Entrevista

Jozailto Lima

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Waneska Barboza: “O isolamento social exige consciência e espírito de coletividade”

“Até 15 de maio queremos tornar o Hospital de Campanha ativo”
10 de maio - 8h00

Se é verdade que as mulheres têm um pendor, uma força ou um plus, a mais para cuidar das coisas ligadas à vida, Aracaju e Sergipe nesta hora de pandemia de coronavírus vão bem, com duas delas no comando das duas maiores instituições da saúde pública.

A Secretaria Municipal da Saúde de Aracaju está a cargo da médica Waneska de Souza Barboza, 45 anos, e a Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe, sob o comando da enfermeira Mércia Feitosa de Souza, 50. Cada uma, naturalmente, cuida do seu quadrado num dos instantes mais tensos da saúde geral dos aracajuanos, dos sergipanos e dos brasileiros.

Da parte de Aracaju, Waneska Barboza faz uma leitura de que a capital e os aracajuanos estão sob esforços e cuidados cerrados do governo municipal iniciados bem antes de 11 de março, quando a Organização Municipal da Saúde - OMS - decretou que a problemática do coronavírus e da Covid-19 resvalou para uma pandemia.

“Quando no mês de fevereiro o Ministério da Saúde declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional, em decorrência da infecção por coronavírus, tivemos o nosso primeiro alerta de que a situação estaria se aproximando da capital”, diz Waneska Barboza.

“De forma estratégica e com o objetivo de monitorar diariamente os reflexos da transmissão na capital, foi formado o Comitê de Operação de Emergência envolvendo representantes das pastas à frente das ações de combate à Covid-19. Através desse comitê, decisões são tomadas e elaboradas no sentido de reforçar as medidas já realizadas e previstas nos decretos municipais que vêm sendo publicados pela gestão municipal diante desse cenário de pandemia”, reforça ela.

“Quando os primeiros óbitos foram registrados, a Secretaria Municipal da Saúde passou para o nível 3 da Situação de Emergência em Saúde Pública, que compreende ações envolvendo, além da ampliação de leitos de retaguarda na rede municipal de saúde, a intensificação de todas as ações previstas no Plano de Contingência e parcerias com órgãos públicos e privados”, diz a secretária.

Por achar que o pico maior do vírus e da doença não se deu ainda em Aracaju, o município está preparando seu Hospital de Campanha. “Temos a expectativa de concluir no dia 15 de maio a estruturação, a contratação de profissionais e de todos os pontos pendentes para tornar o Hospital de Campanha ativo”, afirma Waneska.

“O custo para a implantação da infraestrutura resulta num investimento global de R$ 3.258.000. Já o custo estimado com a aquisição de equipamentos, mobiliários de escritório, mobiliário hospitalar e assessorias hospitalares é de R$ 2.543.589,54. Com recursos humanos, a estimativa aproximada é de R$ 2 milhões por mês”, informa a secretária.

Mas nem só de Hospital de Campanha se arma Aracaju para fazer frente à pandemia e suas consequências. “Antes mesmo desse avanço da doença na capital, a Prefeitura, através da SMS, já vinha promovendo estratégias de prevenção, monitoramento e cuidado da população. A exemplo o serviço MonitorAju, as ações no aeroporto, as convocações do PSS da Saúde, bem como a estruturação das oito unidades básicas de referência e a instalação de contêineres no Hospital Zona Sul”, diz ela.

Houve ainda a adesão de instituições filantrópicas da área da saúde. Como a pandemia está calcada na volatilidade de um vírus que se espraia de pessoa a pessoa, Waneska Barboza chama a atenção para a necessidade de todos darem suas cotas de contribuição para fazer com que o isolamento social atinja níveis altos e barre uma perspectiva de contaminação em massa.

“Essa pandemia mudou radicalmente a vida das pessoas no mundo todo, nos forçando a viver confinados de uma maneira jamais experimentada. E o isolamento social é uma realidade nova, como tudo nessa epidemia, e que exige principalmente consciência e espírito de coletividade”, pondera a comandante da saúde da capital.

Para Waneska, há dados reais de causa e efeito no campo do isolamento social. “Percebemos que quando há uma crescente nos índices de isolamento social, a transmissão reduz a velocidade. Mas nem todas as pessoas conseguem fazer essa leitura e acabam criando certa resistência. Acredito que o que falta é justamente essa maior consciência da ação individual de respeitar as medidas de prevenção e do quanto elas impactam no resultado coletivo desse cenário”, diz.

Para se ter noção do que Waneska Barboza está dizendo, o maior índice de redução da circulação de pessoas em Aracaju foi de 54,3%, obtido num sábado dia 2 de maio. É baixo, quando há uma indicação de se chegar a pelo menos 70%.

Nesta entrevista, Waneska Barboza fala, ainda, dos cuidados que o Governo de Aracaju está adotando para evitar a contaminação dos trabalhadores da saúde, do modo como vai contratar servidores para o Hospital de Campanha, da parceria harmoniosa entre os Governo do Estado e da capital frente à pandemia, da compreensão de que setores políticos querem fazer uso deste momento e da perspectiva de 50% da população de Aracaju ser atingida pelo vírus.

Waneska de Souza Barboza nasceu em Aracaju no dia 26 de janeiro de 1975. Ela é filha Nivaldo Elias Barboza, advogado já falecido, e de Regina Helena de Souza Barboza.

Em 11 de julho de 2017, foi formalmente constituída secretária de Saúde da Prefeitura de Aracaju
Waneska de Souza Barboza nasceu em Aracaju no dia 26 de janeiro de 1975

ESTIMATIVA DE ATINGIR 50% DA POPULAÇÃO EM QUATRO MESES
“Essa estimativa é muito variável, e vai depender muito do percentual de crescimento diário dos casos novos. Como nós fazemos um acompanhamento diariamente, nossa previsão é de que o pico, que a gente atinja 50% de contaminação da população de Aracaju a mais ou menos 120/130 dias, ou seja, mais ou menos em torno de quatro meses”

JLPolítica - Quanto de recursos financeiros a Saúde municipal de Aracaju recebeu até agora do Governo Federal para o assunto Covid-19?
WB -
Entre R$ 12 milhões e 14 milhões até o momento – isso com o ajuda de algumas emendas parlamentares.

JLPolítica - Como é que as instituições filantrópicas foram incorporadas a este momento de enfrentamento da pandemia?
WB -
Procuramos o Hospital Santa Isabel, o Hospital São José e o Hospital Universitário, que é um hospital público, e de pronto se solidarizaram com a SMS, ampliando o número de leitos no município para esses hospitais. Estão disponíveis para o município 15 leitos pediátricos no Hospital Santa Isabel, mais 20 leitos de enfermaria adulto no Hospital São José. Temos ainda mais 30 leitos, entre UTI e enfermaria no Hospital Universitário. Formamos uma rede de ajuda, onde nós também capitaneamos a busca por reforço de EPIs junto aos Ministérios Públicos Estadual, Federal e do Trabalho, que incluíram esses hospitais para que a gente pudesse ter um abastecimento adequado e mais proteção para os trabalhadores. Temos o suporte desses hospitais para o enfrentamento dessa pandemia através da oferta dos leitos em substituição à produção de procedimentos eletivos que eles faziam antes da Covid-19. Uma readequação dos hospitais filantrópicos para que pudessem ofertar leitos de internação e reforçar a estrutura de retaguarda.

JLPolítica - A pandemia pegou a estrutura e atuação da saúde pública municipal de Aracaju em que pé dentro da normalidade?
WB -
Como nós vínhamos acompanhando todo comportamento da pandemia ainda quando ela estava na China, e à medida que ela começou a adentrar a Europa até chegar ao Brasil o próprio prefeito Edvaldo Nogueira já havia chamado a Secretaria e pedido que nós começássemos a trabalhar num Plano de Contingência para o enfrentamento no caso de a pandemia chegar ao Brasil e a Aracaju. No momento em que a epidemia chegou a capital, nós já havíamos iniciado todo um projeto de desenvolvimento do Plano de Contingência, e por esse motivo estamos conseguindo dar um suporte de atendimento à população.

JLPolítica - Em que nível estava a assistência básica na saúde pública municipal de Aracaju?
WB -
Nós estávamos num período avançado de reorganização, onde desde 2017 vínhamos trabalhando num processo de reorganização de processo de trabalho, reorganização estrutural, padronização das unidades básicas, implantação do prontuário eletrônico em todas elas e reorganização de layout e de comunicação com os usuários. Tudo isso, de certa forma, no momento em que a pandemia chegou Aracaju estava com sua Rede de Atenção Básica um pouco mais preparada do que quando nós assumimos a gestão. Essa preparação também nos deu subsídios de informação e de estrutura de processos de trabalho para que nós pudéssemos estar enfrentando de uma forma mais profissional e mais segura.

\"Temos também que saber lidar com quem faz oposição ao trabalho que vem sendo feito”, recomenda

DA NECESSIDADE DE AUTOCONSCIÊNCIA DO ISOLAMENTO
“Essa pandemia mudou radicalmente a vida das pessoas no mundo todo, nos forçando a viver confinados de uma maneira jamais experimentada. E o isolamento social é uma realidade nova que exige consciência e espírito de coletividade. Nosso maior índice foi no dia 2 de maio, onde houve 54,3% de redução da circulação de pessoas”

 JLPolítica - Quais foram os canais estabelecidos pela Prefeitura Municipal de Aracaju via Secretaria de Saúde para interação com as pessoas especificamente sobre o coronavírus?
WB -
Criamos o serviço de monitoramento chamado MonitorAju, que possui três portas de acesso: através de ligação telefônica pelo 156; pelo preenchimento do formulário disponível no site da Prefeitura ou ainda através do cadastramento realizado no aeroporto da capital dos passageiros que desembarcam na cidade. Por meio desses acessos, realizamos o cadastro das pessoas e orientamos sobre dúvidas ou queixas de sintomas, e fazemos o monitoramento dos casos que necessitam de acompanhamento.

JLPolítica - A senhora acha que parte da classe política atrapalha um pouco nesta hora de pandemia quando politiza as decisões do poder público sobre drama do coronavírus?
WB -
Estamos vivendo um momento diferente de qualquer outro, seja no cenário dos serviços de saúde através do SUS ou ainda no cenário político. Eu prefiro focar todas as energias no serviço que me é confiado diariamente, desde que assumi a gestão da Secretaria Municipal da Saúde. Mas claro que se tratando de um setor público, a política está naturalmente ligada, e temos também que saber lidar com quem faz oposição ao trabalho que vem sendo feito.

JLPolítica - Há muita gente pessimista dando palpites e pitacos ruins nesta hora?
WB -
Sempre baseio minha forma de trabalhar em praticidade e efetividade, ainda mais em tempos de pandemia, onde o tempo é valioso e a tomada de decisões exige celeridade com a menor margem de erros possível. Mas estou como sempre estive, aberta ao diálogo. Aberta a ouvir sugestões, críticas construtivas, das quais penso com responsabilidade o que devo ou não acatar.

JLPolítica - Quais os cuidados adotados pela Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju para não cair em tentação de erros neste tempo de compras e contratações sob dispensa de licitação?
WB -
Os cuidados são os mesmos adotados em todos os processos de aquisição de nossos equipamentos, medicamentos, materiais e insumos, apenas com um olhar técnico ainda mais afinado agora. Temos na SMS uma equipe competente, experiente e alinhada com a gestão e isso faz toda a diferença num momento como esse.

Diz que há parceria harmoniosa entre os Governo do Estado e da capital para fazer frente à pandemia

DA INFECÇÃO DOS TRABALHADORES DA SAUDE
“Sobre o grau de infecção em nossos trabalhadores, no Hospital Fernando Franco, de 62 exames realizados tivemos a positividade de 22. Mas vale considerar que uma grande parte desses servidores não trabalha apenas no município, mas também em outras redes. Temos uma grande preocupação com a infecção dos trabalhadores”

JLPolítica – Há dados reais de causa e efeito no campo do isolamento social?
WB -
Sim. Percebemos que quando há uma crescente nos índices de isolamento social, a transmissão reduz a velocidade. Mas nem todas as pessoas conseguem fazer essa leitura e acabam criando certa resistência. Acredito que o que falta é justamente essa maior consciência da ação individual de respeitar as medidas de prevenção e do quanto elas impactam no resultado coletivo desse cenário. 

JLPolítica - A senhora conseguiria dimensionar o pico de casos de coronavírus numa situação em que não houvesse essas medidas do isolamento social e de fechamento de determinadas atividades adotadas desde a véspera do feriado de 17 de março?
WB –
Sim. Segundo as estimativas que a gente vem fazendo, se não houvesse nenhuma medida de enfrentamento desde o dia 17 de março, o pico poderia estar acontecendo a partir da segunda semana desse mês de maio, entre 15 e 30, ou no máximo no início de junho.

JLPolítica - A quarta-feira, 6, foi encerrada com 670 casos da Covid-19 em Aracaju. A senhora estima quantos casos no pico da pandemia e quais as consequências disso?
WB -
Essa estimativa é muito variável, e vai depender muito do percentual de crescimento diário dos casos novos. Como nós fazemos um acompanhamento diariamente do número, a nossa previsão é de que o pico, que a gente atinja 50% de contaminação da população de Aracaju a mais ou menos 120/130 dias, ou seja, mais ou menos em torno de quatro meses. As consequências disso, se não tomarmos medidas efetivamente restritivas, e esse pico ocorra em menor tempo, poderão ser muitos óbitos por falta de assistência. E esse número maior de óbitos aconteceria em virtude da saturação de todo sistema de saúde, pela grande procura por internação em pouco tempo, e com isso as pessoas não conseguirem atendimento.

JLPolítica - Quais as atribuições e o papel das UPAs e UBSs neste momento de pandemia?
WB -
Toda a rede de saúde da capital foi repensada para enfrentar essa pandemia da forma menos danosa possível. No caso das Unidades Básicas de Saúde, foram selecionadas e estruturadas oito UBS de referência para atendimentos de casos de síndromes gripais, com horário ampliado até às 20h, e de domingo a domingo. As duas Unidades de Pronto Atendimento também sofreram adaptações. No caso do Hospital Fernando Franco, estão disponíveis para atendimento exclusivo de Covid-19 sete leitos de retaguarda, e uma estrutura montada na área externa com dois contêineres para atendimento de casos de síndrome gripal. Também estamos em fase de estruturação de outros sete leitos de retaguarda da Covid-19 no Hospital Nestor Piva.

“Está sendo equipado para ter a capacidade de 152 leitos para atendimento de pacientes com Covid-19\", sobre o hospital de campanha, em fase de construção

TOLERÂNCIA COM O USO POLÍTICO DA PANDEMIA
“Estamos vivendo um momento diferente de qualquer outro. Prefiro focar todas as energias no serviço que me é confiado diariamente, desde que assumi a gestão da Secretaria. Mas claro que se tratando de um setor público, a política está naturalmente ligada, e temos também que saber lidar com quem faz oposição ao trabalho que vem sendo feito”

JLPolítica - O que a senhora espera da gestão da enfermeira Mércia Feitosa à frente da Secretaria de Estado da Saúde?
WB -
Entendo que será uma boa gestão, visto que Mércia é uma pessoa extremamente técnica, conhecedora da área de Vigilância, defensora do SUS e com uma bagagem de conhecimento muito vasta. Uma pessoa prática, realista e que está disposta a, juntamente com Aracaju, suplantar os desafios encontrados para vencermos e melhorarmos a estrutura estadual para enfrentamento da Covid.

JLPolítica - Sob a gestão de Valberto de Oliveira Lima, como era a relação entre a Secretaria que a senhora cuida e a do Estado?
WB -
Era uma relação amigável. Quando nós precisávamos do suporte do Estado, ele sempre esteve disponível e se colocou numa posição harmônica, de resolução dos problemas e sempre apoiou as ações e as decisões de Aracaju.

JLPolítica - Ainda resta vacinar quanto por cento da população de idosos de Aracaju?
WB -
Para a Campanha Nacional contra a Influenza, Aracaju tinha uma meta de imunização de 53.391 pessoas idosas. Diante das estratégias aplicadas, desde a antecipação do calendário, iniciando uma semana antes da campanha nacional, às doses em formato drive-thru e a vacinação itinerante nas praças da capital, conseguimos ultrapassar essa meta, vacinando 62.878 idosos. Superamos a marca de 117%.

JLPolítica - A Maternidade do 17 de Março será inaugurada ainda este ou não haverá condições?
WB -
Em virtude da chegada da pandemia, e com a reorganização da estrutura da saúde voltada para o enfrentamento da Covid-19, possivelmente a maternidade não será inaugurada esse ano. Mas todos os esforços serão mantidos para que consigamos o mais rápido disponibilizá-la, principalmente para a comunidade da zona sul, que é carente e que tanto sonha com a inauguração. As obras continuam em andamento, mas nesse momento, todos os recursos foram concentrados para o combate à pandemia.

JLPolítica - Como se sentiria a senhora como gestora se o discurso do prefeito Edvaldo Nogueira sobre isolamento social fosse parecido com o do presidente Jair Bolsonaro?
WB -
Do ponto de vista técnico, eu seria obrigada a discordar, visto que iríamos colocar em jogo muitas vidas, e muitas vidas carentes que dependem única e exclusivamente do SUS. Mas, pelo contrário, a preocupação do prefeito é exatamente a de dar um atendimento digno para aquelas pessoas que precisam, e mesmo quando houver os casos de óbitos, que infelizmente já vieram a acontecer na capital, essas pessoas tenham todo atendimento digno garantido. Desde o início essa foi a preocupação do prefeito, que corrobora com meu entendimento, meu sentimento de que o poder público deve somar forças para conscientizar a população em manter o isolamento social, em manter todas as medidas de enfrentamento para que a gente consiga ultrapassar o período que for necessário. Tudo isso até que a gente consiga uma diminuição natural da velocidade de transmissão da doença e conseguindo evitar mortes que aconteceriam caso não tivéssemos condições de atender a todas as pessoas, devido a saturação do sistema de saúde, como está acontecendo em cidades como Manaus, Recife, onde as pessoas estão na lista de espera para leitos de UTI ou não conseguem atendimento porque todo sistema está estrangulado.

\"Nossa previsão é de que o pico, que a gente atinja 50% de contaminação da população de Aracaju a mais ou menos 120/130 dias\", estima

DO QUANTO VAI CUSTAR O HOSPITAL DE CAMPANHA
“O custo para a implantação da infraestrutura resulta num investimento global de R$ 3.258.000. Já o custo estimado com a aquisição de equipamentos, mobiliários de escritório, mobiliário hospitalar e assessorias hospitalares é de R$ 2.543.589,54. Com recursos humanos, a estimativa aproximada é de R$ 2 milhões por mês”

JLPolítica - Como a Secretaria de Saúde fará para resolver o suprimento de mão de obra?
WB -
Há pouco mais de um mês publicamos o edital para chamamento público de médicos para atuar na rede de atendimento à Covid-19. Antes mesmo dessa publicação, já havíamos antecipado o calendário de convocação de boa parte dos cargos do Processo Seletivo da Saúde para que esses profissionais que já se somariam à nossa rede de saúde pudessem reforçar as equipes que vêm sendo montadas e direcionadas às diversas frentes de atuação.

JLPolítica - Qual será a capacidade de atendimento dele?
WB -
O Hospital de Campanha está sendo equipado para ter a capacidade de 152 leitos para atendimento de pacientes com Covid-19. Nessa estrutura hospitalar terão 100 leitos para pacientes confirmados e com sintomas leves a moderados, e ainda 52 outros leitos para pacientes suspeitos que aguardam resultados, mas que necessitam de internamento.

JLPolítica - E os que eventualmente venham a necessitar de UTI?
WB -
Os casos mais graves, que necessitem de Unidade de Terapia Intensiva serão regulados pelo Estado, conforme pactuação feita. Mas o paciente que agravar o quadro clínico não ficará sem assistência. No Hospital de Campanha também teremos uma ala com 26 leitos para esses pacientes mais críticos até que eles sejam deslocados para a unidade estadual.

JLPolítica - O que foi que o Ministério Público Estadual não viu de errado na licitação desse hospital para suspender um processo de denúncia que houvera sido formulado por políticos?
WB -
As supostas irregularidades no processo licitatório realizado pela Secretaria da Saúde de Aracaju, que resultou na contratação de empresa especializada para montagem do Hospital de Campanha, foram desconsideradas porque o Ministério Público Estadual apurou e verificou que todo o processo tem sido feito com total transparência e lisura. Antes mesmo de qualquer questionamento por parte dos órgãos fiscalizadores, a Prefeitura se antecipou e entregou cópias de toda a documentação envolvendo o processo de montagem do Hospital de Campanha, tanto ao próprio Ministério Público do Estado quanto ao Tribunal de Contas do Estado. Além disso, para fundamentar a transparência que rege todas as ações da gestão municipal, a Prefeitura também passou a disponibilizar o site “Transparência Covid-19: informações sobre o combate ao coronavírus”, integrado ao Portal da Transparência do Município e que viabiliza para que a população acesse, de forma simples, todos os dados relacionados às ações de enfrentamento à Covid-19 adotadas pela administração municipal.

“Percebemos que quando há uma crescente nos índices de isolamento social, a transmissão reduz a velocidade\", pondera

SINTONIA ENTRE GOVERNOS DO ESTADO E DE ARACAJU
“Sabemos da importância da capital sempre procurar manter as ações e decisões de enfrentamento à Covid-19 alinhadas com a gestão estadual. Com relação à dinâmica das decisões tomadas pelo governo e consequentemente seguidas pela gestão municipal, vimos um exemplo da flexibilidade do governador dando autonomia aos gestores”

JLPolítica - A senhora acha correta a política de boletins diários, com número de infectados e de mortes? Isso, embora traga transparência, não é um mecanismo a mais de assombro e pânico contra as pessoas?
WB -
Nossa gestão sempre se baseia exatamente na transparência, mesmo que essa não reflita um cenário positivo. É fato que, para boa parte da população, o nosso boletim diário cause um impacto muito grande, desperte uma tensão sobre o que pode ainda acontecer. Por outro lado, é essencial que, além da população ter acesso às informações do que a gestão vem se empenhando em investir e estruturar nos serviços, para garantir um atendimento de qualidade na saúde, ela também tenha noção real da transmissão e das suas consequências na capital. São números que, infelizmente, crescem a cada dia, mas que servem também de alerta para que haja uma consciência coletiva sobre a importância de tomarmos todos os cuidados necessários. 

JLPolítica - Quando é que o Hospital de Campanha de Aracaju vai estar pronto e funcionado?
WB -
Temos a expectativa de concluir no dia 15 de maio a estruturação, a contratação de profissionais e de todos os pontos pendentes para tornar o Hospital de Campanha ativo.

JLPolítica - Quanto terá custado para ficar pronto e funcionando?
WB -
O custo para a implantação da infraestrutura resulta num investimento global de R$ 3.258.000. Já o custo estimado com a aquisição de equipamentos, mobiliários de escritório, mobiliário hospitalar e assessorias hospitalares é de R$ 2.543.589,54. Com recursos humanos, a estimativa aproximada é de R$ 2 milhões por mês.

JLPolítica - Qual o custo diário dele?
WB -
Como ainda estamos em fase de finalização de toda parte física e de recursos humanos, ainda não é possível saber o custo diário. Sobre esse custo diário, teremos mais condições de dimensionar a partir do momento que iniciarmos o funcionamento do Hospital de Campanha, onde teremos uma noção mais exata do custeio, que envolve vários outros contratos.

Ela é filha Nivaldo Elias Barboza, advogado já falecido, e de Regina Helena de Souza Barboza.

DESDE FEVEREIRO QUE ARACAJU TOMA ATITUDES
“De forma estratégica e com o objetivo de monitorar os reflexos da transmissão na capital, foi formado o Comitê de Operação de Emergência envolvendo representantes das pastas à frente das ações de combate à Covid-19. Através desse comitê, decisões são tomadas no sentido de reforçar as medidas já realizadas e previstas nos decretos municipais”

JLPolítica - Quais são as linhas básicas do planejamento do Governo de Aracaju e da sua Secretaria de Saúde para o enfrentamento ao drama da pandemia do coronavírus?
Waneska Barboza -
Quando no mês de fevereiro o Ministério da Saúde declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional, em decorrência da infecção por coronavírus, tivemos o nosso primeiro alerta de que a situação estaria se aproximando da capital. E para auxiliar na elaboração do nosso Plano de Contingência para enfrentamento da Covid-19, usamos como referência o conhecimento das ações desenvolvidas no enfretamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave - SRAG - e Síndrome Gripal - SG.

JLPolítica - Fez-se o quê, então, aí?
WB -
De forma estratégica e com o objetivo de monitorar diariamente os reflexos da transmissão na capital, foi formado o Comitê de Operação de Emergência envolvendo representantes das pastas à frente das ações de combate à Covid-19. Através desse comitê, decisões são tomadas e elaboradas no sentido de reforçar as medidas já realizadas e previstas nos decretos municipais que vem sendo publicados pela gestão municipal diante desse cenário de pandemia. Quando os primeiros óbitos foram registrados, a Secretaria Municipal da Saúde passou para o nível 3 da Situação de Emergência em Saúde Pública, que compreende ações envolvendo, além da ampliação de leitos de retaguarda na rede municipal de saúde, a intensificação de todas as ações previstas no Plano de Contingência e parcerias com órgãos públicos e privados.

JLPolítica – Quais foram as ações estratégicas no campo da prevenção?
WB -
Antes mesmo desse avanço da doença na capital, a Prefeitura, através da SMS, já vinha promovendo estratégias de prevenção, monitoramento e cuidado da população. A exemplo o serviço MonitorAju, as ações no aeroporto, as convocações do PSS da Saúde, bem como a estruturação das oito unidades básicas de referência e a instalação de contêineres no Hospital Zona Sul. E mais recentemente, a decisão da criação de um Hospital de Campanha no Estádio João Hora, que vem sendo equipado.

JLPolítica - Até que o ponto e ir e vir das decisões adotadas pelos decretos do Governo do Estado, que são seguidos pela gestão de Aracaju, comprometem a dinâmica das ações reais de enfrentamento ao coronavírus da parte do município de Aracaju?
WB -
Sabemos da importância da capital sempre procurar manter as ações e decisões de enfrentamento à Covid-19 alinhadas com a gestão estadual, e antes mesmo desse cenário de pandemia o município já dialogava muito bem com o Governo do Estado. Com relação à dinâmica das decisões tomadas pelo governo e consequentemente seguidas pela gestão municipal, quando da revogação do último decreto estadual, vimos um exemplo claro da flexibilidade do próprio governador dando autonomia aos gestores municipais, não apenas da capital, em decisões mais restritivas bem como ações de enfrentamento conforme a realidade de cada município.

Ela é casada e mãe de gêmeos - Mateus Barboza e Ana Clara Barboza, de sete anos

DA CAPACIDADE DE ATENDIMENTO DO HOSPITAL DE CAMPANHA
“Está sendo equipado para ter a capacidade de 152 leitos para atendimento de pacientes com Covid-19. Nessa estrutura hospitalar terão 100 leitos para pacientes confirmados e com sintomas leves a moderados, e ainda 52 outros leitos para pacientes suspeitos que aguardam resultados, mas que necessitam de internamento”

JLPolítica - É alto o grau de infecção de coronavírus aos trabalhadores da saúde pública municipal de Aracaju?
WB -
Sobre o grau de infecção em nossos trabalhadores, no Hospital Fernando Franco, de 62 exames realizados em servidores tivemos a positividade de 22 trabalhadores. Mas vale considerar que uma grande parte desses servidores não trabalha apenas no município, mas também em outras redes hospitalares. Temos uma grande preocupação com a infecção dos nossos trabalhadores, porque são eles que estão nessa linha de frente. E com isso temos nos dedicado em manter o abastecimento dos nossos estoques de EPIs e a fortalecer a orientação de uso correto dos equipamentos, para evitar que um grande número de profissionais seja contaminado. Também emitimos a Portaria 060/2020, onde orientando que todos os profissionais de saúde que apresentarem sintomatologia realizem o exame, para que possamos ter um dado mais claro de infecção em nossos profissionais, e possamos pensar outras medidas de proteção aos servidores da saúde.

JLPolítica - Mas quais são as medidas reais e concretas que a Secretaria Municipal de Saúde adota em favor dos seus trabalhadores?
WB -
Uma grande preocupação com relação aos nossos trabalhadores na linha de frente da Covid-19 foi e é com relação ao abastecimento de Equipamentos de Proteção Individual e a garantia de uso correto para evitar a contaminação. Temos nos dedicado em manter um estoque suficiente para que não haja o desabastecimento nas unidades de saúde, seja na Rede de Atenção Primária ou Rede de Urgência e Emergência. Temos nos comunicado regularmente com representantes das entidades médicas também no sentido de ouvi-los e acatar considerações relevantes que contribuam no que compete às garantias dos trabalhadores. E entre as várias sugestões feitas, uma das que foram aplicadas foi a criação de um canal interno de comunicação para que os profissionais de saúde possam relatar diretamente à SMS suas condições de trabalho, principalmente na falta de equipamentos e insumos. Paralelo a isso, a Secretaria também tem realizado capacitações com todos os profissionais de saúde que estão atuando diretamente no atendimento aos pacientes com a Covid-19, no sentido de orientá-los quanto aos fluxos nas unidades desde a triagem e acolhimento desses pacientes, bem como no que diz respeito à paramentação e desparamentação desses profissionais.

JLPolítica - Qual foi o maior índice de redução de circulação de pessoas obtido na cidade de Aracaju até agora?
WB -
Nosso maior índice foi no dia 2 de maio, onde houve 54,3% de redução da circulação de pessoas.

JLPolítica - O que falta, para além do atalho da necessidade de ir à luta, para que as pessoas compreendam a importância de ficar em casa nestes dias?
WB -
Essa pandemia mudou radicalmente a vida das pessoas no mundo todo, nos forçando a viver confinados de uma maneira jamais experimentada. E o isolamento social é uma realidade nova, como tudo nessa epidemia, e que exige principalmente consciência e espírito de coletividade.

\"O maior índice de redução da circulação de pessoas em Aracaju foi de 54,3%\", informa