Entrevista

Jozailto Lima

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Katarina Feitoza: “O projeto de Edvaldo Nogueira sendo sucesso, é de Katarina Feitoza e de Aracaju”

30 de janeiro de 2021
“Não sou santa e nem perfeita, mas pauto minha vida dentro de uma verdade”

 

Uma neófita com vontade de aprender e apreender novas verdades e não endossar velhos vícios nem deslustrados perigos que insistem em macular e poluir a vida púbica no campo da política.  

 

Esta é Katarina Feitoza, 47 anos, a segunda figura pública a alcançar o posto de vice-prefeita de Aracaju em 165 anos de existência desta cidade enquanto capital sergipana - a outra foi Eliane Aquino, também sob Edvaldo Nogueira, que dois anos depois foi catapultada a vice-governadora de Sergipe e que, como Katarina, tem um discurso que identicamente desabona vícios.

 

Mas esta Katarina Feitoza é uma figura sem disfarce e nem jogo de cena. “Não sou santa e nem sou perfeita, mas procuro pautar minha vida sempre dentro de uma verdade que eu entenda e que eu não me envergonhe diante das pessoas”, diz ela.

 

Escolhida candidata a vice-prefeita por um pool de partidos e de razões que só eles lá entendem, eleita e empossada, Katarina Feitoza ainda hoje se espanta diante dos sustos que lhe causaram a mudança do seu itinerário de vida.

 

“Minha mãe teve muito medo, ficou muito preocupada. Chegou a chorar e a pedir que eu não fizesse isso, por achar que estaria me expondo muito. Meu marido é um torcedor. Sempre foi aquele incentivador, a pessoa que acreditou em mim e que dizia “vá que você consegue!”, “isso aí não é nada demais”, “você tem forças para isso”. Meu pai é da mesma forma”, relembra ela.

 

De fato, o mundo quente e as vezes trash da política era uma experimentação com a qual aquela delegada da Polícia Judiciária de Sergipe - a antiga Policia Civil - com 20 anos de atividade não estava jamais acostumada.

Uma Katarina Feitoza com gabinete, pose e foto oficial de vice-prefeita
Aqui, com o marido José Osmundo Oliveira Santana e o filho José Vinícius Lima Santana ainda guri. Hoje tem 20 anos e estuda Medicina

Nesta Entrevista, Katarina fala das atribuições que tem recebido na prática enquanto vice, do que pensa dos boatos que dão Edvaldo Nogueira como pré-candidato a governador em 2022, de como reagiria se tivesse de assumir o comando da Prefeitura, da importância da mulher na política, do seu futuro político e, sobretudo, de quem a indicou para a candidatura.

Katarina Feitoza Lima Santana nasceu em 5 de outubro de 1973, em Aracaju. Ela é filha de Claudiomir de Oliveira Lima e de Maria de Fátima Feitoza Lima.

É casada com o empresário José Osmundo Oliveira Santana, com quem é mãe de José Vinícius Lima Santana, de 20 anos - já estudante de Medicina.

Katarina Feitoza estudou nos Colégios Atheneu e Salesiano, foi bancária e se formou em Direito por uma universidade de Sergipe em 1999. Ela é delegada de Polícia Judiciária do Estado de Sergipe desde 2001.

Tem pós-graduação em Gestão Estratégica em Segurança Pública e em Ciências Criminais e ao longo desses 20 anos assumiu diversos cargos de gestão na estrutura da Secretaria de Segurança Pública.

Assumiu as Coordenadorias de Polícia do Interior e da Capital, a Corregedoria da Polícia Civil e foi coordenadora Geral do Subsistema de Inteligência em Segurança Pública. Em 2010, assumiu pela primeira vez o cargo de delegada-geral, ficando até 2014.

“É muito importante que a mulher comece a pensar na política partidária como o que ela é de fato: um meio de transformação social”, recomenda Katarina Feitoza, numa Entrevista que pede para ser lida por ter muito a dizer.

Com os pais Claudiomir de Oliveira Lima e Maria de Fátima Feitoza Lima num evento da SSP
UMA OUTRA VISÃO VINDA DA POLÍTICA
“O que a vida política partidária trouxe para mim foi um passar a ter contato de verdade com as pessoas. Elas puderam me conhecer como Katarina, não como a delegada Katarina. Eu pude ver nos olhos daquelas pessoas toda uma esperança. Passei a ver o município de forma diferente”


JLPolítica - O que a campanha do ano passado lhe ensinou do mundo político e da vida política que a senhora não sabia de perto?

Katarina Feitoza - A campanha me trouxe, especialmente, uma aproximação maior com as pessoas, com a sociedade, com a população. Nos olhos dos eleitores, da comunidade, das crianças, dos idosos e dos mais carentes, a esperança eu pude ver - aquela ansiedade de que fosse haver uma melhora em suas vidas, de que poderíamos levar isso.

 

JLPolítica - A senhora teve condições de ver mais das pessoas.

Katarina Feitoza - Sim. O que a vida política partidária trouxe para mim - porque política a gente vive em todos os momentos da nossa vida, seja na nossa escolha, na nossa casa, no meu trabalho, quando eu estava como delegada de polícia – foi um passar a ter contato de verdade com as pessoas. Elas puderam me conhecer como Katarina, não como a delegada Katarina. Eu pude ver nos olhos daquelas pessoas toda uma esperança. Passei a ver o município de forma diferente. Enquanto cidadã, para citar um exemplo, quando chovia, para mim era apenas mais uma chuva. Hoje, quando chove, eu vejo como se mobiliza toda a máquina municipal para aliviar os problemas que aquela chuva possa trazer para a comunidade, para as pessoas. Eu passei a ter um olhar muito diferente para tudo - para cada rua, para cada buraco que vejo, para cada esgoto aberto, para uma limpeza, para uma faixa que está sendo colocada no lugar errado e, por isso, está poluindo a cidade. Então, passei a ter essa visão mais humana e mais objetiva sobre a cidade.

JLPolítica - Apesar de curta e sob um tempo de pandemia, então a campanha lhe trouxe da vida real de Aracaju mais conhecimento do que a senhora já dispunha?

Katarina Feitoza – Sim. Me trouxe um conhecimento absurdamente valioso! Eu tinha um conhecimento da cidade, mas sob a ótica da violência, da criminalidade, da segurança pública, e ser gestora do município hoje, como vice-prefeita ao lado de Edvaldo Nogueira, eu vejo as coisas de uma forma bem diferenciada, mais ampla, como se eu tivesse com uma lente de aumento. Consigo enxergar melhor toda a problemática da assistência social, da própria Previdência, da iluminação pública. A questão do trânsito. É possível vivenciar e entender os mecanismos que temos nas mãos para melhorar todas essas questões dentro do município. 

A xerife Katarina Feitoza: “Não sou pessoa fria, sou uma pessoa muito calorosa. Muito carinhosa”
DO ESPANTO DE TER ENTRADO NA POLÍTICA
“Todo mundo se espantou, inclusive eu, que não esperava entrar para esse mundo. Não estava nos meus planos. Minha mãe teve muito medo, ficou muito preocupada. Chegou a chorar e a pedir que eu não fizesse isso, por achar que estaria me expondo muito. Meu marido é um torcedor, ele sempre me incentivou muito em todos os desafios da minha vida”


JLPolítica - O seu núcleo familiar próximo - marido, pais, sogros - encarou com naturalidade esta sua opção política ou reagiu?

Katarina Feitoza - Uma parte sim, encarou bem. Outra não. Meu marido é um torcedor, ele sempre me incentivou muito em todos os desafios da minha vida - todas as vezes que fui desafiada a algo, seja no concurso para delegada de polícia, seja assumir meu primeiro cargo dentro da Polícia Civil. Então, ele sempre foi aquele torcedor e aquele incentivador, a pessoa que acreditou em mim e que dizia “vá que você consegue!”, “isso aí não é nada demais”, “você tem forças para isso”. Meu pai é da mesma forma que meu marido. Sempre muito tranquilo, ele sempre confiou muito na minha capacidade.

 

JLPolítica - Mas a senhora considera esta entrada como algo natural?

Katarina Feitoza - Todo mundo se espantou, inclusive eu, que não esperava entrar para esse mundo. Não estava nos meus planos. Minha mãe teve muito medo, ficou muito preocupada. Chegou a chorar e a pedir que eu não fizesse isso, por achar que estaria me expondo muito.

 

JLPolítica - E estava?

Katarina Feitoza - Sim. Eu ouvi uma coisa de um dos candidatos a vereador que dizia assim: “a gente agora empresta o nosso CPF para a sociedade”, e é verdade. Ficamos muito expostos. Eu já era uma pessoa pública e minha vida já era, de uma certa maneira, exposta. Agora é o triplo. No entanto, o fato de eu estar entrando nesse mundo ao lado de Edvaldo Nogueira deixou minha mãe mais tranquila. Ela é funcionária pública do município, professora aposentada e tem uma admiração muito grande pelo gestor municipal, pela pessoa pública que Edvaldo é, isso trouxe uma certa tranquilidade para ela.

Uma dupla em sintonia: ela e Edvaldo Nogueira passando a mão no diploma de prefeito e de vice de Aracaju
DE COMO E POR QUEM FORA ESCOLHIDA PARA VICE
“Dentro do partido os nomes mais fortes eram os de Jorginho Araújo e o meu. Eram os nomes mais cogitados dentro do PSD. Havia outros, mas a coisa foi afunilando e ficou entre Jorginho e eu. O próprio Jorginho entrou nesse consenso e todo mundo entendeu que meu nome seria o melhor. A minha escolha foi de grupo. Houve todo um consenso dentro do PSD”


JLPolítica - A senhora atribui sua escolha para a vaga de candidata a vice-prefeita mais a Belivaldo Chagas, a Jackson Barreto ou à família Mitidieri?

Katarina Feitoza - A nenhum deles. Admiro todos, cada um com seu jeito de ser. Eu trabalhei tanto com Belivaldo Chagas quanto com Jackson Barreto, como delegada-geral e assumindo outros cargos também na polícia, como coordenadora e também como parte também da inteligência na gestão deles. Os admiro como gestores públicos que são - Jackson tem uma história de lutas dentro da política que todos nós conhecemos. Para mim, sempre foi um prazer e uma honra trabalhar e ter ele e Belivaldo como governadores, assim como Marcelo Déda, que foi uma grande inspiração para nós. Tenho uma amizade com Belivaldo pelo fato de serem tantos anos ele como vice-governador, como governador, e eu sempre na polícia civil, assumindo cargos importantes dentro da polícia. Nosso diálogo sempre foi muito franco, aberto e respeitoso. Ele sempre respeitou muito o meu trabalho, sempre me deu muita autonomia para trabalhar, e isso me deu muita tranquilidade para desenvolver o meu trabalho. Já Fábio Mitidieri eu não conhecia profundamente. O conhecia como todos nós, como um jovem vereador, depois um deputado brilhante, que tem ideias muito sensatas. Ele é uma pessoa muito firme, um jovem que tem muito a contribuir para o nosso Estado, que vem contribuindo muito e que fez o nome dele. Ele tem uma família e um nome de peso, mas fez o nome dele enquanto político. Hoje ninguém fala: “é Fábio, o filho de Luiz Mitidieri”. Não. Ele é Fábio Mitidieri. Ele conseguiu se firmar na política e isso é muito admirável, não ficou à sombra do pai dele, que é um grande homem público também.

 

JLPolítica - Mas senhora não atribui a ele a sua escolha?

Katarina Feitoza - Não atribuo a minha escolha, especificamente, a nenhum deles, pois foi uma escolha de grupo. Houve uma escolha dentro do PSD, houve todo um consenso dentro do partido. Existiam alguns nomes, dentro e fora do partido, para entrar nessa campanha junto a Edvaldo, para compor a chapa, mas, em determinado momento houve esse consenso. Dentro do partido os nomes mais fortes eram os de Jorginho Araújo e o meu. Eram os nomes mais cogitados dentro do PSD. Havia outros, mas a coisa foi afunilando e ficou entre Jorginho e eu. O próprio Jorginho entrou nesse consenso e todo mundo entendeu, naquele momento, que meu nome seria o melhor. 

JLPolítica - Qual era a sua vinculação com essas pessoas antes da campanha?

Katarina Feitoza - Era só uma vinculação de trabalho, normal. Eu sou delegada de polícia concursada, iria completar 20 anos agora em 2021, então fiquei quase 20 anos na polícia e passei nesse período mais de dez anos assumindo cargos. Tanto no governo de João Alves, quanto nos de Marcelo Deda, de Jackson Barreto e de Belivaldo Chagas. Dos governos que eu tive a oportunidade de participar, meus cargos sempre foram técnicos e nunca políticos, isso que tem que ficar bem claro. Eu nunca assumi um cargo político. Meu primeiro cargo político é o de vice-prefeita. Meus cargos eram técnicos, tanto é que eles eram restritos a pessoas da categoria. Sempre foi uma relação de muito respeito entre as instituições, a minha e os demais órgãos.

Katarina Feitoza e Edvaldo Nogueira: nenhuma mudança do Edvaldo da campanha para o Edvaldo prefeito
DA ESTRANHEZA NO DEBATE POLÍTICO-ELEITORAL
“Nos debates, o que me estranhou foi a questão de ver como as pessoas têm a capacidade de mentir e de contar meias verdades. De distorcer fatos e de criar factoides para poder alcançar um objetivo. Uma coisa que tenho na vida é vergonha. Todo mundo que tem vergonha, não faz esse tipo de coisa. Tenho vergonha de alguém apontar o dedo para mim e dizer “você é mentirosa””


JLPolítica - O que mais lhe chamou a atenção no campo da estranheza no debate político-eleitoral?

Katarina Feitoza - Quando estamos de fora, vemos e não vemos as coisas, porque não sentimos na pele. É aquela história “só sabe o que é uma dor de dente quem sente”. Nos debates, o que me estranhou foi a questão de ver como as pessoas têm a capacidade de mentir e de contar meias verdades. De distorcer fatos e de criar factoides para poder alcançar um objetivo. Uma coisa que eu tenho na minha vida é vergonha. Todo mundo que tem vergonha, não faz esse tipo de coisa. Eu tenho muita vergonha de alguém um dia apontar o dedo para mim e dizer “você é mentirosa, falou aquilo e é mentira”. Não sou santa e nem sou perfeita, mas procuro pautar minha vida sempre dentro disso, de uma realidade, de uma verdade que eu entenda e que eu não me envergonhe diante das pessoas. Por isso, o que me causou muita estranheza no campo do debate político foram as mentiras contadas e as farpas soltadas sem necessidade.

 

JLPolítica - A senhora não vê elo entre fazer política e jogar sujo?

Katarina Feitoza - Não. Eu acho que posso ser sua adversária, sua concorrente, mas jogando limpo. Eu posso falar dos defeitos de uma administração, dos problemas que vou enfrentar e que vou resolver, das soluções apresentadas, mas sem ódio, sem raiva, sem rancor, sem vitimização. No dia que me virem me vitimizando, pode me colocar numa camisa de força e me levar para uma casa de tratamento psicológico, que eu não estou bem. Eu jamais me vitimizei e nem sou desse tipo. Eu vi muito isso na campanha. Eu vi muitos ataques desnecessários e muito ódio. Na realidade, o grande debate que a população esperava, que era o de ideias e das soluções para a nossa capital, para a nossa cidade, ficou prejudicado por causa disso.

JLPolítica - Como é que tem sido a sua rotina como uma vice-prefeita?

Katarina Feitoza - Nesse início, é uma fase de adaptação a tudo. Vai fazer um mês da posse agora em fevereiro, então ainda estamos em fase de adaptação, de arrumação da casa mesmo, de muitas conversas com o prefeito, para que eu possa conhecer toda a estrutura da máquina. Uma coisa é você conhecer de fora. Lógico que eu estudei, que eu sei como o município funciona – mas isso eu sei na teoria. Na prática é outra coisa, porque você vai vivenciar aqueles problemas. Então eu estou nessa fase de adaptação, de organizar o meu gabinete.

Katarina Feitoza num dos momentos de decisão na esfera da SSP
AGASALHADA POR GABINETE PRÓPRIO E FUNÇÃO
“Tenho um gabinete. Edvaldo me deu toda essa oportunidade de ter uma equipe própria, equipe de comunicação, de segurança, do próprio gabinete técnico, para que possamos desenvolver as funções que me forem delegadas. Estou estudando o terreno, onde me reconheço melhor, para que possa desenvolver melhor o trabalho”


JLPolítica - A senhora terá gabinete próprio de vice-prefeita ou vai ficar boiando na estrutura do Governo Municipal?

Katarina Feitoza - Eu tenho um gabinete. Edvaldo me deu toda essa oportunidade de ter uma equipe própria, ter uma equipe de comunicação, de segurança, do próprio gabinete técnico, para que possamos desenvolver as funções que me forem delegadas. Estou estudando o terreno, onde eu me reconheço melhor, para que eu possa desenvolver melhor o trabalho. 

 

JLPolítica - A senhora sente que há diferença entre o Edvaldo Nogueira da campanha para o Edvaldo Nogueira no comando do Governo na relação institucional com a sua pessoa?

Katarina Feitoza - Engraçado, né não. Eu até achei que fosse ter alguma coisa assim diferente, mas acho que a nossa vivência durante a campanha foi tão intensa que possibilitou que nos conhecêssemos bem. É como diz aquela história, quer conhecer uma pessoa viva ou viaje com ela. E passamos um período de mais de 45 dias juntos, diariamente. As pessoas acham que não, mas ali, em cima daquela caminhonete, durante as carreatas, a gente conversava muito, entre uma coisa e outra. E às vezes as ações falam mais que palavras - e olhe que eu sou uma pessoa que fala até muito, Edvaldo fala menos. Então, eu vi muitas ações de Edvaldo ali em cima, muitos gestos, muitas coisas que foram me mostrando quem era Edvaldo Nogueira de verdade e aquilo ali foi me aproximando mais dele.

 

JLPolítica - E o que de fato ele se mostra?

Katarina Feitoza - Quando a gente assumiu, eu vi nas nossas primeiras conversas o cuidado que ele está tendo comigo aqui, porque ele sabe que eu sou neófita. Que eu estou entrando no mundo da política, todos vocês sabem. E aquele cuidado de vir comigo pessoalmente, mostrar o espaço, se eu estava gostando do espaço, coisas pequenas, vão falando da nossa relação daqui para o futuro. O fato de o prefeito sair do gabinete dele, vir até onde seria o meu gabinete, me mostrar as instalações e perguntar: “Katarina, e aí, você está gostando? Se você não gostar, a gente vê outro espaço. O que você quiser mudar aqui a gente muda. Vai vendo, coloque do seu jeito, pode falar”, diz muito sobre quem é a pessoa . Ele chamou todas as pessoas que estão ligadas a ele e colocou à minha disposição naquele momento, porque até ali eu não tinha uma equipe ainda. Então, se eu posso dizer que houve alguma diferença entre o Edvaldo da campanha e o da gestão é que nossa relação está ainda melhor.

Olha a Katarina Feitoza bebê aí: ela nasceu no dia em 5 de outubro de 1973, em Aracaju
NO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO, A PEDIDO DE EDVALDO
“Quando a gente tomou posse e assumiu, Edvaldo me chamou e disse que queria que eu participasse efetivamente da confecção do Planejamento Estratégico. Foi um pedido dele que eu participasse ativamente até para que eu pudesse conhecer tudo. E, dali, eu fosse vendo quais seriam os projetos e ações com as quais eu mais vou me identificar para que possa tomar a frente”


JLPolítica - Qual é o papel da senhora na formulação do Planejamento Estratégico de Aracaju para os próximos quatro anos?

Katarina Feitoza - Todo o Planejamento Estratégico estará baseado no programa de governo de Edvaldo, ao qual tive acesso desde que foi batido o martelo da decisão de meu nome para vice. Já participei da primeira reunião com todos os secretários e vou participar ativamente dessa formulação do Planejamento Estratégico. Isso me foi passado pelo próprio Edvaldo Nogueira. Foi um pedido dele que eu participasse ativamente até para que eu pudesse conhecer tudo. E, dali, eu fosse vendo quais seriam os projetos e quais seriam as ações com as quais eu mais vou me identificar para que possa tomar a frente. Quando a gente tomou posse e assumiu, Edvaldo me chamou e disse que queria que eu participasse efetivamente da confecção do Planejamento Estratégico.

 

JLPolítica - Opiniões e colaborações suas já teriam sido recepcionadas ano passado pelo programa de Governo do candidato Edvaldo Nogueira?

Katarina Feitoza - Veja: desde a campanha, quando se foi registrar o Programa de Governo, Edvaldo já colocou à minha disposição toda a equipe que estava ajudando na questão do programa. E eu tive acesso a todo o programa e tive toda liberdade de fazer ajustes, dar sugestões e colaborar. E, muitas das minhas colaborações, vamos dizer assim, foram colocadas, foram aproveitadas no programa. Então, desde ali, eu já vi que eu teria voz. Que ele iria me ouvir.

 

JLPolítica - E que voz a senhora terá no Conselho Administrativo da Emsurb?

Katarina Feitoza - Eu sou a presidente natural do Conselho. Na última quinta-feira, 27, tivemos a primeira reunião - uma reunião de apresentação, onde foram colocados estatutos, toda a estrutura. E a minha voz é a mesma que eu tenho em todos os locais. É de consenso. De organização, de continuidade, porque o Conselho já existe, então é uma continuidade.

Katarina Feitoza, em dia de Primeira Comunhão, batendo continência para as coisas de Deus
HÁ UM PLANO DE NOVAS DISPUTAS ELEITORAIS?
“Meu trabalho agora é esse atuar por Aracaju. Os meus planos se reduzem a isso nesses próximos quatro anos. O futuro a Deus pertence. Nunca imaginei na minha vida que estaria um dia como vice-prefeita do município em que nasci. Nunca trabalhei para tanto, e aconteceu. Então não tenho como dizer isso agora”


JLPolítica - A senhora acha que essa sua experiência político-eleitoral para por aqui, ou pode ter desdobramentos futuros?

Katarina Feitoza - O futuro a Deus pertence. Eu nunca imaginei na minha vida que estaria um dia como vice-prefeita do município em que nasci. Como eu iria imaginar isso? Eu nunca trabalhei para tanto. Eu nunca fiz planos para isso, e aconteceu. Então não tenho como dizer isso agora, porque realmente meus planos para os próximos quatro anos são trabalhar para que esse projeto, para que tudo que foi dito na campanha, se concretize. Para que esse projeto de Edvaldo Nogueira seja um sucesso. E o projeto de Edvaldo Nogueira sendo um sucesso, o sucesso é de Katarina Feitoza. O sucesso é de Aracaju. O meu trabalho agora é esse atuar por Aracaju. Os meus planos se reduzem a isso nesses próximos quatro anos.

 

JLPolítica - O que a senhora acha desse debate sobre uma eventual candidatura de Edvaldo Nogueira ao Governo de Sergipe em 2022?

Katarina Feitoza - Eu sou uma pessoa muito direta, e acho tudo muito precipitado. E só quem pode responder sobre isso é o próprio Edvaldo. Mas, o que ele tem dito publicamente é que não tem interesse nenhum em ser candidato ao Governo do Estado. Estou repetindo isso porque é o que ele tem dito publicamente. Eu, particularmente, acho que Edvaldo está muito preocupado e muito focado em fazer Aracaju ainda melhor. O tempo todo ele diz e ele demonstra isso - e não é só o que ele fala com palavras, é com ações. A eleição terminou no domingo e, salvo engano, na terça-feira ele já estava assinando ordens de serviços. Então, é tudo muito precipitado. E nós não podemos viver no amanhã, esquecendo o presente - e é isso que Edvaldo não tem feito. Ele não está pensando em 2022. Ele está pensando no agora, vivendo o presente e trabalhando em ações concretas para Aracaju. E a população está vendo isso.

 

JLPolítica - A senhora tremeria nas bases pessoais diante de uma possibilidade real de assumir a gestão de Aracaju numa situação de eventual candidatura de Edvaldo ao Governo?

Katarina Feitoza – Não. A partir do momento que eu assumi, que eu me coloquei, que eu me dispus a assumir o desafio de ser candidata a vice-prefeita e hoje tomei posse como vice-prefeita, sabia e já tinha consciência de que a qualquer momento, sob qualquer circunstância, isso poderia acontecer. Porque a função do vice-prefeito é assumir o local do prefeito, em caso de afastamento, de impossibilidades, de problemas de saúde. Em qualquer tipo de afastamento. Então, não tremeria nas bases. Eu sou uma pessoa muito consciente de que tenho que aprender, que estou aprendendo, que estou correndo atrás. Desde que eu resolvi assumir esse desafio que eu venho correndo atrás para aprender a gestão pública municipal, para ver como é que tudo funciona, e tenho aprendido muito com Edvaldo. Não tem porque tremer nas bases, já que eu vou estar cercada de uma equipe colaborativa e de pessoas que sabem o que estão fazendo. Vou liderar essa equipe, se for necessário, com muita tranquilidade. Se for necessário. Mas eu espero que não seja.

Katarina Feitoza num daqueles dias de fama como delegada da Polícia Judiciária de Sergipe
“NÃO SOU UMA PESSOA FRIA, SOU MUITO CALOROSA”
“Quando comecei na campanha as pessoas diziam: “Katarina, você tem que mostrar mais quem você é, você não precisa ser fria”. E eu não sou pessoa fria, sou uma pessoa muito calorosa. Muito carinhosa. Mas dentro da minha profissão como delegada de polícia tinha determinados momentos que não podia mostrar emoção. Tinha que mostrar frieza. Ser imparcial”


JLPolítica - A senhora sente falta das suas rotinas na Secretaria de Segurança Pública?

Katarina Feitoza - Ainda sinto, porque é difícil você viver 20 anos com aquela rotina e, de repente, não tê-la mais. Eu ainda estou me adaptando a esse mundo novo como um todo, mas como eu lidava também com muitas pessoas e como minha rotina também era lidar com gente, era ouvir problemas, era tentar resolver problemas, só que em outro âmbito, acaba que aqui mata um pouquinho da minha saudade.

 

JLPolítica - Onde as atribuições e funções de uma vice-prefeita se cruzam com as de uma delegada, uma gestora de segurança pública, e no que se separam?

Katarina Feitoza - O que tem de comum, por exemplo, é o fato de resolver problemas. As pessoas dizem: “Katarina é uma resolvedora de problemas”. Eu, como gestora, na minha pasta da segurança pública minha vida era resolver problemas, porque ninguém entra em uma delegacia se não tiver um problema. Então, essa questão da política interna já existia muito forte dentro de mim, porque você tem que ter jeito para resolver as coisas. Eu aprendi com um amigo meu, delegado de polícia, Jocélio Franca Froes, que diz bem assim: “Katarina, sempre lembre disso: quando você puder, procure a chave para abrir a porta, não arrebente a porta não”. Porque às vezes, naquele ímpeto, a gente quer fazer de qualquer jeito, quer arrebentar a porta, mas perca um pouco de tempo procurando a chave para abrir a porta. Então eu acho que nisso os caminhos da gestora pública municipal e da gestora da segurança pública se cruzam. A gente sempre procura os caminhos melhores. Pacíficos. Os melhores caminhos diplomáticos para abrirmos a porta, que é a chave. Se precisar, a gente arrebenta, porque não tem jeito, mas primeiro você procura todos os caminhos diplomáticos possíveis para resolver aquela contenda. E acho que se separam na questão pessoal. Quando eu comecei na campanha, as pessoas diziam assim: “Katarina, você tem que mostrar mais quem você é, você não precisa ser fria”. E eu não sou uma pessoa fria, sou uma pessoa muito calorosa. Uma pessoa muito carinhosa. Mas dentro da minha profissão como delegada de polícia, tinha determinados momentos que eu não podia mostrar emoção. Que eu tinha que mostrar frieza, que eu tinha que ser imparcial. Eu estava como gestora, no mais alto grau da polícia civil, eu representava toda polícia civil ali, então, muitas opiniões não podiam ser minhas, tinham que ser opiniões gerais. asOpiniões institucionais.

 

JLPolítica - E hoje?

Katarina Feitoza - Hoje não. Como política, muda o discurso. Eu tenho que ser calorosa, eu tenho que mostrar realmente o que eu sou e a sensibilidade que eu tenho diante dos problemas. Na política você não pode ficar em cima do muro. Você tem que ter um lado. Você tem que ter uma opinião firme. É aí onde eu acho que os nossos caminhos se separam. Justamente na questão de emoção, de mostrar emoção, de se doar mais, doar mais você para os outros e se mostrar mais.

Katarina diz ter visto melhor a cidade de Aracaju pelos olhos do povo durante a campanha
UMA REPRESENTANTE DE GÊNERO, SIM
“Acredito que o fato de ser mulher influenciou, mas não sei se foi o ponto crucial, já que tivemos outras candidatas, inclusive a mandatos majoritários, que não se elegeram. Quem ganhou foi um candidato homem. Mas penso que a questão do gênero foi importante para a decisão interna do partido, porque ter uma chapa composta por um homem e por uma mulher diferencia”


JLPolítica - A senhora fatura para o terreno da representação de gênero essas suas chegada e estada no posto de vice-prefeita de Aracaju?

Katarina Feitoza - Eu acredito que o fato de ser mulher influenciou, mas não sei se foi o ponto crucial, já que tivemos outras candidatas, inclusive a mandatos majoritários, que não se elegeram. Quem ganhou foi um candidato homem. Mas penso que a questão do gênero foi importante para a decisão interna do partido, porque ter uma chapa composta por um homem e por uma mulher diferencia, mostra um equilíbrio, e também demonstra a relevância que a chapa deu à ocupação de espaços pela mulher. A importância que ela tem na política. Então, creio que isso foi fundamental na decisão interna.

 

JLPolítica - A senhora se dá por satisfeita com o grau de participação de mulheres na esfera da política partidária?

Katarina Feitoza - Não. Ainda é muito pequena. Fiquei muito feliz em ver que houve um aumento em Aracaju, especialmente porque a gente só tinha uma vereadora e hoje temos quatro mulheres no Legislativo municipal: Emília, Linda, Professora Ângela e Sheyla Galba. Aumentou muito, mas poderia ser mais.

 

JLPolítica - A culpa maior estaria nos homens ou nas próprias mulheres pelo pouco espaço ocupado por elas na política?

Katarina Feitoza - A entrada da mulher na política é muito difícil. Nós temos desafios muito maiores do que os dos homens para ingressar nesse meio. Nós temos que deixar nossa casa, nossos filhos. E o caminho da política por si só já é árduo. Eu vi o quanto é difícil, o quanto a gente precisa se doar. É como se eu tivesse agora duas famílias: a minha e a grande família de Aracaju. Mas, apesar de difícil, é necessário. É necessário que a gente sacrifique para entrar cada vez mais na política, porque a política precisa de nós, desse equilíbrio e desse olhar sensível. É preciso haver equilíbrio entre o pensamento feminino e o masculino, para que as coisas se ajustam e cresçam de uma maneira melhor. Mas não vejo culpa nem nos homens nem nas mulheres. É de um sistema que já vem se perpetuando há séculos. Um sistema que é bruto com as mulheres não apenas na política, mas em todos os aspectos. A gente vê em repartições públicas e em empresas privadas, por exemplo, como o número de mulheres em cargos de chefia ainda é pequeno. Porque quando se pensa em colocar uma mulher numa posição dessas, logo se pensa no filho, já que quando um filho adoece é ela que precisa se ausentar do trabalho e não o pai. Então, os homens não impedem as mulheres de ingressarem na política, mas são tantas dificuldades, tantas barreiras que a gente as vezes nem para pra pensar nessa possibilidade. Mas é muito importante que a mulher comece a pensar na política partidária como o que ela é de fato: um meio de transformação social. Inclusive, pelos nossos filhos, porque é através da política que podemos criar uma sociedade mais justa e mais igualitária para eles. Então não existe culpa de um ou de outro. Existe um sistema que precisa ser combatido e enfrentado.

 

JLPolítica - Se a senhora tivesse a prerrogativa de escolher uma área da vida de Aracaju para, enquanto vice-prefeita, inferir sobre com liberdade de ação e orçamento, qual seria?

Katarina Feitoza - Eu não gosto muito de fazer suposições. Sou uma pessoa muito prática, apesar de sonhar e planejar o futuro. Sou pragmática. Então, não gosto de ficar supondo, de ficar trabalhando com o “se”. Estou agora no meio da construção de um Planejamento Estratégico, que vai ganhar vida com ações e projetos, fazendo com que a gente alcance as nossas metas. A partir daí é que vou sentar e ver em quais ações me encaixo melhor e o que será possível fazer. Com o aval de Edvaldo, me dedicarei a isso. Mas, em linhas gerais, o que sempre me encantou foi a parte de inclusão e prevenção. Conseguir prevenir a criminalidade com políticas públicas integradas, é possível melhorar todo um sistema, tanto para as crianças quanto os que se sentem excluídos. E tenho muita vontade de atuar nessa área, porque estaremos possibilitando que crianças possam crescer com perspectivas melhores, longe da criminalidade.

 

 

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