Valmor Barbosa: “Obras em andamento somam investimentos de R$ 639 milhões “

Entrevista

Jozailto Lima

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Valmor Barbosa: “Obras em andamento somam investimentos de R$ 639 milhões “

Publicado 15 de julho 20h00 - 2017

O papel dele no Estado é muito nobre. Gigantesco. Braço literalmente executivo do Executivo, a ação dele gera melhorias sociais e de infraestrutura para o coletivo, contempla milhares de pessoas e propicia empregos diretos. Mas ele não é um político.

Trata-se do secretário de Estado da Infraestrutura e do Desenvolvimento Urbano, engenheiro Valmor Barbosa, pela mão de quem passa todo o planejamento e execução das obras públicas em Sergipe

É natural de Boquim e é formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Sergipe

JLPolítica - Secretário, assim a olho nu, o Governo de Sergipe, sob esta gestão de janeiro de 2015 pra cá, teria que arsenal de obra a mostrar para a sociedade?
Valmor Barbosa - Temos muitas obras em diversas áreas. A mobilidade é um dos segmentos bastante contemplados. Entregamos o Sistema Viário do Entorno do Aeroporto, o Sistema Viário do Centro Administrativo, a nova entrada de Aracaju pelas avenidas Lauro Porto e Santa Gleide, o Contorno Norte de Itabaianinha, o Contorno Leste Laranjeiras, as Rodovias do Arroz, em Propriá, Carira/Altos Verdes, Santa Luzia Crasto, a nova entrada de Tobias Barreto, a pavimentação de 18 ruas no loteamento Santa Tereza, a duplicação da Avenida Tancredo Campos e a segunda etapa da orlinha do bairro industrial. Também entregamos o Mercado e o Balneário Bica em Lagarto, uma escola profissionalizante em Nossa Senhora das Dores e outra em Poço Redondo, 600 unidades habitacionais em Nossa Senhora do Socorro e 580 no Porto D’antas, infraestrutura completa em dois residenciais com 610 casas em Tobias Barreto, além de uma adutora específica para ambos, o Espaço Zé Peixe, a reforma do Centro de Criatividade, o desmonte do Morro da Piçarreira e outras obras de menor porte, mas de grande importância social, a exemplo de quadras esportivas, pavimentação granítica em ruas de várias cidades do interior, reformas de escolas na capital e no interior, reforma de delegacia, terminal rodoviário, dentre outras.
 
JLPolítica - O senhor teria condições de dizer quantas delas foram entregues, quantas estão em realização e quantas estão licitadas ou em fase de? 
VB - No que compete à Seinfra e suas vinculadas (Deso, Cehop e DER), já concluímos 144 obras. Temos 87 intervenções em andamento e 118 delas em processo licitatório.

SEINFRA
"No que compete à Seinfra e suas vinculadas (Deso, Cehop e DER), já concluímos 144 obras. Temos 87 intervenções em andamento e 118 delas em processo licitatório"

JLPolítica - Em valores financeiros atualizados, quanto estão em investimentos e quantos já o foram?
VB - Atualmente, o elenco de obras que o Estado possui em andamento resulta num investimento de R$ 639.424.880,33. São obras que mudarão a realidade da população, como é o corredor viário da Avenida João Rodrigues, que compreende a Duplicação da Avenida Euclides Figueiredo, e urbanização com calçadão e todos os equipamentos públicos necessários para o lazer e conforto também na Zona Norte. Outra grande obra que mudará Aracaju será a Interligação da Avenida Augusto Franco com a Avenida Gasoduto. Além desse grande volume de obras em andamento, ainda há obras em licitação prestes a iniciar e obras que ainda serão licitadas, como o capeamento e recapeamento de várias vias urbanas em rodovias, em sedes de municípios, reforma e ampliação de mais colégios estaduais, como a do Atheneu Sergipense, aguardadas pela população. Temos a construção de um Centro Profissionalizante em Simão Dias, a reforma e restauração do Terminal Rodoviário Luiz Garcia (conhecida como Rodoviária Velha), também a do Terminal Rodoviário em Santo Amaro das Brotas, reforma da 5ª Delegacia Metropolitana em Socorro, construção do Ceasa em Itabaiana que já foi licitada e diversas outras obras em todo o Estado que somam investimentos no valor de R$ 195.722.603,12, o que perfaz um valor acima de R$ 800 milhões no total.
 
JLPolítica - Qual dessas o senhor assinalaria como as mais importantes?
VB - Entre tantas, é difícil selecionar uma. Creio que todas são marcantes. A construção e entrega do mercado da cidade de Lagarto. A Fonte da Bica. A construção das rodovias Itaporanga/Itabaiana, SE 100, Japoatã/Propriá.  As do Arroz em Propriá, de Carira/Altos Verdes, Santa Luzia Crasto, o Sistema Viário do Centro Administrativo, a nova entrada de Aracaju pelas avenidas Lauro Porto e Santa Gleide, o Contorno Norte de Itabaianinha, o Contorno Leste Laranjeiras. A construção do Ginásio Poliesportivo de Itabaiana, o Centro de Reabilitação em Aracaju (CER IV), o Terminal Pesqueiro, a duplicação e o calçadão da Euclides Figueiredo, a ordem de serviço que se dará em agosto para a construção do Ceasa de Itabaiana, entre tantas outras obras de relevância.
 
JLPolítica - Que tipo de liberdade, ou mobilidade, o Estado ou a Seinfra obteve da Assembleia Legislativa recentemente, na lida com os recursos dos Proinveste?
VB - À Seinfra cabe a execução das obras, solicitadas e planejadas pelo governo.
 
JLPolítica - Quantos milhões do Proinveste o Governo tem em caixa?
VB - Quem pode falar nesse caso é a Secretaria da Fazenda, órgão que é gestor do contrato do Proinveste. 

 

Foi diretor-presidente da Empresa Municipal de Obras e Urbanização – Emurb

JLPolítica – Os itabaianenses teriam mais a comemorar pelo Ceasa ou mais pela estrada que os liga à BR-101, passando por Itaporanga?
VB – Creio que por ambas. Cada uma delas possui uma importância peculiar. A rodovia interligará a BR-235 à 101, facilitará o escoamento da produção não apenas oriunda de Itabaiana e cidades vizinhas, mas também dos municípios baianos que fazem fronteira e próximos ao Território Agreste, sem contar que melhorará o acesso dos moradores dos povoados dos municípios nos seus 52 km de percurso (Itabaiana, Areia Branca, Itaporanga D’ajuda e São Cristóvão) às suas sedes municipais e à capital, bem como valorizará os imóveis em suas imediações. Por sua vez, a Ceasa dinamizará ainda mais o comércio do território, uma vez que Itabaiana possui a maior feira-livre do interior sergipano. O município é um dos maiores produtores de alimentos e a maioria dos grandes projetos de irrigação está ali. Com a construção de um espaço adequado, o abastecimento regional, a distribuição e a exportação tendem a aumentar e fortalecer a economia.

JLPolítica – Quanto custará cada obra desta e quais suas características?
VB – Ambas fazem parte da cartilha de obras do Proinveste. A Rodovia Itabaiana/Itaporanga recebe R$ 58.140.592,81 em investimentos e interligará a BR-101, na altura do povoado Aningas, em São Cristóvão, passando por povoados dos municípios de Itaporanga e Areia Branca até encontrar-se com a BR-235 no povoado Rio das Pedras, em Itabaiana. Entrecortada por planaltos, vales e vegetação nativa, a rodovia atende ao padrão estabelecido nas novas estradas estaduais e terá dez metros de largura, sendo sete de pista de rolamento e três de acostamento, sistema de drenagem pluvial, sinalização horizontal e vertical, além da construção de duas pontes sobre riachos que cortam o percurso. Com investimentos de R$ 30.689.968,93 e a ser edificada na estrada para a Mata da Raposa, em um terreno de 34.528,87 m², a Ceasa terá uma área construída de 10.652,58 m², com três blocos, uma praça de alimentação, estacionamento para carga e descarga, guaritas, casas de lixo e gás, reservatório e castelo d’água. O bloco A será composto pelo setor administrativo (sete salas), 12 boxes destinados a grandes lojas de produtos diversos (artesanato, vestuário, embalagens, utensílios domésticos, farmácia, casa lotérica, entre outros), e dois espaços destinados a unidades bancárias, totalizando 1.470,30 m². Com 3.637,58 m² de área a ser construída, o segundo bloco (B) será destinado ao setor de varejo (produtos agrícolas) com 36 boxes destinados ao mercado do produtor e 55 boxes varejistas, todos eles com 12,00 m² de área.

OBRAS
“Atualmente, o elenco de obras que o Estado possui em andamento resulta num investimento de R$ 639.424.880,33. São obras que mudarão a realidade da população”

JLPolítica – E como serão os espaços para os feirantes em si?
VB – Além dos boxes, serão construídas 54 pedras para varejistas, que somam 548,90 m² e quatro banheiros masculinos e quatro femininos, sendo que, metade serão específicos para pessoas com mobilidade reduzida. Destinado ao setor de atacado, o bloco C será o maior de todos, com área equivalente a 4.501,10 m² e comportará 61 boxes para frutas, legumes e hortaliças, 24 boxes para grãos, raízes e tubérculos, 25 boxes para açougue (carne bovina, suína, frango e pescado), todos eles com espaço de 24,00 m² e seis banheiros masculinos e femininos, dois exclusivos a pessoas com necessidades especiais. A Praça de Alimentação possuirá uma área de 867,18 m², com espaço para sete restaurantes e/ou lanchonetes, cada um com 24,00 m², sopão com área de 101,94 m², área de circulação, quatro banheiros masculino e feminino, sendo dois específicos às pessoas com dificuldades de locomoção.

JLPolítica – Por que o Ceasa de Lagarto não está em pleno funcionamento?
VB – Na realidade, o Governo do Estado construiu em Lagarto um mercado que é o mais moderno de Sergipe, com uma área de 9.510,79 m², em dois pavimentos interligados por uma moderna rampa de acesso. O espaço possui 223 boxes destinados à comercialização de carnes variadas e pescados e 383 boxes destinados à venda de frutas, legumes, verduras e cereais, além de uma praça de alimentação com 28 lanchonetes, setor administrativo com copa, ponto bancário, posto da guarda municipal, câmara fria com a maior capacidade de animais abatidos do estado, ambulatório e dependências essenciais. Em volta da área externa foram construídos 11 quiosques, estacionamento com 69 vagas para veículos automotores, área para carga e descarga de caminhões. O Governo entregou a obra em dezembro de 2016 à Prefeitura Municipal, a quem compete o seu gerenciamento.

JLPolítica – Afinal, a ponte entre Sergipe a Alagoas, acontece ou não sob este governo?
VB – Como se trata de recursos do Governo Federal e envolve outro ente federado, o Estado de Alagoas, Sergipe não tem o domínio sobre esta questão, cabendo mais diretamente ao Governo Federal a decisão final. Mas o Governo de Sergipe vem fazendo gestões junto aos órgãos competentes para a realização da obra no local indicado por Sergipe, por entender que é de grande importância para o desenvolvimento da região.

JLPolítica – Sim, este litígio entre fazê-la em Brejo Grande, como quer Sergipe, ou em Neópolis, como prefere Alagoas, pode ser superado?
VB – Sergipe defende e elaborou projeto para a construção da ponte entre Brejo Grande e o município de Piaçabuçu, em Alagoas. Porém, o governo alagoano deseja que seja entre Neópolis e Penedo. É uma questão que está sendo estudada pela equipe do Governo Federal no âmbito do Ministério do Turismo, a quem caberá determinar o local. Várias reuniões já foram realizadas entre os dois Estados e também com participação do Ministério do Turismo. As ponderações de cada lado foram feitas e cabe ao órgão federal decidir.

“Entre tantas obras, é difícil selecionar uma. Creio que todas são marcantes”, diz

JLPolítica – Do ponto de vista geopolítico e econômico, esta ponte é mesmo necessária?
VB – Claro que sim. É uma obra viável e importante porque ligará toda a faixa litorânea dessa região do Nordeste. Com a construção por parte do Governo de Sergipe da Rodovia SE100, que liga Pirambu a Pacatuba, interligará os Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas até Pernambuco. É uma obra de extrema relevância para o turismo e colocará Sergipe no centro do fluxo turístico, levando desenvolvimento turístico, econômico e mobilidade para a região. O escoamento da produção da região se tornará mais acessível e rápido.

JLPolítica – O senhor acha que a obra do Hospital do Câncer se basta com menos de R$ 100 milhões? JB a entrega ou não?
VB – É importante lembrar que o Governo Jackson Barreto termina em 31 de dezembro de 2018 e a obra está prevista para uma duração de três anos, portanto não tem condições de entregar dentro do período desse governo. É perfeitamente plausível o valor citado para a realização dela, porém não podemos esquecer que após a entrega da obra de construção civil se terá toda uma necessidade de equipar o hospital e são equipamentos de alta tecnologia e de alto custo. Mas aí será uma outra questão em que novas formas de financiamento devem ser encontradas pela Secretaria de Saúde que com certeza conduzirá de forma competente.

JLPolítica –Qual é o investimento do Estado na reformulação do Centro de Convenções e quando ele ficará pronto?
VB – A obra foi orçada em R$ 20,7 milhões. Desse total, o Ministério do Turismo participa com R$19,7 milhões e como contrapartida do Governo do Estado, R$ 1 milhão.

PONTE SEAL
"Sergipe defende e elaborou projeto para a construção da ponte (SE-AL) entre Brejo Grande e o município de Piaçabuçu, em Alagoas. Porém, o governo alagoano deseja que seja entre Neópolis e Penedo"

JLPolítica – Ele ficará à altura de Sergipe ou será um pavilhão de eventos a mais?
VB – Essa é uma questão que só a Secretaria de Estado do Turismo pode responder, pois é a responsável pela obra e também o órgão que cria e tem a gestão das políticas públicas de Turismo.

JLPolítica – As obras da termelétrica passam pela Seinfra? Quanto de investimento sai de Sergipe para ali? 
VB – Estarão sob o acompanhamento da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia – Sedetec.

JLPolítica – A reforma do Aeroporto Santa Maria e do seu entorno levará quanto de investimento? 
VB – A previsão é de que a reforma custe em torno de R$ 85 milhões. Para concluir a pista de pouso de decolagens, a previsão é de R$ 25 milhões. As duas obras são de responsabilidade da Infraero. O Governo do Estado já investiu mais de R$ 50 milhões com o desmonte do Morro da Piçarreira e o sistema viário do entorno do aeroporto.

“Entre tantas obras, é difícil selecionar uma. Creio que todas são marcantes”, diz

JLPolítica – O senhor não acha que Sergipe deu um tempo na fase das boas estradas?
VB – O Estado de Sergipe tem um alto investimento em rodovias, basta ver o número que foram construídas e que estão em construção. Agora, a frustação de receitas prejudica o investimento do Estado como um todo. Um ponto importante que devemos lembrar é que toda obra de construção de rodovias com todos esses programas de financiamento exige-se a participação do Estado com contrapartidas e inclusive o pagamento de indenizações. O Estado já pagou mais de R$ 50 milhões em desapropriações. Tudo isso são fatores somados à grave crise que o país atravessa, impedindo realização ainda maior do que a que está sendo feito. De 2007 para cá, Sergipe evoluiu muito quando se fala de rodovias. Foram construído mais de 400 km e recuperados mais de 500 km. Atualmente, o Governo está construindo várias rodovias, como as já citadas Arroz, em Propriá, Carira/Altos Verdes, as rodovias Itabaiana/Itaporanga D’ajuda, a SE 100 Pirambu/Pacatuba, Proinveste R$ 38,7 milhões, Japoatã/Propriá, Proinveste, R$14 milhões, Escurial/ Nossa Senhora de Lourdes, CIDE R$9,65 milhões e Nossa Senhora Aparecida/Cruz das Graças, CIDE R$ 2,992 milhões, dentre outras. Trata-se de um volume de investimento grandioso de R$ 123,5 milhões com esses programas.

HOSPITAL DO CÂNCER
"É importante lembrar que o Governo termina em 31 de dezembro de 2018 e a obra (do Hospital do Câncer) está prevista para duração de três anos, portanto não tem condições de entregar dentro do período desse governo"

JLPolítica – O Governo está em dia com suas obrigações junto aos empresários da construção?VB – Com relação às obras financiadas através dos programas e convênios, o Estado não tem problemas de pagamentos. Nas obras que são custeadas por recursos do tesouro do Estado, existe uma certa dificuldade devido à frustação de receitas, mas o Estado vem mantendo os investimentos e dentro do possível, honrando os compromissos como permite a realidade econômica atual.

JLPolítica – Quais foram os investimentos na Deso neste Governo?
VB – A Deso vem realizando inúmeras obras durante o Governo Jackson Barreto, a exemplo da implantação do Sistema de Esgotos Sanitários da Euclides de Figueiredo e de várias outras localidades na capital e no interior, reformas de várias Estações de Tratamento de Esgotos, como a do Orlando Dantas, esgotamento sanitário de Itabaiana, redes coletoras e emissários de várias subbacias na capital e interior, ligações de água tratada entre muitas outras obras em execução em todo território sergipano, representando um valor em execução de R$182 milhões, montante bastante representativo. Sem falar em diversas outras obras que serão licitadas e serão dadas as ordens de serviço por parte do executivo.

“São obras que mudarão a realidade da população”, diz o engenheiro
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