Jorge Lins: “O teatro é uma maneira de gritar as minhas ideias para o mundo”

Entrevista

Jozailto Lima

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Jorge Lins: “O teatro é uma maneira de gritar as minhas ideias para o mundo”

18 de dezembro de 2021
“A proposta da Arena Aracaju é servir como polo das mais diversas manifestações culturais na cidade”

O que caracteriza um bom autor de texto teatral é “ter uma boa história pra contar, saber como contá-la e saber utilizar a carpintaria cênica de construção de personagens e das cenas”.

Esta é a síntese do modo como Jorge Lins, 64 anos, concebe e teoriza o ofício ao qual desde sempre se entregou e em que se fez um dos notáveis do Estado de Sergipe.

Mas, e varar quase 50 anos assim, sendo e fazendo muito pelo teatro, ainda mais num Estado como Sergipe, onde essa arte - e quase todas as demais - não é lá levada muito a sério, tem receita e teoria certas e precisas?

Jorge Lins admite que respostas a isso são difíceis, e até complicadas. Mas nem por isso tira sua máscara de cena e, assim, toca em frente seu berrante dos afazeres teatrais.

E o toca a plenos pulmões. Sempre inventivo, apesar de reconhecer, sim, a aspereza do pedregulho que é área. Toca, seja como autor, ator, diretor, professor na esfera de teatral. Como compositor e agitador cultural.

Na “carpintaria cênica” desse Jorge Lins, para usar o termo dele, lavram-se madeiras de invenções e criações o tempo inteiro - nas quatro estações do ano. Sem tempo de botar a carga no chão.

Pelos cálculos de Jorge, sua ação teatral já encenou para bem mais de 100 peças. “Eu creio que para mais de 130, e quase todas elas de minha autoria. Acho que desse montante, somente 14 eram de outros autores”, diz. “Sergipe é um Estado muito difícil para que se possa esperar pela existência de algum mecenas”, reconhece ele.

“Nesses quase 50 anos, identifiquei alguns pequenos simpatizantes, mas nada que tenha sido fundamental para a sobrevivência dos grupos, nem relevante para o movimento teatral em si. Vivemos numa terra difícil para patrocínios e investimentos em cultura - e isso não é uma “prerrogativa” do teatro”, pondera ele.

Jorge Lins e a trupe do seu Grupo Raízes em andanças cênicas pelo Norte do país - Amazonas, Acre e Rondônia
Jorge Lins e Ian Lucas, de 21 anos, o filho caçula, de uma renca de cinco

Traduza-se melhor até onde querem chegar os tentáculos da grande lona, na versão do próprio Jorge Lins. “A programação contempla teatro, música, congressos, feiras, dança, oficinas, workshops e se propõe até mesmo a sediar blocos carnavalescos”, diz.

No dia a dia, em atividades paralelas às das artes cênicas, Jorge Lins não deixa a peteca cair e durante o ano inteiro organiza prêmios que reconhecem e mexem com diversos segmentos da vida sergipana, como o Troféu Sanfona de Outro, Prêmio Educar-se, Destaques da Cultura, Prêmio Mundo Pet, Prêmio Mulheres, Prêmio Bike Stars, Prêmio Esporte, Prêmio Veículos e Prêmio Moda Sergipe.

Jorge Lins de Carvalho nasceu no dia 4 de abril de 1957, em Aracaju. Ele é filho de João Lins de Carvalho e de Lígia Lemos de Carvalho.

É casado com a cheff Sandra Hora e pai de cinco filhos oriundos de quatro relações diferentes. Juliana, de 37 anos, Joana, de 35, Rafael, de 30, Tarcísio, de 22, e Ian Lucas, de 21.

Jorge Lins tem formação acadêmica em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal de Sergipe desde 1980, mas nunca chegou a advogar. Ele passou por vários cursos de extensão de Direção Teatral e Interpretação para Teatro e Vídeo.

“O teatro é meu principal veículo de comunicação com o mundo. O teatro me é uma forma de falar e de pensar através de personagens e ações. Uma maneira de gritar as minhas ideias para o mundo”, diz.

A Entrevista com Jorge Lins vale o tempo empregado na leitura.

Jorge Lins e o ator Paulo Bettio durante uma oficina e debate de criação teatral em Aracaju
TEMPO DE MATURAÇÃO DO CIRCO ARENA
“Nosso projeto prevê uma ação de no mínimo um ano. Dependemos apenas do posicionamento da Prefeitura Municipal de Aracaju. Mesmo porque esse investimento foi feito com o oxigênio de retorno de um ano. Mais de dois meses leva somente para a cidade aprender a se relacionar com esse novo equipamento no cenário da orla. Mas vai dar certo”


JLPolítica - O senhor não acha que a cidade de Aracaju comportaria e exigiria uma ação como a do Circo Arena Produções Culturais para além dos meses de dezembro deste ano e de janeiro de 2022?
Jorge Lins - Acho sim, e tanto acho que o nosso projeto prevê uma ação de no mínimo um ano. Dependemos apenas do posicionamento da Prefeitura Municipal de Aracaju. Mesmo porque esse investimento foi feito com o oxigênio de retorno de um ano. Mais de dois meses leva somente para a cidade aprender a se relacionar com esse novo equipamento no cenário da orla. Mas vai dar certo.

JLPolítica - A que o senhor e o grupo se propõem efetivamente com esse novo projeto?
JL -
A proposta fundamental da Arena Aracaju é a de servir como polo centralizador das mais diversas manifestações culturais na cidade e se oferecer como um palco alternativo para produções independentes.

JLPolítica - De modo que o Circo Arena já tem uma programação prefixada para esses dois meses. É essencialmente música ou vai ao teatro também?
JL -
Vai bem mais além. A programação contempla teatro, música, congressos, feiras, dança, oficinas, workshops e se propõe até mesmo a sediar blocos carnavalescos.

Jorge Lins sob o agasalho da jornalista Thais Bezerra, que solenemente o recebe em entrevista
UMA EMPREITADA COLETIVA QUE VAI DAR CERTO
“A experiência para a criação do Circo Arena Aracaju juntou 15 pessoas, algumas desconhecidas entre si, mas que se apaixonaram pelo projeto e pela ousadia de tentar construir algo diferenciado na área da cultura da cidade e do Estado. Somos um grupo de pessoas com objetivos diferentes de vida, mas unidos por um mesmo sonho”


JLPolítica - Mas o senhor não monta sozinho o Circo Arena, não é? Quem são seus parceiros e como é que se deu a unidade dessas parcerias?
JL -
Isso é uma verdade. A experiência para a criação do Circo Arena Aracaju juntou 15 pessoas, algumas desconhecidas entre si, mas que se apaixonaram pelo projeto e pela ousadia de tentar construir algo diferenciado na área da cultura da cidade e do Estado.

JLPolítica - Quem são seus parceiros e como é que se deu a unidade dessas parcerias?
JL -
Nós temos aí o Henrique Matos - o jornalista e DJ Henrique -, que é da área de comunicação social; temos o Norberto Andrade, que é engenheiro, mas sempre envolvido com teatro e produção de cultura. Temos a Thati Lima, que é uma artista plástica. Há também a Sandra Hora, que é cheff, o Sérgio Maestro, que é regente, a Maisle Souza, que é funcionária pública federal e atriz. O Erebet, que é personal, as Victorias - Rodrigues e Fernandes -, o Gabriel Lopez, a Cristiane, o Romérico, o André Brito, que é professor, músico e locutor de FM, e tínhamos também o David Oliveira de Souza, um médico humanista, diplomata da ONU e que, lamentável e infelizmente, faleceu repentinamente nessa semana e bem no início da vida desse nosso projeto cultural. De modo que somos um grupo de pessoas com objetivos diferentes de vida, mas unidos por um mesmo sonho.

JLPolítica - Nesse tempo todo de envolvimento com o teatro, o senhor conseguiu identificar um mecenas dele em Sergipe, ou a dificuldade de patrocínio é a regra?
JL -
Sergipe é um Estado muito difícil para que se possa esperar pela existência de algum mecenas. Nesses quase 50 anos, identifiquei alguns pequenos simpatizantes, mas nada que tenha sido fundamental para a sobrevivência dos grupos, nem relevante para o movimento teatral em si. Vivemos numa terra difícil para patrocínios e investimentos em cultura - e isso não é uma “prerrogativa” do teatro.

Jorge Lins e o camarada juiz e sanfoneiro de prima Sérgio Lucas: um premiado
DA AVAREZA DE MECENAS PARA O TEATRO E TUDO O MAIS
“Sergipe é um Estado muito difícil para que se possa esperar pela existência de algum mecenas. Nesses quase 50 anos, identifiquei alguns pequenos simpatizantes, mas nada que tenha sido fundamental para a sobrevivência dos grupos, nem relevante para o movimento teatral em si. Vivemos numa terra difícil para patrocínios e investimentos em cultura - e isso não é uma “prerrogativa” do teatro”


JLPolítica - Com o Circo Arena, o senhor estaria querendo fazer um revival do Amoras e Amores, o seu primeiro circo lá nos anos 70, na Coroa do Meio?
JL -
Seria impossível fugir dessa ligação com um espaço dentro da vida e da história da cultura e do entretenimento da cidade. Mas diria a proposta atual é bem mais ampla e mais amadurecida.

JLPolítica - Qual o “grau de parentesco” que vai entre o Amoras e Amores e o Circo Voador, do Perfeito Fortuna, no Rio de Janeiro, também dos anos 70?
JL -
Admito que nós tivemos a ideia daqui a partir da experiência do pessoal do Circo Voador. Acompanhamos todo o planejamento e a evolução do projeto desde Ipanema. A diferença maior ficava mesmo no mercado em que eles trabalhavam. No acesso aos grandes artistas e à grande mídia nacional que cravou o circo deles como palco da moda e levou ao estrelato quase todos que apostaram na ideia. É preciso levar em conta que estamos falando do Rio e de Aracaju.

JLPolítica - Quais foram os grandes nomes da música brasileira que passaram pelo Amoras e Amores?
JL -
Por ali passaram A Cor do Som, Geraldo Azevedo - mais de uma vez -, Luiz Gonzaga, Kiko Zambianchi, Capital Inicial, Gerônimo, Tânia Alves, Zenilton, Clemilda, Rogério, Bráulio Tavares, entre outros. O grande mérito do Circo Amoras e Amores foi o de valorizar o artista local sergipano.

Jorge Lins e o vereador e homem de entretenimento Fabiano Oliveira: uma amizade que vem de longe
UM VIAJANTE PELOS CAMINHOS DA MÚSICA
“A música em mim surgiu juntamente com o teatro. Não consigo me imaginar trabalhando um espetáculo sem a presença do elemento música - e isso é mesmo da natureza do teatro. Devo ter pra mais de 300 músicas gravadas - a maioria, obviamente, para espetáculos de teatro”


JLPolítica - O senhor se aventura também pelos caminhos da composição da música popular brasileira. Tem noção de quantas já compôs?
JL -
A música em mim surgiu juntamente com o teatro. Não consigo me imaginar trabalhando um espetáculo sem a presença do elemento música - e isso é mesmo da natureza do teatro. Entre os parceiros, a maioria “companheiros de copo e de cruz”, estão Paulo Lobo, Lula Ribeiro, Joaquim do Casaca de Couro, Antônio Carlos du Aracaju, Irineu Fontes - com quem compus mais de 200 canções -, e Bruno Kelvernek. Devo ter pra mais de 300 músicas gravadas - a maioria, obviamente, para espetáculos de teatro. Amorosa, Chiko Queiroga e Antônio Rogério, Rogério, Bando de Mulheres, Casaca de Couro, Pedro Luan, Gena Karla Ribeiro, Roberto Alves, Lula Ribeiro, Paulo Lobo e Irineu Fontes, todos gravaram músicas de minha autoria.

JLPolítica - Qual foi o papel do Amoras e Amores na resistência cultural daqueles anos tensos?
JL -
Quando você está envolvido no projeto não consegue avaliar com muita isenção essas dimensões. Mesmo hoje, 35 anos depois, não consigo ainda mensurar toda a importância que aquela velha lona teve no surgimento de novos artistas e até na construção de uma vida noturna na cidade.

JLPolítica - Para além de toda a representação ancestral grega, o que é o teatro para o senhor?
JL -
O teatro é meu principal veículo de comunicação com o mundo. O teatro me é uma forma de falar e de pensar através de personagens e ações. Uma maneira de como gritar as minhas ideias para o mundo.

Jorge Lins e a cantora da nova geração Cristhiane de Lis, contemplada por um dos seus prêmios
TEATRO COMO FONTE DE FALA AO MUNDO E A SI MESMO
“O teatro é meu principal veículo de comunicação com o mundo. O teatro me é uma forma de falar e de pensar através de personagens e ações. Uma maneira de gritar as minhas ideias para o mundo. Isso é algo que eu não sei precisar (como foi parar nele), e toda vez que tento entender essa questão fico mais louco. Não existe uma explicação lógica. O teatro aconteceu na minha vida. Só e somente”


JLPolítica - Por que, e em que circunstâncias, o senhor foi para nele?
JL -
Isso é algo que eu não sei precisar, e toda vez que tento entender essa questão fico mais louco. Não existe uma explicação lógica. O teatro aconteceu na minha vida. Só e somente.

JLPolítica - Entre o Circo Arena e o Grupo Raízes, quais os novos projetos que o senhor se propõe a tocar?
JL -
Pretendo ampliar o Projeto Escola e abrir novas turmas de Oficinas.

JLPolítica - O senhor se dá por satisfeito com o surgimento de jovens dedicados ao teatro a partir da sua ação ou a semente não tem germinado como gostaria?
JL -
Eu sinto um orgulho muito grande por muitos deles.

Jorge Lins e Isacc Galvão, dois bruxos da contemporânea dramaturgia sergipana
GRUPO RAIZ, UMA EXPERIÊNCIA DE QUASE ADOLESCÊNCIA
“Quando criamos o Raízes éramos todos estudantes. Não tínhamos nenhuma noção do espeço que ele poderia ocupar. O que fizemos nesse tempo todo foi procurar uma identidade. Nesses quase 50 anos, estivemos mais próximos do público infantil, mas montamos “Filhos dos Beatles”, “Mulheres de Hollanda”, “Che, o Guerrilheiro”, “Déda, história de uma geração”, espetáculos ao público adulto”


JLPolítica - Quando é que o senhor funda o Grupo Raízes, com que intenção e o que fez nesse tempo todo com ele?
JL -
Quando criamos o Raízes éramos todos estudantes. Não tínhamos nenhuma noção da força que o Grupo poderia ter ou do espeço que ele poderia ocupar. O que nós fizemos nesse tempo todo foi procurar uma identidade. Nesses quase 50 anos, estivemos mais próximos do público infantil, mas montamos “Filhos dos Beatles”, “Mulheres de Hollanda”, “Che, o Guerrilheiro”, “Déda, história de uma geração”, que foram espetáculos destinados ao público adulto.

JLPolítica - O senhor guarda algum tipo de ressentimento ou angústia de por achar que os sergipanos, e mais ainda os que comandam os espaços públicos, não lhe dão o real valor que o senhor merece em sua atividade?
JL -
Não guardo. Não acho que tenho tratamento diferenciado dos outros fazedores de cultura. Acho, no entanto, que inexiste uma política de gestão pública na área da cultura em todas as esferas e que todos somos prejudicados: comunidade e produtores culturais.

JLPolítica - O senhor acha que vai deixar uma descendência no teatro?
JL -
Essa é uma pergunta que só o tempo poderá responder. O que acho é que tem muita gente aí no mercado que se iniciou comigo e que faz um teatro inspirado no que o Raízes faz. Há oficinas que trabalham com a mesma filosofia. Produtores que usam técnicas semelhantes. Mas ressalvo: só o tempo poderá responder com precisão a essa pergunta. Sei, no entanto, que sou de uma geração que veio logo depois de Alcides Melo, Ilma Fontes, Mara Rúbia, Amaral Cavalcante, Irmão, Santo Souza, Joubert Morais, Marcos Chulé, Luiz Antônio Barreto, J. Inácio, Mário Jorge Vieira. Mas também produzimos grandes nomes para a cultura e a história sergipana, como Grupo Imbuaça, Isaac Galvão, Zé Fernandes, Lú Spinelli, Araripe Coutinho, Caã, Antônio Carlos Viana, Paulo Fernando Teles Morais. Somos uma palavra, um gesto, um rasgo de tinta, sempre procurando trilhar o sol.

Jorge Lins, a esposa e uma das cotistas do Circo Arena: ela é cheff
DEIXARÁ OU NÃO UMA DESCENDÊNCIA TEATRAL?
“Essa é uma pergunta que só o tempo poderá responder. O que acho é que tem muita gente aí no mercado que se iniciou comigo e que faz um teatro inspirado no que o Raízes faz. Há oficinas que trabalham com a mesma filosofia. Produtores que usam técnicas semelhantes. Mas ressalvo: só o tempo poderá responder com precisão a essa pergunta”


JLPolítica - Quem são ou foram os bons autores de teatro do Brasil?
JL -
Eu diria que há inúmeros. Vou citar alguns: Gianfrancesco Guarnieri, Dias Gomes, Nelson Rodrigues. Em Sergipe, Aglaé Fontes, João Costa, Euler Lopes.

JLPolítica - O senhor tem em conta quantas peças já encenou nesses quase 50 anos de carreira?
JL -
Eu creio que para mais de 130, e quase todas elas de minha autoria. Acho que desse montante, somente 14 eram de outros autores.

JLPolítica - O que caracteriza um bom autor de texto teatral?
JL -
Ter uma boa história pra contar, saber como contá-la e saber utilizar a carpintaria cênica de construção de personagens e das cenas.

Jorge Lins em companhia do vereador Antonio Bittencourt e do professor universitário João Lago
DO QUE SONHA UM DIA MONTAR E DIRIGIR
“Do ponto de vista universal, uma montagem contemporânea do “Édipo”, que reputo uma das mais fascinantes histórias da humanidade. Em relação aos nossos textos, gostaria - e essa me parece uma hipótese mais fácil de acontecer -, de encenar “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, e de brincar muito com aquela estrutura cênica mágica do texto”


JLPolítica - Qual é o clássico do teatro brasileiro ou universal que se o senhor pudesse um dia montaria e dirigiria?
JL -
Do ponto de vista universal, uma montagem contemporânea do “Édipo”, que reputo ser uma das mais fascinantes histórias da humanidade. Em relação aos nossos textos, gostaria - e essa me parece uma hipótese mais fácil de acontecer -, de encenar “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, e de brincar muito com aquela estrutura cênica mágica do texto.

JLPolítica - Tem um ator sergipano para quem o senhor faria uma estátua e sob a qual botaria uma inscrição?
JL -
Tem, sim, e ele chama-se Orlando Vieira. Sob a estátua, eu colocaria a inscrição: Orlando Vieira, ator sergipano, um herói.

JLPolítica - A concepção e a encenação da peça “Os Reis da Floresta de Cimento” foram seus momentos mais politizados?
JL -
Nem de Longe. Escrevi uma adaptação que foi o único texto infantil censurado durante a ditadura militar - o que me valeram matérias na crítica nacional e um curta exibido nacionalmente. Montei Che, a vida de Déda, 64 - O Golpe, e muitos outros textos, assumidamente de esquerda.

Geraldo Azevedo foi um dos ícones da música brasileira a estar por mais e uma vez no Amoras e Amores, na década de 70
DO QUE PINTOU COMO EXPERIÊNCIA NOVA NA ÁREA
“Tive a oportunidade de fazer a produção de elenco jovem e interpretar um padre na Minissérie Tereza Batista, da Rede Globo, inspirada na obra de Jorge Amado e mais recentemente fiz a preparação de elenco para o longa Abraço”


JLPolítica - Entre os Jorges Lins, qual é o mais esfolado pelo trabalho?
JL -
O artista, o produtor e o professor se complementam. Mas nunca acho que há muito trabalho. Sempre estou procurando mais. Aos 64 anos, tenho a vitalidade de um menino quando se fala em trabalho.

JLPolítica - Como se faz a escolha dos projetos que o senhor produz?
JL -
Faz-se pela demanda da comunidade, por encomenda de órgãos e empresas e pelo impulso artístico da criação.

JLPolítica - Por via da sua condição de homem do teatro - autor, ator e diretor - o senhor já recebeu convites para ações e produções em televisão ou no cinema brasileiro?
JL -
Tive a oportunidade de fazer a produção de elenco jovem e interpretar um padre na Minissérie Tereza Batista, da Rede Globo, inspirada na obra de Jorge Amado e mais recentemente fiz a preparação de elenco para o longa Abraço.

Um trio que não trinca: Jorge Lins, César Leite e a majestosa e senhora Boneca Genoveva
DA CENSURA MILITAR “A CIGARRA E A FORMIGA”
“O texto era essencialmente subversivo e pregava uma união de todos da floresta para a liberdade geral. Mas não vou apontar nada, porque não concordo com censura e continuo sem ver nada que mereça ser vetado. Nunca fui neutro nem serei jamais. Sou e serei sempre um homem de esquerda”


JLPolítica - Quais teriam sido os motivos da censura lá na ditadura militar, para vetar tantas cenas do espetáculo “A Cigarra e a Formiga”?
JL -
O texto era essencialmente subversivo e pregava uma união de todos da floresta para a liberdade geral. Mas não vou apontar nada, porque não concordo com censura e continuo sem ver nada que mereça ser vetado.

JLPolítica - É possível, Jorge Lins, no Brasil dos anos 2022 e aos mais de 60 anos se manter neutro politicamente?
JL -
Nunca fui neutro nem serei jamais. Sou e serei sempre um homem de esquerda.

JLPolítica - O senhor “é acusado” de ter  tido mulheres lindíssimas. Até onde o senhor as deve ao teatro?
JL -
Não tenho a menor ideia. Devo dizer que nunca fui um homem bonito ou rico. Mas sempre aprendi a ter bons amigos. Colecionei muitos por toda a minha vida.

JLPolítica - Como vão os seus irmãos?
JL -
Éramos oito homens. Hoje, somos quatro vivos. Lineu, o mais velho, hoje tem 84 anos. Sinto uma saudade enorme de estar com os meus irmãos. Um dia, acho que a gente ainda vai se encontrar.


 

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