Rodrigo Valadares: “Acredito que há muito espaço para o crescimento da direita em Sergipe”

Entrevista

Jozailto Lima

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Rodrigo Valadares: “Acredito que há muito espaço para o crescimento da direita em Sergipe”

“O que o Brasil precisa é mais de Deus e menos de drogas”
9/9/2023-19

Para a turma da direita, o deputado federal em primeiro mandato Rodrigo Valadares, União  Brasil, 34 anos, é uma joia rara.

Uma peça fina a ser introjetada e conservada nas melhores galerias dos museus liberais do Brasil e do mundo.

Para a turma da esquerda, ele é apenas um histriônico em busca de chances de firmar seu nome e imagem no Planalto Central do Brasil e no coração de uma direita sergipana carente de nomes dignos de chamar de seus, mas imerecedora de existir.

Rodrigo Valadares não está nem aí para os conceitos negativos que alguns setores nutrem sobre ele. E por pensar assim, se afunda e se aferra cada vez mais ao tipo em que ele se sente bem e acha que representa com dignidade em Sergipe e no Congresso Nacional.

Mais do que isso: um tipo que ele acredita, diferentemente da turma da esquerda, que tem grandes chances de se renovar no futuro e de sobreviver no tecido da política de Sergipe e, obviamente, da nacional.

“Acredito que há, sim, muito espaço para o crescimento da direita em Sergipe e para aumentar sua representação tanto na Câmara Federal, na Assembleia Legislativa quanto nas Câmaras de Vereadores”, diagnostica o parlamentar.

Sem arrogâncias, Rodrigo Valadares toma a si mesmo como um sinal real dessa evolução aritmética da direita: na terceira disputa eleitoral, ele foi parar em Brasília em 2022, tendo conquistado antes um mandato de deputado estadual em 2018 e ficado num honroso terceiro lugar na disputa pela Prefeitura de Aracaju em 2020.

E ele foi parar em Brasília em 2022 com um crescimento de 34.475 votos a mais do que o obtido em 2018 - saiu de 15.121 votos para os 49.696. Ele contabiliza isso com leveza e humildade. “Sem dúvida, nosso crescimento se deu, em primeiro lugar, à graça de Deus e depois ao presidente Bolsonaro”, afirma Rodrigo.

“Fui eleito dentro da base bolsonarista com os votos do eleitorado do presidente Bolsonaro, e sou muito grato a ele por permitir que eu pudesse fazer sua campanha e o ter defendido”, diz, agradecido.

E filosofa: “Creio que a direita tem sua presença no espectro político brasileiro e deve ser respeitada, uma vez que representamos cerca de 50% da população, como demonstraram as últimas eleições”, diz.

“Portanto, acredito que o espaço da direita não se limita a um único mandato de federal em Sergipe. A votação do presidente Bolsonaro em Sergipe, que foi de cerca de 30% a 35%, deveria se traduzir em duas ou até três cadeiras na Câmara Federal”, complementa.

Ao dizer que acredita no “espaço da direita”, Rodrigo Valadares está dando uma cotovelada no rótulo de extrema-direita que a esquerda tenta lhe pregar na testa.

“O termo extrema-direita é algo usado pela mídia para criar uma imagem negativa. Não vejo a mídia rotulando alguém como João Daniel, por exemplo, como extrema-esquerda”. defende-se.

Nesta Entrevista Domingueira, ele vai inflar o balão da importância do ídolo Jair Messias Bolsonaro e obviamente passar uma rasteira restritiva no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Vai afirmar que sonha em ser prefeito de Aracaju, que não vê necessidade de deixar o União Brasil, apesar de estar irrigando o Solidariedade em Sergipe e vai recordar com brilhos nos olhos o velho pai Pedrinho Valadares, que fora deputado federal por alguns mandatos e que morreu no mesmo acidente de avião que matou em 13 de agosto de 2014 o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. E dirá, ainda, que “não há nada de antirrepublicano” no fato de a esposa dele ocupar um Cargo em Comissão no Tribunal de Contas de Sergipe.

Rodrigo Santana Valadares nasceu em 6 de agosto de 1989 em Aracaju, tendo por pai a Pedro Almeida Valadares Neto e por mãe, Simone Chrystine Santana Valadares.

Ele é casado com a bacharela em Direito Moana Rollemberg Marinho Valadares, com quem é pai de  Luísa Valadares, 10 anos, e de Pedro Valadares, oito.

Rodrigo Valadares tem formação acadêmica em Direito desde 2011 e disputou até agora somente três eleições.

Rodrigo Valadares está certo de que deve sacudir pedras na árvore do mandato de Lula. E faz isso até no coletivo
Rodrigo Valadares está convencido que faz em Brasília um mandato que representa bem o povo de Sergipe

ELEITORALMENTE SURPRESO CONSIGO MESMO
“Eu não esperava uma votação tão expressiva. Na verdade, toda a minha eleição foi surpreendente, não apenas para a sociedade sergipana mas também para o mundo político local e para mim mesmo”

JLPolítica & Negócio - O senhor se surpreendeu com os 49.696 votos obtidos em 2022, ou achava que teria essa votação toda?
Rodrigo Valadares
- Eu não esperava uma votação tão expressiva. Na verdade, toda a minha eleição foi surpreendente, não apenas para a sociedade sergipana mas também para o mundo político local e para mim mesmo. No início da campanha em 2022, eu não me sentia preparado para uma eleição de deputado federal. Honestamente, achava que não tinha chance de vencer. Não tinha prefeitos não tinha grandes apoios e nem dinheiro, mas segui em frente devido a uma palavra que Deus me deu em 2021, durante o congresso da Adhonep - Associação de Homens de Negócio do Evangelho Pleno -no Rio de Janeiro, direcionando-me para a candidatura a deputado federal. Antes das duas ou três últimas semanas, a situação parecia complicada, e as pesquisas refletiam um cenário desafiador. Entretanto, à medida que as semanas passavam e principalmente depois do 7 de setembro daquele ano, tornou-se evidente que estávamos ganhando apoio popular. Na última semana, eu já antecipava uma votação significativa. Se olharmos desde o início de 2021, todo o desafio até a vitória foi uma surpresa para mim. Foi verdadeiramente um milagre de Deus a nossa vitória.

JLPolítica & Negócio - Mas de 2018 para 2022, sua votação de deputado estadual para deputado federal foi de 34.475 votos a mais - saiu de 15.121 para os 49.696. Isso se deveu apenas à onda bolsonarista?
RV -
Sem dúvida, nosso crescimento se deu, em primeiro lugar, à graça de Deus e depois ao presidente Bolsonaro. Fui eleito dentro da base bolsonarista com os votos do eleitorado do presidente Bolsonaro, e sou muito grato a ele por permitir que eu pudesse fazer sua campanha e o ter defendido.

JLPolítica & Negócio - O que as pessoas viram no senhor e na sua plataforma?
RV -
As pessoas entenderam que Sergipe precisava de um representante que verdadeiramente defendesse nossos valores conservadores: Deus, pátria, família e liberdade. Claro que teve também a influência do nosso trabalho independente como deputado estadual e da posição que adotei na política sergipana, sem fazer aliança com os grandes caciques da política e tendo uma linha mais independente.

Em Comissões temáticas ou CPIs, Rodrigo Valadares é peça presente e sem concessões

QUE EXTREMA-DIREITA O QUÊ?
“O termo extrema-direita é algo usado pela mídia para criar uma imagem negativa. Não vejo a mídia rotulando alguém como João Daniel como extrema-esquerda. Como um político de direita, creio que a direita tem sua presença no espectro político brasileiro e deve ser respeitada”

JLPolítica & Negócio - Qual é o seu futuro no União Brasil? Vai ser possível conciliar os seus interesses políticos e eleitorais com os de André Moura agora em parte reabilitado para as disputas?
RV -
Olha, estou satisfeito no União Brasil, um partido onde fiz grandes amigos. Conheço toda a cúpula, inclusive o presidente Bivar, o vice-presidente Rueda e o secretário geral ACM Neto. Me dou muito bem com todos, com os deputados federais do União a nível nacional, bem como com toda a Executiva estadual sergipana e todos os quadros do nosso Estado. Inclusive com Luizão Donald Trump, que foi o deputado estadual em quem votamos - ele é também do União Brasil. Meu futuro a Deus pertence, está nas mãos dEle. Espero que não haja conflitos. 

JLPolítica & Negócio - O senhor acha que Sergipe tem espaço ideológico suficiente para manter um mandato federal de extrema-direita mais perenemente, ou isso foi consequência apenas deste instante político?
RV -
Primeiro, é importante destacar algumas questões. O termo extrema-direita é algo usado pela mídia para criar uma imagem negativa. Não vejo a mídia rotulando alguém como João Daniel, por exemplo, como extrema-esquerda. Deixando isso claro, como um político de direita, creio que a direita tem sua presença no espectro político brasileiro e deve ser respeitada, uma vez que representamos cerca de 50% da população, como demonstraram as últimas eleições. Portanto, acredito que o espaço da direita não se limita a um único mandato federal em Sergipe. A votação do presidente Bolsonaro em Sergipe, que foi de cerca de 30% a 35%, deveria se traduzir em duas ou até três cadeiras na Câmara Federal. Acredito que há, sim, muito espaço para o crescimento da direita em Sergipe e para aumentar sua representação tanto na Câmara Federal, na Assembleia Legislativa, quanto nas Câmaras de Vereadores.

JLPolítica & Negócio - O senhor vai manter em atividade o projeto do Solidariedade em Sergipe? O que esperar dele?
RV -
O projeto do Solidariedade em Sergipe já está em pleno andamento, com o presidente Alisson Bonfim liderando de maneira mais direta. Estamos conversando com pessoas em todo o Estado para formar um time forte de pré-candidatos a vereador e pré-candidatos a prefeito. Esperamos que isso resulte em sucesso, com a Presidência de Alisson Bonfim e nosso apoio na construção do Partido Solidariedade em Sergipe.

De amarelo, o menino Rodrigo Valadares sob o calor do pai Pedrinho Valadares e da mãe Simone e o irmão Fábio Valadares

DA POSSIBILIDADE DE DISPUTAR ARACAJU
“As pessoas nos perguntam muito sobre essa possibilidade de candidatura agora em 2024, e é claro que existe o desejo no meu coração de me tornar prefeito de Aracaju. Naturalmente sim, pela nossa votação na última eleição para prefeito de Aracaju, ficando em terceiro colocado”

JLPolítica & Negócio - O senhor se elegeu federal com quantos prefeitos lhe apoiando em 2022?
RV -
Elegi-me com zero prefeitos, zero vice-prefeitos e apenas sete vereadores no interior do Estado me apoiando.

JLPolítica & Negócio - Mas entre União Brasil e Solidariedade, tem intenção de eleger que contingentes nos municípios em 2024?
RV -
Primeiro, é importante destacar que nossa política difere um pouco da política tradicional, que depende do número de vereadores, prefeitos e vice-prefeitos para alcançar a eleição. No entanto, estamos comprometidos em trabalhar intensamente em 2024 para apoiar nossos parceiros políticos. Atualmente, não tenho nenhum prefeito alinhado comigo, mas ficaria muito satisfeito se conseguíssemos eleger de cinco a sete deles. Quanto aos vereadores, acredito que a direita tem plenas condições de eleger pelo menos um em cada cidade de Sergipe, especialmente nas cidades com uma maior representação do eleitorado bolsonarista. Em Aracaju acredito termos condições de eleger dois ou três vereadores. Semelhante a isso também nos demais municípios da Grande Aracaju. Essa é a meta na qual estou focado.

JLPolítica & Negócio - O senhor disputará ou não o mandato de prefeito de Aracaju em 2024?
RV -
Naturalmente sim, pela nossa votação na última eleição para prefeito de Aracaju, com quase 30 mil votos, ficando em terceiro colocado. Depois do nosso crescimento em 2022, sendo o deputado federal eleito mais votado da capital. O segundo no geral em Aracaju. As pessoas nos perguntam muito sobre essa possibilidade de candidatura a prefeito agora em 2024, e é claro que existe o desejo no meu coração de me tornar prefeito de Aracaju.

Rodrigo Valadares e a sua trinca de ouro: Moana Rollemberg Marinho Valadares, Luísa Valadares e Pedro Valadares

REFERÊNCIAS DE LIDERANÇAS DE DIREITA
“Claro, na contemporaneidade, entre os líderes políticos de direita que se destacam no Brasil, inclui, em primeiro lugar, nosso ex-presidente Jair Bolsonaro, que é a própria direita no Brasil e o nosso maior ícone”

JLPolítica & Negócio - Mas candidatar-se depende de quê?
RV -
Essa possibilidade depende de uma série de fatores, inclusive partidários. Hoje a decisão partidária não cabe somente a mim, mas sim ao presidente estadual do meu partido. Dito isso, neste ano estou focado no mandato de deputado federal em Brasília, que, graças a Deus, está tendo uma boa repercussão. Estamos trabalhando e representando bem o nosso povo. No momento certo, mais perto do ano que vem, saberemos decidir qual será o nosso futuro em relação à Prefeitura de Aracaju. Já coloquei nas mãos de Deus. Uma coisa é certa: participarei ativamente de maneira forte e contundente da eleição de Aracaju em 2024.

JLPolítica & Negócio - O senhor e os seus partidos vão trabalhar um candidato específico à Alese em 2026?
RV -
É preciso dizer que 2026 está muito longe.

JLPolítica & Negócio - Quais são suas referências de lideranças políticas de direita no Brasil e no mundo?
RV -
Claro, na contemporaneidade, entre os líderes políticos de direita que se destacam no Brasil, inclui, em primeiro lugar, o nosso ex-presidente Jair Bolsonaro, que é a própria direita no Brasil e o nosso maior ícone. Mas destaco também Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e o pastor Marco Feliciano, enfim, para não cometer injustiças com os colegas, essas são as maiores referências que tenho em âmbito nacional. No âmbito internacional, nomes como Donald Trump nos Estados Unidos e Javier Milei, na Argentina, merecem destaque. Além disso, ao abordar a história, não podemos esquecer figuras importantes como Winston Churchill, Margaret Thatcher e aqui no Brasil, Roberto Campos e o professor Enéas, que são referências significativas para a direita.

Rodrigo Valadares e a esposa Moana Rollemberg Marinho Valadares num dia cultos da Sara Nossa Terra: ele leva a sério textos bíblicos

VERDADEIRAS BANDEIRAS DA DIREITA
“É importante destacar que dentro da direita existem diversas linhas ideológicas, mas buscamos valores que nos unem e são comuns a todos nós. Estes valores incluem os valores cristãos, o amor à pátria, a defesa da família, a luta pela liberdade”

JLPolítica & Negócio - O que é que contemporaneamente caracteriza alguém de direita? São os costumes ou a economia?
RV -
É importante destacar que dentro da direita existem diversas linhas ideológicas, mas buscamos valores que nos unem e são comuns a todos nós. Estes valores incluem os valores cristãos, o amor à pátria, a defesa da família, a luta pela liberdade, as garantias e direitos do indivíduo perante o Estado, um Estado menor e com menos intromissão na vida do cidadão, o livre mercado, o respeito às leis e à Constituição. Esses são os princípios que unem a grande maioria das diferentes correntes da direita.

JLPolítica & Negócio - Mas quais os perigos de misturar essas duas coisas - costumes ou a economia?
RV -
O único perigo dessa combinação seria o Brasil dar certo. Isso incluiria maior liberdade para se empreender, respeito pelos valores individuais e familiares, e uma base sólida para a preservação da família. A integração desses dois valores na direita poderia resultar em um país extremamente desenvolvido, com baixo desemprego, uma economia robusta e um profundo respeito pelos valores que fundamentam a sociedade brasileira.

JLPolítica & Negócio - Mas o senhor tem como fugir do rótulo de extrema-direita, ou não quereria?
RV -
Eu volto a dizer: quem fala esse negócio de extrema-direita é parte da imprensa e parte de uma ala mais radical da esquerda. A mesma que nos tacha de fascistas, misóginos, homofóbicos, etc. São apenas rótulos e narrativas que buscam enganar a população. A única direita permitida por essa turma é a pseudo-direita do PSDB e afins, por isso querem tachar os bolsonaristas de extremos. Mas nós é que somos a verdadeira direita. Nós somos conservadores e defendemos as liberdades individuais.

Rodrigo Valadares é recebido em vista oficial pelo prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes

DE COMO O PAI PEDRINHO O VERIA HOJE
“É importante entender que quando meu pai esteve na política o Brasil e o mundo não viviam essa polarização bem definida entre direita e esquerda. Meu pai era uma pessoa honesta, com fortes valores cristãos e acredito que, se estivesse vivo, teríamos mais concordâncias do que discordâncias”

JLPolítica & Negócio - O senhor, então, acha que o Brasil não consegue se entender bem com seus matizes ideológicos?
RV -
Eu acredito que a situação não é bem essa. A polarização é uma realidade global, presente no mundo ocidental, e o Brasil não é exceção. Esse é um fenômeno contemporâneo que precisamos compreender e enfrentar, não sendo exclusivo do Brasil.

JLPolítica & Negócio - O senhor considera Yandra de André como pertencente ao seu mesmo matiz ideológico que o seu?
RV -
Olha, é muito desconfortável para mim falar sobre o aspecto ideológico de qualquer pessoa, especialmente de uma colega de parlamento do mesmo partido que o meu. Tenho um profundo respeito pela deputada Yandra e a responsabilidade de discutir o seu posicionamento ideológico pertence a ela, não a mim. Não faz sentido eu responder por ela.

JLPolítica & Negócio - O seu direitismo teria um DNA familiar? Nessa matriz, Pedrinho Valadares, seu pai e ex-deputado federal, se encaixaria onde? E seu tio-avô, Antônio Carlos Valadares?
RV -
Primeiro, é importante entender que quando meu pai esteve na política o Brasil e o mundo não viviam essa polarização bem definida entre direita e esquerda como vivemos hoje. Meu pai era uma pessoa honesta, com fortes valores cristãos e acredito que, se estivesse vivo hoje, teríamos mais concordâncias do que discordâncias em relação à política. Ele tinha valores extremamente consolidados, acreditava em Deus, valorizava a família e era honesto, não tolerando nenhum tipo de corrupção. Quanto ao senador Antônio Carlos Valadares, ele tinha um posicionamento mais voltado para a esquerda, tendo apoiado o Lula. Portanto, seu posicionamento ideológico estava mais à esquerda.

Rodrigo Valadares à sombra do bastião da direita nacional, Jair Messias Bolsonaro, a quem é grato pela eleição de deputado federal

É POSSÍVEL QUE PEDRINHO ESTIVESSE BOLSONARISTA
“Como a maioria da população sergipana, meu pai estaria orgulhoso do trabalho que estamos desempenhando na Câmara. Apenas um adendo: tiro por minha mãe, que é uma bolsonarista de carteirinha e uma das minhas maiores incentivadoras. Como meu pai escutava muito minha mãe, é muito provável que ele estivesse conosco nesse mesmo projeto”

JLPolítica & Negócio - Se estivesse vivo e aqui entre nós, o senhor acredita que Pedrinho Valadares teria que visão das suas orientações ideológicas e das suas práticas políticas? Estaria lhe apoiando?
RV -
Não tenho como ser preciso nessa resposta, porque vivemos outro momento. Mas, como falei acima, acredito que teríamos mais concordâncias do que discordâncias em relação às suas orientações ideológicas e práticas políticas minhas. Assim como a maioria da população sergipana, meu pai estaria orgulhoso do trabalho que estamos desempenhando na Câmara dos Deputados. Agora, apenas um adendo: eu tiro por minha mãe, que é uma bolsonarista de carteirinha e uma das minhas maiores incentivadoras. Como meu pai escutava muito minha mãe, é muito provável que ele estivesse conosco nesse mesmo projeto.

JLPolítica & Negócio - Nestes oito meses de Câmara, o senhor acha que foi possível se inserir no contexto e deixar uma marca parlamentar?
RV -
Estamos criando nossa marca na Câmara Federal, e é gratificante ver o reconhecimento do nosso trabalho tanto lá quanto aqui em Sergipe. Quando visito locais públicos, as pessoas me param, me parabenizam e me oferecem sugestões, o que é gratificante para a política. Nossa participação nas comissões, projetos de lei e, principalmente, na CPMI, faz as pessoas se sentirem representadas com o que estamos construindo em Brasília.

JLPolítica & Negócio - Quais são os indícios que lhe levam a acreditar que Jair Bolsonaro sofre perseguição política?
RV -
Olha, basta observar como o sistema vem agindo contra ele. Estão tentando tornar a vida política de Bolsonaro inviável a qualquer custo. Já o declararam inelegível por uma reunião fechada com embaixadores, enquanto a ex-presidente Dilma realizou uma reunião similar, com o mesmo conteúdo, e não enfrentou a inelegibilidade. Agora estamos testemunhando toda essa confusão relacionada às joias, sendo que Lula afirma que, ao deixar a Presidência, levou 11 contêineres de presentes, sem enfrentar investigações, punições ou críticas da mídia. Lula menciona que usa um relógio Piaget de R$ 80 mil, presente do ex-presidente da França, mas não é questionado por isso. Portanto, ao se comparar esses dois pesos e essas duas medidas, fica evidente que Bolsonaro está sendo perseguido devido à sua popularidade e à possibilidade de retornar em 2026. Quanto ao relógio, já apresentamos uma solicitação ao STF para incluir a investigação do Piaget no inquérito que investiga Bolsonaro por causa das joias.

Rodrigo Valadares num frente a frente com o colega Ícaro de Valmir no plenário da Câmara: ele interage bem com a bancada sergipana

DAS EVIDENTES PERSEGUIÇÕES A BOLSONARO
“Estão tentando tornar a vida política de Bolsonaro inviável a qualquer custo. Já o declararam inelegível por uma reunião fechada com embaixadores, enquanto Dilma realizou reunião similar e não enfrentou a inelegibilidade. Lula afirma que, ao deixar a Presidência, levou 11 contêineres de presentes, sem enfrentar investigações, punições ou críticas da mídia”

JLPolítica & Negócio - Em que contribui a inclusão de Lula, como o senhor pede, em alguns inquéritos nos quais Jair Bolsonaro está enquadrado?
RV -
Contribui para que possamos vislumbrar uma esperança no sistema de justiça brasileiro, pois é inadmissível que duas pessoas enfrentem julgamentos discrepantes por um mesmo acontecimento. Em meio a tantas injustiças, o Brasil precisa experimentar um pouco de equidade, pois que lições estamos transmitindo aos nossos filhos? Que ser criminoso no Brasil é correto, enquanto quem cumpre a lei está errado? Agora vão acabar com a Lava Jato e o que falaremos pros nossos filhos? “Olha, quem roubou é inocente e quem prendeu o bandido é culpado”. É isso que iremos ensinar às futuras gerações

JLPolítica & Negócio - É com Bolsonaro que a direita brasileira deve contar para tentar tomar de volta o mandato de Lula em 2026?
RV -
Bolsonaro é nossa primeira opção. É com ele ou com quem ele apoiar. Estamos com Bolsonaro!

JLPolítica & Negócio - O senhor não deveria achar estranho que a durante a CPMI do 8 de Janeiro a direita tente atribuir à esquerda e ao petismo aquele quebra-quebra de Brasília?
RV -
Esta é mais uma narrativa da esquerda. O que estamos questionando são as omissões do Governo Federal e do Ministério da Justiça em relação aos eventos de 8 de janeiro. Houve mais de 43 horas consecutivas de alertas que o general Gonçalves Dias, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, recebeu sem tomar nenhuma ação, assim como os alertas que o ministro Flávio Dino recebeu sem agir. Portanto, caso você acompanhe a CPMI, verá que estamos debatendo exatamente as omissões do Governo Federal, seu possível interesse nos eventos e a possível participação de infiltrados. Sem querer soar teoria da conspiração, esse evento muito se assemelha a quando Hitler mandou incendiar o parlamento alemão, culpou seus adversários pelo incêndio e após isso, sob pretexto de “proteger a Alemanha de um golpe”, tomou todos os poderes para si, pois assim poderia criminalizar seus adversários políticos. Essa estratégia não é nova e inclusive tem nome: Operação de Falsa Bandeira. Lembra quando Lula falou que os bolsonaristas devem ser extirpados da vida pública?

Os três Valadares: Rodrigo, o pai Pedro e o irmão Fábio, sempre unidos

DOS BURACOS NA CPMI DO 8 DE JANEIRO
“O que estamos questionando são as omissões do Governo e do Ministério da Justiça em relação aos eventos de 8 de janeiro. Houve mais de 43 horas consecutivas de alertas que o general Gonçalves Dias recebeu sem tomar nenhuma ação, assim como os alertas que o ministro Flávio Dino recebeu sem agir”

JLPolítica & Negócio - Mas o senhor endossaria ou praticaria aqueles atos do 8 de janeiro?
RV -
É evidente que não. O 8 de janeiro foi o mais triste episódio da nossa democracia. No entanto, o que eu também não endosso é um discurso de parte da mídia que quer construir uma narrativa de “golpe”, sendo que não tinha nenhuma arma, nenhum apoio das instituições, nenhum líder. Onde você já viu golpe de Estado assim? Senhoras com terços e velinhas nos acampamentos, dedicadas à oração, sofrendo uma detenção arbitrária, muitas que sequer se aproximaram do local dos fatos. Essas permaneceram detidas durante meses, sem a devida individualização de condutas e sem respeito ao devido processo legal. Essa arbitrariedade é algo que também não posso apoiar e por isso estou lá na CPMI para combater esses abusos.

JLPolítica & Negócio - No quê ou em quê dá para dialogar com a esquerda ou a extrema-esquerda brasileira?
RV -
Esta é uma pergunta difícil de responder, pois afirmar que não é possível dialogar soa autoritário e ditatorial, e isso é coisa da própria esquerda. No entanto, posso dizer que direita e esquerda são como água e óleo, não se misturam. É trevas e luz. Não há compatibilidade entre suas ideologias. O que defendemos, como Deus, pátria, família e liberdade, é o oposto do que eles defendem.

JLPolítica & Negócio - Qual é a sua visão da descriminalização do porte e uso da maconha no Brasil pelo STF?
RV -
A visão da descriminalização do porte da maconha apresenta dois graves problemas. Primeiro, é um absurdo jurídico, já que a atribuição de legislar sobre o tema, de decidir, é do Legislativo e não do Judiciário. O Congresso Nacional já se posicionou contra a descriminalização do porte e uso de maconha no Brasil. Em segundo lugar, a descriminalização de drogas é preocupante, dado que o Brasil enfrenta sérios problemas relacionados às substâncias. Só quem teve uma família destruída pelas drogas sabe o mal que a droga faz. Quem já perdeu um filho, um marido ou uma esposa para as drogas sabe. Acredito que o Brasil não precisa de drogas. Em vez disso, precisa de mais educação, saúde, emprego e segurança. O que o Brasil precisa é mais de Deus e menos de drogas.

Rodrigo Valadares e Eduardo Bolsonaro: irmãos por afinidade com a direita nacional

NÃO CABE AO STF LEGISLAR SOBRE MACONHA
“É um absurdo jurídico, já que a atribuição de legislar sobre o tema é do Legislativo e não do Judiciário. O Congresso já se posicionou contra a descriminalização do porte e uso no Brasil. Em segundo lugar, a descriminalização de drogas é preocupante, dado que o Brasil enfrenta sérios problemas relacionados às substâncias”

JLPolítica & Negócio - O senhor então defende que  caberia mesmo é ao Congresso votar e decidir sobre isso?
RV -
É exatamente disso que estamos falando. Embora o Congresso já tenha decidido que não deseja descriminalizar o porte e o uso de maconha no Brasil, acredito que, caso queiram reabrir essa discussão, ela deve ser reaberta no Congresso Nacional e não no Judiciário. É bom pra vermos como cada deputado e senador irá votar. Se são contra ou a favor das drogas. O que não se pode aceitar é que isso seja decidido por 11 ministros que não devem satisfação nenhuma à sociedade. 

JLPolítica & Negócio - Por que o senhor considera que os interesses do Nordeste sob o Governo de Lula estão aviltados?
RV -
Não é apenas eu que acho isso. Veja o que aconteceu nessas últimas semanas: os prefeitos do Nordeste, que na sua esmagadora maioria fizeram o L, acabaram de entrar em greve pela queda dos repasses do FPM. Sendo que a grande maioria das cidades nordestinas sobrevivem do FPM, e Lula está estrangulando as cidades do nosso Nordeste. Vai faltar dinheiro pra pagar os funcionários, pra comprar remédio, merenda, etc. Se os próprios prefeitos que votaram em Lula estão vendo seu tratamento terrível com o Nordeste, quem sou eu pra discordar? Acontece que, ao invés de mandar dinheiro pro nosso povo nordestino, Lula está preferindo mandar para a Argentina, Angola e outros países que estão nos planos de expansão do socialismo do PT. Mas nós já vimos esse filme antes, não é verdade?

JLPolítica & Negócio - O senhor torce para um quanto pior melhor do Brasil sob um Governo de Lula?
RV -
De maneira nenhuma, torço pelo nosso país. Busco sempre o melhor pro Brasil, afinal moro aqui, meus filhos moram aqui e é aqui que estão sendo criados. Porém, lamentavelmente, esse filme já vimos. Sabemos como ele terminará: recessão, desemprego, crise e corrupção. A nossa função como deputado, representando o povo, é alertar a população e fazer o possível para evitar que o Brasil vá pro fundo do poço novamente pelas mãos do PT.

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DA ESPOSA NOMEADA PARA O TCE
“Não há nada de antirrepublicano. É um ato legal e lícito, uma oportunidade que ela teve e que vai contribuir muito para o Tribunal de Contas de Sergipe. É evidente que ela trabalha. Sou suspeito para falar, por ser marido, mas tenho total convicção de que ela é muito competente, preparada”

JLPolítica & Negócio - O que é que há de antirrepublicano na nomeação de sua esposa para um Cargo em Comissão no Tribunal de Contas do Estado de Sergipe?  
RV -
Não há nada de antirrepublicano. É um ato legal e lícito, uma oportunidade que ela teve e que vai contribuir muito para o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe.

JLPolítica & Negócio - Afinal, ela trabalha ou tem apenas a função e o salário?
RV -
É evidente que ela trabalha e irá contribuir muito para o nosso Estado. Sou suspeito para falar, por ser marido, mas tenho total convicção de que ela é muito competente, preparada, tem formação e tem plena capacidade de exercer o cargo. Agora, considero ser extremamente desrespeitoso com uma mulher um marido estar respondendo pela sua esposa.

JLPolítica & Negócio - Mas, enfim, qual é o balanço que o senhor faz da sua vida pública até agora?
RV -
Olha, eu só tenho que agradecer, primeiro a Deus e ao povo de Sergipe, porque pela misericórdia de Deus e bondade do povo sergipano consegui me eleger deputado estadual em 2018. Tive uma excelente votação em 2020 para prefeito e, quatro anos depois da minha primeira eleição, consegui subir mais um degrau e ir para deputado federal, um sonho que eu tinha no coração. Sem Deus, isso seria impossível. Não tenho nenhum padrinho político e nem estou com os caciques da política em Sergipe. Foi pela misericórdia do Senhor que hoje tenho uma carreira política e posso representar bem o meu Estado de Sergipe. É motivo de felicidade quando as pessoas me param nas ruas, como no dia do feriado do sete de setembro em que fui caminhar na Treze de Julho, e um senhor chamado Muniz me disse: “Rodrigo, você representa muito bem o meu Estado e muitas pessoas do Brasil que podem estar longe, mas você está lá falando o que aquelas pessoas queriam falar”. Isso é motivo de orgulho. Só tenho que agradecer a Deus por tudo, por todos os milagres que realizou em minha vida. Sergipe pode esperar de mim esse comprometimento com o povo, com nossas bandeiras, com nossas causas até o final da minha vida pública.

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