Entrevista

Jozailto Lima

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Juliano Cesar: “Esta não é hora nem de falecer nem de falir”

“Em momentos de crise, não se pode sobrepor o senso comum à ciência”

Aos 57 anos, ele mistura tolerância, conciliação e prudência com pragmatismo, muito foco e objetividade, o que fez do seu negócio um dos mais alvissareiros, vistosos e promissores no território da atividade atacadista de alimentos e bebidas no Brasil a partir do pequeno Sergipe, que ele tem como sua terra e paixão.

Ele é Juliano Cesar Faria Souto, um administrador de Empresas por formação acadêmica e empreendedor por descendência genética e por imposição compulsória de um certo DNA paterno.

Tem no histórico Raymundo Juliano Faria Santos, o pai, um esteio. Uma âncora. Um “doutor em vida e em negócio”, para quem ele bate continência de afeto, respeito e naturalmente o replica em tudo que o velho é, foi, fez e faz. “Meu pai é a minha real bússola e meu melhor manual de instruções”, diz Juliano.

De 2013 para cá, Juliano Cesar Faria Souto conseguiu empinar o nariz da Fasouto, espargir lojas da marca pelos territórios de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro - neste, um big Centro de Distribuição inaugurado este ano na flor da pandemia de coronavírus -, em Estância, Lagarto e Tobias Barreto, gerar cerca de 500 empregos diretos e se preparar pra um ação que permitirá ao seu Grupo faturar R$ 250 milhões neste ano pandêmico de 2020.

No centro de tudo isso, Juliano Cesar Faria Souto, que emprestou precocemente brancura aos cabelos, ainda encontra tempo e espaço para se converter num ser gregário, participar de entidades de classe do segmento em que atua, em conselhos de governo e, o mais consistente de tudo isso, ter uma cabeça erguida para bem além e acima de dependências e adulações a Governos de plantão.

Não o chamem para brigas desnecessárias e histriônicas que não o terão como um parceiro. “Negociar e fazer amigos é nosso mantra - dele e meu”, diz, numa referência ao pai. “Tento sempre seguir o exemplo de Raymundo Juliano Souto Santos que, mesmo sendo um homem de pensamento político diverso, lembra-me a famosa frase atribuída a Che Guevara, segundo a qual é preciso “ser duro, mas sem perder a ternura jamais””, reforça.

“De modo que, por maiores que sejam o problema, o desafio ou a divergência com os quais me deparo, o faço certo de que as posições e o radicalismo extremados em nada constroem e em nada ajudam na busca da solução. É evidente que devemos e podemos ter posições firmes, porém nunca criar desafetos para fazê-las valer”, diz, do alto desse “mantra”, Juliano Cesar Faria Souto se faz livre, espontâneo e realista - de uma espontaneidade capaz de exibir um conceito justo e muito coerente sobre o presidente Jair Bolsonaro nesta hora de pandemia em que muitos na posição e no status dele jamais o fariam, preferindo o agachamento tíbio e pálido por detrás da moita das conveniências.

“Entendo que é, no mínimo, lamentável. Diria desastrosa”, afirma ele, sobre a falta de responsabilidade presidencial em face do drama da Covid-19. “Em momentos de crise, não cabem voluntarismo e exacerbação de convicções políticas e pessoais. Não se pode sobrepor o senso comum à ciência”, adverte Juliano Cesar.

Ele ainda prefixa esta importante expectativa cidadã: “Espero que essa triste página da história que estamos vivendo, com vidas perdidas, famílias destroçadas e elevados prejuízos econômicos, sirva de ensinamento para que nós brasileiros, quando votarmos, usemos mais a razão do que o fígado”.

“Busquemos lideranças firmes que reflitam nosso modo de pensar a sociedade, mas sem cair em falsas esperanças daqueles que prometem que a solução estará sempre no confronto, pois ao se deparar com situações onde a união é mais importante que ter a razão o líder fica amarrado às suas posições radicais e nos impõe sacrifícios e desgoverno como este que estamos presenciando. Que possamos aprender a fazer escolhas mais assertivas em 2022”, completa. 

Portanto, como livre e crítico, Juliano Cesar Faria Souto cunhou na paisagem da economia e da responsabilidade social uma frase que ele capturara Brasil adentro, segundo a qual, o momento da pandemia de coronavírus que se aproximava do pais feito uma nuvem de gafanhoto não seria motivo para falecer pessoas e nem falir empresas.

“E continuo, 100 dias depois, hasteando a mesma ideia de que esta não é hora nem de falecer nem de falir. Acompanhei e atuo na tentativa de que medidas para minimizar os efeitos dessa tão grave crise possam ser adotadas”, diz

Para Juliano Cesar, foi exatamente com essa visão que os setores de primeira-necessidade do país atuaram e atuam na crise, sustentando fornecimento, suprindo a nação e preservando seus colaboradores da fúria do vírus.

“Essa crise precisa de ações efetivas em saúde: testagem, isolamento, assistência aos primeiros sintomas. Não é somente com abertura ou com fechamento de atividades que será interditada a disseminação do vírus”, recomenda.

Nesta Entrevista, o empresário Juliano Cesar Faria Souto faz um exato raio x do setor de atacadista no país - são mais de um milhão de empregos -, diz qual o planejamento dele e das três filhas para o futuro da Fasouto, expõe visões sobre associativismo, relacionamento com governos e fala do futuro socioeconômico de Sergipe e, sobretudo, derrama um olhar terno, grato e reconhecedor sobre o pai, o empresário Raymundo Juliano Souto Santos, 88 anos, fundador e mantenedor da Disberj por muitos anos - a matriz de tudo. 

“Meu pai é meu herói, meu líder, minha real bússola e meu melhor manual de instruções. Ter essa convivência e seus exemplos são minha maior riqueza frente aos desafios de cada dia. Em minha vida tenho somente uma meta: honrar os ensinamentos que recebi e recebo dessa figura maravilhosa”, diz.

Juliano Cesar Faria Souto nasceu em 27 fevereiro 1964 na cidade de Estância. É filho de Raymundo Juliano Souto Santos e de Suele Fontes Faria Souto e casado com economista e comerciante Riane Mendonça Silveira Souto, com quem é pai de três filhas - Fernanda Maria Silveira Souto, de 30 anos, Maria Luísa Silveira Souto, de 28, e Maria Júlia Silveira Souto, de 26.

Ele é bacharel em Administração de Empresas, dono do CRA/SE de número 2684-01, com conclusão do curso em 2007 pela Faculdade de Administração Brasília e tem MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas.

Hoje Juliano se divide entre o comando do Grupo Fasouto e a Vice-Presidência da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados e é diretor de Comércio Atacadista da Fecomércio de Sergipe e conselheiro no Sincadise - Sindicato Comércio Atacadista Sergipe. 

Ternura filial e paterna entre os dois Souto: \"Meu pai é meu herói, meu líder, minha real bússola e meu melhor manual de instruções\"
Juliano Cesar e sua Riane Mendonça Silveira Souto, que ele considera seu porto seguro e que lhe deu três belas moças

A “LAMENTÁVEL E DESASTROSA” ATUAÇÃO DO PRESIDENTE
“Entendo que é, no mínimo, lamentável. Diria desastrosa. Em momentos de crise, não cabem voluntarismo e exacerbação de convicções políticas e pessoais. Não se pode sobrepor o senso comum à ciência. Espero que essa triste página que estamos vivendo, com famílias destroçadas e elevados prejuízos econômicos, sirva de ensinamento para que nós brasileiros, quando votarmos, usemos mais a razão do que o fígado”

Política - O senhor se dá por satisfeito com o nível de interlocução entre o setor público sergipano - o Estado e os políticos - e o particular - empresários, empresas e órgãos de classe?
JCFS -
Independentemente da minha atuação nos temas nacionais através da Abad, tenho procurado contribuir com as lideranças empresariais locais, trazendo experiências de como outros Estados estão enfrentando e agindo neste momento. Tem sido gratificante ver a união de mais de 20 entidades empresarias, quase que diariamente, discutindo propostas, apresentando alternativas. Essas contribuições, por certo, têm ajudado ao Poder Executivo na definição das políticas de enfrentamento à crise. 

JLPolítica - O senhor subscreve a tese de que Sergipe vivencia o seu pior momento no campo do desenvolvimento econômico e social?
JCFS -
Não considero o pior, pois não temos como prever o futuro. Mas o que temos aí é um momento desafiador e novo. Está evidente que houve um esgotamento do ciclo iniciado entre 1960 e 1970, onde através do petróleo e outras atividades podemos construir um Estado que, apesar de pequeno, tinha índices econômicos e sociais admiráveis. Isso possibilitou que empresas e grupos locais fossem destaques até nacionalmente.

JLPolítica - E agora?
JCFS -
Agora, é certo, Sergipe precisa de uma nova matriz econômica, não dependente de um único vetor, e de reduzir a dependência do poder público - o sonho de um jovem sergipano não pode continuar sendo o de apenas fazer um concurso público -, potencializar nosso espírito empreendedor, estimular as vocações regionais - vejamos o belíssimo exemplo da produção milho no interior -, simplificar a vida das empresas e dos empresários e, especialmente, valorizar o empreendedor como mola propulsora do desenvolvimento econômico e social e não como um “bode expiatório” quando do fracasso das políticas públicas. Antes da crise, importantes iniciativas pela Assembleia Legislativa com a Fundação Dom Cabral e grupo técnico do Governo Sergipe estavam sendo elaboradas para a economia sergipana num horizonte de longo prazo. Esse é o caminho. 

Uma emoção de um nunca-mais-esquecer: casamento da filha primeira, Fernanda Maria Silveira Souto

NÃO SERÁ REEDITADA A GRANDE DEPRESSÃO DE 1929
“Não acho. As ferramentas econômicas mundiais estão bem fortalecidas. Há um excesso de liquidez mundial, onde até mesmo no Brasil chegamos à taxa de juros tão baixa que deixaria qualquer economista da esquerda ruborizado - 2% ao ano. Assim, vê-se, na parte efetiva do Governo, esforço pra aprofundar a desregulação, medidas para incentivar o emprego”

JLPolítica - Fechar por fechar não é a solução?
JCFS -
Não, nunca. Veja isso: não adianta fechar shopping, ambiente facilmente controlável, e permitir ônibus superlotados, filas intermináveis nos bancos, nas lotéricas. Essa crise precisa de ações efetivas em saúde: testagem, isolamento, assistência aos primeiros sintomas. Não é somente com abertura ou com fechamento de atividades que será interditada a disseminação do vírus. Além disso, há evidente necessidade de apoio para as empresas que estão paralisadas e prejudicadas, pois atrás de cada CNPJ existem vidas, histórias, famílias e muitos CPFs ativados.

JLPolítica - O senhor acha que a pandemia da Covid-19 será capaz de gerar uma depressão econômica como a de 1929?
JCFS -
Não acho não. As ferramentas econômicas mundiais estão bem fortalecidas. Há, inclusive, um excesso de liquidez mundial, onde até mesmo no Brasil chegamos à taxa de juros tão baixa que deixaria qualquer economista da esquerda ruborizado - 2% ao ano. Assim, vê-se, na parte efetiva do Governo Federal, liderado por Paulo Guedes, como pela ministra da Agricultura e pelo ministro Infraestrutura, sendo desenhado um conjunto de ações pós-crise. Há esforço pra aprofundar a desregulação, medidas para incentivar o emprego, entre outras. 

JLPolítica - Mas isso não são ações e atos isolados?
JCFS -
Ora, esperamos que os demais Ministérios sigam nessa toada e coloquemos ao lado nossas ideologias e preconceitos, focando na recuperação econômica. Localmente, temos que buscar também alternativas para retomada da economia, criando políticas de apoio e incentivo, especialmente para aquelas duramente afetadas por uma crise que não foi criada por elas. Veja o exemplo de atuação do Distrito Federal com o seu banco BRB - a Fecomércio-DF apoia programa do governo para garantir crédito a pequenos empresários http://cnc.org.br/editorias/sistema-comercio/noticias/fecomercio-df-apoia-programa-do-governo-para-garantir-credito.   

Com o prefeito de Tobias Barreto, Diógenes Almeida: doação da Fasouto neste momento de pandemia

RISCO DA FALTA DE DIÁLOGO SOBRE CORONAVÍRUS
“Após 90 dias, sinto até um pouco de desapontamento ao observar o quanto faz falta a uma nação uma liderança política central e agregadora, sem posições radicais. Nossa principal deficiência no combate à essa crise vem expressamente da falta de um diálogo aberto, franco e construtivo”

JLPolítica - Mas o senhor se dá por contemplado com os resultados obtidos?
JCFS -
Não. Após 90 dias, sinto até um pouco de desapontamento ao observar o quanto faz falta a uma nação uma liderança política central e agregadora, sem posições radicais. Nossa principal deficiência no combate à essa crise vem expressamente da falta de um diálogo aberto, franco e construtivo. Houve uma série de ações corretas no plano público, porém isoladas, com cada parte insistindo em ser mais dona da razão do que outras, e daí esquecemos do nosso inimigo comum, que é uma doença terrível.   

JLPolítica - Então o senhor identifica mais confusão do que sintonia e harmonia entre as esferas públicas e particulares neste momento de pandemia no que diz respeito às políticas adotadas para proteger a vida e os negócios?
JCFS –
Sim, é disso que falo. A gravidade da crise dificulta a sintonia e a harmonia. Vejo a situação encaixada no ditado antigo que diz que “em casa que falta pão vem a desunião”. Assim, o que entendo ser importante para superarmos as dificuldades que estão postas tanto na saúde quanto na economia são ações em conjunto. São espaços abertos para a construção de propostas, aceitação das dificuldades e das limitações. A grande lição deixada por essa crise sanitária é a do quanto não estávamos preparados tanto cientificamente quanto do ponto de vista de sociedade organizada para enfrentá-la.

   JLPolítica - Qual o meio termo entre fechar e abrir a economia nesta hora de modo a evitar a morte dos empregos e das empresas e a preservação da vida das pessoas?
JCFS -
O lema tem que ser atuar com segurança. Veja o exemplo das atividades essenciais: nossas empresas e colaboradores assumiram os riscos e os desafios. Cuidamos das pessoas em primeiro lugar, mas garantimos com atuação exemplar que não houvesse crise no abastecimento. Isso é algo que deu certo. Assim deve ser em todos os setores: segurança e saúde para a população. 

Juliano Cesar, Edvaldo Nogueira e Paulo do Eirado, do Sebare: parceiros fundamentais na condução das Câmaras Temáticas na construção Projeto Aracaju 200 anos pelo Comdem

DO DESPRENDIMENTO EXIGIDO PELO ASSOCIATIVISMO
“O associativismo requer desprendimento e boas intenções, pois é compreensível que cada um tenha suas empresas e seus objetivos próprios. Daí cabe a um líder empresarial a mobilização pelo exemplo, dedicando-se a estar sempre disponível para as demandas coletivas e atuando de forma transparente”

JLPolítica - O empresariado atacadista de Sergipe e do Nordeste é bom de associativismo ou não está nem aí? 
JCFS -
O associativismo requer desprendimento e boas intenções, pois é compreensível que cada um tenha suas empresas e seus objetivos próprios. Daí cabe a um líder empresarial a mobilização pelo exemplo, dedicando-se a estar sempre disponível para as demandas coletivas e atuando de forma transparente. É isso que tentamos fazer, e temos conseguido uma excelente interlocução e mobilização sempre que necessária dos empresários no nosso segmento.

JLPolítica - Por que o senhor nunca esteve no comando da Fecomércio, FCDL ou Acese? Não gosta da linha de frente?
JCFS -
Porque optei em atuar de forma mais focada no associativismo de minha área empresarial específica, a do comércio atacadista. Participamos da criação da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados de Sergipe e da sua integração à Abad nacional, ajudamos a unir a Associação ao Sincadise, entidade existente há mais 80 anos e que hoje desponta como um dos mais atuantes e eficazes sindicatos, agora comandado por um empresário da nova geração, o Breno França. Nos demais órgãos, temos amigos, construímos relações firmes, participamos de Diretorias e Conselhos e estou sempre disponível para colaborar, pois entendo que a Presidência de uma entidade de classe não pode ser objetivo alcançado e sim consequência de sua atuação em prol sua classe.

JLPolítica - O senhor cunhou no começo desta pandemia uma frase que dizia mais ou menos que esta não seria hora da morte das pessoas físicas e nem da dos negócios. Qual é a sua análise agora, depois de quase 60 mil mortos e de tantos desempregados?
JCFS -
De fato, e a frase foi Nem falecer nem falir. E continuo, 100 dias depois, hasteando a mesma ideia de que esta não é hora nem de falecer nem de falir. Acompanhei e atuo na tentativa de que medidas para minimizar os efeitos dessa tão grave crise possam ser adotadas. Temos algumas vitórias: a campanha #naodemita foi um marco. A MP 936 e outras que garantiram medidas para segurar empregos, agora linhas de crédito facilitadas etc, foram outras.

Juliano Cesar e família tiveram emoção indescritível, ao assistir à audiência com o papa Francisco na Praça São Pedro, no Vaticano, no dia 26 de fevereiro deste ano, Quarta-Feira de Cinza, uma semana antes da pandemia e lockdown na Itália .

PAPEL A CUMPRIR COMO UM DOS VICES DA ABAD
“Tenho procurado representar as médias empresas regionais no âmbito da Abad, levando suas demandas e atuando no fortalecimento de ações institucionais junto ao executivo federal, o parlamento e a integração com os presidentes das 27 afiliadas para que possamos estar antenados com os anseios e as necessidades dos empresários do setor em todo o país”

JLPolítica - Mas, afinal, que segurança jurídica seria essa?
JCFS -
Seriam e são regras claras construídas em consenso entre as partes, livre competição entre canais de venda e definição clara de regras de saída. 

JLPolítica - O universo da atividade atacadista e distribuidora de produtos industrializados fica circunscrito às grandes e médias cidades brasileiras ou contempla também as pequenas?
JCFS -
Neste aspecto, temos abrangência nacional e regional. Há extrema importância das pequenas e médias empresas que atuam localmente realizando um trabalho complementar ao da indústria, desenvolvendo o pequeno varejo e melhorando o atendimento ao consumidor na ponta.

JLPolítica - Qual é a participação do senhor hoje na Abad nacional? Ou seja, qual é a atribuição da Vice-Presidência que lhe cabe?
JCFS -
Na Abad, somos uma Diretoria composta por presidente e oito vices. Cada um de nós representa e atua de forma complementar. São empresários líderes de empresas dos diversos portes e áreas de atuação. Assim, tenho procurado representar as médias empresas regionais no âmbito da Abad, levando suas demandas e atuando no fortalecimento de ações institucionais junto ao executivo federal, o parlamento - através do Comitê Agenda Política -, e a integração com os presidentes das 27 afiliadas estaduais para que possamos estar antenados com os anseios e as necessidades dos empresários do setor em todo o país.

Centro de Distribuição de Nossa Senhora do Socorro: investimento inaugurado no centro da pandemia, mas dando certo

O ATACADISMO TEM MANDO NACIONAL OU ESTRANGEIRO?
“É um mercado livre. Até alguns anos, era eminentemente brasileiro e regional. Recentemente, grupos internacionais adquiriram operações de atacado e isso acirrou a competição. Podemos dizer que o mercado está dividido entre grupos internacionais, nacionais regionais e as empresas regionais locais”

JLPolítica - É nacional brasileiro o domínio do setor, ou os grupos estrangeiros dão as cartas?
JCFS -
É um mercado livre. Até alguns anos atrás, era eminentemente brasileiro e regional. Recentemente, grupos internacionais adquiriram operações de atacado autosserviço e isso acirrou a competição. Podemos dizer que o mercado está dividido entre os grupos internacionais, nacionais regionais e as empresas regionais locais. Não há um predomínio e sim uma disputada acirrada.

JLPolítica - O universo de atuação da Abad fica circunscrito aos alimentos e bebidas ou se espraia por outros segmentos?
JCFS -
A Abad representa os diversos segmentos, porém tem predominância sobre o alimentar.

JLPolítica - A Lei do Distribuidor já ganhou a devida segurança jurídica que a Adab tanto busca?
JCFS -
Temos esse projeto ainda em tramitação no Congresso Nacional. Antes da crise da pandemia, estava com excelente tramitação na busca de um texto consensual. Agora estamos aguardando a volta do parlamento à normalidade para que retomemos as negociações. Sim, a palavra-chave é segurança jurídica para os distribuidores e fabricantes. 

Ao lado do pai, Raymundo Juliano Souto, e do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, por quem Juliano admite admiração pela trajetória política desde os tempos juventude comunista dele. \"Divergência sem desafetos, este é o caminho\" pondera

UMA BÚSSOLA: O PAI DOUTOR EM VIDA E EM NEGÓCIOS
“Raymundo Juliano - meu pai, é meu herói, meu líder, minha real bússola e meu melhor manual de instruções. Ter essa convivência e seus exemplos são minha maior riqueza frente aos desafios de cada dia. Espero que, passado esse pandemônio, como ele tem chamado essa crise sanitária, possamos juntos comemorar e lançar o livro “Raymundo Juliano - 80 anos negociando e fazendo amigos”
  

Política - O que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Governo de Aracaju - Comdem -, do qual o senhor faz parte, tem feito de real para o futuro da cidade?
JCFS -
Eu considero o Comdem uma iniciativa que criou uma nova forma de relacionamento estruturado entre o poder público, a sociedade e as lideranças empresariais. Ele é um espaço permanente onde temas urgentes e projetos futuros podem ser tratados com o espírito de colaboração. Ao reativar o Comdem para ações efetivas, o prefeito Edvaldo Nogueira deu demonstração inequívoca de que tem visão e tem espírito público moderno e com foco em resultado para a cidade e não somente na próxima eleição. Admito que foi uma experiência ímpar poder participar, como convidado, das Câmaras Temáticas que estão desenvolvendo o Projeto Aracaju200anos, atualmente paralisado por causa da pandemia. A forma como os grupos de trabalho construíram a bases para planejamento de longo prazo da cidade, a metodologia de consulta aberta, etc, é muito inspiradora. Espero que passe logo essa pandemia e que possamos retomar esse lindo projeto.

Política - O Governo do Estado de Sergipe não poderia ter uma espécie Comdem no moldes do da Prefeitura da capital?
JCFS -
É uma grande ideia. Acho que para liderança executiva criar um grupo ligado diretamente a ele, onde possa ouvir a sociedade representada sem os filtros da influência político partidária, é sempre uma excelente iniciativa.   

JLPolítica - Qual é a análise que o senhor faz especificamente do papel do presidente da República, Jair Bolsonaro, neste momento de mediações da pandemia?
JCFS -
Entendo que é, no mínimo, lamentável. Diria desastrosa. Em momentos de crise, não cabem voluntarismo e exacerbação de convicções políticas e pessoais. Não se pode sobrepor o senso comum à ciência. Espero que essa triste página da história que estamos vivendo, com vidas perdidas, famílias destroçadas e elevados prejuízos econômicos, sirva de ensinamento para que nós brasileiros, quando votarmos, usemos mais a razão do que o fígado, e busquemos lideranças firmes que reflitam nosso modo de pensar a sociedade, mas sem cair em falsas esperanças daqueles que prometem que a solução estará sempre no confronto, pois ao se deparar com situações onde a união é mais importante que ter a razão o líder fica amarrado às suas posições radicais e nos impõe sacrifícios e desgoverno como este que estamos presenciando. Que possamos aprender a fazer escolhas mais assertivas em 2022. 

JLPolítica - Quem é o empreendedor, ou os empreendedores, de Sergipe que lhe enche os olhos pelo que faz e pelo que sinaliza de exemplo?
JCFS -
Aí é mais do que fácil: sem dúvida, Raymundo Juliano - meu pai, meu herói, meu líder, minha real bússola e meu melhor manual de instruções. Ter essa convivência e seus exemplos são minha maior riqueza frente aos desafios de cada dia. Em minha vida tenho somente uma meta: honrar, através de minhas ações na sociedade, nas empresas e na família, os ensinamentos que recebi e recebo dessa figura maravilhosa. Peço sempre: que Deus o cubra de bênçãos pelo tanto que tem feito pelo seu Estado, pelos seus familiares e pela sociedade sergipana. Espero que, passado esse pandemônio, como ele tem chamado essa crise sanitária, possamos juntos comemorar e lançar o livro “Raymundo Juliano - 80 anos negociando e fazendo amigos”. 

Para Juliano Cesar, Brasília virou caminho de roça em idas ao Congresso para tratar de temas ligados à segurança jurídica da do setor atacadista - aí, com Laércio Oliveira, que ele considera um aliado de peso à causa dos atacadistas nacionais

DO SIGNIFICADO DA DISBERJ PARA O JOVEM JULIANO
“Significou muitíssimo. Ter a oportunidade de unir pai e professor numa só pessoa e momento, foi e tem sido uma dádiva para mim e para os meus que estão em vias de me suceder. Através do convívio na empresa e seguindo os passos de Raymundo Juliano, tenho procurado superar os desafios. E parece que tenho conseguido”

JLPolítica - O que a sua atividade quando jovem na Disberj significou ou significa para a sua maturidade hoje no campo da Fasouto?
JCFS -
Significou e significa muitíssimo. Ter a oportunidade de unir pai e professor numa só pessoa e momento, foi e tem sido uma dádiva para mim e para os meus que estão em vias de me suceder. Através do convívio na empresa e seguindo os passos de Raymundo Juliano, tenho procurado superar os desafios. E parece que tenho conseguido.

JLPolítica - O seu lado preponderantemente conciliador tem algo a ver com o DNA de Raymundo Juliano Souto Santos, seu pai?
JCFS –
Sim, e muito. Negociar e fazer amigos é nosso mantra - dele e meu. Tento sempre seguir o exemplo de Raymundo Juliano Souto Santos que, mesmo sendo um homem de pensamento político diverso, lembra-me a famosa frase atribuída a Che Guevara, segundo a qual é preciso “ser duro, mas sem perder a ternura jamais”. De modo que, por maiores que sejam o problema, o desafio ou a divergência com os quais me deparo, o faço certo de que as posições e o radicalismo extremados em nada constroem e em nada ajudam na busca da solução. É evidente que devemos e podemos ter posições firmes, porém nunca criar desafetos para fazê-las valer. 

JLPolítica - O que ele, enquanto pai empreendedor, significa para o senhor como continuador da verve comercial que ele inaugura?
JCFS -
A qualidade que mais me impressiono até hoje em meu pai é o seu espírito de planejar o futuro com os pés no presente. Do alto de seus 88 anos, a cada momento ele tem uma nova ideia, a cada instante ele cobra execução de um novo projeto, de um novo desafio, sem nunca esquecer do resultado do dia a dia. Isso vale uma graduação acadêmica superiora e uma pós-graduação. Aliás, pra mim ele tem doutorado em vida e em negócio. 

Juliano Cesar toma posse na Vice-Presidência da Abad: sensação de dever cumprido na representação dos pequenos e médios empresários no cenário nacional

DE COMO A ABAD VIU A FASOUTO COMO MAIOR DO ESTADO
“Foi um critério criado para fomentar o desenvolvimento e ressaltar o trabalho de empresas locais que pelo tamanho do mercado que atendem nunca teriam um destaque se o ranking fosse somente o nacional. Além desse critério, existem vários outros que tornam o Ranking Abad Nilsen na principal ferramenta de consolidação de dados do setor”

JLPolítica - Que aspectos a Abad mede e leva em conta para considerar a Fasouto o maior atacadista de Sergipe?
JCFS - 
Anualmente a Abad coleta, com apoio da Nilsen, entre as mais de duas mil empresas atacadistas, informações relevantes do setor para consolidar e publicação do ranking. Após consolidado o ranking, é identificada qual a empresa com sede no Estado tem o maior faturamento. O de maior por Estado foi um critério criado para fomentar o desenvolvimento e ressaltar o trabalho de empresas locais que pelo tamanho do mercado que atendem nunca teriam um destaque se o ranking fosse somente o nacional. Além desse critério, existem vários outros que tornam o Ranking Abad Nilsen na principal ferramenta de consolidação de dados do setor, sendo muito utilizado pelo mercado em suas análises.

JLPolítica - Qual é o faturamento do seu grupo anualmente?
JCFS -
Esperamos atingir agora em 2020 um faturamento em torno de R$ 250 milhões.  

JLPolítica - O seu grupo pensa em entrar para alguma atividade de indústria, de transformação, no futuro?
JCFS -
Conseguimos na família fazer uma transição societária onde cada um dos filhos(as) de Raymundo Juliano estão desenvolvendo atividades independentes. Em meu caso, defini atuar no comércio atacadista e varejista, na pecuária de corte, silvicultura - cultivo extensivo de eucalipto - e na agricultura irrigada para produção de coco verde.

Juliano, Riane, as três filhas e eles três cortejando: família em paz!

DO PLANEJAMENTO EMPRESARIAL PARA O FUTURO
“Meu desafio pessoal é o de até 2024 completar o ciclo de negócios em Sergipe, que é a minha terra e a minha paixão. Um eventual desafio para estendermos a outros Estados pode ser, talvez, um “sonho das minhas sucessoras”. Se assim for, e as apoiarei”

JLPolítica - Como estão as vendas neste momento de pandemia? Caíram, estancaram ou subiram?
JCFS -
As vendas estão 10% acima do orçado. Temos feito esforço para garantir o suprimento do mercado junto aos fornecedores e aprimorar a logística para evitar o máximo rupturas em nossos clientes. 

JLPolítica - O planejamento empresarial do senhor passa por expandir as atividades da Fasouto para outros Estados do Brasil?
JCFS -
Meu desafio pessoal é o de até 2024 completar o ciclo de negócios em Sergipe, que é a minha terra e a minha paixão. Um eventual desafio para estendermos a outros Estados pode ser, talvez, um “sonho das minhas sucessoras”. Se assim for, e as apoiarei.

JLPolítica - Este momento de consumo on-line ajudou a maturar o projeto de e-commerce que a Fasouto vinha delineando?
JCFS -
Pela lógica do agora chamado novo-normal, estamos correndo para atender também via digital através de parcerias com marketplaces e também de apps próprios. 

Com os amigos do Rotary: onde ele exercita seu lado gregário na convivência com os diferentes que lhe complementam

DA RESPONSABILIDADE SOCIAL DIANTE DO VÍRUS
“Temos 500 colaboradores diretos. Somos o Centro de Distribuição em Socorro e as lojas em Aracaju, Estância, Lagarto e Tobias Barreto. Quando acontece (contaminação de colaborador), damos total apoio para a devida recuperação. Além disso, promovemos divulgação educativa sobre a Covid em nossas redes sociais e desenvolvemos companhas junto aos varejistas nossos clientes”

JLPolítica - Quantos empregos diretos o Grupo Fasouto gera em Sergipe e quantas lojas são?  
JCFS - 
Nós temos atualmente 500 colaboradores diretos. Somos o Centro de Distribuição em Socorro e as lojas em Aracaju, Estância, Lagarto e Tobias Barreto.   

JLPolítica - Quais foram os protocolos diferenciados adotados pela sua rede de lojas do sentido de proteger colaboradores e clientes?
JCFS -
Para além desse momento pandêmico, nós sempre tivemos a segurança de clientes e de colaboradores como prioridade absoluta. Neste momento, intensificamos o distanciamento social, a higienização, o uso de máscara e a testagem imediata de casos suspeitos entre os funcionários - isso perpassa todos os protocolos de segurança adotados pelos Governos locais e pelo Ministério da Saúde e, graças a Deus, temos tido um baixíssimo número de afastamento de colaboradores em decorrência da Covid-19.

JLPolítica – E quando isso acontece, qual é a atitude do grupo?
JCFS -
Quando acontece, damos total apoio para a devida recuperação. Além disso, promovemos divulgação de mensagens educativas sobre a Covid em nossas redes sociais e desenvolvemos companhas junto aos varejistas nossos clientes, para que estes também atuem com protocolos de segurança junto aos consumidores deles que, ao final, são nossos clientes também.

Com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem Juliano Cesar considera um modelo de homem público

CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO E O INSTANTE DE PANDEMIA
“Não fica dúvida de que fizemos (a inauguração) num instante de incertezas. Mas, com fé em Deus, com o apoio da nossa equipe de colaboradores, conseguimos vencer esse desafio. O foco dele é o de maximizar os investimentos e a redução de custos. Tem estrutura moderna de centro distribuição de mercadoria seca e refrigerada aliado ao atacado autosserviço”

JLPolítica - Qual foi o impacto para o seu planejamento de ter inaugurado o Centro de Distribuição de Nossa Senhora do Socorro em um momento de pandemia? 
JCFS -
Não fica dúvida de que fizemos num instante de incertezas. Mas, com fé em Deus, com o apoio da nossa equipe de aguerridos colaboradores, conseguimos vencer esse desafio. No último mês de março, quando a pandemia dava as caras no Brasil e em Sergipe, iniciamos a operação logística do Centro. Em abril, no atacado autosserviço e está dando tudo certo. Mesmo sem a devida divulgação, já batemos a meta estabelecida e vamos continuar avançando.

JLPolítica - Qual é perfil deste empreendimento de Nossa Senhora do Socorro? Ele é só Centro de Distribuição ou é também de vendas?
JCFS -
O foco dele é o de maximizar os investimentos e a redução de custos. A operação de Nossa Senhora do Socorro tem estrutura moderna de centro distribuição de mercadoria seca e refrigerada aliado ao atacado autosserviço. Logo, é também venda.

JLPolítica - Qual foi o investimento nele? 
JCFS -
Nós fizemos ali investimentos da ordem de R$ 25 milhões.

Juliano Cesar e as suas três Marias, a quem ele chama de três tesouros e para as quais se programa para entregar o futuro do Grupo Fasouto

DO SIGNIFICADO DA ATIVIDADE ATACADISTA
“É fundamental para garantir o abastecimento de todos os municípios, povoados e especialmente as classes econômicas menos favorecidas. Nisso nos iniciamos em 2013 com uma pequena loja de 500 metros quadrados em Estância, estamos e estaremos sempre na luta” 

JLPolítica - A atividade atacadista tem que significação no contexto do comércio de Sergipe?
Juliano Cesar Faria Souto -
Tem um significado fundamental para garantir o abastecimento de todos os municípios, povoados e especialmente as classes econômicas menos favorecidas. Com esta atividade, somos o elo entre a indústria e o consumidor, atuando através das mais variadas modalidades de atendimento – com vendedores internos e externos, televendas, aplicativos e-commerce -, cuidando da venda, da logística, da execução de atividades de marketing e de ações promocionais.

JLPolítica - A Fasouto não estaria, com suas cinco unidades em Sergipe, priorizando a capital, aos sul e centro-sul, e segregando o agreste, o sertão e o baixo são francisco?
JCFS -
Não creio nisso. Nossa ideia com a Fasouto, através da atuação de distribuidor atacado e autosserviço, é a de propiciar um atendimento diferenciado e amplo. Queremos oferecer um pacote de serviços de acordo com as necessidades dos diversos segmentos e portes de empresas dentro de Sergipe. Existe uma expressiva quantidade de empreendedores que necessitam de uma empresa local focada nisto - neste provimento de bons serviços. Foi daí que no impusemos um desafio: levar a todo o território sergipano uma opção moderna de negócio sem perder a característica de atendimento personalizado. 

JLPolítica - Quando começa esta atividade?
JCFS -
Nisso nos iniciamos em 2013 com uma pequena loja de 500 metros quadrados em Estância. Em 2016 já abrimos uma outra loja completa em Lagarto, em 2018 refizemos essa loja de Estância, em 2019 chegamos a Tobias Barreto e agora 2020, a Nossa Senhora do Socorro. Esperamos continuar neste ritmo. Ou seja, criando estruturas que possam atender a todo o Estado Sergipe. Estamos e estaremos sempre na luta. 

Juliano Cesar e Riane Mendonça, quando eram ainda nomorados - ao lado do ainda hoje amigo sincero Jorge Santana, atrás deste impagável bigode

DA POSSIBILIDADE DAS FILHAS SEGUIREM OS PASSOS DO PAI
“Tenho três filhas e, graças a Deus, todas são destaque nas profissões que escolheram, mas entendo que os novos tempos entabulam novos métodos de escolhas profissionais. Atualmente, elas participam das decisões e da avaliação de resultados da empresa”

JLPolítica - Alguma das suas filhas lhe seguirão no mundo dos negócios como o senhor seguiu ao seu pai?
JCFS -
Eu tenho três filhas e, graças a Deus, todas são destaque nas profissões que escolheram, mas entendo que os novos tempos entabulam novos métodos de escolhas profissionais. Atualmente, elas participam das decisões e da avaliação de resultados da empresa. Estamos, passo a passo, formando um corpo gerencial profissionalizado e preparando as sucessoras para liderar o futuro do Grupo Fasouto na atividade atual ou em outras que se mostrarem promissoras e que estejam no raio de ação e de motivação delas.

JPolítica - Qual é a dimensão do comércio atacadista e distribuidor de produtos industrializados no Brasil atualmente?
JCFS -
É grande e significativa. O comércio atacadista representa hoje 58% de todo o varejo no Brasil. Somos mais de duas mil empresas, atendemos a um milhão de estabelecimentos e movimentamos R$ 274 bilhões por ano.

JLPolítica - Esta é uma atividade com boa empregabilidade?
JCFS -
Sim. Podemos afirmar que empregamos mais de um milhão de pessoas diretamente. Somos intensivos em mão obra, levando além de produtos, uma diversidade de serviços desde logística a merchandising e promoção nos pontos venda. 

Com o padrinho, conselheiro e figura da sua grande admiração e estima: Manoel Prado Vasconcelos, o bom Pradinho, decano do comércio varejista e supermercadista atuante no topo dos seus quase 80 anos