Governo.

“Na última quinta-feira, dia 21, o presidente Luciano Bispo arquivou o nosso requerimento alegando que faltou uma assinatura”, soluça Georgeo Passos, em voz alta.

Georgeo Passos soluça, mas não se entrega. “Lógico que vamos conversar com todos os demais colegas que mantiveram a intenção da CPI para coletivamente decidir o que faremos. Esta não será uma decisão isolada, será uma decisão do coletivo. Mas no meu caso especificamente, compreendo que a judicialização é necessária para combater essa decisão do deputado Luciano Bispo”, diz ele.

Quanto a Zezinho Guimarães e à sua fuga “assinatória”, Georgeo não vê outra qualificação que não seja a da deslealdade e da perfídia no tocante à palavra dada.

“Para mim, foi uma traição. Realmente fiquei bastante decepcionado e frustrado com a postura do colega Zezinho Guimarães. Em verdade, tanto eu quanto os colegas trabalhamos com um único objetivo de conseguir as oito assinaturas. Logo após termos elas no papel, nada mais teria que ser aguardado e o que eu fiz foi somente o devido protocolo”, sustenta.

Nisso, vai defender Georgeo Passos, não houve nenhuma trapaça contra o bom Zezinho. “Algo que precisa ser dito e eu inclusive estou repetindo mais uma vez é que se teve um colega que me incentivou nesses últimos meses a não desistir desse requerimento, esse colega foi o deputado Zezinho Guimarães”, afirma.

“Conversávamos sobre esse tema praticamente todas as semanas. Eu sempre o avisava que estava muito próximo do deputado João Marcelo assinar. Avisei a ele, por mais uma oportunidade. Então, eu não fiz nada que ele não soubesse”, diz.

Georgeo Passos está em ação para disputar um terceiro mandato ano que vem. Acha que faz por onde
George Passos e o futuro da CPI: “Compreendo que a judicialização é necessária para combater essa decisão do deputado Luciano”

Georgeo Antônio Céspedes Passos nasceu no dia 23 de setembro de 1981 em Aracaju - e não em Ribeirópolis, de onde vem toda a família paterna dele. É filho de Antônio Passos Sobrinho e de Fátima Regina Céspedes Passos.

Para refrescar a memória dos mais novos e alheios à cena política do Estado, impõe-se dizer que Georgeo Passos é neto do lendário Francisco Modesto dos Passos, que faleceu em 31 de julho de 2013, aos 87 anos.

O avô Chico Passos reinou por oito mandatos de deputado estadual, presidiu o Poder Legislativo de Sergipe e está na raiz da emancipação do município de Ribeirópolis. (Neste sábado, 23, Georgeo e a família estavam às voltas com a missa pelo sétimo dia da avó Maria de Lourdes Passos, falecida no domingo passado, aos 91 anos).

A política, portanto, está nos subterrâneos do DNA de Georgeo. Contando com os dois dele (2014 e 2018), os do avô e os quatro do pai, Antônio Passos, são 14 mandatos da família passados pela Alese. Isso corresponde a 56 anos.

O pai foi prefeito por três mandatos e a mãe, Regina Passos, prefeita por duas vezes, ambos de Ribeirópolis. “Devo muito eleitoralmente a meu avô e ao meu pai. Em 2014 e ainda 2018, muitos dos votos que recebi eram associados a eles dois”, diz Georgeo.

Georgeo Passos é casado com a administradora de Empresas Danyara Menezes Passos, com quem é pai das gurias Giovanna Passos, de 8 anos, e Luísa Passos, 3. Diz-se nos bastidores da política de Sergipe que Danyara Passos tem forte ascendência sobre o mandato dele. Ele não nega, e até acha bom. “Lá em casa são três mulheres. Você acha que eu tenho chance de desobedecê-las?”, brinca.

Georgeo Passos é bacharel em Direito, tem até OAB, mas não advogou, porque preferiu a carreira de servidor do Poder Judiciário, por onde é concursado.

“Um dos requisitos para instauração da CPI é o fato determinado e no nosso requerimento está claro: é investigar as ações e omissões do Governo do Estado de Sergipe no combate à pandemia, investigar o Consórcio Nordeste e também a questão das pessoas que furaram a fila na vacinação”, diz.

A Entrevista com Georgeo Passos vale o tempo aplicado na leitura.

Georgeo Passos nasce em 23 de setembro de 1981 em Aracaju. Ao todo, são 14 mandatos na família
JUDICIALIZAÇÃO DA CPI NÃO SERÁ ISOLADA
“Luciano Bispo arquivou o nosso requerimento alegando que faltou uma assinatura. Lógico que vamos conversar com todos os demais colegas que mantiveram a intenção da CPI para coletivamente decidir o que faremos. No meu caso especificamente, compreendo que a judicialização é necessária para combater essa decisão do deputado Luciano”


JLPolítica - Afinal, o senhor e seus demais seis colegas vão ou não judicializar a abertura da CPI da Covid-19 em Sergipe?
Georgeo Passos -
Na última quinta-feira, dia 21, o presidente da Assembleia, deputado Luciano Bispo, arquivou o nosso requerimento alegando que faltou uma assinatura. Lógico que vamos conversar com todos os demais colegas que mantiveram a intenção da CPI para coletivamente decidir o que faremos. Esta não será uma decisão isolada, será uma decisão do coletivo. Mas no meu caso especificamente, eu compreendo que a judicialização é necessária para combater essa decisão do deputado Luciano Bispo.

JLPolítica - Uma vez posta a assinatura, ela poderia ser retirada, como fez o deputado Zezinho Guimarães?
GP -
Na nossa avaliação, não. Após o protocolo do requerimento, nós entendemos que o parlamentar não pode mais dar um passo para atrás. Nosso regimento interno é omisso, mas por entender que a CPI é um direito das minorias, deve haver algumas garantias para evitar inclusive o que aconteceu. Nós entendemos que o prazo que o parlamentar tinha para mudar de ideia era antes do requerimento ter sido protocolado. E sabemos que não foi isso que aconteceu.

JLPolítica - Em linha direta e sem contornos, o que o senhor pensa dessa desistência de Zezinho em relação à assinatura pela instalação da CPI?
GP -
Para mim, foi uma traição. Realmente fiquei bastante decepcionado e frustrado com a postura do colega Zezinho Guimarães.

Georgeo Passos traz no DNA a ação política do pai, Antônio Passos e da mãe, Regina Passos
“NÃO FIZ NADA QUE ZEZINHO NÃO SOUBESSE”
“Tanto eu quanto os colegas trabalhamos com um único objetivo de conseguirmos as oito assinaturas. Logo após termos elas no papel, nada mais teria que ser aguardado e o que eu fiz foi somente o devido protocolo. Se teve um colega que me incentivou nesses últimos meses a não desistir desse requerimento, esse colega foi o deputado Zezinho Guimarães”


JLPolítica - Neste caso, Zezinho Guimarães lhe tratou como alguém que fora com demasiada “sede ao pote”, como quem quisesse aparecer com a CPI. O que o senhor teria a ponderar sobre essa visão dele?
GP -
Em verdade, tanto eu quanto os colegas trabalhamos com um único objetivo de conseguirmos as oito assinaturas. Logo após termos elas no papel, nada mais teria que ser aguardado e o que eu fiz foi somente o devido protocolo.

JLPolítica - Em algum momento, o senhor urdiu contra Zezinho, faz algo à revelia do combinado com ele?
GP -
Algo que precisa ser dito e eu inclusive estou repetindo mais uma vez é que se teve um colega que me incentivou nesses últimos meses a não desistir desse requerimento, esse colega foi o deputado Zezinho Guimarães. Conversávamos sobre esse tema praticamente todas as semanas. Eu sempre o avisava que estava muito próximo do deputado João Marcelo assinar. Avisei a ele, por mais uma oportunidade. Então, eu não fiz nada que ele não soubesse.

JLPolítica - Qual é, em síntese, o objeto desta CPI? Ela transcende as ações do Consórcio Nordeste e vai até ao Governo de Sergipe?
GP -
Um dos requisitos para instauração da CPI é o fato determinado e no nosso requerimento está claro: é investigar as ações e omissões do Governo do Estado de Sergipe no combate à pandemia, investigar o Consórcio Nordeste e também a questão das pessoas que furaram a fila na vacinação. Em resumo, é isso que está no nosso requerimento.

Na companhia do pai e da mãe, três gerações dos Passos: Georgeo com as filhotas Giovanna Passos e Luísa Passos, e a esposa Danyara Passos
O QUE A CPI DA COVID INVESTIGARIA?
“Todas as ações e omissões que ocorreram durante a pandemia são passíveis de ser investigadas se essa CPI saísse do papel. Tivemos um caso interessante na unidade de saúde contratada pela Secretaria da Saúde de Estância, onde houve indícios de que foram realizados pagamentos sem que aquela unidade tivesse colocado à disposição do Estado leitos de UTI na totalidade que estava contratado”


JLPolítica - O que é que, na esfera do Governo de Sergipe nesses 20 meses de pandemia, é passivo de investigação?
GP -
Como respondemos na pergunta anterior: todas as ações e omissões que ocorreram durante a pandemia são passíveis de ser investigadas se essa CPI saísse do papel. Tivemos por exemplo, um caso interessante na unidade de saúde contratada pela Secretaria da Saúde no município de Estância, onde houve indícios de que foram realizados pagamentos sem que aquela unidade tivesse colocado à disposição do Estado, por exemplo, leitos de UTI na totalidade que estava contratado. Ou seja, tem muita coisa que precisa ser explicada nessa pandemia.

JLPolítica - O senhor visualiza desconforto demasiado do Governo de Sergipe frente à CPI? Isso prenunciaria alguma espécie de culpa?
GP -
Com certeza. Um governo que sabe, que pela bancada que tem na Assembleia, que teria maioria folgada nessa CPI e mesmo assim faz de tudo para que ela não aconteça. Ou seja, deixa transparecer que está com medo de que uma investigação que pode acontecer encontre o que eles não querem que a sociedade sergipana fique sabendo, afinal de contas quem não deve não teme.

JLPolítica - Por que essa CPI não foi instaurada/instalada antes, no pico da crise sanitária?
GP -
Primeiro, porque nós não tínhamos as oito assinaturas no requerimento naquele momento de pico. Além disso, alguns colegas entenderam que naquele momento era um instante de esforço concentrado para salvar vidas e aí lógico que nós compreendemos. Agora nós estamos em um estágio em que após a vacinação graças a Deus temos poucas pessoas internadas e pouquíssimas falecendo. Ou seja, o momento da investigação é esse agora.

De família política geralmente governista, Georgeo rói o osso da oposição há sete anos. E se diz em paz
PRESIDENTE DA ALESE ATUA TENDENCIOSAMENTE
“Luciano Bispo já externou várias vezes que é da base governista. No caso específico da CPI, lógico que discordamos da decisão dele. E sei também que logo após o protocolo do requerimento aconteceu uma reunião no Gabinete da Presidência, onde Luciano conversou com alguns deputados da base, inclusive Zezinho Guimarães”


JLPolítica - O senhor acha que o presidente do Poder Legislativo de Sergipe, Luciano Bispo, agiu republicanamente ou resvalou para a parcialidade no trato com esta questão da CPI?
GP -
O deputado Luciano Bispo já externou várias vezes durante essa Legislatura que é da base governista. Isso não é segredo para ninguém. Ele já falou isso inclusive em sessões plenárias durante algumas votações. No caso específico da CPI, lógico que nós discordamos da decisão dele. E sei também que logo após o protocolo do nosso requerimento aconteceu uma reunião no sétimo andar, no Gabinete da Presidência, onde Luciano conversou com alguns deputados da base, inclusive o deputado Zezinho Guimarães. Se essa conversa foi decisiva ou não para a reflexão do colega que desistiu, aí eu não posso afirmar. Mas que aconteceu a conversa, isso sim. Ou seja, o presidente poderia ter evitado essa situação, já que ele nessa posição deve agir como magistrado, mesmo sendo governista, mas não poderia pender nem por um lado nem para o outro.

JLPolítica - O senhor concorda com o relatório final da CPI da Covid-19 do Senado?
GP -
Estamos ainda finalizando a leitura dele, afinal um relatório salvo engano com mais de mil páginas. Então, sem eu finalizar essa leitura não tenho como opinar. Lógico que confio muito no trabalho que foi desenvolvido pelo senador Alessandro Vieira nessa CPI, inclusive com ele apresentando também um relatório para ser apreciado pelos membros da Comissão.

JLPolítica - O presidente Jair Bolsonaro e o Governo dele podem passar incólume perante a CPI e a pandemia em si?
GP -
Acho muito difícil.  Todos viram como o presidente conduziu esse processo. Sabemos que era algo inédito no mundo, mas ficou demonstrado em vários episódios que o presidente não seguiu o melhor caminho. Na minha avaliação, tivemos coisas simples, como o uso de máscara que ele sempre se propôs a fazer o contrário. Tivemos coisas mais importantes, como a demora na contratação das empresas para adquirir a vacina, que era essencial. Ou seja, com certeza o Governo Federal teve falhas, assim como os governos estaduais e municipais também não foram 100%.

Georgeo Passos e seu clã feminino: “Lá em casa são três mulheres. Você acha que tenho chance de desobedecê-las?”
OPOSIÇÃO MINORITÁRIA NÃO FRUSTRA
“Se pegarmos o histórico da Alese, sempre vamos ter um número reduzido de deputados de oposição. Tirando aquele momento em que Marcelo Déda e os Amorim romperam, na grande maioria do tempo os Governos sempre tiveram bancadas fortes. Mas entendo que o que vale é a qualidade dessa oposição”


JLPolítica - Para além dessa questão da CPI, o senhor sempre foi uma das vozes mais atuantes na oposição ao Governo na Alese. Suas ações encontram ecos nos demais colegas da bancada oposicionista ali?
GP -
Lógico que a bancada de oposição ao Governo do Estado é bem reduzida. Falo da oposição de verdade, porque na Assembleia temos alguns colegas que não fazem parte da bancada governista, mas que também não fazem parte da bancada de oposição. Mas nesse grupo mais reduzido de oposição de verdade a gente tenta sempre dialogar, para conversar como expor as nossas ideias. A gente também é sempre muito procurado para opinar em vários assuntos, então creio que o nosso mandato contribui muito no parlamento estadual. Em especial, a oposição de verdade na Assembleia Legislativa.

JLPolítica - Mas dói serem tão poucos oposicionistas entre os 24 parlamentares?
GP -
Se pegarmos o histórico da Alese, sempre vamos ter um número reduzido na quantidade de deputados de oposição. Tirando aquele momento em que Marcelo Déda e os Amorim romperam, na grande maioria do tempo os Governos sempre tiveram bancadas fortes. A oposição foi sempre reduzida, mas eu entendo que o que vale é a qualidade dessa oposição, e aí percebi que na Assembleia Legislativa ela de verdade faz a diferença. A oposição propõe, debate e fiscaliza. Muitas vezes, dá até quórum para votação de projetos importantes, tendo em vista que a própria base governista por vezes não consegue estar 100% dentro da Assembleia. Então assim temos que fazer o nosso trabalho, independentemente dessa quantidade

JLPolítica - Por que, na sua avaliação, o Governo de Sergipe não diminui a alíquota do ICMS que incide sobre o preço dos combustíveis no Estado?
GP -
A propósito, só quero lembra que a alíquota do ICMS da gasolina em Sergipe é uma das maiores do Brasil, 29%. Logo, não diminui porque com esses constantes aumentos dos combustíveis postos em prática pela Petrobras os governos estaduais estão arrecadando como nunca arrecadaram nesse item. Como o governo não quer abrir mão de receita, prefere manter a alíquota neste patamar, sacrificando as pessoas que precisam utilizar os veículos.

Georgeo Passos: Sergipe vai pagar caro no futuro por tomar tanto empréstimo
DO PROGRESSIVO ENDIVIDAMENTO DE SERGIPE
“Em verdade, o Governo busca essas operações porque não é ele que vai pagar a conta. Sempre vai deixar para o próximo governante. Na minha avaliação, é um ponto que faz com que Belivaldo Chagas se estimule a pegar mais empréstimos. Do final de 2019 para hoje, já foram mais de R$ 600 milhões autorizados”


JLPolítica - O senhor sempre ressalta que Sergipe tem aumentado anualmente a arrecadação. Mas por quais razões, então, o Governo pede autorização para tantos empréstimos?
GP -
Sempre afirmamos isso com base em dados oficiais publicados pela própria Secretaria da Fazenda. Os números da receita do Estado estão lá. Então, a gente faz esse trabalho comparativo com anos anteriores. Em verdade, o Governo busca essas operações primeiro porque não é ele que vai pagar a conta. Sempre vai deixar para o próximo governante. Na minha avaliação, é um ponto que faz com que Belivaldo Chagas se estimule a pegar mais empréstimos. Do final de 2019 para hoje, já foram mais de R$ 600 milhões autorizados pela Assembleia Legislativa. O Governo sabe que tem maioria, que tem facilidade de aprovar na Assembleia essas matérias. Reforça o caixa para investimentos, mantém o recurso próprio também e geralmente isso acontece. Ou seja, só esse ano, desse valor que eu falei, a Assembleia autorizou R$ 400 milhões. Então, pela facilidade, o Governo prefere agir dessa forma. Mas que a receita cresce, cresce. Isso é fato irrefutável.

JLPolítica - Quais as consequências desses empréstimos para as gestões futuras do Estado?
GP -
O endividamento do nosso Estado, principalmente agora em um momento delicado da economia brasileira, já que a gente não sabe o nosso futuro, pode comprometer seriamente a gestão que virá. Afinal de contas, a garantia que se dá para pagamento destes empréstimos é o Fundo de Participação dos Estados – o FPE. Vamos dizer que num cenário de descontrole do Brasil, será que não iremos ter graves problemas? Esses empréstimos foram feitos para serem pagos em 10 anos, daqui a dois, três, quatro ou cinco anos, então neste momento de incerteza isso é muito mais complexo. Por isso, sempre defendi uma responsabilidade muito grande nessas autorizações.

JLPolítica - Em relação às taxas de Detran, em 2019 o senhor conseguiu, através de emendas, reduzir o valor de alguns serviços prestados ali. No ano seguinte, o Governo os reajustou. O que aconteceu para que esse reajuste acontecesse tão rápido?
GP -
Nós conseguimos reduzir seis taxas de um rol de quase 100, salvo engano. Taxas como, por exemplo, segunda via de uma habilitação, que não tem nem o que se fazer, você entra no sistema, pede e só vai lá pegar a impressão. Porque esse valor, essa taxa, tem que ser semelhante à mesma taxa da primeira habilitação? Não se justifica e foi essa explicação que os deputados acataram em 2019 e que a população aprovou também. Nós conseguimos reduzir pela metade. Infelizmente, a maioria daqueles deputados que votaram conosco pela redução foram os mesmos que em 2020 acataram a justificativa do governador e aí deram um aumento de 100%. Infelizmente, quem paga a conta por isso é quem precisa desses serviços do Detran, que é um órgão que arrecada por ano mais de R$ 70 milhões. Não havia necessidade alguma do reajuste das taxas que os próprios deputados tinham reduzido em 2019. Mas para agradar ao governador, eu creio que eles tiveram que voltar atrás.

Zezinho Guimarães passa, para Georgeo, a imagem de que traiu o grupo dos sete
JACKSON E BELIVALDO DEGRADARAM SERVIDORES
“Os servidores do Executivo estão sendo muito maltratados. Essa questão salarial, há mais de oito anos não tem a recomposição da inflação de forma linear. As condições de trabalho, em muitos ambientes, são ruins. Com Jackson Barreto e Belivaldo Chagas as coisas pioraram muito no funcionalismo público estadual, especificamente do Poder Executivo”


JLPolítica - Pela ótica do seu mandato, como é que são tratados pelo Estado os servidores públicos de Sergipe?
GP -
Os servidores públicos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário, do Tribunal de Contas, do Ministério Público - falo dos servidores concursados -, são bem tratados quando comparados aos servidores do Poder Executivo. Estes primeiros sempre conseguem algo de recomposição inflacionária - lógico que nesse período de pandemia tivemos alguns desses Poderes e órgãos que não encaminharam projeto de lei neste sentido, mas em geralmente vem sempre encaminhando. Já os servidores do Poder Executivo estão sendo muito maltratados. Essa questão salarial, há mais de oito anos não tem a recomposição da inflação de forma linear, por exemplo. As condições de trabalho, em muitos ambientes, são ruins. Estivemos recentemente, por exemplo, no posto fiscal de Cristinápolis e vi que é muito difícil a pessoa trabalhar naquelas condições. Vimos que o grupo que, pela sua ideologia, sempre pregava melhorias para o funcionalismo público foi o que mais maltratou os funcionários, na minha visão. Saindo ali do saudoso Marcelo Déda, com Jackson Barreto e Belivaldo Chagas as coisas pioraram muito no funcionalismo público estadual, especificamente do Poder Executivo. Não se tem a intenção de se fazer quase nada por essas pessoas. Quase nada. Infelizmente.

JLPolítica - O senhor consegue alguma interlocução específica com o gestor Belivaldo Chagas?
GP -
Estivemos no nosso primeiro ano do segundo mandato participando de uma reunião ao lado dos demais deputados do Cidadania e do senador Alessandro Vieira com Belivaldo, tratando de temas específicos de Sergipe e de como, por exemplo, o senador poderia colaborar com recursos para desenvolvimento do Estado. Foi a única reunião que tive com o governador ao longo desse mandato. Lógico que na Assembleia as matérias que são positivas para Sergipe nós sempre votamos favoráveis e aquelas que entendemos que são ruins, rejeitamos. Fora isso, não tenho relação, não tenho contato nenhum com o governador Belivaldo Chagas. É claro que durante a pandemia, em alguns momentos tivemos conversas por telefone no sentido de colaborar para amenizar aquele sofrimento na crise sanitária, mas sempre de forma muito institucional. Nada além disso.

JLPolítica - Em relação às eleições de 2022, o senhor vê perspectivas de que seja eliminada essa polarização bruta entre Lula e Bolsonaro?
GP -
Vejo e percebo inclusive pelas pesquisas que temos acesso que a maioria dos brasileiros, na verdade, não quer nem Lula nem Bolsonaro. Com certeza, uma alternativa nessa polarização vai existir e esperamos que o eleitor faça a sua escolha avaliando bem o que já aconteceu nos governos do PT e o que está acontecendo agora no de Bolsonaro. E que essa nova alternativa que virá possa realmente chegar ao final eleição com vitória.

Luciano Bispo, na visão de Georgeo Passos, excedeu-se na parcialidade governista no episódio da CPI
CHEGA DE LULA E CHEGA DE BOLSONARO!
“Percebo pelas pesquisas que a maioria dos brasileiros, na verdade, não quer nem Lula nem Bolsonaro. Com certeza, uma alternativa nessa polarização vai existir e que o eleitor faça a sua escolha avaliando bem o que já aconteceu nos governos do PT e o que está acontecendo agora no de Bolsonaro”


JLPolítica - Seu partido colocou recentemente o senador Alessandro como um nome para uma possível candidatura à Presidência da República. Se ele for confirmado, quem será o candidato do seu partido ao Governo de Sergipe?
GP -
A única certeza que nós temos é a de que o Cidadania apresentará um nome para avaliação da população sergipana para o mandato de governador no próximo ano. Com relação à quem seja, no momento oportuno o partido estará fazendo essa divulgação de forma oficial.

JLPolítica - Não há uma contradição que, desde já, Alessandro Vieira admita que possa votar em Lula para presidente?
GP -
Primeiro não podemos esquecer o contexto que gerou essa resposta por parte do senador, afinal de contas ele afirmou que no primeiro turno vamos trabalhar para termos uma opção fora dessa polarização. Em seguida, foi perguntado se no segundo turno só tivessem as duas opções - é importante frisar isso -, Lula e Bolsonaro, considerando a forma de perguntar, não vejo contradição na resposta, até porque só teriam duas opções. Eu acho que o ideal é que uma terceira força chegue no segundo turno, tirando o Lula ou Bolsonaro.

JLPolítica - Nestes sete anos de mandatos, quais foram os Projetos de Lei mais importantes que o seu mandato apresentou, aprovou e viu sancionados?
GP -
Ao longo desse período nós tivemos 81 proposituras entre Projetos de Lei e Propostas de Emenda à Constituição. Desde total, 41 foram aprovadas e o restante ainda permanece para apreciação dos colegas. Dos aprovados e sancionados, nós podemos destacar o primeiro Código de Proteção aos Animais do Estado de Sergipe. Também podemos citar a lei que dispõe sobre a presença de bombeiros civis das notificações áreas de risco ou eventos e serviços de prevenção e combate ao incêndio, também a lei que proíbe agenda diferenciada para marcação de consultas e exames entre pacientes que querem marcar particular e os que querem marcar via plano de saúde. Também temos a lei que institui a Semana Estadual de Valorização da Pessoa Idosa no Estado de Sergipe. Dos que não foram votados, ainda temos a PEC da Ficha Limpa, onde só poderiam ser nomeados no Estado de Sergipe pessoas que não tenham sido condenadas. Também temos a PEC que tratou do fim da aposentadoria de ex-governadores, a PEC da Inclusão e muitas outras. Um dos grandes gargalos da Assembleia hoje é justamente dar preferências aos projetos dos outros Poderes, principalmente o Executivo. Quando o governador ou o presidente do Tribunal de Justiça mandam alguma propositura, logo estas são pautadas e votadas, enquanto as proposituras de deputados vão ficando engavetadas.

Georgeo Passos e a visão da eleição de Ribeirópolis: “Antônio Passos saiu de cabeça erguida, tendo realizado várias obras de infraestrutura na cidade”
RAZÕES DA DERROTA DO PAI EM RIBEIRÓPOLIS
“Nos resta a certeza de que Antônio Passos saiu de cabeça erguida, tendo realizado várias obras de infraestrutura na cidade e cumpriu com a sua missão. No entanto, quem acompanhou de perto a eleição de 2020 sabe que a força do poder econômico foi ali decisiva. Mas é claro que tudo isso já passou, já superamos e não adianta buscar culpados a essa altura”


JLPolítica - O senhor sente segurança na disputa por um terceiro mandato de deputado estadual ano que vem?
GP -
Sim, porque estamos desenvolvendo, na medida do possível, um mandato bastante forte e reconhecido, mesmo com projetos importantes engavetados. Conseguimos por exemplo, levar para a tribuna da Assembleia vários anseios da população sergipana. Também no dia a dia, nas comunidades, vendo de perto seus problemas, conseguimos buscar soluções junto aos órgãos competentes. Com isso, temos a segurança de que a nossa parte estamos fazendo. Lógico que caberá ao eleitor no próximo ano fazer a avaliação dele.

JLPolítica - Por fim, quais as razões que fizeram seu pai, o ex-deputado estadual Antônio Passos, não ser reconduzido à Prefeitura de Ribeirópolis no ano passado?
GP -
Cada eleição tem a sua história. O político Antônio Passos é um nome que já foi experimentado várias vezes nas urnas, com vitórias e derrotas - mais vitórias do que derrotas. Lógico que nesse último mandato de prefeito tivemos algumas dificuldades, principalmente no início da gestão, no campo da organização da casa, na busca de recursos para investimentos, mas no final conseguimos deixar a situação da Prefeitura de Ribeirópolis melhor do que quando a recebemos. Isso é fato. Inclusive, com quase R$ 6 milhões em caixa. Temos um grupo político forte e competitivo na cidade. No entanto, para mim e para quem acompanhou de perto a eleição de 2020 sabe que a força do poder econômico foi ali decisiva. Mas é claro que tudo isso já passou, já superamos e não adianta buscar culpados a essa altura, que não vai mudar o resultado da eleição. Mas nos resta a certeza de que Antônio Passos saiu de cabeça erguida, tendo realizado várias obras de infraestrutura na nossa cidade e cumpriu com a sua missão.

JLPolítica - E no que aquela derrota impacta de negativo em seu projeto de reeleição para a Alese?
GP -
Não vejo impacto negativo, até porque em Ribeirópolis eu tive mais votos no meu primeiro mandato, onde meu pai não era prefeito, do que no segundo, com ele na Prefeitura. Então vou seguir a lógica e a probabilidade é que eu tenha crescimento eleitoral se comparado à minha segunda votação.


 

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