Jorge Mitidieri: “A aquisição do Arquidiocesano trata-se de algo simbólico no contexto afetivo”

Entrevista

Jozailto Lima

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Jorge Mitidieri: “A aquisição do Arquidiocesano trata-se de algo simbólico no contexto afetivo”

31 de julho de 2021
“Master e Arqui são e serão pessoas jurídicas distintas. De modo algum será uma filial”

Talvez este seja o negócio do século na esfera da educação particular do Estado de Sergipe, com características fantásticas e recheadas de altíssimas significações para ambos os lados.

Assim pode ser traduzida a compra do Colégio Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus pelo Colégio Master, instituição educacional ultraeficiente, novíssima na origem, capitaneada por cinco sócios, com dois deles sendo ex-alunos do velho e respeitado Arqui, e um tendo lhe dirigido partes estratégicas.

A materialização deste negócio foi sacramentada, para o grande público, na terça-feira da semana passada, dia 27, pegou muita gente de súbito, causou pânico e desconforto em alguns ressentidos, mas gerou enorme satisfação nas duas partes envolvidas - os membros da Igreja Católica Apostólica Romana em Sergipe e os cinco sócios mantenedores do Master - Jorge Mitidieri, Demócrito Diniz, José Arari, Sérgio Rocha e Fábio Noronha.

Na versão de Jorge Mitidieri, sócio majoritário do Master que, por discrição, pede para não revelar qual seu percentual na sociedade, a aquisição do espólio educacional do Arqui, além de uma de suas sedes físicas, a da Farolândia, envolve muito mais do que o natural numa transação empresarial e comercial.

“Além da oportunidade na área de educação, com a ampliação das atividades do Grupo Master, por meio da nova marca, trata-se de algo simbólico no contexto afetivo. Eu fui aluno, por seis anos, do Colégio Arquidiocesano, saindo de lá para a Universidade”, diz ele.

“Também no Arqui lecionei Matemática por 25 anos. Ou seja, uma parte da minha vida estudantil e profissional está intimamente associada ao Arquidiocesano. Na verdade, no meu coração, há um duplo sentimento: primeiro há naturalmente uma tristeza por causa da inviabilidade do prédio do Centro, que tem um valor afetivo para todos nós; segundo, há um sentimento de gratidão a Deus por ter tido a oportunidade de conduzir, como diretor-Geral do Master, a continuidade do legado do Colégio Arquidiocesano”, reforça Jorge.

Por tudo isso, jura Jorge Mitidieri, o Arqui não vai ser convertido num apêndice ou numa filial do Colégio Master. Ao contrário: ele terá mantidas as suas personalidades jurídica e acadêmica próprias e será, sobretudo, modernizado para o resgate e manutenção da sua simbologia educacional que marca gerações e mais gerações há 61 anos em Sergipe.

“De modo algum será uma filial do Master, que segue sua trajetória vitoriosa de forma absolutamente distinta. Ou seja, Master e Arqui são e serão pessoas jurídicas distintas”, garante o empreendedor e educador Jorge Mitidieri - sim, ele foi aquele professor de Matemática no próprio Arqui. O fato de ele e um dos sócios, Demócrito Diniz, terem sido alunos serviu de lenitivo ao coração dos padres na hora da negociação que passou o comando do Arqui.

Colégio Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus vem pro grupo do Colégio Master, mas manterá seu DNA próprio
Jorge Mitidieri e a esposa Vaneide Gomes Mitidieri em companhia de Dom João José Costa, arcebispo de Aracaju: negócio do Arqui foi transparente e direto

Nesta Entrevista, você vai encontrar um Jorge Mitidieri sem travas, leve e descontraído nos assuntos educacionais e empresariais - ele é um premiado representante da Ambev para o Estado de Sergipe. Em todas as suas atividades - mexe também com agropecuária -, gera cerca de 750 empregos diretos.

Filiado ao PSD e primeiro suplente de senador do mandato de Rogério Carvalho, Jorge Mitidieri pediu para ser dispensado de falar de assuntos políticos nesta Entrevista, preocupado em misturar os fatos num momento em que ele queria fazê-lo mais solene frente à aquisição do Arqui. O Portal, que é essencialmente político, entendeu a solicitação.

Jorge Mitidieri nasceu em 4 de novembro de 1958 na cidade de Boquim. É filho do casal Bernardino Mitidieri e de Vanda Ribeiro Mitidieri - ele fez história como médico e ela, como professora.

Jorge Mitidieri é casado com Vaneide Gomes Mitidieri, uma pedagoga a quem começou a namorar ainda nos tempos do Arqui e que hoje é uma das forças colaborativas do Master, na condução pedagógica da área infantil.

Com ela, ele tem quatro filhos: Bernardino Mitidieri Neto, 37 anos, Jorge Mitidieri Júnior, 32, Juliana Mitidieri, 35, e Gabrielle Mitidieri Casali, 29. E já é avô de uma penca de cinco netos - Paola, Luciano, Helena, Pietra e Eduarda.

Jorge fez Engenharia Civil pela Universidade Federal de Sergipe, graduando-se em 1981. Como especialização, tem um MBA.

Não haveria contradição entre ser um empreendedor de excelência na área educativa e mandar bem no ramo de distribuição de bebidas?

“Não vejo, de forma alguma, até porque passei 25 anos em sala de aula, como professor. Como não cheguei na educação de paraquedas, sem conhecimento de causa, as duas atividades acabam se complementando. Todo aquele conceito de gestão de resultados, trago da Ambev para o Master. Toda aquela compreensão da interação humana exercitada no Colégio, levo para as revendedoras”, diz.

A Entrevista com Jorge Mitidieri vale, sim, o tempo desprendido com a leitura.

Bernardino Mitidieri Neto e Jorge Mitidieri Júnior: nova geração Mitidieri no comando da parceria com a Ambev
ARQUI, NEGÓCIO PERMEADO PELA AFETIVIDADE
“Enfim, trata-se de algo simbólico no contexto afetivo. Eu fui aluno, por seis anos, do Colégio Arquidiocesano, saindo de lá para a Universidade. Também no Arqui lecionei Matemática por 25 anos. Ou seja, uma parte da minha vida estudantil e profissional está intimamente associada ao Arquidiocesano”


JLPolítica - Qual é o significado da aquisição do Arquidiocesano pelo Master?
Jorge Mitidieri -
Além da oportunidade na área de educação, com a ampliação das atividades do Grupo Master, por meio da nova marca, trata-se de algo simbólico no contexto afetivo. Eu fui aluno, por seis anos, do Colégio Arquidiocesano, saindo de lá para a Universidade. Também no Arqui lecionei Matemática por 25 anos. Ou seja, uma parte da minha vida estudantil e profissional está intimamente associada ao Arquidiocesano. Na verdade, no meu coração, há um duplo sentimento: primeiro, há naturalmente uma tristeza por causa da inviabilidade do prédio do Centro, que tem um valor afetivo para todos nós; segundo, há um sentimento de gratidão a Deus por ter tido a oportunidade de conduzir, como diretor-Geral do Master, a continuidade do legado do Colégio Arquidiocesano.

JLPolítica - Aliás, a compra foi pelo Master ou pela pessoa jurídica ou física de Jorge Mitidieri?
JM -
A compra foi feita pelo grupo societário do Master.

JLPolítica - Quais são o tamanho e a importância do Arquidiocesano na história da educação particular de Sergipe?
JM -
O Arquidiocesano é um colégio com 61 anos de história, que tem um passado glorioso - não obstante as dificuldades enfrentadas mais recentemente -, que já teve num dado momento - nas décadas de 1980 a 1990 - mais de quatro mil alunos e é uma referência inquestionável na educação sergipana. A formação de gerações inteiras possui relação com esse colégio. Aqui cabe frisar a figura do Monsenhor Carvalho, seu fundador e diretor por mais de 50 anos, uma das maiores referências do Estado em matéria de Educação Básica.

Jorge e as duas filhas Juliana Mitidieri e Gabrielle Mitidieri: elas contribuíram na tropa de netinhos composta por Paola, Luciano, Helena, Pietra e Eduarda
MATERIALMENTE, COMPRA ENVOLVE O QUÊ?
“Além da carteira de alunos das duas unidades, a do Centro e da Farolândia, envolve também a marca Colégio Arquidiocesano e o imóvel da Farolândia, que será a sede única do Colégio, com todos os níveis de ensino, da educação infantil à 3ª série do ensino médio”


JLPolítica - Hoje ele tem em média quantos alunos?
JM -
O Arqui tem hoje, nas suas duas unidades – a do centro e a da Farolândia -, em torno de 900 alunos.

JLPolítica - A compra pelo Master traz o patrimônio das sedes ou só os serviços na área de educação?
JM -
Além da carteira de alunos das duas unidades, a do Centro e da Farolândia, envolve também a marca Colégio Arquidiocesano e o imóvel da Farolândia, que será a sede única do Colégio, com todos os níveis de ensino, da educação infantil à 3ª série do ensino médio.

JLPolítica - O senhor, pessoalmente, tem um histórico de afetividade ligado ao Arquidiocesano. Em que grau isso se dá?
JM -
Como mencionei há pouco, lá estudei por seis anos, de 1971 a 1976, quando fui cursar Engenharia Civil na Universidade Federal de Sergipe. Já no ano de 1977, fui convidado pelo Monsenhor Carvalho para lecionar Matemática e, por 25 anos, lá estive nessa função. São inúmeros os profissionais estabelecidos na sociedade sergipana que foram meus alunos no Arqui. De fato, uma parte significativa da minha vida, inclusive pessoal - foi ali onde conheci a minha esposa Vaneide -, tem relação direta com o Arquidiocesano.

Pela performance como homem da Ambev em Sergipe, Jorge Mitidieri tem sido distinguido com seguidos títulos de Embaixador Ambev desde 2011
DO COMPROMISSO COM O PASSADO DO ARQUI
“Será mantida a marca Arquidiocesano, buscando-se aliar a sua história e os seus valores a necessários investimentos em tecnologia e modernidade. Será a continuidade do Arqui para o século XXI e de modo algum será uma filial do Master, que segue sua trajetória vitoriosa de forma absolutamente distinta”


JLPolítica - Então serão mantidos o trajeto, a marca e outros atributos do Arquidiocesano, ou ele vai virar uma filial do Master?
JM -
Será mantida a marca Arquidiocesano, buscando-se aliar a sua história e os seus valores a necessários investimentos em tecnologia e modernidade. Será a continuidade do Arqui para o século XXI e de modo algum será uma filial do Master, que segue sua trajetória vitoriosa de forma absolutamente distinta. Ou seja, Master e Arqui são e serão pessoas jurídicas distintas.

JLPolítica - Após a concretização da aquisição, o senhor e seus colegas sócios estiveram com o Monsenhor Carvalho, fundador e diretor do Arqui por 52 anos. Como foi esse encontro?
JM -
Estivemos, sim. Assim que tudo estava definido e passou-se a divulgar o fato para os pais e os alunos do Arqui, eu solicitei ao nosso supervisor Pedagógico, Fernando Monteiro, ex-aluno e ex-professor do Arqui por 27 anos, que agendasse o quanto antes uma visita ao Monsenhor Carvalho. Isso foi feito no própria dia, na terça-feira, da semana passada, dia 27, e seguimos para lá, com a presença também do nosso diretor-Pedagógico, Demócrito Diniz, ex-aluno e também ex-professor do Arqui por 29 anos.

JLPolítica - Que sentimentos lhes moveu nessa visita?
JM -
Na verdade, o nosso sentimento era o de gratidão ao Padre Carvalho por tudo que ele fez em nossas vidas. Era um sentimento de afeição, de respeito e de carinho. Fomos buscar uma benção do Monsenhor e a recepção foi a melhor possível. Foi um encontro muito emocionante. O Monsenhor Carvalho também demonstrou um duplo sentimento: triste, pela inviabilidade do colégio no Centro, e muito feliz com a possibilidade de sua obra acadêmica e intelectual ter continuidade liderada por ex-alunos e ex-professores do seu Colégio. Confesso que foi uma noite extremamente significativa para todos nós. Ao final, a sensação foi a de que a tradição de ser Arqui agora tem a força de ser também Master.

Em duas décadas, Jorge Mitidieri e o grupo de sócios fizeram do Master uma escola modelo em Sergipe. Promete mesmo tratamento ao Arqui
DE COMO O MASTER CONFIGUROU-SE IMPORTANTE
“É preciso ter a compreensão da importância do papel das pessoas. Não se faz educação de qualidade com voluntarismos individuais. Só com uma excelente equipe é que se pode lograr êxito nessa atividade. Depois, é necessário a compreensão de que uma excelente educação se faz com organização e planejamento, jamais com improvisações”


JLPolítica - Especificamente na questão do Master, qual é a chave do segredo para se fazer de uma escola particular referência educacional de um Estado?
JM -
Em primeiro lugar, é preciso ter a compreensão da importância do papel das pessoas. Não se faz educação de qualidade com voluntarismos individuais. Só com uma excelente equipe é que se pode lograr êxito nessa atividade. Depois, é necessário a compreensão de que uma excelente educação se faz com organização e planejamento, jamais com improvisações. Por fim, investimentos em qualidade de todo o aparato de suporte material, além de uma permanente busca por inovações no campo educacional. Tudo isso fazemos no Master.

JLPolítica - Com cerca de dois mil alunos, qual é a posição do Master no ranking das escolas particulares de Sergipe, do ponto de vista de tamanho?
JM -
Não teria como dar um número preciso, mas acredito que o Master seja, hoje, uma das maiores escolas privadas em quantidade de alunos de Sergipe.

JLPolítica - O Master oferece ensinos para quais séries e grupos?
JM -
Nós atuamos na educação básica, desde a educação infantil até o ensino médio. Para além disso, oferecemos preparação para o Enem e vestibulares por meio de turmas de assistente e pré-vestibular. Desde 2020 temos ainda um braço digital, o Master Digital, com oferta de cursos preparatórios para o Enem e vestibulares de forma remota.

Jorge Mitidieri é um camarada bem resolvido com o seu núcleo familiar, que só cresce e aparece
DA PREEXISTÊNCIA DO COLÉGIO MASTER
“Eu diria que a minha chegada na sociedade trouxe um impulso em termos de ampliação da escola para todos os níveis de ensino, e de investimento no extraordinário espaço próprio de que dispomos no Jardins, com 10 mil metros quadrados e instalações de excelente qualidade. Mas a história do Master é uma só ao longo do tempo”


JLPolítica - O senhor considera o Master fundado em 1995, na matriz daquele cursinho, em 1997, com a fundação do colégio em si, ou em 2004, com a sua chegada como um sócio?
JM -
Naturalmente, ele foi fundado em 1995. Afinal, foi aquele cursinho, que depois se transformou em ensino médio, que granjeou um nome na sociedade sergipana. Eu diria que a minha chegada na sociedade trouxe um impulso em termos de ampliação da escola para todos os níveis de ensino, e de investimento no extraordinário espaço próprio de que dispomos no Jardins, com 10 mil metros quadrados e instalações de excelente qualidade. Mas a história do Master é uma só ao longo do tempo.

JLPolítica - É fácil conduzir uma escola do porte do Master com tantos sócios - mais quatro?
JM -
Em relação a isso, eu poderia dizer que sou o empresário-educador mais abençoado do mundo. Ou seja, não temos problema algum na nossa sociedade. A confiança e a transparência mútuas são uma marca da nossa relação.

JLPolítica - Qual foi o impacto da pandemia sobre os seus negócios gerais?
JM -
Eu acredito que o impacto se deu como oportunidade para o crescimento de todos eles. Por mais que possa parecer clichê, uma crise pode se apresentar para o empreendedor como problema ou como oportunidade. Eu, particularmente, sempre encaro as crises como ótimos momentos para se dar um salto de crescimento, tanto na ampliação ou diversificação do negócio, quanto em conquista de maior excelência no que se faz.

Jorge Mitidieri e Vaneide Mitidieri converteram-se numa central de netaria: aí estão Paola, Luciano, Helena, Pietra e Eduarda
DO JOGO DE CINTURA PARA VENCER A PANDEMIA
“O desafio foi imenso, mas o aprendizado também foi gigantesco. Tivemos a necessidade de evoluir em novas formas de interação com os alunos num espaço muito curto de tempo. A nossa equipe gestora precisou se reposicionar, com qualidade na prestação do serviço, em face do imenso desafio que enfrentamos”


JLPolítica - E especificamente sobre o Master?
JM -
O desafio foi imenso, mas o aprendizado também foi gigantesco. Tivemos a necessidade de evoluir em novas formas de interação com os alunos num espaço muito curto de tempo. A nossa equipe gestora precisou se reposicionar, com qualidade na prestação do serviço, em face do imenso desafio que enfrentamos.

JLPolítica - O senhor tem tempo e vontade de se relacionar institucionalmente com seus pares na área de educacional através das entidades de classe?
JM -
Em verdade, eu precisaria de mais tempo para esse fim. Claro que o relacionamento institucional se dá, por meio de algum outro gestor, mas sempre estou acompanhando tudo que se passa na área.

JLPolítica - O que é que difere a formação do valor da mensalidade de uma para outra escola?
JM -
Por determinação da legislação brasileira para a área, o preço da mensalidade de uma escola se estabelece a partir da sua planilha de custos. Nesse sentido, de uma escola para outra as variáveis decorrentes dos componentes de custo são o que definem o valor da mensalidade.

Vaneide Mitidieri e suas duas princesas Juliana Mitidieri e Gabrielle Mitidieri: esta atua na Pedagogia do Master
DO LUGAR DO MASTER PELO CRIVO DO ENEM
“Hoje em dia temos o resultado geral do Enem, que é um parâmetro. A propósito, o Master é 11 vezes primeiro lugar do Enem no Estado e está na 25ª colocação no Brasil entre as escolas com mais de 100 alunos inscritos no Enem. Ou seja, esse é um excelente parâmetro de qualidade”


JLPolítica - Quem é que regula o nível ou grau de excelência de uma escola particular?
JM -
Hoje em dia temos o resultado geral do Enem, que é um parâmetro. A propósito, o Master é 11 vezes primeiro lugar do Enem no Estado e está na 25ª colocação no Brasil entre as escolas com mais de 100 alunos inscritos no Enem. Ou seja, esse é um excelente parâmetro de qualidade.

JLPolítica - Mas a firmação do Enem, em oposição ao velho vestibular, alterou alguma coisa na escala de aferimento dessa excelência?
JM -
Sim, alterou. Antes, com o vestibular tradicional, havia apenas as aprovações dos alunos. Hoje, temos a média da escola divulgada pelo INEP - média decorrente da participação dos seus alunos de 3ª série no Enem.

JLPolítica - O senhor acha que os ensinos fundamental e médio do Brasil projetam os jovens para algum podium de cidadania?
JM -
A constituição brasileira é clara ao dispor que “a educação é direito de todos e dever do Estado e da família” e que “será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Assim, é de fundamental importância, para os jovens, o papel da escola em todos os seus níveis de ensino, na consolidação dos seus princípios de cidadania.

Jorge Mitidieri num dos ritos de formatura de turmas do Colégio Master. São em média dois mil alunos por ano
DO AFETO PELA VELHA MATEMÁTICA
“Gostaria muito de dispor desse tempo (para ensiná-la), mas fica muito difícil, o que me é uma pena, porque sempre me realizei como professor. Há uns três anos cheguei a ministrar uma revisão para alunos do ensino médio do Master e foi extremamente gratificante para mim”


JLPolítica - O senhor ainda consegue achar tempo na sua agenda para ensinar Matemática?
JM -
Gostaria muito de dispor desse tempo, mas fica muito difícil, o que me é uma pena, porque sempre me realizei como professor. Há uns três anos cheguei a ministrar uma revisão para alunos do ensino médio do Master e foi extremamente gratificante para mim.

JLPolítica - O senhor vê algum elo entre o atraso do Brasil, sua condição de eterno país em desenvolvimento, e o mau ensino da Matemática?
JM -
Olha, eu acho que as debilidades da educação brasileira, não apenas na Matemática, têm relação direta com nossos problemas enquanto país em desenvolvimento. O desafio de oferecer uma educação de qualidade, em todo o país, nos setores público e privado, é o caminho para avançarmos rumo ao desenvolvimento.

JLPolítica - Qual é o seu conceito geral e difuso da educação praticada e oferecida pelo Brasil?
JM -
Creio haver assimetrias na prática educacional brasileira, nos mais variados rincões do país, o que gera graves problemas gerais. Ao lado de ilhas de excelência, em algumas instituições, há inquestionáveis fragilidades em outras. A Base Nacional Comum Curricular talvez venha a minorar esse problema, ao longo da próxima década. O fato é que precisamos melhorar a educação brasileira no sentido geral, independentemente de ser ofertada por uma escola pública ou particular, de um Estado ou outro do país.

Jorge Mitidieri tem saudades do tempo em que se entregava ao ensino da Matemática. Foram 25 anos no Arqui
DO SONHO DE EXPANDIR PARA ALÉM-SERGIPE
“A gente sempre está sonhando com possibilidades variadas. Embora não haja um projeto consolidado, posto no papel, a ideia de expansão para outros estados é sempre bem-vinda. A propósito, hoje temos um braço digital da escola, o Master Digital, cuja oferta já não tem fronteira”


JLPolítica - O Master tem projeto de expandir sua atuação para além dos limites do Estado de Sergipe?
JM -
A gente sempre está sonhando com possibilidades variadas. Embora não haja um projeto consolidado, posto no papel, a ideia de expansão para outros estados é sempre bem-vinda. A propósito, hoje temos um braço digital da escola, o Master Digital, cuja oferta já não tem fronteira. Trata-se de uma plataforma de preparação digital para o Enem e vestibulares em geral com a qualidade da equipe Master.

JLPolítica - Como ficou aquele seu projeto de entrada no ensino superior a partir da marca Master?
JM -
Diante da reversão do mercado do ensino superior, ao longo dos últimos cinco anos, preferimos deixar o projeto temporariamente suspenso. Claro que a ideia poderá ser retomada em algum momento futuro.

JLPolítica - Nessa migração para o ensino superior, o senhor iria com seus demais quatro sócios ou sozinho, num negócio novo e à parte?
JM -
A ideia seria também de uma sociedade que poderia contemplar os sócios do Master e ainda eventualmente outras pessoas.

Jorge Mitidieri e Vaneide Mitidieri emolduram em carinho o netinho Luciano
ENCAIXE NO JORDINS PERMITE EXPANSÃO
“A capacidade de crescimento do Master no Jardins não está esgotada, mas há naturalmente limite para isso. Recentemente inauguramos um novo bloco, com algumas salas de aula e outros espaços importantes, como salas de estudo, sala para educação integral, novo auditório, área de lazer e campo society”


JLPolítica - Ainda há espaço para o crescimento físico do Master no Jardins, onde ele está instalado?
JM -
A capacidade de crescimento do Master no Jardins não está esgotada, mas há naturalmente limite para isso. Recentemente inauguramos um novo bloco, com algumas salas de aula e outros espaços importantes, como salas de estudo, sala para educação integral, novo auditório, área de lazer e campo society.

JLPolítica - Nessa mobilidade do mercado de educação, o Master é muito assediado com propostas de compra ou adicionamento de parcerias?
JM -
Sim, somos sempre sondados, até pela importância do Master no cenário educacional sergipano.

JLPolítica - A venda do Colégio Salvador gerou algum impacto no mercado sergipano?
JM -
Negociações desse tipo sempre geram algum impacto. Eventualmente, há mobilidade de alunos, uns chegando, outros saindo. Na verdade, o tempo é que permite uma maior aferição do real impacto no mercado.

Direção, funcionários e avaliadores da Ambev para o Programa de Excelência no momento em que divulgavam um resultado
O EDUCADOR E O CERVEJEIRO. HÁ CONTRADIÇÃO?
“Não vejo, até porque passei 25 anos em sala de aula, como professor. Como não cheguei na educação sem conhecimento de causa, as duas atividades acabam se complementando. Explico melhor: todo aquele conceito de gestão de resultados, trago da Ambev para o Master. Toda aquela compreensão da interação humana exercitada no Colégio, levo para as revendedoras”


JLPolítica - O senhor vê contradição entre ser um empreendedor de excelência na área educativa e mandar bem no ramo de distribuição de bebidas, como um representante da Ambev?
JM -
Não vejo, de forma alguma, até porque passei 25 anos em sala de aula, como professor. Como não cheguei na educação de paraquedas, sem conhecimento de causa, as duas atividades acabam se complementando. Explico melhor: todo aquele conceito de gestão de resultados, trago da Ambev para o Master. Toda aquela compreensão da interação humana exercitada no Colégio, levo para as revendedoras.

JLPolítica - Em relação às duas revendas da Ambev aqui em Sergipe, como elas se posicionam no cenário nacional?
JM -
A Ambev possui um programa de excelência em qualidade muito exigente, que qualifica todas as revendas dela no país, ano após ano, a partir de exaustivas avaliações. A companhia usa a terminologia Leão de Ouro, de Prata e de Bronze para premiar as três melhores revendas do país numa avaliação que abrange alguns pilares, como vendas, processos internos, gente e gestão, entre outros. Pois bem: a nossa revenda CBB conquistou o título de Leão de Prata - segunda melhor do país - em 2016, 2018 e 2019. Já em 2020, recebeu o título de Leão de Bronze - terceira melhor do país. Ou seja, tem mantido uma regularidade ao longo dos anos como das melhores revendas do Brasil. E justamente é pela excelência da operação nas nossas revendas em Sergipe que desde 2011 nós recebemos o título de Embaixador Ambev, honraria máxima concedida pela companhia e que só contempla 10 proprietários de revendas em todo o país.

JLPolítica - Ao todo e em todas as áreas, quantos empregos suas empresas geram?
JM -
Temos em torno de 750 funcionários. Com a aquisição do Arquidiocesano, esse número vai aumentar.

JLPolítica - Há sócios nos negócios de Boquim e de Itabaiana?
JM -
Externos, não. Apenas membros da família.


 

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