Valter Joviniano: “A UFS sempre se mostrou presente na transformação social sergipana”

Entrevista

Jozailto Lima

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Valter Joviniano: “A UFS sempre se mostrou presente na transformação social sergipana”

15 de maio de 2021
“Trago um olhar para que o crescimento da UFS seja revertido em maior eficiência e mais qualidade”

“A Universidade Federal de Sergipe cresceu. Não se imaginava num passado recente que um curso de Medicina pudesse chegar ao interior sergipano. Hoje, a UFS se insere em regiões estratégicas do Estado de Sergipe, olhando para a sua atividade produtiva e potencializando as ações em cada uma delas”.

E é esta UFS, que faz 53 anos neste sábado, 15 de maio, que o professor Valter Joviniano de Santana Filho, de apenas 40 anos, herda para tocar como o décimo segundo reitor em 15 gestões dela e pelos próximos quatro anos, com prerrogativa de uma reeleição. Três desses gestores tiveram dois mandatos.

E Valter Joviniano a recebe não como um fardo pesado ou como algo que ele não saiba para onde e nem como deva conduzi-la. Bem ao contrário.

Prudente, Valter Joviniano de Santana Filho sabe grão por grão o peso dessa instituição e está disposto a potencializá-la cada vez mais, numa visão aberta, prudente, inclusiva, e cioso do momento perigoso em que vive a educação superior no Brasil, com um governo negacionista e autoritário.

“Diante da política da educação superior dos últimos 20 anos, a UFS não estacionou e está em pleno crescimento. Nos últimos 10 anos, a universidade duplicou a sua área física, em termos de espaço construído”, constata o novo reitor.

“E nos cabe a responsabilidade de transformar esse crescimento frente a uma nova visão baseada na necessidade da população em processos mais ágeis, olhando para a eficiência administrativa. O que trago agora é um olhar interno para que esse crescimento seja revertido em maior eficiência e mais qualidade no ensino, na pesquisa e na extensão”, diz.

Em tempo de pandemia, posse com discrição: professor Valter Joviniano assume Reitoria em Brasília
Valter é casado com a colega de curso Josimari Melo de Santana e é pai de Júlia Melo de Santana e de Miguel Melo de Santana

O reitor Valter Joviniano de Santana Filho não se acanha por ser tão jovem e professor de um curso, o de Fisioterapia, que não é um dos mais tradicionais da UFS.

“É um orgulho. A UFS hoje conta na maioria do seu corpo docente com pessoas novas e isso mostra uma mudança de paradigma, um novo momento. A universidade do futuro é mais dinâmica, ágil, e eu me sinto contemplado nessa nova formatação de universidade. Sou docente de um curso dito como mais recente, mas que traz a jovialidade, o dinamismo e a eficiência em prol da universidade”, diz.

Nesta Entrevista, Valter Joviniano de Santana Filho vai falar do processo eletivo para reitor no ano passado, do papel dos ex-reitores que trouxeram a nau UFS até a estação do ano 2021, do percentual que essa instituição detém em pesquisa no Brasil, das médias das notas dos seus cursos, dos espaços físicos que têm por inaugurar, do peso dos três campi que se estendem para além do de São Cristóvão, do papel da UFS no Comitê de monitoramento da pandemia de coronavírus e da ação para implantar a TV UFS e melhorar a potência da Rádio UFS.

Valter Joviniano de Santana Filho nasceu em Salvador, na Bahia, no dia 20 de agosto de 1980. Ele é o mais jovem reitor da UFS.

É filho de Valter Joviniano de Santana, um técnico em construção civil já falecido, e de Maria José Correia Alves, uma auxiliar de enfermagem.

Ele é casado Josimari Melo de Santana, também fisioterapeuta e professora da UFS, com quem é pai de Júlia Melo de Santana, 11 anos, e de Miguel Melo de Santana, 8 anos.

Valter Joviniano: “A universidade será conduzida por pessoas de notória capacidade técnica, independentemente de cor e de gênero”

Valter Joviniano formou-se em Fisioterapia por uma outra universidade sergipana em 2003, e cursou mestrado e doutorado na Faculdade de Medicina de Ribeiro Preto da Universidade de São Paulo.

Ele cumpriu período de doutoramento na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, com a linha de pesquisa Fisiologia Cardiovascular.

Valter Joviniano começou a carreira profissional atuando como fisioterapeuta autônomo assim que se graduou. Ele ingressou na UFS como professor efetivo em 2009.

Ali foi coordenador de estágio e coordenador do curso de Fisioterapia do Campus de São Cristóvão, como também do curso de Fisioterapia do Campus de Lagarto.

Valter foi diretor Acadêmico-Pedagógico e diretor Administrativo do Campus de Lagarto, assessor do Gabinete do Reitor, superintendente do Hospital Universitário de Lagarto e vice-reitor em boa parte da segunda gestão de Angelo Antoniolli, que apostou muito nas capacidade e expertise dele.

“Sergipe é o 12º Estado em produção de conhecimento no Brasil e mais de 90% dessa produção científica é realizada direta e indiretamente dentro da UFS - daí você vê o potencial de produção de conhecimento aplicado à realidade sergipana, um motor propulsor da mudança do panorama econômico local”, diz Valter Joviniano.

A Entrevista com ele vale a leitura, ainda mais neste dia em que a UFS completa 53 anos.

Universidade Federal de Sergipe é um marco histórico na vida sergipana que faz 53 anos neste sábado, 15 de maio
A NOMEAÇÃO ENCERRA A JUDICIAILIAZAÇÃO
“Minha posse indica o encerramento de um processo administrativo no Ministério da Educação. O MEC recebeu a lista tríplice e algumas demandas judiciais, analisou-as e esse processo administrativo se encerrou com a nomeação pelo presidente da República e pelo ministro da Educação de um dos membros daquela lista tríplice”


JLPolítica - A sua posse na Reitoria da UFS pressupõe o encerramento da judicialização da eleição para a escolha da lista tríplice em 2020? O senhor dá isso como fogo-morto?
Valter Joviniano de Santana Filho -
A minha posse indica o encerramento de um processo administrativo no Ministério da Educação. O MEC recebeu a lista tríplice encaminhada pela UFS, recebeu algumas demandas judiciais, analisou-as e esse processo administrativo se encerrou com a nomeação pelo presidente da República e pelo ministro da Educação de um dos membros daquela lista tríplice. Com relação a questões judiciais, ainda existem processos pendentes de julgamento final pela Justiça.

JLPolítica - O que o senhor achou de todo aquele processo?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Foi um processo difícil que foi surpreendido no início com uma Medida Provisória e obrigou todas as universidades a se adequarem ao novo mandamento legal. O 2020 foi um ano em que a UFS teve que se reinventar, quando o mundo foi atingido por uma pandemia e todos os processos ditos normais e usuais tiveram que ser adaptados. Seguimos o processo eleitoral observando, dentro da legalidade, as adaptações necessárias para fazer frente à Medida Provisória, em vigor até o dia 2 de julho, observando as limitações impostas diante da pandemia.

JLPolítica - Ao rotular e reduzir Valter Joviniano a um mero candidato de Angelo Antoniolli, o senhor acha que houve segregação das suas qualidades pessoais?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Não me senti segregado. A grande questão é que eu fazia à época parte da administração e as limitações legais dificultaram minha aparição como candidato. O fato de ter sido apoiado pelo professor Angelo não maculou de forma alguma a minha imagem.

Valter Joviniano recebe o cargo de reitor da reitora pro tempore Liliádia da Silva Oliveira Barreto: sem traumas
DAS QUALIDADES PESSOAIS VISTAS POR SI MESMO
“Pessoalmente, trago valores e princípios que norteiam a moralidade administrativa, a legalidade e a transparência. Posso acrescentar que tenho grande disponibilidade de ouvir opiniões divergentes e de me organizar em ações concretas que visem o bem comum”


JLPolítica - E quais são as suas qualidades pessoais, professor?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Pessoalmente, trago valores e princípios que norteiam a moralidade administrativa, a legalidade e a transparência. Posso acrescentar que tenho grande disponibilidade de ouvir opiniões divergentes e de me organizar em ações concretas que visem o bem comum.

JLPolítica - Houve algo na campanha que muito lhe marcou, deixando-lhe uma eventual mágoa?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Não. Nossa prioridade era a gestão administrativa da UFS, para superar o momento difícil pelo qual o mundo passava e ainda passa. O processo eleitoral é democrático e as visões discrepantes fazem parte.

JLPolítica - Além de jovem, o senhor é professor do Departamento de Fisioterapia, que não é um curso dos mais tradicionais da UFS. O senhor se sente de fato à vontade para ocupar o cargo mais importante da única universidade pública e uma das instituições de maior relevo na educação de Sergipe?
Valter Joviniano de Santana Filho -
É um orgulho. A UFS hoje conta na maioria do seu corpo docente com pessoas novas e isso mostra uma mudança de paradigma, um novo momento. A universidade do futuro é mais dinâmica, ágil, e eu me sito contemplado nessa nova formatação de universidade. Sou docente de um curso dito como mais recente, mas que traz a jovialidade, o dinamismo e a eficiência em prol da universidade.

Valter Joviniano numa ação funcional com os colegas professores e funcionários da UFS-Lagarto
A UFS A SERVIÇO DA TRANSFORMAÇÃO DE SERGIPE
“A universidade cresceu nas últimas gestões e sempre se mostrou presente por meio do ensino, pesquisa e extensão, em prol do desenvolvimento e da transformação social sergipana. A minha gestão olha toda essa construção, o crescimento e a expansão da universidade, principalmente para o interior sergipano”


JLPolítica - Há um projeto Valter Joviniano de Santana Filho de Reitoria pros próximos quatro anos, ou sua ação de gestor será a de ressignificação de tudo o que já fora feito pela instituição até aqui?
Valter Joviniano de Santana Filho -
A universidade cresceu nas últimas gestões e sempre se mostrou presente por meio do ensino, pesquisa e extensão, em prol do desenvolvimento e da transformação social sergipana. A minha gestão olha toda essa construção, o crescimento e a expansão da universidade, principalmente para o interior sergipano, como uma possibilidade real de transformarmos socialmente o Estado de Sergipe.

JLPolítica - Pelas suas régua e bitola de medição, o que fora feito pela UFS até aqui está bom, mediano ou é carente de reforços?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Bom, com certeza. Diante da política da educação superior dos últimos 20 anos, a UFS não estacionou e está em pleno crescimento. Nos últimos 10 anos, a universidade duplicou a sua área física, em termos de espaço construído, e nos cabe a responsabilidade de transformar esse crescimento frente a uma nova visão baseada na necessidade da população em processos mais ágeis, olhando para a eficiência administrativa. O que trago agora é um olhar interno para que esse crescimento seja revertido em maior eficiência e mais qualidade no ensino, na pesquisa e na extensão.

JLPolítica - O senhor acha que de 2003 para cá ela cresceu ou simplesmente inchou?
Valter Joviniano de Santana Filho -
A Universidade Federal de Sergipe cresceu. Não se imaginava num passado recente que um curso de Medicina pudesse chegar ao interior sergipano. Hoje, a UFS se insere em regiões estratégicas do Estado de Sergipe, olhando para a sua atividade produtiva, potencializando as ações em cada uma delas. O Campus de Lagarto se insere no contexto de uma cidade que desenvolveu seu potencial na saúde e o Campus de Nossa Senhora da Glória, no sertão sergipano, com o potencial de  transformação da atividade econômica local com cursos voltados para a área das ciências agrárias. Isso mostra um crescimento ordenado da universidade observando os potenciais econômicos de cada uma de suas regiões. Além de formar novos profissionais locais, trazendo pesquisas, novas tecnologias e investimentos, para fomentar o desenvolvimento econômico de Sergipe.

Valter Joviniano: “Tenho grande disponibilidade de ouvir divergentes e de me organizar em ações que visem o bem comum”
INSTITUIÇÃO EM INTERAÇÃO COM AS REGIÕES
“A Universidade Federal de Sergipe cresceu. Não se imaginava num passado recente que um curso de Medicina pudesse chegar ao interior sergipano. Hoje, a UFS se insere em regiões estratégicas do Estado de Sergipe, olhando para a sua atividade produtiva, potencializando as ações em cada uma delas”


JLPolítica - Qual é o perfil da pesquisa desenvolvida hoje no âmbito da UFS?
Valter Joviniano de Santana Filho -
A pesquisa hoje desenvolvida na UFS é um pilar importante do seu crescimento. Uma universidade pública que preza pelo social, tem de trazer dentro de suas potencialidades o desenvolvimento de pesquisas e extensão. A UFS não é uma universidade focada somente na formação de alunos. A UFS produz tecnologias que se aplicadas ao contexto econômico e social local agregam valor à economia. Quando se fala em transferência tecnológica, essa possibilidade de levar a transferência tecnológica para a economia atrairá desenvolvimento de capital, riquezas. Nos últimos anos, proporcionalmente, Sergipe é o 12º Estado em produção de conhecimento no Brasil e mais de 90% dessa produção científica é realizada direta e indiretamente dentro da UFS - daí você vê o potencial de produção de conhecimento aplicado à realidade sergipana, um motor propulsor da mudança do panorama econômico local.

JLPolítica - Sob a gestão do senhor, quem são ou serão os gestores dos campi de Lagarto, Itabaiana e Sertão, e o que o senhor e a UFS esperam deles?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Conforme a legislação da UFS e conforme a maturidade administrativa atingida pelos campi do interior, os gestores serão pessoas escolhidas pela comunidade de cada campus para dar sequência ao trabalho realizado. A cada quatro anos os gestores são escolhidos em eleição. O campus de Itabaiana já escolheu seus novos gestores em novembro passado, enquanto os campi de Lagarto e do Sertão estão em preparação para a escolha dos seus gestores para mandatos iniciados em 2021.

JLPolítica - O senhor consegue sopesar a importância desses três campi, e ressalta algum deles como o mais importante?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Como falei há pouco, esses campi do interior são importantes porque também trazem novos investimentos, dinamizando a economia local. Dentro das áreas específicas de cada campus, todos são importantes na formação de profissionais para o mercado de trabalho local, regional  e nacional.

Valter Joviniano nasce em Salvador, na Bahia, e, assim como a esposa Josimari Melo de Santana, é fisioterapeuta
DE COMO ELE VISUALIZA O VICE-REITOR
“Rosalvo Ferreira é professor do Departamento de Economia, que exerceu nos últimos oito anos a função de pró-reitor de Planejamento, conhece a Universidade Federal de Sergipe e, junto comigo e a todo o corpo gestor da UFS, executará as ações necessárias para o desenvolvimento da nossa instituição”


JLPolítica - Na sua gestão, o ex-reitor Angelo Antoniolli terá espaço para algum tipo de aconselhamento?
Valter Joviniano de Santana Filho -
O professor Angelo, como ex-reitor, assim como todos os outros ex-reitores, os demais professores que passaram por esse posto, terão sempre a abertura necessária pelo respeito à construção de universidade que eles fizeram. O reconhecimento do trabalho de quem passou por aqui é fundamental para que possamos avançar como universidade. Se temos hoje uma universidade estruturada, que tem importância social e que produz indicadores de excelência em diversos critérios avaliados não só internamente, como externamente, é pelo trabalho de quem aqui passou. Então, tanto ele quanto os demais que ocuparam o cargo de reitor terão sempre uma abertura para conversar e discutir assuntos em prol da universidade. Além disso, o professor Angelo Antoniolli é mais do que um grande amigo. É uma pessoa respeitada dentro da universidade e pela sociedade sergipana.

JLPolítica - Quem é a figura do professor Rosalvo Ferreira Santos, por que ele foi escolhido vice-reitor e o qual será o papel dele na gestão da UFS?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Rosalvo Ferreira é professor do Departamento de Economia, que exerceu nos últimos oito anos a função de pró-reitor de Planejamento, conhece a Universidade Federal de Sergipe e, junto comigo e a todo o corpo gestor da UFS, executará as ações necessárias para o desenvolvimento da nossa instituição.

JLPolítica - Ao seu olhar, o que é a UFS hoje para o presente e para o futuro de Sergipe?
Valter Joviniano de Santana Filho -
A UFS hoje, principalmente devido às ações e à projeção que ganhou durante a pandemia, é uma instituição ainda mais respeitada pela sociedade sergipana. Vejo que no futuro cada vez mais a UFS estará inserida no desenvolvimento socioeconômico local, não só entregando ao mercado excelentes profissionais, mas trazendo tecnologias para Sergipe por meio da inovação. Uma das ações que pretendemos desenvolver é a de estimular ainda mais a inovação, contribuindo para que o Estado saia do patamar de recebedor de tecnologias para o de produtor delas. Nos últimos dois anos de cada três patentes depositadas no INPI, duas são geradas na UFS. Temos trabalhado para construir um ecossistema de inovação no Estado, e isso se dá por uma integração com órgãos do Governo do Estado.

O vice-reitor Rosalvo Ferreira é do Departamento de Economia e fora pró-reitor de Planejamento nos últimos oito anos a função
SOB A PANDEMIA, “UFS CONTINUA FORTE E PUJANTE”
“A UFS, desde o início da pandemia, se preocupou em preservar a vida das pessoas. Permanece funcionando nos seus três eixos, mas com adaptações necessárias para não causar nenhum risco à vida. Estamos com ensino remoto. Os indicadores recentes mostram que as pesquisas não pararam e as atividades de extensão também foram adaptadas para a proteção da nossa comunidade”


JLPolítica - Na estrutura administrativa e orçamentária da UFS são permitidas dívidas repassadas de uma gestão para outra? O senhor recebeu alguma?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Só recentemente o Governo Federal aprovou o Orçamento para 2021 e o decreto de contingenciamento ainda nem foi publicado, por isso a universidade tem recebido fração do seu orçamento para este ano e ainda não está claro qual será o orçamento para 2021. Todo o passivo que recebemos já foi plenamente saneado. Mas é o passivo realizado em decorrência da não aprovação do orçamento. A não aprovação trouxe algumas dificuldades administrativas, mas, dado ao trabalho dessa nova gestão, já foram sanados e esperamos regularizar tudo após a definição do novo orçamento. Dependendo do percentual a ser contingenciado, poderemos ter que enfrentar alguns desafios, mas tenho plena convicção de que as ações administrativas serão suficientes para manter a universidade funcionando regularmente.

JLPolítica - Sob esse tempo pandêmico, como estão as atribuições e as rotinas acadêmicas da UFS nas esferas do ensino, da pesquisa e da extensão?
Valter Joviniano de Santana Filho -
A Universidade Federal de Sergipe, desde o início da pandemia, se preocupou em preservar a vida das pessoas. A universidade permanece funcionando nesses seus três eixos, mas com adaptações necessárias para não causar nenhum risco à vida da nossa comunidade universitária. Nós estamos no meio de um período acadêmico, com ensino remoto. Os indicadores recentes mostram que as pesquisas não pararam e nossas atividades de extensão também foram convertidas ou adaptadas para a proteção da nossa comunidade. Então a universidade continua muito forte, pujante, porém com adaptações necessárias à preservação da vida e esperando que esse momento seja controlado o mais breve possível, para que todo o parque físico da universidade possa servir à nossa comunidade universitária e à sociedade sergipana.

JLPolítica - Da sociedade sergipana e de alguns gestores internos - Angelo Antoniolli era um deles -, há sempre uma queixa de que os mais de mil doutores da UFS são seres enclausurados nos campi e não se ambrem a uma interlocução mais fraterna com a sergipanidade? O senhor pensa assim, e teria projetos para fomentar melhor esse encontro?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Os nossos docentes já demonstraram no trabalho e em todo o empenho no combate à pandemia que estão preocupados com os problemas da sociedade. Se assim não fosse, não teríamos sido tão eficientes nesse momento em que estamos enfrentando a pandemia. Obviamente, buscaremos estratégias para fazer ainda mais a aproximação dos nossos docentes, dos nossos discentes e dos nossos servidores aos interesses e demandas da sociedade sergipana. Levantaremos as necessidades frente aos gestores, frente aos órgãos parceiros e buscaremos fazer programas de indução estratégicas que supram o interesse acadêmico, mas também que respondam aos anseios da sociedade.

Valter Joviniano e os profissionais de saúde do HU em inspeção ao tomógrafo deste hospital
DA CONDUÇÃO COM QUEM TEM CAPACIDADE TÉCNICA
“A universidade, do ponto de vista da gestão, é e será conduzida por pessoas de notória capacidade técnica, independentemente de filiação partidária, de cor e de gênero. Todos que tenham competência técnica para auxiliar a UFS a suplantar as dificuldades e avançar, têm portas abertas e farão parte dessa construção”


JLPolítica - Com um Governo de direita, resvalando para a extrema-direita, o senhor acha que pode se tocar a UFS sem o contributo de representantes desses novos nichos?
Valter Joviniano de Santana Filho -
A universidade, do ponto de vista da gestão, é e será conduzida por pessoas de notória capacidade técnica, independentemente de filiação partidária, independentemente de cor e de gênero. Todos que tenham competência técnica para auxiliar a Universidade Federal de Sergipe a suplantar as dificuldades e avançar, têm portas abertas e farão parte dessa construção.

JLPolítica - Por natureza, a universidade pública brasileira é muito ideologizada, e isso ultimamente foi posto no torno de uma preocupante criminalização. Qual é a sua “tonalidade ideológica” nesse contexto?
Valter Joviniano de Santana Filho -
A universidade pública é plural, diversa e nós temos que respeitar todas as ideologias e todos os pensamentos, tomando as decisões necessárias para o bom andamento da administração pública. Como gestor, sigo os princípios da moralidade, da impessoalidade e da transparência sem trazer conotações político-partidárias para as decisões de gestão.

JLPolítica - Quais atributos o senhor está levando em conta para a composição da base técnica da sua gestão?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Competência administrativa é uma das principais qualidades para se agregar à administração da UFS.

Angelo Antoniolli: “O fato de ter sido apoiado pelo professor Angelo não maculou de forma alguma a minha imagem”
INTERLOCUÇÃO COM MEMBROS DO CONGRESSO
“A bancada federal sempre teve um papel essencial na defesa do interesse público de todas as instituições do Estado de Sergipe, e a UFS não foge a essa regra. Temos o reconhecimento público de todos os integrantes da bancada federal sergipana e manteremos uma relação cordial com todos eles em prol do fortalecimento e da defesa da UFS”


JLPolítica - A condução da educação superior, nos moldes da praticada pelas universidades federais, tem uma interface clássica com a classe política, as bancadas dos Estado no Congresso. Pede-se muito o amparo daí. O senhor se sente à vontade para de amaciar o terreno dessa relação com os representantes daqui em Brasília?
Valter Joviniano de Santana Filho -
A bancada federal sempre teve um papel essencial na defesa do interesse público de todas as instituições do Estado de Sergipe, e a UFS não foge a essa regra. Temos o reconhecimento público de todos os integrantes da bancada federal sergipana e manteremos uma relação cordial com todos eles em prol do fortalecimento e da defesa da Universidade Federal de Sergipe.

JLPolítica - Muito se fala que o Hospital Universitário da UFS em Aracaju não cumpre as metas na questão produtividade, tem baixíssimas taxas de internamento, movimento cirúrgico muito aquém das necessidades da comunidade e inversamente proporcional ao número de profissionais contratados, sobretudo com a entrada da Ebserh. Na sua gestão, este traçado permanecerá?
Valter Joviniano de Santana Filho -
O contrato de gestão do Hospital Universitário de Aracaju é de 2012 e não foi renovado ainda com a Secretaria de Saúde do município, então as metas que o HU tem que bater foram traçadas oito anos atrás. Ao longo desse caminhar nós tivemos a entrada de novos servidores no HU e hoje ele pode fazer muito mais do que está contratualizado. Estamos, juntos com a Superintendência do HU, discutindo com os gestores esse novo momento do hospital para que, frente a essa realidade, com a chegada de novos servidores, possamos ter um contrato que reflita essa nova realidade. Assim, o Hospital Universitário poderá ser mais efetivo no atendimento da população sergipana.

JLPolítica - O senhor vê alguma disparidade alta entre as funcionalidades da HU de Aracaju e do HU de Lagarto?
Valter Joviniano de Santana Filho -
A diferença básica é que o Hospital Universitário de Lagarto é porta aberta, inserido dentro da rede de urgência e emergência do Estado de Sergipe. O Hospital Universitário de Aracaju é um hospital de porta fechada, portanto, todos os seus procedimentos são eletivos, com agendamento prévio. Esse é um fato administrativo que culmina com a diferença de funcionamento dos dois hospitais.

Campus da UFS na cidade de Lagarto: nasce um polo de saúde na terceira maior cidade de Sergipe
ESTUDANTES DE MEDICINA E O “HU PORTA FECHADA”
“A passagem por uma unidade de urgência e emergência faz parte do preparo técnico, mas não é porque o HU de Aracaju não tenha unidade de urgência e emergência que os alunos daqui não possuam essa experiência. Nós temos convênios com outros hospitais que dão a esses alunos a experiência necessária para complementar a sua formação”


JLPolítica - Para o senhor, que foi superintendente do HU de Lagarto, um Hospital Universitário não ter porta aberta para atendimento de urgência e emergência é funcional? Até que ponto isso é considerado bom para a esfera do ensino da saúde?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Do ponto de vista do ensino, os nossos alunos devem ter toda a experiência prática necessária para o bom desenvolvimento de suas atividades profissionais. A passagem por uma unidade de urgência e emergência faz parte do preparo técnico, mas não é porque o HU de Aracaju não tenha unidade de urgência e emergência que os alunos daqui não possuam essa experiência. Nós temos convênios com outros hospitais e outras unidades que dão a esses alunos a experiência necessária para complementar a sua formação. Por outro lado, as ações desenvolvidas em um hospital regulado preveem um suporte tecnológico maior.

JLPolítica - Portanto ele pode expandir sua significação?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Então, podemos investir em procedimentos de maior complexidade dado ao melhor controle do hospital. É fato que só agora, depois de alguns anos, nós estamos investindo e ampliando nosso rol de atuação em Lagarto, depois da consolidação do serviço de urgência e emergência, atendendo agora também procedimentos de maior complexidade. O que já acontece no HU de Aracaju há mais tempo.

JLPolítica - Há 12 anos, desde 2008, o HU de Aracaju tenta colocar em ação uma maternidade e as coisas não se materializam. Como reitor, o que o senhor fará para agilizar esse processo?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Com a finalização da obra da Unidade Materno-Infantil, nós já estamos nos reunindo com atores importantes dentro do cenário da organização da saúde do município de Aracaju e do Estado de Sergipe para que, concluindo o que ainda falta terminar, já possamos entregar a maternidade com todas as suas potencialidades. Cabe destacar que, para o seu pleno funcionamento, é necessário que a maternidade seja vista pela rede por meio de um contrato de prestação de serviço que estamos discutindo com os gestores de saúde que têm a prerrogativa de determinar quais os serviços serão ofertados por essa unidade.

Valter Joviniano: “Sergipe é o 12º Estado em produção de conhecimento no Brasil e mais de 90% dessa produção científica é realizada direta e indiretamente dentro da UFS”
DO PESO DO COMITÊ DE PREVENÇÃO AO CORONAVÍRUS
“O Comitê, criado no início da pandemia, está ativo e tem uma ação muito importante no sentido de orientar as decisões tomadas pelo gabinete do reitor para a melhor condução das ações dentro da universidade, visando sempre a manutenção das atividades, sejam de ensino, pesquisa ou extensão, levando em conta o cuidado com a vida das pessoas”


JLPolítica - O senhor tem um diagnóstico do que fora feito pela professora Liliádia da Silva Oliveira Barreto enquanto reitora pro tempore?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Durante o período de transição e assim que assumi tivemos conversas com a professora Liliádia e com toda a gestão que compôs a administração pro tempore, pelo bem da instituição e pelo bom trânsito das ações administrativas, para que nada fosse interrompido. As ações da fase de transição nos foram repassadas e agora seguimos com a nossa visão de administração da universidade.

JLPolítica - Qual é a leitura que o senhor faz do fato de 94% dos cursos da UFS terem obtido notas 4 ou 5 no Índice Geral de Cursos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira/Inep - Ministério da Educação?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Isso é o resultado de políticas institucionais que visam a melhoria do ensino da graduação na nossa universidade. Essa é uma construção que ao longo dos anos vem demonstrando o crescimento paulatino e sustentável da qualidade do ensino em nossa instituição.

JLPolítica - Qual foi a importância do Comitê de Prevenção e Redução de Riscos Frente à Infecção pelo Coronavírus montado pela UFS e presidido pelo senhor como então vice-reitor?
Valter Joviniano de Santana Filho -
O Comitê, criado no início da pandemia, em março de 2020, está ativo e tem uma ação muito importante no sentido de orientar as decisões administrativas tomadas pelo gabinete do reitor para a melhor condução das ações dentro da universidade, visando sempre a manutenção das atividades, sejam de ensino, pesquisa ou extensão, levando em conta o cuidado com a proteção da vida das pessoas.

Como um autêntico baiano, o reitor Valter Joviniano enverga a camisa do tricolor baiano
“MAIS QUE AMPLIAR, VAMOS CONSOLIDAR AÇÕES PRATICADAS”
“A universidade precisa finalizar o Campus do Sertão, que está em construção, e a última obra do Reuni, que é o prédio da Engenharia Florestal, no Campus de São Cristóvão. Mas não passará por uma expansão física como nós tivemos. Teremos algumas entregas nos próximos anos no sentido de qualificar o que estamos fazendo hoje, mas muito mais do que ampliar, vamos consolidar as ações praticadas até o presente momento”


JLPolítica - Qual é o contributo do EpiSergipe na pesquisa de base populacional de monitoração de casos do novo coronavírus?
Valter Joviniano de Santana Filho -
A universidade, por meio de seus pesquisadores, por meio de seu corpo técnico docente e dos nossos alunos, presta desde o início da pandemia um papel muito importante para os gestores em Sergipe, sejam do Estado ou dos municípios. O EpiSergipe foi uma iniciativa do Governo de Sergipe, junto com a Fundação de Apoio da Universidade Federal de Sergipe, que concatenou pesquisadores de diversas áreas, que produziram relatórios que foram ou estão sendo avaliados e que orientam as decisões governamentais. É a adoção de uma estratégia por parte dos governantes para terem subsídios técnicos que possam orientar suas decisões.

JLPolítica - Qual a importância do Centro de Reabilitação e Qualidade de Vida - CRQV - em Simão Dias e quando a UFS o dará por inaugurado e entregue à comunidade?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Esse é um equipamento planejado para a expansão do ensino na região centro-sul do Estado, configurando como mais um ambiente de interação da nossa comunidade universitária, dos nossos alunos, com a população. Aquele equipamento propiciará uma integração maior da UFS com os municípios da região, atendendo um leque maior de pessoas até de municípios circunvizinhos da Bahia, levando mais qualidade e promovendo saúde para toda aquela população. Chegará num momento muito oportuno, dado o aumento da demanda que ocasionará a pós-pandemia na procura por reabilitação, promovendo maior integração da universidade com as gestões dos municípios daquela região do Estado.

JLPolítica - Quais são os prédios futuros que a gestão da UFS deve entregar à rotina da instituição?
Valter Joviniano de Santana Filho -
A universidade precisa finalizar o Campus do Sertão, que está em construção, e a última obra do Reuni - Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais - que é o prédio da Engenharia Florestal, no Campus de São Cristóvão. Mas a UFS não passará por uma expansão física como nós tivemos. Teremos algumas entregas nos próximos anos no sentido de qualificar o que estamos fazendo hoje, mas muito mais do que ampliar, nós vamos consolidar as ações praticadas até o presente momento.

Valter Joviniano, Angelo Antoniolli e o presidente da Ebserh, Oswaldo Ferreira: parceiros nas ações de saúde da UFS
VEM AÍ A TV UFS E AUMENTO POTENCIAL DA RÁDIO UFS
“Todos os esforços estão sendo feitos para que num futuro muito próximo a UFS possa ter mais um canal de interação com a sociedade, trazendo uma programação de qualidade, da mesma forma como a Rádio UFS faz hoje. Que a TV UFS também sirva de laboratório para nossos alunos e seguimos trabalhando para que a qualidade ofertada pela Rádio UFS possa ser ampliada e acessada por toda a população sergipana”


JLPolítica - No último dia 25 de março foi publicada no Diário Oficial da União a concessão do canal de TV para a UFS - a futura TV UFS. Ela será de fato implantada na sua gestão?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Sem dúvida. Todos os esforços estão sendo feitos para que num futuro muito próximo a UFS possa ter mais um canal de interação com a sociedade sergipana, trazendo uma programação de qualidade, da mesma forma como a Rádio UFS faz hoje. Que a TV UFS também sirva de laboratório para nossos alunos e seja mais um canal de informação de qualidade para a população sergipana.

JLPolítica - O senhor se dá por satisfeito com uma Rádio UFS tão boa e tão ruim? Traduzo: tão boa na significação cultural, programação, e tão ruim no alcance, na potência?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Seguimos trabalhando para que a qualidade ofertada pela programação da Rádio UFS possa ser ampliada e acessada por toda a população sergipana. Os esforços junto à EBC para a ampliação do sinal já foram feitos e seguiremos atentos e vigilantes para que tenhamos dentro em breve a autorização para a mudança de frequência e a alteração do sinal.

JLPolítica - Como está a saúde pessoal do senhor?
Valter Joviniano de Santana Filho -
Estou bem, cuidando da saúde para me manter firme e forte o suficiente para promover as ações necessárias ao engrandecimento e ao crescimento da nossa Universidade Federal de Sergipe.


 

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