Ricardo Abreu - Semed: “Uma das minhas metas é continuar incentivando a inovação na educação”

Entrevista

Jozailto Lima

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Ricardo Abreu - Semed: “Uma das minhas metas é continuar incentivando a inovação na educação”

“Não se faz educação de forma isolada e individual. Sou um defensor da gestão democrática”
21/05/2022 - 19h

Apesar de não ter seu nome vinculado às grandes causas e demandas da educação pública no Estado de Sergipe, embora seja um camarada com apenas 21 anos de bacharelado em Letras e de ter relativamente pouca idade - 45 anos -, ainda que já seja doutor em Letras e Linguística, o professor Ricardo Abreu soa como uma agradável surpresa no time do Governo Municipal de Aracaju enquanto secretário Municipal de Educação.

Sim, é ele o atual mandachuva da Educação da capital. Ricardo Abreu é, desde dia 4 deste mês de maio, o sucessor da professora Maria Cecília Leite, que pediu para deixar a Semed, Secretaria da qual era a titular desde o começo do primeiro Governo de Edvaldo Nogueira, lá em 2017, e onde fazia bem a lição de casa.

Em apenas seis meses, o professor Ricardo Abreu foi meteoricamente de uma cessão da Universidade Federal de Sergipe ao Governo de Aracaju para coordenar o Departamento de Educação Básica à titularidade da Secretaria Municipal da Educação da Capital.

Ele jura que não houve nenhum acerto prévio com o prefeito Edvaldo Nogueira, nem com qualquer outra autoridade pública, de que chegaria para ser o titular da pasta logo na dobrada da primeira esquina.

A agradável surpresa vem do fato de parecer que o professor Ricardo Abreu já se espojava sobre as questões e as problemáticas da educação pública municipal da capital sergipana há anos. Há décadas.

Ricardo fala delas com uma intimidade desbragada. Leve, suave, transigente e, aparentemente, com bom domínio de causa - e olhe que essa não é uma causa de fácil domínio. A sensação que ele deixa é a de que, se agir no futuro como fala do presente da causa, Aracaju terá descoberto um gestor taludo.

Ele foca a educação e seus passos futuros dentro do Planejamento Estratégico da Prefeitura Municipal de Aracaju como se convivesse com a gestão da cidade desde 2017. E quer e intenciona fazer muito por ela.

Além de querer, acha que contará com o apoio essencial e lógico do corpo docente e diretivo da Semed. Mas não somente dessas duas esferas.

“Nenhum projeto educacional, em qualquer nível, prosperará se não conseguirmos contar com o engajamento irrestrito dos nossos diretores escolares, professores, alunos e das famílias desses alunos”, diz ele. Populismo? Não. Realismo. E ponta mais horizontes.

“Meu esforço terá direcionamento de tentar compreender quais são as demandas da sociedade que deságuam na escola, para que possamos apresentar soluções tecnológicas que potencializem o aprendizado, que otimizem as rotinas escolares e que oportunizem a vida do professor na escola”, diz.

“Então, uma das minhas metas é continuar incentivando a inovação na educação, de modo responsável, avançando passo a passo para atender às necessidades dos nossos alunos, para que possam ter condições do exercício da sua cidadania no seio da sociedade”, reforça ele.

“Tenho a mais absoluta convicção de que toda a Secretaria Municipal da Educação está engajada em um objetivo comum, que é o de garantir uma educação de qualidade para nossas crianças e adolescentes, jovens e adultos. Temos um desafio que nos une”, diz.

Ricardo Nascimento Abreu nasceu no dia 18 de outubro de 1976 em Salvador, na Bahia. É filho de Valdemar Alves de Abreu e de Maria José Nascimento de Abreu, já falecida.

Ele é casado com Ingrid Kelly de Oliveira Correia, uma professora de Língua Portuguesa na rede estadual de ensino.

Formou-se em Letras - Português/Inglês - em 2001, e em Direito, em 2012, por uma universidade particular de Sergipe

Especializou-se em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Auditoria Fiscal e Contábil, fez-se mestre em Educação e em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Sergipe e doutorou-se em Letras e Linguística pela Universidade Federal da Bahia.

Atuou como coordenador dos cursos de Licenciatura em Letras de uma universidade particular local e da Faculdade Pio X. Foi professor de língua inglesa na rede municipal de ensino de Aracaju e na rede estadual.

E foi aprovado no concurso da UFS em 2013, vinculado ao Departamento de Letras Vernáculas, onde leciona a disciplina Ensino Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa.

É professor do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Sergipe, orientando trabalhos com as temáticas Politicas Linguísticas e Direito Linguístico

Ricardo Abreu é membro fundador da Academia Aracajuana de Letras, e aqui está em dia de posse
Ricardo Abreu nasceu no dia 18 de outubro, em Salvador, na Bahia, mas fez todos seus estudos em Sergipe. É doutor em Letras e Linguística

 

DE UMA SEMED PREVIAMENTE BEM PREPARADA
“Recebi a Secretaria de forma muito organizada e fizemos uma transição muito amistosa e respeitosa. Passei os últimos dias da gestão de Cecília Leite ao lado dela, quando me apresentou todos os setores da Secretaria, informando como funcionam os fluxos internos. Precisamos reconhecer todo o esforço que a ex-secretária desprendeu nos últimos cinco anos e meio à frente da Semed”

JLPolítica - Uma suposta característica da gestão do prefeito Edvaldo Nogueira, PDT, é a de ter um corpo de secretários especialistas nas suas áreas de atuação. Como o senhor recebeu o convite para ser um deles, e logo na Educação?
Ricardo Abreu - Recebo essa responsabilidade com muito compromisso. Para mim, receber um convite dessa natureza e magnitude representa um momento de alegria e de muita honradez. Enxergo na gestão do prefeito Edvaldo Nogueira muitos elementos com os quais coaduno integralmente, então esse foi um dos motivos para aceitar o convite, pois sei que terei o conforto de sentar nessa cadeira para representar uma pasta tão importante, com um gestor municipal que nos dá as condições para fazer um trabalho bem feito. É uma grande honra poder representar o município de Aracaju e os meus colegas professores à frente dessa pasta. Vou colocar toda minha energia, competência e conhecimento acumulados nos últimos 26 anos de trabalho em prol de uma educação pública de qualidade a serviço da população aracajuana.

JLPolítica - Nesses primeiros dias à frente da Semed, qual a avaliação que o senhor faz da Secretaria?
RA - A minha avaliação é a de que a Semed está caminhando no eixo correto. Durante os últimos seis meses, fiz parte da gestão da professora Maria Cecília Leite. Então pude acompanhar o esforço da secretária e da equipe dela para gerenciar a educação pública municipal de Aracaju. Recebi a Secretaria de forma muito organizada e fizemos uma transição muito amistosa e respeitosa.

JLPolítica - A secretária foi receptiva com o senhor no processo de transição? 
RA - Sim. Passei os últimos dias da gestão de Cecília Leite ao lado dela, quando me apresentou absolutamente todos os setores da Secretaria, informando como funcionam os fluxos internos. Destaco que precisamos reconhecer todo o esforço que a ex-secretária desprendeu nos últimos cinco anos e meio estando à frente da Semed, principalmente durante a pandemia, que foi um dos momentos mais difíceis da história da educação na contemporaneidade. Agora, minha missão é avançar ainda mais, contribuindo com a minha visão de educação para agregar outras propostas.

JLPolítica - Quais são os principais pontos que o senhor pretende trazer como contribuição para buscar esse fortalecimento da educação pública em Aracaju?
RA - Entendo que nós temos alguns desafios, que inclusive estão declarados no Planejamento Estratégico do Governo Municipal de Aracaju 2021-2024. Por isso, tenho dito que represento uma continuidade. Algumas pessoas ficam constrangidas em falar a palavra continuidade porque parece que não aponta para elementos novos.

Ricardo Abreu é casado com Ingrid Kelly de Oliveira Correia que, como ele, é da área de Letras e professora de Língua Portuguesa

 

OS PILARES DA IMPLEMENTAÇÃO EDUCACIONAL
“Penso que temos que operar e implementar nossa política educacional a partir de três pilares básicos: formação continuada dos profissionais da Educação, avaliação da aprendizagem dos nossos estudantes e avaliação da nossa rede, tudo isso a serviço do combate incansável dos fenômenos do insucesso escolar”

JLPolítica - Mas o senhor não tem receio disso, por quê?
RA - Eu falo em continuidade de forma muito lúcida e consciente, porque não chego aqui com o discurso de que vou revolucionar a educação desconsiderando os avanços já alcançados. Estou à disposição para contribuir com o projeto municipal de educação que estava em andamento, com base nos projetos e metas do Planejamento Estratégico, que apresenta todas as diretrizes acerca da educação que queremos para Aracaju. É óbvio que existe minha visão particular de educação, e percebo que se harmoniza com esse planejamento e com a visão dos meus colegas professores e gestores educacionais.

JLPolítica - De forma mais detalhada, quais são os pontos dessa visão pessoal que o senhor destacaria?
RA - Penso que temos que operar e implementar nossa política educacional a partir de três pilares básicos: formação continuada dos profissionais da Educação, avaliação da aprendizagem dos nossos estudantes e avaliação da nossa rede, tudo isso a serviço do combate incansável dos fenômenos do insucesso escolar. Para além dessas questões, acredito que vivemos um momento em que não podemos mais apartar tecnologia e educação.

JLPolítica - Então seu esforço de gestor terá um direcionamento de prospectar demandas?
RA - Sim, meu esforço terá esse direcionamento de tentar compreender quais são as demandas da sociedade que deságuam na escola, para que possamos apresentar soluções tecnológicas que potencializem o aprendizado, que otimizem as rotinas escolares e que oportunizem a vida do professor na escola. Então, uma das minhas metas é continuar incentivando a inovação na educação, de modo responsável, avançando passo a passo para atender às necessidades dos nossos alunos, para que possam ter condições do exercício da sua cidadania no seio da sociedade.

JLPolítica - A Semed é uma pasta bastante complexa, pois envolve várias instâncias. De que forma sua gestão vai trabalhar para articular essas diversas partes?
RA - Nenhum projeto educacional, em qualquer nível, prosperará se não conseguirmos contar com o engajamento irrestrito dos nossos diretores escolares, professores, alunos e das famílias desses alunos.

Ricardo Abreu, o prefeito Edvaldo Nogueira e Cecília Leite: um trio em harmonia e uma sucessão sem dramas

 

DO PAPEL DO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO BÁSICA
O grande desafio para nós é o de diminuir esse lugar entre o Departamento de Educação Básica e o chão da escola. Diretores e professores precisam sentir a presença do DEB com eles, vivenciando a rotina das escolas, verificando a implementação das políticas educacionais, das políticas para a diversidade, para a Educação Especial”

JLPolítica - Qual será sua ação frente a isso?
RA - O que eu gostaria de reforçar neste momento é o meu compromisso com esses objetivos que foram declarados aqui e convocar todos os meus colegas gestores escolares e os professores de todas as áreas do conhecimento, aderindo ao plano que foi traçado para que possamos fazer a recomposição da aprendizagem dos nossos alunos.

JLPolítica - O que o senhor fará, então?
RA - Diante desse desafio, vamos ouvir os docentes para que possamos construir e implementar nossas soluções coletivamente. Não se faz educação de forma isolada, não se faz educação de forma individual. Sou um defensor da gestão democrática, e vamos fomentar e preservar esse princípio na nossa rede.

JLPolítica - O senhor sente uma propensão no diretor de escola e no professor avulsamente em favor desse engajamento irrestrito?
RA -
Em seis meses que estou aqui, convivendo com professores e professoras, diretores e diretoras, não poderia dar um depoimento diferente. Tenho a mais absoluta convicção de que toda a Secretaria Municipal da Educação está engajada em um objetivo comum, que é o de garantir uma educação de qualidade para nossas crianças e adolescentes, jovens e adultos. Temos um desafio que nos une.

JLPolítica – E há convergência nesse desafio?
RA - Estou certo de que sim. Por que olho para todos os meus colegas professores e diretores e sei que eles pensam a mesma coisa. E o que nos une é o objetivo comum de fazer com que nosso Ideb reflita de fato a qualidade da educação que oferecemos para a população aracajuana. O que tenho testemunhado nos últimos seis meses são gestores e professores engajados pela causa e tenho a absoluta convicção de que vamos reverter esse cenário.

Ricardo Abreu e Cecília Leite: rito de transmissão de cargo muito solidário

 

SEM ACERTOS PRÉVIOS PARA SUCEDER CECÍLIA LEITE
“Nunca houve nenhum tipo de conversa minha com o prefeito de Aracaju ou qualquer outra autoridade para que eu assumisse a Semed. Fui cedido pela UFS para ocupar o posto de diretor do DEB da Semed, e foi uma tarefa que cumpri durante seis meses”

JLPolítica - Mas como diretor do Departamento de Educação Básica da rede municipal nos últimos seis meses, o que o senhor apontaria como necessidade de ajuste ou de correção desta área no município de Aracaju?
RA - O Departamento de Educação Básica - DEB - é o coração da nossa atividade fim. É lá que são pensadas as ações e estratégias, que são materializadas as políticas educacionais, onde pensamos e articulamos as nossas ações pedagógicas no âmbito da rede. Estive lá nos últimos seis meses e uma das coisas que tentei fazer foi verticalizar o diálogo entre quem está pensando a política educacional com quem está executando essa política nas nossas unidades escolares. Tenho certeza de que a pessoa que me sucederá continuará com essa mesma linha de trabalho. O grande desafio para nós é o de diminuir esse lugar entre o Departamento de Educação Básica e o chão da escola. Diretores e professores de cada escola precisam sentir a presença do DEB com eles, vivenciando a rotina das escolas, verificando a implementação das nossas políticas educacionais, das políticas para a diversidade, para a Educação Especial.

JLPolítica - Então não haveria necessidade de uma correção de rumos?
RA - Não chamaria de correção, pois nutro um profundo respeito pelas atuações dos colegas professores que me antecederam na direção do DEB, mas de contínuo ajuste. É essa a necessidade que temos. De não deixar que o DEB se distancie dos gestores e professores que estão lá nas salas de aula, com a criança que está na creche, a que está sendo alfabetizada, aprendendo os fundamentos da matemática, da história e das ciências. O que continuarei a defender agora na Semed é que o DEB continue sendo o lugar onde o diretor, os coordenadores e professores se sintam acolhidos em suas ações. É preciso que cada um entenda que tem um suporte pedagógico, um verdadeiro apoio de retaguarda.

JLPolítica - O senhor foi cedido pela UFS recentemente ao  Governo de Aracaju. Nas tratativas desta cessão já havia previamente um acordo entre o senhor e o prefeito Edvaldo Nogueira de que assumiria logo mais à frente a Semed?
RA - Nunca houve nenhum tipo de conversa minha com o prefeito de Aracaju ou qualquer outra autoridade municipal para que eu assumisse a Semed. Fui cedido pela UFS para ocupar o posto de diretor do DEB da Semed, e foi uma tarefa que cumpri durante seis meses, sendo inclusive um colaborador leal da política de Educação que estava sendo capitaneada pela professora Cecília Leite. Ela, por questões pessoais, solicitou afastamento da função, e a partir desse movimento, surgiu a possibilidade de que meu nome pudesse figurar como secretário e enquanto estiver à frente da pasta me colocarei incansável para garantir que nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos possam ter a educação pública e de qualidade que merecem.

JLPolítica - A Semed, ainda sob Cecília Leite, já conseguiu esboçar um diagnóstico dos danos que a pandemia do coronavírus gerou na educação de responsabilidade do município de Aracaju?
RA - Sim. Durante todo o período de pandemia, na gestão da professora Cecília Leite, foram feitos estudos e diagnósticos para que pudéssemos entender o fenômeno que nós enfrentaríamos no período pós-pandêmico. Ainda sob a gestão da professora, e comigo à frente do Departamento de Educação Básica, fizemos uma avaliação diagnóstica no início deste ano, e pudemos verificar, com alto grau de precisão, quais são as deficiências dos nossos estudantes, principalmente no que diz respeito ao aprendizado de Língua Portuguesa e da Matemática.

Como diretor do Departamento de Educação Básica, Ricardo Abreu fala aos diretores de escolas

 

A REDE EDUCACIONAL VAI CONTINUAR CRESCENDO
“Temos, em nosso Planejamento Estratégico, metas que dizem respeito à ampliação da quantidade de vagas. Temos uma demanda reprimida na capital e, quando pensamos em Educação Infantil, temos um contingente significativo de crianças que precisam de vagas, especialmente em creches. Posso asseverar que a rede continuará sendo expandida”

JLPolítica - Esses dados lhe servirão de bússola e rota.
RA - Estamos trabalhando a partir destes dados que chegaram até nós e durante os anos de 2022, 2023 e 2024 vamos operar a partir de duas premissas: uma é a da recomposição da aprendizagem de nossas crianças, jovens e adultos; a outra é para que consigamos continuar avançando no que diz respeito às avaliações oficiais, especificamente, o Sistema de Avaliação da Educação Básica de Sergipe - Saese -, que é coordenado pelo Estado, e o Sistema de Avaliação da Educação Básica - Saeb. Estamos trabalhando a partir de dados que nos dão a dimensão dos desafios que estamos enfrentando, principalmente durante o ano de 2022.

JLPolítica - Sua gestão mudará profundamente a estrutura de comando da Semed ou isso é imexível?
RA - Eu tive a honra de fazer parte da equipe de gestão da professora Cecília Leite por seis meses e este tempo que estive a frente do DEB me trouxe algumas convicções. Talvez a mais importante delas diga respeito ao fato de que todos que estão hoje na estrutura de comando da Semed estão muito comprometidos com o planejamento estratégico do Governo Municipal de Aracaju e, portanto, da própria Secretaria Municipal da Educação.

JLPolítica - O senhor então não se sente premido por necessidades urgentes de mudar?
RA - Entendo que mudanças podem ocorrer, mas não as rotularia como profundas. Acho que isso se regulará, naturalmente, ao longo do tempo, à medida que vamos vendo quais são os rumos que a nova gestão da Semed vai imprimir para as nossas metas no Planejamento. Todos os que hoje fazem parte da estrutura de comando da Educação vêm desempenhando muito bem seus papeis nos últimos cinco anos. Gerir a Educação num município, com a complexidade que Aracaju apresenta, durante o período de pandemia, foi e continuará sendo um mérito que ninguém poderá tirar da professora Maria Cecília Leite de sua equipe. Sinto-me bastante confortável em trabalhar com toda a equipe que faz hoje a Secretaria Municipal da Educação.

JLPolítica - O que de fato prevê o Planejamento Estratégico 2021-2024 do Governo Municipal de Aracaju ao qual o senhor refere?
RA - O Planejamento Estratégico é uma poderosíssima ferramenta de gestão, composto majoritariamente por três grandes eixos: um que visa defender a vida, promover o desenvolvimento humano e social; outro que diz respeito à promoção do desenvolvimento econômico e urbano sustentáveis, e o terceiro eixo, que é a garantia de uma gestão inovadora de excelência. A Semed está inserida majoritariamente no primeiro eixo.

Ricardo Abreu com professores, pesquisadores e intelectuais sergipanos num momento em que discutem a Fundação da Academia Sergipana de Educação

 

DA FORMAÇÃO MELHOR NAS LICENCIATURAS
“O estudante de licenciatura precisa investir em atividades complementares para que possa estar atualizado em relação às boas práticas conduzidas nas escolas. Tenho a mais absoluta convicção de que, principalmente durante a Década da Educação, instituída pela LDB da Educação Nacional, aprendemos a formar melhor os docentes da Educação Básica”

JLPolítica - Isso enseja, portanto, uma série de ações...
RA - Neste sentido, estamos comprometidos com uma série de projetos estratégicos, como por exemplo, tratando de forma muito cuidadosa e direta a questão da diminuição da distorção idade/série, na melhoria da qualidade da aprendizagem, implantando uma cultura de avaliação, com avaliação diagnóstica, monitoramento da aprendizagem, e das avaliações formativas. Temos também um outro projeto dentro do Planejamento Estratégico que é a implantação da educação em tempo integral, uma meta estabelecida pelo prefeito Edvaldo Nogueira. Futuramente, vamos inaugurar duas escolas de tempo integral no bairro Santa Maria, que fazem parte dessa evolução do Planejamento Estratégico.

JLPolítica - Isso contempla também a ampliação do número de vagas?
RA - Sim. Também temos como um dos nossos projetos a ampliação do número de vagas na rede pública, especialmente no que diz respeito à educação infantil, mas também no ensino fundamental. Do mesmo modo, estamos em fase avançada na elaboração do Plano Municipal de Proteção à Primeira Infância. Tudo isso são exemplos de como a educação municipal de Aracaju está inserida no planejamento estratégico. O Planejamento nos traz de forma muito organizada e orgânica a possibilidade de desenvolvimento de trabalhos intersetoriais. Há uma capacidade de dialogar melhor com as outras Secretarias e ver formas de estabelecer interações em prol da cidade.

JLPolítica - Podendo até extrapolar ações para além do campo da educação?
RA - Um exemplo claro disso foi o processo de vacinação contra a Covid-19 de professores e estudantes, determinado pelo prefeito Edvaldo e que foi feita com a articulação entre as Secretarias da Educação e da Saúde. O Planejamento Estratégico é uma ferramenta da qual não podemos mais prescindir se quisermos continuar avançando em todas as áreas. Ele garante que não tenhamos a descontinuidade num processo de transição de secretários, como aconteceu com a minha colega e eu. Hoje, assumo a Secretaria da Educação, mas também assumo os compromissos que a Semed tem pactuado com o Planejamento Estratégico de Aracaju.

JLPolítica - Quantos alunos estão sob o arco de ação da Semed neste ano letivo de 2022?
RA - A nossa rede tem uma capacidade de recebimento de aproximadamente 30 mil estudantes. Mas temos hoje por volta de 20 mil estudantes matriculados no Ensino Fundamental e 10 mil na Educação Infantil.

O secretário de Educação vai à sala de aula: Ricardo Abreu fala com alunos que participam de um projeto esportivo na UFS

 

OS DANOS EDUCACIONAIS GERADOS PELA PANDEMIA
“Ainda sob a gestão da professora Cecília, e comigo à frente do Departamento de Educação Básica, fizemos uma avaliação diagnóstica no início deste ano, e pudemos verificar quais são as deficiências dos nossos estudantes, principalmente no que diz respeito ao aprendizado de Língua Portuguesa e da Matemática”

JLPolítica - Isso é compatível com a realidade de pessoas em idade escolar de Aracaju ou o senhor intui, ou tem certeza, de que tem muita gente fora de das salas de aula?
RA - Obviamente, somos uma rede em crescimento. Acho que a sociedade aracajuana tem visto o esforço da administração do prefeito Edvaldo Nogueira no sentido de, não apenas reformar e manter o funcionamento das nossas unidades escolares, como também de expandir a rede por meio da construção de novas escolas. Temos, em nosso Planejamento Estratégico, metas que dizem respeito à ampliação da quantidade de vagas. Entendo que temos uma demanda reprimida na capital e, quando pensamos em Educação Infantil, temos um contingente significativo de crianças que precisam de vagas, especialmente em creches. Posso asseverar que a rede continuará sendo expandida para poder receber essas crianças nas unidades escolares. O desafio é muito grande, mas é uma meta, um projeto estratégico pactuado no nosso planejamento. Óbvio que isso requer um pouco de tempo e, talvez, uma pluralidade de ações que precisarão ser adotadas em concomitância. Por outro lado, no que diz respeito ao ensino fundamental, não podemos assumir a ideia de que temos crianças fora da escola porque a legislação não nos permite.

JLPolítica - Nesse caso, há convergência de níveis diferentes de governo.
RA - Pelo regime de cooperação entre municípios e estados, ambas as redes - Semed e Seduc - vêm trabalhando para garantir que todas as crianças em idade escolar estejam devidamente matriculadas. Claro que as dinâmicas populacionais fazem com que o quantitativo de estudantes em idade escolar seja cada vez maior, é por isso que gestores e os sistemas precisam estar mais preparados, principalmente pela oferta de novas vagas, para que nem hoje nem no futuro deixemos crianças e adolescentes fora da escola.

JLPolítica - A Semed teve necessidade de recorrer a uma busca ativa ou fomentadora para cativar o estudante e a família para retomar à sala de aula?
RA - A busca ativa escolar é um programa permanente no Departamento de Educação Básica da Secretaria da Educação. Então nós sabíamos que depois de um evento da magnitude da pandemia precisaríamos recorrer a esse expediente. Intensificamos a busca ativa no período do retorno às aulas presenciais, e mantemos ações permanentes para garantir que essas crianças estejam frequentando a escola. Hoje o nosso programa de busca ativa trabalha a partir de camadas. Uma primeira camada diz respeito à própria ação dos gestores escolares, identificando o fenômeno do absenteísmo escolar, a própria escola busca o contato com a família desse aluno para saber o que está acontecendo e garantir que ele volte à escola. Numa segunda camada, temos um setor - Coped - que se dedica a fazer a busca ativa desse aluno, primeiramente por meio do nosso call center, através de ligações telefônicas e mensagens SMS para os pais. Inexistindo êxito na estratégia, equipes especializadas fazem visitas domiciliares para entender os porquês do absenteísmo da criança/adolescente e garantir o seu retorno.

JLPolítica - Mas há instantes em que essa ação sofre alterações?
RA - Existem alguns períodos do ano que esse programa de busca ativa é mais saliente, obtém um relevo maior, como quando estamos diante de matrículas, volta às aulas. Nesses momentos, o radar do programa fica mais aguçado, mas durante todo o ano nosso programa de busca ativa faz mapeamento, buscando garantir  que o aluno continue matriculado e frequentando a escola pública do município de Aracaju.

Ricardo Abreu visita o Projeto Academia de Futebol, uma parceria entre a Semed e a UFS

 

SENTIMENTO DE ENGAJAMENTO GERAL
“Em seis meses que estou aqui, convivendo com professores e professoras, diretores e diretoras, tenho a mais absoluta convicção de que toda a Secretaria Municipal da Educação está engajada em um objetivo comum, que é o de garantir uma educação de qualidade para nossas crianças e adolescentes, jovens e adultos”

JLPolítica - Para quem vem de uma universidade pública federal, o senhor acha que os cursos de licenciaturas delas e das particulares estão formando bons quadros para as necessidades dos ensinos fundamental e médio?
RA - Eu acredito que sim. Tanto nas instituições privadas, quanto nas públicas, há um esforço contínuo dos gestores em fazer com que os cursos de licenciatura possam entregar bons profissionais à sociedade. Claramente, no entanto, estamos vivendo um tempo em que as mudanças nas práticas pedagógicas têm ocorrido com uma velocidade muito grande. A educação, que de forma geral costumava responder de forma mais lenta às mudanças sociais, agora precisa passar a ser um campo bem permeável e sensível às transformações.

JLPolítica - E isso exige uma outra dinâmica do estudante de licenciatura?
RA - Sim. O estudante de licenciatura precisa, ao longo de seu curso, investir em atividades complementares para que possa estar atualizado em relação às boas práticas conduzidas nas escolas. Tenho a mais absoluta convicção de que, principalmente durante a Década da Educação, instituída pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, formamos mais professores e aprendemos a formar melhor os docentes da Educação Básica. Então, volto a repetir: a dinâmica da educação mudou. Os estudantes e os próprios cursos precisam dar respostas rápidas às questões que estão chegando na sala de aula da Educação Básica brasileira. Isso requer uma flexibilidade curricular, capacidade das instituições e dos estudantes de dialogar com as redes de ensino e colocar em prática demandas oriundas do chão da escola, mas eu não tenho o menor receio de afirmar que o aparato de formação inicial dos professores no Brasil cumpre com as finalidades às quais se destina.

Há cerca de 10 anos, num evento cultural organizado pelo Comitê Sergipano do Proler, na Biblioteca Epihânio Doria

 

AMPLIAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL E FUNDAMENTAL
“Temos como um dos nossos projetos a ampliação do número de vagas na rede pública, especialmente no que diz respeito à educação infantil, mas também no fundamental. Do mesmo modo, estamos em fase avançada na elaboração do Plano Municipal de Proteção à Primeira Infância. São exemplos de como a educação municipal de Aracaju está inserida no planejamento estratégico”

JLPolítica - Qual foi a sua ação acadêmica no Departamento de Letras da UFS e há quanto tempo o senhor está naquela instituição?
RA - Estou na UFS há nove anos. Ingressei no ano de 2013, no Departamento de Letras Vernáculas e lá eu atuo na formação inicial de professores para a educação básica, que atuarão nas habilitações de língua portuguesa e literatura de língua portuguesa. O DLEV também é responsável por uma parte da formação dos estudantes que estão vinculados ao Departamento de Letras Estrangeiras, principalmente nos cursos de português/inglês, português/espanhol, português/francês.

JLPolítica  Mas o senhor se vincula a que disciplina?
RA - Nele, estou vinculado a uma matéria de ensino que diz respeito à metodologia de ensino de língua portuguesa e literatura, ministro disciplinas como legislação e ensino, estágios supervisionados e laboratório para o ensino de língua portuguesa. Também estou vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Letras, onde oriento pesquisas de mestrado e doutorado, especificamente nas temáticas das Políticas Linguísticas e do Direito Linguístico. A minha carreira acadêmica, desde a Universidade Tiradentes, passando pela faculdade Pio Décimo e agora na Universidade Federal de Sergipe, sempre esteve vinculada a formação inicial de professores de Língua Portuguesa para a educação básica

Com Ingrid Kelly e os casais de amigos Aline Feitosa de Barros e Ricardo Prata Fontes, ao centro, e Daisy Carla Cardoso Dias e Paulo Sérgio Da Silva Santos, à esquerda
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