Goretti Reis: “Precisamos de reforma na Constituição para uma maior autonomia dos legislativos estaduais”

Entrevista

Jozailto Lima

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Goretti Reis: “Precisamos de reforma na Constituição para uma maior autonomia dos legislativos estaduais”

16 de outubro de 2021
“Necessitamos impor nossa presença para que os homens entendam que não estamos brincando de legislar”

Ela já vem de uma profissão muito marcante e decisória na saúde e na vida das pessoas, que é a Enfermagem. Depois, descende de uma família, sobretudo de um homem, marcante na vida política de Sergipe e de Lagarto.

E é, portanto, com um olhar identicamente decisório e marcante que a enfermeira e deputada estadual de quatro mandatos Goretti Reis, PSD, 60 anos, se posta no centro da política sergipana.

Goretti Reis posta-se bem e tem se confirmado como uma a agente política cada vez mais afinada com as questões de gênero, sobretudo com a necessidade de a mulher sergipana e brasileira ocupar mais espaço na vida pública - seja em mandatos eletivos, seja em cargos de gestão nas três esferas de poder. Isso sem perder o foco das demandas de toda a sociedade.

Para Goretti Reis, falta algo a mais na composição parlamentar da Assembleia Legislativa de Sergipe, na qual há apenas seis mulheres perante 18 homens com mandatos, a perfazerem os 24 representantes do Legislativo estadual.

“É uma representatividade significativa, mas inferior ao que gostaríamos que fosse, bem mais se pensarmos que, infelizmente, ainda existem municípios sem representatividade feminina. Para ser satisfatório, gostaríamos de ver os cargos e mandatos públicos com uma representatividade feminina de no mínimo 50%”, defende a parlamentar.

E o bom e produtivo é que Goretti não fica apenas na teoria quando o tema é a inserção de gênero na política. Ela e seu mandato têm ações concretas no âmbito da Alese e da Unale, entidade que representa nacionalmente os legisladores estaduais e as respectivas Assembleias Legislativas do Brasil.

Entre tantas das suas ações, está a criação da Procuradoria Especial da Mulher na Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, que tem se confirmado uma plataforma eficaz para amalgamar atos e atitudes no campo político feminino.

“A Procuradoria Especial da Mulher, criada em 2018, é um canal importante entre o poder público e a sociedade. Um dos objetivos da Procuradoria é encorajar a participação da mulher na política. Estamos trabalhando para isso. Já estivemos bem mais longe. É um trabalho árduo e de formiguinha, e ainda é importante lembrar que somos a maioria da população e a minoria em receber votos”, reconhece a enfermeira deputada.

“Essa Procuradoria fiscaliza e acompanha programas do governo, recebe denúncias de discriminação e violência contra a mulher, coopera com organismos estaduais e municipais na promoção dos direitos da mulher, fortalecendo seus espaços”, reforça.

Goretti Reis trabalha agora para que a Procuradoria lance raízes nos Legislativos municipais de Sergipe.

Goretti Reis e seus três filhos - André Reis Leite, Gabriela Reis Leite e Alexsandro Reis Leite – e o neto Guilherme
Goretti Reis nasceu em 13 de fevereiro de 1961, em Lagarto, é enfermeira e segue Artur Reis na política

Lourdes Goretti de Oliveira Reis nasceu no dia 13 de fevereiro de 1961, na cidade de Lagarto. Ela é filha de Artur de Oliveira Reis e de Raimunda Rodrigues do Nascimento Reis, ambos falecidos - ele recentemente.

Aliás, pelo pai, que, como ela, foi também deputado estadual - e ainda prefeito de Lagarto -, Goretti não esconde o profundo afeto e nem nega que vem dele a razão de estar na cena política.

“Meu pai foi o homem do sim sim, não não - ele foi meu exemplo e de quem sinto saudades. Ele me fez entrar na política e a seguir seus passos pautados na credibilidade e no compromisso com seu povo. Assim, tenho atuado na vida pública”, diz.

Goretti Reis é casada em segundas núpcias com o engenheiro químico e especialista em Auditoria e Gestão Pública Edivanilson Lima Rodrigues.

Ela é mãe de André Reis Leite, 42 anos, Gabriela Reis Leite, 37, e Alexsandro Reis Leite, 43.

Goretti Reis graduou-se em Enfermagem pela Universidade Federal de Sergipe em 1984 e é pós-graduada em Saúde Pública, Administração Hospitalar, Enfermagem Forense e mestre em Ciências da Saúde - tudo pela mesma UFS.

Goretti disputou eleições em 2002, 2006, 2010, 2014 e 2018. Mas, paralelamente à carreira política e parlamentar, foi secretária municipal da Saúde dos municípios de Lagarto e de Aracaju, dirigiu a Fundação Nacional de Saúde em Sergipe - Funasa -, presidiu o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde - Cosems/SE -, foi membro do Conselho Nacional de Representantes Estaduais - Conares -, e das Comissões Intergestores Bipartite e Tripartite - CIB e CIT.

Foi diretora do Departamento de Saúde de Aracaju e das Unidades Básicas de Saúde Francisco Fonseca e Pedro Averan, supervisora da Maternidade Hildete Falcão Batista e diretora da Maternidade Zacarias Júnior e do Hospital Nossa Senhora da Conceição, ambos em Lagarto.

“Reafirmo que muito se tem a conquistar, mas muito já conquistamos. Inadmissível presenciarmos a hipótese de qualquer redução de vagas femininas nos partidos políticos, porque seria um retrocesso. É preciso que o Congresso aprove projetos de lei, em tramitação, para a cota de cadeiras femininas, com proposta inicial de 18%, escalonada ao longo dos anos até os 30%. Isso já garantiria, de forma igualitária, a participação feminina nas esferas municipal, estadual e federal”, defende ela.

A Entrevista com a deputada Goretti Reis vale o tempo investido na leitura.

Patriarca Artur Reis com a filharada ainda em floração: Goretti, no círculo rosa, e no extremo, o irmão Jerônimo, que deram para a política
DAS RAZÕES DE TER PENSADO EM NÃO IR Á REELEIÇÃO
“Com os desafios da pandemia do novo coronavírus nos últimos um ano e meio, confesso ter afastado momentaneamente meus pensamentos para mais uma reeleição. Talvez pelas incertezas do momento, apesar de ter continuado meu trabalho em prol dos cidadãos. Mas as dificuldades e as perdas foram muitas. Nesse período, dediquei meu tempo à busca de alternativas para amenizar o sofrimento vivido por muitos”


JLPolítica - O que fez a senhora permanecer um pouco indecisa sobre se iria ou não para a disputa de mais um mandato de deputada?
Goretti Reis -
Com os desafios vividos e enfrentados por causa da pandemia do novo coronavírus nos últimos um ano e meio, confesso ter afastado momentaneamente meus pensamentos para mais uma reeleição. Talvez pelas incertezas do momento, apesar de ter continuado meu trabalho em prol dos cidadãos. Mas as dificuldades e as perdas foram muitas.

JLPolítica - Como a senhora se comportou nesse período tenso?
Goretti Reis -
Nesse período tenso, dediquei meu tempo à busca de alternativas para amenizar o sofrimento vivido por muitos. Faço parte da Comissão Nacional de Acompanhamento da Vacinação - Conav -, criada pela União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais - Unale – e tive uma atuação intensa nesta Comissão que acompanha e fiscaliza a distribuição e a aplicação da vacina contra a Covid-19 nos Estados. Da Unale, sou secretária por Sergipe.

JLPolítica - Como se deu, especificamente essa atuação na Conav?
Goretti Reis -
Deu-se através de reuniões online com representantes de Embaixadas e Ministérios. Levamos ao conhecimento do cidadão os impasses e as liberações das vacinas contra a Covid e sempre coloquei, politicamente, meu nome à disposição do grupo e da sociedade. Aguardei também as mudanças na reforma eleitoral por causa das muitas indefinições e inseguranças no processo eleitoral. Questões familiares também me levaram a pensar um pouco mais. Mas com a redução de casos e do número de mortes por Covid-19, entendo que é hora de dar continuidade aos trabalhos para mais uma reeleição.

Goretti Reis celebra com a filha Gabriela Reis Leite a chegada do único filho dela
POR UM LEGISLATIVO MAIS RECONHECIDO
“Entendo que precisamos de reforma na nossa Constituição para uma maior autonomia dos legislativos estaduais. Nosso sistema político é, como se sabe, dividido por Legislativo, Executivo e Judiciário. Infelizmente, a maior visibilidade fica para quem executa as leis criadas por nós do Legislativo. Mas é preciso que a população entenda a quem e o que compete a cada um desses Poderes”


JLPolítica - A senhora não acha limitado o espaço de atuação de uma deputada, ou de um deputado, estadual?
GR -
Entendo que precisamos de reforma na nossa Constituição para uma maior autonomia dos legislativos estaduais. Nosso sistema político é, como se sabe, dividido por Legislativo, Executivo e Judiciário. Infelizmente, a maior visibilidade fica para quem executa as leis criadas por nós do Legislativo. Mas é preciso que a população entenda a quem e o que compete a cada um desses Poderes. Por isso, é importante que a sociedade conheça nossas propostas e saiba quando elas forem executadas.

JLPolítica - Ao seu ver, o que poderia ser feito para que parlamentares estaduais tivessem mais ação e mais intervenção real na vida das comunidades?
GR -
Isso passa pela situação do orçamento impositivo. Defendo que os parlamentares deveriam ter um maior valor agregado, a exemplo dos deputados federais. Com isso, seria possível alocar determinados recursos para investimento e desenvolvimento de políticas públicas em algumas comunidades e isso daria maior visibilidade às ações concretas dos parlamentares tão cobradas pela sociedade.

JLPolítica - As emendas impositivas ao orçamento do Estado a que a Alese passa a ter direito recentemente ajudam em que aspectos?
GR -
Conforme citei, ajuda, mas o valor das emendas deveria ser maior. Os projetos necessitam de recursos para se concretizarem. As emendas nos permitirão proporcionar esse auxílio para a prática de projetos importantes e com isso, embora não possamos executar, mas viabilizaremos a execução através dessas emendas.

Ao lado do pai, pose para o santinho na primeira eleição de que participa, lá em 2002
DA CHEGADA DAS EMENDAS IMPOSITIVAS À ALESE
“Não diria que tarde, porque continuam sendo necessárias. E quanto mais recursos, melhor. Vejo com bons olhos e sei que serão bem aplicadas. Serão de grande valia. As dificuldades sempre existiram, mas com a pandemia, cresceram ainda mais. Agora nos cabe proporcionar melhorias e incentivar a execução de projetos nas mais diversas áreas”


JLPolítica - A senhora não acha que o direito as essas emendas chegou tarde demais à realidade do parlamento estadual de Sergipe?
GR -
Não diria que tarde, porque continuam sendo necessárias. E quanto mais recursos, melhor. Vejo com bons olhos e sei que serão bem aplicadas. Serão de grande valia, principalmente neste momento de grandes desafios. As dificuldades sempre existiram, mas com a pandemia, cresceram ainda mais. Agora nos cabe proporcionar melhorias e incentivar a execução de projetos nas mais diversas áreas.

JLPolítica - Quais são o peso e papel da Procuradoria Especial da Mulher no âmbito da Alese?
GR -
A Procuradoria Especial da Mulher, criada em 2018 pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, deputado Luciano Bispo e por minha iniciativa, é um canal importante entre o poder público e a sociedade. Essa Procuradoria fiscaliza e acompanha programas do governo, recebe denúncias de discriminação e violência contra a mulher, coopera com organismos estaduais e municipais na promoção dos direitos da mulher, fortalecendo seus espaços.

JLPolítica - A Procuradoria Especial da Mulher tem um campo especial de ação?
GR -
Ela tem como base a saúde, o comportamento, as violências, a vida profissional e pessoal das mulheres, porque é de suma importância o apoio desta Casa para a criação e implementação de políticas para as mulheres, através de debates, palestras, seminários e audiências públicas com objetivo de promover informação, formação e intercâmbio entre as mulheres e a política por meio da Assembleia Legislativa. Assim, a Procuradoria Especial da Mulher fortalece a democracia, aproxima as cidadãs sergipanas da participação política perante o poder público, fazendo com que esta Casa de leis cumpra ainda mais a sua função democrática perante a sociedade civil organizada.

Aos 10 anos, em 1971, Goretti Reis se submete ao sacramento da Primeira Comunhão
PROCURADORIA DA MULHER EXTENSIVA AOS MUNICÍPIOS
“É exatamente nosso objetivo levar a Procuradoria da Mulher para todos as Câmara Municipais de Sergipe, mas enquanto isso não acontece, podem recorrer a Alese. Estamos desenvolvendo uma cartilha com o passo a passo para auxiliar os municípios na implementação. Daremos total apoio e consultoria a eles”


JLPolítica - Como ou de que modo a ação da Procuradoria Especial da Mulher na Alese pode se desdobrar nos Legislativos do interior de Sergipe e fazer bem às mulheres?
GR -
É exatamente nosso objetivo levar a Procuradoria da Mulher para todos as Câmara Municipais de Sergipe, mas enquanto isso não acontece, podem recorrer a Alese. Estamos desenvolvendo uma cartilha com o passo a passo para auxiliar os municípios na implementação. Daremos total apoio e consultoria a eles. É uma iniciativa que beneficiará mulheres vítimas e agressores, porque entendemos que o agressor também precisa de acolhimento e tratamento para que não volte a violentar e até matar as mulheres.

JLPolítica - Como a Procuradoria Especial da Mulher da Alese participa do dia a dia da área em que atua?
GR -
A Procuradoria participa ativamente das iniciativas do movimento feminino, apoiando as campanhas públicas de conscientização da população sobre a importância da garantia dos direitos femininos, combatendo problemas como a violência contra a mulher. Ela busca mecanismos legais e práticos, a fim de que a mulher tenha efetivo apoio em todas as situações de vulnerabilidade. Fortalece a rede sergipana de combate à violência contra a mulher. Recebe, examina e encaminha aos órgãos competentes denúncias de violência doméstica e de discriminação. Ainda sugere, fiscaliza e acompanha a execução de programas que visam a promoção da igualdade de gênero, assim como a implementação de campanhas educativas. Mais: promove audiências públicas, pesquisas e estudos sobre violência, bem como a participação da mulher na política. Analisa projetos de leis e cumprimento das legislações vigentes. Enfim, estamos às ordens da sociedade sergipana.

JLPolítica - A senhora considera seis deputadas estaduais frente a 18 deputados estaduais uma boa representatividade do universo feminino sergipano?
GR -
Sim, é uma representatividade significativa, mas inferior ao que gostaríamos que fosse, bem mais se pensarmos que, infelizmente, ainda existem municípios sem representatividade feminina. Um dos objetivos da Procuradoria é encorajar a participação da mulher na política. Para ser satisfatório, gostaríamos de ver os cargos e mandatos públicos com uma representatividade feminina de no mínimo 50%. Estamos trabalhando para isso. Já estivemos bem mais longe. É um trabalho árduo e de formiguinha, e ainda é importante lembrar que somos a maioria da população e a minoria em receber votos.

Artur Reis, que teve mais de 40 netos e bisnetos, aqui é emoldurado por alguns deles, incluindo Fábio Reis, o neto deputado federal
DAS SEIS DEPUTADAS ENTRE OS 18 DEPUTADOS
“É uma representatividade significativa, mas inferior ao que gostaríamos que fosse, bem mais se pensarmos que, infelizmente, ainda existem municípios sem representatividade feminina. Um dos objetivos da Procuradoria é encorajar a participação da mulher na política. Para ser satisfatório, gostaríamos de ver os cargos e mandatos públicos com uma representatividade feminina de no mínimo 50%”


JLPolítica - No dia-a-dia da Alese há atos e atitudes politicamente indesejados da parte dos deputados homens em relação à bancada feminina?
GR -
Temos acompanhado pela imprensa de outros estados iniciativas indesejadas por parte dos homens em parlamentos. Mas podemos e devemos mudar essa realidade. Em Sergipe, no entanto, desconheço práticas desrespeitosas entre os colegas. Por aqui, o respeito prevalece mesmo quando há divergências sobre determinados projetos. Necessitamos impor nossa presença para que os homens entendam que não estamos brincando de legislar, conquistar dia-a-dia o respeito através de nossas ações, e não permitir brincadeiras que causem constrangimentos se faz necessário.

JLPolítica - Para a senhora, quando e em que circunstâncias a mulher vai ter mais espaço na vida política e econômica de Sergipe e do Brasil?
GR -
Creio que quando ela entender que é capaz e que pode ocupar qualquer espaço, porque lugar de mulher é onde ela quiser. Reafirmo que muito se tem a conquistar, mas que muito já conquistamos. Inadmissível presenciarmos a hipótese de qualquer redução de vagas femininas nos partidos políticos, por que seria um retrocesso. Através da educação, conseguiremos mudar a realidade da predominância machista na política. Proferimos palestras com foco no tema e esclarecendo a importância da atuação feminina nos espaços público e privado.

JLPolítica - Mas isso basta?
GR -
Não. É preciso que o Congresso Nacional aprove projetos de lei, em tramitação, para a cota de cadeiras femininas, com proposta inicial de 18%, escalonada ao longo dos anos até chegar aos 30%. Isso já garantiria, de forma igualitária, a participação feminina nas esferas municipal, estadual e federal.

Ao lado da presidente da Unale, deputada Ivana Bastos, do PSD da Bahia: mais mulher pelas mulheres
DA UNALE PRESIDIDA POR UMA MULHER
“Sem desmerecer as Presidências anteriores, a deputada Ivana Bastos, do PSD da Bahia, tem defendido a expansão das Procuradorias, realizando audiências públicas com focos nos direitos e defesa da mulher, disseminando a importância de a mulher ocupar espaços políticos, e tem feito frente a não aprovação de qualquer iniciativa que trate da redução de vagas de mulheres nos partidos políticos, o que é inadmissível e seria um retrocesso”


JLPolítica - Para além das ações de gênero, qual é a atribuição da senhora no terreno da Unale?
GR -
Na União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais, já exerci cargos na Secretaria de Saúde, mas atualmente estou secretária do Estado de Sergipe.

JLPolítica - Está fazendo diferença ter uma mulher na Presidência da Unale?
GR -
Sim. Sem desmerecer as Presidências anteriores, a deputada Ivana Bastos, do PSD da Bahia, tem defendido a expansão das Procuradorias, realizando audiências públicas com focos nos direitos e defesa da mulher, disseminando a importância de a mulher ocupar espaços políticos, e tem feito frente a não aprovação de qualquer iniciativa que trate da redução de vagas de mulheres nos partidos políticos, o que é inadmissível e seria um retrocesso.

JLPolítica - Entre todos os projetos que a senhora apresentou na Alese, aprovou e os viu sancionados, quais os mais significativos?
GR -
Inicio com o que permitiu a implantação da Frente Parlamentar em Defesa das Mulheres que, através da Resolução 05/2018, criou a Procuradoria Especial da Mulher na Alese. Orgulho-me de muitas leis, entre elas a de nº 7.526/2012, que institui o “Outubro Rosa”, que objetiva a redução do câncer de mama e de útero; a de número 8.072/2015, que institui a Semana Estadual de Doação de Leite Humano em Sergipe; a lei número nº 8.375/2017, que institui no calendário de eventos de Sergipe a data 29 de julho como o Dia de Combate ao Feminicídio, a lei de número 8.405/2018, que institui a data de 26 de março como o Dia Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoas com Epilepsia; a lei de número 8.460/2018, que institui a data de 15 de junho como o Dia Estadual do Enfermeiro Forense; a lei de número 8.547/2019, que institui a data de 31 de maio como o Dia do Policial Militar, Bombeiro Militar Feminino e do Policial Civil Feminino de Sergipe; lei de número 8.777/2020, que institui a política pública de recuperação e reeducação de autores de violência doméstica e familiar contra a mulher; a lei de número 8.888, de 9 de setembro de 2021, instituindo a data de 28 de maio como o Dia da Dignidade Menstrual; a lei de número 8.869/2021, garantindo às pessoas portadoras de diabetes tipos 1 e 2 o direito a atendimento prioritário na realização de exames que necessitam de jejum, total ou parcial, nos estabelecimentos assistenciais de saúde - EAS - hospitais e clínicas - das redes pública e privada. Defendo diariamente a aprovação de mais projetos de lei em prol da política de atenção a mulher como o de número 21, de 25 de fevereiro de 2019, que institui a Patrulha Maria da Penha em Sergipe, e o de número 47, de 18 de março de 2019 sobre a destinação de 3% das vagas de empregos nas empresas contratadas pelos poderes públicos para vítimas de violência doméstica.

A hora da santa: ao lado do governador Belivaldo Chagas e outros políticos, na Procissão de Nossa Senhora da Piedade, em Lagarto
UM ARTUR REIS QUE SERVIU DE INSPIRAÇÃO E GUIA
“Meu pai foi o homem do sim sim, não não - foi meu exemplo e de quem sinto saudades. O Artur do Gavião se destacou como político quando prefeito de Lagarto e deputado estadual. Sem esquecer de seu brilhantismo como um ser humano. Foi homem dedicado e preocupado com o próximo. Ele me fez entrar na política e a seguir seus passos pautados na credibilidade e no compromisso com seu povo”


JLPolítica - Pelo que a senhora viu até a esta altura do mês, qual será o saldo do Outubro Rosa deste ano em comparação com o do ano passado?
GR -
Por causa da pandemia, o ano passado não pode servir de parâmetro. O isolamento impediu parte de nossas ações, mas não deixamos de dar ênfase à campanha. O Outubro Rosa visa chamar a atenção da sociedade sobre a importância da realização de exames para a detecção precoce do câncer de mama. A prevenção ainda é o melhor remédio. Iniciamos nossa campanha nesta Casa parlamentar, onde viabilizamos o exame de mamografia para todas as servidoras. Como também a realização de palestras e a IV Edição da Campanha Doe Lenços, que serão doados a instituições que cuidam de pessoas com câncer. Acredito que teremos um resultado positivo no que se refere aos cuidados preventivos da doença. É preciso conscientizar a população sobre a gravidade da doença e a possibilidade da cura através dos exames preventivos. Sem esquecer que os gestores municipal e estadual precisam desenvolver ações e disponibilizar o acesso a exames, biópsias e a garantia do tratamento da doença, em um curto espaço de tempo, conforme preconizado em portarias ministeriais, com o início do tratamento em até 60 dias.

JLPolítica - Que tipo de exemplo a senhora acha que Artur Reis deixou em sua passagem pela vida e pela política?
GR -
Meu pai foi o homem do sim sim, não não - ele foi meu exemplo e de quem sinto saudades. O Artur do Gavião se destacou como político quando prefeito de Lagarto e deputado estadual. Sem esquecer de seu brilhantismo como um ser humano. Meu pai foi um homem dedicado e preocupado com o próximo. Para ajudar um orfanato, autorizou que o setor financeiro da Alese, enquanto estivesse deputado, mensalmente descontasse para o orfanato uma ajuda financeira. Ele me fez entrar na política e a seguir seus passos pautados na credibilidade e no compromisso com seu povo. Assim, tenho atuado na vida pública. Pela vida, foi um exemplo de pai e mãe - ficou viúvo muito cedo e cuidou de oito filhos órfãos. Artur do Gavião foi um homem rígido no educar e sensível às necessidades do povo mais carente. Foi um determinado em fazer sempre o melhor. Um grande empreendedor. Era de família humilde e, por saber empreender, galgou espaços importantes no comércio e na vida pública.    

JLPolítica - Naquele jeito calado, e aparentemente sisudo de Artur Reis, havia algo que quem não o conhecesse de perto correria o risco de compreendê-lo erradamente?
GR -
Sim, e em diversas situações, a exemplo de responder de forma sisuda e às vezes ser confundido como grosseria. Mas na verdade, aquele era o seu estilo de agir: sempre com sinceridade e sem rodeios ou hipocrisia. Ele dizia o que sentia. Artur Reis era homem de um coração imenso e humilde. Não media esforços para ajudar ao próximo. Sempre foi um pai temente a Deus.

Goretti Reis num momento-encontro de Procuradores da Mulher, no Senado, em Brasília
RAZÕES DO INSUCESSO DOS REIS EM 2020 EM LAGARTO
“Avalio que o processo de reeleição é desigual para quem está competindo com alguém com mandato. Quem está na gestão tem vantagens, seja na disponibilidade de cargos ou na possibilidade de ajuda à famílias carentes, e tudo isso interfere porque agrega um maior número de pessoas. No caso de Lagarto em 2020, passou também pelo processo de indefinição de nomes por parte de nosso agrupamento”


JLPolítica - Quem, entre os filhos e netos, mais herdou os traços da personalidade dele - não necessariamente no aspecto político?
GR -
Meu irmão Fernando Reis herdou o estilo e a personalidade no seu jeito de ser. Na política, muito me orgulha de ser chamada de Seu Artur de saia. Mas meu irmão Jerônimo Reis também é um bom herdeiro político dele.

JLPolítica - A senhora teria uma justificativa plausível para que a família Reis tenha perdido a eleição de Lagarto no ano passado, e com tamanha diferença de votos?
GR -
Eu avalio que o processo de reeleição é desigual para quem está competindo com alguém com mandato. Quem está na gestão tem vantagens, seja na disponibilidade de cargos ou na possibilidade de ajuda à famílias carentes, e tudo isso interfere porque agrega um maior número de pessoas. No caso de Lagarto em 2020, passou também pelo processo de indefinição de nomes por parte de nosso agrupamento. Iniciamos trabalhando o nome de Sérgio Reis, que por questões judiciais precisou ser substituído por Fábio Reis, que tem bons trabalhos prestados ao município, como um representante federal que traz muitas vantagens para a cidade, o que preocupou as pessoas em deixar de ter um representante assim na Câmara Federal. Isso tudo dificultou bastante. Já passamos por esse tipo de situação e a população fica receosa em tirar um deputado federal do mandato. Essa conjunção de coisas contribuiu para essa derrota. De modo que estamos avaliando as situações do agrupamento e tentando corrigir as falhas ao longo do tempo.

JLPolítica - O desempenho eleitoral dos Ribeiro em 2020 em Lagarto não constitui um embaraço para o projeto municipalista de Sérgio Reis em 2024?
GR -
Não creio nisso. É preciso avaliar o trabalho desenvolvido pela atual gestão, que já demonstra grandes desgastes, por omissão em serviços e falhas em questões ambientais, falta de medicamentos e ausência de médicos. A cidade está abandonada e tomada por lixo e falhas de um modo geral. Na questão educacional, até o momento não autorizou o retorno das aulas presenciais, aumentando os prejuízos de nossos alunos - iniciativas que marcam a ineficiência da gestão pública. Esse é desgaste que pesará no processo eleitoral, que não será uma reeleição, e sim indicação do agrupamento dos Ribeiro, o que nos colocará em igualdade numa próxima campanha.

Um instante de manifestação da última campanha de Goretti Reis em Lagarto, em 2018
“HILDA RIBEIRO AGREGA, MAS ESTÁ MAL ASSESSORADA”
“Não devemos misturar a pessoa com a política. Enquanto cidadã, mulher e pessoa, Hilda Ribeiro tem um significado positivo, que agrega, devido à sua forma de tratar, olhar e cuidar. Sei que isso é positivo. Infelizmente, está mal assessorada. Grande parte de seu secretariado é de pessoas da família, o que dificulta pela falta de habilidade ou competência técnica para exercer o cargo”


JLPolítica - Qual é o conceito que a senhora tem da mulher prefeita Hilda Ribeiro à frente da gestão de Lagarto?
GR -
Não devemos misturar a pessoa com a política. Enquanto cidadã, mulher e pessoa, Hilda Ribeiro tem um significado positivo, que agrega, devido à sua forma de tratar, olhar e cuidar. Sei que isso é positivo. Infelizmente, está mal assessorada. Grande parte de seu secretariado é de pessoas da família, o que dificulta pela falta de habilidade ou competência técnica para exercer o cargo, inviabilizando os serviços internos no município. Talvez ela não tenha autonomia necessária por causa da influência familiar do marido e da sogra, que a levam a tomar decisões que inviabilizam e tornam ineficiente sua gestão, impedindo-a de desempenhar atividades necessárias.

JLPolítica - A senhora visualiza dificuldade para seu sobrinho Fábio Reis, MDB, renovar o mandato de deputado federal no ano que vem?
GR -
Todos os pré-candidatos a deputado federal enfrentam diversas dificuldades com a questão de retirada das coligações. E todos estão estudando se continuarão, mudarão de partido ou farão fusão. É um momento de diálogos com pré-candidatos e partidos. Até o tempo-limite da legislação, muitas mudanças acontecerão neste cenário. É preciso fortalecer o processo eleitoral, porque não está fácil para ninguém. Mas devo reconhecer que Fábio Reis tem serviços prestados.

JLPolítica - No grupo em que faz política, a senhora veria hoje um pré-candidato à sucessão de governador para 2022 que gostaria de chamar de seu?
GR -
No grupo de pré-candidatos ao governo vemos muito forte e com grandes possibilidades o nome do deputado federal Fábio Mitidieri. Ele vem sendo trabalhado há algum tempo e, por ser do meu partido, essa seria a minha opção.



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