Nilson Lima: Pela declaração do Imposto de Renda, nenhum sergipano tem bens acima de R$ 1 bilhão

Entrevista

Jozailto Lima

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Nilson Lima: Pela declaração do Imposto de Renda, nenhum sergipano tem bens acima de R$ 1 bilhão

13 de junho de 2021
“Não sofro qualquer restrição nem hostilidade em minhas atribuições de auditor-fiscal da Receita”

Ele é um sujeito novo, mas já tem um fichão espichadíssimo e quase de um camarada velho no muito que fez na esfera da receita pública federal brasileira e da fazenda pública de Sergipe e da cidade de Aracaju.

Ele é Nilson Lima, que fez 57 anos agora em 2021, em três anos terá tempo de serviço suficiente para se aposentar na condição de auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil e insiste no batente desta atividade.

E insiste porque gosta do que faz, e o faz com imensas mesuras à cidadania - é, talvez, o homem da Receita Federal do Brasil pela Delegacia do Estado de Sergipe que mais e ativamente se expõe em doação aos meios de comunicação sergipanos, sempre generosamente com temas e atitudes educacionais.

Tendo ele mesmo já sido um delegado da Receita em Sergipe, Nilson Lima conhece essa atividade como a um engenheiro civil que antes tivesse profunda relação com as atividades de um mestre de obras.

Nilson Lima lida com segurança e precisão com um dos atributos que ninguém vive sem auferir em sociedade: o da renda. De robusta, abastada, ou miserável, todos têm um pouquinho dela.

E, na sociedade brasileira e em todas as demais mundiais, é preciso bater continência para os Governos na prestação de contas daquilo que se obtém em forma de rendimento.

Com poder de fogo e de polícia, está aí a Receita Federal do Brasil, na qual Nilson Lima senta praça desde o dia 6 de fevereiro de 1986, quando chega ali, ainda um moleque de 21 anos, concursado para o cargo de Técnico do Tesouro Nacional na Delegacia Receita Federal em Aracaju.

São passados 35 longos anos. “À época, com os 21 anos, a ficha da nova realidade profissional foi caindo aos poucos”, lembra. Nilson Lima faz da sua profissão de auditor-fiscal uma bandeira levada muitíssimo a sério. Mas nada disso lhe pesa no sentido do sofrer por carregá-la.

Nilson Nascimento Lima: dedicação técnica, independentemente de quem seja o Governo
A pedra do gênesis: o pai João Batista Lima e a mãe Rosa Nascimento Lima

E saltam curiosidades, digamos, curiosas: em Sergipe, por exemplo, com base na letra fria da declaração do IR de 2020 sobre 2021, sabe-se que não há um sequer fidedeus com patrimônio zunindo acima da casa do R$ 1 bilhão. Oh pobreza?   

“Nenhum contribuinte declarou ter patrimônio superior a R$ 1 bilhão”, reforça o cientista dos cifrões doutor NiIson Lima, naquela discrição empedernida lá dele.

E ele dá outro dado, não muito alvissareiro também. “Apenas cinco declarantes informaram que dispõem de bens e direitos cujos valores aquisitivos globais superam R$ 100 milhões”, diz Nilson.

Claro que há muito mais gente rica em Sergipe. Agora, como imantar patrimônio, aí é que são outros bugalhos.

Retomemos a biografia do nosso entrevistado. Nilson Lima é um sujeito precoce: ainda lá no final da adolescência já estava ele, de origem baiana, percorrendo o interior de Sergipe, sendo um professor

“Eu era um estudante de Engenharia Química na UFS dividido entre as atividades discentes, o exercício do magistério e a militância no movimento estudantil, quando nos idos de 1984, já assustado com a escassez de vagas no mercado de trabalho para profissionais então graduados, resolvi fazer concurso público e fui aprovado para ingresso no Banco do Nordeste e na Receita Federal”, relembra, mais três décadas depois.

O resto, virou domínio público: por convite do então prefeito de Aracaju, o compadre Marcelo Déda, PT, - e o compadrio aí não teve inferência alguma, foi mera coincidência -, ele virou secretário de Finanças da capital, de 2001 a 2006, depois da Fazenda do Estado, ainda sob Déda, e terminou, em 2013, como secretário de Fazenda de novo de Aracaju, mas agora já sob João Aves Filho. É um camarada que tem muito o que contar do bastante que fez e faz.

Nilson e seus três dengos: Ana Maria de Santana Lima, a esposa, e Nicole de Santana Lima e Rebeca de Santana Lima, as filhotas

Nilson Nascimento Lima nasceu no dia 5 de abril de 1964 no povoado Conceição de Campinas, município de Paripiranga, Bahia, parede-meia com Simão Dias. Ele é filho João Batista Lima e de Rosa Nascimento Lima.

É casado com Ana Maria de Santana Lima, uma microempreendedora individual, com quem é pai de Nicole de Santana Lima, 24 anos, e de Rebeca de Santana Lima, 19 anos.

Nilson Lima tem um currículo acadêmico vistoso: começa a vida como um técnico em Agropecuária, com graduação lá em 1981, pela antiga Escola Agrotécnica Federal de São Cristóvão - hoje IFS. Veja que ele matou o químico que tentou conceber nele.

Bacharela-se em Direito em 1991 pela Universidade Federal de Sergipe e em Ciências Contábeis em 2019, por uma outra universidade sergipana.

O cabra tem ainda  MBA em Administração e Gestão de Negócios, de 2016, e especialização em Direito Público, de 2012, pela mesma instituição na qual fez Ciências Contábeis.

Com aqueles 34.850 votos da eleição de 2006, chegou à suplência de deputado federal, foi presidente do Conselho de Administração do Banco do Estado de Sergipe de 2007 a 2008, do Conselho de Contribuintes do Município de Aracaju de 2001 a 2004, de 2005 a 2006 e 2013 a 2014.

Presidiu o Conselho de Contribuintes da Secretaria da Fazenda de Sergipe de 2007 a 2008, o Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal - CRAFI/Sergipe -, de 2007 a 2008, e o Comitê de Gestão do Município de Aracaju - Cogest, 2013 a 2014.

“Não sofro qualquer tipo de restrição no meu convívio social nem enfrento hostilidade em função do exercício das minhas atribuições de auditor-fiscal da Receita Federal. Pelo contrário, sempre que frequento espaços públicos, diversas pessoas se aproximam para me cumprimentar, esclarecer dúvidas, elogiar ou criticar a atuação da Receita Federal”, constata ele.

A Entrevista com Nilson Lima vale o imposto da leiteira. Avance!

Com colegas Marlton Caldas, atual delegado da Receita, e Clara Angélica Garcia Moreno, Nilson inaugura a Galeria dos Ex-delegados da Receita
1º LOTE: R$ 53 MILHÕES EM RESTITUIÇÕES
“As restituições do Imposto de Renda apuradas, na totalidade das declarações de ajuste anual, contemplaram 128.725 sergipanos, distribuídas em seis lotes mensais. O primeiro desses lotes alcançou 29.263 declarantes, que receberam o crédito em suas contas no valor global de R$ 53.971.093,91”


JLPolítica - Quantos sergipanos, segundo o exercício de 2021, foram tributados pelo Imposto de Renda?
Nilson Lima -
Em 2021, a Receita Federal em Sergipe recebeu 238.608 declarações referentes ao ano-calendário de 2020 no período que se encerrou no último dia 31 de maio. Desse contingente, 58.720 apuraram imposto a pagar.

JLPolítica - Quantos são, ainda segundo o ano de 2021, os brasileiros enquadrados na tributação IR?
Nilson Lima -
Houve a recepção de 34.168.559 declarações, das quais 6.004.691 apuraram imposto de renda a pagar.

JLPolítica - Em 2021, Sergipe terá quanto a receber de devolução do exercício de 2020?
Nilson Lima -
As restituições do imposto de renda apuradas, na totalidade das declarações de ajuste anual, contemplaram 128.725 sergipanos, distribuídas em seis lotes mensais. O primeiro desses lotes alcançou 29.263 declarantes, que receberam o crédito em suas contas, no último dia 31 de maio, no valor global de R$ 53.971.093,91.

Com os amigos Marcos Andrade, Augusto Fábio e Idalino na solenidade religiosa de colação de grau em Ciências Contábeis
HÁ SÓ CINCO SERGIPANOS COM R$ 100 MILHÕES
“Nenhum contribuinte declarou ter patrimônio superior a R$ 1 bilhão. Apenas cinco declarantes informaram que dispõem de bens e direitos cujos valores aquisitivos globais superam R$ 100 milhões”


JLPolítica - O Brasil é um país justo ou injusto em seu modelo de cobrar imposto de renda?
Nilson Lima -
A Constituição Federal estabeleceu princípios e critérios que tornam o imposto de renda como o mais justo existente no atual sistema tributário brasileiro, ao prescrever a universalidade e a progressividade na sua tributação, de forma a individualizar a capacidade efetiva de pagamento do contribuinte.

JLPolítica - O senhor não acha salgado cobrar sobre a renda de quem vive de salário, além do mais com um teto tão baixo de a partir de R$ 28,5 mil?
Nilson Lima -
Cabe à Receita Federal aplicar a legislação em vigor e colaborar institucionalmente para o aperfeiçoamento contínuo do sistema tributário.

JLPolítica - Segundo o crivo da Receita Federal do Brasil, há quantos sergipanos com patrimônio acima de R$ 1 bilhão?
Nilson Lima -
Nenhum contribuinte declarou ter patrimônio superior a R$ 1 bilhão. Apenas cinco declarantes informaram que dispõem de bens e direitos cujos valores aquisitivos globais superam R$ 100 milhões.

Ali entre Machado e Marlene Calumbi, ele assiste a João Alves assinar sua posse na Fazenda de Aracaju em 2013
O QUE MEDE O FILTRO DO IMPOSTO DE RENDA 
“O filtro do Imposto de Renda reflete o valor histórico, sem atualização monetária, do bem ou direito informado na declaração de ajuste anual, tendo como referência a data de sua respectiva aquisição ou disponibilidade”


JLPolítica - Numa população de pouco mais de 2,3 milhões de pessoas, como é a sergipana, tem-se quantos deles com patrimônio acima de R$ 1 milhão?
Nilson Lima -
São 1.365 contribuintes.

JLPolítica - Até que ponto o filtro do IR é exato e preciso na medição real do patrimônio das pessoas?
Nilson Lima -
O filtro do Imposto de Renda reflete o valor histórico, sem atualização monetária, do bem ou direito informado na declaração de ajuste anual, tendo como referência a data de sua respectiva aquisição ou disponibilidade.

JLPolítica - Alguém consegue esconder e escamotear bens?
Nilson Lima -
Alguns ainda insistem nessas condutas ilegais, mas logo terminam pagando um preço bastante elevado em decorrência da eficácia da fiscalização e dos variados instrumentos de controle à disposição da Receita Federal.

Nilson Lima assina o termo de posse na Secretaria Estado da Fazenda sob Marcelo Déda em janeiro de 2007
O PORQUÊ DE SE CAIR TANTO NA MALHA FINA
“A maior incidência em malha fiscal é provocada pela divergência entre os rendimentos informados na declaração de ajuste anual do contribuinte e os valores inseridos pelas fontes pagadoras em declaração específica. Em seguida vêm as ocorrências relacionadas às despesas efetuadas pelo declarante”


JLPolítica - Quais são os motivos mais comuns pelos quais as pessoas caem na malha fina?
Nilson Lima -
São aqueles detectados no cruzamento automatizado de informações. Dessa forma, a maior incidência em malha fiscal é provocada pela divergência entre os rendimentos informados na declaração de ajuste anual do contribuinte e os valores inseridos pelas fontes pagadoras em declaração específica - Dirf - também apresentada à Receita Federal. Em seguida vêm as ocorrências relacionadas às despesas efetuadas pelo declarante ou seus dependentes e que podem reduzir a base de cálculo do imposto. Nesse agrupamento de despesas, os maiores quantitativos de malhas estão relacionados aos gastos com saúde, instrução, previdência complementar e pensão alimentícia.

JLPolítica - A Receita Federal do Brasil está bem montada, bem aparelhada no sentido técnico, para cumprir a missão dela em Sergipe?
Nilson Lima -
Sim. A Delegacia da Receita Federal vem passando, nos últimos anos, por um dos seus melhores momentos em termos de estrutura física e tecnológica, além de contar com gestores e servidores altamente qualificados e comprometidos com a missão da instituição. Essa situação privilegiada também se reflete no contínuo aperfeiçoamento dos serviços prestados à sociedade sergipana e nos resultados fiscais expressivos que são periodicamente alcançados pelas diversas equipes técnicas integrantes de sua estrutura administrativa, inclusive neste momento grave da pandemia.

JLPolítica - A Receita Federal do Brasil é só punitiva ou ela tem um quê de educativa?
Nilson Lima -
A Receita Federal é a instituição responsável pela arrecadação e fiscalização dos tributos de competência da União. É por meio dessa atuação institucional que são obtidos os recursos que financiam as políticas públicas sob responsabilidade do Governo Federal e os repasses para auxiliar no custeio das ações e projetos administrativos desenvolvidos pelos Estados, Distrito Federal e Municípios. Vários são os métodos estabelecidos legalmente para viabilizar a arrecadação. Dentre esses, destaco a priorização conferida, pela Receita Federal, aos investimentos relacionados ao aperfeiçoamento contínuo da conformidade tributária praticada no Brasil, de forma a equiparar-se aos modelos mais avançados internacionalmente.

Abril de 1998: mês e instante em que ele tomou posse como delegado da Receita Federal em Sergipe
DO PAPEL UNIVERSAL DA RECEITA
“A Receita é a instituição responsável pela arrecadação e fiscalização dos tributos de competência da União. É por meio dessa atuação institucional que são obtidos os recursos que financiam políticas públicas sob responsabilidade do Governo Federal e os repasses para auxiliar no custeio das ações e projetos administrativos desenvolvidos pelos Estados, Distrito Federal e Municípios”


JLPolítica - Mas há um outro método?
Nilson Lima -
Sim. O outro método prioritário está associado ao desenvolvimento do programa de cidadania fiscal, cujo foco é voltado para esclarecer os contribuintes sobre a importância social e econômica dos tributos e também estimulá-los a acompanhar criticamente os gastos financiados com o produto da arrecadação. Cabe finalmente ressaltar o método mais tradicional que é desempenhado pela fiscalização, cuja atuação ocorre em sintonia com a legislação em vigor, e é essencial no combate aos ilícitos tributários, pois pode estabelecer sanções específicas em decorrência das infrações comprovadas, dentre as tais, destacam-se as denominadas multas punitivas que podem variar de 75% a 150% da receita omitida.

JLPolítica - Para além da aplicação das leis e da cobrança em si de tributos, há alguma ação socialmente significativa da Receita que as pessoas desconhecem?
Nilson Lima - 
Há, sim, mas vou me ater a apenas duas das iniciativas mais recentes. A primeira, denominada de “Operação Concorrência Leal” e que se encontra em execução pela fiscalização local, em parceria com o Tribunal de Contas do Estado. Através dessa ação fiscal, houve o levantamento de mais de R$ 500 milhões de rendas omitidas por empresas contratadas por diversas Prefeituras de Sergipe. As condutas fiscalizadas também beneficiaram indevidamente 20% dessas empresas que participaram de licitação ou fizeram contratos com as administrações municipais no período de 2017 a 2019. Ao finalizar essa Operação, a Receita Federal em Sergipe, além da obtenção dos resultados fiscais expressivos que já estão sinalizados, espera contribuir para uma melhoria efetiva da competitividade nas novas licitações e contratos.

JLPolítica - Do que trata a segunda?
Nilson Lima -
A segunda iniciativa diz respeito à atividade de apreensão, pela Fiscalização Aduaneira, de mercadorias importadas irregularmente. Essa medida rotineira contribui para proteger o consumidor dos riscos que muitos desses produtos podem causar à sua saúde e à segurança, além de fortalecer o poder de competitividade das empresas nacionais, na medida em que as protege da concorrência desleal que seria provocada com a venda de produtos com origem ilícita.

Suporte a um João Alves Filho no crepúsculo, já desbotado, mas com muita harmonia
AÇÃO DE APOIO AO PROGRAMA DE CIDADANIA FISCAL
“A Receita Federal estimula esse tipo de destinação do IR, tratando-a como uma ação integrante do seu Programa de Cidadania Fiscal. Aqui em Sergipe, temos observado um crescimento significativo, desde o exercício de 2017, quando passou a ser admitida a destinação diretamente na declaração de ajuste anual e pudemos celebrar parcerias mais efetivas”


JLPolítica - Tem sido alta a doação de parte do Imposto de Renda por sergipanos aos fundos de direitos da criança, adolescente e da pessoa idosa?
Nilson Lima -
A Receita Federal estimula esse tipo de destinação do Imposto de Renda, tratando-a como uma ação integrante do seu Programa de Cidadania Fiscal. Aqui em Sergipe, temos observado um crescimento significativo, desde o exercício de 2017, quando passou a ser admitida a destinação diretamente na declaração de ajuste anual e pudemos celebrar parcerias mais efetivas. De início, com a Prefeitura de Aracaju e o Conselho Regional de Contabilidade; depois, com o Governo do Estado, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e diversos outros órgãos públicos. Em 2019, esses fundos arrecadaram R$ 524.507,56; no ano seguinte, R$ 731.021,92, e neste ano, R$ 1.209.750,70, o que significa um crescimento de 65,48% em relação ao verificado ano passado.

JLPolítica - Claro que o senhor não é um legislador, mas as aposentadorias e os auxílios diversos não deveriam ser isentos?
Nilson Lima -
A legislação em vigor já prevê a isenção total sobre os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, quando recebidos por portadores de moléstia grave, bem como a isenção mensal, equivalente a R$ 1.903,98, que alcança esses mesmos proventos pagos a idosos, a partir dos 65 anos de idade.

JLPolítica - Sua opção juvenil por Engenharia Química e depois pelos concursos para o Banco do Brasil, BNB e para a Receita já eram uma revelação da sua tendência pelos números, pelas coisas da economia pública?
Nilson Lima -
O conjunto das circunstâncias que enfrentei naquele período foram determinantes para explicar parte significativa das escolhas que venho fazendo ao longo da minha trajetória acadêmica e profissional.

Marcelo Déda, companheiro de amizades, lutas políticas conjuntas e estremecimentos depois
SEM RESTRIÇÕES À FUNÇÃO DE AUDITOR-FISCAL
“Não sofro qualquer tipo de restrição no meu convívio social nem enfrento hostilidade em função do exercício das minhas atribuições de auditor-fiscal da Receita Federal. Pelo contrário, sempre que frequento espaços públicos, diversas pessoas se aproximam para me cumprimentar, esclarecer dúvidas, elogiar ou criticar a atuação da Receita”


JLPolítica - Um homem da Receita sofre restrições da sociedade, como aquelas feitas pelos hebreus e judeus contra os publicanos cobradores de impostos em nome da Roma antiga? Alguém já virou o rosto na rua contra o senhor por causa da sua atividade?
Nilson Lima -
Não sofro qualquer tipo de restrição no meu convívio social nem enfrento hostilidade em função do exercício das minhas atribuições de auditor-fiscal da Receita Federal. Pelo contrário, sempre que frequento espaços públicos, diversas pessoas se aproximam para me cumprimentar, esclarecer dúvidas, elogiar ou criticar a atuação da Receita Federal. Encaro isso com bastante naturalidade, até porque também sou o responsável pelas atividades de Ouvidoria do órgão em Sergipe.

JLPolítica - Tendo sido professor numa idade muito jovem, por que o senhor não avançou na carreira acadêmica, caindo nas teias das universidades públicas?
Nilson Lima -
Tenho grandes afinidades com o ambiente acadêmico, mas, infelizmente, não consegui conciliar, pelo tempo desejado, a atividade permanente de magistério com as atividades próprias do cargo de auditor-fiscal e com a dedicação a outros papéis que priorizei. Venho suprindo à distância dessa vocação dignificante, atuando como palestrante a serviço da minha instituição.

JLPolítica - O que lhe restou de positivo nas três passagens pelos comandos das Secretarias de Estado de Sergipe e do Município de Aracaju de Fazenda?
Nilson Lima -
Ao exercer a função de secretário municipal de Finanças em Aracaju durante os dois mandatos do prefeito Marcelo Déda, a política financeira que coordenei foi responsável pela implantação e avanço de projetos e ações cujos efeitos ainda são sentidos até os dias atuais. Nesse sentido, destaco a retomada de reajustes salariais no serviço público municipal, o pagamento do salário dos servidores dentro do mês trabalhado, a criação do regime próprio de seguridade social dos servidores, a ampliação da isenção do IPTU de seis mil para 50 mil beneficiários, a implantação do Samu e a melhoria generalizada na rede física das unidades de saúde e das  escolas.

Nilson Lima é um homem que levou estudo muito ao pé da letra. Levantou até diploma de suplente
AÇÕES COMO HOMEM PÚBLICO DA FAZENDA
“Destaco a retomada de reajustes salariais no serviço público municipal, o pagamento do salário dos servidores dentro do mês trabalhado, a criação do regime próprio de seguridade social dos servidores, a ampliação da isenção do IPTU de seis mil para 50 mil beneficiários, a implantação do Samu e a melhoria generalizada na rede física das unidades de saúde e das  escolas”


JLPolítica - Isso lhe valeu a gradação da Fazenda do Estado para a do Município de Aracaju?
Nilson Lima -
Sim. Em função do reconhecimento da contribuição que prestei à Prefeitura de Aracaju, fui convidado por Marcelo Déda, dessa vez na condição de governador-eleito para coordenar a equipe de transição governamental e, em seguida, para atuar como secretário da Fazenda de Sergipe.

JLPolítica - O senhor acha que seu trabalho nessa esfera deixou macas?
Nilson Lima -
Sim. A política financeira que tive a oportunidade de coordenar por dois anos assegurou os recursos necessários para alavancar as políticas públicas em diversas áreas da administração estadual. Dessa forma, resgatamos dívidas históricas, retomamos os reajustes salariais que passaram a ser acordados em mesa de negociação permanente, a exemplo dos concedidos aos policiais civis e militares, aos agentes penitenciários e aos profissionais do magistério. Também desenvolvi trabalhos afins quando exerci o cargo de secretário municipal da Fazenda, durante o primeiro ano da gestão do prefeito João Alves. A política financeira que liderei foi essencial para restabelecer o saneamento fiscal da Prefeitura e a execução de ações e projetos extremamente importantes para os aracajuanos, a exemplo das obras de contenção do avanço das águas na Avenida Beira-Mar, a construção do Calçadão da Praia Formosa, a conclusão das obras viárias para interligação dos bairros Jardins e Farolândia, e a extinção definitiva da lixeira do Santa Maria.

JLPolítica - O que o senhor, enquanto ex-secretário de Fazenda Municipal das duas gestões de Marcelo Déda, tem a ver com a evolução da isenção na cobrança do IPTU para uma grande faixa de aracajuanos?
Nilson Lima -
Foi uma ideia minha, posteriormente aperfeiçoada em discussões com diretores da Secretaria e que foi prontamente acatada e encaminhada pelo prefeito Marcelo Déda. Essa conjunção de fatores, ao ser transformada em lei específica no ano de 2002 pôs fim a uma situação vexatória envolvendo milhares de contribuintes potencialmente isentos, contra quem se acumulavam, ao longo de vários anos, ações judiciais para cobranças relacionadas ao IPTU. A partir desse momento, os contribuintes beneficiados pela na nova lei tiveram suas dívidas perdoadas e, simultaneamente, adquiriram o direito à isenção em relação aos exercícios futuros. Tal mecanismo, portanto, foi o responsável pelo crescimento do universo de contribuintes isentos do IPTU daqueles seis mil para os 50 mil no ano seguinte ao da vigência das novas regras.

Com o deputado Francisco Gualberto, em 2006, quando um se diplomava eleito e o outro, suplente
NA BUSCA PELO ACESSO À CÂMARA FEDERAL
“Sinto-me vitorioso e agradecido pela experiência que tive naquele processo eleitoral, pois fiz uma campanha propositiva, adquiri e reforcei amizades e fui escolhido por 34.850 sergipanos que votaram em mim, e foi o suficiente para acessar a condição de suplente de deputado federal”


JLPolítica - Por que o senhor não conseguiu acessar a Câmara Federal em 2006?
Nilson Lima -
Sinto-me vitorioso e agradecido pela experiência que tive naquele processo eleitoral, pois fiz uma campanha propositiva, adquiri e reforcei amizades e fui escolhido por 34.850 sergipanos que votaram em mim, e foi o suficiente para acessar a condição de suplente de deputado federal.

JLPolítica - O senhor guarda algum arrependimento por ter transitado entre as gestões de Marcelo Déda e João Alves na condução estadual e municipal de Aracaju das Secretarias de Fazenda?
Nilson Lima -
Absolutamente, não. O sentimento que nutro em relação a ambos é de pura e eterna gratidão, pela oportunidade que tive em poder compartilhar com ambos, em maior ou menor escala, dos mesmos ideais e propósitos, assim como das dificuldades e soluções, a fim de melhor atender as necessidades públicas da população aracajuana e sergipana.


 

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