
Isac Silveira: “Penso numa Câmara mais próxima do povo, dos bairros”
“O vereador é um síndico do imediato e tem o condão de cessar mandato”
18/4/2026-19hO Poder Legislativo de Aracaju está prestes a mudar de comando. No lugar do vereador Ricardo Vasconcelos, PSD, que o preside pela segunda legislatura consecutiva, deve vir o vereador Isac Silveira, União Brasil, 54 anos, que está trabalhando de braçadas largas junto aos seus demais 25 pares para se legitimar presidente pelos próximos dois anos - 2027 e 2028.
Por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, as eleições de Presidência de Câmaras Municipais não podem mais ser feitas com aquelas estiradas antecipações de antes e a da Câmara de Aracaju está liberada para acontecer a partir de 1º de outubro deste ano.
Vereador de terceiro mandato, com passagens por oposição e por situação, com base em militância sindical e com bons fundamentos teóricos e práticos na seara política, Isac Silveira parece um político preparado para a tarefa que ele está se propondo, a de presidir um Poder Legislativo de capital.
Para começo de conversa, Isac Silveira sabe muito bem separar o joio do trigo. Sabe delimitar onde começam e terminam os espaços do Legislativo e do Executivo. É bom de briga, mas também e sobretudo de interlocução. Da boa interlocução.
Não foi sem causa que Isac conseguiu convencer dois importantes colegas seus - Nitinho e Anderson de Tuca - a abrirem mão de suas pretensões de disputar a Presidência e a lhe apoiarem, o que deixa a eleição dele com cara de aclamação. Isac diz ter o apoio de 25 dos 26 membros do Poder Legislativo.
Mas para chegar a isso, Isac Silveira fez e faz muito por onde com seu projeto de legislativo futuro. Ele pensa, por exemplo, um Poder Legislativo soberano, livre e bem atado às boas causas da sociedade. Rente ao povo. Pensa e quer materializar.
“O que eu penso, em síntese, é numa Câmara Municipal de Aracaju mais próxima do povo, dos bairros, com sessões itinerantes, participativas e resolutivas. Assim como subscrevo a ideia de uma sede própria, não deixando o centro da cidade, como já vem discutindo o atual presidente Ricardo Vasconcelos”, avisa Isac.
“Isso é para o bem do povo e para estabilidade institucional deste Poder Legislativo. Uma ideia com a qual o Executivo atual é solidário. A Câmara ainda sofre de uma visão preconceituosa, de que é um grupo de pessoas que se reúnem para falar e dali vão para casa, e o mundo se acaba assim mesmo. O que nós estamos dizendo é o seguinte: queremos uma Câmara que, quando fizer suas audiências públicas, saia daquelas quatro paredes e consiga ouvir a sociedade”, reforça Isac.
Nesta Entrevista Domingueira você vai conhecer um pouco mais um outro lado de Isac Silveira. Sua visão da cena política contemporânea daqui e do Brasil, uma visada dos embates eleitorais deste ano em Sergipe e nacional, a leitura que ele faz de Emília Corrêa e do Governo dela e “do eterno amor dele” por Edvaldo Nogueira. Dará um bom pitaco sobre o destino de Ricardo Marques e vai defender uma universidade pública municipal para Aracaju.
O não bolsonarista Isac de Oliveira Silveira nasceu no dia 19 de julho de 1971 em Aracaju. Ele é filho de Elias Gonçalves da Silveira e de Gedalva de Oliveira Silveira - o pai foi um fiscal de obras no município de Aracaju e presbítero da Igreja 12 de Agosto, depois da Ebenezer.
Tem Licenciatura em História pela Universidade Federal de Sergipe – UFS -, e já foi professor em escolas particulares. Ele chegou a iniciar-se num curso de Direito, mas não concluiu.
Isac Silveira é casado com a servidora pública Maria Rosane Rodrigues dos Santos, com quem é pai do garoto Elias Benício Rodrigues Silveira, de 4 anos, e é pai, também, de Isabelle Dantas Silveira, de 27, já uma médica.


Antes e chegar à política partidária, Isac teve militância sindical, presidindo o Sindicato da Previdência do Estado de Sergipe - Sindiprev/SE - por três mandatos, atuou ainda por mais nove anos como coordenador geral e foi tesoureiro da Central Única dos Trabalhadores – CUT.
“O vereador é um síndico do imediato. Ele é também aquele que é capaz de interferir em uma gestão pouco responsável ou criminosa, se for o caso, de um prefeito ou uma prefeita. A fiscalização de um vereador, ou de uma Câmara de Vereadores, tem o condão de cessar mandato. Um mandato ruim para a coletividade”, aponta.
A Entrevista com Isac Silveira é longa, mas boa de ser lida.
JLPolítica & Negócio - Quais são a dimensão e o significado de um mandato de vereador de uma capital como Aracaju?
Isac Silveira - Veja, no meu caso, um mandato pode ter duas vertentes. Primeiro, venho cumprir uma tarefa dos servidores federais que buscavam ter uma representação que ultrapassasse os muros do sindicato, de onde eu venho. Então, na nossa compreensão, é que a política sindical se esgotava se não tivesse seus representantes nos poderes constituídos. E a ideia sempre foi a de que, depois que fosse vereador, eu pudesse ingressar na Câmara Federal.JLPolítica & Negócio - Mas o senhor abandonou esse projeto?
IS - Eu fui impedido porque o então prefeito Edvaldo Nogueira tratou de reduzir os quadros do partido que poderia de ter dois ou três candidatos a federal, levando seu candidato, o seu amigo Luiz Roberto, a perder por falta de voto de legenda.JLPolítica & Negócio - Mas a minha pergunta está ligada à dimensão, de um modo geral: o que significa um vereador de uma capital, para além da sua vertente?
IS - A segunda parte dessa vertente é que o vereador é um síndico do imediato. Ele é um síndico da cidade e é também aquele que é capaz de interferir em uma gestão pouco responsável ou criminosa, se for o caso, de um prefeito ou uma prefeita. Veja: a fiscalização de um vereador, ou de uma Câmara de vereadores, tem o condão de cessar mandato. Um mandato ruim para a coletividade.

JLPolítica & Negócio - O senhor, que está no terceiro mandato, se dá por satisfeito com o que um vereador pode fazer pela comunidade?
IS - Eu percebo que, em um ano e três meses desta atual legislatura, a gente conseguiu ultrapassar algumas tarefas que nos oprimiam e nos envergonhavam na gestão da cidade. Por exemplo: o transporte coletivo de Aracaju. Fui vereador por oito anos antes e pensei em deixar a vida política exatamente porque me sentia constrangido ao ver as famílias utilizando um transporte que parecia mais uma lata de sardinha. Chovia dentro e, por baixo, a lama atingia os usuários do transporte coletivo. Então, quando a gente não consegue movimentar os grandes empecilhos de uma cidade, a gente se sente impotente e, às vezes, pensa em deixar esse projeto.JLPolítica & Negócio - O senhor tem feito um paralelo ultimamente entre as importâncias dos Poderes Legislativos da Capital e Estadual de Sergipe, a Alese, puxando a sardinha pro municipal. Em que aspecto o da capital leva vantagem pro estadual?
IS - A Câmara Municipal de Aracaju se desvencilhou do alinhamento cego que tomou conta do Legislativo estadual. A questão não é se você tem uma opção pelo gestor do Executivo ou se é oposição a ele. É como se comportam esses agrupamentos. Parece que o silêncio tomou conta da Alese, e a Câmara de Aracaju preferiu tomar um outro caminho. Ali, houve um enfrentamento a Edvaldo Nogueira muito duramente, claro que foi na habilidade política dele, e isso fez com que dois então vereadores – Emília e Ricardo - se tornassem prefeito e vice-prefeito, tendo ainda um outro candidato a vice-prefeito, que foi o Fabiano Oliveira. Ou seja, isso não se dá num parlamento não tiver protagonismo. O nosso teve e tem.JLPolítica & Negócio - Mas o senhor não acha que o Legislativo bate muita continência para Emília?
IS - Não acho não. Emília tem uma vantagem em relação a Edvaldo e a outros: é o de que, imediatamente depois que ela deixa de ser vereadora, passa a ser prefeita. Então, seus elos com aquela Casa Legislativa estão muito vivos. Ademais, Emília, por plena virtude dela, decidiu dialogar. Emília dialoga muito mais constantemente que alguns outros gestores. Emília é porta-aberta, praticamente.

JLPolítica & Negócio - Ela diferencia-se de Edvaldo nisso aí?
IS - Tem uma diferença vista a quilômetros de distâncias. A milhas.JLPolítica & Negócio - O senhor tem colocado seu nome à disposição para presidir o Legislativo de Aracaju no próximo biênio. Com que projeto ou programa de gestão senhor faz isso?
IS - A Câmara ainda sofre de uma visão preconceituosa, de que é um grupo de pessoas que se reúnem para falar e dali vão para casa, e o mundo se acaba assim mesmo. O que nós estamos dizendo é o seguinte: queremos uma Câmara que, quando fizer suas audiências públicas, saia daquelas quatro paredes e consiga ouvir a sociedade. O que eu penso, em síntese, é numa Câmara Municipal de Aracaju mais próxima do povo, dos bairros, com sessões itinerantes, participativas e resolutivas. Assim como subscrevo a ideia de uma sede própria, não deixando o centro da cidade, como já vem discutindo o atual presidente Ricardo Vasconcelos. Isso é para o bem do povo e para estabilidade institucional deste Poder Legislativo. Uma tese ideia com a qual o Executivo atual é solidário. O saudoso Marcelo Déda tentou implantar o orçamento participativo, conseguiu até levá-lo, de certa forma, a alguns bairros para ouvir opinião do povo. Nós perdemos isso. Então, acho que a Câmara tem esse condão, muito mais que o Executivo, de ir às comunidades e tomar para si os debates mais importantes de uma cidade.JLPolítica & Negócio - O seu nome uniria a maioria dos 26 componentes da Casa?
IS - Hoje nós temos, dos 26 nomes, 25 que declararam que votarão no nosso nome para a Presidência. Ainda bem que não é unanimidade, já que já disseram que unanimidade não é boa. Eu prefiro uma construção muito coletiva. Eu tenho feito isso com muito cuidado.

JLPolítica & Negócio - Qual é a importância do apoio do ex-presidente Nitinho e do atual Ricardo Vasconcelos à sua candidatura?
IS - Elas pacificam as relações e evitam que, no período eleitoral, que é agora de Governo de Estado e de deputados, que misturemos, no mesmo caldeirão, duas eleições que não se comunicam diretamente. A nossa ideia é a de que a eleição para governador, senador, deputado federal e estadual, que é uma, e a nossa, outra. E que caminhem sem muitos alardes.JLPolítica & Negócio - O regimento da Câmara prevê fazê-la quando?
IS - A decisão do ministro Luís Roberto Barroso, que alinhou isso, aponta para a partir do dia 1º de outubro.JLPolítica & Negócio - Uma vez presidente, o senhor levaria em frente o projeto de dotar o Legislativo de Aracaju de uma sede própria?
IS - Sem dúvida, porque isso é necessário. A gente, nesta atual sede, tem uma vulnerabilidade. Não é porque a gente não quer ter contato com o povo - até porque nós estamos buscando um espaço no centro da cidade. Mas também não pode ser um espaço acanhado. Onde estamos, o controle de acesso, de ida e vinda se tornou algo muito vulnerável e recebe muito mal as pessoas.

JLPolítica & Negócio - E essa diáspora, essa dispersão do vereador aracajuano, por diversos escritórios em bairros de Aracaju, isso é ruim para o exercício do modelo Legislativo?
IS - Eu acho que sim. Porque você pode, se fosse mais concentrado e compacto, oportunizar e agilizar, quando entidades de classe vão procurar vereadores para levar uma demanda ou apresentar uma proposta. Estarmos juntos geograficamente pode ajudar a ter uma cara mais forte, uma expressão mais dinâmica.JLPolítica & Negócio - Para o senhor, o terreno da antiga Associação Atlética é um local a contento?
IS - É sim, porque a gente não tem um terreno mais no centro da cidade que pelo menos lembre aquela dimensão. A gente não tem ainda uma arquitetura de vanguarda no Brasil, que nos fizesse pensar em algo como a Singapura e uma sede sobre o centro. Aí parece que seria sonhar demais.JLPolítica & Negócio - Seu projeto de uma futura Presidência passaria por uma aprovação da prefeita Emília ou o senhor avançará independentemente da opção dela?
IS - Não necessariamente. A escolha no aspecto da Câmara foi a de fazer uma separação e uma escolha autônoma. Nós decidimos que iríamos conversar um com o outro e, dentre nós vereadores, definirmos. Então, havia três nomes no começo, depois nós reduzimos para o nosso nome.

RICARDO MARQUES E A TÁBUA DE SALVAÇÃO
“Isso é um ato de sobrevivência política dele. Fora do projeto junto com Emília, buscou uma tábua de salvação nessa relação dele com Rodrigo Valadares"
JLPolítica & Negócio - Quem eram os outros dois?
IS - Era o vereador Anderson de Tuca e o vereador ex-deputado federal Nitinho. E se compreendeu que, para esta tarefa do momento, meu nome completa melhor a possibilidade de êxito - apesar da grande valia dos dois demais.JLPolítica & Negócio - E o presidente Ricardo Vasconcelos ficará à vontade diante da sua pretensão?
IS - Ricardo Vasconcelos também se incluiu nessa mesma movimentação e aí não era mais possível que a escolha fosse unilateral ou de fora. Nós respeitamos o governador e a prefeita, mas acho que, muito mais que isso, eles precisam respeitar a nossa decisão interna.

POR UMA UNIVERSIDADE MUNICIPAL DE ARACAJU
“Defendo que tenhamos uma universidade municipal porque a gente vive produzindo profissionais que o mercado não quer receber. É como se você estivesse falando algo que ninguém quisesse ouvir. É como convidar clientes para um restaurante falando javanês”
JLPolítica & Negócio - O núcleo básico é o Legislativo.
IS – Sim e a gente quer deixar esse legado para a história da Câmara de Vereadores de Aracaju.JLPolítica & Negócio - Como é que o senhor avalia seu trabalho como líder da gestão municipal na Câmara?
IS - Modéstia à parte, fizemos um trabalho próspero, porque levamos a prefeita Emília Corrêa a obter êxito em todas as votações. Claro que emendamos projetos que vieram do Executivo e até fizemos com que retornassem alguns antes de serem votados. Então, as vitórias não se dão por um puxadinho ou por um alinhamento cego. É que, todas as vezes que a Emília pensou em enviar algo que fosse contra o senso comum, como nós pensamos, ela mudou. Foi o caso da reforma da Previdência, por exemplo. Ela ouviu a sua base antes de incorrer em qualquer tipo de constrangimento nas votações. Isso é a boa política. Isso é transigência.

EDVALDO NÃO ERA DE OUVIR NINGUÉM NA POLÍTICA
“Edvaldo é um homem que decidiu, na vida política, não ouvir mais ninguém, a não ser, razoavelmente, a Jefferson Passos e a Carlos Cauê. No mundo de Edvaldo só habitavam três pessoas: ele, e esses dois. Os demais foram acessórios dispensáveis”
JLPolítica & Negócio - E o senhor tem Emília como uma política conciliadora?
IS - Eu tenho Emília Corrêa como uma mulher humilde e, nessa humildade, ela consegue se deixar convencer. Ela não se jacta. Emília não brada, em todo tempo, se colocando como a suprassumo do conhecimento. Ela ouve as pessoas. E isso ajuda muito numa relação legislativa e executivo.JLPolítica & Negócio - Mas quais os principais avanços na gestão municipal sob o comando de Emília?
IS - A saúde deu um salto astronômico. Saímos de uma saúde que deixou de fora 32 mil famílias – eram as que não estavam alcançadas pelo Programa de Saúde da Família. Agora a Prefeitura ampliou o atendimento de consultas especializadas, e também de exames especializados, e também as chamadas cirurgias eletivas, que são cirurgias programadas.

POR UMA CULTURA QUE COMBATA O FEMINICÍDIO
“Não vale frase de efeito. Me parece que a gente precisa acordar para um movimento cívico nacional em defesa da mulher. Precisamos voltar à cultura de um tempo em que o homem chegava em casa e tinha sua mulher como uma respeitosa esposa, não como uma vassala, quase uma escrava”
JLPolítica & Negócio - O senhor acha que sob o comando de Emília houve melhores ganhos nas carreiras dos servidores públicos municipais comparados com outras gestões?
IS - Acho. Emília está se protagonizando como a prefeita, dentre todos os prefeitos de Aracaju, que melhor atendeu aos pleitos dos servidores municipais da nossa capital. Para você ter ideia, um pleito histórico seria o piso salarial do magistério, conseguimos efetivar, sendo jurado por muitos que seria impossível, dado o volume de gastos que poderia ser desprendido.JLPolítica & Negócio - Qual é seu palpite pro que vai acontecer com a sucessão estadual de Sergipe deste ano?
IS – Primeiro, que é uma eleição difícil, em todos os aspectos, com exceção dos federais, que eu acho que estão mais ou menos arrumados. Acho que tem uma vaga ou duas aí sobrando, dos oito. Mas a eleição estadual repete, em certo aspecto, a polarização nacional e tem um fator diferente aí, que é essa instabilidade do candidato Valmir de Francisquinho. Ele está sustentado por uma decisão precária, que é uma liminar, e sabe-se muito bem que uma liminar é um sustento que pode se dissolver a qualquer momento.

DA DIFÍCIL ELEIÇÃO DE SENADOR DESTE ANO
“Considero que é uma eleição de muitos bons nomes e que exigirá excessiva habilidade de quem está na disputa. É uma eleição em que as classes sociais irão divergir, e aquele que souber concatenar ideias é quem vai lograr êxito”
JLPolítica & Negócio - O senhor vê a reeleição de Fábio Mitidieri sob ameaça?
IS - Eu vejo como sendo uma eleição em que Fábio vai precisar de todos os seus aliados para conseguir se manter no poder.JLPolítica & Negócio - O senhor considera que a escolha dos dois futuros senadores de Sergipe quase uma eleição à parte?
IS - Eu considero que é uma eleição de muitos bons nomes e que exigirá uma excessiva habilidade de quem está na disputa. É uma eleição em que as classes sociais irão divergir, e aquele que souber concatenar ideias, capitalizar as intenções de voto, é quem vai lograr êxito. Mas hoje, para você dizer exatamente quem entre os que aí já estão eleito para o Senado seria temerário.

PROTAGONISMO HISTÓRICO DE EMÍLIA
“Emília está se protagonizando como a prefeita, dentre todos os prefeitos de Aracaju, que melhor atendeu aos pleitos dos servidores municipais. Para você ter ideia, um pleito histórico que seria o piso salarial do magistério, conseguimos efetivar, sendo jurado por muitos que seria impossível”
JLPolítica & Negócio - Como é que o senhor vê as chances do seu candidato ao Senado, André Moura, neste contexto?
IS - André Moura tem dois fatores importantes que podem ser definidores de sua vitória. Primeiro, o quantitativo de prefeitos que o apoiam. Na última eleição em que ele concorreu ao Senado, chega aqui em primeiro lugar, mas é superado por Alessandro e por Rogério em Aracaju. Então, ele tem hoje em torno de 55 prefeitos e uma maioria dos vereadores no interior, que têm uma força muito mais notável do que na capital. E, na capital, ele tem um elemento que construiu fortemente, que é o União Brasil, esse agrupamento de 21 vereadores que decidiram votar com André Moura fechado. É um fato novo, que carrega a grande responsabilidade de reverter a baixa posição que ele teve naquele momento diferente, um momento Temer - aquele momento que você conhece melhor do que eu. Então, André tem condições plenas de se tornar o primeiro dos dois senadores eleitos.JLPolítica & Negócio - O senhor já tem definido o seu segundo voto para o Senado?
IS - Tenho. Vai ser Eduardo Amorim e pela amizade com a prefeita e também pela amizade que eu tenho com Eduardo Amorim. Acho ele um humanista. É difícil encontrar alguém que não veja em Eduardo Amorim um homem de bom caráter e um homem que, na sua vida, fez a boa decisão de escolher aqueles que mais precisam.

SE VENDO BEM ENQUANTO LÍDER DA PREFEITA
“Modéstia à parte, fizemos um trabalho próspero, porque levamos a prefeita Emília Corrêa a obter êxito em todas as votações. Claro que emendamos projetos que vieram do Executivo e até fizemos com que retornassem alguns antes de serem votados”
JLPolítica & Negócio - Seria suspeito perguntar se o senhor vê chance eleitoral nele?
IS - Eu vejo chance, porque, como eu bem falei, não há definição para o Senado. Qualquer pesquisa que saia agora terá caído na mesma lógica da última eleição, há seis anos. Foi Valadares o candidato, ele estava lá disparado, eram dois candidatos, e se elegeram Alessandro e Rogério. Então, o passado deve nos ensinar alguma coisa.JLPolítica & Negócio - Como é que o grupo de vereadores e o Poder Legislativo de uma capital podem atuar no combate ao feminicídio que avilta a sociedade brasileira?
IS - Todo dia eu me pergunto onde nós erramos e onde nós estamos errando, porque ainda ontem mais uma mulher foi assassinada. E parece que os assassinatos estão firmando uma pedagogia da violência. “Como assim, Isac?” Ao invés de aquele que matou se tornar um antiexemplo, parece que estimula outros a destilar seu ódio com a violência de morte. Só a punição não resolve - está provado isso. A punição é peça fundamental, mas, se não corrermos urgentemente às nossas escolas e instituições para ensinarmos aos nossos filhos a superar uma tradição violenta que nós todos cultivamos, isso não se romperá. Não vale frase de efeito ou uma marcha. Me parece que a gente precisa acordar para um movimento cívico nacional em defesa da mulher, ultrapassando os limites do nosso machismo. Precisamos voltar à cultura de um tempo em que o homem chegava em casa e tinha sua mulher como uma respeitosa esposa, não como uma vassala, quase uma escrava.

DOIS COLEGAS PRETENDIAM A PRESIDÊNCIA, MAS...
“Era o vereador Anderson de Tuca e o vereador ex-deputado federal Nitinho. E se compreendeu que, para esta tarefa do momento, meu nome completa melhor a possibilidade de êxito - apesar da grande valia dos dois demais”
JLPolítica & Negócio - Com Emília Corrêa, o senhor passa pela estrutura de um segundo Governo Municipal. Qual é a diferença entre ela e Edvaldo Nogueira?
IS - Emília buscou, na formatação do seu governo, imprimir duas vertentes: uma técnica, que conhece da área porque tem a sua formação, e usemos o exemplo da médica Débora Leite, que é uma pediatra, mas também não deixou de dialogar com o setor da política. Alguém falou assim: “Emília colocou muitas pessoas ligadas a Edvan Amorim”. Claro: ela fazia parte do partido coordenado por Edvan Amorim, que era o PL. Então, acho que ela conseguiu, dentro do limite muito tênue da política, juntar a parte técnica com a parte política partidária, porque ninguém governa sem amigos. Pode até não ser um pessoal amigo seu, mas o é da política.JLPolítica & Negócio - Mas o senhor não atentou para a diferença entre ela e Edvaldo.
IS - Edvaldo é um homem que decidiu, na vida política, não ouvir mais ninguém, a não ser, razoavelmente, a Jefferson Passos e a Carlos Cauê. No mundo de Edvaldo só habitavam três pessoas: ele, e esses dois ex-secretários. Os demais foram acessórios dispensáveis e gravitaram como hastes de menor valor.

A DIÁSPORA DOS VEREADORES É RUIM?
“Acho que sim. Porque você pode, se fosse mais concentrado, oportunizar e agilizar, quando entidades de classe vão procurar vereadores para levar uma demanda ou apresentar uma proposta. Estarmos juntos geograficamente pode ajudar a ter uma cara mais forte”
JLPolítica & Negócio - O senhor prevê o quê para ele como candidato a senador?
IS - Eu prevejo que ele vai ter uma boa votação, mas vai lograr uma derrota e deverá se aposentar. Aliás, eu disse lá atrás: Edvaldo deve se aposentar agora.JLPolítica & Negócio - Para a Câmara Federal e Alese, o senhor votará com quem?
IS - Para federal, eu tenho um carinho e uma alegria de votar com Yandra Moura, que acho que dispensa comentários quanto ao seu trabalho na Câmara Federal. É uma mulher que honrou muito, inclusive se inseriu nesse debate com cuidado com a vida das mulheres, das pessoas negras e divergentes. E, para estadual, eu sempre voto em um amigo meu do parlamento municipal. Já votei em Manuel Marcos e em Netinho, e agora estou votando em Pastor Diego. Foi uma promessa minha desde o começo. Ele me pediu essa somação. Ele é do União Brasil, não sou bolsonarista, ele é, mas eu busquei transpor os muros da polarização.

POR UMA SEDE PRÓPRIA E MAIS AMPLA
“Isso é necessário. A gente, nesta atual sede, tem uma vulnerabilidade. Não é porque a gente não quer ter contato com o povo - até porque estamos buscando espaço no centro. Mas não pode ser um espaço acanhado. Onde estamos, recebe muito mal as pessoas”
JLPolítica & Negócio - Na eleição nacional, é possível antever um desfecho hoje do que vai acontecer?
IS - Não acredito. Eu acredito que será uma eleição em que os discursos terão força de reverter o processo, porque temos contraposições muito claras. O Governo Lula fala de avanços e de ter colocado o orçamento na ordem do dia, e Flávio Bolsonaro e sua turma dizem que Lula dividiu o Brasil e os brasileiros, e que a gente carrega uma mazela. Então, esse debate terá que ser comprovado. Entendo que, dessa feita, não só a figura carismática de Lula ou de Jair Bolsonaro será suficiente para convencer o eleitorado. Não tem a possibilidade de ninguém levar no primeiro turno nem lá, nem cá.JLPolítica & Negócio - É verdade que o senhor defende uma universidade municipal aracajuana? A gestão da capital teria condições de concebê-la e mantê-la?
IS -Defendo que tenhamos uma universidade municipal porque a gente vive produzindo profissionais que o mercado não quer receber. É como se você estivesse falando algo que ninguém quisesse ouvir. É como convidar clientes para um restaurante falando javanês. A gente forma pessoas para ninguém contratar. Então, nós poderíamos ter uma universidade enxuta, com cursos que estivessem na ordem do dia da economia, e a gente não está fazendo dessa forma.

POR UMA CÂMARA MAIS ABERTA À SOCIEDADE
“Queremos uma Câmara que, quando fizer suas audiências públicas, saia daquelas quatro paredes e consiga ouvir a sociedade. Então, acho que a Câmara tem esse condão, muito mais que o Executivo, de ir às comunidades e tomar para si os debates mais importantes de uma cidade”
JLPolítica & Negócio - O senhor estaria mais pensando num novo empreendedorismo?
IS – Exatamente. A gente perdeu muito a capacidade de criar empreendedores. As startups em Sergipe são muito poucas. No mundo das IAs e da tecnologia a gente desenvolveu pouco. Então, pode se dizer que Aracaju é uma cidade que tem como maior polo o serviço. Não tem indústria, não tem um agronegócio forte. Aracaju é uma capital pequena. O caminho do avanço tecnológico, dos cursos que produzem tecnologia, para a minha concepção, é sine qua non para trazer uma nova perspectiva para os nossos jovens. Porque só no Direito, o mercado está estrangulado. A Medicina já está nesse caminho também, e muitas áreas que nós apostamos hoje não são mais o que eram no passado, e alguém não disse aos jovens um “ei, parem aí, que não há mais espaços, por enquanto, nessas áreas”.JLPolítica & Negócio - O senhor deixou em aberto a gestão de se a capital teria condição de conceber e manter.
IS - Sim, a gente tem outros gastos, outras gorduras que podem ser superadas e cortadas. Não tenho nenhuma dúvida. No orçamento, a grande questão não é se tem, mas como se usa. Nós temos um orçamento de quase R$ 5 bilhões em Aracaju. Ela não é uma cidade pobre. Essa ideia de que somos pobres, que somos nordestinos, quando você põe numa balança nacional, Aracaju é uma cidade que tem uma arrecadação razoável.

DOS GANHOS SOCIAIS DA GESTÃO DE EMÍLIA
“Fui vereador por oito anos antes e pensei em deixar a vida política exatamente porque me sentia constrangido ao ver as famílias utilizando um transporte que parecia mais uma lata de sardinha”
JLPolítica & Negócio - Como é que o senhor vê o papel de Ricardo Marques na disputa pelo Governo do Estado?
IS - Isso é um ato de sobrevivência política dele. Fora do projeto junto com Emília, ele buscou uma tábua de salvação nessa relação dele com Rodrigo Valadares. Não estou dizendo que isso é demérito, nem estou vendo pejorativamente. Ele procura se manter vivo na política, sob pena de entrar em um ostracismo muito cedo, o que eu espero que não aconteça, porque gosto muito dele.JLPolítica & Negócio - Quem errou nessa ruptura entre ele e Emília?
IS - Tem uma música que fala que “nem eu errei, nem ele errou”. Eu acho que quem errou foram os que os rodeavam. Quem está na política tem que tomar muito cuidado com os amigos “let it be”. Sabe aquela música que repete “let it be” várias vezes? Alguém fica dizendo para você que alguém não presta, você acaba acreditando. Eu já vi muito isso. As pessoas apostam no caos para ocupar espaços que Ricardo estava ocupando e para levá-lo também a romper com Emília. Ou seja, eles são muito novos no poder e morderam muito fácil a isca. Ou foram picados pela mosca azul.









