Entrevista

Jozailto Lima

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Marcio Macêdo: “Já vivenciamos o modo petista de governar e chegou o momento de voltar”

31 de outubro de 2020
“Aracaju é historicamente progressista e ela está de olho em nós”

Se entusiasmo e autoestima contabilizam em favor de boas performances eleitorais em qualquer tipo de disputa, certamente o candidato do PT à Prefeitura Municipal de Aracaju, Marcio Macêdo, 50 anos, está muitíssimo bem posicionado - apesar de na prática, pela lente das pesquisas, estar reservado a ele um doloroso quarto lugar nas intenções de voto dos aracajuanos.

Mas Marcio Macêdo, um siderado opositor de Edvaldo Nogueira, PDT, prefeito da cidade e candidato à reeleição, de quem sempre foi um aliado, não fatura sequer um milímetro desses aferimentos de pesquisas e faz um campanha como quem está disputando com chances altas de chegar a um segundo turno e, nele, vencer. 

Nisso, está incluído um arsenal fortíssimo de propostas para uma eventual gestão de Aracaju sob seu comando, na qual ele coloca o PT como verdadeiro salvador de pátria. Como o partido que mais fez por Aracaju e que quer voltar a fazê-lo.

“Nós temos coragem para partir para o enfrentamento a toda política nefasta que tira direitos. Aracaju é historicamente progressista e ela está de olho em nós. Portanto, vivemos um momento importante para o destino de Aracaju e do povo aracajuano”, diz ele. 

Nesta configuração, Edvaldo Nogueira e sua gestão são vistos por Márcio Macêdo como algozes do bem-estar público. “Edvaldo fez uma opção política e mudou de lado. Se entregou à direita e decidiu fazer uma administração conservadora, se tornando incapaz de colocar o povo no orçamento da Prefeitura e, consequentemente, nas prioridades das políticas públicas”, diz ele. 

“Todos sabem o papel do PT na chegada dele à Prefeitura. O PT foi decisivo nas eleições passadas, e ele sabe disso. Mas, ainda assim, mesmo sabendo de nosso papel fundamental, ele optou por se distanciar do projeto original de Déda, decidindo caminhar por um lado que foge completamente daquilo que defendemos e entendemos como política pública”, afirma Márcio.

Apesar da dificuldade com a qual enfrenta a campanha, sem conseguir emplacar e decolar suas propostas, para Márcio Macêdo algo anuncia o retorno do seu partido ao comando da capital.    

“Já vivenciamos o modo petista de governar e chegou o momento de voltar. Temos sérios desafios postos nas últimas gestões, mas, para além de toda e qualquer dificuldade, temos o compromisso de resgatar a cidade”, diz.

Se é um utopista ou não, do que ninguém pode acusar Marcio Macêdo é de falta de propostas para um eventual mando de Aracaju. Ele tem para todo os setores e gostos, sobretudo para a esfera social, da qual se acha, ao lado do PT, uma espécie de padrinho.

Nesta Entrevista, Márcio Macêdo vai dizer detalhada e alongadamente tudo o que pensa em nome de Aracaju, vai fazer profundas declarações de afeto político a Marcelo Déda, Luiz Inácio Lula da Silva, Eliane Aquino e, sobretudo, vai manifestar crença de que se sucederá bem.

“Respeitamos as pesquisas e entendemos que elas podem ser um retrato do momento eleitoral. Mas tenho comigo uma grande certeza: a melhor pesquisa é a que temos visto nas ruas, com as demonstrações e declarações em cada canto que passamos. Isso é um fato: eleição se ganha na urna”, afirma,

Márcio Costa Macêdo nasceu no dia 18 de setembro de 1970, em Esplanada, na Bahia, mas tem uma vivência efetiva com Sergipe desde a adolescência.

Ele é filho de Marivaldo Alves Macêdo e de Maria Costa Macêdo, e é casado com a procuradora federal Karina Marx Macêdo, com quem é pai de Mariana Marx Macêdo, 10 anos.

É pai, também, de Ana Rosvita Macêdo, 32 anos, e avô de três netos - Júlia, de sete anos, e os gêmeos Fernando e Guilherme, de dois. Também tem um enteado de 17 anos, o Lucca.

Márcio Macêdo é biólogo, com licenciatura em Ciências Biológicas obtida em dezembro de 1994 pela Universidade Federal de Sergipe - UFS -, gosta muito de questões ligadas ao meio ambiente e já deu duro em salas de aula como professor.  

Ele tem especialização na área - é mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente e tem formação em Rádio e TV. Já conhece os traquejos das disputas eleitorais, tendo disputado três de deputado federal - nos pleitos de 2010, 2014 e 2018. No de 2010, chegou lá, o que lhe valeu mandato entre 2011 e 2014.

Mas já foi secretário municipal de Orçamento e Participação Popular de Aracaju na primeira gestão de Marcelo Déda. Foi superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama - e secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos na primeira gestão de Marcelo Déda no Governo de Sergipe.

Ao lado da vice-governadora, Eliane Aquino, em uma carreata no bairro Santa Maria
Com o amigo e aliado Marcelo Déda: deferência e gratidão sempre
UM CANDIDATO CONFIANTE, APESAR DAS PESQUISAS
“Respeitamos as pesquisas e entendemos que elas podem ser um retrato do momento eleitoral. Mas tenho comigo uma grande certeza: a melhor pesquisa é a que temos visto nas ruas, com as demonstrações e declarações em cada canto que passamos. Isso é um fato: eleição se ganha na urna”

JLPolítica - O senhor está certo de que a tentativa de retomada do protagonismo do PT nas eleições de Sergipe deveria começar por sua candidatura a prefeito de Aracaju em 2020?
Márcio Macêdo -
Sim e estamos de volta. Foram necessários 16 anos sem candidatura petista e que trouxesse a simbologia do partido. Mas é esse partido que muito nos orgulha, e que traz a inclusão de todos como seu principal fundamento. Porque nós temos coragem para partir para o enfrentamento a toda política nefasta que tira direitos. Aracaju é historicamente progressista e ela está de olho em nós. Portanto, vivemos um momento importante para o destino de Aracaju e do povo aracajuano. Já vivenciamos o modo petista de governar e chegou o momento de voltar. Temos sérios desafios postos nas últimas gestões, mas, para além de toda e qualquer dificuldade, temos o compromisso de resgatar a cidade. 

JLPolítica - Então o instante seria esse mesmo?
Márcio Macêdo -
Entendemos que, agora, é chegado o momento e a clareza de que vamos conseguir devolver a alegria a nossa cidade em um projeto capaz de vencer os desafios contemporâneos. Então, estamos seguindo sem medo, sem nos preocupar com as manipulações e com foco em um discurso coerente, inteligente, mostrando quem vai cuidar das pessoas de verdade.

JLPolítica - Os baixos índices de desempenho desta candidatura, segundo as pesquisas, produzem que tipo de sentimento no senhor?
Márcio Macêdo -
Respeitamos as pesquisas e entendemos que elas podem ser um retrato do momento eleitoral. Mas tenho comigo uma grande certeza: a melhor pesquisa é a que temos visto nas ruas, com as demonstrações e declarações em cada canto que passamos. Isso é um fato: eleição se ganha na urna. Por exemplo, em 2018, a última pesquisa Ibope apontava Rogério Carvalho como quinto colocado, e eram duas vagas para senador. Hoje o companheiro Rogério é o líder do PT no Senado. Então, estamos seguindo nossa caminhada da mesma forma que iniciamos: firmes, fortes e conscientes de que teremos o resultado positivo.

JLPolítica - O senhor sente um acolhimento de 100% da sua candidatura pelo PT e pela militância petista de Aracaju?
Márcio Macêdo -
Totalmente. Não temos tido nenhuma dificuldade de adesão ao projeto da nossa candidatura. Nossa militância é aguerrida e focada em nosso projeto maior. Não há nenhuma militância como a nossa. Ela vem alicerçada no legado de Déda junto à minha história, conduta ética e realizações por onde passei, e que representa, nessa eleição, no projeto político do PT e de Lula, a unidade do partido. Estamos completamente aliançados no projeto para uma cidade inclusiva, solidária, que tem como centro cuidar das pessoas.

Márcio, sua esposa, Karina Marx, o presidente Lula e a atual companheira dele, Janja
AMPARADO NA MEMÓRIA DE DÉDA E NO PASSADO DE LULA
“O nome de Déda é unanimidade em qualquer cenário. Já o nosso ex-presidente Lula é a maior liderança que o país já teve. E uma das maiores do mundo. Ele me ensinou muito, sobretudo a olhar e a me importar ainda mais com as pessoas”

JLPolítica - O senhor acha que a sua mensagem em nome de um novo projeto de poder do PT está sendo captada ao pé da letra pelo aracajuano?
Márcio Macêdo -
Sim. As pessoas estão com saudades do PT. Temos visto isso em todas as nossas agendas políticas, principalmente nos bairros periféricos, para os quais a atual gestão não busca olhar. Em cada visita aos bairros, tenho sentido isso. Tenho visto isso nos olhos de cada morador. Eu tenho orgulho de ser do PT. Eu sei o que o PT fez por Aracaju com Déda e o que fez pelo Brasil, com Lula. Eu não mudei de lado. Não caí no canto da sereia dos grandes empresários. Estou no lugar em que sempre estive: ao lado do povo. E o povo sabe e confia nisso. Porque é aqui, no PT, que finquei raízes profundas. Inabaláveis. Nossa juventude está empolgada e as nossas carreatas estão sendo muito bem recebidas pelo povo. E o motivo é fácil de entender: é amor, é saudade do PT. A população reconhece quem somos e está pedindo a volta de quem cuidou muito dos aracajuanos e aracajuanas.

JLPolítica - Com tantas evoluções e mudanças nas vidas de Aracaju, de Sergipe e do Brasil, o senhor considera exequível e produtivo fazer campanha pilotando a memória de Marcelo Déda ou o histórico de Luiz Inácio Lula da Silva?
Márcio Macêdo -
O saudoso e inesquecível ex-governador Marcelo Déda é a maior referência política que temos no Estado. Foi um amigo querido, que honrei enquanto vivo e sigo honrando, pois reconheço a sua importância humana para além dos fatos políticos. Déda sempre será nossa referência. Um nome cravado em nossa história e que, indubitavelmente, traz consigo toda uma simbologia de luta, amor ao próximo e maneira coerente e justa de governar. Portanto, não existe a menor possibilidade de não trazê-lo, enquanto expressão, em tudo que nós fazemos. O nome de Déda é unanimidade em qualquer cenário. Já o nosso presidente Lula é a maior liderança que o país já teve. E uma das maiores do mundo. Ele me ensinou muito, sobretudo a olhar e a me importar ainda mais com as pessoas. 

JLPolítica - Então Lula lhe passa um grande legado?
Márcio Macêdo -
O nome de Lula é como combustível motor para toda a militância. É um referencial de luta. De força. Aprendi com Lula que, qualquer pessoa que se propõe a estar na política só conseguirá se sentir a dor do outro. Cada posicionamento seu é uma verdadeira aula de gestão, de política e de cidadania. Então, para mim, é motivo de orgulho imenso falar sobre ele e Déda. É algo que me emociona, que renova minhas forças, pois sei com quem caminhei e com quem sigo. E, dessa forma, tenho ainda mais certeza dos passos que devo trilhar.

JLPolítica - A chapa puro sangue que o senhor montou não denuncia uma certa pobreza de alianças e relacionamentos do PT?
Márcio Macêdo -
Nessa eleição de agora, sentimos que a população não vê com bons olhos grandes coligações. Ela quer ver propostas. Quer saber o que e como o futuro prefeito vai fazer pela cidade. Sendo assim, a unificação de nossa chapa, tratando-se de puro sangue, como mencionado, reforça o desejo de alinhamento de propostas reais e, mais ainda, responde ao anseio da população que busca candidatos com discursos coerentes, alinhados e dispostos a atuar, de fato, em favor de todos, todas e todes.

Márcio entre a vice-governadora, Eliane Aquino, e o advogado Henri Clay, em uma carreata na Zona de Expansão
DIZ-SE PRIVILEGIADO COM O APOIO DA ATUA VICE-GOVERNADORA
“As pessoas sabem da força de Eliane e seu apoio à minha candidatura tem incomodado os adversários. Porém, é preciso destacar que Eliane não está candidata. O candidato à prefeitura de Aracaju sou eu. Mas Eliane é nossa forte aliada e tem nos ajudado muito em tudo. E isso me deixa honrado demais”

JLPolítica - No que o apoio de Henri Clay Andrade está agregando no processo a seu favor?
Márcio Macêdo -
Henri Clay e eu temos muitas coisas em comum. A democracia, o enfrentamento à redução de direitos da classe trabalhadora como parte constante em sua história de vida, tendo se ampliado de maneira mais incisiva mais recentemente com os desmandos do governo Bolsonaro, a luta em defesa dos servidores públicos, a luta por uma cidade com participação popular justa. Isso tudo nos une. Henri Clay foi o segundo candidato a senador mais bem votado na capital nas eleições de 2018. Isso é resultante de uma trajetória de vida pautada nas questões sociais, no combate incisivo às negligências governamentais, como, também, da sua grande relação com os movimentos sociais, com os sindicatos, que se assemelham ao nosso histórico de luta e enfrentamento social. A história de vida dele, e a proximidade e luta sempre atreladas à esquerda sergipana, ao campo progressista, corroboram nossa relação e reforçam, ainda mais, a aceitação das pessoas ao nosso projeto. 

JLPolítica - Qual tem sido a real contribuição de Eliane Aquino à campanha?
Márcio Macêdo -
Em primeiro lugar, é preciso dizer que Eliane entendeu a importância e abraçou completamente o projeto do Partido dos Trabalhadores de lançar candidatura própria e trazer de volta aos aracajuanos uma cidade para todos, com um olhar especial para as pessoas, especialmente para as que mais precisam. Eliane tem sido companheira comprometida, e ido para diversos atos. E estaria mais, não fosse seu compromisso e responsabilidade com o trabalho que realiza no Governo do Estado, cuja gestão, hoje, é a sua prioridade, e também porque precisa dedicar tempo e atenção aos seus filhos e à sua mãe, dona Sinhá, que está morando com ela. Devido à pandemia, ela tem buscado se resguardar, dentro do possível, para protegê-los. Mas, mesmo assim, continua muito forte politicamente, tanto que foi decisiva nas duas últimas eleições. As pessoas sabem da força de Eliane e seu apoio à minha candidatura tem incomodado os adversários. Porém, é preciso destacar que Eliane não está candidata. O candidato à prefeitura de Aracaju sou eu. Mas Eliane é nossa forte aliada, é uma companheira que acrescenta positivamente em todos os aspectos à nossa caminhada e que tem nos ajudado muito em tudo. E isso me deixa honrado demais.  

JLPolítica - Desde e a partir de quando o senhor vislumbra tantos erros no modo de ser político e administrativo de Edvaldo Nogueira?
Márcio Macêdo -
Política é processo. É conjuntura. É construção histórica. Nós fomos articuladores da candidatura de Edvaldo Nogueira em 2016. Não fosse o PT ter apontado na direção de que ele seria o candidato do bloco, dificilmente ele conseguiria se viabilizar como candidato. Nós emprestamos os nossos melhores quadros para a elaboração do Programa Aracaju Cidade Inteligente e Criativa. Esse programa tem a digital do Partido dos Trabalhadores, dos técnicos e agentes da política do nosso partido. Como se não bastasse, nós colocamos na chapa um dos nossos melhores e maiores quadros, a companheira Eliane Aquino, para ser vice de Edvaldo Nogueira. Pois bem, ganhamos a eleição

JLPolítica - E daí?
Márcio Macêdo -
E daí e o que vimos foi um processo que, de um lado, a gente insistia com relação ao programa, com relação a necessidade dos posicionamentos políticos e, do outro Edvaldo atuava de uma maneira a deixar claro que o governo era e que as diretrizes eram dele. Deixou, inclusive, de ser solidário em momentos cruciais para o Partido dos Trabalhadores, como a prisão do companheiro Lula e a campanha Lula Livre - Edvaldo foi incapaz de participar da caravana de Lula quando ele passou por aqui -, sem falar de elementos que a gente pode enxergar como grandes lacunas da administração, a exemplo do próprio slogan da administração.

Márcio ao lado de moradores da antiga Ocupação das Mangabeiras, visitando a reserva extrativista
CLASSIFICANDO O ATUAL PREFEITO DE VIRA-FOLHA
“Edvaldo fez uma opção política e mudou de lado. Se entregou à direita e decidiu fazer uma administração conservadora, se tornando incapaz de colocar o povo no orçamento da Prefeitura e, consequentemente, nas prioridades das políticas públicas. Todos sabem o papel do PT na chegada dele à Prefeitura. O PT foi decisivo nas eleições passadas, e ele sabe disso”

JLPolítica - Mas a gestão dele não tem a aprovação da sociedade?
Márcio Macêdo -
Não. Aracaju é uma cidade reprovada como cidade inteligente, significa que os princípios que norteiam a ideia de Smart City, que fundamentam o programa, não foram aplicados na prática. Eu digo, sem medo de errar, que a administração de Aracaju não é uma administração desastrosa, mas é uma espécie de zeladoria, um condomínio em que só se faz o básico. Aracaju precisa de muito mais e como percebemos que isso era uma questão recorrente, nós decidimos ter candidatura própria. E essa decisão veio por todos esses pontos que elenquei aqui e, também, por uma questão de posicionamento político de que a candidatura do PT tem condições de apontar no sentido de apresentar uma proposta de gestão dimensionada à realidade e aos desafios da contemporaneidade.

JLPolítica - Uma das queixas do senhor e da parte do PT é a de que Edvaldo Nogueira perdeu o norte e o senso para o social. De que forma isso mais se manifesta nele? 
Márcio Macêdo -
Edvaldo fez uma opção política e mudou de lado. Se entregou à direita e decidiu fazer uma administração conservadora, se tornando incapaz de colocar o povo no orçamento da Prefeitura e, consequentemente, nas prioridades das políticas públicas. Todos sabem o papel do PT na chegada dele à Prefeitura. O PT foi decisivo nas eleições passadas, e ele sabe disso. Mas, ainda assim, mesmo sabendo de nosso papel fundamental, ele optou por se distanciar do projeto original de Déda, decidindo caminhar por um lado que foge completamente daquilo que defendemos e entendemos como política pública. 

JLPolítica - Em que aspectos mais gerais? 
Márcio Macêdo - 
Edvaldo acabou com a participação popular, com o orçamento e o planejamento participativo. Ele esvaziou os mecanismos de controle social e acabou com a transparência pública. E isso ocasionou uma série de problemáticas na cidade, a exemplo do desmonte do projeto de saúde, iniciado no governo anterior ao dele. Esse novo Edvaldo apresentado, o real – que, outrora, camuflava-se em um discurso de progressista - nos fez perceber, por parte dele, um aprofundamento de um modelo de execução de obras, desconsiderando questões importantes, como o meio ambiente e os conceitos modernos de urbanismo, o que ocasiona recorrentes enchentes que ocorrem na cidade. Para além de todos os problemas supracitados, em meio a uma pandemia ele não pensou em nenhum programa de transferência de renda, como o Renda Básica, para os mais pobres. Não cuidou das pessoas. Deixou a população à mercê da Covid-19, com poucas e insignificantes ações. 

JLPolítica - Quando o senhor pisa no pé do gestor e do político Edvaldo, não está a pisar no seu próprio, uma vez que os senhores estiveram politicamente juntos desde criancinhas?
Márcio Macêdo -
Existe um ditado muito popular que diz: quer conhecer alguém, dê poder a ele. E foi isso que aconteceu. Sempre estivemos juntos, sim. Não há como negar isso. Contudo, quando ele ascendeu ao poder mais recentemente, percebemos uma mudança em seu posicionamento, como já mencionado acima. Mostrou sua verdadeira face. Foi somente agora, com o poder em mãos, que ele expôs seu lado real. Apresentou quem, de fato, o é.

Em carreata no bairro Bugio, o petista busca reavivar a memória do partido
UMA DURA OPINIÃO SOBRE O GOVERNO FEDERAL
“Tenho uma posição bem concreta sobre o governo Bolsonaro. Ele é um inconsequente e governa de maneira irresponsável, cruel. É um completo desgoverno. Sobretudo quando percebemos os cortes no orçamento em áreas que são fundamentais da sociedade, como educação, saúde, cultura, esporte, inclusão social”

JLPolítica - Em 2022, o senhor vai contar com Edvaldo Nogueira ou com Danielle Garcia e Rodrigo Valadares para combater Bolsonaro e o projeto de manutenção dele na Presidência?
Márcio Macêdo -
Como já disse em algumas oportunidades, a política é algo muito dinâmica. Então, a gente não pode simplesmente dizer que não vai fazer aliança com A ou com B, porque entendo que essas decisões dependem, também, do contexto político pelo qual a sociedade passa. Vivemos, hoje, um movimento de ultradireita no país, e isso é perceptível com os desmontes que vem acontecendo, além dos cortes de direitos que se refletem em todo o cenário nacional. Tenho uma posição bem concreta sobre o governo Bolsonaro. Ele é um inconsequente e governa de maneira irresponsável, cruel. É um completo desgoverno. Sobretudo quando percebemos os cortes no orçamento em áreas que são fundamentais da sociedade, como educação, saúde, cultura, esporte, inclusão social. Então, embora nosso foco seja nas eleições que estamos disputando agora, tenho plena convicção de que, em 2022, podemos dialogar com qualquer partido, a depender do cenário que se desenhe, menos ao lado desse iníquo. 

JLPolítica - O senhor não acha que o seu foco mais coerente de contestação seria o do combate aos direitistas do bolsonarismo?
Márcio Macêdo -
Nós nunca deixamos de combater o bolsonarismo. Fazemos isso desde o princípio e continuamos. Em todas as ações, fazemos oposição ao governo Bolsonaro e ao que o bolsonarismo representa do ponto de vista social e de falta de noção entre as pessoas. E mais: fazemos oposição à pauta moral que o bolsonarismo quer colocar como principal na esfera pública da sociedade, porém, uma coisa não tem relação com a outra. Nós também temos críticas a forma como Aracaju é conduzida. Vivemos em uma democracia, o contraponto é extremamente inerente aos sistemas democráticos. Não tem nenhum problema a nossa crítica à gestão de Edvaldo. As lacunas da gestão de Edvaldo Nogueira não podem sofrer questionamentos? Podem. E nós fazemos e vamos continuar fazendo.

JLPolítica - Qual é a dimensão deste aumento da miséria e da fome sobre Aracaju revelada pelo senhor agora?
Márcio Macêdo -
Quando se fala em uma situação tão delicada quanto essa, precisamos mostrar o quão real é a conjuntura que temos enfrentado. Segundo dados da Junta Comercial de Sergipe, desde o primeiro caso de Covid-19 registrado no Estado, em 14 de março, até o início do mês de outubro, 1.437 empresas fecharam as portas na capital. E isso acabou provocando a demissão de cerca de 6.500 pessoas do setor comercial em nossa cidade.

JLPolítica - Isso impacta o que?
Márcio Macêdo -
Isso reflete, diretamente, na situação vivida pelas pessoas, pois, segundo dados do Observatório Social de Aracaju, em 2019 a capital possuía um total de mais de 72 mil famílias - 174.499 - pessoas inseridas no Cadastro Único Municipal - CadÚnico - em situação de baixa renda. Dessas, 37.166 famílias - 102.308 pessoas - vivendo em situação de pobreza e extrema pobreza e 31.202 famílias - 91.144 pessoas - recebendo o Bolsa Família na Cidade. Ou seja, um déficit de 5.964 famílias sem o benefício do Bolsa Família. Além disso, os elevados níveis de desigualdade, acompanhados por extrema pobreza, informalidade, desproteção social e limitado acesso a serviços públicos de forma oportuna, demonstram o alto custo social que o país está pagando.

Em campanha, Marcio visita apoiadora convicta de sua escolha no bairro Getúlio Vargas
GOLPE CONTRA OS MAIS POBRES E OS PRETOS
“As fragilidades estruturais golpeiam com mais força os mais pobres e os pretos, deixando-os sem renda nem para os cuidados básicos para sua sobrevivência. O que, por sua vez, desencadeia uma série de riscos e vulnerabilidades, sobretudo, às populações que precisam de garantia de proteções, como crianças e adolescentes, mulheres, pessoas com deficiência, população LGBTQI+”

JLPolítica - Tem um segmento social que mais pague por isso entre os mais necessitados?
Márcio Macêdo -
Tem sim. As fragilidades estruturais golpeiam com mais força os mais pobres e os pretos, deixando-os sem renda nem para os cuidados básicos para sua sobrevivência. O que, por sua vez, desencadeia uma série de riscos e vulnerabilidades, sobretudo, às populações que, essencialmente, precisam de garantia de proteções, como crianças e adolescentes, juventudes, mulheres, pessoas com deficiência, população LGBTQI+ etc. 

JLPolítica - Como seu Plano de Governo tenta atalhar isso?
Márcio Macêdo -
Pensando nisso, nosso plano de governo é pautado em algumas ações direcionadas ao enfrentamento da pobreza e da extrema miséria em nossa capital. Como, por exemplo, a reestruturação da Secretaria Municipal da Assistência Social, com foco na operacionalização do SUAS - o Sistema Único de Assistência Social - e desmembrando as políticas de habitação de interesse social, de direitos humanos e as políticas transversais e afirmativas para órgãos próprios. 

JLPolítica - Como executar isso?
Márcio Macêdo -
Para real efetivação disso, buscaremos o cofinanciamento municipal com foco na regulação de investimentos nas proteções sociais asseguradas pelo SUAS e, também, com o olhar direcionado ao pleno funcionamento das instâncias colegiadas de participação da sociedade. Ainda neste sentido, vamos fomentar o Programa Humaniza SUAS Aracaju voltado para a adequação da ambiência (espaço físico e processos de trabalho) das unidades socioassistenciais, lançando mão de tecnologias leves (relacionais) para tornar o ambiente das unidades mais acolhedores e resolutivos. Estabelecendo, ainda, órgãos colegiados para o funcionamento da gestão do SUAS, incluindo nos processos de gestão a participação dos trabalhadores e usuários e o diálogo aberto com eles, além de entidades e movimentos sociais, conselhos e sindicatos de categorias, visando a transparência e a construção coletiva.

JLPolítica - É possível tudo isso sem uma atenção especial ao emprego e à renda?
Márcio Macêdo - 
Não. Dentro desse planejamento, também vamos promover a ampla reestruturação da gestão do trabalho e da educação permanente, e o fortalecimento do Fórum de Trabalhadores do SUA – e reestruturar e fortalecer o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - PETI -, garantindo uma equipe suficiente e eficaz para o desenvolvimento do programa. E, como consequência, fortalecer as ações de combate à pobreza e à fome, incorporando a perspectiva étnico-racial e de gênero em todas as ações de assistência social, de segurança alimentar e nutricional, e nos programas de transferência condicionada de renda do Governo Federal, com prioridade às mulheres chefes de família.

Na Zona Norte de Aracaju, Márcio cumprimenta entusiasmado família de apoiadores
OS ERROS GRAVES DA ATUAL GESTÃO DE ARACAJU
“Suspendeu o atendimento domiciliar aos doentes crônicos, diabéticos, renais. Tirou do povo o controle da gestão pública. Segue sem transparência, tanto que se tornou destaque nacional como a cidade com menor transparência durante a pandemia. Não incentiva os microempreendedores. A gestão segue fazendo um deslocamento para um modelo liberal, onde o mercado define as coisas e esquece o povo”

JLPolítica - Onde a gestão do município tem culpa nesse quadro de coisas, que pode ter raiz na matriz nacional?
Márcio Macêdo -
Em vários pontos. Mas, aqui, vamos pontuar algumas mais evidentes e que mostraram clareza neste momento de pandemia. Temos exemplos de diversos municípios do país de que, com sensibilidade às causas sociais, é possível levar assistência, em diversos âmbitos, aos que realmente precisam. Exemplos, que já citei em outras entrevistas, como Maricá (RJ), Lorena (SP) e Araraquara, também no estado de São Paulo, mostram como devem ser utilizados recursos para amparar diversas famílias diretamente afetadas pela pandemia da Covid-19. Em Maricá, Rio de Janeiro, foi criado o Programa de Amparo ao Trabalhador (PAT), que investiu cerca de R$ 80 milhões, beneficiando milhares de pessoas que fazem parte do programa Renda Básica de Cidadania. Em Lorena, estado de São Paulo, foi desenvolvido o Programa Renda Emergencial Temporária, beneficiando 5.851 famílias com uma renda extra mensal de R$122,42. No total, são R$1.432.558,84 destinados neste programa de assistência. Em Araraquara, também em São Paulo, existe o Bolsa Cidadania, programa que dá aporte financeiro de até R$ 636,60 às famílias em situação de vulnerabilidade. Agora, com a pandemia, além do benefício a população mais pobre, a gestão municipal também lançou a Rede da Solidariedade, que tem como objetivo doar cestas básicas à população. Ainda dentro das ações de amparo às camadas mais carentes da cidade, a prefeitura também arrecadou 21.102 itens de limpeza e higiene pessoal, que se transformaram em 3.741 kits. Então, lhe pergunto: o que foi feito neste sentido em Aracaju? Nada. Nesses municípios, as ações voltadas à renda mínima e atenção social têm dado bons resultados - e contribuído, efetivamente, com a manutenção de diversas famílias. Aqui nunca saiu do papel. Aracaju deveria seguir os exemplos e salvar vidas. Mas, o que vemos, é exatamente o contrário. A cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU - ocorreu normalmente, mesmo com diversas famílias desempregadas, sem ter o que comer.  Outro ponto que vale destacar está na maneira injusta e irresponsável que os R$ 159,2 milhões para o combate à Covid-19, conforme dados do Portal de Transparência da própria prefeitura, estão sendo utilizados. O que foi feito? Onde foi investido? 

JLPolítica - É aí que o senhor reforça a mudança e o rumo do Governo de Aracaju?
Márcio Macêdo - 
Sim. Os números estão aí para comprovar que o grande problema é que a gestão não acredita mais nas teses que os partidos progressistas defendem. Não investe, adequadamente, em saúde com atendimento básico ao povo, aos mais pobres. Suspendeu o atendimento domiciliar aos doentes crônicos, diabéticos, renais. Tirou, do povo, o controle da gestão pública. Segue sem transparência, tanto que se tornou destaque nacional como a cidade com menor transparência durante a pandemia. Não incentiva os pequenos e microempreendedores. A gestão segue fazendo um deslocamento para um modelo liberal, onde o mercado define as coisas e esquece o povo. E isso reflete, de maneira direta e cruel, naqueles que mais precisam.

JLPolítica - De todas, quais seriam as áreas mais centrais de intervenção de um eventual governo do senhor à frente da gestão de Aracaju?
Márcio Macêdo -
Vivemos um momento de expressivas e rápidas transformações no meio ambiente natural e urbano do município de Aracaju. Por causa disso, entendemos que é necessário ter, fundamentalmente, um olhar crítico, perceptivo e analítico para entendimento da configuração em que a cidade se encontra e, também, para a compreensão morfológica socioespacial do ambiente construído. Diante disso, se torna relevante analisar os impactos no ambiente natural, na paisagem cultural da cidade, na apropriação do espaço e suas relações diretas com a infraestrutura de saneamento básico, dos serviços urbanos, mobilidade e sistema viário, bem como a articulação com os equipamentos urbanos de abastecimento, educação, saúde, cultura e lazer, assim como os padrões da dinâmica urbana e suas interferências nas questões de urbanidade, civilidade e qualidade de uma vida digna. Sendo assim, é imprescindível compreender o momento que temos percorrido e, assim, destacar que a cidade cresce de maneira formal e informal, tendo os espaços resultantes da formalidade providos pelo mercado imobiliário e por empreendimentos públicos, e os da informalidade por assentamentos populares autoconstruídos. A cidade é um organismo vivo e dinâmico, fruto da ação e apropriação de seu território pelos diferentes atores sociais. 

JLPolítica - Há indicativos de que a cidade demograficamente cresce a passadas descomunais.
Márcio Macêdo -
Aracaju possui hoje, de acordo com o IBGE, uma população aproximada de 660 mil habitantes, mas, em 2000, quando iniciamos a primeira e inesquecível gestão petista, possuía 461.534 habitantes, o que nos mostra um crescimento em 20 anos de aproximadamente 30% de sua população. Este dado evidencia, então, as rápidas mudanças do mercado imobiliário iniciado em torno de 1995, se estendendo entre 2000 e 2010, e com uma expressiva expansão entre os anos 2010 a 2015 com a construção de novos empreendimentos habitacionais. Essa explicação traz à tona o processo de expansão urbana que vem gerando rupturas e problemas pontuais, relacionadas com a falta de permeabilidade urbana decorrente do esgarçamento do tecido urbano, além de impactos ambientais, desconexões, descontinuidades formais, descaracterização da paisagem, geração de aumento de tráfego no sistema viário existente, alteração nos padrões da cidade tradicional, negação do espaço público e um espalhamento da cidade gerado pela apropriação de áreas menos valorizadas com terrenos de menor valor. Todos estes fatores conformam a dinâmica e ambiência urbana em 2020. Dessa forma, fica evidente, portanto, a necessidade da construção participativa de um novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, com proposições de intervenções prioritárias nos assentamentos populares para equalizar a distribuição de infraestrutura, serviços urbanos, equipamentos públicos e qualificação dos espaços públicos, além do incremento de políticas, principalmente nos âmbitos de saúde, educação, esporte, cultura e lazer. Divididos em três eixos programáticos essenciais para efetiva resolução das problemáticas presentes, com foco na inclusão social - atuando nos âmbitos da saúde, assistência social, educação, cultura, segurança pública municipal, valorização das mulheres, promoção de igualdade social, olhar atento à juventude e direitos da população LGBTQIA+, no direito à cidade, centralidade do planejamento urbano, territorialização da cidade, sustentabilidade e empreendedorismo.

Márcio com a sua vice, Ana Lúcia, e a esposa, Karina Marx Macêdo, durante campanha Lula Livre, em 2018
NECESSIDADE PLANO DIRETOR DE DESENVOLVIMENTO URBANO
“Dessa forma, fica evidente, portanto, a necessidade da construção participativa de um novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, com proposições de intervenções prioritárias nos assentamentos populares para equalizar a distribuição de infraestrutura, serviços urbanos, equipamentos públicos e qualificação dos espaços públicos, além do incremento de políticas, principalmente nos âmbitos de saúde, educação, esporte, cultura e lazer”

JLPolítica - O que uma eventual gestão do senhor em Aracaju faria pela inclusão das pessoas ao mundo da produtividade e da renda?
Márcio Macêdo -
Nós vamos criar o Bolsa Família Aracaju e o Bolsa Trabalho Aracaju. Esses dois projetos têm foco na atenção àqueles que estão em situação de vulnerabilidade social e, também, no desemprego. Em Aracaju, segundo o IBGE, cerca de 2.500 famílias vivem abaixo da linha da pobreza, com cerca de R$ 80,00 mensais. Essas famílias, que não têm acesso aos benefícios do Governo Federal, através do CadÚnico, serão amparadas pelo Bolsa Família com valor mensal de R$ 200,00. Além disso, vamos fortalecer o atender a população em extrema pobreza e contribuir para o fortalecimento do pequeno comércio de bairro, onde as compras dos bens e produtos ocorrerão. Com isso, vamos garantir a descentralização, com equipes de cadastradores nos equipamentos socioassistenciais, e equipe móvel para atender os territórios com alto índice de desproteção social, incluindo territórios de povos e comunidades tradicionais, quilombolas, comunidades de terreiro, ciganos, pescadores artesanais, família acampada, família de preso do sistema carcerário etc. E, ainda, utilizar a matricialidade e as seguranças afiançadas do SUAS no âmbito do cadastro, controle das condicionalidades e da perspectiva da “porta de saída”. No âmbito do trabalho e renda, vamos criar o Bolsa Trabalho Aracaju, com postos de trabalho, com contratação por seis meses, para desempregados que não estejam recebendo seguro-desemprego, priorizando aqueles que se encontram em situação de maior vulnerabilidade econômica e social. Esses postos de trabalho serão distribuídos em atividades de interesse público, tais como manutenção urbana e de espaços públicos; reforma de instalações, especialmente escolas e postos de saúde; manufaturas e serviços destinados ao mercado; e atividades auxiliares em equipamentos públicos, como os ligados à Saúde, CRAS. Dentro dessa perspectiva, vamos atender, inicialmente, 1.000 participantes que receberão o Bolsa Trabalho Aracaju no valor de R$ 300,00 e seguro de acidentes pessoais, prestando os serviços de interesse local - quatro dias da semana, seis horas por dia - e frequentando curso de qualificação profissional, um dia por semana, totalizando 150 horas de capacitação. A meta é alcançar 10 mil pessoas até 2024.

JLPolítica - Quais são o papel e o peso do discurso de equidade de gênero numa eleição como a de Aracaju? 
Márcio Macêdo -
O PT historicamente tem dialogado com as pautas de gênero. Elegeu a primeira presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e incentiva nos seus quadros a participação feminina e LGBTQIA+ nas políticas públicas promovidas em suas gestões. Neste pleito, temos como candidata a vice a professora Ana Lúcia, uma das mulheres que fundou o PT em Sergipe e com vasta atuação legislativa em nosso Estado, sendo, também, grande referencial político e protagonista histórica do acesso da mulher às instâncias de poder e de luta em defesa dos direitos. É com esta chapa eleitoral que estamos construindo caminhos para que mais mulheres disputem a agenda política. Temos, ainda, mulheres candidatas a vereadoras que exercem forte liderança com representação de gênero com voz e atuação em várias frentes de discussão, envolvendo as mulheres negras que militam em vários movimentos de base. Neste contexto, entendemos a importância da participação das mulheres no espaço de poder e decisão de criar, implantar e fortalecer o órgão municipal para conduzir as pautas de gênero. Queremos uma cidade com as mulheres e que atenda as demandas de gênero. Para isso, nosso programa tem como proposta garantir no PPA, na LDO e na LOA dotação mínima orçamentária para as políticas para as mulheres, com a estruturação do órgão gestor, programas e serviços, a construção de um Plano de Igualdade de Gênero, além de incentivar e apoiar as organizações coletivas das mulheres como instrumento de transformação de suas vidas, da família e das comunidades.
Da mesma forma, entendemos a indispensável urgência de atendimento às demandas que discutam e promovam ações de garantia de direitos para a população LGBTQIA+. E, com isso, pensar políticas públicas para a cidadania LGBTQIA+ na agenda, com foco no convívio saudável, respeitoso e inclusivo. Nossa gestão vai criar o Conselho Municipal da População LGBTQIA+ para elaboração, acompanhamento e execução do Plano Municipal de Políticas Públicas para este grupo social, com respeito à diversidade e às demandas por meio de uma rede de proteção social envolvendo saúde, educação e necessidades profissionais que façam enfrentamento à discriminação e lgbtfobia. Outra medida que queremos implantar é o uso do nome social em todos os órgãos da administração públicas municipal. Ainda falando neste assunto, acabamos de assumir o compromisso com apresentação de propostas que promovam a cidadania como uma construção coletiva e que envolva toda a sociedade, com foco na criação e no exercício de novos direitos. Acreditamos em políticas que têm por finalidade assegurar a todas, todos e todes as mesmas oportunidades para que, dessa maneira, possam se desenvolver e participar dos espaços da sociedade e, assim, eliminar as barreiras sociais, econômicas, políticas, jurídicas e culturais, tendo como premissa o acesso às mesmas oportunidades, independentemente de gênero, raça e etnia.

JLPolítica - O que têm sido Aracaju e suas gestões do ponto de vista ambiental, e o que o senhor faria de diferente? 
Márcio Macêdo -
Primeiro, para falar das questões ambientais, é importante registrar que ela tem hoje uma importância para a vida urbana e social, mas também é importante dizer que, no caso de uma cidade como Aracaju, uma cidade planejada, o meio ambiente dialoga diretamente com a necessidade de a cidade ter o planejamento como eixo fundamental do processo de construção e materialização de uma gestão. Todavia, o que a gente vê hoje é uma cidade crescendo desordenadamente, inclusive em áreas que a gente tem um processo de riqueza natural muito significativa. 

JLPolítica - Como seria sob um eventual governo do senhor? 
Márcio Macêdo -
A gente não pode jamais deixar que o processo de crescimento da cidade nos impeça de verificar o potencial ecológico e ambiental que a cidade tem e a necessidade de preservação de áreas. Sendo assim, hoje, a pauta ambiental diz respeito a projetos que dialoguem com a impermeabilidade do solo, e que se possa rever o processo da zona de expansão e os cuidados que se precisa ter com aqueles locais. Por exemplo, a Ocupação das Mangabeiras, quando se entra ali, vive-se a sensação de estar entrando em um santuário urbano. A gente não pode deixar que aconteça novamente em Aracaju o que aconteceu, por exemplo, há alguns anos com a região do bairro Jardins, em que se teve a ocupação por construtoras e, no final, restou apenas uma área preservada, que é a Área de Preservação do Parque Tramandaí. E que, hoje, inclusive, não recebe a atenção necessária. A gente não pode deixar que o processo de planejamento da cidade seja feito atropelando o Plano Diretor, que está sem revisão há duas décadas. Edvaldo Nogueira está disputando o quarto mandato e nunca priorizou o Plano Diretor.

Márcio, com as filhas Ana Rosvita e Mariana, o enteado Lucca, os netos Júlia, Fernando e Guilherme e o genro
ISENTA PT DE RESPONSABILIDADE PELA ELEIÇÃO DE BOLSONARO
“Culpa do PT na eleição de Bolsonaro!? Quanto eu atribuo? Zero. Se alguém tem culpa pelo processo de ascensão de uma figura como a de Bolsonaro ao principal posto da República esse alguém é o sistema político e são as estruturas de poder da sociedade. A gente não pode deixar de enxergar a história recente do Brasil com os olhos de quem está vivendo-a, de quem está fazendo parte dela”

JLPolítica - Quanto de culpa o senhor atribui ao PT para o fato de o Brasil ter hoje na Presidência da República uma figura do porte de Jair Bolsonaro? 
Márcio Macêdo -
Culpa do PT na eleição de Bolsonaro!? Quanto eu atribuo? Zero. Se alguém tem culpa pelo processo de ascensão de uma figura como a de Bolsonaro ao principal posto da República do Brasil esse alguém é o sistema político e são as estruturas de poder da sociedade. A gente não pode deixar de enxergar a história recente do Brasil com os olhos de quem está vivendo-a, de quem está fazendo parte dela. 

JLPolítica - E o que a história mais recente do Brasil nos aponta? 
Márcio Macêdo -
Que nós estamos em um processo de acirramento político no Brasil desde 2014, quando a presidente Dilma foi reeleita. O adversário dela, do PSDB, pediu recontagem dos votos, não reconheceu o resultado e se uniu, junto a Eduardo Cunha, em um processo que culminou no impeachment sem crime. Na verdade, houve, sim, um crime contra a democracia, contra o Estado de Direito e contra o voto popular. Depois nós tivemos a prisão arbitrária do ex-presidente Lula. A retirada de cena dele do processo eleitoral, em 2018, com sua prisão que durou meses em uma cela em Curitiba. Isso tudo, com a intenção de que aqueles que urdiram o processo do golpe ascendessem ao poder. Mas o projeto não vingou. As candidaturas daqueles que atuaram na articulação do golpe não encontraram ressonância na população e, com isso, acabamos tendo esse processo de acirramento da polarização política no país, fazendo uma ultradireita, perversa e absurda, ascender ao poder. Porém, como disse, o PT tem culpa zero nesse processo. Ao contrário. É, também, vítima dele.

JLPolítica - O senhor está torcendo ou não pela eleição do deputado federal Fábio Reis a prefeito de Lagarto, o que lhe abriria uma vaga na Câmara Federal caso não seja eleito prefeito de Aracaju?  
Márcio Macêdo - 
Fábio Reis é meu amigo e, por assim ser, torço por ele. Isso é natural. Sei que, assim como foi no Congresso Nacional, continuaremos sendo colegas. Mas, dessa vez, em outras funções. Ele como prefeito de Lagarto e eu como o de Aracaju.