Entrevista

Jozailto Lima

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Ivan Sobral: “Nós somos a chamada âncora verde da economia nacional”

“Participação do agronegócio no PIB do Estado deve girar em torno de 15%”
27 de setembro de 2020

O agronegócio sergipano é, atualmente, uma instituição forte. Marcada por uma experimentação técnica e científica que lhe permite avanços e ganhos, está em sintonia com uma produção que garanta a boa segurança alimentar às pessoas, mas necessita de mais arranjos produtivos que agreguem valor a ela tanto na esfera animal quanto na vegetal.

 

Esta é mais ou menos a síntese do pensamento do empresário rural e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Sergipe - Faese - Ivan Sobral, 32 anos, que está indo para o terceiro mandato de uma entidade de classe dentro da qual ele quase nasceu. O pai dele, o pecuarista Eduardo Silveira Sobral, faleceu em 2014 no começo do oitavo mandato - reinou ali por 22 anos. Ele, como vice, o sucedeu.

 

Formado em Gestão Pública e em fase de andamento num curso de Administração de Empresas, Ivan Sobral tem um olhar bastante positivo sobre a cadeia produtiva rural sergipana, suas potencialidades e responsabilidades, mas cobra mais, sobretudo no campo da agregação de valor no que se produz, com mais indústrias de transformação ligadas ao setor.

 

“As principais atividades que se destacam na nossa economia rural são a produção do milho, leite, laranja e cana-de-açúcar, mas precisamos buscar novas plantas de negócios para Sergipe”, diz o moço, que lida com gado de corte - nelore -, de leite – girolando – e aves.

 

“Precisamos de uma unidade que processe o nosso milho. Não temos uma produção de óleo de milho e nem de etanol à base milho, por exemplo. Porque para completar esse tripé da economia do Estado, é preciso industrializar esses produtos”, reforça.

 

Para Ivan Sobral, há espaço, ainda, para se aumentar o tamanho do rebanho bovino de Sergipe, hoje em pouco mais de 1,2 milhão de cabeças de animais - ou o correspondente à metade da população de humanos, em descompasso com a média nacional, que tem 212 milhões de bovinos para a mesma quantidade de pessoas.

 

“O rebanho de Sergipe se mantém estável há muitos anos, mas está abaixo da média nacional quando comparamos a quantidade de habitantes com o número do rebanho. O Estado tem 2,3 milhões de pessoas e 1,2 milhão de cabeças de gado. A tendência é crescer esse rebanho nos próximos anos, pois o pecuarista sergipano vem investindo cada vez mais em tecnologia e em melhoramento genético e o mercado externo está aquecido e exigindo avanços”, diz ele.

 

Mas, na visão de Ivan Sobral, Sergipe vai bem no que tem e no que empreende - com exceção para a citricultura, que há mais de duas décadas vem arrastando as unhas pelo chão. Para ele, a produção de milho é uma dessas realidades fantásticas.

 

Este ano, temos 180 mil hectares plantados. A expectativa é uma produção de aproximadamente 800 mil de toneladas. Aumento de 5% da área plantada, mas não são áreas novas. São áreas de pastagens degradadas e áreas da citricultura incorporadas a essa atividade”, diz ele.

 

Nesta Entrevista, Ivan Sobral dirá que os empreendedores rurais sergipanos e nordestinos atuam com extrema visão preservacionista do meio ambiente, afirmará que o Governo de Estado e o pecuarista fizeram o dever de casa para deixar Sergipe livre da aftosa e a caminho de fazê-lo sem mais necessidade de vacinação, vai reclamar da queda de recursos federais para a Embrapa, mas pedirá tolerância e adaptação e, sobretudo, garantirá que o agronegócio não exporá Sergipe e o Brasil a perigos de escassez de suprimentos alimentares neste momento de pandemia do coronavírus.

  

“Não há a menor chance de isso ocorrer. Ao contrário, o que nós temos visto é um aumento na produtividade do campo no Brasil e em Sergipe, e vem desse setor uma grande noção de responsabilidade perante a segurança alimentar brasileira e até perante a manutenção da estabilidade econômica. Sim, nós somos a chamada âncora verde da economia nacional”, diz Ivan.

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Ivan Sobral e seu trio parada dura: a esposa Rafaela Souza Oliveira, a filha Maria Cecília Garcez Sobral, 9 anos, e o filho João Pedro Souza Sobral, sete meses

AGRO NECESSITA DE PLANTAS INDUSTRIAS

“O agronegócio tem um papel muito importante no PIB dos municípios. As principais atividades que se destacam na nossa economia são a produção do milho, leite, laranja e cana-de-açúcar, mas precisamos buscar novas plantas de negócios para Sergipe”

JLPolítica - O agronegócio sergipano teria para Sergipe o mesmo peso que o agronegócio brasileiro tem para o Brasil?

Ivan Sobral - Em Sergipe o agronegócio tem um papel muito importante, mas em outras regiões do país o agro se destaca com mais evidência para o país. Em Estados como Goiás e Mato Grosso, essa atividade tem uma expressão maior em números.

 

JLPolítica - Que atividades compõem o tripé de importância sobre o qual se assenta o agronegócio de Sergipe?

IS - O agronegócio tem um papel muito importante no PIB dos municípios de Sergipe. As principais atividades que se destacam na nossa economia rural são a produção do milho, leite, laranja e cana-de-açúcar, mas precisamos buscar novas plantas de negócios para Sergipe. Precisamos de uma unidade que processe o nosso milho. Não temos uma produção de óleo de milho e nem de etanol à base milho, por exemplo. Porque para completar esse tripé da economia do Estado, é preciso industrializar esses produtos.

 

JLPolítica - O que foi feito da laranja sergipana? Ela corre o risco de desaparecer enquanto negócio?

IS - Sergipe é o terceiro maior exportador de suco de laranja no Brasil. Isso mostra importância econômica dessa atividade para Sergipe, mas a cultura do citrus vem perdendo espaço ano a ano por falta de uma melhor assistência técnica e de crédito para os produtores da região produtora.

 

JLPolítica - Em que situação se encontram os pomares?

IS - Hoje nós temos pomares antigos que já não produzem tão bem. Os produtores estão com dificuldade financeira e, além disso, houve perda física dos pomares por causa da mosca negra. Em muitos lugares já está, também, ocorrendo uma substituição da cultura da laranja pela da cana-de-açúcar. Existe um declínio da produção, mas não a possibilidade de zerar a sua produção.

Laranja sergipana: “Hoje temos pomares antigos que já não produzem tão bem. Os produtores estão com dificuldade financeira e houve perda física dos pomares”

DECLÍNIO DA PRODUÇÃO DE LARANJA

“Hoje temos pomares antigos que já não produzem tão bem. Os produtores estão com dificuldade financeira e houve perda física dos pomares por causa da mosca negra. Está ocorrendo uma substituição da cultura da laranja pela da cana-de-açúcar. Existe declínio da produção, mas não a possibilidade de zerar”

JLPolítica - Quais são ainda hoje o papel e o peso da cana-de-açúcar?

IS - A cana-de-açúcar é uma importante atividade econômica no Brasil, que se destaca como um dos maiores produtores. Em Sergipe, na última safra tivemos uma produção de 2,1 milhões de toneladas. A expectativa é um aumento na safra desse ano. Além disso, o açúcar foi o terceiro produto mais exportado por Sergipe em 2019, e isso mostra o peso dessa atividade na nossa economia. Além disso, é uma das culturas que mais empregam.

 

JLPolítica - Quais as implicações da pandemia do coronavírus sobre o agronegócio do Estado?

IS - O PIB do agronegócio cresceu 5,26% no primeiro semestre desse ano, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA. Sacabemos que nossos produtores rurais tiveram um papel fundamental na produção de alimentos durante a pandemia. Em Sergipe, tivemos alguns problemas no início da pandemia por causa do escoamento da produção em virtude do fechamento das feiras livres. A Federação dialogou com as prefeituras e o governo para garantir o escoamento dessa produção.

 

JLPolítica - Quanto por cento o agronegócio de Sergipe representa na composição do PIB do Estado?

IS - O percentual nacional é em média de 22% e em Sergipe é um pouco menor, porque não industrializamos todos os produtos. A participação do agronegócio no PIB do Estado deve girar hoje em torno de 15%.


JLPolítica - Que necessidades levaram os produtores do campo a pedir modificação na legislação ambiental recentemente?

IS - O Estado de Sergipe tinha uma legislação muito rigorosa com relação aos tamanhos de área que exigia o licenciamento ambiental e foi uma lei que adequou melhor esses tamanhos, já que o Estado de Sergipe é composto basicamente por micro e pequenos produtores.

Ivan Sobral com o deputado Zezinho Sobral, militância política: aqui, de posse da carta de redução do ICMS do milho do Estado em Frei Paulo

DO PESO DO AGRO NO PIB SERGIPANO

“A participação do agronegócio no PIB do Estado deve girar hoje em torno de 15%. O percentual nacional é em média de 22% e em Sergipe é um pouco menor, porque não industrializamos todos os produtos”

JLPolítica - É possível manter um bom agronegócio com uma preservação ambiental justa?

IS - Sim. Os produtores precisam preservar 20% da vegetação nativa dos seus imóveis, mas estudos da Embrapa apontam que na maioria dos estados nordestinos os produtores preservam mais de 50% da área de seus imóveis. Isso comprova que estamos preocupados em produzir mantendo o equilíbrio entre o meio ambiente e o agronegócio.

 

JLPolítica - Qual é a previsão para a safra de milho para este inverno alongado de 2020?

IS - A expectativa é uma produção de aproximadamente 800 mil de toneladas. Este ano, temos 180 mil hectares plantados. Aumento de 5% da área plantada, mas não são áreas novas. São áreas de pastagens degradadas e áreas da citricultura incorporadas a essa atividade. As condições climáticas beneficiaram a produção agrícola em Sergipe este ano e teremos uma boa produção do milho em grãos.


JLPolítica - Não incomoda ao senhor a quase devastação do bioma caatinga sergipano em nome de mais e mais milho?

IS - Os produtores são obrigados a respeitar 20% da área. O milho já é uma cultura consolidada. Onde milho cresce hoje é numa substituição de pastagens degradadas e região de baixa produção de laranja que vem sendo substituída. Hoje existem técnicas modernas e aprovadas pela Embrapa para o consórcio da plantação de milho com pastagem, o que garante que após a safra os animais pastejem naquela região. Isso é, completando o ciclo dentro da mesma área e aumentando a produtividade sem excessos de aumento de novas áreas.

Raças holandesa, girolanda e gir: a base do leite de Sergipe

DO RECORD DO MILHO EM SERGIPE

“A expectativa é uma produção de aproximadamente 800 mil de toneladas. Este ano, temos 180 mil hectares plantados. Aumento de 5% da área, mas não são áreas novas. São áreas de pastagens degradadas e da citricultura incorporadas a essa atividade”

 

Ovinos Santa Inês em exposição no Parque João Cleofas: Sergipe se fez um forte representante dessa raça

CRISE DO ARROZ NÃO É DE SERGIPE NEM DO BRASIL

“A crise do arroz é mundial. Houve um aumento na demanda e uma queda na produção pelos países asiáticos. Sergipe já tinha uma baixa produção e muitos produtores migraram para outras culturas por causa da desvalorização na remuneração. Sergipe produz hoje uma média de 30 mil toneladas por safra”

 

Girolanda, uma raça que Ivan Sobral cria: “A valorização do leite e dos derivados faz com que o produtor tenha uma renda maior”

O BOOM NO PREÇO DA ARROBA DO BOI

“Isso traz um alívio para a cadeia porque há seis anos a arroba do boi não tinha um reajuste considerável e os custos da produção aumentaram. Estamos vendo uma boa expectativa de que essa valorização possa trazer melhor de fluxo de caixa para o produtor”

JLPolítica - O campo e o agronegócio são contemplados com uma assistência técnica pública à altura ou o são por alguma coisa que deixa a desejar?

IS - O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - Senar - vem realizando um trabalho de assistência técnica e gerencial desde 2016 em Sergipe. É um programa que orienta os produtores sobre como gerenciar a propriedade e aumentar a sua produção de leite. O programa tem trazidos bons resultados e mudado a realidade de muitos produtores. Nós sabemos que é impossível o governo realizar assistência em todo Estado, por isso a importância do trabalho em conjunto de empresas e instituições que ajudam a levar assistência técnica para os produtores.

 

JLPolítica - Como a Faese recebe os cortes nas verbas da Embrapa feitos pelo Governo Federal recentemente?

IS - Não recebemos bem, porque sabemos que a Embrapa precisa dos recursos para garantir as pesquisas, mas é um momento de cortes e vamos ter que nos adequar.

 

JLPolítica - Qual é a importância do Programa AgroNordeste, em que setores ele está presente em Sergipe e em que bases?

IS - O AgroNordeste é um plano de ação elaborado pelo Governo Federal para impulsionar o desenvolvimento econômico e social da região Nordeste. Em Sergipe, ele está sendo executado desde janeiro deste ano através do programa de Assistência Técnica e Gerencial do Senar. O investimento do AgroNordeste em Sergipe é de aproximadamente R$ 2 milhões distribuídos nas cadeias de pecuária de leite, agroindústria e fruticultura.

Milho em Sergipe assume posição de super sucesso na cadeia agrícola, mas falta indústria que o valore mais

AÇÃO CONJUNTA QUE DEU ADEUS À AFTOSA

“Há mais de 20 anos Sergipe não tem nenhum caso de febre aftosa, porque geramos um ambiente não favorável para proliferação do vírus e o Governo do Estado, através da Emdagro, fez o seu dever de casa ao controlar as fronteiras. O produtor fez o seu dever de casa em vacinar o rebanho”

JLPolítica - Como é que a crise do arroz pegou Sergipe do ponto de vista da produção desse cereal?

IS - A crise do arroz é mundial. Não é no Brasil ou em Sergipe. Houve um aumento na demanda e uma queda na produção pelos países asiáticos, que tiveram perdas na produção. Houve uma procura mundial e o Brasil vendeu o que tinha em estoque e o produto interno ficou mais caro. A mesma coisa aconteceu com a soja. Em relação à nossa produção, Sergipe já tinha uma baixa produção e muitos produtores migraram para outras culturas por causa da desvalorização na remuneração. Sergipe produz hoje uma média de 30 mil toneladas por safra.

 

JLPolítica - Ter algo em torno de 1,2 milhão de cabeças na composição do rebanho de bovinos do Estado é de bom tamanho ou está desproporcional à média nacional?

IS - O rebanho de Sergipe se mantém estável há muitos anos, mas está abaixo da média nacional quando comparamos a quantidade de habitantes com o número do rebanho. O Estado tem 2,3 milhões de pessoas e 1,2 milhão de cabeças de gado. A tendência é crescer esse rebanho nos próximos anos, pois o pecuarista sergipano vem investindo cada vez mais em tecnologia e em melhoramento genético e o mercado externo está aquecido e exigindo avanços.

 

JLPolítica - O senhor já viu a arroba do boi nos patamares a que chegou ultimamente?

IS - Não e isso traz um alívio para a cadeia porque há seis anos a arroba do boi não tinha um reajuste considerável e os custos da produção aumentaram. Estamos vendo uma boa expectativa de que essa valorização possa trazer um melhor de fluxo de caixa para o produtor.

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DAS RAZÕES QUE FAZEM O SERTÃO SER LEITEIRO

“O sertão tem uma vocação natural para a pecuária leiteira. O sertanejo teve que se adaptar com as melhores práticas para a produção. Eles se especializaram no leite, investiram em genética, boas práticas em nutrição e, por necessidade de que a aquela atividade fosse a mais rentável possível, se aperfeiçoaram”

JLPolítica - Está faltando bezerro para recria?

IS - Sim. Hoje o bezerro está super inflacionado. Temos uma dificuldade de encontrar bezerros para uma reposição, porque um dos fatores que fizeram elevar o preço da arroba de boi é que estava tão desvalorizada que os produtores venderam as suas matrizes porque precisavam de um fluxo de caixa. Se abateu muita vaca e o resultado foi que faltou bovino e hoje os produtores estão segurando os animais para fazer reposição.

 

JLPolítica - Sergipe tem boas práticas e patentes em melhoramento genético de animais?

IS - Nós temos boas práticas e um exemplo disso é a genética dos ovinos Santa Inês, reconhecida no Brasil como Sergipe sendo um berço. Como foi com o Indubrasil e o rebanho de leite girolando.

 

JLPolítica - O rebanho bovino do Estado está livre da aftosa?

IS - Há mais de 20 anos Sergipe não tem nenhum caso de febre aftosa, porque geramos um ambiente não favorável para proliferação do vírus e o Governo do Estado, através da Emdagro, fez o seu dever de casa ao controlar as fronteiras. O produtor fez o seu dever de casa em vacinar o rebanho e todos juntos caminhados para que em 2021 Sergipe seja uma área reconhecida sem a vacinação.

Pônei: uma experimentação entre os pecuaristas de Sergipe que chama a atenção

O CAMPO NECESSITA DE SEGURANÇA E PAZ

“Há crimes como furto de gado, depredação do patrimônio e roubo à mão armada tem sido cada vez mais frequentes e muitos produtores estão relatando situações de insegurança no campo. Nesse momento de colheita da safra, a preocupação é ainda maior”

JLPolítica - Mas como explicar que 5% do rebanho não sejam imunizados?

IS - Essa é uma grande discussão, porque o que nós temos são números estatísticos de um rebanho versus o número de animais declarados que foram vacinados. Há uma diferença entre o número que os órgãos do governo têm do rebanho e o número que efetivamente os criadores declaram.


JLPolítica - O leite se confirma um bom negócio no Estado atualmente?

IS - A valorização do leite e dos derivados faz com que o produtor tenha uma renda maior, apesar do custo de produção ter se elevado. A pecuária leiteira é uma atividade presente em 100% dos municípios sergipanos, concentrando mais no Alto Sertão. Sergipe produz uma média de um milhão de litros de leite por dia. Este leite é escoado principalmente para os principais laticínios do Estado e para as agroindústrias.


JLPolítica - Por que a pecuária leiteira das demais regiões sergipanas não conseguem competir com a do sertão?

IS - O sertão tem uma vocação natural para a pecuária leiteira. O sertanejo teve que se adaptar com as melhores práticas para a produção de leite. Eles se especializaram no leite, investiram em genética, boas práticas em nutrição e, por necessidade de que a aquela atividade fosse a mais rentável possível, eles se aperfeiçoaram.

 

Aqui, Ivan Sobral em companhia da mãe Ivany Apóstolo Sobral e da esposa, a empresária Rafaela Souza Oliveira

EM BUSCA DE MELHORIAS PRAS ESTRADAS VICINAIS

“Hoje as estradas precisam de manutenção e para tentar resolver esta situação a Faese se reuniu com Fames para pedir ajuda aos municípios. Sabemos da importância das atividades agropecuárias nos municípios e a manutenção das estradas é muito significativo para garantir o escoamento da produção”

JLPolítica - A pandemia do coronavírus impossibilitou as exposições agropecuárias de Sergipe este ano?

IS - A Feira Agropecuária que acontece no mês de março em Aracaju foi a primeira exposição afetada. Pela primeira vez, a feira foi realizada com os portões fechados para o público. Só aconteceram os julgamentos, pois os animais já estavam no parque de exposições no dia em que foi anunciado a suspensão dos eventos públicos. As demais exposições que acontecem anualmente também foram afetadas, mas os leilões estão acontecendo de forma online. 

 

JLPolítica - Elas ainda são importantes no contexto dos negócios rurais, sobretudo da pecuária, ou perderam a força?

IS - As exposições agropecuárias servem como vitrine para os nossos produtores. É um momento de troca de experiências, fechamento de negócios e de expor os animais. As feiras movimentam a economia local.


JLPolítica - Como é que o setor da agropecuária recebe a promessa de um matadouro frigorífico industrial anunciada pelo Grupo Maratá?

IS - O setor aguarda com boa expectativa a vinda de um frigorífico, pois a atividade da pecuária de corte é muito carente de uma planta frigorífica que faça a compra dos animais do Estado.

Beleza e porte do gado Gir: vitrine das exposições fechadas pela pandemia do coronavírus neste ano

JLPolítica - O que tem sido feito pela Faese para minorar essas situações?
IS -
Diante dos relatos dos produtores, a Faese elaborou uma pesquisa em parceria com a SSP para traçar estratégias para garantir a segurança no campo. Há um questionário digital que o produtor preenche no nosso site www.faese.org.br e fornece algumas informações que serão mantidas em sigilo. Após a coleta, os dados serão encaminhados para a SSP.


JLPolítica - Tem havido aumento de investimento por parte de gente urbana no campo de Sergipe?

IS - Sim. Várias pessoas que não são ligadas à atividade rural e possuem reservas de economia estão procurando parceiros, que são produtores rurais, para investir no campo.


JLPolítica - Como estão as estradas vicinais de Sergipe no suporte às atividades do agronegócio?

IS - Por causa das chuvas, hoje as estradas precisam de manutenção e para tentar resolver esta situação a Faese se reuniu com Fames para pedir ajuda aos municípios. Sabemos da importância das atividades agropecuárias nos municípios e a manutenção das estradas é muito significativo para garantir o escoamento da produção.

 

JLPolítica - Enfim, há perigo de o campo sergipano e brasileiro negar fogo às necessidades de suprimento das cidades nesse momento de pandemia?

IS - Não há a menor chance de isso ocorrer. Ao contrário, o que nós temos visto é um aumento na produtividade do campo no Brasil e em Sergipe, e vem desse setor uma grande noção de responsabilidade perante a segurança alimentar brasileira e até perante a manutenção da estabilidade econômica. Sim, nós somos a chamada âncora verde da economia nacional.

 

JLPolítica - O senhor pensa em um dia vir a ser prefeito de Itaporanga D’Ajuda?

IS - A política corre nas veias e gosto bastante dela. Se for da vontade de Deus, estarei pronto. Mas não tenho nada planejado em concorrer à Prefeitura por breve. Sou muito feliz no que faço e me sinto realizado defendendo minha classe.