Luiz Eduardo Costa: “Permanecem em aberto, 63 anos depois, perguntas sobre quem matou Carlos Firpo”

Entrevista

Jozailto Lima

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Luiz Eduardo Costa: “Permanecem em aberto, 63 anos depois, perguntas sobre quem matou Carlos Firpo”

29 de maio de 2021
“Milena morreu em dezembro do ano passado sem dizer nada, pelo menos que eu saiba”

O assassinato a facadas do médico e ex-prefeito de Aracaju, Carlos Firpo, ocorrido em fins de abril de 1958, dentro da própria residência, na rua de Campos, abalou a sociedade aracajuana daquela época e teve repercussão nacional.

Passados 63 anos, o crime segue envolto em mistérios, com depoimentos conseguidos à base de tortura, assassinato de testemunha e trapalhadas jurídicas.

A história, digna de “thriller policial”, é contada pelo jornalista Luiz Eduardo Costa, no livro“A Casa Lilás - Memórias de um Crime”, que já foi para o prelo da Edise e nas próximas semanas estará nas livrarias.

Esse é o primeiro livro de Luiz Eduardo Costa, 80 anos, que, com o olhar aguçado e faro jornalístico incomparável, fez centenas de entrevistas, muitas delas várias vezes com um mesmo personagem, esmiuçou documentos, leu e releu todo o processo, providenciou exames grafotécnicos para verificar se algumas assinaturas eram verdadeiras ou não, dentre outras investigações.

Baependy, da Lloyd brasileira, um dos navios afundados em 1942
Capa do de A Casa Lilás – Memórias de um Crime

Mas antes de o livro chegar às suas mãos, vale a leitura da entrevista que Luiz Eduardo Costa concedeu ao Só Sergipe.

Com a cordial concessão do jornalista Antonio Carlos da Costa Garcia, mantenedor do Portal Só Sergipe, o Portal JLPolítica republica a entrevista com o decano do jornalismo sergipano Luiz Eduardo Costa em virtude de dois aspectos fundamentais.

O primeiro, pelo fato de ter ficado sem a sua tradicional Entrevista Domingueira, uma vez que o seu convidado da semana, que aqui vai sem qualquer adjetivo, bateu fofo e refugou o compromisso em cima da hora, não dando tempo de ser providenciada uma outra.

Segundo, pela extrema importância de que se reveste a entrevista com Luiz Eduardo Costa, com quem o JLPolítica estava em tratativas para também entrevistá-lo.

De modo que valerá muito o tempo dedicado a essa leitura, com o JLPolítica preservando toda a estrutura original dada a ela pelo Só Sergipe, a quem agradece pela cortesia, mudando apenas os títulos para caber no formato particular da Entrevista deste portal – e quem quiser lê-la também no portal original, aqui é o caminho

Médico Carlos Firpo discursa no Hospital dos Pobres, em 1958
UM CRIME DE ABRIL DE 1958
“Esse é um caso que acompanhei desde quando eu tinha 17 anos. O crime aconteceu em abril de 1958, tanto que os supostos assassinos chegaram presos em Aracaju, vindos de Paulo Afonso, na Bahia, no dia 1º de maio”


SÓ SERGIPE - Mas voltando ao livro e ao crime…
Luiz Eduardo Costa - 
Quando ocorreu o crime, a sociedade sergipana se dividiu. Uns aceitando a tese da polícia, de crime passional, e outros não. Eu vivi muito aquilo, os traumas, as ameaças. Quando dona Edna, esposa do tenente Afonso, chegava aqui para defender o marido e Milena Mandarino, acusada de ser amante de Afonso, era um problema. Eu, ainda menino, tive que levá-la várias vezes de carro aos locais que ela desejava com pistoleiros acompanhando a gente e ela ia armada. De modo que o crime teve repercussão nacional, pois jornalistas de fora vieram fazer cobertura. O tenente estava preso na Base Aérea do Recife e era enviado de avião para os depoimentos e se dizia que com a chegada dele haveria trucidamento. Eu me interessei por aquilo. Fiz várias solicitações a amigos meus que foram presidentes do Tribunal de Justiça de Sergipe que procurassem esse processo. Eu tinha alguns papéis, algumas coisas deixadas por meu pai, que faleceu em 1961, pouco tempo depois do crime, e ele escreveu vários artigos sobre o assunto. Aliás, meu pai foi vítima de um erro médico cirúrgico gravíssimo e morreu.

SÓ SERGIPE - E o senhor seguiu interessado no caso da rua de Campos…
Luiz Eduardo Costa -
Eu fiquei com essas coisas do crime na cabeça. Fui demitido dos empregos que tinha em Aracaju e segui para o Rio de Janeiro. Uma vez visitei o já coronel Afonso, no bairro do Rio Cumprido, onde ele morava. Ali, conversamos sobre várias coisas, inclusive sobre o crime do qual ele estava absolvido pelo Supremo Tribunal Federal e foi promovido de tenente-coronel a coronel. Na época do regime militar de 64, ele estava esperando a promoção para brigadeiro que só saiu pós-morte. Com esses elementos sobre o crime em mãos, resolvi fazer umas memórias em 2008, quando o crime completava 50 anos, e fiz uma série de artigos no Jornal do Dia. Como a coisa alcançou uma repercussão muito grande e acirrou a polêmica, Marcos Vieira, filho do falecido senador Heribaldo Dantas Vieira, que naquela época era o secretário do Interior e da Justiça, resolveu me processar e publicou alguns artigos virulentos contra mim. Tive que responder e tudo. Criou-se uma expectativa muito grande e decidi aumentar isso. Pesquisei, busquei novos depoimentos para publicar o livro. E fiquei esperando a decisão da Justiça para que não houvesse perigo de que o atendimento do filho do Heribaldo, o Marcos Vieira, que era proibir o livro, fosse acatado. Foi quando o juiz Aldo Albuquerque, que eu nem conhecia, deu a decisão favorável para a publicação. Resolvi publicar o livro, mas queria ouvir a dona Milena Mandarino. Depois ela desistiu de falar comigo. Olha, antes de publicar os artigos no jornal, eu pedia aos sucessivos presidentes do TJ acesso ao processo, todos procuravam, mas não achavam. Um dia, Cezário Siqueira, que era presidente na época, me telefonou e disse que eu fosse ao TJ naquele momento, pois encontraram o processo. Eu fui, levei o processo para casa, mandei digitalizar, devolvi o original e um digital. E esse acesso foi importante.

SÓ SERGIPE - Em 2008, o senhor escreveu uma série, com 36 textos, contando a história do crime da Rua de Campos, que teve como vítima o médico Carlos Firpo. Agora, tudo isso estará reunido num livro que, inclusive, está no prelo. O que o motivou?
Luiz Eduardo Costa -
Esse é um caso que acompanhei desde quando eu tinha 17 anos. O crime aconteceu em abril de 1958, tanto que os supostos assassinos chegaram presos em Aracaju, vindos de Paulo Afonso, na Bahia, no dia 1º de maio. Meu pai, Paulo Costa, era jornalista e promotor, amigo pessoal do principal envolvido, que era o então tenente da Aeronáutica Afonso Pereira Lima, meio-irmão de um promotor colega do meu pai, que também se chamava Afonso Ferreira. O coronel quando vinha a Aracaju frequentava minha casa e meu pai tinha uma gratidão muito grande por ele. Isso porque meu pai foi preso na ditadura Getúlio Vargas, do Estado Novo, em agosto em 1945, e a censura do Departamento de Imprensa e Propaganda - DIP - de Lourival Fontes era ainda implacável. Meu pai escreveu uns artigos que desagradaram muito o interventor e o prenderam sob alegação de que estava com uma arma no bolso. Embora ele tivesse direito de andar armado, levaram-no para a penitenciária. A repressão achava que as pessoas das quais meu pai, como promotor, havia pedido a condenação, iam matá-lo dentro da penitenciária. Numa dessas ocasiões, quando meu pai havia sido transferido para o Quartel dos Bombeiros, o tenente Afonso foi fardado visitá-lo. Naquela época, Afonso correu um risco tremendo por visitar um preso político. E meu pai ficou com essa gratidão. Ele permaneceu três meses preso e foi libertado por determinação do Supremo Tribunal Federal - STF.  Meu pai também era amigo de Carlos Firpo, participavam juntos do Lions Club.

Milena Mandarino ficou presa dois anos, não foi a julgamento e o STF a libertou
FALSA ASSINATURA NUM DEPOIMENTO DE MILENA
“Entre as diversas assinaturas da dona Milena, nos interrogatórios que ela respondeu, havia uma inquirição que era a principal, feita na casa dela antes de prendê-la, no quarto dela, sem testemunhas, só com o Heribaldo Vieira, e ela assinou. No outro dia, ela disse que não havia falado aquilo e negou, mas ninguém foi conferir a assinatura”


SÓ SERGIPE - O senhor fez novas descobertas ao estudar o processo?
Luiz Euardo Costa -
Sim, fiz uma que é surpreendente. Entre as diversas assinaturas da dona Milena, nos interrogatórios que ela respondeu, havia uma inquirição que era a principal, feita na casa dela antes de prendê-la, no quarto dela, sem testemunhas, só com o Heribaldo Vieira, e ela assinou. No outro dia, ela disse que não havia falado aquilo e negou, mas ninguém foi conferir a assinatura. Eu, por uma questão de sorte, conferi a assinatura dela em outros documentos e era totalmente diferente. Pedi a Newton Porto que fizesse uma perícia e, sem me cobrar nada, atestou que era falsa. Quando o Marcos Vieira entrou com o processo contra mim, acusou-me de súcia, que eu e Newton formávamos uma “súcia repugnante”. Tempos depois, na Loja Maçônica Cotinguiba, eu conversava com o advogado Genaldo Moura do Amaral, e ele pediu para analisar o documento. O laudo confirmava que a assinatura era falsa. Ou seja, era um processo que começou com essas coisas estranhas, porque mataram a principal testemunha, que era o magarefe José Euclides Timóteo de Lima, e tudo correu dessa forma. Com uma assinatura falsa e a principal testemunha morta, o processo teria sido anulado. Então, achei que era um caso que merecia um debate maior, enfim, que é um mistério. Nunca chegaram a uma conclusão.

SÓ SERGIPE - É isso que eu pergunto ao senhor. Quem matou Carlos Firpo e por quê?
Luiz Eduardo Costa - 
As perguntas permanecem em aberto. Quem ler o livro vai encontrar uma carta emocionante de Bento Ferreira Lima, filho do coronel Afonso, na qual ele fala de mistério. Bento era um frade e já faleceu. Ele tinha a convicção de que o pai não participou desse crime.

SÓ SERGIPE - E houve romance entre dona Milena Madarino e o Afonso?
Luiz Eduardo Costa - 
É outro aspecto. Como eu disse, ele era baiano e, ainda menino, veio para Aracaju terminar o curso ginasial e ficou na casa do meio-irmão que também se chamava Afonso. E a mulher deste meio-irmão Afonso era irmã da esposa de Nicola Mandarino, que vem a ser o pai de Milena. Eles foram criados juntos. Ela disse que o tinha como irmão. Depois ele fez Escola Militar, no Realengo, no Rio de Janeiro, e vinha sempre nas férias. Inclusive, quando ele era tenente, veio para o casamento de Milena com Carlos Firpo. Ou seja, vivia dentro da casa. Quando o tenente vinha para Aracaju se hospedava na casa do meio-irmão ou na casa de Carlos Firpo, que morava com o sogro, Nicola, a esposa e mais um bocado de gente. Agora, uma coisa estranha é que durante aquele período não se falava absolutamente nada do romance entre eles. Aracaju tinha 80 mil habitantes, tudo se comentava, principalmente envolvendo figuras exponenciais da sociedade. Milena era muito discreta, só viva em igreja, não se vestia com decote, etc. Ela era uma mulher linda e ela me disse uma vez que eu a achava linda porque não conhecia a irmã dela, Vanda.

SÓ SERGIPE - Mas aí, quando aconteceu o crime surgiu a história de um suposto romance entre Milena e Afonso.
Luiz Eduardo Costa -
Quando houve o crime, as emissoras de rádio diziam que ela era prostituta de luxo, uma coisa terrível. Nunca vi um clima com mais açodamento verbal como aquele, algo terrível mesmo. E não se podia fazer o inquérito, um julgamento com tranquilidade naquele clima.

Multidão acompanha a chegada de Milena Mandarino ao Fórum Fotos: Acervo de Luiz Eduardo Costa
ACHINCALHE CONTRA A VIÚVA MILENA
“Quando houve o crime, as emissoras de rádio diziam que ela era prostituta de luxo, uma coisa terrível. Nunca vi um clima com mais açodamento verbal como aquele, algo terrível mesmo. E não se podia fazer o inquérito, um julgamento com tranquilidade naquele clima”


SÓ SERGIPE - No dia do crime estavam todos em casa e uma das filhas de Milena estava gripada.
Luiz Eduardo Costa -
Os quartos eram juntos, com as portas abertas e continuam sendo. Hoje, nessa casa, funciona a sede da Associação dos Supermercados de Sergipe - Ases. Eu a visitei lá várias vezes. Milena saiu com Firpo e o pai, Nicola, e foram para o Hospital dos Pobres, chamado de Matadouro de Pobres - hoje Hospital Santa Isabel -, pois o Firpo era diretor. Por volta das 23 horas, voltaram, uma das filhas disse que estava gripada e Milena foi dormir com ela. Mas no enredo da coisa, o matador, que foi José Pereira dos Santos, o Pereirinha, descreve a cena dizendo que ela, Milena, já havia deixado a porta aberta. Ou seja, a cena do crime preparada por ela, para que ele, o Pereirinha, matasse o Carlos Firpo.

SÓ SERGIPE - O Pereirinha foi réu confesso?
Luiz Eduardo Costa -
Sim, depois de muita pancada. E depois não consegui a carta que ele fez para esposa, Aurélia, que residia em Paulo Afonso, onde dizia que sofreu e que a polícia o forçou a dizer que matou Carlos Firpo.

SÓ SERGIPE - Pereirinha e o Timóteo foram presos em Paulo Afonso?
Luiz Eduardo Costa - 
Pereirinha e Timóteo foram presos no dia 30 de abril. Eles estavam em Aracaju e o motorista que os levou para Paulo Afonso era muito amigo de Carlos Firpo. Antes, eles passaram perto do cemitério e estava acontecendo o enterro. Eles comentaram sobre o crime. No caminho, o motorista suspeitou e ficou com medo de que o matassem. Ele, então, parou num posto da polícia no caminho para Jeremoabo e um guarda conhecia os dois. Esse guarda falou ao motorista que lhe desse os documentos para pegar na volta. Ou seja, deu algum sinal de que ele precisa voltar e os caras perceberam. Ele levou os passageiros até o entroncamento de Jeremoabo, e eles não pagaram o que combinaram, mas o motorista deu graças a Deus por sair vivo. Ao chegar no posto, o guarda disse que os caras eram perigosos, que mataram gente por lá, e aí ele suspeitou que foram esses passageiros que mataram Carlos Firpo. Em Sergipe, o motorista cochilou na casa da irmã em Frei Paulo, e vinha uma caravana de três ou quatro jipes de São Paulo, com Antônio Mendonça, filho de Euclides Paes Mendonça. Quando Antônio viu o carro do motorista, parou, chamou-o e este contou sobre a morte de Carlos Firpo e suspeitava dos bandidos. Em Itabaiana, conversou com Euclides Paes Mendonça e mandou procurar o governador Leandro Maciel. O motorista foi para a delegacia e já encontrou por lá o Leandro Maciel e Afonso, que haviam chegado na véspera com as irmãs de Milena. O Afonso não teve nenhuma reação ao saber dos pistoleiros. E o coronel Afonso ofereceu a Heribaldo um agente da Polícia Federal para vir apurar o crime. Dali, ele foi embora. Leandro providenciou um carro e foram prender os caras.

Casa que foi de Nicola Mandarino, pai de Milena, hoje é a sede da Ases, na rua Campos
TUDO À REVELIA DA POLÍCIA TÉCNICA
“O mais estranho é que não fizeram nenhuma perícia para descobrir as impressões digitais, não isolaram a cena do crime, não fizeram nada. O pai do ex-vice-governador Benedito Figueiredo, que era policial no Rio de Janeiro e que veio para cá, levantou um bocado de pistas, dizendo por onde tinha entrada o bandido e ninguém levou em conta isso”


SÓ SERGIPE - Carlos Firpo foi morto a facadas. Acharam a arma do crime?
Luiz Eduardo Costa -
Sim, foi achada e coloco a foto no livro. O mais estranho é que não fizeram nenhuma perícia para descobrir as impressões digitais, não isolaram a cena do crime, não fizeram nada. O pai do ex-vice-governador Benedito Figueiredo, que era policial no Rio de Janeiro e que veio para cá, levantou um bocado de pistas, dizendo por onde tinha entrada o bandido e ninguém levou em conta isso. A vinda do policial federal, que era Hans Peter, foi confirmada pela chefatura de polícia no Rio, e ninguém nunca respondeu ao telegrama enviado para o Governo de Sergipe. O policial não veio e ficou por isso mesmo.

SÓ SERGIPE - Quem foi condenado nessa história?
Luiz Eduardo Costa -
O Pereirinha foi condenado a 16 anos; Milena passou dois anos e oito meses, Afonso ficou preso na Base Aérea e numa decisão de 3×2 foram libertados pelo STF.

SÓ SERGIPE - E todos alegaram inocência?
Luiz Eduardo Costa - 
Todos alegaram inocência. O Pereirinha confessou, mas quando foi desfazer, já estava preso. Ele pegou 20 anos de prisão.

SÓ SERGIPE - Quanto tempo o senhor passou escrevendo esse livro?
Luiz Eduardo Costa - 
Quando escrevi os artigos para o Jornal do Dia, eu os fazia na véspera da publicação. Mas depois, para o livro, arrumei, desarrumei os capítulos e tudo só ficou pronto em 2018. Uma coisa dizia para mim que Milena iria fazer alguma revelação, mas ela morreu em dezembro do ano passado sem dizer nada, pelo menos que eu saiba.

Pereirinha, na reconstituição do crime
TEMPO DA ESCRITA DO LIVRO
“Quando escrevi os artigos para o Jornal do Dia, eu os fazia na véspera da publicação. Mas depois, para o livro, arrumei, desarrumei os capítulos e tudo só ficou pronto em 2018. Uma coisa dizia para mim que Milena iria fazer alguma revelação, mas ela morreu em dezembro do ano passado sem dizer nada, pelo menos que eu saiba”


SÓ SERGIPE - E Julieta e Maria da Graça, as duas filhas do casal Carlos Firpo e Milena?
Luiz Eduardo Costa - 
Hoje moram no Rio de Janeiro. Mas uma delas chegou a morar em Salvador e a mãe residia com ela. Milena era uma grande pianista. O coronel Afonso morreu com 58 anos, ainda jovem.

SÓ SERGIPE - E o lado político desta morte de Carlos Firpo?
Luiz Eduardo Costa -
Carlos Firpo queria ser vice-governador de Sergipe. Minha interpretação é que Heribaldo Vieira encontrou no crime o momento de fazer o marketing político dele. Ele tinha certeza que o então governador Leandro Maciel ia indicá-lo para ser seu sucessor no Governo do Estado. O crime foi em abril, a eleição seria em outubro de 1958 e ele fez o marketing. Só que fez dividindo a sociedade: uma parte com raiva dele e outra apoiando. Ele se elegeu senador, ficou com muita mágoa do Leandro e em 1962 se vingou votando em Seixas Dória.

SÓ SERGIPE - Todos os personagens desta história já morreram?
Luiz Eduardo Costa -
Sim, todos já morreram. Eu conversei com todos eles. De Seixas Dórea tive vários depoimentos. Nós saíamos sempre para jantar. Com todos estes personagens eu conversei. Lembro do desembargador Nolasco - José Nolasco de Carvalho -, que na época era delegado de polícia e que fez as prisões. Com todos eles eu conversei.

 

 

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