
Márcia Guimarães: “O Hospital Cirurgia é um patrimônio da saúde de Sergipe”
“Em 2018, encontramos um hospital prestes a fechar as portas. Havia muitas dívidas”
2/5/2026-14hAlto lá quando você fizer qualquer tipo de referência ao Hospital de Cirurgia de Aracaju, ou do Estado de Sergipe, uma entidade da saúde do povo sergipano que neste sábado, 2 de maio, fez 100 anos redondos, de bola, e ainda vai celebrar com muita atividade este centenário.
É preciso fazê-lo com profunda reverência e altíssima solenidade. Não por pedantismo ou por impostação exigidos por essa instituição. Jamais.
O velho e bom HC passa longe disso, sobretudo nesta nova fase de proficiência a que chegou e se ombreia com os melhores hospitais gerais filantrópicos e de referência brasileiros em procedimentos de média e alta complexidade.
Portanto, as reverência e altíssima solenidade vêm da grandiosa significação auferida por esta instituição ao longo dos seus 100 anos e, sobretudo, nos últimos sete anos e meio, quando a velha Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia - FBHC - passou por uma severa e benéfica reestruturação.
Uma reestruturação a cargo de uma mulher que virou uma unanimidade nos setores jurídicos, administrativos, políticos e sobretudo da saúde, e que se chama Márcia Guimarães. Uma mulher coletivizada, porque ela mesma evita centralizar tudo em si mesma.
Márcia Guimarães, uma enfermeira de 57 anos, com 32 anos de profissão, professa humildade e não vê a si própria como a razão única de o HC ter desparecido das páginas de notícias ruins, quase policiais. Márcia chegou ao comando há quase oito como interventora e ninguém mais e retirou nem com o gancho.
E, nessa humildade, ela costuma gabar mais a sua equipe do que a coruja gaba os tocos. “Faço questão de dizer que essa condução não é individual. Ela é coletiva, pois, como sempre digo, uma andorinha só não faz verão. Tudo isso conta com o trabalho sério e comprometido de mais de três mil colaboradores diretos e indiretos, dezenas de lideranças e uma equipe diretiva que está ao meu lado diariamente nessa missão. São profissionais que compartilham decisões, enfrentam desafios e ajudam a construir, junto comigo, esse novo momento do hospital”, diz ela.
“Em 2018, encontramos um hospital em uma situação muito delicada, com dificuldades administrativas, financeiras e assistenciais, prestes a fechar as portas. Era uma crise sistêmica. Os desafios eram grandes. Mais de 300 pacientes esperando por cirurgia cardíaca. Pacientes de radioterapia esperando tratamento, pois o equipamento estava quebrado. Havia muitas dívidas, inclusive, um passivo trabalhista significativo, que foi totalmente quitado pela nossa atual administração recentemente”, relembra.
Hoje, a coisa é bem outra. É aquela de exigir “reverência e altíssima solenidade”. “O HC nesses 100 anos formou gerações e gerações de médicos - nele funcionou a primeira Faculdade de Medicina do Estado até o surgimento do Hospital Universitário na década de 1980 - e hoje temos 10 Programas de Residência Médica e um Programa de Residência Multiprofissional UTI Adulto ativos”, contabiliza Márcia.
“Hoje, mais de 80% dos nossos atendimentos são voltados ao SUS. Somos responsáveis por 70% das cirurgias de alta complexidade do SUS em Sergipe, concentrando 93,1% dos procedimentos cardiovasculares, 84,7% dos neurocirúrgicos, 83% dos ortopédicos e 53% das oncológicas. No cenário nacional, ocupamos a 12ª posição entre 543 hospitais em procedimentos cardiovasculares pelo Sistema Único, além de figurar entre os principais do Nordeste em várias especialidades. É uma representatividade gigantesca. Então, estamos falando de uma instituição filantrópica que tem um papel social muito forte e extremamente significativo para os sergipanos. O Hospital Cirurgia é um patrimônio da saúde de Sergipe”, complementa ela.
Esta abertura da Entrevista Domingueira não vai prosseguir na transcrição do que fora dito em favor do Hospital de Cirurgia. No corpo desta Entrevista, Márcia vai oferecer muitos conteúdos importantes sobre a vida desta instituição e dirá, também dos passos das comemorações dos seus 100 anos.
Márcia de Oliveira Guimarães nasceu no dia 14 de setembro de 1968 em Aquidabã, Sergipe. Ela é filha de Francisco Assis de Oliveira e de Maria José Matos. É casada com Washington Guimarães e é mãe de Tiago de Oliveira Guimarães, de 32 anos.
Márcia Guimarães formou-se em Enfermagem em 1994 pela Universidade Federal de Sergipe e tem especialização em Recursos Humanos, Urgência e Emergência e Saúde Pública.
A enfermeira Márcia Guimarães e o HC têm quase um caso de amor. Seu flerte com o velho HC vem de longe e, logo, desde cedo. Em 1º de abril de 1996 ela já atua nesta instituição.
Começou pelo Centro Cirúrgico e também na Coordenação de Enfermagem, onde foi responsável pela Gerência de setores de grande importância para o funcionamento da casa, como Nutrição, Lavanderia e Higiene e Limpeza.
Ficou ali até 2001 e teve uma segunda passagem, dessa vez mais rápida, em 2003, atuando na Clínica Cirúrgica Geral. Mas já teve atuações na Unimed, no Day Hospital Diagnose, na Secretaria Municipal de Saúde de Aquidabã, onde coordenou a Atenção Básica.
Passou pelo Samu de Aracaju, fez parte das primeiras equipes, ajudou a implantar unidades do Samu em outros Estados e executou atividades na coordenação de Logística do Samu Estadual de Sergipe.
Márcia também atuou no Pronto Socorro e no Centro Cirúrgico do Hospital de Urgências de Sergipe – Huse -, foi diretora Operacional da Fundação Hospitalar de Saúde e de Gestão de Sistemas da Secretaria de Estado da Saúde.


Além de interventora judicial do Cirurgia, paralelamente Márcia Guimarães ocupou de 2020 a 2023 o cargo de presidente-fundadora da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Sergipe - Federase -, instituição que reúne diversos hospitais filantrópicos – e, posteriormente, a Diretoria de Relações Institucionais. Atualmente, exerce na entidade a função de vice-presidente.
“Podem esperar uma história marcada pelo compromisso com a vida, com a qualidade da assistência, a modernidade da ciência e uma contribuição gigante para a saúde de Sergipe. O livro resgata momentos decisivos da trajetória do Cirurgia”, diz, numa referência ao livro a ser lançado sobre os 100 anos da instituição.
A Entrevista com Márcia Guimarães está um primor e merece ser lida.
JLPolítica & Negócio - Para a senhora, qual é o significado de chegar aos 100 anos do Hospital de Cirurgia como a principal gestora dele?
Márcia Guimarães - É uma felicidade sem tamanho, um sentimento indescritível de gratidão. A primeira mulher, a primeira enfermeira à frente desse gigante, que é um grande legado para o povo sergipano. É também algo de muita responsabilidade. É um momento de olhar para essa história centenária, que faz a diferença na saúde dos sergipanos, reconhecendo tudo o que já foi construído, mas também com a consciência de que estamos escrevendo um novo capítulo. E faço questão de dizer que essa condução não é individual. Ela é coletiva, pois, como sempre digo, uma andorinha só não faz verão. Tudo isso conta com o trabalho sério e comprometido de mais de três mil colaboradores diretos e indiretos, dezenas de lideranças e uma equipe diretiva que está ao meu lado diariamente nessa missão, e faço agradecimento especial ao presidente do nosso Conselho Deliberativo, Dr. Luciano Passos, ao nosso diretor técnico, Dr. Rilton Morais; a diretora Jurídica, Isadora Cardoso; a diretora Operacional, Lívia Menezes; e a diretora Assistencial, Mirella Dornelas. São profissionais que compartilham decisões, enfrentam desafios e ajudam a construir, junto comigo, esse novo momento do hospital. O centenário do HC não é só uma celebração do passado. É a prova de que conseguimos reconstruir, reorganizar e devolver à sociedade sergipana um Cirurgia forte, ativo e com perspectiva de crescimento. Para mim, é uma honra conduzir essa família, esse time que é o HC.JLPolítica & Negócio - E para os sergipanos, o que significam os 100 anos desta instituição?
MG - O Hospital de Cirurgia faz parte da vida dos sergipanos. Milhares de vidas foram salvas por meio do HC. Então, os seus 100 anos tem um significado grande. São gerações que passaram por aqui, seja como pacientes, acompanhantes ou profissionais. É o hospital que nasceu com a missão de ser o meio cirúrgico da população que tanto necessitava e que promoveu diversas inovações, pioneirismos, na saúde do nosso Estado, como a primeira cirurgia cardíaca, o primeiro transplante cardíaco do Norte e Nordeste do Brasil, o primeiro Serviço de Neurocirurgia, o primeiro Laboratório de Hemodinâmica, entre tantos outros feitos. É o hospital referência em média e alta complexidade para a Rede Estadual de Saúde, sobretudo nas áreas de cardiovascular, ortopedia e traumatologia, oncologia e neurocirurgia - nessa última, somos referência nacional e um dos melhores serviços do país. Somos um centro de ensino e pesquisa. O HC nesses 100 anos formou gerações e gerações de médicos - nele funcionou a primeira Faculdade de Medicina do Estado até o surgimento do Hospital Universitário na década de 1980 - e hoje temos 10 Programas de Residência Médica e um Programa de Residência Multiprofissional UTI Adulto ativos. Hoje, mais de 80% dos nossos atendimentos são voltados ao SUS. Somos responsáveis por 70% das cirurgias de alta complexidade do SUS em Sergipe, concentrando 93,1% dos procedimentos cardiovasculares, 84,7% dos neurocirúrgicos, 83% dos ortopédicos e 53% das oncológicas. No cenário nacional, ocupamos a 12ª posição entre 543 hospitais em procedimentos cardiovasculares pelo Sistema Único, além de figurar entre os principais do Nordeste em várias especialidades. É uma representatividade gigantesca. Então, estamos falando de uma instituição filantrópica que tem um papel social muito forte e extremamente significativo para os sergipanos. O Hospital Cirurgia é um patrimônio da saúde de Sergipe.

ORGULHO DOS 100 ANOS DO HC
“É uma felicidade sem tamanho, um sentimento indescritível de gratidão. A primeira mulher, a primeira enfermeira à frente desse gigante, que é um grande legado para o povo sergipano. É também algo de muita responsabilidade”
JLPolítica & Negócio - Qual é o custo mensal do HC?
MG - O Hospital tem um custo operacional elevado, compatível com o nível de complexidade dos serviços que presta. Estamos falando de uma unidade que realiza mais de nove mil procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade por ano, com estrutura hospitalar robusta. Temos cinco UTIs, totalizando 60 leitos de terapia intensiva, um Centro Cirúrgico Geral com 12 salas modernas, um Centro Cirúrgico Exclusivo para Cardiologia com 2 salas, Serviço de Hemodinâmica, com quatro salas e linha de cuidado completa. São mais de 260 leitos de internamento entre enfermaria e UTI. Realizamos atendimentos ambulatoriais em mais de 25 especialidades, além de ofertar diversos tipos de exames de alta e média complexidade. São mais de 55 mil consultas por ano em nosso Ambulatório, com uma média diária de 230 atendimentos. São mais de três mil colaboradores, sendo mais de 2 mil celetistas. É um custo significativo, que envolve assistência, insumos, folha de pagamento e manutenção da estrutura.JLPolítica & Negócio - Qual é a comparação que se pode fazer do HC de hoje com aquele que a senhora recebeu sob interventoria?
MG - São realidades completamente diferentes. Em 2018, encontramos um hospital em uma situação muito delicada, com dificuldades administrativas, financeiras e assistenciais, prestes a fechar as portas. Era uma crise sistêmica. Os desafios eram grandes. Mais de 300 pacientes esperando por cirurgia cardíaca. Pacientes de radioterapia esperando tratamento, pois o equipamento estava quebrado. Havia muitas dívidas, inclusive, um passivo trabalhista significativo, que foi totalmente quitado pela nossa atual administração recentemente. Ao todo, 803 ex-funcionários foram contemplados, com o pagamento de quase R$ 21 milhões. Ao longo desses últimos sete anos e meio, conseguimos promover uma reestruturação profunda. Esse processo contou com o acompanhamento e a confiança de órgãos de controle e de Justiça, como o Tribunal de Justiça de Sergipe, o Ministério Público e o Tribunal de Contas, que tiveram papel fundamental para garantir a transparência, a segurança jurídica e a credibilidade das ações adotadas ao longo da intervenção. Hoje temos um hospital organizado, com produção ampliada, serviços fortalecidos, novos projetos em andamento e, principalmente, com a credibilidade restabelecida. Para se ter uma ideia, de 2018 a 2025, a nossa produção hospitalar de alta complexidade cresceu 280%, enquanto a produção ambulatorial, consultas e exames, teve um aumento de 1.388%. Antes tínhamos 25 leitos de UTI e hoje temos 60. Expandimos especialidades, fazemos hoje cirurgias bariátricas - Sergipe é o estado do Brasil que proporcionalmente mais opera bariátrica via SUS e o HC é um dos principais responsáveis por isso; fazemos cirurgias de escoliose - correção de coluna -, sendo reconhecido pela Associação Brasileira de Tratamento de Escoliose como o primeiro serviço do Brasil com reabilitação específica para escoliose pelo SUS; iniciamos os transplantes renais em janeiro deste ano, realizando 10 até o momento e, em breve, iniciaremos os transplantes de fígado; retomamos o Serviço de Pediatria, após 16 anos parado. Somos o primeiro hospital filantrópico de Sergipe com Acreditação ONA, conquista que atesta a nossa qualidade e nos orgulha muito. Implantamos, em 2025, a Unidade Móvel de Saúde, uma iniciativa estratégica de responsabilidade social que leva atendimento especializado diretamente aos municípios sergipanos. Com atuação itinerante, o serviço já realizou mais de 4 mil atendimentos em mais de 20 cidades, em parceria com o Governo do Estado e Prefeituras, promovendo ações de prevenção, diagnóstico precoce e encaminhamento para tratamento nas áreas de saúde da mulher, do homem e doenças cardiovasculares. É mais uma forma de ampliar o acesso e aproximar o hospital da população do interior. Somos uma unidade hospitalar que tem um histórico estável da manutenção da assistência, que cada vez cresce mais, graças a um planejamento estratégico bem construído que nos dá o horizonte a seguir.

UM HOSPITAL DE CUSTO ELEVADO
“O Hospital tem um custo operacional elevado, compatível com o nível de complexidade dos serviços que presta. Estamos falando de uma unidade que realiza mais de nove mil procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade por ano, com estrutura hospitalar robusta”
JLPolítica & Negócio - Há quantos anos a senhora está no comando dele?
MG - Estou oficialmente à frente do Cirurgia desde novembro de 2018, como interventora judicial nomeada pela Justiça Sergipana - então, são sete anos e cinco meses. Foi decretada a Intervenção após denúncias oferecidas pelo Ministério Público Estadual acerca da gestão que vinha atuando anteriormente no hospital. E, diante dos resultados apresentados na cogestão em que fiz parte no hospital, fui indicada pelo MP para atuar como interventora.JLPolítica & Negócio - Mas seu cargo ainda responde pelo nome de interventora?
MG - Sim, continuo como interventora, nomeada pela 12ª Vara Cível de Aracaju, com a responsabilidade de conduzir a gestão do hospital dentro desse processo gigante de reestruturação. Em novembro de 2024, foi oficializado mais um termo de prorrogação da intervenção com prazo de dois anos, vencendo no dia 6 de novembro de 2026.

INTERVENÇÃO QUE VAI FAZER QUASE OITO ANOS
“Continuo como interventora, nomeada pela 12ª Vara Cível de Aracaju, com a responsabilidade de conduzir a gestão do hospital dentro desse processo gigante de reestruturação. Em novembro de 2024, foi oficializado mais um termo de prorrogação da intervenção com prazo de dois anos, vencendo no dia 6 de novembro de 2026”
JLPolítica & Negócio - Como é que o Governo do Estado responde às necessidades do HC?
MG - O Hospital de Cirurgia é um importante prestador de serviços da Rede Estadual de Saúde, o maior quando falamos de hospital filantrópico. Temos um contrato com o Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Saúde, que viabiliza o atendimento à população através do SUS. Uma das principais parcerias do HC com o Governo Estadual atualmente é o Opera Sergipe. Estamos no programa que acelera a realização de procedimentos cirúrgicos eletivos desde março de 2025 e, de lá para cá, já realizamos mais de 600 cirurgias bariátricas, urológicas e mamárias, devolvendo saúde e autoestima para centenas de sergipanos. Outra grande parceria é o Serviço de Transplante. A pedido do governador Fábio Mitidieri, assinamos contrato para a retomada dos transplantes de rim, que há 13 anos a Saúde Estadual não realizava, e para o início dos transplantes de fígado. São muitas conquistas positivas, mas temos também desafios, como toda rede pública. Contudo, o diálogo é permanente, sempre com o objetivo de garantir a continuidade da assistência à população sergipana. Aproveito a oportunidade para agradecer a parceria que temos com o governador Fábio e o atual secretário Jardel Mitermayer.JLPolítica & Negócio - Qual tem sido a média da ação da classe política em relação ao HC?
MG - Desde o início do processo de reestruturação do Cirurgia, a partir da intervenção, a classe política tem sido uma parceira importante e presente para o nosso hospital. Senadores, deputados federais, deputados estaduais e vereadores têm compreendido a relevância do hospital para a saúde e vêm contribuindo de forma concreta, por meio da destinação de emendas parlamentares. Esses recursos são fundamentais para hospitais filantrópicos como o nosso, pois ajudam tanto no custeio, garantindo a continuidade da assistência, quanto em investimentos que possibilitam ampliar e qualificar os serviços. Somos muito gratos a todos os parlamentares que têm chegado junto com o HC. Esse apoio é decisivo para que sigamos avançando, ampliando a capacidade assistencial e mantendo o papel como referência para os sergipanos. Nosso exemplo mais recente foi a reativação do Serviço de Pediatria, com uma UTI construída do zero, moderna e qualificada, graças a recursos destinados pelo senador Alessandro Vieira e equipada com emendas de vereadores.

UM HOSPITAL MARCADO POR MUITAS OBRAS
“O Hospital Cirurgia passou e continua passando por melhorias estruturais sempre. Hoje já é possível perceber uma evolução significativa na organização física, mas seguimos investindo em modernização, com obras importantes em andamento, como a nossa nova UTI, com previsão de entrega para o início do segundo semestre deste ano”
JLPolítica & Negócio - Os deputados estaduais chegam juntos com apoio de emendas ou somente os das bancadas federais fazem isso?
MG - Temos contribuições de todos esses segmentos. Dos deputados federais e senadores, já tínhamos a rotina de receber emendas, já os estaduais é algo que está sendo implantado e cada dia mais crescendo graças a Deus e ao bom trabalho que estamos fazendo. Temos hoje apoio tanto da bancada federal quanto da estadual. As emendas parlamentares, em todas as esferas, têm contribuído para fortalecer o nosso hospital. E cada apoio é importante dentro da realidade de uma instituição filantrópica que atende majoritariamente pelo SUS.JLPolítica & Negócio - Do ponto de vista de urgência e emergência, como é que deve ser lido e compreendido o HC?
MG - Nossa urgência é referenciada. O que isso significa? Que recebemos pacientes regulados pelo Complexo Regulatório do Estado vindos de outras unidades de saúde da Rede Estadual. O Complexo avalia e, vendo que o paciente tem perfil para o nosso hospital, envia para o HC. Temos perfil de atendimento voltado principalmente para neurocirurgia, ortopedia e traumatologia e cirurgia cardiovascular. Com a implementação de serviços próprios estaduais, a exemplo da Hemodinâmica do Huse, nosso perfil de paciente da cardiologia mudou. Nós, que éramos referência única em retaguarda para pacientes infartados do SUS em Sergipe, agora não somos mais o único. Com isso, houve uma diminuição significativa do atendimento na cardiologia.

UM HOSPITAL SOB INVESTIMENTO DIVERSO
“Quando falamos de investimento no Cirurgia, não estamos nos referindo apenas a obras físicas, mas a uma reestruturação completa - estrutural, tecnológica, assistencial e de gestão. Ao longo desses anos, foram aplicados muitos milhões de reais, sempre com planejamento, responsabilidade e foco em devolver ao hospital à capacidade plena de atender com qualidade e segurança”
JLPolítica & Negócio - Fisicamente ele perdeu aparência de um hospital eternamente em obra ou ainda está sob construção?
MG -O Hospital Cirurgia passou e continua passando por melhorias estruturais sempre. Hoje já é possível perceber uma evolução significativa na organização física, mas seguimos investindo em modernização, com obras importantes em andamento, como a nossa nova UTI, com previsão de entrega para o início do segundo semestre deste ano; mais entregas do nosso prédio da Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia - Unacon -, o 2º andar; a implantação da Saúde Suplementar, que funcionará no prédio onde era a Diaverum, e será um grande complexo em saúde. Também temos projetos futuros, que queremos executar em breve, como a construção do novo prédio do nosso Ambulatório e a criação do Instituto Augusto Leite, voltado às residências médicas e multiprofissionais. É um processo contínuo de qualificação da estrutura.JLPolítica & Negócio - Do ponto de vista obreiro, quanto foi investido nele sob sua gestão?
MG - Quando falamos de investimento no Cirurgia, não estamos nos referindo apenas a obras físicas, mas a uma reestruturação completa - estrutural, tecnológica, assistencial e de gestão. Ao longo desses anos, foram aplicados muitos milhões de reais, sempre com planejamento, responsabilidade e foco em devolver ao hospital à capacidade plena de atender com qualidade e segurança. Na parte física, o hospital passou e segue passando por grandes transformações: retomamos e entregamos áreas que estavam paralisadas, como o prédio da Oncologia, implantamos e ampliamos UTIs - incluindo unidades adulta e pediátrica -, criamos a nova Unidade Cardiovascular Avançada e realizamos a reforma de diversas alas de enfermaria, do Centro Cirúrgico, com ampliação de salas, do Laboratório, da entrada principal do hospital, que chamamos de histórica e foi extremamente importante para resgatar a história, da capela, entre outros setores. Nessas áreas, investimos também em ambiência, com climatização e substituição de cadeiras plásticas por poltronas confortáveis, pensando no bem-estar dos pacientes e acompanhantes. Paralelamente, houve um investimento importante em tecnologia e equipamentos de ponta. Adquirimos um novo acelerador linear para radioterapia, duas ressonâncias magnéticas, dois novos tomógrafos - que se somam ao já existente -, além de microscópio cirúrgico e outros equipamentos que ampliam nossa capacidade diagnóstica e terapêutica. Também avançamos na informatização, com a implantação de um sistema de gestão hospitalar (ERP), integrando áreas administrativas e assistenciais, trazendo mais controle, eficiência e segurança. Mas nada disso se sustenta sem pessoas.

UM HOSPITAL CONTEMPLADO PELA FILANTROPIA
“O Cirurgia sempre esteve de portas abertas para parcerias e essa cultura de colaboração faz parte da nossa história. Contamos com o apoio de empresas, instituições e pessoas que contribuíram para que o hospital continue cumprindo a sua missão. Durante momentos desafiadores, como a pandemia da Covid-19, por exemplo, isso ficou ainda mais evidente”
JLPolítica & Negócio - Isso infere também sobre aperfeiçoamento de mão de obra.
MG - Sem dúvida. Para que toda essa estrutura funcione, é fundamental contar com mão de obra qualificada. Por isso, investimos na organização de fluxos e processos, que muitas vezes não existiam ou eram frágeis. Estruturamos rotinas, fortalecemos protocolos, qualificamos equipes e reestruturamos setores estratégicos, como o Núcleo de Segurança do Paciente e o Escritório da Qualidade, implantando uma cultura de gestão mais moderna, integrada e orientada por resultados. É essa combinação estrutura, tecnologia e pessoal que tem permitido ao Cirurgia avançar com consistência. Tudo isso só foi possível graças ao esforço diário de todos os nossos colaboradores. É o jeitinho HC de ser. É a família HC.JLPolítica & Negócio - Diretamente, quantas pessoas trabalham no HC?
MG - O Cirurgia conta com um amplo e qualificado quadro de profissionais, envolvendo equipes assistenciais, administrativas e de apoio, que garantem o funcionamento diário do hospital. Temos mais de dois mil colaboradores com carteira assinada e mais de mil profissionais que atuam junto conosco por meio de prestadores de serviços. O Cirurgia sempre esteve de portas abertas para parcerias e essa cultura de colaboração faz parte da nossa história. Contamos com o apoio de empresas, instituições e pessoas que contribuíram para que o hospital continue cumprindo a sua missão. Durante momentos desafiadores, como a pandemia da Covid-19, por exemplo, isso ficou ainda mais evidente.

UMA HISTÓRIA QUE VAI AO LIVRO
“O nosso livro do centenário, intitulado “Hospital de Cirurgia - Um Século de Resiliência e Cuidado com os Sergipanos”, é resultado de um trabalho coletivo que buscou registrar e eternizar a história do HC. A obra tem como autora a jornalista Susane Vidal, que conduziu esse projeto com sensibilidade”
JLPolítica & Negócio - Qual o valor mensal da folha dele?
MG - A folha de pagamento representa uma das principais despesas do hospital, como é natural em uma instituição de saúde desse porte, que depende diretamente da força de trabalho de seus profissionais. Então, juntando a folha dos celetistas e prestados, chega a 70% da despesa fixa do HC.JLPolítica & Negócio - A senhora não pensa numa modalidade de campanha mais aberta para empresas e pessoas físicas colaborarem com a manutenção do HC?
MG - O Cirurgia sempre esteve de portas abertas para parcerias e essa cultura de colaboração faz parte da nossa história. Contamos com o apoio de empresas, instituições e pessoas que contribuíram para que o hospital continue cumprindo a sua missão. Durante momentos desafiadores, como a pandemia da Covid-19, por exemplo, isso ficou ainda mais evidente. Conseguimos manter e até ampliar a assistência graças ao apoio de parceiros importantes, como órgãos do Judiciário, Ministério Público, setor empresarial e muitos voluntários anônimos. Essas contribuições foram fundamentais para aquisição de insumos e equipamentos. Temos também exemplos muito especiais, como a Associação dos Amigos da Oncologia – AMO -, uma grande parceira do HC, que realiza um trabalho admirável de acolhimento aos pacientes oncológicos, oferecendo desde apoio emocional até ações simples, mas extremamente significativas, como a distribuição de café da manhã para pacientes em tratamento. Então, fortalecer esse tipo de colaboração é sempre positivo e necessário. Estamos abertos a ampliar essas parcerias.

JLPolítica & Negócio - Além de Augusto Leite, quais são os outros entes públicos e da Medicina que estão na cena da fundação dele lá em 2 de maio de 1926?
MG - O Cirurgia nasceu de um sonho coletivo, liderado pelo doutor Augusto Leite, mas construído a muitas mãos. Ao lado dele, médicos como o doutor Juliano Calasans, doutor Eronides Carvalho e doutor Lauro Hora tiveram papel importante na criação do HC, que viria a se tornar referência em Sergipe. Também teve o apoio do poder público à época, especialmente do então governador Graccho Cardoso, que compreendeu a importância de estruturar um centro cirúrgico moderno para o Estado.JLPolítica & Negócio - Quem é ou serão os autores do livro dos 100?
MG - O nosso livro do centenário, intitulado “Hospital de Cirurgia - Um Século de Resiliência e Cuidado com os Sergipanos”, é resultado de um trabalho coletivo que buscou registrar e eternizar a história do HC. A obra tem como autora a jornalista Susane Vidal, que conduziu esse projeto com sensibilidade, e pesquisa histórica desenvolvida pelo historiador Diego Leonardo. O livro também teve a grande contribuição da nossa equipe da Assessoria de Comunicação do hospital, hoje coordenada pela jornalista Malu Araújo.

JLPolítica & Negócio - O que esperar desta história a ser contada?
MG -Podem esperar uma história marcada pelo compromisso com a vida, com a qualidade da assistência, a modernidade da ciência e uma contribuição gigante para a saúde de Sergipe. O livro resgata momentos decisivos da trajetória do Cirurgia, os desafios enfrentados ao longo das décadas, as conquistas alcançadas e, principalmente, as pessoas que fizeram e fazem essa instituição acontecer. Ao mesmo tempo, não é apenas um olhar para o passado. A obra também aponta para o futuro, mostrando um hospital que se renova, que se fortalece e que segue comprometido com a inovação, a ciência e a qualidade da assistência. O lançamento está previsto para o dia 30 de julho, uma data simbólica, o dia do aniversário do nosso fundador Augusto Leite, e compõe a programação do nosso centenário.JLPolítica & Negócio - Qual é o formato da festa que o HC deve receber no dia 7 e onde será?
MG - O Baile do Centenário será um momento de celebração especial e memorável, fechado para convidados, que reunirá autoridades, parceiros e colaboradores. Será realizado no Espaço Salles Multieventos e contará com homenagens importantes, como a entrega da Comenda Dr. Augusto Leite, a mais alta honraria do hospital, reconhecendo aqueles que contribuíram para a história do nosso HC.









