José Ronaldo de Carvalho: “ACM Neto fez muito por Salvador e vai fazer muito pela Bahia”

Entrevista

Jozailto Lima

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José Ronaldo de Carvalho: “ACM Neto fez muito por Salvador e vai fazer muito pela Bahia”

 

“ACM Neto é um dos nomes mais preparados do Brasil. É bom na política e é bom na gestão”
30/04 - 19h

 

O baiano José Ronaldo de Carvalho, 71 anos, um administrador de Empresas por formação, não é uma figura de riso fácil, não é populista e tem uma carisma assim quase que para dentro, meio raro de ser acessado a olho nu.


Mas nada disso o impediu de se ver convertido nos últimos 40 anos num ícone e num ídolo da política do maior município baiano depois de Salvador, Feira de Santana. Dali, com aquele jeitão despojado e nada pegajoso dele, já se fez prefeito por quatro mandatos.


E isso é muito. Muito mais ainda se se levar em conta que com 620 mil habitantes e uma economia sempre embicada pro alto, Feira de Santana não é uma dessas roças iluminadas que se espraiam sob o céu do Brasil em forma de uma das 5.700 cidades nacionais.

 

Ao contrário. Feira está entre as 34 maiores cidades brasileiras, contando com as 26 capitais e o Distrito Federal - fica somente com 48.507 habitantes a menos do que Aracaju, a capital de Sergipe. São 672.614 habitantes de uma e 624.107 de outra.

 

Tendo Feira como uma catapulta muito fiel, Zé Ronaldo - como é mais conhecido - foi uma vez vereador dali - 1982 -, três vezes deputado estadual - 1986, 1990 e 1994 –, uma vez deputado federal – 1998 – e as quatro vezes prefeito - 2000, 2004, 2012 e 2016, sempre com votações vistosas, sem necessidade de ir a um segundo turno - estas datas são as das eleições e não a dos mandatos.

 

Em 2010, fora de qualquer mandato e pelo DEM, Zé Ronaldo disputou o Senado numa chapa puro-sangue formada com Paulo Souto contra Jaques Wagner, PT.


Ambos tombaram, com o inusitado de ele como candidato a senador ter tido 59.250 votos a mais do que o candidato a governador - 1.092,850 contra 1.033,600. Isso acontece nas melhores famílias políticas.


Como prefeito reeleito em 2016, Zé Ronaldo deixa em 2018 o Governo da Feira com o vice-prefeito Colbert Martins da Silva Filho e vai para uma trombada com o petista Rui Costa, que tentava se reeleger ao Governo do Estado. Rui levou a melhor com 75,50% dos votos contra 22,26% dados a ele. Foram 5.092,062 votos contra 1.502,266.


Mas isso é, para José Ronaldo de Carvalho, coisa do passado. Agora, ele está mais do que convencido - convencimento de político, entenda-se - de que os 16 anos de petismo cansaram de uma vez por todas a Bahia e os baianos e que doravante abrir-se-á a temporada de ACM Neto, que com ele comanda o União Brasil no Estado da Bahia e que vai à disputa do Governo contra o professor Jerônimo Rodrigues e o clã do petismo.


Por coincidência, Jerônimo é professor da Universidade Estadual de Feira de Santana e estava secretário de Educação do Estado da Bahia até 2 de abril deste ano, data da desincompatibilização para os ocupavam cargos públicos e tinham a pretensão de disputar mandatos eletivos.

Portanto, pelo riscado de José Ronaldo o mar não estará pra peixe para o PT neste 2022. E o mata-burros no meio do caminho será a candidatura de ACM Neto ao Governo. “ACM Neto hoje é um dos nomes mais preparados do Brasil”, sustenta.


“Ele é bom na política e é bom na gestão. Ele faz as duas coisas com muita competência. Então você tem em ACM Neto um homem público bom como futuro governador da Bahia. Nesses dois quesitos - na política e na gestão -, tenho certeza de que ele será um governador excepcional”, diz.


E pensa mais: “O que nós estamos dizendo à Bahia em nossas andanças é exatamente isso: ACM Neto fez muito por Salvador e vai fazer muito pela Bahia. E isso eu asseguro a todos os baianos: não é um mero bordão de campanha. É uma realidade vivida. Já materializada”, avisa.


Para se aproximar mais desse projeto que lhe é familiar desde o tempo do ACM avô, José Ronaldo se coloca como um pré-candidato a vice-governador. “Tenho trabalhado com esse projeto e acredito que ele dará certo”, diz.


“Como um vice-governador, me caberá ser um auxiliar nas horas necessárias. Acho que um vice deve estar no posto para contribuir no que for possível com o titular no mundo político, no universo da própria gestão, da governabilidade. Na arte no conversar, no ouvir, no abrir portas para saber escutar, para ouvir e ver projetos, também para levar as ideias para que possam ser aplicadas dentro de um governo numa ampla discussão”, teoriza.


José Ronaldo de Carvalho nasceu no dia 18 de julho de 1951. A Paripiranga dele limita-se geograficamente com o município sergipano de Simão Dias, ao Sul de Sergipe. É filho de Joaquim Antônio de Carvalho e de Maria Rosalina de Carvalho.

Ronaldo migrou desde muito cedo para Feira de Santana, uma espécie de São Paulo do interior do Nordeste, onde trabalhou, estudou, casou-se com a professora Ivanette Rios de Carvalho e tornou-se pai de Fábio Rios de Carvalho, de 45 anos, de Camila Rios de Carvalho, 40, e de Natália Rios de Carvalho, 35.

José Ronaldo nasceu no dia 18 de julho de 1951. A Paripiranga dele limita-se com o município de Simão Dias, ao Sul de Sergipe.
ACM Neto e José Ronaldo de Carvalho: dois parceiros de campanha de há muitos anos

 

O QUE GANHA A BAHIA COM ACM NETO NO GOVERNO?

“Tudo. ACM Neto hoje, sem dúvidas, é um dos nomes mais preparados do Brasil. Ele é bom na política e é bom na gestão. Ele faz as duas coisas com muita competência. Então você tem em ACM Neto um homem público bom como futuro governador da Bahia”

 JLPolítica - O que é que a Bahia teria a ganhar com ACM Neto governador?
José Ronaldo de Carvalho -
Tudo. ACM Neto hoje, sem dúvidas, é um dos nomes mais preparados do Brasil. Ele é bom na política e é bom na gestão. Ele faz as duas coisas com muita competência. Então você tem em ACM Neto um homem público bom como futuro governador da Bahia. Nesses dois quesitos - na política e na gestão -, tenho certeza de que ele será um governador excepcional. Por isso acredito muito na vitória dele como candidato a governador, e acredito também muito na gestão dele.

JLPolítica - O que é que lhe leva a acreditar na vitória dele enquanto futuro candidato? O que é que ele fez para justificar essa possibilidade?
JRC -
Olha, ACM Neto fez muito como prefeito de Salvador. Foi um prefeito extraordinário. Realizou demais e, como deputado federal, foi um parlamentar marcante. A experiência de vida dele e o querer contam muito, não é. ACM Neto quer ser governador.

JLPolítica - O que é que ele traz de positivo e diferenciado em relação ao passado do avô?
JRC -
Olha, ACM Neto tem muitas qualidades próprias. O que sinto hoje andando pela Bahia adentro é um carinho fantástico dispensado a ele. Quando sai aí pela Bahia afora, nas viagens, Neto é como se fosse um artista. Um popstar. Ele chega nas cidades e o povo vem atrás dele para tirar uma foto, fazer uma selfie, beijar. Abraçá-lo. Para dizer-lhe uma palavra de incentivo. De apoio. E devo dizer que isso só acontece com os bons políticos.

Colbert Martins Filho, a quem Zé Ronaldo repassou o Governo em 2018 e de quem espera alinhamento com ACM Neto em 2022

 

ACM NETO VISTO SOB A PERSPECTIVA DE UM POPSTAR

“ACM Neto tem muitas qualidades próprias. O que sinto hoje andando pela Bahia adentro é um carinho fantástico dispensado a ele. Quando sai aí pela Bahia afora, nas viagens, Neto é como se fosse um artista. Um popstar. Chega nas cidades e o povo vem atrás dele para tirar uma foto, fazer uma selfie, beijar”

JLPolítica - Mas e o espólio de ACM ainda o contempla?
JRC -
Ah, sem dúvida o ajuda sim. Ajuda, e muito. O nome do avô - eu vejo muito isso ainda - o potencializa sobremaneira. O avô Antônio Carlos Magalhães prestou muitos serviços à Bahia. O avô dele fez grandes governos no Estado da Bahia, e isso soma muito nesta hora. De modo que junta isso tudo do avô com as próprias qualidades do ACM Neto, com seus próprios méritos, e tem-se aí um casamento muito bom e que me faz crer que é a hora e a vez dele.

 

JL Política - O senhor acha que já seria razoável que ele fizesse pela Bahia o que fizera por Salvador enquanto prefeito?
JRC -
Sim. Já seria mais do que razoável. O que nós estamos dizendo à Bahia em nossas andanças é exatamente isso: ACM Neto fez muito por Salvador e vai fazer muito pela Bahia. E isso, eu asseguro a todos os baianos: não é um mero bordão de campanha. É uma realidade vivida. Já materializada.

JLPolítica - Neste contexto, o senhor se coloca como um pré-candidato a vice-governador ou a senador?
JRC -
A vice-governador, me coloco sim! A senador, não. Eu me coloco como um pré-candidato a vice-governador, tenho trabalhado com esse projeto e acredito que ele dará certo.

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UM VICE TEM DE SE DAR À ARTE DA GOVERNABILIDADE

“Um vice-governador deve estar no posto para contribuir no que for possível com o titular. Contribuindo no mundo político, no universo da própria gestão, da governabilidade. Na arte no conversar, no ouvir, no abrir portas para saber escutar, para ouvir e ver projetos”

 JLPolítica - O senhor é um executivo, foi prefeito com quatro mandatos. Que tipo de vice-governador o senhor se imaginaria?
JRC - Mas, além das minhas passagens pelo Executivo, já fui do Legislativo municipal, estadual e federal. Como um vice-governador me caberá, no entanto, ser um auxiliar, não é, nas horas necessárias. Nas horas em que for conveniente. Acho que um vice-governador deve estar no posto para contribuir no que for possível com o titular, reconhecendo que ele é um vice-governador. Mas contribuindo no mundo político, no universo da própria gestão, da governabilidade. Na arte no conversar, no ouvir, no abrir portas para saber escutar, para ouvir e ver projetos, também para levar as ideias para que possam ser aplicadas dentro de um governo numa ampla discussão. Conta a meu favor o fato de saber que ACM Neto gosta de fazer as coisas assim. Ouvindo.
 

JLPolítica - A Bahia compreendeu o ato de se trazer o atual vice-governador João Leão para o grupo dos senhores para ser o candidato a senador?
JRC -
A Bahia compreendeu, sim. João Leão é um político leve. João Leão é um político já de alguns anos, mas é um camarada assim muito descontraído, muito alegre. Sorridente. É um político que não carrega mágoa, rancor - assim como ninguém tem dele e ele de ninguém. Vamos dizer assim: João Leão é um político sempre muito aberto ao diálogo.

JLPolítica - O neófito Jerônimo Rodrigues, pré-candidato ao Governo pelo grupo petista, é páreo bom para o projeto dos senhores ou é um pré-candidato que não estaria preparado, ainda, para a disputa do Governo do Estado?
JRC -
Não gosto de analisar os meus adversários. Eu gosto de enfrentá-los e, no caso dele, vamos enfrentá-lo com o objetivo de derrotá-lo no campo democrático.

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DOS DÉFICITS GERADOS NA BAHIA PELO PT

“A Bahia tem déficits enormes. A segurança pública da Bahia é a pior do Brasil. Não sou eu que estou dizendo isso. São os dados estatísticos brasileiros que mostram que o maior número de homicídios no Brasil está na Bahia. Depois vem as notas da Educação do ensino médio, que são também as piores do Brasil”

 JL Política - Onde é que entra o ex-governador Paulo Souto nesse processo de ACM Neto?
JRC -
O Paulo Souto tem uma experiência muito larga, não é? Na Bahia, ele é um homem muito experimentado - foi de governador, a senador, superintendente da Sudene a secretário do Estado por diversas vezes. É uma figura de currículo extraordinário e então estou certo de que ele ajuda muito nessa retaguarda, no planejamento técnico da campanha e do governo futuro, no que ele tem dado uma contribuição muito grande.


JL Política - O que é que é a Bahia hoje sob esse reinado de mais de 15 anos de tantos governos petistas? Ela tem algum déficit a ser reparado?  
JRC -
A Bahia tem déficits enormes. E vou citar um aqui bem rapidamente: a segurança pública da Bahia é, a atualmente, a pior do Brasil. Não sou eu que estou dizendo isso.

 

JL Política - Quem o diz, então?  
JRC -
São os dados estatísticos brasileiros que mostram que o maior número de homicídios no Brasil está na Bahia. Depois vem as notas da Educação do ensino médio da Bahia, que são também as piores do Brasil.

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DE UMA SAÚDE PÚBLICA NA UTI

“Na Bahia o que a gente mais ouve na imprensa são histórias de pessoas denunciando a morte de entes queridos por não conseguirem vagas nos hospitais. Esses itens são extremamente negativos para um governo delongado como o do PT. Pelas viagens que estamos fazendo nesta pré-campanha estamos vendo as estradas esburacadas”

 JLPolítica - E está assim, é?  
JRC -
Infelizmente, está. Hoje o Estado com pior colocação do ensino médio na federação brasileira é a Bahia. E mais: os maiores números de pessoas desempregadas são os da Bahia. E a saúde pública da Bahia tem um quesito no qual hoje o povo sofre demais.

 

JLPolítica - Qual?  
JRC -
Chama-se Central de Regulação. Para você transferir para os hospitais, fazer o internamento de pacientes que estão em UPAs e nas policlínicas, a fila é hoje muito longa. Na Bahia o que a gente mais ouve na imprensa baiana são histórias de pessoas denunciando a morte de entes queridos por não conseguirem essas vagas nos hospitais. De modo que esses itens são extremamente, vamos dizer assim, negativos para um governo delongado como o do PT. Pelas viagens que nós estamos fazendo nesta pré-campanha estamos vendo as estradas esburacadas, precisando de recuperação, e eu acho que tudo isso traz para um governo que tem já quase 16 anos no poder pontos muito negativos, porque quando você se propõe a ser eleito vem como aqueles “eu vou cuidar da educação, da saúde, da segurança” e esses são os piores indicativos e os piores índices do Governo baiano.

JL Política - ACM Neto já teria um projeto esboçado para fazer frente a esse resgate da Bahia?

JRC - Sim. Isso é uma coisa que está sendo conduzida por ele, por alguns técnicos e, com certeza absoluta, pelo que eu já conheço, o projeto acena positivamente para o futuro do Estado.

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DO PLANO DEMOCRÁTICO DE GOVERNO

“ACM Neto fez algo um pouco diferente do que fazem os políticos tradicionais: de janeiro a outubro de 2021, viajou por todas as regiões da Bahia se reunindo com todos os segmentos da sociedade - da agricultura familiar ao industrial. Ele é um democrata excepcional: sabe sentar para ouvir e quando discute com alguém tem essa grande capacidade de saber ouvir”

 JL Política - Ele faz isso sozinho?
JRC - Não. Pelo contrário. Ele constituiu uma equipe de pessoas experientes e de jovens capacitados. Neste exato momento em que você está me entrevistando aqui na sede do União Brasil, ele está reunido com essa equipe, debatendo os grandes temas da Bahia. Porque ele quer apresentar à Bahia e aos baianos esse plano de governo que deseja executar em favor do Estado.

JL Política - ACM Neto tem visto de perto essa Bahia real e os problemas concretos de que o senhor fala?
JRC - Não tenha dúvida disso. Aliás, ele fez algo um pouco diferente do que fazem os políticos tradicionais: de janeiro a outubro de 2021, ACM Neto viajou por todas as regiões da Bahia se reunindo com todos os segmentos da sociedade - da agricultura familiar ao industrial. Ele é ótimo de diálogo. Ele é um democrata excepcional: um homem que sabe sentar para ouvir e quando discute com alguém tem essa grande capacidade de saber ouvir. Isso é ouro em pó para quem quer governar.

JLPolítica - Ele não seria impositivo?
JRC -
Não, nunca o é. É um camarada que sabe ouvir e sabe falar. Sabe liderar, sempre gostando de ouvir muito também.

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DO NADA FEITO PELO ANEL VIÁRIO DE FEIRA

“Devo admitir que esse é um fato que me deixa muito triste. Quando era presidente da República, Lula esteve em Feira duas vezes - na inauguração da nova Pirelli e na da Nestlé. Tive a oportunidade de usar da palavra e pedi, justamente, que resolvesse esse assunto do anel rodoviário. Ele prometeu fazer, mas isso nunca saiu do papel”

 JL Política - O senhor sonha, ainda, em voltar a ser prefeito de Feira de Santana?
JRC -
Você poderia pular essa pergunta? (risos). Eu devo dizer que estou focado é nessa questão de Governo do Estado. Este é o nosso projeto de hoje e de um futuro próximo.

JL Política - A pergunta será feita ao ex-prefeito de quatro mandatos, e vale também para tantos outros que passaram pela Prefeitura de Feira de Santana: por que nunca se deu um jeito no anel rodoviário da Feira, no sentido de alargá-lo, duplicá-lo ou até mesmo fazer um outro a uma longa distância e fora do núcleo urbano?

JRC - Olha, devo admitir que esse é um fato que me deixa muito triste. Uma parte do anel, o chamada Anel Sul, na região do Tomba, hoje está feito, porque foi feito pela empresa que explora a BR-324, uma péssima empresa, mas pelo menos essa parte do contrato ela cumpriu - que é a Via Bahia. Mas o outro trecho, que a gente chama Anel Norte, que sai para Serrinha, nunca foi feito nada. Mas preciso dizer que com recursos da Prefeitura de Feira de Santana nós construímos sete viadutos internos na cidade, que lhe deram uma nova dinâmica viária. Com recursos próprios do município e zero de recursos da União, nós construímos esses viadutos e são uma contribuição do município para resolver isso.

JL Política - Mas a União nunca teve olhos para o contorno?
JRC -
Nunca. Quando era presidente da República, Lula esteve em Feira duas vezes - uma na inauguração da nova Pirelli e outra na inauguração da Nestlé. Eu era prefeito em ambas as vezes, tive a oportunidade de usar da palavra e nesse evento eu pedi, justamente, que resolvesse esse assunto do anel rodoviário, que era assunto realmente de extrema necessidade para Feira de Santana. Grave, até, porque dificulta a cidade. Ele prometeu fazer, mas isso nunca saiu do papel.

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FEIRA PRECISA REPENSAR REPRESENTAÇÃO FEDERAL

“Acho que Feira de Santana nos últimos anos tem pecado muito nessa questão de deputado federal. Tenho visto aí hoje em dia deputados federais conseguirem volumes significativos de recursos para investir em municípios, e por que não ocorre com Feira? Nos últimos anos, Feira tem um deputado federal do PT que comemora quando liberam R$ 1 milhão para o município como se fosse uma grande vitória”

 JL Política - Então José Ronaldo de Carvalho não pode ser culpado por Feira não ter um anel todo novo?
JRC -
Não. Admito tristeza. Culpa, não. E o povo reconhece que não, exatamente porque sabe que o anel é uma obra 100% de responsabilidade federal.

JL Política - Mas, pelo significado geofísico de Feira de Santana para a Bahia e para o Brasil, o senhor não acha que a bancada de deputados federais, os três senadores e os deputados estaduais poderiam fazer mais por ela no sentido de verba de orçamentos, de apresentação de projetos em favor dela no âmbito de Brasília?

JRC -
O que tenho a dizer é que acho que Feira de Santana nos últimos anos tem pecado muito nessa questão de deputado federal. Eu tenho visto aí hoje em dia deputados federais conseguirem volumes significativos de recursos para investir em municípios, e por que não ocorre isso com Feira de Santana? Nos últimos anos, Feira tem um deputado federal que é do PT que comemora quando liberam R$ 1 milhão para o município como se fosse uma grande vitória. Isso revela pobreza de espírito político.


JL Política - O mandato do deputado Zé Neto não faz bem a Feira de Santana?
JRC -
Não. Eu acho que Neto é um deputado federal... por esse assunto, eu nunca falei dele.

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DOS EXEMPLOS POLÍTICOS DO PASSADO

“Acho que Zé Falcão, Colbert Martins da Silva e João Durval fizeram parte da história de Feira - e eu tive o prazer de conviver com os três. Será que político para ser bom precisa ficar sorrindo ou não? Cheguei à conclusão de que não precisava disso. Como convivi com eles, devo dizer que tirei uma espécie de substrato de todos”

 JLPolítica - Em seus 188 anos, Feira teve quatro grandes lideranças municipais, se julgarmos dos anos 70 para cá - que são João Durval Carneiro, José Falcão da Silva, Colbert Martins da Silva e o senhor. O que é que o senhor identifica em comum entre essas quatro figuras públicas?
JRC -
Eu acho que Zé Falcão teve seu papel, fez parte da história de Feira de Santana. Creio que Colbert Martins da Silva também faz parte da história política de Feira, assim como João Durval - e eu tive o prazer de conviver com os três. E vou falar o que é que tem em comum entre os quatro. Mas antes vou contar aqui uma historinha rápida: quando eu era bem jovem, com as primeiras pessoas andando a dizer que parecia que eu ia me tornar político - eu achava que isso não aconteceria -, mas que eu não tinha nada a ver com política. Recém-chegado de Paripiranga para estudar e trabalhar, eu morava numa pensão que tinha uns dez moradores, e de vez em quando alguns deles diziam: “olha, você não vai dar para ser político, porque você não dá nem um sorriso. Você não é de dar sorriso, você é muito fechado”, e não sei mais o quê e tal. E eu ficava com aquilo na minha cabeça. Aí eu passei a conviver com muitos políticos e então me propus a observar: será que político para ser bom precisa ficar sorrindo ou não? E depois eu cheguei à conclusão que não precisava disso. Por quê? Porque Zé Falcão não era um homem de andar sorrindo. João Durval, também não. Colbert até que era um pouco mais dado ao riso assim e tal. E aí o que eu fiz? Segui observando a todos. Como eu convivi com eles, devo dizer que tirei uma espécie de substrato de todos.

JLPolítica - O senhor acha que Colbert Martins da Silva Filho, prefeito de Feira, lhe seguirá na sucessão estadual da Bahia?
JRC -
Na sucessão estadual em apoio à ACM Neto? Sim. Ele apoiará ACM Neto, totalmente.


JL Política - E isso será bom para Feira de Santana, para os dois anos finais de Colbertzinho e para o senhor?
JRC -
Será. Claro, ele como prefeito nos apoiando é importante.

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RECONHECIMENTO AFETIVO DE FAUSTINO LIMA

“Admito que me ajudou muito ter conhecido um cidadão chamado Faustino Dias Lima, que é de Paripiranga, foi secretário de Finanças de Prefeitura da Feira nos anos 60, deputado estadual e presidente da Assembleia da Bahia. Ele foi meu padrinho político. Acho que essa pessoa ajudou muito a minha vida”

 JLPolítica - Entre Lula e Bolsonaro, quem ganhará a eleição presidencial?
JRC -
Hoje eu tenho muitas dúvidas sobre isso. Obviamente que, como político, estou acompanhando aí o movimento nacional e acho que teremos segundo turno entre ambos.

JL Política - Pronto, refarei a pergunta: seria bom para o Brasil que qual dos dois ganhasse a eleição?
JRC -
Eu torci muito que houvesse uma terceira via, mas não estou enxergando isso.


JLPolítica - Para o conhecimento e domínio da vida pública e da política, quem mais lhe ajudou: foi ter trabalhado na Pirelli, ter passado pela burocracia da Feira nos anos 70, ter sido provedor do HDPA ou ter sido inicialmente vereador?

JRC - Eu acho que foi o iniciozinho, quando eu trabalhei na Prefeitura de Feira de Santana e posteriormente fui ser diretor do Hospital Dom Pedro de Alcântara. Eu creio que essa transformação aí me ajudou muito.

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DE OS FILHOS NÃO TEREM ESCOLHIDO A POLÍTICA

“Eles tiveram e têm liberdade de tomar as decisões que acharem que devem tomar. Tenho três filhos e todos optaram pela carreira que quiseram. O Fábio é médico e Camila e Natália são advogadas”

 JLPolítica - Mas teve um cidadão das suas origens que muito lhe potencializou.
JRC - Sim. Admito também que me ajudou muito ter conhecido um cidadão chamado Faustino Dias Lima, que é de Paripiranga, que foi secretário de Finanças de Prefeitura da Feira nos anos 60, que foi deputado estadual e foi presidente da Assembleia Legislativa da Bahia. Ele foi meu padrinho político, não é! Eu acho que essa pessoa ajudou muito a minha vida. De modo que eu entendo que tudo isso me ajudou a conhecer gente, a abrir portas e a me formar na política. (Faustino Dias Lima terminou a carreira pública como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia e faleceu no dia 8 de fevereiro deste ano, aos 91 anos. Era uma figura de ótimo relacionamento com a imprensa - o autor desta Entrevista, como editor de Política do Jornal Feira Hoje, recebia muitos afagos noticiosos dele em forma off no começo dos anos 80).

JLPolítica - O senhor ficaria triste se um dos seus três filhos optasse pela política também?
JRC - Não, jamais. Eles tiveram e têm liberdade de tomar as decisões que acharem que devem tomar. Tenho três filhos e todos optaram pela carreira que quiseram. O Fábio é médico e Camila e Natália são advogadas.

JLPolítica - O senhor se arrepende de ter seguido a política? Faria tudo de novo ou não?
JRC - Não me arrependo e faria tudo novamente, se possível fosse.

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