Entrevista

Jozailto Lima

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Valmir de Francisquinho: “Na vida pública, não há nada mais gratificante que o sorriso de gratidão das pessoas”

21 de novembro de 2020
“Saio um Valmir com sentimento do dever cumprido e de que fiz um trabalho bem feito”

Não fosse uma eleição de vice-prefeito perdida - a única de sua carreira política, lá em 1996, ao lado de Carminha Mendonça - e Valmir dos Santos Costa, o Valmir de Francisquinho, prefeito de Itabaiana, estaria encerrando agora 32 anos ininterruptos de mandatos públicos. 

Mas, com 32 anos de atividade política, ele repassará para o futuro prefeito Adailton Sousa, no dia 1º de janeiro, o comando da cidade de Itabaiana e dará por um breve período de intervalo nos sete mandatos populares alcançados desde de 1988 - cinco de vereador e dois e de prefeito.

Valmir de Francisquinho diz que sairá do poder como o mesmo homem que entrou, sem patrimônio, mas que se sente realizado por ter feito o que acha que tanto fez de bom pelas pessoas da terceira maior cidade de Sergipe.

“Saio da mesma forma que entrei: morando na mesma casa alugada ao lado da Igreja Matriz de Itabaiana e como comerciante. Não mudei de profissão, não mudei de personalidade. Saio um Valmir com o sentimento do dever cumprido e de que fiz um trabalho bem feito”, afirma.

Em muitos eventos, Valmir esteve nos braços do povo de Itabaiana. Aqui, na vitória da eleição de prefeito em 2012
Valmir de Francisquinho: em pose de vereador no terceiro mandato, obtido em 2000

Valmir de Francisquinho não esconde que isso seja real e de que disso tem muito orgulho. “Encontramos a Prefeitura de Itabaiana em 2013 com R$ 33 milhões em débitos. O montante incluía salários atrasados, dívidas e precatórios. Eu recebia cobranças diariamente no primeiro ano de gestão. Adailton receberá uma Prefeitura com mais de R$ 20 milhões em caixa para fazer um trabalho à altura do que o itabaianense merece. Ele não receberá nenhum cobrador que tenha prestado serviço em minha gestão e não recebido”, diz.

Mas, paralelo à obra social e administrativa, Valmir acha que fez uma outra de igual, ou superior, valor, que foi a da libertação de Itabaiana do jugo político de dois grupos que há mais de meio século se revezavam no poder – o dos Teles de Mendonça e o dos Bispo de Lima.

“A bipolarização não interessava ao povo, só favorecia a eles mesmos, pois quando um não estava no poder, o outro estava. Esta foi a primeira vez, na histórica política de Itabaiana, que alguém ousou desafiar os dois tradicionais grupos políticos de nossa cidade”, diz ele.

“Fiz parte de um dos agrupamentos, sou dissidente e vejo a minha atitude corajosa de ter enfrentado ambos os grupos como uma libertação para os itabaianenses. Hoje, a camisa partidária não vale mais que o trabalho, e o respaldo só vem nas urnas quando o povo está satisfeito”, diz Valmir.

Nesta Entrevista, você, leitor, vai encontrar um Valmir de Francisquinho zen, calmo e na dele. Nada triunfalista. Mas com alma e aura de vencedor. Não agride Luciano Bispo e nem Maria Mendonça. Apenas vai se queixar de um certo “rancor” de Edson Passos na campanha e vai dizer que não sabe o que lhe espera o futuro político.

Mas garantirá que, sejam quais forem suas decisões futuras, não se apartará jamais do povo de Itabaiana, subscreverá a confiança de 100% em Adailton Sousa e dirá que ele tem a faca e o queijo nas mãos para fazer tudo de bom por Itabaiana.

Momento marcante da sua saída da prisão no dia 22 de novembro de 2018. Acha que haverá justiça

“Adailton terá tudo em mãos para fazer uma gestão até mesmo melhor que as minhas. Se por um lado encontrei uma cidade acabada, ele encontrará uma cidade organizada. Se por um lado encontrei dívidas, ele encontrará uma prefeitura sem dever a ninguém”, diz.

Valmir dos Santos Costa nasceu no dia 3 de dezembro de 1968 na cidade de Itabaiana. Ele é filho Francisco Paes da Costa, já falecido, e de Maria Alves da Costa.

Valmir é casado e pai de Diego Santos Costa, 32 anos, Talysson Barbosa Costa, o Talysson de Valmir, 29 anos – que é deputado estadual -, Ícaro Barbosa Costa, 19, e de Luiz Francisco Menezes Costa, 11.

Ele tem formação acadêmica em Direito desde 2012 por uma universidade sergipana. Das oito eleições que pessoalmente disputou, venceu sete, as cinco de vereador - 1988, 1992, 2000, 2004 e  2008 - e as duas de prefeito - 2012 e 2016. E elegeu o sucessor agora.

Valmir vem de uma família de marchantes de porcos e começou a negociar ainda muito cedo na feira livre de Itabaiana. Ele e os seus irmãos foram criados no trabalho desde pequenos, impulsionados pelo pai, que viveu do abate de suínos.

“Nas urnas, o povo de Itabaiana nunca me faltou e, em termos de trabalho, eu nunca faltei para com o povo de Itabaiana”, diz. A Entrevista com Valmir de Francisquinho vale a leitura.

Valmir: um dos poucos registros da infância. Nasce no dia 29 de novembro de 1968, mas é registrado no dia 3 de dezembro
“TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO É PEQUENA” 
“Confesso que vale, sim, a pena quando olhamos para trás e vemos quanta coisa boa deu pra fazer até aqui. Quando vemos quantas pessoas conseguimos ajudar através do nosso trabalho. Na vida pública, não há nada mais gratificante do que ver o sorriso de gratidão no rosto das pessoas”


JLPolítica – Apesar de ter apenas 51 anos de idade, o senhor já passa dos 30 de vida pública. Vale tanta dedicação?
Valmir de Francisquinho – 
Confesso que valeu, sim, a pena quando olhamos para trás e vemos quanta coisa boa deu pra fazer até aqui. Quando vemos quantas pessoas conseguimos ajudar através do nosso trabalho. Na vida pública, não há nada mais gratificante do que ver o sorriso de gratidão no rosto das pessoas. 

JLPolítica – E como é que se mede isso?
Valmir de Francisquinho – 
Neste pleito eleitoral de 2020 tive a possibilidade de percorrer toda Itabaiana e vi o quanto a nossa população é grata por todos esses anos de serviço prestado por mim. É um trabalho duro, mas gratificante. Nas urnas, o povo de Itabaiana nunca me faltou e, em termos de trabalho, eu nunca faltei para com o povo de Itabaiana.

JLPolítica – Nesse período todo, o que o senhor fez que não faria de novo no aspecto de relacionamento político e de gestão?
Valmir de Francisquinho – 
Toda gestão é passível de erros, mas eu avalio que o nosso número de acertos é muito maior que qualquer erro que possamos ter tido. Posso ter falhado, afinal sou um ser humano. Mas busquei a todo tempo corrigir e me reinventar nesses oito anos de mandato e o meu sentimento hoje é de gratidão ao povo por todas as demonstrações de reconhecimento e de carinho.

JLPolítica – Qual é a leitura que o senhor faz de a votação de Adailton Sousa ter sido 3.488 votos a mais do que a dos demais quatro candidatos de Itabaiana juntos?
Valmir de Francisquinho – 
Esta foi a primeira vez, na histórica política de Itabaiana, que alguém ousou desafiar os dois tradicionais grupos políticos de nossa cidade. A bipolarização não interessava ao povo, só favorecia a eles mesmos, pois quando um não estava no poder, o outro estava. Fiz parte de um dos agrupamentos, sou dissidente e vejo a minha atitude corajosa de ter enfrentado ambos os grupos como uma libertação para os itabaianenses. Hoje, a camisa partidária não vale mais que o trabalho, e o respaldo só vem nas urnas quando o povo está satisfeito.

O filho Talysson de Valmir comemora a eleição de deputado estadual como o mais votado de 2018
PONDO UM FIM NA BIPOLARIZAÇÃO ITABAIANENSE
“Esta foi a primeira vez, na histórica política de Itabaiana, que 
alguém ousou desafiar os dois tradicionais grupos políticos de nossa cidade. A bipolarização não interessava ao povo, só favorecia a eles mesmos, pois quando um não estava no poder, o outro estava”


JLPolítica – Esta votação de 28.853 de Adailton naturalmente é a certificação do itabaianense aos oitos anos da gestão municipal. Mas qual é a receita para se chegar a esse grau de aprovação?
Valmir de Francisquinho – 
A receita é simples, Jozailto. É não virar as costas para o povo em nenhum segundo. Se o povo lhe confere o poder, os destinos de um município, é com ele e ouvindo a ele que você tem que governar do começo ao fim. Todos os dias percorro alguma região de Itabaiana, é um hábito desde que comecei na vida pública. É por isso que a nossa gestão sempre foi rápida em atender aos anseios do povo e, se houve falhas, logo foram corrigidas.

JLPolítica – Como o senhor analisa o fato de os Teles de Mendonça terem obtido apenas 5,48% dos votos dos itabaianenses, com os 2.969 dados à candidata Carminha Mendonça?
Valmir de Francisquinho – 
Durante a campanha, por diversas vezes, fui instigado a avaliar em entrevistas os nossos adversários, o que nunca fiz. Eu acredito que a maior avaliação é a das urnas, essa é a nota para o político. Daí você pode tirar qual é o sentimento do povo de Itabaiana com relação a eles. Foram somente 5,48% dos votos. É como sempre digo: quem busca o povo é por ele reconhecido. Quem não busca, que pague o preço.

JLPolítica – Esta baixa votação pode simbolizar o fim da carreira parlamentar da deputada Maria Mendonça, irmã dela?
Valmir de Francisquinho – 
Política se discute a depender de cada contexto. Não sei o que eles pensam, nem cabe a mim avaliar. Mas acho que deveriam fazer uma reflexão de onde erraram e pedir desculpas aos itabaianenses. O resultado das urnas reflete um cenário não muito positivo para eles.

JLPolítica – Por que e em nome de que o senhor guarda tanta reverência e respeito a Chico de Miguel e tanta restrição aos descendentes dele, sobretudo a Maria Mendonça?
Valmir de Francisquinho – 
Chico foi um mentor para mim. Foi ele quem me ensinou a dar os meus primeiros passos na vida pública. Se estivesse vivo hoje, tenho certeza que o agrupamento liderado por seus filhos não teria tomado o rumo que tomou nos últimos anos. Neste pleito, vimos eleitores tradicionais deles declararem apoio ao candidato de Luciano Bispo, figura da qual Chico guardava grandes mágoas. Nos bastidores, a união era clara e nas urnas a união ficou ainda mais nítida.

Valmir e o pai, Seu Francisquinho, em campanha em 1996: ele a vice e o velho a vereador. Ambos perderam
LIÇÃO DAS URNAS PROS TELES DE MENDONÇA
“Não sei o que eles pensam, nem cabe a mim avaliar. Mas acho que deveriam fazer uma reflexão de onde erraram e pedir desculpas aos itabaianenses. O resultado das urnas reflete um cenário não muito positivo para eles”


JLPolítica – Para além dos limites de Itabaiana, Sergipe não tem clareza real dos motivos da sua ruptura com a deputada Maria Mendonça em 2017. Em síntese, o que aconteceu entre o senhor e ela?
Valmir de Francisquinho – 
Era eleição da Presidência da Câmara, em outubro de 2017, eu buscava o apoio da minha banca para reeleger Zé Teles, primo da deputada para a Presidência. Eu tinha como aliados nove vereadores, de um total de 14. Só que a deputada exercia influência sobre dois deles, que inclusive ficaram com ela até este pleito e foram derrotados com votações praticamente inexpressivas. A oposição colocou uma chapa, tendo a vereadora Ivoni Andrade, aliada de Luciano, como candidata a presidente, e os dois vereadores de Maria votaram nela, traindo a mim e ao próprio primo da deputada. Ali vi que não dava para mim continuar junto politicamente com alguém que buscava, escancaradamente, me prejudicar. 

JLPolítica – Resta algum Teles de Mendonça para quem o senhor acene atenção e consideração?
Valmir de Francisquinho – 
Consideração para mim exige uma reciprocidade. É claro que não generalizo, mas muitos ali lutaram pelo meu fim político, e Itabaiana toda sabe. Eu, enquanto prefeito aliado, tinha que acordar todos os dias com a rádio da família deles tecendo críticas sem fundamentos ao meu trabalho. Então, não posso ter um sentimento de consideração por quem não me considerou.

JLPolítica – A votação de Edson Passos, MDB, revela o que sobre o atual poderio político-eleitoral de Luciano Bispo em Itabaiana?
Valmir de Francisquinho – 
O deputado não ficou satisfeito com o resultado, afinal é a terceira vez consecutiva, com candidatos diferentes, que ele é derrotado na corrida pela prefeitura. Se formos contar com as eleições estaduais, o número é duplicado. São seis derrotas de Luciano Bispo em Itabaiana. E a votação de Edson Passos traduz bem isso.

JLPolítica – Que impressão final deixou no senhor a pessoa política de Edson Passos nesta campanha?
Valmir de Francisquinho – 
Eu conhecia Edson e o tinha como amigo antes destas eleições. Mas no pleito, o que eu vi foi um personagem mal criado pelo marketing, que não convenceu à população itabaianense. Edson se mostrou totalmente diferente daquele a quem eu conhecia: um sujeito raivoso, rancoroso e que buscou agredir a todo momento quem sempre lhe estendeu a mão. Posso revelar que por diversas vezes recebi Edson em minha casa, para até mesmo lhe dar conselhos quanto à gerência de sua empresa. Tudo o que fiz foi pago com baixarias que eram criadas diariamente contra mim na campanha.

Valmir e Adailton Sousa, em evento de janeiro deste ano: os dois nutrem uma forte confiança
DEFORMAÇÃO COMPORTAMENTAL DE EDSON PASSOS
“Eu conhecia Edson e o tinha como amigo antes destas eleições. Mas no pleito, o que eu vi foi um personagem mal criado pelo marketing, que não convenceu à população. Edson se mostrou totalmente diferente daquele a quem eu conhecia: um sujeito raivoso, rancoroso e que buscou agredir a todo momento quem sempre lhe estendeu a mão”


JLPolítica – Procedem as informações de que Carminha e Maria Mendonça pediram, no final da campanha, votos pro candidato de Luciano Bispo?
Valmir de Francisquinho – 
Sim, claro. Basta analisar os resultados das eleições de 2018, quando Maria teve cerca de 8 mil votos e Luciano somente 15 mil. Dá para ver claramente para onde os votos dela migraram. Daí, deixo que os leitores tirem as suas próprias conclusões.

JLPolítica – O senhor aceitaria um convite de Adailton Sousa para exercer um papel de executivo no futuro Governo dele?
Valmir de Francisquinho – 
Eu reservarei um pouco do tempo para descansar, mas irei avaliar ainda os convites que Adailton têm me feito. Serei um parceiro da gestão dele, independentemente da ocupação de algum cargo.

JLPolítica – O senhor confia 100% na fidelidade futura de Adailton Sousa?
Valmir de Francisquinho –
Sim. Adailton é um irmão de longas datas. Pedi a confiança do povo de Itabaiana em seu nome por acreditar primeiro em seu potencial enquanto prefeito e em sua fidelidade como amigo não só meu, mas também do agrupamento que tanto suamos para montar juntos.

JLPolítica – Do ponto de vista das sanidades financeira e administrativa, o senhor repassará que tipo de Prefeitura Municipal de Itabaiana para Adailton em janeiro?
Valmir de Francisquinho – 
Adailton terá tudo em mãos para fazer uma gestão até mesmo melhor que as minhas. Se por um lado encontrei uma cidade acabada, ele encontrará uma cidade organizada. Se por um lado encontrei dívidas, ele encontrará uma prefeitura sem dever a ninguém. Por exemplo: encontramos a Prefeitura de Itabaiana em 2013 com R$ 33 milhões em débitos. O montante incluía salários atrasados, dívidas e precatórios. Eu recebia cobranças diariamente no primeiro ano de gestão. Adailton receberá uma Prefeitura com mais de R$ 20 milhões em caixa para fazer um trabalho à altura do que o itabaianense merece. Ele não receberá nenhum cobrador que tenha prestado serviço em minha gestão e não recebido.

JLPolítica – Qual é o segredo, o ponto elementar, de bem-administrar a coisa pública?
Valmir de Francisquinho – 
Há duas regras básicas aí: primeiro, não ter preguiça de acordar cedo e não ter hora pra dormir. Segundo é estar sempre próximo ao povo, ouvindo as demandas e procurando resolver da forma mais rápida possível.

Valmir de Francisquinho, na hora do rango em plena campanha de 2012
ADAILTON RCEBERÁ PREFEITURA COM SUPERÁVIT
“Adailton terá tudo em mãos para fazer uma gestão até mesmo melhor que as minhas. Encontramos a Prefeitura de Itabaiana em 2013 com R$ 33 milhões em débitos - incluía salários atrasados, dívidas e precatórios. Eu recebia cobranças diariamente no primeiro ano de gestão. Adailton receberá uma Prefeitura com mais de R$ 20 milhões em caixa para fazer um trabalho à altura do que o itabaianense merece”


JLPolítica – E não era assim aí?
Valmir de Francisquinho – 
Não. Antes em Itabaiana era difícil você ver o prefeito em algum lugar e nós implantamos um novo estilo de fazer política através da presença diária, seja em visitas às obras ou até mesmo em visitas ao povo. 

JLPolítica – O senhor sai do poder mais rico ou sai mais pobre?
Valmir de Francisquinho – 
Saio da mesma forma que entrei: morando na mesma casa alugada ao lado da Igreja Matriz de Itabaiana e como comerciante. Não mudei de profissão, não mudei de personalidade. Saio um Valmir com o sentimento do dever cumprido e de que fiz um trabalho bem feito.

JLPolítica – O que será de Valmir de Francisquinho a partir de 1º de janeiro de 2021?
Valmir de Francisquinho – 
Será o mesmo amigo do povo de sempre. O mesmo Valmir que anda diariamente nos povoados, nos bairros, nas ruas. O mesmo Valmir da Autoescola Itabaiana. O mesmo cidadão prestativo que não abandona nenhum amigo.

JLPolítica – O senhor não tem projetado que tipo de espaço político vai buscar em 2022?
Valmir de Francisquinho –
Convites me vêm de todos os lugares. De todos os cantos – e me dou por contente com isso. Nas andanças pelo município, o povo pede que não fiquemos de fora da disputa de 2022. Mas ainda não parei para pensar. Para mim, isso é algo ainda incerto. Hoje, posso lhe afirmar com toda franqueza: a única certeza que tenho em mente é a de que não devo me afastar do povo de Itabaiana, pois esse povo nunca me faltou, nunca me decepcionou.

JLPolítica – O senhor permanecerá no PL?
Valmir de Francisquinho – 
Sim, em Itabaiana esse partido já virou uma marca consolidada. Tenho boas relações com os dirigentes dele no Estado e com a Executiva Nacional, e pretendo me manter nele, apesar dos diversos convites que recebo constantemente para outras siglas. 

Numa ação política da campanha de 2012, tendo ao fundo a candidata a vice-prefeita Lourdinha
DE ONDE DEVE VIR O FUTURO CANDIDATO AO GOVERNO
“O governador possui muitos nomes bons e capacitados para encarar uma candidatura majoritária. Acredito que o pedido de candidato terá que vir do povo, e os postulantes, que já estão começando a correr trecho, devem apresentar um projeto viável para o nosso Estado”


JLPolítica – O senhor guarda mágoa profunda e renitente do episódio da sua prisão e costuma atribuir parte da urdidura dela ao deputado Luciano Bispo. Isto é uma visão real ou reflete apenas uma birra contra um adversário?
Valmir de Francisquinho – 
Toda a Itabaiana sabe o que aconteceu, sabe quem de fato cometeu as práticas das quais eu fui acusado. Confio na justiça e sei que a verdade sempre chega. Um dia provarei a minha inocência e mostrarei àqueles que tanto fizeram política com este fato que não vale a pena buscar o poder de uma forma tão rasteira.

JLPolítica – O senhor se dá por satisfeito com o ritmo do mandato do deputado estadual Talysson, seu filho?
Valmir de Francisquinho – 
Sim, Talysson me surpreendeu positivamente, sobretudo no decorrer dessas eleições municipais. Além de Itabaiana, foram cinco candidatos a prefeitos em nossa região com o seu apoio, com o seu esforço. Delas, Aparecida, Malhador, Ribeirópolis e Pinhão foram pelo PL e Macambira pelo PP. Nos demais municípios, seguiremos com a amizade e companheirismo das oposições. Em alguns cenários, muitas saíram até mesmo mais fortalecidas do pleito.

JLPolítica – O senhor não tem sido feliz em seus projetos e alianças pela disputa do Governo de Sergipe. Passa-lhe pela cabeça repensar suas opções em 2022?
Valmir de Francisquinho – 
Não vejo bem assim. Votei em Marcelo Déda em suas duas eleições e em seguida votei em Eduardo Amorim, nas duas últimas. Em 2022, assim como nas outras eleições, quero primeiro pensar no que é melhor para Itabaiana.

JLPolítica – Hoje, que nome o senhor vê no horizonte com boa envergadura e capacidade gestora para suceder Belivaldo Chagas?
Valmir de Francisquinho – 
O governador possui muitos nomes bons e capacitados para encarar uma candidatura majoritária. Acredito que o pedido de candidato terá que vir do povo, e os postulantes, que já estão começando a correr trecho, devem apresentar um projeto viável para o nosso Estado.

JLPolítica – Qual vai ser o seu lado nessa futura contenda política?
Valmir de Francisquinho – 
Reforço: o meu lado será o do povo de Sergipe. Irei avaliar o que é melhor para Itabaiana, para o agreste e para o meu Estado.