Entrevista

Jozailto Lima

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Kitty Lima: “Eu já nasci protetora de animais”

19 de dezembro de 2020
“O abandono é a forma mais cruel de se maltratar animais”
 

Que ninguém pense que Kitty Lima é uma oportunista. Uma histriônica em busca de ser ela mesma o centro das atenções e de fama, proveito, prestígio e poder político a partir da causa animal. Da proteção aos animais que ela converteu em uma sólida bandeira.

Nada disso. Kitty Lima professa afeto genuíno, puro e verdadeiro pelos bichos. Um respeito a cães, gatos, cavalos, burros e outros animais de origem silvestre que caem no invertido afeto e no castigo da humana gente.

Isso em Kitty Lima vem de longe, e só bem depois é que essa bacharela em Direito de apenas 32 anos virou uma vereadora de Aracaju e, posteriormente, uma deputada estadual por Sergipe.

Por Sergipe e pelos bichos - sem esquecer, obviamente, dos humanos que em 2018 lhe socaram 18.008 votos, fazendo dela a 20ª deputada estadual mais votada entre os 24 do Estado.

Dois anos antes, em 2016, ela foi a terceira mais votada vereadora de Aracaju, com 4.925 votos - ambas as vezes pelo Rede. Hoje Kitty é filiada ao Cidadania.

Kitty Lima: mandatos de vereadora e de deputada, que os quer a serviço de bichos e gente
Cavalo de Lata: uma luta de Kitty para abolir a tração animal nas atividades de Aracaju

Aí está incluída a própria mãe, dona Antonina Lima, que um dia manifestou impaciência com a ação da filha criança e adolescente de arrebanhar animais abandonados na rua e levá-los para a casa da família, para tratar e depois buscar quem os adotasse - mesmo modelo praticado hoje pela ONG Anjos.

Kitty Lima cresceu na idade e nas boas convicções em favor dos animais. Se fez uma espécie de Sã Francisca muito convencida do que quer, do que pensa e do a que se propõe a fazer nessa esfera. “O abandono é a forma mais cruel de se maltratar animais. Abandonar animais é crime”, diz ela.

“A Lei do Dezembro Verde serve para que a população se conscientize a respeito do abandono animal. Esse mês de dezembro é emblemático por se tratar do mês em que o abandono de animais mais cresce, por causa das férias”, avisa a deputada da bicharada.

Mas Kitty chama a atenção para o perigo de se rotular seu mandato apenas como um defensor da causa animal que, para ela, é algo nobríssimo. Mas não acha justo que seja visto como somente isso.

“Fui eleita sob a bandeira da causa animal e todos os meus eleitores sabem disso, mas me baseio pela defesa dos direitos das pessoas e dos animais - e é assim que tenho conduzido meu mandato, até aqui tem dado certo e percebo que há o reconhecimento desse trabalho”, diz ela.

 

Desde criança, Kitty arrebanha animais da rua para a casa da família, cuida e busca adoção

Com o nomão de Priscilla Lima da Costa Pinto, Kitty nasceu no dia 26 de setembro de 1988 na cidade de Aracaju. Ela é filha de Lucilo da Costa Pinto Neto e Antonina Oliveira de Lima.

Solteira, é mãe de Emanuel Lima Matias, de cinco anos. Tem formação acadêmica em Direito por uma universidade sergipana, mas não fez carreira nesta área.

Kitty Lima vê um link direto e estreito entre as pessoas que maltratam animais e as que praticam violências com outros seres humanos, incluindo parentes idosos.

“Para mim, uma pessoa que agride animais, agride um filho, um companheiro ou companheira. Agride qualquer pessoa que a desagrade. É uma pessoa covarde, cruel, que precisa ser denunciada”, diz. A Entrevista com Kitty Lima vale muito bem a leitura.

 

Cães e gatos são os maiores atendidos da ONG Anjos liderada pela deputada
DA ARTE DE PROTEGER OS ANIMAIS
“É uma missão de vida, e desde criança eu sabia disso. Quando tinha uns seis anos de idade, chorei ao entender que a carne em meu prato era de um animal morto, e nunca mais quis comer nenhum animal. Fazem mais de 25 anos que sou vegetariana e que pego animais na rua pra cuidar”


JLPolítica - Quando nasce na senhora essa dedicação extrema e quase que exclusiva aos animais?

Kitty Lima - Eu já nasci protetora de animais. É uma missão de vida, e desde criança eu sabia disso. Quando tinha uns seis anos de idade, chorei ao entender que a carne em meu prato era de um animal morto, e nunca mais quis comer nenhum animal. Fazem mais de 25 anos que sou vegetariana e que pego animais na rua pra cuidar.

JLPolítica - Pelo que se sabe, essa sua tendência não é herdada e nem estimulada pela família. Foi difícil levá-la à frente?

Kitty Lima - Sim. O fato de não comer carne já era tido como loucura na família. O fato de abdicar de estudo, lazer e família para resgatar animais, também era muito criticado, tanto que em uma das discussões, minha mãe chegou a sair de casa, alegando que “a casa dela não era ONG”. Foi um período bem difícil, de pouca ajuda e ficava a maioria das vezes sozinha nos cuidados com os animais resgatados. Já hoje até minha mãe resolveu cuidar de animais de rua. Então, tudo em paz.

JLPolítica - Ressalvando os maus-tratos de que se tem conhecimento, qual é o real papel dos bichos na vida afetiva das pessoas?

Kitty Lima - Os animais diariamente salvam vidas e nos ensinam muito sobre amor, fidelidade, amizade. Principalmente agora, com tudo que passamos com essa pandemia, eles ajudam a preencher lacunas que a própria sociedade cria. Os animais trazem um benefício enorme para a saúde mental, emocional e físico das pessoas. São, sim, membros da família.

JLPolítica - A senhora tem uma explicação razoável para o fato de as pessoas os abandonarem ou maltratarem?

Kitty Lima - Muitos alegam ser motivo mudança de casa (dizem ser menor), gravidez, ninhadas indesejadas, etc., mas motivos inaceitáveis. Primeiro, vale destacar que o abandono é um dos crimes mais cruéis. A pessoa opta por adotar ou comprar o pet, ele se apega, acostuma com um cantinho, a comida boa, o carinho, e no primeiro obstáculo, geralmente quando fica adulto, é jogado nas ruas?
 

Para Kitty, o abandono é a maior violência que se possa praticar contra animais
DO LINK ENTRE AGRESSOR DE BICHOS E DE GENTE
“Para mim, uma pessoa que agride animais, agride um filho, um companheiro ou companheira. Agride qualquer pessoa que a desagrade. É uma pessoa covarde, cruel, que precisa ser denunciada. O que citei é provado na teoria do link, muito utilizada em investigações, onde deixa claro a ligação entre a violência com animais e entre pessoas”


JLPolítica - Qual é o conceito pessoal que a senhora tem de uma pessoa que agride animais?

Kitty Lima - Para mim, uma pessoa que agride animais, agride um filho, um companheiro ou companheira. Agride qualquer pessoa que a desagrade. É uma pessoa covarde, cruel, que precisa ser denunciada. Inclusive, o que citei é provado na teoria do link, muito utilizada em investigações, onde deixa claro a ligação entre a violência com animais e entre pessoas. Um caso sergipano chamou a atenção, que foi o da agressão a cadela Lucy. Seu agressor foi preso e descobrimos que ele frequentemente agredia o próprio pai idoso.

JLPolítica - De onde vêm os recursos para a senhora manter a ONG Anjos?

Kitty Lima - Não só a Anjos, como todas as ONGs dependem de doação de pessoas da sociedade sensíveis à causa animal. 

JLPolítica - São muitos os pedidos diários de socorro feitos a Anjos em favor de animais?

Kitty Lima - São muitos pedidos e de todo o Estado. Não só para a Anjos, mas para outras ONGs e protetores independentes de animais. Por não ter estrutura por parte das gestões nos municípios sergipanos, todos recorrem ao trabalho das ONGs que, poucos sabem, mas é um trabalho voluntário, feito por amor e pela falta de ação pública. Precisa ser deixado claro que não se pode transformar abrigo em depósitos de animais. Não adianta exigir de uma ONG que resgate um determinado animal se o ambiente já estiver lotado. Todos precisam fazer sua parte para ajudar nesse trabalho que, repito, é voluntário.

JLPolítica - Pressupõe-se que a maioria dos animais das demandas da ONG Anjos seja composta por gatos e cães. Isso está correto e por que seria assim?

Kitty Lima - Existe uma demanda maior para cães e gatos, sim, e principalmente para gatos. Hoje temos uma problemática enorme no Estado, que são as colônias felinas - quando os gatos se agrupam. Então quando chegam pedidos para resgates de felinos, geralmente são em grande quantidade e num mesmo local. Então focamos em castrar os animais, porque somente assim teremos um controle de doenças e populacional de animais, diminuindo essa demanda.
 

Entre os animais agredidos, estão muitos equinos e muares, abusados pelo trabalho
VOLUNTARIADO E RESPEITO AOS ANIMAIS
“O trabalho das ONGs que, poucos sabem, é voluntário, e feito por amor e pela falta de ação pública. Precisa ser deixado claro que não se pode transformar abrigo em depósitos de animais. Não adianta exigir de uma ONG que resgate um determinado animal se o ambiente já estiver lotado”


JLPolítica - O que a sua entidade faz com os animais resgatados?

Kitty Lima - A nossa prioridade é pelo resgate de animais doentes, então ao fazê-lo ele passa por veterinário e inicia-se o tratamento corretamente. Terminando, segue para castração, se já tiver idade para fazer, finalizando com a adoção.

JLPolítica - Há algum tipo de demanda envolvendo equinos, muares e bovinos?

Kitty Lima - Há e muitas. Infelizmente, em sua maioria esses animais já estão graves, muitos agonizando. São animais descartados depois de tanta exploração.

JLPolítica - O que a senhora espera de melhoria neste relacionamento entre as pessoas e a Delegacia Estadual de Proteção dos Animais?

Kitty Lima - Com a Delegacia, as pessoas vão poder ter um local de referência no combate aos maus-tratos. Vai ser um espaço com atendimento especializado e dedicado a resolução desse tipo de crime. Hoje o que existe é impunidade, e é o sentimento de impunidade que encoraja as pessoas a cometerem esse tipo de ato.

JLPolítica - Como está a luta da senhora pela adoção ou implantação dos Castra Móveis?

Kitty Lima - Estamos avançando. A pandemia nos fez esperar para que a gente tivesse esse serviço já em funcionamento, algumas emendas foram remanejadas para o combate à pandemia. Mas estamos acompanhando a processo de aquisição dos veículos por parte dos municípios de Umbaúba e Itabaianinha e já correndo atrás do compromisso da bancada de Sergipe para mais veículos.
 

Kitty se queixa de que na Alese há um ambiente machista e de fraca percepção da questão animal
A DELEGACIA DE PROTEÇÃO AOS ANIMAIS E A ESPERANÇA
“Com a Delegacia, as pessoas vão poder ter um local de referência no combate aos maus-tratos. Vai ser um espaço com atendimento especializado e dedicado a resolução desse tipo de crime. Hoje o que existe é impunidade, e é o sentimento de impunidade que encoraja as pessoas a cometerem esse tipo de ato”


JLPolítica - Castrar bichos não é uma atitude de maus-tratos?

Kitty Lima - Não. A castração não só previne a gravidez, como também protege o animal, melhora o comportamento dele, evita gravidez psicológica, diminui risco de fugas, previne brigas, evita propagação de doenças graves e, pra fechar com chave de ouro, aumenta expectativa de vida.

JLPolítica - Até que ponto lhe incomoda o aprisionamento e o tráfico dos animais silvestres em Sergipe?

Kitty Lima - O tráfico de animal é um grande problema. Esse tipo de tráfico é uma das cinco maiores modalidades de crime internacional e o Brasil é o principal ponto de partida. Meu mandato tem denunciado esse tipo de crime. Sempre acompanhamos as ações da Adema que tem feito um trabalho importante e que merece ter reconhecido o seu esforço.

JLPolítica - A senhora encara com normalidade o mercado PET, que faz dos animais uma mercadora valiosa?

Kitty Lima - O mercado PET precisa se adequar às questões relacionadas às garantias de bem-estar e reconhecer que animal não é mercadoria. Animal é vida e tem sua sensibilidade. Trabalho para que as pessoas entendam que animal não se compra. Animal se adota, se acolhe e se cuida.

JLPolítica - Apesar de tudo, a senhora não admite uma grandiosa evolução no trato com os animais domésticos na comparação com as três ou quatro últimas décadas

Kitty Lima - Admito. Evoluímos. Mas teremos ainda um grande caminho a percorrer.
 

Em 2016, ela foi eleita vereadora de Aracaju com a terceira maior votação
CASTRAÇÃO NÃO É AÇÃO DE MAUS-TRATOS
“A castração não só previne a gravidez, como também protege o animal, melhora o comportamento dele, evita gravidez psicológica, diminui risco de fugas, previne brigas, evita propagação de doenças graves e, pra fechar com chave de ouro, aumenta expectativa de vida”


JLPolítica - Há entidades nessa mesma área da senhora que abusam da questão animal?

Kitty Lima - Em nosso Estado nunca existiu uma denúncia comprovada de ONGs que usaram a causa animal para se beneficiar de alguma forma, algo que se enquadre como crime ou infração. Porém, infelizmente, assim como em qualquer causa, na nossa também existem pessoas que querem se aproveitar dela para alcançar um objetivo pessoal. Sempre peço que a população acompanhe o trabalho da pessoa, some força, conheça a realidade de perto, porque são essas pessoas que fazem um trabalho que os governos deveriam fazer.

JLPolítica - A senhora teria estimativa aproximada de quantos animais de estimação devam existir num Estado de 2,3 milhões de habitantes como Sergipe?

Kitty Lima - Não há estimativas, pois não há um censo que leve em conta os animais abandonados. No geral, estima-se que no Brasil haja cerca de 30 milhões de animais abandonados.

JLPolítica - A senhora tem projeto para transformar o zoológico em Centro de Triagem de Animais Silvestres – Cetas. Em que pé está isso?

Kitty Lima - Essa transformação é uma luta que encampamos desde o primeiro dia do mandato. Conversamos com todos os atores envolvidos - Celse, Governo do Estado e seus órgãos. Consegui o compromisso de que houvesse a transformação e a informação que temos é a de que o projeto da reforma e dessa transformação está em elaboração pela Cehop. Estamos agora em uma outra luta, que é a transferência dos animais que não fazem parte do habitat da mata atlântica para santuários que garantam seu bem-estar.

JLPolítica - Suas propostas de lei enquanto parlamentar ficam só na esfera animal ou perpassam para o universo humano?

Kitty Lima - Perpassam. Tenho propostas de leis nas mais variadas frentes de atuação. É importante esclarecer que apesar da causa animal ser a minha bandeira de vida, tenho responsabilidade com meu Estado e com o nosso povo. Meu mandato está para defender a população de Sergipe. Acredito que isso esteja provado na minha atuação.
 

Em 2018, chegou à Alese à bordo de 18.008 votos
MAS NÃO HÁ ONGS ABUSIVAS NESSA ÁREA?
“Em nosso Estado nunca existiu uma denúncia comprovada de ONGs que usaram a causa animal para se beneficiar de alguma forma, algo que se enquadre como crime ou infração. Porém, infelizmente, na nossa causa também existem pessoas que querem se aproveitar dela para alcançar um objetivo pessoal”


JLPolítica - Qual é a análise que a senhora faz destes dois anos do seu mandato de deputada estadual?

Kitty Lima - Eu diria que foram muito positivos. Hoje nós temos mobilização a favor das políticas públicas para os animais em municípios de todas as regiões do Estado. Nós conseguimos iniciar no acesso a recursos para essas políticas públicas. Projetos importantes como a educação para proteção aos animais, Cavalo de Lata e a massificação de uma política de castração são coisas que estão saindo do papel. Temos um dos mandatos mais produtivos e ativos da Alese, e me orgulho muito.

JLPolítica - Há muitas propostas de lei de sua autoria encalhadas nestes dois anos de Alese?

Kitty Lima - Há uma lentidão na tramitação dos projetos. Também há uma divergência sobre aquilo que é ou não inconstitucional. Isso impede que as matérias avancem e sejam aprovadas. Me incomoda uma Casa Legislativa que prefere engavetar projetos do que ir ao debate.

JLPolítica - A senhora não sente, por vezes, que há ali na Alese um sentimento machista e utilitarista da política que lhe folcloriza pela importância dada pela senhora à questão animal?

Kitty Lima - O machismo está enraizado na sociedade e na Alese, mas seguirei firme, combatendo isso. Quanto à questão do folclore com minha luta pelos animais, tem muito a ver com a falta de informação. Tem muita gente precisando se informar e esperamos que todos possam evoluir.

JLPolítica - E na Câmara, ficou algo de positivo da sua passagem por dois anos?

Kitty Lima - Temos um legado de aprovação de projetos importantes ali, como o da castração em Aracaju e projeto de lei da conscientização sobre a questão da violência obstétrica. Além da nossa luta em defesa daquilo que é certo e o que é bom para o aracajuano.
 

Onde houver bicho sob maus-tratos, haverá sempre Kitty por perto: ela acolhe e busca adoção
UM MANDATO QUE PENSA EM BICHO E EM GENTE
“É importante esclarecer que apesar da causa animal ser a minha bandeira de vida, tenho responsabilidade com meu Estado e com o nosso povo. Tenho propostas de leis nas mais variadas frentes de atuação. Meu mandato está para defender a população de Sergipe. Acredito que isso esteja provado na minha atuação”


JLPolítica - Com a saída da senhora, a Câmara Municipal de Aracaju perdeu em ação positiva em favor dos animais?

Kitty Lima - Nós expandimos nossa atuação para todo o Estado, não encaro como uma perda. Mas é sempre bom que os municípios possuam parlamentares em suas Câmaras comprometidos com a causa animal.

JLPolítica - O que é o Cavalo de Lata, e a senhora vai conseguir aprová-lo na Alese?

Kitty Lima - O Cavalo de Lata é um veículo que tem como finalidade retirar o cavalo real da condição de animal de tração. São veículos que podem funcionar com propulsão humana adaptada, exigindo menos esforço do condutor ou até por propulsão elétrica. Existem vários modelos que se encaixam para cada necessidade específica.

JLPolítica - Por que não conseguiu aprová-lo na Câmara de Aracaju?

Kitty Lima - Acredito que por uma questão de desinformação. O projeto foi marcado por discussões de temas que não faziam parte do dele e nem eram a sua intenção. Claro que a campanha de desinformação teve motivação política. Era um ano eleitoral.

JLPolítica - As duas principais esferas de Governo de Sergipe, a do Governo do Estado e da Prefeitura de Aracaju, ajudam até que ponto nas duas ações?

Kitty Lima - Nenhum dos dois assume as suas reais responsabilidades.
 

Na ONG Anjos, ela conta com o apoio de 10 voluntários, incluindo a mãe Antonina Lima
DO MACHISMO E DA FOLCLORIZAÇÃO DA SUA CAUSA
“O machismo está enraizado na sociedade e na Alese, mas seguirei firme, combatendo isso. Quanto à questão do folclore com minha luta pelos animais, tem muito a ver com a falta de informação. Tem muita gente precisando se informar e esperamos que todos possam evoluir”


JLPolítica - Como está no interior a contribuição em favor da proteção aos animais? Há um município de Sergipe que seja exemplar nessa causa?

Kitty Lima - Existem municípios que tem uma sensibilidade e uma disposição maiores em resolver os problemas da causa animal. Outros municípios ignoram ou tratam as questões como mera questão política. Itabaiana tem avançado. Campo do Brito e Socorro com o novo Centro de Controle de Zoonoses – CCZ -, e Itabaianinha e Umbaúba com os Castramóveis são municípios que hoje se destacam por dar prioridade também às políticas públicas sobre os animais. Aracaju tem um potencial para fazer um trabalho muito melhor do que faz hoje. Mas a decisão política, me parece, é por não fazer.

JLPolítica - O que predica e pressupõe a Lei do Dezembro Verde?

Kitty Lima - A Lei do Dezembro Verde serve para que a população se conscientize a respeito do abandono animal. O abandono é a forma mais cruel de maltratar animais. Abandonar animais é crime. Esse mês de dezembro é emblemático por se tratar do mês em que o abandono de animais mais cresce, por causa das férias.

JLPolítica - Amar e proteger animais pressupõe e exige uma condição vegetariana ou vegana do amante e protetor?

Kitty Lima - Não é uma condição, mas faz parte de um processo de evolução. Eu deixei de consumir carne desde criança, e nunca senti falta. Sempre fui saudável assim. Culturas mudam através dos tempos - é um processo evolutivo.

JLPolítica - Para além da questão animal, a senhora admite que existe uma violência obstétrica em Sergipe e o que se poderia fazer para atenuar isso?

Kitty Lima - O tema violência obstétrica precisa ser tratado. Muitas mulheres não sabem que sofrem esse tipo violência, pois algumas condutas são naturalizadas e mas essa ação não pode ser naturalizada. Esse projeto de lei vai trazer informação para as gestantes já no pré-natal.
 

Kitty Lima: "Me baseio na defesa das pessoas e dos animais e está dando certo"
DA APLICABILIDADE DO CAVALO DE LATA
“O Cavalo de Lata é um veículo que tem como finalidade retirar o cavalo real da condição de animal de tração. São veículos que podem funcionar com propulsão humana adaptada, exigindo menos esforço do condutor ou até por propulsão elétrica. Existem vários modelos que se encaixam para cada necessidade específica”


JLPolítica - Até que ponto seus 4.925 votos de vereadora em 2016 e os 18.008 de deputada estadual dois anos depois vêm da causa animal

Kitty Lima - Fui eleita sob a bandeira da causa animal e todos os meus eleitores sabem disso, mas não é possível quantificar o que é o voto da causa e o que não é. Minha atuação parlamentar é pelo que é certo. Me baseio pela defesa dos direitos das pessoas e dos animais - e é assim que tenho conduzido meu mandato, até aqui tem dado certo e percebo que há o reconhecimento desse trabalho.

JLPolítica - Pelo lado do seu tataravô Ricardo José da Costa Pinto e do bisavô Lucilo da Costa Pinto, sua família é composta de acadêmicos e intelectuais. A senhora sente que herdou algo deles ou lhes deixa a dever?


Kitty Lima - Não acredito que eu esteja devendo nada a ninguém. Admiro meus antepassados, são pessoas que são um exemplo pra mim e para toda a sociedade.

 

 

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