Gilvan Fontes: “Sou um cara realizado profissionalmente no rádio e na TV”

Entrevista

Jozailto Lima

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Gilvan Fontes: “Sou um cara realizado profissionalmente no rádio e na TV”

26 de junho de 2021
“Identifico um horizonte bem largo e promissor para a TV aberta”

Ele é uma das figuras mais leves, agradáveis, e donas do rosto mais conhecido e certamente mais acreditado da TV aberta do Estado de Sergipe.

Claro que nisso tudo é ajudado abertamente pela longevidade e pela aparência jovial e bonita que traz consigo: no último dia 7 de maio, fez 74 anos.

Sim, é dele, Gilvan Fontes, jornalista e radialista profissional, sujeito que já foi de um tudo na comunicação radiofônica e televisiva de Sergipe, que se está falando.

Já foi de um tudo e de há muito. São 57 longos anos de profissão num lombo que ele prefere não ver vergado por tão cedo, mas que cederá às pressões do tempo assim que elas deem sinais e lhe marquem, sem lamúrias ou remorsos.

Mas enquanto não chegam esses sinais, Gilvan Fontes segue sendo aquele sujeito crível e acreditável como âncora da segunda mais importante emissora de televisão aberta de Sergipe, a TV Atalaia, afiliada da Rede Record e mantida pelo Grupo de Walter Franco.

Gilvan Fontes e as filhas Anakarla Correia Hora, Ana Gorete Santos Hora e Gilvan Guersoni Hora
Gilvan Fontes nasce em Itaporanga, no dia 7 de maio de 1947. Desde os 10 anos é locutor

Olha que é de fato muito tempo. Depois Gilvan Fontes caiu nas ondas do rádio e na TV. “O rádio para mim foi a minha universidade. Comecei na Rádio Difusora, hoje Aperipê, em 1963. Funcionava ali no Palácio Serigy, pela rua José do Prado Franco. Aprendi tudo de rádio ali”, relembra.

Em 1969, ele é um dos profissionais que está no grupo dos que botam a TV Sergipe no ar - a primeira televisão do Estado.

“Ah, a TV Sergipe foi muito importante na minha vida profissional, pois afinal coloquei o Canal 4 no ar e foi onde tudo começou na minha carreira. Não esqueço nunca dela. Comecei em preto e branco e terminei em cores”, diz.

Depois de 25 anos, Gilvan migra para a TV Atalaia, onde está em idêntico período - são os 50 anos das duas.

“Adoro o Grupo Atalaia - meus colegas, sua direção, enfim todos. Sempre agradeço a essa pessoa por quem sinto o maior orgulho de ter como meu amigo de verdade, que é o dr Walter Franco, o seu filho Augusto Franco Neto, e Eduardo do Vale, nosso diretor de Jornalismo”, diz Gilvan.

Nestes 57 anos de atividades profissionais na comunicação – rádio e TV -, Gilvan exerceu uma outra atividade correlata, afim: respondeu pelo Cerimonial de quatro Governos de Estado.

Gilvan Fontes num momento histórico de trabalho: com Jairo Alves e o falecido coronel Tadeu Cruz

E tudo isso ele faz numa enorme discrição e servindo de parâmetro e paradigma para muitos jovens que vão chegando e se inserindo no mercado.

“Sou um cara que nunca gostei de aparecer, apesar de botar a cara todo dia no vídeo. Gosto da discrição e de ser humilde, e isso vai ficar na minha vida até o fim. Carrego tudo isso com muito orgulho e responsabilidade”, diz

Na certidão de nascimento, Gilvan Fontes carrega o nome de Gilvando Fontes Hora. Ele nasceu no dia 7 de maio de 1947 na cidade de Itaporanga D'Ajuda. É filho de José Hora de Oliveira, Seu Joca Hora, e de Ana Fontes Hora, a Dona Naní.

Com três companheiras de três casamentos teve três filhos - Anakarla Correia Hora, 46 anos, Ana Gorete Santos Hora, 43, e Gilvan Guersoni Hora, 36. Já é avô cinco vezes.

Para entrevistar esse “leão”, além do condutor dessa Entrevista, o Portal JLPolítica convidou mais quatro outros “leões” do jornalismo sergipano - Augusto Aranha, Carlos França, Marcos Cardoso e Márcio Lyncoln, a quem este site agradece. Todos têm alguma convivência profissional com o decano Gilvan.

“Faria tudo de novo pela comunicação, sim, pois sou apaixonado por essa área e pelos serviços que ela presta às comunidades”, avisa Gilvan Fontes. Ele e suas ideias são um bom convite a uma boa leitura.

Gilvan Fontes dando duro desde cedo: aqui ele entrevista o governador Paulo Barreto, no começo da década de 70
DE QUANDO NASCE O JORNALISTA
“O real estalo foi quando eu tinha 10 anos de idade em Itaporanga D’Ajuda e fui ser locutor do cinema local, naquele antigo serviço de alto falante. Ali começou tudo”


JLPolítica - Onde e quando dá o estalo da história de Gilvan Fontes como comunicador social?
Gilvan Fontes -
Olha, eu sou um jornalista de uma época em que não tinha ainda universidade de Comunicação Social em Sergipe. Mas o real estalo foi quando eu tinha 10 anos de idade em Itaporanga D’Ajuda e fui ser locutor do cinema local, naquele antigo serviço de alto falante. Ali começou tudo. Eu era quem anunciava os filmes do final de semana e todas as tardes tocava música para toda a cidade nas bocas de alto falantes espalhadas pelas ruas. Olha que isso foi em 1958.

JLPolítica - Somando as suas duas estadas nas TV Sergipe e Atalaia dão 50 anos. O que isso significa na sua vida profissional?
Gilvan Fontes -
A minha vida na TV significa a realização de um sonho, o de ser locutor de rádio, pois na época só existiam duas emissoras em Sergipe - as Rádios Difusora e Liberdade. Aí em 1969 veio a TV Sergipe e fui fazer uma experiência nova, mesmo porque eu já era aquele locutor de rádio. E valeu a pena, porque logo me acostumei, afinal de contas eu era quem no rádio lia os comerciais, sem aparecer minha imagem como na TV inicialmente. Eu era só uma voz, mas com o passar dos anos fui ser repórter e apresentador de telejornais. Comecei, então, a completar meu sonho e hoje sou um cara realizado profissionalmente no rádio e na TV.

JLPolítica - Nos primórdios da TV, ela tinha na sua morfologia um alto percentual de rádio. Onde o senhor se encaixava nela?
Gilvan Fontes -
Tinha, sim. Eu sempre me encaixei nesse segmento que, como disse, comecei justamente no rádio e foi tranquilo passar para a TV, pois eu apenas lia os comerciais a partir de um pequeno estúdio como se fosse de uma emissora de rádio. A diferença é que eu tinha que olhar pro monitor que ficava na cabine para acompanhar as imagens que estavam nos slides para não trocar o nome dos patrocínios.

Gilvan Fontes com o fotógrafo Wellington Nabuco e Ivan Rodrigues, ex-diretor de Jornalismo da TV Sergipe
PROFISSIONAL DO PRETO E BRANCO ÀS CORES
“Ah, a TV Sergipe foi muito importante na minha vida profissional, pois afinal coloquei o Canal 4 no ar e foi onde tudo começou na minha carreira de TV. Não esqueço nunca dela. Comecei em preto e branco e terminei em cores”


JLPolítica - Especificamente, o que a TV Sergipe representou para a sua firmação e a sua carreira profissional?
Gilvan Fontes -
Ah, a TV Sergipe foi muito importante na minha vida profissional, pois afinal coloquei o Canal 4 no ar e foi onde tudo começou na minha carreira de TV. Não esqueço nunca dela. Comecei em preto e branco e terminei em cores.

JLPolítica - Por um período que as novas gerações sequer lembram, o senhor foi ser repórter de rua na TV Sergipe. Qual o peso disso na sua configuração profissional?
Gilvan Fontes -
Foi uma experiência fantástica ser repórter de rua. Aprendi muito, entrevistei bastante autoridades - governadores, ministros, políticos de outros mandatos, gente de todas as raças - sem falar na bandidagem. Ou seja, ladrões, criminosos, enfim o que aparecia para falar sobre os diversos assuntos da pauta que eu recebia e, claro, os que apareciam de improviso durante o meu horário de trabalho. O peso era grande, pois a responsabilidade era toda minha para falar a verdade dos fatos do que realmente estavam acontecendo naquele momento. A TV é um instrumento que forma e informa a opinião pública e por esse motivo tenho o maior orgulho de ser o porta-voz da verdade, somente a verdade. É por isso tenho sempre essa vontade de estar cumprindo o meu papel.

JLPolítica - Mas por que o senhor quis deixar a TV Sergipe? Ou não foi um desejo seu?
Gilvan Fontes -
Deixei a TV Sergipe há 24 ou 25 anos motivos particulares. Achei que devia seguir outros rumos, em sentido de que eles não queriam que eu fosse embora da emissora, mas eu insistir e terminei saindo. Foi portanto um desejo meu. Logo em seguida recebi convite da TV Atalaia, onde estou até  hoje.

Gilvan Fontes é bom de amizade: com Theotonio Neto, Mozart Santos, Carlos Ferreira, Wanderlei Jesus e Rosalvo Alexandre
DOS NOMES IMPORTANTES EM SUA CARREIRA
“Muitos nomes marcaram minha vida na TV. E cito, sim, alguns. Mozart Santos, esse foi o cara que mudou completamente a imagem da TV em nosso Estado. Há Luis Carlos Campos, outro grande nome. Dr Jurandi, Nilton Linhares. Getúlio Dantas Passos, sem falar nos diretores de Jornalismo Sérgio Gutemberg, pai do Eduardo do Vale. Nilson Socorro, José Carlos, Carlos Alberto, Theotônio Neto e por aí vai”


JLPolítica - Mas o senhor não encarou como ingratidão a decisão de a TV Sergipe tê-lo substituído por um profissional mais novo?
Gilvan Fontes -
De jeito algum. Entendo que temos que dar oportunidade aos mais novos e foi o que aconteceu - eu deixei de apresentar o SE Notícias e fui escalado pelo diretor de Jornalismo da época para apresentar dois boletins de notícias de dois minutos na parte da tarde. E foi aí que achei que a emissora não me queria mais, então pedi ao superintendente Cesar Franco para sair.

JLPolítica - O senhor deve ter convivido com muita gente de Sergipe e de fora do Estado na construção do Jornalismo da TV Sergipe. Há nomes que lhe marcaram?
Gilvan Fontes -
Muitos nomes marcaram a minha vida na TV Sergipe. E cito, sim, alguns. Mozart Santos, esse foi o cara que mudou completamente, para melhor, claro, a imagem da TV em nosso Estado. Ele veio da Bahia, pois a TV Aratu, de Salvador, tinha adquirido a TV Sergipe. A televisão sergipana não pode jamais esquecer essa pessoa. Há Luis Carlos Campos, outro grande nome. Dr Jurandi, Nilton Linhares, diretor Técnico e sua equipe. Getúlio Dantas Passos, o primeiro superintendente, e tantos outros - sem falar nos diretores de Jornalismo Sérgio Gutemberg, pai do Eduardo do Vale, jornalista executivo da TV Atalaia. Nilson Socorro, José Carlos, Carlos Alberto, Theotônio Neto e por aí vai.

JLPolítica - Quem entre eles o senhor considera figuras boas com quem pôde trabalhar?
Gilvan Fontes -
Trabalhei super bem com todos eles, graças a Deus. São pessoas das quais não me esqueço nunca, pois me ensinaram muita coisa boa.

Lembrança de um tempo em que Gilvan Fontes assessorou a UFS, com dois ex-reitores: Luis Hermínio e Clodoaldo Alencar Filho
DO CONFORTO DE VIR PARA O GRUPO ATALAIA
“Vim para a TV Atalaia atendendo um convite da sua direção, quando era ainda SBT. Ao chegar, confesso que demorei um pouco a me adaptar, mas fui logo encarando a nova casa de trabalho e hoje tenho o maior orgulho de fazer parte dessa família. Sempre agradeço a essa pessoa por quem sinto o maior orgulho de ter como meu amigo de verdade, que é o dr Walter Franco”


JLPolítica - Em que bases o Grupo Atalaia convidou o senhor e o que lhe faz durar 24 anos por lá?
Gilvan Fontes -
Vim para a TV Atalaia logo em seguida, atendendo um convite da sua direção, quando era ainda SBT. Ao chegar, confesso que demorei um pouco a me adaptar, mas fui logo encarando a nova casa de trabalho e hoje tenho o maior orgulho de fazer parte dessa família. Adoro isso aqui, o Grupo Atalaia - meus colegas, sua direção, enfim todos. Sempre agradeço a essa pessoa por quem sinto o maior orgulho de ter como meu amigo de verdade, que é o dr Walter Franco, o seu filho Augusto Franco Neto, Eduardo do Vale, nosso diretor de Jornalismo. Enfim, todos, sem distinção.

JLPolítica - O que diferencia Albano Franco/César Franco de Walter Franco enquanto patrões?
Gilvan Fontes -
Na verdade, não cheguei a trabalhar com Albano Franco na TV, mas trabalhei no Palácio do Governo, onde fui seu mestre de Cerimônias. E é uma pessoa extraordinária. Com Cesar, trabalhei na TV, e para mim foi um grande empresário da comunicação. Senti muito a morte dele. Acho que não existe diferença em termos administrativos entre Cesar e Walter. O dr Walter, repito, é um verdadeiro amigo e um excelente empresário. Sou um fã dele. Como patrão, não tem igual. E como amigo, não tenho palavras para agradecer a ele.

JLPolítica - Qual é o papel do rádio na sua vida nesses 50 anos de TV? O senhor o deixou de lado nesse período televisivo?
Gilvan Fontes -
O rádio para mim foi uma verdadeira escola. Foi a minha universidade. Comecei na Rádio Difusora, hoje Aperipê, em 1963. Funcionava ali no Palácio Serigy, pela rua José do Prado Franco. Aprendi tudo de rádio ali - foi a universidade de que falo. Não esqueço nunca de Jailton Oliveira, Sodré Jr, Álvaro Macedo, Zito Mangueira, Luis Trindade, Josa, o Vaqueiro do Sertão, Leonardo Hardman, José Eugênio de Jesus, JHonorato, Santos Mendonça, Santos Santana, seu Miguel Alves e tantos outros. Mesmo na TV, nunca deixei o rádio, principalmente o AM. Deixei agora em 2021 a Rádio Cultura, onde comecei em 1966. O rádio continua muito importante na minha vida e tenho muita vontade de retornar.

Gilvan Fontes em companhia de Albano Franco, Carlos Magalhães, Carlos França e Newton Porto
TENDO O RÁDIO COMO BERÇO DE TUDO
“O rádio para mim foi a minha universidade. Comecei na Rádio Difusora, hoje Aperipê, em 1963. Funcionava ali no Palácio Serigy, pela rua José do Prado Franco. Aprendi tudo de rádio ali. Não esqueço nunca de Jailton Oliveira, Sodré Jr, Álvaro Macedo, Zito Mangueira, Luis Trindade, Josa, o Vaqueiro do Sertão, Leonardo Hardman, José Eugênio de Jesus, JHonorato, Santos Mendonça, Santos Santana, seu Miguel Alves e tantos outros”


JLPolítica - O senhor já se meteu em apuros no ar, na TV, enquanto apresentador? Tipo o teleprompter desabar e ter de levar a coisa no improviso?
Gilvan Fontes -
Já passei por vários apuros na TV, de teleprompter quebrar na hora da leitura, errar a câmera que está no ar - na verdade tomo todos os cuidados necessários para que tudo saia bem.

JLPolítica - Por ser longevo, “lhe doeu” acompanhar as mudanças nos jornais televisivos e se encaixar nelas?
Gilvan Fontes -
Não. A idade é uma fase da vida que lhe deixa com mais responsabilidade, principalmente no meu caso, que boto a cara na TV e principalmente na minha profissão de apresentador. Mesmo porque a idade vai fazendo esquecer alguns detalhes.

JLPolítica - Já ocorre isso com o senhor?
Gilvan Fontes -
Não. Nos meus 74 anos, graças a Deus acompanho as mudanças que acontecem e me encaixo direitinho nelas. Não tenho ainda reclamações de esquecimento. Ou seja, lembro de tudo.

Aqui, ao lado dos colegas Carlos Ferreira e Nestor Amazonas
HORIZONTE QUE SE APRESENTA PARA A TV ABERTA
“Identifico um horizonte bem melhor do que o que se pensa. Ou seja, bem largo e promissor, pois com a tecnologia que temos hoje e chegando mais, sem falar nas outras partes que são essenciais no mundo televisivo, haverá maior facilidade”


JLPolítica - O senhor acha que com a quebra da sisudez da linguagem da TV aberta ficou mais fácil fazê-la?
Gilvan Fontes -
Sim, com certeza ficou mais fácil você falar a linguagem que o povo gosta de ouvir.

JLPolítica - Para o senhor, a TV aberta já se entendeu com essas nuances da internet ou ainda patina?
Gilvan Fontes -
Acho que já se entenderam bem e hoje a Internet facilita bastante. Por exemplo, para você fazer scape nos telejornais com os entrevistados: a facilidade é grande, até na hora que o fato acontece você bota no ar sem perder nenhum detalhe. Isso graças a Internet e ao telefone celular.

JLPolítica - O senhor identifica horizonte largo ou estreito para a TV aberta?
Gilvan Fontes -
Identifico um horizonte bem melhor do que o que se pensa. Ou seja, bem largo e promissor, pois com a tecnologia que temos hoje e chegando mais, sem falar nas outras partes que são essenciais no mundo televisivo, haverá maior facilidade.

Gilvan Fontes ainda bem jovem, num evento com o ex-governador José Rollemberg Leite
TOLERÂNCIA FAMILIAR COM OS DIAS SUPRIMIDOS
“De uma maneira geral, minha família entendeu e entende perfeitamente. Sabe muito bem que naquele dia e naquele horário não posso, ou não pude, estar ao lado deles. Mas depois disso é só festa e alegria”


JLPolítica - Que importância e significado tiveram na sua vida funcional os serviços de Cerimonial que o senhor prestou?
Gilvan Fontes -
Me foi muito significativo. E continuo atuando como mestre de Cerimônia. Parou um pouco agora por causa da pandemia, mas é um campo muito interessante. Comecei no Governo Paulo Barreto e não parei mais.

JLPolítica - Qual é a principal responsabilidade púbica e pessoal de alguém que se entrega à comunicação social como uma profissão de fé?
Gilvan Fontes -
A responsabilidade é grande, principalmente no noticiar a verdade. É mesmo uma verdadeira profissão de fé. Não se pode “inventar” notícias, falseá-las e sim noticiar o que é certo, doa a quem doer.

JLPolítica - Seus filhos compreenderam as horas e os dias com sua presença suprimida por exigência da sua profissão?
Gilvan Fontes -
De uma maneira geral, minha família entendeu e entende perfeitamente. Sabe muito bem que naquele dia e naquele horário não posso, ou não pude, estar ao lado deles. Mas depois disso é só festa e alegria.

Gilvan Fontes sempre foi metido a peladeiro. Aí ele é o primeiro, em pé, à direita
DOS DIAS DE CHUMBO DE ANTES E DE AGORA
“Tenho acompanho os momentos atuais do Governo e realmente existe uma grande diferença. Mas não esqueço nunca que a minha primeira ação como repórter de rádio foi justamente naquele março de 1964, quando fui transmitir pela Rádio Difusora, juntamente com meu mestre Santos Santana, a prisão do governador Seixas Dória”


JLPolítica - Se os caminhos do jornalismo não lhe tivessem abertos, que atalho o senhor teria pegado para ser é existir na vida?
Gilvan Fontes -
Na adolescência, fui um cara apaixonado pela carreira militar, o meu sonho era servir ao Exército ou à Marinha, mas nem tudo é como a gente quer. Fui ser jornalista e, com muita honra, pois adoro minha profissão.

JLPolítica - Olhando a sua profissão hoje, aos 74 anos de vida com 57 anos dedicados a ela, o senhor faria tudo de novo pela comunicação social?
Gilvan Fontes -
Faria tudo de novo pela comunicação, sim, pois sou apaixonado por essa área e pelos serviços que ela presta às comunidades.

JLPolítica - Com 57 anos de comunicação, o senhor passou pelo crivo da ditadura. Vê alguma semelhança de intolerância entre o atual governo central com os veículos da mídia clássica e aquele período?
Gilvan Fontes -
Tenho acompanho os momentos atuais do Governo e realmente existe uma grande diferença. Mas não esqueço nunca que a minha primeira ação como repórter de rádio foi justamente naquele março de 1964, quando fui transmitir pela Rádio Difusora, juntamente com meu mestre Santos Santana, a prisão do governador Seixas Dória no Palácio Olímpio Campos. Ele foi levado para a Ilha de Fernando de Noronha.

Num momento farra com amigos de profissão e de esporte - Valdomiro Júnior, Renan Tavares, José Eugênio, Adiberto Souza, Antonio Chalita e J. Carlos
DO DESSERVIÇO GERADO PELAS FAKE NEWS
“As fake news só servem para deixar a população mais preocupada e ansiosa pelas mentiras que ainda são capazes de criar. Não suporto notícia falsa, criada com objetivos políticos para enganar o povo”


JLPolítica - Qual é o seu sentimento diante da prática das fake news?
Gilvan Fontes -
As fake news só servem para deixar a população mais preocupada e ansiosa pelas mentiras que ainda são capazes de criar. Não suporto notícia falsa, criada com objetivos políticos para enganar o povo.

JLPolítica - Como é que o Grupo Atalaia dribla esta erva daninha?
Gilvan Fontes - 
Não está muito fácil driblar. Para isso, temos que chamar Pelé ou Neymar, mas com uma boa administração e a experiência do Grupo Atalaia, tudo tem saído bem, graças a Deus.

JLPolítica - Apesar de estar há décadas no ar e no vídeo, o senhor sempre se manteve muito discreto e longe da sedução vexaminosa dos holofotes. Como consegue esse equilíbrio?
Gilvan Fontes -
Sou um cara que nunca gostei de aparecer, apesar de botar a cara todo dia no vídeo. Gosto da discrição e de ser humilde, e isso vai ficar na minha vida até o fim.

Num instante descontração com o ex-governador João Alves Filho
“AH, JÁ FUI VÁRIAS VEZES XINGADO”
“E vi gente com muita cara feia pra cima de mim. Até na Justiça me colocaram só porque li uma notícia falando de alguma coisa errada, mas graças a Deus me saí bem. Sempre digo: “eu leio o que está escrito no texto, não tenho nada a ver com isso”. Uns entendem, mas outros não”


JLPolítica - O senhor já se viu metido em situação embaraçosa por ter lido um editorial que desagradasse os brios de alguém poderoso e foi responsabilizado pelo texto mesmo sem ter sido da sua autoria, uma vez que apenas desenvolve o seu papel de tele noticiarista?
Gilvan Fontes -
Ah, já fui várias vezes xingado e vi gente com muita cara feia pra cima de mim. Até na Justiça me colocaram, e isso recentemente, só porque li uma notícia falando de alguma coisa errada, mas graças a Deus me saí bem. Sempre digo: “eu leio o que está escrito no texto, não tenho nada a ver com isso”. Uns entendem, mas outros não.

JLPolítica - Como é para o senhor ser uma pessoa que serve de referência constante para os novos jornalistas? É pesado carregar essa simbologia?
Gilvan Fontes -
Gosto bastante quando alguém chega pra mim e diz: “adoro o seu jornal, pois só  fala a verdade", e eu respondo que o jornal que apresento só diz a verdade mesmo e que isso é o principal. Carrego tudo isso com muito orgulho e responsabilidade.

JLPolítica - Depois de trabalhar nos governos de José Rollemberg Leite, Paulo Barreto, Augusto Franco e Albano, o senhor acabou sendo levado pelo reitor Gilson Cajueiro de Holanda para a Universidade Federal de Sergipe, onde se aposentou como servidor lotado na Assessoria de Comunicação. Que lembrança o senhor tem de sua passagem por aqueles três governos?
Gilvan Fontes -
Sim, passei por quatro Governos como mestre de Cerimônia. Foi uma fase excelente na minha vida. Aprendi muito e foram governos sérios, como os de José Rollemberg Leite, Paulo Barreto, Augusto Franco e Albano Franco. Guardo boas recordações.

Com a ex-colega de bancada do SN Susana Vidal
DOS TEMPOS EM QUE QUEBROU PEDRA NA UFS
“Da UFS tenho muita saudade dos tempos de Gilson Cajueiro, que me levou pra lá, mas também de Clodoaldo Alencar Filho e de Luis Hermínio. Fui assessor do reitor e depois assessor de Comunicação. Bons tempos aqueles”


JLPolítica - E da UFS, o que você guarda na memória?
Gilvan Fontes -
Da UFS tenho muita saudade dos tempos de Gilson Cajueiro, que me levou pra lá, mas também de Clodoaldo Alencar Filho e de Luis Hermínio. Fui assessor do reitor e depois assessor de Comunicação. Bons tempos aqueles.

JLPolítica - Como o Gilvan Fontes que fez o Roteiro das Onze, na Rádio Cultura, vê o Gilvan Fontes da TV Atalaia?
Gilvan Fontes -
O Gilvan Fontes da TV é pouco diferente do Gilvan do Roteiro das Onze. O Roteiro das Onze era um programa diário que, como o nome diz, começava às 11h de segunda a sexta e atendia aos pedidos musicais dos ouvintes através de cartas e de telefonemas, e aos sábados era ao vivo, começando as 10h no Auditório da Ação Católica. Foi o bom tempo da jovem guarda e as bandas da época, The Tops, Os Águias, Os Comanches, Los Guaranis, Os Apaches e outros. Oh tempo bom. As aulas do Atheneu, do Tobias Barreto e do Jackson Figueiredo encerravam às 9h30 aos sábados, pois os estudantes saíam dos seus respectivos colégios para ir participar do programa na Ação Católica.

JLPolítica - Ele chegou a ser feito fora de Aracaju?
Gilvan Fontes -
Um sábado no mês o programa era feito do interior, de preferência nas cidades onde tinha telefone, pois eram transmitidos pela rádio. Lembrando que o Roteiro foi criado por Reinaldo Moura, e quando ele foi trabalhar no rádio em Salvador eu assumi o lugar dele aqui.

Aqui, sob a chancela do SN, Gilvan começou em preto e branco e entregou o posto em cores
“SILVA LIMA ERA UM AMOR DE PESSOA”
“Era simples, muito inteligente e um verdadeiro mestre. Era uma das maiores audiências do rádio. Tinha um jeep que era dirigido por seu sobrinho, Cardozinho, que o levava pra rádio todos os dias - não esqueço nunca dele”


JLPolítica - O senhor trabalhou com ícones do rádio sergipano, como Silva Lima, Dermeval Gomes, Wellington Elias, Reinaldo Moura e Raimundo Luiz. Lembrando desses personagens, que comparação o senhor faz com os profissionais do rádio atual?
Gilvan Fontes -
Eu tive bons ensinamentos com esses monstros sagrados da comunicação e não esqueço nunca deles. Silva Lima, com seu Informativo Cinzano, a maior audiência da época no rádio, Santos Mendonça com seu Calendário, Carlos Magalhães e Wellington Elias, meus padrinhos, Raimundo Luiz, Santos Santana, Nairson Menezes, Sodré Jr, Jailton Oliveira - eita tempo bom que não volta mais.

JLPolítica - Como era a figura de Silva Lima no dia a dia de comunicador?
Gilvan Fontes -
Silva Lima era um amor de pessoa. Era simples, muito inteligente e um verdadeiro mestre. Era uma das maiores audiências do rádio. Tinha um jeep que era dirigido por seu sobrinho, Cardozinho, que o levava pra rádio todos os dias - não esqueço nunca dele.

JLPolítica - Há quem diga que a sua lancha não para e que se não estivesse na área de comunicação, seria um marinheiro. Por que essa sedução?
Gilvan Fontes -
Tive três lanchas. Elas eram meu lazer nas águas dos rios aqui de Aracaju e da Praia do Saco. Hoje não as tenho mais, pois a idade vai chegando e deixo agora para os netos.

Sob a proteção de Hans Donner e a nudez da globeza Valeria Valenssa
“ESPERO FICAR MAIS UM TEMPINHO NA TV”
“Aposentadoria, por enquanto, não. Mas a idade vai chegando e é certo que muda tudo, principalmente a aparência na telinha. É por isso que eu já avisei a Eduardo do Vale e a dr. Walter Franco: “Quando sentirem que não dá mais, por favor me avisem”. Saio sem problema, apesar da saudade que vou sentir”


JLPolítica - O que o senhor ainda não fez na área de comunicação em Sergipe e que gostaria de fazê-lo?
Gilvan Fontes -
Acho que eu já fiz de um tudo na comunicação, que eu me lembre. Fui locutor, apresentador de programas e eventos, noticiarista na TV e no rádio. Repórter...

JLPolítica - Por que o senhor não se aventurou, como muitos da sua área, pelas disputas eleitorais?
Gilvan Fontes -
Não sou muito fã da área política. Mas fui convidado várias vezes para ser candidato a vereador. No entanto, não aceitei.

JLPolítica - Aposentadoria real, no sentido de parar, é uma palavra fora dos planos do senhor?
Gilvan Fontes -
Espero ficar mais um tempinho na TV. Aposentadoria, por enquanto, não. Mas a idade vai chegando e é certo que muda tudo, principalmente a aparência na telinha. É por isso que eu já avisei a Eduardo do Vale e a dr. Walter Franco: “Quando sentirem que não dá mais, por favor me avisem”. Saio sem problema, apesar da saudade que vou sentir. Mas isso é a vida, não é? Um dia chega tudo - a velhice, o esquecimento da memória, a troca de nomes e por aí vai, isso na minha área.


 

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