Jefferson Feitoza: “É erro a população achar que deve estar afastada do debate eleitoral”

Entrevista

Jozailto Lima

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Jefferson Feitoza: “É erro a população achar que deve estar afastada do debate eleitoral”

22 de maio de 2021
“É exatamente a política que traz à população melhorias ou pioras”

Na frase “é exatamente a política que traz à população melhorias ou pioras” está a chave exata da visão do advogado Jefferson Feitoza, 41 anos, presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB de Sergipe, sobre o peso e a importância da política para a vida das pessoas em oposição ao abandono e ao desleixo com que essas mesmas pessoas tratam a política e a importância dela no seu dia a dia.

Para Jefferson Feitoza, a política têm tanto a ver com a realidade das pessoas que elas perdem muito ao virar as costas para os processos, os debates e as contendas políticas e eleitorais das cidades, do Estados e do país.

“São as nossas escolhas que vão dizer como serão os próximos anos do país, dos estados e das cidades. Muito discutimos o peso dos nossos representantes dos mandatos executivos, até pelo destaque que possuem, mas precisamos estar atentos aos nossos escolhidos para o Poder Legislativo também”, pontua Jefferson.

E aqui ele chama a atenção para os riscos da falta de memória política. “Tivemos eleições há menos de seis meses e é certo, de forma triste, que boa parte dos cidadãos não sabe em quem votou, o que, evidentemente, impede a vigilância, a boa cobrança”, diz. E ele está certo.

Com irmão Vinicius, a esposa Marília, o filho Jefferson Neto, ele próprio, a avó materna Francisca, a mãe Ana Roda, a filhota Júlia, e o pai Jefferson, presidente da Emdagro
Jefferson Feitoza e o clã familiar: esposa Marília Gabriella Cardoso Feitoza de Carvalho, a filha Júlia Cardoso Feitoza de Carvalho e o filho Jefferson Feitoza de Carvalho Neto

E mais: Jefferson contestará o senso comum que pretende unificar as sete eleições brasileiras numa só data, dirá que “é incessante” o trabalho da Comissão que ele preside, sinalizará que sob Bolsonaro o Estado Democrático de Direito corre perigo, não baterá continência aos que querem sempre detratar o Poder Judiciário e vai sustentar que Inácio Krauss faz uma boa gestão como presidente da OAB de Sergipe.

Jefferson Feitoza de Carvalho Filho nasceu no dia 13 de agosto de 1979, em Serra Talhada, Pernambuco. Ele é filho de Jefferson Feitoza de Carvalho e de Ana Rosa Gomes Rodrigues Carvalho.

É casado com a médica pediatra Marília Gabriella Cardoso Feitoza de Carvalho e é pai de Júlia Cardoso Feitoza de Carvalho, de seis anos, e de Jefferson Feitoza de Carvalho Neto, de três.

Jefferson Feitoza formou-se em Direito na turma 2003.2 da Universidade Federal de Sergipe, tem pós-graduação em Direito e Processo Civil pela Ciclo, em Direito Eleitoral pela Verbo Jurídico, e é pós-graduando em Direito e Gestão Municipal pela Ciclo, e em Direito do Consumidor, pela ESA CFOAB.

Ele já foi secretário-geral da Comissão de Reforma Política e depois secretário-geral da Comissão de Reforma Eleitoral. Desde 2019 preside a Comissão de Direito Eleitoral da OAB/SE.

“Deve haver uma cobrança muito forte aos partidos para que incentivem a presença feminina nas suas agremiações, possibilitando candidaturas futuras vitoriosas. E o Poder Judiciário precisa estar atento a esta questão, cobrando dos partidos e julgando as demandas em que se evidencia a fraude eleitoral”, defende Jefferson Feitoza. A Entrevista dele vale o tempo da leitura.

Jefferson Feitoza e Marília Gabriella Cardoso Feitoza de Carvalho, com a familiares dela
DEBATE ELEITORAL É LEGAL E OPORTUNO
“Vejo como importante e salutar o debate eleitoral. O que não pode ocorrer é uma mistura entre o debate eleitoral e a ciência. É certo que uma dada parcela da população, infelizmente, ataca a ciência simplesmente por estar alinhada a determinado político de sua preferência”


JLPolítica - Como o senhor vê este debate eleitoral que já se iniciou em torno das eleições de 2022?
Jefferson Feitoza -
Vejo como importante e salutar o debate eleitoral. O que não pode ocorrer é uma mistura entre o debate eleitoral e a ciência. É certo que uma dada parcela da população, infelizmente, ataca a ciência simplesmente por estar alinhada a determinado político de sua preferência. Mais ainda, no que se refere aos políticos, é primordial que debatam a política e, também, as eleições, sendo prudente a não exposição dessas conversas, até para que o foco não saia do combate ao coronavírus.

JLPolítica - Mas qual é o prejuízo, e mais para quem, quando se politiza uma pandemia como esta do coronavírus?
Jefferson Feitoza -
Vejo como maior prejudicada a sociedade. O coronavírus é uma “doença social”, que precisa de pessoas circulando e aglomerando, sem cuidados, principalmente, para que ela possa circular e infectar um maior número de gente possível. Então seguir o que diz o político contra a ciência é prejudicar diretamente toda a população. Independentemente de se acreditar ou não na doença, mesmo depois de já ter matado mais de 420 mil pessoas só no Brasil, circular sem os devidos cuidados é gerar mais doença, mais morte, enfraquecendo de vez a economia.

JLPolítica - O senhor acha que esses aspectos do negativismo da ala presidencial frente à pandemia e as consequentes mortes que caminham para meio milhão devem ser recepcionados pela CPI da Pandemia?
Jefferson Feitoza -
Claro que sim, e estão. Já é perigoso uma pessoa do povo agir em desconformidade ao preconizado pela ciência, pessoas ligadas ao governo central então é algo muito pior, principalmente quando os atos são praticados pelo próprio presidente. A última foi criar uma “cortina de fumaça” e chamar quem está em casa se cuidando de idiota. Evidente a necessidade de o governo ter a responsabilidade no combate à pandemia, devendo ter muito cuidado com o que fala e mais ainda com o que faz. Inacreditável que tivesse a necessidade de criação de uma CPI tratando da pandemia. O Governo Federal deveria estar de mãos dadas com a ciência, com a população, porém observamos falta de interesse na compra de vacina, compra de insumos, pessoas foram intubadas sem a medicação necessária, amarradas em macas, já não bastando o sofrimento pela doença em si, pessoas morrendo por falta de oxigênio.

Jefferson Feitoza guri, o último de camisa preta, com o irmão Vinicius de Sá Carvalho e a irmã Ana Cecília Carvalho Passos
O DEBATE ELEITORAL NUNCA PARA
“Creio, na realidade, que o debate eleitoral nunca para. É algo contínuo, sendo que quanto mais próximo das eleições, mais intenso fica. Isso deve valer para os políticos, como também para a sociedade. Creio ser um erro a população achar que deve estar afastada do debate eleitoral, em qualquer momento que seja”


JLPolítica - É precipitado dizer desde já que a CPI redunde numa punição ao presidente Jair Bolsonaro e alguns executivos dele?
Jefferson Feitoza -
É precipitado, sim. A CPI teve seu início recentemente, com elaboração de requerimentos, ouvida de testemunhas, mesmo o ex-ministro da Saúde, Pazuello, buscando Habeas Corpus para permanecer em silêncio, tendo sido deferido parcialmente, o que não impediu de ele dizer o que disse. Apesar de tudo que já se ouviu e se apurou nesse curto espaço de tempo da CPI, não podemos de modo algum fazer um julgamento antecipado. As provas serão colhidas e apresentadas, e se espera que ao final os culpados, em havendo-os, sejam punidos no rigor e nos limites da norma.

JLPolítica - Mas, voltando às questões políticas e eleitorais, o senhor acha que é hora de discutir isso, tendo em vista que está em curso uma pandemia?
Jefferson Feitoza -
Creio, na realidade, que o debate eleitoral nunca para. É algo contínuo, sendo que, obviamente, quanto mais próximo das eleições, mais intenso fica. Isso deve valer para os políticos, como também para a sociedade. Creio ser um erro a população achar que deve estar afastada do debate eleitoral, em qualquer momento que seja. É certo que as discussões eleitorais neste momento em especial ficarão mais no campo dos bastidores, devendo, sim e repetindo, priorizar o combate ao coronavírus.

JLPolítica - O que o senhor quer dizer é que a política tem peso sobre a vida real...
Jefferson Feitoza -
Sim, e como tem. É exatamente a política que traz à população melhorias ou pioras. São as nossas escolhas que vão dizer como serão os próximos anos do país, dos estados e das cidades. Muito discutimos o peso dos nossos representantes dos mandatos executivos, até pelo destaque que possuem, mas precisamos estar atentos aos nossos escolhidos para o Poder Legislativo também. Tivemos eleições há menos de seis meses e é certo, de forma triste, que boa parte dos cidadãos não sabe em quem votou, o que, evidentemente, impede a vigilância, a boa cobrança.

Os três filhos de Jefferson Feitoza de Carvalho e de Ana Rosa Gomes Rodrigues Carvalho em dias atuais
A POPULAÇÃO DEVE ESTAR MAIS ENVOLVIDA
“O debate político e eleitoral deve ser incentivado, deve ser fomentado, fazendo com que a população esteja mais envolvida, eduque-se politicamente, gerando reflexos futuros positivos. Por exemplo, a leitura desse Portal JLPolítica é primordial para quem queira se informar sobre o que se passa em nosso país e, em especial, em Sergipe”


JLPolítica - O senhor aposta que o debate nunca deve ser menosprezado?
Jefferson Feitoza -
O debate político e eleitoral deve ser incentivado, deve ser fomentado, fazendo com que a população esteja mais envolvida, eduque-se politicamente, gerando reflexos futuros positivos. Por exemplo, a leitura desse Portal JLPolítica é primordial para quem queira se informar sobre o que se passa em nosso país e, em especial, em Sergipe. Para quem busque aprender sobre política. Modestamente, venho buscando fomentar o debate sobre a política nacional em meu Instagram - @jeffersonfdecfilho. Já debatemos com Eduardo Moreira e Eduardo Suplicy, inclusive as lives que fizemos estão lá disponíveis e foram notícias aqui. Vejo também o jovem Vitor Déda buscando oferecer meios de informar politicamente a população. Enfim, aí são somente alguns exemplos. Basta o interesse.

JLPolítica - Então o enfrentamento a toda essa crise passa pela política, o que fomenta o debate. Com isso o senhor concorda?
Jefferson Feitoza -
Sem dúvida. Algumas pessoas estão misturando política com pandemia, o que é inconcebível. Cada um tem todo o direito de se alinhar com alguma corrente política, desde que não haja interferência e o menosprezo da ciência, às ideias dos especialistas.

JLPolítica – Mas qual é a política que deve estar em cena nesta hora?
Jefferson Feitoza -
A política de enfrentamento à pandemia deve ser a de salvar vidas e de debelar o quanto antes esta doença traiçoeira, para que assim possamos voltar a ter uma vida normal - ou próximo a isso, atentando-se para a economia, até mesmo porque a economia somente poderá voltar a crescer quando a questão de saúde estiver resolvida.

O irmão Vinicius com o filho. O pai, a mãe, a filha, a esposa, o filho, Jefferson Feitoza, a irmã Aninha, o cunhado Gustavo, da Júlio Passos Imobiliária, sobrinhos Rafael e Ana Luiza, e Gael, filho de amigos
OBRIGAÇÃO DE GOVERNO SAUDÁVEL NA PANDEMIA
“É obrigação dos governos defender a vida, defender a vacinação, defender todos os meios de debelar a pandemia que atravessamos, possibilitando às pessoas e empresas seguirem suas vidas normais durante e depois da pandemia. Temos como exemplo os EUA: nos 100 primeiros dias do novo governo, o presidente de lá colocou como meta vacinar a população”

 

JLPolítica - Seria esse o encaixe de um Governo central responsável.
Jefferson Feitoza -
Sim. É obrigação dos governos defender a vida, defender a vacinação, defender todos os meios de debelar a pandemia que atravessamos, possibilitando às pessoas e empresas seguirem suas vidas normais durante e depois da pandemia. Temos como exemplo os Estados Unidos: nos 100 primeiros dias do novo governo, o presidente de lá colocou como meta vacinar a população, debelar a pandemia e fazer a economia crescer e assim vem ocorrendo. Então precisamos ter em mente que uma coisa leva à outra. Ou seja, com a vacinação da população as coisas tendem a voltar ao lugar, fazendo girar a roda da economia, com mais pessoas trabalhando, mais pessoas comprando, possibilitando o crescimento do país.

JLPolítica - Para o senhor, o enfrentamento que os governos - federal, estadual e municipal - têm feito em relação à pandemia terá peso nas próximas eleições?
Jefferson Feitoza -
Creio que terá muito peso. Já debatemos bastante o enfrentamento, ou não, da pandemia por todos os entes da Federação, e no momento realmente de eleições quem não agiu direito será cobrado pelas oposições, e espero que sejam realmente cobrados pela população. Hoje já são mais de 420 mil vidas perdidas e quem perdeu um parente, um amigo, um conhecido, na hora do voto vai lembrar de quem não cumpriu com seu papel. Também quem teve a sua empresa fechada pelo não enfrentando real da pandemia, por não garantir a vacinação da população, vai lembrar de quem agiu mal, quem não trabalhou para aplacar o coronavírus. Enfim, quem não agiu para cuidar da vida e, consequentemente, garantir a economia.

JLPolítica - No seu clássico poema “O analfabeto político”, o poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht denuncia que “O analfabeto político é tão burro/ que se orgulha e estufa o peito/ dizendo que odeia a política”, e não vê que tudo o mais de ruim deriva desse seu alheamento. Para o senhor, o que está na raiz da disfunção política desse analfabeto?
Jefferson Feitoza -
São alguns os motivos para o afastamento de parte da população da política, criando, inclusive, um vácuo em que diversas pessoas se inseriram politicamente. Inicialmente, precisamos reconhecer que nossa sociedade tem pouca educação, aqui não estou falando de educação formal, porque temos pessoas com formação, muito estudo, mas que não se preocupam em analisar a política. Segundo, as pessoas estão cansadas de ver todos os dias denúncias contra políticos. Terceiro, observamos uma massa violenta de pessoas se apropriando do meio político, afastando quem tem interesse pelo debate. É nesse quadro que pessoas que se autodenominam não-políticas vão ganhando espaço. Virou status dizer que não é político, que é isento, que não é de esquerda, nem de direita, para assim ganhar o voto de boa parcela da população. Diversas dessas pessoas já ocuparam cargos políticos, apoiaram determinados candidatos em suas campanhas, mas se dizem fora da política, outsiders. Eu, particularmente, acredito em quem queira fazer política, na verdade, em quem busque a boa política. Continuamos ouvindo e verificando ações eleitorais tratando de compra de voto, mas é evidente que só se compra o voto porque tem alguém vendendo. Nossa população precisa ser educada a debater política, a participar dos debates, participar dos diversos conselhos, para assim cobrar dos seus representantes as melhorias sociais.

A “modelo” Júlia Cardoso Feitoza de Carvalho fazendo sombra aos pais Jefferson Feitoza e Marília Gabriella Cardoso Feitoza de Carvalho
AH, SIM, OS BONS POLÍTICOS
“Acredito em bons políticos. Não faço parte da turma que vê sempre o lado ruim na política e em seus integrantes. Existem bons e maus políticos, assim também como existem bons e maus advogados, bons e maus médicos, bons e maus jornalistas. Acredito no político que ouve a população, que busca resolver os problemas”

 

JLPolítica - Na teoria e na prática, o que é um político bom, palatável? Ou este tipo é uma utopia, um eterno devir?
Jefferson Feitoza -
Acredito em bons políticos. Na realidade, temos excelentes políticos. Não faço parte da turma que vê sempre o lado ruim na política e em seus integrantes. Existem bons e maus políticos, assim também como existem bons e maus advogados, bons e maus médicos, bons e maus jornalistas. Acredito no político que ouve a população, que busca resolver os problemas da população, mesmo com as limitações orçamentárias e legais. Que tenha interesse em trabalhar a favor do social e, claro, que seja probo. Que tenha o público como realmente público.

JLPolítica - Na sua visão, a unificação das sete eleições brasileiras em uma só, num só ano, educaria ou atrofiaria mais a educação eleitoral do povo do Brasil?
Jefferson Feitoza -
Atrofiaria. Costumo dizer que podemos pensar as eleições como uma academia, em que quanto mais se exercita mais forte a pessoa fica. Quanto mais se estuda uma matéria, mais conhecimento se tem. Então precisamos exercitar a nossa cidadania para que ela possa ser melhorada ao longo dos anos. Em 2020 tivemos eleições para prefeito e vereador, mas se fizermos uma pesquisa rápida, boa parte da população não saberá em quem votou, que dirá da eleição de 2018, em que votamos para escolher presidente, governador, dois senadores, deputado estadual e deputado federal. Ademais, são temas bastante diferentes, vamos discutir ao mesmo tempo a política econômica do país, privatização ou não de empresas públicas, mas também o buraco da rua, o quebra-molas. Já é difícil para o cidadão médio assimilar uma discussão política, muito mais será se resolvermos misturar tudo num só bloco.

JLPolítica - A Comissão de Direito Eleitoral da OAB de Sergipe só trabalha em anos eleitorais, ou ela não se circunscreve a esses períodos?
Jefferson Feitoza -
A Comissão de Direito Eleitoral trabalha sem parar. Desde o momento em que assumimos a Presidência da Comissão que o trabalho é incessante. O ano de 2019 não foi ano de eleição, mas realizamos frequentes reuniões entre os membros da comissão. Ainda em 2019, pleiteamos junto ao presidente da Ordem, Inácio Krauss, a reativação da Sala da OAB no prédio do TRE, o que foi prontamente acatado pelo Presidente. Fizemos uma visita assim que o desembargador José dos Anjos assumiu a Presidência do TRE/SE, apresentamos requerimentos para uma melhor relação entre advogados e o Tribunal Eleitoral. Ainda em 2019 promovemos, junto à ESA, Simpósio de Direito Eleitoral. Já no ano de 2020 havia projeto para alguns eventos, porém a pandemia chegou atrapalhando alguns planos. Mesmo assim, a Comissão não parou. Continuamos as nossas reuniões, passando do presencial para o virtual. Fizemos lives, com advogadas Luciana Nepomuceno e Ana Maria de Menezes. Depois promovemos lives com integrantes da própria Comissão, Wesley Araújo, vice-presidente, Evandro Galdino, então secretário, mais uma vez Ana Maria de Menezes, atual secretária, Rogério Carvalho, Osmário Araújo e Saulo Ismerim. Participamos de webnário com Luciana Nepomuceno e Luiz Viana, promovemos webnários com Marcelo Gerard e Camila Brasil, ambos servidores do TRE/SE. Especificamente no período eleitoral fizemos sabatina, convidando todos os candidatos a prefeito no município de Aracaju, oportunizando a exposição de ideias e resposta de perguntas das comissões, conferindo mesmo tempo e formato para todos os candidatos que aceitaram nosso convite, não importando o partido, nem o tempo de TV, muito menos pesquisas.

O bebê Jefferson Feitoza sob os cuidados do pai e da mãe numa vereda antiga de Aracaju
DA IMPORTÂNCIA DAS COTAS PARA MULHERES
“Creio que neste momento deve ser conferida ainda mais importância à questão da cota de gênero. Deve haver uma cobrança muito forte aos partidos para que incentivem a presença feminina nas suas agremiações, possibilitando candidaturas futuras vitoriosas. E o Poder Judiciário precisa estar atento a esta questão”


JLPolítica - Todos compareceram?
Jefferson Feitoza -
Ressalto que somente um candidato não compareceu. Este ano já estamos fazendo as nossas reuniões e logo mais à frente promoveremos debates sobre a Reforma Eleitoral que deve vir ainda este ano. Participamos também de eventos junto ao TRE/SE. Mas de todos os eventos que promovemos, em março de 2020 fizemos, em parceria com o TRE/SE e a Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, o Mulheres na Política - Viabilizando Candidaturas, em que convidamos toda a sociedade, mas em especial as mulheres a conheceram os meios de participação na política. Conseguimos encher o auditório do TRE, onde ocorreu o evento, para que uma advogada, uma magistrada, uma servidora do TRE/SE e uma representante do MPF passassem conhecimento sobre o necessário a quem tivesse interesse em se candidatar.

JLPolítica - Quais são os erros mais grotescos que o sistema eleitoral permite que ocorra a cada eleição e que poderiam ser evitados ou no mínimo atenuados?
Jefferson Feitoza -
Creio que neste momento deve ser conferida ainda mais importância à questão da cota de gênero. Temos lei sobre o tema desde o ano de 1995, porém mesmo na eleição de 2020 observamos diversas mulheres que tiveram suas candidaturas registradas sem que lhes fossem conferidas condições eleitorais. Deve haver uma cobrança muito forte aos partidos para que incentivem a presença feminina nas suas agremiações, possibilitando candidaturas futuras vitoriosas. E o Poder Judiciário precisa estar atento a esta questão, cobrando dos partidos e julgando as demandas em que se evidencia a fraude eleitoral.

JLPolítica - Pelo andar da carruagem, as eleições de 2022 devem ocorrer sob as mesmas regras das eleições de 2020?
Jefferson Feitoza -
Muito provável que não. Ainda não temos um posicionamento sobre as alterações que teremos para as próximas eleições, mas é certo que as regras não serão as mesmas. Nós da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/SE estamos buscando parlamentares federais que estejam imbuídos em discutir reforma eleitoral para que possamos debater o tema. Buscaremos fazer esse debate de forma à disponibilizar que a sociedade a acompanhe. Provavelmente não teremos evento físico, mas debateremos de forma virtual a ser transmitida pelo canal do Youtube da OAB/SE.

Jefferson Feitoza e a colega de escritório Jéssika Vieira, num momento de política eleitoral da OAB
RISCOS E PERIGOS EMBUTIDOS NA REELEIÇÃO
“Há quem defenda e quem seja contra a reeleição, porém o certo é que ela está em vigência e os gestores precisam tomar muito cuidado para que não respondam a processos em razão dos mandatos que exercem. Falamos muito sobre os benefícios, mas quem vai para a reeleição também carrega consigo alguns problemas do mandato que podem decidir a eleição”


JLPolítica - O instituto da reeleição, com o candidato-gestor no exercício do alto do mandato, não está crivado de vícios, perigos e desigualdades para quem disputa despojado, da planície?
Jefferson Feitoza -
Realmente é uma constante problemas na relação entre a reeleição e o candidato que está no cargo. A reeleição é um instituto relativamente novo, foi instituído pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, tendo sido bastante contestado na época, com denúncias de liberação de emendas aos parlamentares que votassem a favor. Existe uma linha muito tênue entre os atos legais praticados por gestores que buscam a reeleição e o abuso de autoridade. Há quem defenda e quem seja contra a reeleição, porém o certo é que ela está em vigência e os gestores precisam tomar muito cuidado para que não respondam a processos em razão dos mandatos que exercem. Interessante que falamos muito sobre os benefícios, mas quem vai para a reeleição também carrega consigo alguns problemas do mandato que podem decidir a eleição.

JLPolítica - O senhor acha que o Estado Democrático de Direito está sob perigo neste momento a partir das ações de Bolsonaro?
Jefferson Feitoza -
Preciso responder que sim, infelizmente. São muitas as declarações e movimentações do presidente e dos seus assessores mais próximos, além dos apoiadores. São ataques à imprensa, ao Judiciário, prisões e denúncias que não parecem ter muito sentido. Ameaças. De qualquer sorte, o presidente fala de um lado que pode colocar “seu exército” na rua, mas depois diz que cumprirá a Constituição. Então que assim seja, cumpra o mandato para o qual foi eleito, apesar das investigações em andamento, e participe do processo eleitoral, sem pôr em dúvida a Justiça Eleitoral, muito menos o processo eleitoral, a democracia, a decisão soberana da população brasileira.

JLPolítica - Enquanto operador do direito, como o senhor recebe tantas críticas, incluindo as de leigos e de populares, contra o Poder Judiciário brasileiro?
Jefferson Feitoza -
Entendo que algumas delas são plenamente pertinentes, mas o exagero normalmente impera. Não podemos julgar o Poder Judiciário de acordo com o nosso modo de ver a vida, a partir de nossas posições políticas. O STF, por exemplo, virou alvo de crítica de todo lado, até de pessoas que muitas vezes não possuem o conhecimento técnico. Enfim, são muitas as críticas que, sendo feitas dentro de um padrão de respeito, devem ser ouvidas e consideradas, porém precisamos ter em mente a importância deste Poder, que é independente dos demais e que muitas vezes está mais próximo da população. Quando temos o nome negativado, por exemplo, o Judiciário pode intervir, desde que seja provocado. Quando sofremos um acidente automobilístico, o Judiciário pode atuar a partir de provocação. Quando somos assaltados, o Judiciário também poderá se fazer presente. Claro que outros setores possuem a sua importância na busca da Justiça, a exemplo do Ministério Público e em especial da OAB, por meio dos seus milhares de advogados que atuam na defesa dos interesses dos seus clientes e da sociedade.

Jefferson Feitoza e Marília Gabriella Cardoso Feitoza de Carvalho em pose de puro charme
DA IMPORTÂNCIA DO PODER JUDICIÁRIO
“Não podemos julgar o Poder Judiciário de acordo com o nosso modo de ver a vida, a partir de nossas posições políticas. O STF virou alvo de crítica de todo lado, até de pessoas que muitas vezes não possuem o conhecimento técnico. São muitas as críticas, que devem ser ouvidas, porém precisamos ter em mente a importância deste Poder”


JLPolítica - Agora em maio a OAB de Sergipe foi para o segundo aniversário sob pandemia, e pelos seus 86 anos, sem celebrações abertas. Qual o impacto disso na alma da instituição?
Jefferson Feitoza -
Sem dúvida, a pandemia impactou a todos. Uns de modo mais direto, caso da advocacia e da maioria dos profissionais prestadores de serviços. No tocante às ações pelos  85 anos e agora dos 86 anos da OAB em Sergipe, no ano passado houve, sim, inclusive um ato presencial realizado na Casa da Cidadania, que passou nesta gestão por uma grande restauração. A Diretoria havia preparado toda uma programação voltada a comemorar a data, porém, com a pandemia, novas prioridades surgiram, sendo a maior delas a preservação da saúde geral. Foi feito o possível diante das limitações impostas pelas autoridades sanitárias. A classe entendeu e participou ativamente dos eventos de forma virtual. Para este ano, há algumas ações já planejadas para marcar a data, mas todas, por ora, nas plataformas digitais da instituição.

JLPolítica - O que a gestão de Inácio Krauss traz de marca positiva para a OAB de Sergipe?
Jefferson Feitoza -
Poderia resumir a atual gestão da OAB/SE como inclusiva e de resolução imediata às causas da advocacia. Em meio à maior crise econômica e de saúde pública deste século, a Diretoria atendeu demandas urgentes da classe, que recebeu irrestrito apoio para minimizar os efeitos da pandemia, da anuidade estendida à liberação de alvarás e crédito em instituições bancárias. Temos uma gestão descentralizada, que estimula o debate e a atuação mais efetiva das comissões, transformando palavras em ações, sem esquecer do papel central da OAB, na defesa da advocacia e dos mais relevantes interesses sociais, agindo com transparência e seguindo sempre aberta ao diálogo, às sugestões e críticas construtivas, e à participação efetiva de todos os advogados e advogadas nas decisões mais importantes da classe. Aliás, na luta travada em favor da democracia, fator que muito tem preocupado a todos nós, mesmo diante de um quadro político de instabilidade, a gestão atual fez a defesa da sociedade, dos valores democráticos sem partidarismos e sem ideologizar a causa. Especialmente a minha experiência com o presidente Inácio Krauss é bastante positiva. É advogado no sentido estrito da palavra, participa de audiência, faz sustentação. Ou seja, sabe de verdade as dificuldades enfrentadas pela advocacia. No que se refere ao trato com as comissões e seus membros, apoia-nos a fazer, oportunizando que nós, das comissões, estejamos à frente de diversos projetos.

JLPolítica - O saldo seria bom?
Jefferson Feitoza -
Na minha avaliação, a gestão de Inácio Krauss, apoiado pela advocacia e por sua Diretoria, na pessoa da vice-presidente Ana Lúcia Aguiar, é bastante positiva, tendo elevada aprovação do próprio meio e também da sociedade.


 

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