Marcos Andrade: "Laércio Oliveira é nosso grande líder e, por gratidão, será sempre consultado"

Entrevista

Jozailto Lima

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Marcos Andrade: "Laércio Oliveira é nosso grande líder e, por gratidão, será sempre consultado"

“Queremos fazer algo que mostre à sociedade sergipana que podemos produzir mais. Muito mais”
17/07/2022-19h

Na segunda-feira da semana passada, 11 de julho, o contador e homem de negócios Marcos Andrade, 58 anos, finalmente assumiu o comando da Federação do Comércio do Estado de Sergipe - Fecomércio - e de todo o seu Sistema composto pelo Sesc e Senac.

E assumiu com sangue nos olhos e com força nas juntas para realizar e, sobretudo, para incorporar gente e processos novos à gestão que ele tocará por quatro anos.

De por Marcos, fica congelada no passado e devidamente dissipada toda a confusão que se deu no processo eletivo que vazou o comando de Laércio Oliveira para a sua pessoa no primeiro semestre deste ano.

Marcos acha que a eleição foi a mais limpa e democrática possível, e se admite disposto a incorporar os seus contrários na lida da instituição. “Que pecado nós cometemos? O de termos um grupo coeso?”, sustenta ele.

“Eu costumo dizer que esse é o caso de uma minoria com complexo de maioria. Está claro: eu nunca vi cinco ganhar para sete. Não é democrático. Na democracia, ganha a maioria. Não tem como ser diferente. Tem?”, questiona.

Mas Marcos Andrade se coloca nesse meio-campo aparentemente sem ranços. “Quando for procurado, não vejo motivo nenhum da gente continuar uma briga que já acabou. Estamos abertos para o diálogo”, diz.

“Nós somos homens de diálogo e de conciliação. Eu acho que quem pecou tem que pedir o perdão, pedir as desculpas, ser humilde, simples - isso é o que engrandece o homem. A simplicidade e humildade”, reforça.

Na verdade, meio polyânico, Marcos Andrade prefere ver somente virtudes no universo do Sistema Fecomércio. E as identifica aos borbotões na ação e na gestão do velho de Laércio Oliveira bom de turra, de guerra e de demarcação de terreno.

“Vale registrar e ressaltar aqui que Laércio Oliveira deu vida ao Sistema Fecomércio/Sesc/Senac. Laércio pegou uma entidade arcaica, defasada e sem conhecimento e em oito anos de gestão fixou um “antes de Laércio” e um “pós-Laércio”, que é como eu costumo dizer. Nós temos 75 anos de Sistema em Sergipe, e o que Laércio fez em oito anos supera os outros 67 anos”, patenteia Marcos.

Mas ele não quer de modo algum ficar acocorado à margem disso e mirando o passado de Laércio. Está repleto de planos. “Queremos fazer algo que mostre à sociedade sergipana que podemos produzir mais. Muito mais”, compromete-se.

Esta introdução não vai transcrever os planos principais de Marcos Andrade na Presidência da Fecomérico - a título de fomentar que você, leitor, vá com mais vontade ao corpo da Entrevista.

Nela, Marcos diz o que já foi na estrutura de órgãos classistas de Sergipe e sobretudo o que mais pretende ser e fazer com a função top à qual chegou. 

José Marcos de Andrade nasceu no dia 6 de maio de 1964, na cidade de Tobias Barreto. É filho de José Cupertino de Andrade e de Maria de Lourdes da Conceição de Andrade, ambos já falecidos.

É casado com Josiane Santana Andrade, uma contadora, e é pai de Loren Suyane Oliveira de Andrade, 32 anos, médica; José Airton Oliveira de Andrade, 31 anos, advogado; José Marcos de Andrade Júnior, 22, advogado, e Marcos Felipe Santana de Andrade, 15 anos, estudante.

Ele é também um contador com formação acadêmica desde 1989 por uma universidade sergipana e tem especialização como perito e é pós-graduado em Perícia Contável, em Auditoria e em Empreendedorismo pela Università Cattólica del Sacro Cuore de Milão, na Itália.

Marcos Andrade e Josiane Santana Andrade em dia de sim lá em 1997. Hoje, eles têm dois filhos
Marcos Andrade nasceu em 6 de maio de 1964, em Tobias Barreto e é filho de José Cupertino de Andrade e de Maria de Lourdes da Conceição de Andrade, ambos já falecidos

O QUE LAÉRCIO OLIVEIRA FEZ SUPEROU TUDO
“Vale registrar e ressaltar aqui que Laércio Oliveira deu vida ao Sistema Fecomércio/Sesc/Senac. Laércio pegou uma entidade arcaica, defasada e sem conhecimento e em oito anos de gestão fixou um “antes de Laércio” e um “pós-Laércio”, que é como costumo dizer. Temos 75 anos de Sistema em Sergipe, e o que Laércio fez em oito anos supera os outros 67 anos”

JLPolítica - Qual será o foco da gestão do senhor à frente da Fecomércio nos próximos quatro anos?
Marcos Andrade - Queremos fazer algo que mostre à sociedade sergipana que podemos produzir mais. Muito mais. Vale registrar e ressaltar aqui que Laércio Oliveira deu vida ao Sistema Fecomércio/Sesc/Senac. Laércio pegou uma entidade arcaica, defasada e sem conhecimento e em oito anos de gestão fixou um “antes de Laércio” e um “pós-Laércio”, que é como eu costumo dizer. Nós temos 75 anos de Sistema em Sergipe, e o que Laércio fez em oito anos supera os outros 67 anos.

JLPolítica - Mas o que a gestão de oito anos de Laércio Oliveira deixou mesmo de positivo? Qual o traço principal dessa gestão?
MA - Deixou de positivo qualificação profissional e social e interiorização de todo o Sistema, com obras pontuais através das quais demonstrou a sua competência como administrador e como gestor.

Marcos e o pelotão de choque familiar dele: a filharada Loren Suyane Oliveira de Andrade, José Airton Oliveira de Andrade, José Marcos de Andrade Júnior e Marcos Felipe Santana de Andrade

UMA OBRA FUTURA QUE VAI MARCAR
“O projeto principal é uma nova unidade do Senac e uma unidade do Sesc em Tobias Barreto. para esse Sesc vamos buscar, a nível nacional, uma escola em tempo integral, na qual o filho do comerciário entra 7h da manhã e sai às 5h da tarde. E com o currículo comum, em primeiro momento, na parte da manhã, digamos, e o currículo de formação profissional no segundo momento”

JLPolítica - Terá algo de negativo, ou fora de rota, a ser reparado da gestão dele?
MA - Eu acho que a gestão de Laércio Oliveira foi próximo da perfeição. Eu dizer que é perfeição é complicado, mas é próximo à perfeição, porque Laércio agregou, buscou todas as entidades empresariais para o mesmo foco, para o mesmo bojo, coisa que não existia, porque cada um queria fazer algo diferente. As entidades empresariais, e eu vou citar algumas, - CDL, FCDL, Associação Comercial, Faciase e Federação do Comércio - foram trazidas para o mesmo bojo para desenvolver o comércio de Sergipe. Ou seja, ele teve essa ideia, levou essa mensagem para todos e agregou a todos em um objetivo comum.

JLPolítica - O empresário Juliano César, da Fasouto, costuma repetir um bordão parecido com o adotado por JK, de que Laércio “fez oitenta anos em oito”. O senhor subscreve?
MA - Subscrevo. Sim, fez oitenta em oito. E eu acredito que Juliano César se inspirou também no que eu digo, que é esse antes de Laércio e o depois Laércio, que em oito anos ele fez mais do que todos os outros. Repetindo: mais do que em 67 anos anteriores da instituição. São bordões parecidos.

JLPolítica - Quais foram as obras iniciadas e deixadas inconclusas pela ex-gestão da Fecomércio?
MA - Nós temos o Teatro Mariana Moura, na Atalaia, o Centro Odontológico da Rua Dom José Thomaz, o Complexo Desportivo no Siqueira Campos, a piscina aquecida, que é para as pessoas da melhor idade, e a creche. E uma academia. Todo no Siqueira também.

Laércio Oliveira, para Marcos Andrade, um gestor que marcou a Fecomércio: “Em oito anos de gestão fixou um “antes de Laércio” e um “pós-Laércio”

NENHUMA REGIÃO EM DESCOBERTO PELA FECOMÉRCIO
“Eu diria que Laércio Oliveira levou a entidade para onde havia falha. Exemplo: Propriá. Ali existia uma unidade e foi simplesmente fechada. Esqueceram que Propriá existia. E Laércio levou de volta e tem lá uma unidade funcionando a todo vapor. E, modéstia à parte, leva o meu nome”

JLPolítica - Quais são as obras previsíveis de serem realizadas em sua gestão?
MA - O projeto principal, que hoje está em foco, é uma nova unidade do Senac e uma unidade do Sesc em Tobias Barreto. Vale ressaltar que para esse Sesc nós vamos buscar, a nível nacional, uma escola em tempo integral, na qual o filho do comerciário entra 7h da manhã e sai às 5h da tarde. E com o quê? Com o currículo comum, em primeiro momento, na parte da manhã, digamos, e o currículo de formação profissional no segundo momento, que é com laboratórios. Ou seja, nós iniciaremos com o primeiro ano do primeiro grau e, à medida que for avançando, vai criando novas turmas.

JLPolítica - Essa unidade ficaria aonde?
MA - Também na cidade de Tobias Barreto. Nós vamos ter uma reunião na próxima semana com o prefeito Dilson de Agripino -, já está pré-agendada, só vou definir o dia, que ele pediu que eu definisse -, e vamos olhar duas áreas de terra, uma no centro de Tobias Barreto, e outra fora, que para essas duas unidades necessitaremos de 20 mil metros quadrados.

JLPolítica - Tem alguma das tantas regiões de Sergipe na qual a Fecomércio e seu Sistema precisam agir mais e melhor?
MA - Eu diria que Laércio Oliveira levou a entidade para onde havia falha. Exemplo: Propriá. Ali existia uma unidade e foi simplesmente fechada. Esqueceram que Propriá existia. E Laércio levou de volta e tem lá uma unidade funcionando a todo vapor. E, modéstia à parte, leva o meu nome.

Marcos Andrade e os seus cinco numa viagem familiar

MAS HÁ ÁREAS A REPARAR E A ASSISTIR MELHOR
Eu ressaltaria não cidades, mas bairros, talvez. Em Aracaju, digamos, ao bairro do Augusto Franco, que é uma cidade grande dentro de Aracaju, falta algo. Eu vou tentar fazer algo por ali, para que a gente leve o Sistema com mais força para aquela região. Para ter uma presença maior lá”

JLPolítica - Mas não tem uma área, uma zona do Estado, da qual diga-se “mesmo Laércio tendo feito tanto, essa zona é carente de atuação”?
MA - Eu ressaltaria aí não cidades, mas bairros, talvez. Em Aracaju, digamos, ao bairro do Augusto Franco, que é uma cidade grande dentro de Aracaju, falta algo. Eu vou tentar fazer algo por ali, para que a gente leve o Sistema com mais força para aquela região. Para ter uma presença maior lá.

JLPolítica - Qual é o orçamento da Fecomércio, e ele é estabelecido para cada ano ou para os quatro da gestão?
MA - É para cada ano. Nós temos um sistema próprio, do Sistema S, que cuida dessa questão. Nós não somos guiados pela lei 866.

JLPolítica - Já recebe pronto esse orçamento?
MA - Pronto, entre aspas: nós aprovamos a nível de Conselho Regional com o aval do Conselho Nacional. Para o próximo ano, vai ser em torno de R$ 250 milhões o orçamento do Sistema todo. De todo o Sistema aqui de Sergipe.

Marcos Andrade e o pai, seu José Cupertino, que já partiu desta pro andar de cima

ATIVADO O PROJETO DE UMA NOVA SEDE
“Essa possibilidade vem de Laércio, e foi gerada por um recurso a nível nacional. Diga-se de passagem que vem de mim também, que era membro da Diretoria CNC, como Laércio era - ele titular e eu suplente. Em 2017 a CNC aprovou a liberação de R$ 10 milhões para todas as federações que assim quisessem ter esse recurso”

JLPolítica - Isso corresponde a prefeituras de grande porte em Sergipe, não é?
MA - Eu costumo dizer que corresponde a mais de 50% das Prefeituras sergipanas. Fica acima do orçamento de 50% delas.

JLPolítica - Durante a última campanha esteve em pauta a possibilidade de se construir uma sede própria para a Fecomércio. A sua gestão acolhe essa possibilidade?
MA - Eu quero ressaltar o seguinte: primeiro, essa possibilidade vem de Laércio, e foi gerada por um recurso a nível nacional. Diga-se de passagem que vem de mim também, que era membro da Diretoria da Confederação Nacional do Comércio - CNC -, como Laércio era - ele titular e eu suplente -, com a gente frequentando a CNC. Em 2017 a CNC aprovou a liberação de R$ 10 milhões para todas as federações que assim quisessem ter esse recurso.

JLPolítica - Para qual finalidade?
MA - Eram R$ 10 milhões para construir uma sede própria. Posteriormente, foram aprovados mais R$ 5 milhões. Ou seja, perfazendo R$ 15 milhões. Esses recursos vão estar disponíveis lá na CNC e eu vou buscar. Não posso garantir que vão ser liberados, mas eu vou buscar. Eu até acredito que serão liberados, já que nós estamos alinhados e aliados com o atual presidente Roberto Tadros. Nós faremos parte da nova Diretoria, então, assim sendo, pretendemos construir uma sede.

JLPolítica - Qual seria o perfil dessa sede?
MA - Será uma sede onde tenha um Call Working, onde haja um auditório para atender as empresas, porque vale ressaltar que a Federação atende aos empresários e o Sesc e Senac atendem aos comerciários, ao público-alvo. De modo que esses recursos estão lá e eu irei buscá-los sim.

JLPolítica - Na sua visão, R$ 15 milhões dariam uma sede de que porte?
MA - Eu acho que daria um prédio de cinco andares. Em um dos pretendo colocar a Fecomércio, um outro andar para todos os sindicatos agregados, porque vai reduzir o custo deles e melhorar o serviço prestado por cada um. Outro onde fixaríamos as direções do Sesc e do Senac, e os demais espaços para prestar serviço aos empresários, sejam eles pequenos ou grandes.

Marcos Andrade e o jornalista Jozailto Lima, autor desta Entrevista, num bate papo antes de gravar as falas

QUE PRÉDIO SE FARIA COM R$ 15 MILHÕES?
“Acho que daria um prédio de cinco andares. Em um dos pretendo colocar a Fecomércio, um outro andar para todos os sindicatos agregados, porque vai reduzir o custo deles e melhorar o serviço prestado por cada um. Outro onde fixaríamos as direções do Sesc e do Senac, e os demais espaços para prestar serviço aos empresários”

JLPolítica - Fundamentalmente seria em Aracaju essa sede...
MA - Necessariamente. Nós pensamos muito em ser em algum prédio desses antigos, porém eu já olhei alguns e o prazo de comodato deles é de 20 anos, e nós não podemos investir de R$ 10 milhões ou R$ 15 milhões num comodato de 20 anos. Não tem como. Então o bom seria um terreno ou próprio ou cedido, doado, digamos, exemplo. Que a Prefeitura da capital doasse, e a gente construísse esse prédio no qual estivesse todo mundo junto.

JLPolítica - Diante dos embates jurídicos da última campanha, a sua eleição e, logo, o seu mandato, permanecem judicializados?
MA - Esses são detalhezinhos que têm demonstrado que não vingaram, porque sempre digo que foi um processo democrático, legal e respeitando todas as regras estatutárias e o regulamento eleitoral. Ou seja, foi perfeito, democrático, transparente e correto.

JLPolítica - O Breno França chegou a dizer que Laércio Oliveira rasgou os estatutos da Fecomércio durante a eleição. O senhor acha que ele excedeu ou exorbitou?
MA - Acho, pois quem rasgou os estatutos foi o próprio Breno aqui em uma reunião de Conselho. Quem rasgou foi ele e fez fisicamente. Não pode dizer que foi Laércio.

JLPolítica - O senhor, portanto, dá por encerradas as pendências?
MA - Com certeza.

JLPolítica - Mesmo estando a aguardar decisão judicial?
MA – Mas ele tem perdido todas.

Marcos Andrade sob os afagos da filha Lorena Suyane Oliveira de Andrade num instante em Veneza, na Itália

DISPOSIÇÃO PARA INCORPORAR OS DISSIDENTES
“Estamos abertos para o diálogo. Nós somos homens de diálogo e de conciliação. Acho que quem pecou tem que pedir o perdão, pedir as desculpas, ser humilde, simples - isso é o que engrandece o homem. A simplicidade e humildade. Quando for procurado, não vejo motivo nenhum da gente continuar uma briga que já acabou”

JLPolítica - O seu projeto de gestão vê chances de reanexar à realidade da instituição aqueles dissidentes todos?
MA - Estamos abertos para o diálogo. Nós somos homens de diálogo e de conciliação. Eu acho que quem pecou tem que pedir o perdão, pedir as desculpas, ser humilde, simples - isso é o que engrandece o homem. A simplicidade e humildade. Quando for procurado, não vejo motivo nenhum da gente continuar uma briga que já acabou. 

JLPolítica - O senhor e Laércio não admitem a possibilidade de um pecado do lado de vocês?
MA - Não. Não. Que pecado nós cometemos? O de termos um grupo coeso? Eu costumo dizer que esse é o caso de uma minoria com complexo de maioria. Está claro: eu nunca vi cinco ganhar para sete. Não é democrático. Na democracia, ganha a maioria. Não tem como ser diferente. Tem?

JLPolítica - Em quais áreas sociais o papel do Sesc/Senac se acentua mais na vida dos descendentes dos trabalhadores do comércio e dos serviços em Sergipe?
MA - Os próprios nomes de cada uma dessas entidades já correspondem ao que fazem. Senac - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial -, ou seja, é o braço profissionalizante do sistema, no qual nós temos mais de 200 tipos de curso… é preciso ver um aparelho que Laércio inaugurou aqui, é coisa de primeiro mundo, no qual vai profissionalizar cozinheiro, o confeiteiro, o garçom, o atendente de hotel e a camareira, tudo no mesmo espaço interligado ao turismo local.

JLPolítica - O Sesc faz o mesmo no...
MA – O Serviço Social do Comércio - Sesc - já é a parte social. É o de contemplar, em sua maioria, o tempo vago dos comerciários. É a parte do turismo, do lazer, do entretenimento, do esporte, da saúde. Ou seja, é a parte social. A das escolas. Nós temos hoje uma escola de excelência no mesmo espaço onde ficava a Graccho Cardoso. Lá tem quase 2.200 alunos filhos de comerciários.

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SEM ADMITIR QUALQUER PECADO NO PROCESSO
“Não. Que pecado cometemos? O de termos um grupo coeso? Eu costumo dizer que esse é o caso de uma minoria com complexo de maioria. Está claro: eu nunca vi cinco ganhar para sete. Não é democrático. Na democracia, ganha a maioria. Não tem como ser diferente. Tem?”

JLPolítica - A pandemia do coronavírus dificultou, de algum modo, a vida, o orçamento e a as realizações do Fecomércio nos últimos dois ou três anos?
MA - Com certeza, com certeza. Nós fomos quase à estaca zero das realizações, o Sistema sofreu como toda a economia, sem exceção. Aliás, não houve exceção em país nenhum do mundo.

JLPolítica - Mas o senhor considera isso passado ou mais ou menos dissipado?
MA - Digamos que estamos com 80% de dissipado. Acho que ainda requer mais um ano e cuidados para que chegamos aos índices de 2019. Ainda precisamos de um pouco mais. Ainda tem um déficit.

JLPolítica - Está acontecendo algo digno de chamar a atenção no desenvolvimento do comércio e dos serviços sergipanos além do que se passa na capital e nas cidades polos, como Socorro, Lagarto e Itabaiana?
MA - Ah, está. Vou citar Itabaianinha e Tobias Barreto, onde nós fazemos parte do Prodeter, que é o Programa de Desenvolvimento Territorial, promovido pelo Banco Nordeste. Nós, recentemente, tivemos já a construção final do projeto. Há um ano e pouco estávamos na discussão do que é um polo de confecções de Tobias Barreto e Itabaianinha, agregando os dois municípios. E, futuramente, iremos ampliar esse polo para Riachão do Dantas e Poço Verde. O objetivo é esse, porque Tobias Barreto já é a parte de confecções de cama, mesa e banho, já tem a divisa com Poço Verde, então o objetivo com o Banco Nordeste é ampliar. Eu sou vice-presidente do Sindicato do Comércio de Tobias Barreto - já fui presidente - e ambos, tanto a federação quanto o sindicato, fazem parte do Prodeter. Então já estamos investindo em divulgação e em qualidade, investindo em união entre as cidades, porque tem que ser bom não só para uma. Quem vai para Tobias Barreto pode dar um pulo em Itabaianinha e vice-versa. Ou seja, você agrega dois municípios com um objetivo comum.

JLPolítica - E no Agreste, no Sertão, no Baixo São Francisco, tem alguma coisa acontecendo? Ou que os senhores possam levar a acontecer?
MA - Nós temos em torno de 15 unidades móveis, seja da Saúde Mulher, seja da hospitalidade, que é em relação ao turismo, seja odontológica, o Sesc Ler, Cine Sesc, que iremos levar para os pequenos municípios de Sergipe, de preferência aqueles povoadozinhos nos quais ninguém nunca assistiu a um filme antes.

Marcos Andrade e seus companheiros de Diretoria no primeiro evento oficial dele depois da posse, o Tesoura e Ouro

DIFICULDADES GERADAS PELA PANDEMIA
“Com certeza. Nós fomos quase à estaca zero das realizações, o Sistema sofreu como toda a economia, sem exceção. Aliás, não houve exceção em país nenhum do mundo. Digamos que estamos com 80% de dissipado. Acho que ainda requer mais um ano e cuidados para que chegamos aos índices de 2019”

JLPolítica - Ir para Samambaia, por exemplo.
MA - Sim, Samambaia, que é um grande povoado de Tobias Barreto. É uma vila. Até tem um morador de lá, amigo nosso, que ficava com raiva quando eu dizia “povoado não, vila”, que é um nível maior, não é? Então nós desenvolvemos o bem-estar para todas as regiões, através dessas carretas. E o carro-chefe para esse desenvolvimento. Vale ressaltar aqui, em relação a Canindé, a ação do promotor de justiça local Paulo José, que é meu amigo, e já me ligou para pedir que eu fosse lá ou que ele viesse aqui para a gente discutir algo em prol da cidade. Vai acontecer. Nós temos o Mesa Brasil, que arrecada o alimento onde está sobrando, nas empresas que não vão vender, para distribuir com as pessoas mais necessitadas. Nós temos, na nossa base de atendimento, 250 entidades filantrópicas. O Mesa Brasil distribui comida por fazer.

JLPolítica - Antes de chegar a este posto de presidente, quais outras funções o senhor exerceu na Fecomércio?
MA - Eu fui, por diversas vezes, secretário do Sindicato do Comércio de Tobias Barreto, fui vice-presidente e fui presidente por dois mandatos. Em relação à Fecomércio em si, fui diretor para Assuntos Governamentais por várias vezes, fui secretário por diversos mandatos e membro do Conselho de Representantes, que é o órgão maior da Fecomércio e que elege seu presidente. Ou seja, o Conselho de Representantes é composto de 12 sindicatos.

JLPolítica - Eleito ou não senador, qual será o papel de Laércio Oliveira no futuro da gestão da Fecomércio e suas instituições ao seu lado?
MA - Laércio Oliveira é nosso grande líder e, por gratidão, eu jamais poderei deixa-lo de lado. Eu costumo dizer a ele que ele faz parte do Sistema, que ele é útil ao Sistema e será sempre consultado.

JLPolítica - Nessa eleição restou algum cargo de Diretoria para ele?
MA – Sim. Ele, deram-lhe um título de suplente. Era para ele ser titular, mas ele não quis. Mas foi opção dele, viu. Eu quero aqui ressaltar que Laércio poderia ser candidato.

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PROJETO DE ACESSAR  TODAS AS COMUNIDADES
“Nós temos em torno de 15 unidades móveis, seja da Saúde Mulher, seja da hospitalidade, que é em relação ao turismo, seja odontológica, o Sesc Ler, Cine Sesc, que iremos levar para os pequenos municípios de Sergipe, de preferência queles povoadozinhos nos quais ninguém nunca assistiu a um filme antes”

JLPolítica - Não poderia. Ele bloqueou e só poderia ter uma reeleição.
MA - Pronto: deixa eu explicar e você vai concordar. Laércio teve essa hombridade e essa humildade de mudar o estatuto para dizer: “olhe, eleição com reeleição, ok?”.

JLPolítica - Mas...
MA - Só que quando ele mudou, ele estava no mandato e o estatuto diz o seguinte: quando você altera algo nesse mandato, não serve para o mandato presente. Só para o mandato seguinte. Então ele podia ir a um terceiro mandato, que, na verdade, seria reeleição.

JLPolítica - O senhor mexerá no estatuto para permitir, como antes, reeleições diversas?
MA - Não. Não tem motivo. Eu acho que tem que dar oportunidade para as pessoas. Isso é salutar.

JLPolítica - A sua gestão fará grandes alterações de pessoas nos atuais comandos da entidade?
MA - Não fará, porque em time que está ganhando não se mexe.

Marcos Andrade e seus familiares, todos dados a participar de corridas de ruas
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