Valadares Filho: “Sergipe é um dos territórios culturalmente mais ricos do Brasil”

Entrevista

Jozailto Lima

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Valadares Filho: “Sergipe é um dos territórios culturalmente mais ricos do Brasil”

“Investir em cultura é investir em pessoas, no presente e no futuro do nosso Estado”
19/4/2025-12h

Aos 44 anos, o administrador de Empresas por formação acadêmica Valadares Filho foi deputado federal por três mandatos em Sergipe, passou por uma função de curta duração na Secretaria-Geral da Presidência da República, foi secretário municipal de Governo de Aracaju por um período identicamente curto com Edvaldo Nogueira e somente agora é convocado pela primeira vez para assumir a titularidade de uma Secretaria de Estado.

E não é uma Secretaria qualquer. Trata-se da Especial de Cultura, criada - ou recriada, porque ela já existiu antes deste atual Governo - no final do ano passado pelo governador Fábio Mitidieri, PSD, para fazer frente a uma nova realidade de Governo que, pela primeira vez, leva o turismo muitíssimo a sério, como uma verdadeira política de Estado, e quer fazer da cultura uma parelha.  

Cultura e Turismo têm muito a ver em seus objetivos e terminações, mas Fábio Mitidieri preferiu potencializar cada um no seu canto. Valadares Filho percebeu esta dinâmica, aceitou o convite e chegou-chegando. É, sem dúvida, um observador da área cheio de pertinências, de pontos de vista consequentes e de boas intenções.

Para Valadares Filho, cultura, enquanto política de Governo,  flerta abertamente com essencialidade de um povo. “Investir em cultura é investir em pessoas, no presente e no futuro do nosso Estado”, diz ele, sem firulas nem muito esforço para pensar.

Teoricamente, as visões de Valadares Filho estão perfeitas e em sintonia com as novas demandas de fixação de um novo modelo de ser para Sergipe. “A nossa sergipanidade existe nas tradições, nas festas populares, na oralidade, nas expressões artísticas, na gastronomia e na forma de ser do nosso povo”, prefixa ele.

“Nosso desafio na Secretaria é justamente tornar essa identidade mais presente no cotidiano das pessoas, nas escolas, nas mídias, nos eventos e nas políticas institucionais. Só assim deixaremos de falar em fragilidade e passaremos a cultuar a força da cultura sergipana”, reforça ele.

Sociologicamente, Valadares Filho não põe em dúvida um milímetro o poderio cultural sergipano. “Sergipe é, sem dúvida, um dos territórios culturalmente mais ricos do Brasil. Falar sobre a identidade cultural do nosso Estado exige reconhecer a profundidade e a diversidade das manifestações que compõem o nosso patrimônio imaterial e material”, diz.

“Mesmo sendo um Estado de pequeno porte territorial, Sergipe possui uma imensidão simbólica, construída pela criatividade e pela força do seu povo. Cada território tem sua própria linguagem, seus mestres e mestras da cultura, seus saberes e modos de fazer, o que torna a identidade sergipana múltipla, viva e em constante transformação”, reforça.

Nesta Entrevista Domingueira Valadares Filho vai dizer que a missão dele na Secretaria “é justamente valorizar essa pluralidade, garantir visibilidade a todas essas expressões e consolidar políticas públicas que fortaleçam a cultura como um direito de todos e um vetor estratégico de desenvolvimento social, econômico e humano”.

Antônio Carlos Valadares Filho nasceu no dia 1º de outubro de 1980, em Aracaju. Ele é filho de Antônio Carlos Valadares e de Ana Luíza Dortas Valadares.

Formou-se em Administração de Empresas em 2005 pela Universidade Tiradentes e já obteve mais de um milhão de votos entre os sergipanos, somadas todas as sete disputas eleitorais das quais tomou parte.

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JLPolítica & Negócio - Esta é a primeira vez, em seus 44 anos, que o senhor assume uma Secretaria de Estado. Mas, cá pra nós: é a dos seus sonhos?
Valadares Filho - Sem dúvida. E digo sem dúvida porque sempre acreditei que a cultura desempenha um papel essencial na construção de uma sociedade mais justa, plural e desenvolvida. Logo, assumir a Secretaria de Cultura tem grande importância para mim, pois representa a oportunidade de impactar positivamente a vida das pessoas e deixar um legado significativo para Sergipe. Agradeço ao governador Fábio Mitidieri pela confiança depositada em mim para liderar essa pasta estratégica. Vamos trabalhar com dedicação para fortalecer e valorizar a cultura sergipana em todas as suas dimensões.

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JLPolítica & Negócio - É mais fácil reiniciar do zero uma Secretaria, como o senhor terá que fazer com esta de Cultura, ou pegá-la em andamento?
VF - Eu diria que iniciar uma Secretaria do zero é bastante desafiador. Existe toda uma estrutura organizacional e financeira a ser montada, o que exige muito planejamento e criatividade. Mas isso também nos dá a chance de estruturar as políticas públicas a serem desenvolvidas com base em um novo olhar. Estamos construindo algo coletivo, com muito diálogo, escuta ativa e responsabilidade.

JLPolítica & Negócio - O senhor e seus futuros gestores chegarão à Secretaria com orçamento próprio ou iniciarão com ela financeiramente pelada?

VF - Inicialmente, contamos com uma estrutura orçamentária ainda em fase de consolidação, o que é natural para uma Secretaria recém-criada. No entanto, estamos atuando de forma articulada com o Governo do Estado para garantir que os recursos necessários sejam alocados de forma progressiva e estratégica. Também estamos empenhados em ampliar nossa capacidade de financiamento por meio da captação de recursos federais, editais nacionais e parcerias com instituições públicas e privadas. A existência da Secretaria, prevista em lei, nos dá legitimidade e estrutura para acessar políticas de fomento como as Lei Rouanet e  Aldir Blanc, entre outras iniciativas de âmbito federal. O orçamento ainda é um desafio, mas também uma oportunidade de inovar na forma de investir na cultura sergipana.

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JLPolítica & Negócio - Que tipo de protagonismo o senhor espera poder gerar para Cultura enquanto política de Estado?
VF - Vamos colocar a cultura na perspectiva de uma política transversal, conectada com a educação, com o turismo, as ferramentas tecnológicas e com o empreendedorismo, com foco no desenvolvimento econômico e social. A cultura não é um setor isolado: ela dialoga com múltiplas áreas e tem impacto direto na economia criativa, na formação cidadã e na valorização da identidade sergipana. Nosso protagonismo virá do reconhecimento da cultura como ferramenta de transformação de vidas e da construção de uma política pública estruturada e permanente, conforme prevê a Lei nº 489/2024, que criou a Secretaria Especial de Cultura com esse propósito estratégico.

JLPolítica & Negócio - Para o senhor, o que é Sergipe culturalmente falando?
VF - Sergipe é, sem dúvida, um dos territórios culturalmente mais ricos do Brasil. Falar sobre a identidade cultural do nosso Estado exige reconhecer a profundidade e a diversidade das manifestações que compõem o nosso patrimônio imaterial e material. Estamos falando de tradições populares enraizadas - como o Reisado, os Parafusos, os Lambe-Sujos e Caboclinhos -, além de uma produção contemporânea expressiva nas áreas da música, do teatro, da literatura, da dança, do audiovisual, das artes visuais e do artesanato. Mesmo sendo um Estado de pequeno porte territorial, Sergipe possui uma imensidão simbólica, construída pela criatividade e pela força do seu povo. Cada território tem sua própria linguagem, seus mestres e mestras da cultura, seus saberes e modos de fazer, o que torna a identidade sergipana múltipla, viva e em constante transformação. Nossa missão na Secretaria é justamente valorizar essa pluralidade, garantir visibilidade a todas essas expressões e consolidar políticas públicas que fortaleçam a cultura como um direito de todos e um vetor estratégico de desenvolvimento social, econômico e humano.

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PARA IMPACTAR POSITIVAMENTE A VIDA DAS PESSOAS
“Sempre acreditei que a cultura desempenha um papel essencial na construção de uma sociedade mais justa, plural e desenvolvida. Logo, assumir a Secretaria de Cultura tem grande importância para mim, pois representa a oportunidade de impactar positivamente a vida das pessoas e deixar um legado significativo para Sergipe”

JLPolítica & Negócio - Na sua visão, qual é o elo ou link entre cultura e desenvolvimento socioeconômico?
VF - É simples: a cultura gera emprego, movimenta a economia, impulsiona o turismo e cria oportunidades. Em Sergipe, por exemplo, temos uma cadeia criativa pulsante - de artistas, grupos, artesãos e produtores culturais - que vive da cultura e movimenta suas comunidades. A Secretaria, com seu papel articulador, atua também para potencializar a economia criativa e incluir os jovens, empreendedores e grupos tradicionais nesse circuito. Investir em cultura é investir em pessoas, no presente e no futuro do nosso Estado.

JLPolítica & Negócio - Há muita queixa sobre uma suposta fragilidade da identidade sergipana, não por ser inexistente, mas por ser pouco cultuada. Uma cultura bem fomentada pode mudar isso?
VF - De fato, não se trata da ausência de uma identidade sergipana, mas de uma visibilidade ainda insuficiente dela e da sua significação. A nossa sergipanidade existe nas tradições, nas festas populares, na oralidade, nas expressões artísticas, na gastronomia e na forma de ser do nosso povo.

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“A CULTURA NÃO É UM SETOR ISOLADO”
“Vamos colocar a cultura na perspectiva de uma política transversal, conectada com a educação, com o turismo, as ferramentas tecnológicas e com o empreendedorismo, com foco no desenvolvimento econômico e social. A cultura não é um setor isolado: ela dialoga com múltiplas áreas”

JLPolítica & Negócio - Mas o que falta?
VF - O que nos falta é fortalecê-la como marca coletiva e reconhecê-la como um ativo cultural e simbólico. Uma cultura bem fomentada tem o poder de resgatar esse sentimento de pertencimento, de elevar a autoestima coletiva. Para isso, é fundamental investir em políticas públicas estruturantes, em ações de formação, de difusão e de valorização das expressões culturais - tanto as tradicionais quanto as contemporâneas -, com foco na descentralização e na inclusão. Nosso desafio na Secretaria é justamente tornar essa identidade mais presente no cotidiano das pessoas, nas escolas, nas mídias, nos eventos e nas políticas institucionais. Só assim deixaremos de falar em fragilidade e passaremos a cultuar a força da cultura sergipana.

JLPolítica & Negócio - O senhor se dá por satisfeito com a posição de Sergipe no cenário nacional, ou carece melhorar um pouco mais?

VF - Sergipe tem um imenso potencial cultural ainda pouco explorado em âmbito nacional. Em áreas como o turismo, esse reconhecimento já vem ganhando força, especialmente a partir da gestão do governador Fábio Mitidieri, que tem tratado o setor como eixo estratégico de desenvolvimento. Com a criação da Secretaria Especial da Cultura, o governador demonstra o mesmo compromisso com a cultura sergipana, entendendo-a como um instrumento de valorização da identidade e de promoção econômica e social. No entanto, ainda temos um caminho importante a percorrer. A cultura de Sergipe precisa ser mais vista, ouvida e reconhecida fora das nossas fronteiras. Isso passa por uma política cultural estruturada, com investimento em comunicação, circulação de obras e artistas, articulação com redes nacionais e participação ativa em editais, fóruns e eventos que deem visibilidade ao que produzimos aqui.

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CULTURA POTENCIALIZANDO A AUTOESTIMA
“A nossa sergipanidade existe nas tradições, nas festas populares, na oralidade, nas expressões artísticas, na gastronomia e na forma de ser do nosso povo. O que nos falta é fortalecê-la como marca coletiva e reconhecê-la como um ativo cultural e simbólico. Uma cultura bem fomentada tem o poder de resgatar esse sentimento de pertencimento, de elevar a autoestima coletiva”

JLPolítica & Negócio - Mas o que falta?
VF - O que nos falta é fortalecê-la como marca coletiva e reconhecê-la como um ativo cultural e simbólico. Uma cultura bem fomentada tem o poder de resgatar esse sentimento de pertencimento, de elevar a autoestima coletiva. Para isso, é fundamental investir em políticas públicas estruturantes, em ações de formação, de difusão e de valorização das expressões culturais - tanto as tradicionais quanto as contemporâneas -, com foco na descentralização e na inclusão. Nosso desafio na Secretaria é justamente tornar essa identidade mais presente no cotidiano das pessoas, nas escolas, nas mídias, nos eventos e nas políticas institucionais. Só assim deixaremos de falar em fragilidade e passaremos a cultuar a força da cultura sergipana.

JLPolítica & Negócio - O senhor se dá por satisfeito com a posição de Sergipe no cenário nacional, ou carece melhorar um pouco mais?
VF - Sergipe tem um imenso potencial cultural ainda pouco explorado em âmbito nacional. Em áreas como o turismo, esse reconhecimento já vem ganhando força, especialmente a partir da gestão do governador Fábio Mitidieri, que tem tratado o setor como eixo estratégico de desenvolvimento. Com a criação da Secretaria Especial da Cultura, o governador demonstra o mesmo compromisso com a cultura sergipana, entendendo-a como um instrumento de valorização da identidade e de promoção econômica e social. No entanto, ainda temos um caminho importante a percorrer. A cultura de Sergipe precisa ser mais vista, ouvida e reconhecida fora das nossas fronteiras. Isso passa por uma política cultural estruturada, com investimento em comunicação, circulação de obras e artistas, articulação com redes nacionais e participação ativa em editais, fóruns e eventos que deem visibilidade ao que produzimos aqui.

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ABERTURA PARA OS FAZEDORES DE CULTURA
“A Secretaria tem um público-alvo muito diverso, que vai de artistas e fazedores da cultura a gestores públicos, educadores, comunidades tradicionais e empreendedores criativos. Vamos manter canais permanentes de escuta, promover fóruns e fortalecer conselhos para garantir uma gestão participativa e democrática”

JLPolítica & Negócio - A sua gestão vai ter abertura real para os agentes fazedores e gestores do bem cultural?
VF - Total. Porque acredito no diálogo e na construção coletiva. A Secretaria tem um público-alvo muito diverso, que vai de artistas e fazedores da cultura a gestores públicos, educadores, comunidades tradicionais e empreendedores criativos. Vamos manter canais permanentes de escuta, promover fóruns e fortalecer conselhos para garantir uma gestão participativa e democrática. Queremos uma política cultural pensada junto com quem a vive no dia a dia.

JLPolítica & Negócio - Qual será o papel de Fóruns, Conselhos e Plenárias culturais?
VF - Serão instrumentos fundamentais para pensar e executar a política cultural. Eles vão nos ajudar a construir essa gestão descentralizada, escutando todos os setores e com a importante participação popular.

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A SINTONIA COM O QUE VEM DO INTERIOR
“O interior tem um papel essencial na nossa cultura. Vamos descentralizar as ações e levar equipamentos, oficinas e editais também para os municípios, valorizando o que é produzido fora da capital. A interiorização da cultura em Sergipe é um eixo estratégico da nossa gestão”

JLPolítica & Negócio - O senhor já tem domínio e conhecimento dos chamados espaços culturais e equipamentos públicos existentes no Estado, e o que fazer para revitalizá-los mais e mais?
VF - Estamos fazendo um levantamento detalhado desses espaços. Nosso objetivo é revitalizá-los, ampliar sua utilização e garantir que sejam polos culturais vivos e acessíveis à população. Também vamos integrar ferramentas como o Mapa Cultural de Sergipe, que será essencial para registrar e promover as atividades culturais e os agentes em cada território. Mas, respondendo de forma objetiva, neste momento inicial, com os desafios de montar a estrutura da pasta, é difícil conhecer em profundidade todas as demandas. Mas vamos construir esse diagnóstico com escuta e participação.

JLPolítica & Negócio - É possível pensar uma cultura universal do Estado sem um novo olhar pro que acontece no interior?
VF - Não. O interior tem um papel essencial na nossa cultura. Vamos descentralizar as ações e levar equipamentos, oficinas e editais também para os municípios, valorizando o que é produzido fora da capital. A interiorização da cultura em Sergipe é um eixo estratégico da nossa gestão. Cada município sergipano guarda um patrimônio cultural próprio, com expressões, saberes e tradições que precisam ser reconhecidos, valorizados e apoiados. Interiorizar a cultura é democratizar o acesso, estimular a produção local e garantir que a política pública alcance todos os territórios, respeitando suas especificidades e vocações.

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TODO UM ELO COM A ECONOMIA CRIATIVA
“A cultura é a base da economia criativa. É nela que estão o talento, a inovação e a geração de valor simbólico e econômico. Além de expressar identidades, a cultura movimenta cadeias produtivas inteiras, gerando emprego, renda e inclusão. Vamos apoiar empreendedores culturais”

JLPolítica & Negócio - O que é que a cultura tem a dizer à economia criativa?
VF - A cultura é a base da economia criativa. É nela que estão o talento, a inovação e a geração de valor simbólico e econômico. Além de expressar identidades, a cultura movimenta cadeias produtivas inteiras - do audiovisual à moda, do artesanato à gastronomia -, gerando emprego, renda e inclusão. Vamos apoiar empreendedores culturais para que transformem seus projetos em negócios sustentáveis, promovendo formação, acesso a editais, incentivos fiscais e parcerias que fortaleçam esse ecossistema em todo o Estado.

JLPolítica & Negócio - Ao lhe convidar para esta função, o governador Fábio Mitidieri lhe fez alguma ponderação que chamasse a atenção do senhor?
VF - Ele me pediu que fizesse da cultura uma política estratégica. Esse pedido reforçou meu compromisso de trabalhar com seriedade, dedicação e resultados concretos. Assumir uma pasta com um tema que recebe um olhar especial do governador Fábio Mitidieri é uma honra e uma responsabilidade que encaro com entusiasmo e determinação.

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DA IMPORTÂNCIA DE TER NEU POR PERTO
“Neu é um profissional com experiência e sensibilidade cultural. Tê-lo ao meu lado é fundamental para que possamos unir gestão eficiente com conhecimento técnico do setor. Ele tem uma trajetória consolidada no fomento à cultura em Sergipe, conhece os agentes culturais e os desafios da base”

JLPolítica & Negócio - Qual é a importância que o senhor dá ao suporte do técnico em Cultura Neu Fontes no exercício de secretário Executivo da sua Secretaria?
VF -Neu é um profissional com experiência e sensibilidade cultural. Tê-lo ao meu lado é fundamental para que possamos unir gestão eficiente com conhecimento técnico do setor. Ele tem uma trajetória consolidada no fomento à cultura em Sergipe, conhece os agentes culturais e os desafios da base. Sua presença na Secretaria Executiva fortalece nossa capacidade de articulação com os fazedores de cultura e a construção de políticas públicas mais próximas da realidade de quem vive a cultura no dia a dia.

JLPolítica & Negócio - A sua experiência de 12 anos de três mandatos de deputado federal faz diferença ao assumir uma função de Estado como esta?
VF - Essa experiência parlamentar me é extremamente valiosa neste novo desafio. Ao longo de três mandatos na Câmara dos Deputados, participei de discussões fundamentais sobre políticas públicas, orçamento, cultura, juventude, desenvolvimento regional e direitos sociais. Isso me proporcionou uma visão ampla do funcionamento do Estado, da articulação entre os entes federativos e, sobretudo, da importância de uma gestão pública baseada em planejamento, diálogo e resultados concretos. Além disso, minha recente passagem pela Secretaria-Geral da Presidência da República, colaborando com o amigo ministro Marcio Macedo que ajuda tanto o nosso Estado e com o governo Lula, reforçou ainda mais meu entendimento sobre a estrutura federal, os mecanismos de articulação institucional e a importância da cultura no centro das políticas públicas nacionais.

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DA IMPORTÂNCIA DE TER NEU POR PERTO
“Neu é um profissional com experiência e sensibilidade cultural. Tê-lo ao meu lado é fundamental para que possamos unir gestão eficiente com conhecimento técnico do setor. Ele tem uma trajetória consolidada no fomento à cultura em Sergipe, conhece os agentes culturais e os desafios da base”

JLPolítica & Negócio - Então o legado deixado é positivo?
VF - Sim. Como deputado e como gestor, aprendi a negociar, captar recursos, defender pautas em nível nacional e articular com instituições diversas - habilidades que serão essenciais para fortalecer a cultura sergipana, garantir acesso a recursos federais, firmar parcerias e assegurar o protagonismo de Sergipe nas políticas culturais do Brasil. Essa bagagem política me permite atuar com mais segurança na formulação de estratégias, com foco na eficiência administrativa e no impacto social.

JLPolítica & Negócio - Foi breve, mas lhe deixou algo de positivo a sua passagem pela Secretaria de Governo da Prefeitura de Aracaju?
VF - Sem dúvida. A passagem pela Secretaria de Governo da Prefeitura de Aracaju foi uma experiência maravilhosa. Foi uma oportunidade de compreender, na prática, os desafios da gestão executiva, especialmente numa das pastas mais estratégicas da administração municipal, que dialoga com todas as áreas da gestão. Lá encontrei uma equipe muito competente. Sou profundamente grato ao prefeito Edvaldo Nogueira pela confiança ao me confiar aquela responsabilidade. Essa vivência contribuiu de forma significativa para meu amadurecimento como gestor público.

JLPolítica & Negócio - Muitos veem Edvaldo Nogueira como um político de trato difícil. O senhor o viu assim na sua passagem por uma Secretaria sob ele?
VF - Tivemos uma relação institucional respeitosa e produtiva. Durante minha passagem pela Secretaria, mantive o foco na entrega de resultados e na articulação eficiente das ações de governo. O tratamento pessoal sempre foi cordial, pautado pelo profissionalismo e pelo compromisso com a cidade. Em funções executivas, o que deve prevalecer é o interesse público - e foi com esse propósito que atuei.

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JLPolítica & Negócio - O senhor bateu cabeça nos últimos oito anos, perdendo eleições sucessivas - seis, considerando as de segundos turnos -, embora fazendo bonito eleitoralmente. Muito dessas perdas como consequência de ter saído dos trilhos do seu grupo político originário. O senhor guarda arrependimento por essas discrepâncias?
VF - É claro que cada eleição traz seus aprendizados, e eu respeito profundamente o julgamento das urnas. Mas também é importante lembrar que, mesmo nas derrotas de que você fala, conseguimos construir campanhas propositivas, com apoio popular e grande capacidade de mobilização, o que mostra que há um sentimento legítimo de confiança em nossa trajetória e isso foi refletido nas expressivas votações que obtive. A política é feita de ciclos, e sigo com a consciência tranquila de que sempre estive ao lado do povo sergipano, enfrentando desafios de cabeça erguida e com responsabilidade. Porém, admito que é uma satisfação retornar para o grupo político a que sempre pertenci. Devo isso também ao governador Fábio Mitidieri.

JLPolítica & Negócio - O senhor vai tentar retomar uma atividade legislativa ano que vem, ou vai dar um tempo de repouso?
VF - Neste momento, estou totalmente focado na missão dada por Fábio Mitidieri de fortalecer a cultura de Sergipe. Assumir a Secretaria da Cultura é um desafio que exige dedicação integral, e é com esse comprometimento que estou atuando. Acredito que, com trabalho sério e resultados concretos, seguindo as determinações do governador, é possível construir um legado duradouro. O futuro a Deus pertence, mas meu presente está na Secretaria e em fazer a diferença nesse novo desafio. No aspecto político-eleitoral, em 2026 minha prioridade será a reeleição do governador.

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FERNANDO DE ZUZA FERREIRO
Q seus projetos tenham aprovação de Deus.
Silvina
Espero que o Divino Pai Eterno continue guiando os seus passos. Saúde Amor e Paz. Bjos
Silvina
Excelente entrevista. Parabéns e sucesso.