Washington Coração Valente: “Estou realmente decidido a concorrer ao mandato de senador por Sergipe”

Entrevista

Jozailto Lima

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Washington Coração Valente: “Estou realmente decidido a concorrer ao mandato de senador por Sergipe”

25 de dezembro de 2021
“Não caí de paraquedas na política de Sergipe”

Esta advertência em tom solene é feita pelo ex-atleta de alta voltagem no futebol brasileiro, Washington Stecanela Cerqueira, o Washington Coração Valente, aposentado desde 2011, morador e empresário de Aracaju, Sergipe, e pré-candidato à única vaga no Senado por este Estado na eleição de 2022.

E é lícito acreditar que Washington Coração Valente esteja duplamente correto nisso. Ele não se acocorou à margem do Estado de Sergipe na semana passada para tentar, à queima-roupa, um mandato eletivo por aqui. E nem é mesmo um neófito nessa atividade.

Conhecido no Brasil e no mundo pelas suas passagens por 10 clubes importantes - sete brasileiros e três no estrangeiro - e por ter sido, inclusive, convocado para a Seleção Brasileira algumas vezes, Washington Coração Valente bate continência para Sergipe há exatos 33 anos. E parece fazê-lo sem demagogia nem populismo.

Isso vem desde a adolescência, quando o pai dele, Antônio Washington de Cerqueira, um baiano aposentado de um ministério em Brasília, resolveu mudar-se definitivamente do Distrito Federal para Aracaju em 1987.

“Na época, eu tinha 13 anos e cheguei a ser matriculado no Colégio Arquidiocesano, mas surgiu uma oportunidade na categoria de base do Caxias e então arrumei as malas novamente para jogar e estudar no interior do Rio Grande do Sul”, lembra Washington.

“Quando virei profissional continuei visitando Aracaju sempre nas férias de final do ano. Daí quando me aposentei, passei a visitar a capital sergipana com maior frequência, até me mudar em definitivo em 2017 para cá”, reforça.

A trupe dos Corações Valentes: Washington, a esposa Andrea Blum, em dia de aniversário dela, e as crias Ana Carolina Cerqueira, Catharina Cerqueira e Antônio Washington de Cerqueira Neto
Um Washington Coração Valente com cara de moleque batendo bola na Seleção em 2001 na Copa das Confederações no Japão

Mostrando-se bastante antenado com as coisas da vida, da política, do futebol, dos negócios e dos afetos ao lugar em que vive, nesta Entrevista Washington Coração Valente faz uma radiografia geral da sua existência, das suas andanças futebolísticas, das vontades políticas, de como leva a vida como um diabético tipo 1 e dos projetos futuros.

Washington Stecanela Cerqueira nasceu no dia 1º de abril de 1975, em Brasília, Distrito Federal. É filho de Antônio Washington de Cerqueira e de Maria Salete Remor Stecanela.

Aos 46 anos, ele é casado com Andrea Blum e é pai de Ana Carolina Cerqueira, de 19 anos, Catharina Cerqueira, 14, e de Antônio Washington de Cerqueira Neto, de 9 anos.

Washington Coração Valente tem nível médio completo e chegou a cursar uma Faculdade de Educação Física, mas não a concluiu. Mas tem curso de Gestão Esportiva pela Confederação Brasileira de Futebol e curso de treinador B e A, também pela CBF.

Além de não ser um neófito em política, Washington Coração Valente também não nutre visões simplistas da área e nem vai aceitar ser rotulado de forasteiro na campanha de senador.

“Sendo assim, podem esperar um parlamentar alinhado aos anseios do povo sergipano e um representante sensível aos problemas de seu Estado, com disposição e coragem para contribuir com a resolução deles”, avisa.

A Entrevista com Washington Coração Valente vale o tempo dedicado à leitura sem precisar de prorrogação.

Sob o manto sagrado do Fluminense, Washington foi, fez e aconteceu
DA RELAÇÃO COM ARACAJU DESDE A ADOLESCÊNCIA
“Minha relação com Sergipe começou em 1987, quando meu pai veio morar na capital sergipana após se aposentar. Nascido na Bahia, a decisão dele de se mudar para Aracaju veio por acaso após uma viagem de férias. Seu Antônio gostou da tranquilidade da cidade e resolveu trazer as malas em definitivo. Na época, eu tinha 13 anos e cheguei a ser matriculado no Arquidiocesano”


JLPolítica - Quando e por quais razões começa a sua relação com o Estado de Sergipe e por que seu pai vem parar aqui?
Washington Coração Valente - Minha relação com Sergipe começou em 1987, quando meu pai veio morar na capital sergipana após se aposentar. Nascido na Bahia, a decisão dele de se mudar para Aracaju veio por acaso após uma viagem de férias. Seu Antônio gostou da tranquilidade da cidade e resolveu trazer as malas em definitivo. Na época, eu tinha 13 anos e cheguei a ser matriculado no Colégio Arquidiocesano, mas surgiu uma oportunidade na categoria de base do Caxias e então arrumei as malas novamente para jogar e estudar no interior do Rio Grande do Sul. Quando virei profissional continuei visitando Aracaju sempre nas férias de final do ano. Daí quando me aposentei, passei a visitar a capital sergipana com maior frequência até me mudar em definitivo em 2017 para cá.

JLPolítica - O senhor se considera, efetivamente, um morador de Sergipe, ou é apenas um ser social e empresarial com negócios por aqui?
WCV - Sim, sou morador de Sergipe desde 2017, quando decidi me mudar definitivamente para perto de meu pai e trouxe a família inteira comigo. Além disso, recebi os Títulos de Cidadão Aracajuano e Sergipano, por isso sou muito grato ao povo de Sergipe, que recepcionou toda minha família com muito carinho.

JLPolítica - Aliás, quais são os seus empreendimentos em terras sergipanas?
WCV - Por enquanto, tenho um empreendimento. Inaugurei a churrascaria Paisano em novembro de 2019, gerando 50 empregos diretos, tornando-me um empreendedor sergipano.

O senhor empresário Washington Coração Valente e seu exército de colaboradores na Churrascaria Paisano
O WASHINGTON EMPREENDEDOR E A PANDEMIA
“Abrimos a churrascaria em novembro de 2019 e quatro meses depois fomos surpreendidos com a pandemia, que naturalmente resultou em prejuízos econômicos para todos que atuam no setor. Infelizmente, alguns fecharam. A Paisano precisou adequar o cardápio para evitar demissões, e felizmente com aquela medida sobrevivemos ao pior momento e trouxemos de volta todos os funcionários na reabertura do comércio”


JLPolítica - E quais foram os efeitos da pandemia de coronavírus para o setor de bares e restaurantes, no qual o senhor atua?
WCV - Olha, abrimos a churrascaria em novembro de 2019 e quatro meses depois fomos surpreendidos com a pandemia, que naturalmente resultou em prejuízos econômicos para nós e todos que atuam no setor. Infelizmente, alguns fecharam as portas. A Paisano precisou adequar o cardápio para evitar demissões, e felizmente com aquela medida sobrevivemos ao pior momento e trouxemos de volta todos os funcionários na reabertura do comércio. Quanto aos efeitos causados pela pandemia, sofremos até hoje. Eu sempre defendi a abertura parcial dos estabelecimentos com toda responsabilidade no cumprimento das regras sanitárias. O problema foi que fecharam tudo e os governos estaduais não adotaram medidas para ajudar o segmento, como por exemplo a isenção de impostos e a oferta de linhas de crédito com taxas e juros acessíveis. Lamentavelmente, isso não aconteceu e o prejuízo foi enorme.

JLPolítica - O senhor “não joga mais” como empreendedor da construção civil?
WCV - Estou há 17 anos como proprietário da Construtora Steca em Caxias do Sul com muito sucesso, mas pelo fato de ter vindo morar em Aracaju encerrarei as atividades. Sigo o ditado de que “o gado só engorda com o olho do dono”.

JLPolítica - Há no seu mix do empresário algum empreendimento em vistas em Aracaju ou outro lugar qualquer de Sergipe?
WCV -
Por enquanto, não. Como disse, estamos nos erguendo dos efeitos causados pela pandemia. Felizmente, os últimos meses foram bem animadores.

Washington já pisou também o gramado da política: em 2012, foi o vereador mais votado de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul
E TERIAS SIDO FELIZ NA CARREIRA DE ATLETA?
“Graças a Deus, fui sim. No futebol é muito difícil se chegar ao topo e mais difícil ainda permanecer. Sou grato por tudo que ganhei ao longo de minha carreira. Sair de uma equipe pequena e chegar aos grandes clubes, Seleção Brasileira e poder fazer história, isso é muito gratificante. Passei por 10 clubes jogando de forma profissional. Sete deles no Brasil, além de dois do Japão e um da Turquia”


JLPolítica - Do Caxias do começo da sua carreira, ao Fluminense do seu encerramento, o senhor foi feliz enquanto atleta de alta voltagem e performance?
WCV - Graças a Deus, fui sim. No futebol é muito difícil se chegar ao topo e mais difícil ainda permanecer. Sou grato por tudo que ganhei ao longo de minha carreira. Sair de uma equipe pequena e chegar aos grandes clubes, seleção brasileira e poder fazer história, isso é muito gratificante.

JLPolítica - Profissionalmente, a sua carreira durou quantos anos e por quantos clubes passou?
WCV - Durou 17 anos. Passei por 10 clubes jogando de forma profissional. Sete deles no Brasil - Caxias, Inter, Paraná, Ponte Preta, Atlhetico Paranaense, Fluminense e São Paulo -, além de dois clubes do Japão e um da Turquia.

JLPolítica – O senhor considera que teria sido no Fluminense o auge da carreira?
WCV - Olha, passei um grande momento na Ponte Preta em 2001, quando cheguei pela primeira vez à Seleção Brasileira. Também atravessei uma excelente fase no Atlhetico Paranaense, quando fiz 34 gols em 2004, um recorde até hoje do Brasileiro de pontos corridos, bem como no futebol japonês, quando ganhei todos os campeonatos possíveis no Urawa Reds. E claro, nas Laranjeiras vivi grandes momentos: artilheiro do Brasileirão em 2008 e campeão em 2010, além de vice-campeão da Libertadores em 2008.

Passo largo: o mandato de vereador o catapultou à Câmara Federal em mandato suplente por três meses
DO PESO E DA DOR DE SER UM CENTROAVANTE
“Costumo dizer que centroavante não é posição e sim profissão. Tem que ter capacidade nessa posição, exatamente por ser uma das mais cobradas, contudo é a que dá mais alegria. E a boa fase em campo depende de uma série de fatores: apoio da família, disciplina e dedicação.
Seja qual for a posição, virar jogador profissional de sucesso é muito difícil em todo o mundo. No Brasil, talvez, seja ainda mais complicado devido ao número de bons jogadores”


JLPolítica - O posto de centroavante é bruto para quem o exercita no futebol, pelas cobranças de resultados a que são submetidos os atletas, e ingrato aos demais jogadores pelos resultados auferidos com os gols?
WCV -
Seja qual for a posição, virar jogador profissional de sucesso é muito difícil em todo o mundo. No Brasil, talvez, seja ainda mais complicado devido ao número de bons jogadores. Somos um celeiro de craques, o país mais vencedor do planeta. Costumo dizer que centroavante não é posição e sim profissão. Tem que ter capacidade nessa posição, exatamente por ser uma das mais cobradas, contudo é a que dá mais alegria. E a boa fase em campo depende de uma série de fatores: apoio da família, disciplina e dedicação.

JLPolítica - Qual é o maior risco para quem se dedica e vive do futebol?
WCV - Você abre mão da sua vida social, não existe feriado, fins de semana, aniversários, etc. E muitas vezes a valorização não é reconhecida - digo isso porque 95% dos atletas de futebol recebem menos de R$ 3 mil.

JLPolítica - Qual é a maior virtude para quem se dedica e vive do futebol?
WCV - Acredito que seja a disciplina. Jogador “perde” festas, baladas, carnaval, São João, Natal e muitos outros eventos em família e com amigos. Assim, considero que a disciplina, responsabilidade e superação são as maiores virtudes.

Pelas bordas dos bons relacionamentos, Washington se fez Cidadão de Sergipe por obra e ato do então deputado estadual Dilson de Agripino
PODERIA TER TIDO MAIS CHANCES NA SELEÇÃO
“Mas infelizmente não tive mesmo muitas chances na Seleção Brasileira. Disputei a Copa das Confederações de 2001, as Eliminatórias, mas não cheguei à Copa do Mundo. No total, foram nove partidas e três gols. Na verdade, enfrentei uma forte concorrência na posição. Romário, Ronaldo Fenômeno, Luizão, Adriano e o próprio Fred atravessavam momentos excelentes”


JLPolítica - O senhor considera que poderia ter tido mais chances de convocação para a Seleção Brasileira?
WCV - Sim, mas infelizmente não tive mesmo muitas chances na Seleção Brasileira. Disputei a Copa das Confederações de 2001, as Eliminatórias, mas não cheguei à Copa do Mundo. No total, foram nove partidas e três gols. Na verdade, enfrentei uma forte concorrência na posição. Romário, Ronaldo Fenômeno, Luizão, Adriano e o próprio Fred atravessavam momentos excelentes.

JLPolítica - Qual seria a intervenção de atitudes que o esporte brasileiro, notadamente o futebol, poderia sofrer para melhorar de qualidade, ser mais limpo e mais democrático?
WCV - A chegada do VAR eu já achei muito bem-vinda. A primeira oportunidade foi na Copa do Mundo e foi muito bem-sucedida. Aqui no Brasil, dentre outras coisas, é muito mal utilizado, agora na área social o futebol é uma das principais ferramentas de transformação.

JLPolítica - Quais foram os horizontes que se desenharam para o senhor desde 13 de janeiro de 2011, quando se declarou fora do futebol profissional?
WCV - Sofri muito naquela oportunidade, porque sou um apaixonado pelo futebol e quando tive o problema do coração lutei muito para voltar, por isso talvez eu tenha sentido mais, porém sabia que era hora de respeitar e parar. Logo, pensei em descansar com a família, em seguida empreender e depois me interessei mais por política.

Pelas bordas dos bons relacionamentos, Washington se fez Cidadão de Aracaju por obra e ato do vereador Vinicius Porto
DA DIFÍCIL HORA DA APOSENTADORIA
“Sofri muito naquela oportunidade, porque sou um apaixonado pelo futebol e quando tive o problema do coração lutei muito para voltar, por isso talvez tenha sentido mais, porém sabia que era hora de respeitar e parar. Logo pensei em descansar com a família, em seguida empreender e depois me interessei mais por política”


JLPolítica - Quantos clubes o senhor treinou desde então?
WCV - Meu primeiro time foi o Vitória da Conquista, na Bahia, em 2017, e depois o Itabaiana, em 2018, aqui em Sergipe.

JLPolítica - O que deu de errado entre o senhor e o comando do Itabaiana para ficar tão pouco tempo?
WCV - Recentemente, estive com Adailton Souza, atual prefeito de Itabaiana, que na época era diretor do clube. Ele me disse que foi o maior erro dele no futebol, já que classificamos o time e acabamos saindo. Isso faz parte do futebol e não guardo mágoas.

JLPolítica - O senhor tem ação participativa, administrativa e financeira em algum clube brasileiro hoje?
WCV - Não.

Washington emprestando seu Coração Valente a defender o São Paulo no Brasileirão de 2009
DO PESO DE UM CARGO NACIONAL NO GOVERNO
“Claro que renderam boas coisas, sim. Ganhei muita experiência, uma vivência com o lado social das pessoas, principalmente as crianças e jovens, proporcionando oportunidade a eles. Ataquei sempre nas periferias, onde a oportunidade negativa bate sempre à porta. Ademais, já havia sido secretário municipal de Esportes na cidade de Caxias, no Rio Grande do Sul, mas exercer um cargo na esfera nacional foi uma experiência bem produtiva”


JLPolítica - Como o senhor viu o arremate de 90% do Cruzeiro de Minas por Ronaldo?
WCV - Vi como uma chance de transformação no futebol, pois vai ser talvez a primeira experiência de clube-empresa, agora com mais responsabilidades, principalmente fiscais, aos gestores.

JLPolítica - Rendeu-lhe que experiência ter exercido o cargo de secretário nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social sob a gestão de Jair Bolsonaro?
WCV - Claro que renderam boas coisas, sim. Ganhei muita experiência, uma vivência com o lado social das pessoas, principalmente as crianças e jovens, proporcionando oportunidade a eles. Ataquei sempre nas periferias, onde a oportunidade negativa bate sempre à porta. Ademais, eu já havia sido secretário municipal de Esportes na cidade de Caxias, no Rio Grande do Sul, mas exercer um cargo na esfera nacional foi uma experiência bem produtiva. Eu comandava a pasta do Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social, na época vivia em Brasília ou viajando para implantar projetos pelo Brasil afora. Durante sete meses enviei recursos para todas as regiões do Brasil, inclusive para Sergipe na ordem de R$ 1,5 milhão para Aracaju, R$ 350 mil para Simão Dias e Itaporanga, totalizando R$ 2,2 milhões. E digo mais: o repasse só não foi maior em Sergipe porque alguns municípios não estavam com a certidão negativa em dia.

JLPolítica - O senhor está certo de que os esportes incluem mais do que excluem?
WCV - Com certeza. Incluem. Costumo dizer que o esporte é um divisor de águas na vida de muitos brasileiros. É um instrumento transformador para o cidadão se tornar responsável, honesto e trabalhador. Por isso, defendo uma política pública maior no esporte estudantil, pois é na base onde o atleta é formado na qualidade de competidor e de cidadão.

Washington Coração Valente em outro momento vistoso: na Ponte Preta, em 2001
MAS POR QUE O SENADO POR SERGIPE?
“Primeiro, porque é o Estado que escolhi para morar desde 2017 com toda a minha família, e porque frequento esta terra desde 1987, quando meu pai veio morar na capital. Portanto, me sinto à vontade em disputar um mandato para representar os sergipanos em Brasília. A escolha pelo Senado se deu a partir de conversas com diversos representantes políticos, segmentos empresariais, institucionais, cidadãos comuns. Além disso, não caí de paraquedas na política de Sergipe”


JLPolítica - O que lhe leva a ser um signatário do presidente Jair Bolsonaro e do Governo dele?
WCV - Fui o primeiro secretário de Esporte no Governo dele, sei que tem alguns erros, mas não compactuo com o que estavam fazendo com nosso país, principalmente no lado da corrupção, que teve milhões de desvios onde poderiam fazer pela saúde e pela educação.

JLPolítica - Mas por que a pretensão de começar uma disputa eleitoral em Sergipe logo pelo Senado? Não lhe é uma janela muito privilegiada e alta?
WCV - Olha, estou realmente decidido a concorrer ao mandato de senador por Sergipe. Primeiro, porque é o Estado que escolhi para morar desde 2017 com toda a minha família, e porque frequento esta terra desde 1987, quando meu pai veio morar na capital. Portanto, me sinto à vontade em disputar um mandato para representar os sergipanos em Brasília. A escolha pelo Senado se deu a partir de conversas com diversos representantes políticos, de segmentos empresariais, institucionais, cidadãos comuns, etc. Além disso, não caí de paraquedas na política de Sergipe. Fui vereador, deputado federal e secretário nacional e hoje ando nas ruas e muita gente fala e me apoia ao Senado. De modo que não é uma pretensão em demasia. Acho que posso usar meu nome para trazer muitos recursos para o Estado de Sergipe.

JLPolítica - Em nome de que o senhor pediria votos aos sergipanos para um mandato de senador, ainda mais numa eleição que tem apenas uma vaga, como a de 2022?
WCV -
Eu pediria em nome de querer ser uma voz ativa em Brasília para defender um Estado que tanto me acolheu bem. Um senador da República representa um Estado e é exatamente por isso que entendo que essa representação, na capital federal, é muito importante para a resolução dos macroproblemas do nosso Estado. Sendo assim, podem esperar um parlamentar alinhado aos anseios do povo sergipano e um representante sensível aos problemas de seu Estado, com disposição e coragem para contribuir com a resolução deles.

Washigton no posto de secretário nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social: restou-lhe boa lição
AS POLÍTICAS PÚBLICAS E O ELO COM OS CIDADÃOS
“Entendo que é preciso profissionalizar a administração pública e isso passa pela boa escolha dos representantes políticos. Sempre enxerguei o cidadão como usuário dos serviços públicos e, portanto, uma figura necessária para construção de políticas públicas. Assim, buscarei construir pontes para solucionar problemas do Estado, sem pessoalizar ou partidarizar interesses”


JLPolítica - Como quem tem um olhar externo e novo sobre o Estado, quais os maiores problemas de Sergipe a serem resolvidos na esfera pública?
WCV - Hoje, por exemplo, essas demandas estão mais relacionadas ao turismo, esporte, educação, saúde e segurança pública. Entendo que é preciso profissionalizar a administração pública e isso passa pela boa escolha dos representantes políticos. Sempre enxerguei o cidadão como usuário dos serviços públicos e, portanto, uma figura necessária para construção de políticas públicas. Assim, buscarei, por meio do diálogo aberto e transparente, construir pontes para solucionar problemas do Estado, sem pessoalizar ou partidarizar interesses.

JLPolítica - Como é a sua relação com a classe política local?
WCV - Tenho conversado com representantes de diversos segmentos políticos sergipanos - de situação, oposição, esquerda, direita. Não sou daqueles que demoniza a política ou que define com quem conversar a partir de critérios político-partidários. Converso com pessoas, independentemente de qual partido seja o interlocutor. Foram essas conversas, inclusive, que me impulsionaram a lançar a pré-candidatura ao Senado. Apesar de segmentos da imprensa afirmarem que ser ficha limpa é uma credencial minha, tenho dito, em entrevistas, que ser um candidato ficha limpa é condição elementar para qualquer um colocar o nome à disposição do eleitorado.

JLPolítica - Por aqui costuma-se rotular de forasteiro alguém que não seja sergipano e que chegue pleiteando um espaço político. O senhor estaria preparado para o rótulo e para o enfrentamento a ele?
WCV - Acredito que a expressão forasteiro está em desuso na política sergipana, ou pelo menos deveria estar há um bom tempo. Ademais, como disse, minha relação com Sergipe começou há mais de 30 anos. Moro na capital desde 2017, conheço 80% dos municípios sergipanos, ou seja, já visitei quase todas as regiões, tomando ciência dos problemas mais evidentes em todas elas. Além disso, aqui já têm políticos com mandatos que são de outros Estados e também já teve no passado. Sinceramente, não há problema nisso. E tem mais: as pessoas reconhecem que eu amo o Estado de Sergipe e sempre nas minhas entrevistas valorizo a cidade de Aracaju e o Estado que me deram a honra de ser cidadão.

Washington Coração Valente: sonho de fazer mais por Sergipe e pelos sergipanos no gramado do Senado
QUE HISTÓRIA É ESSA DE FORSATEIRO O QUÊ!
“Acredito que a expressão forasteiro está em desuso na política sergipana, ou pelo menos deveria estar há um bom tempo. Conheço 80% dos municípios, ou seja, já visitei quase todas as regiões, tomando ciência dos problemas mais evidentes em todas elas. E tem mais: as pessoas reconhecem que amo Sergipe e sempre nas minhas entrevistas valorizo a cidade de Aracaju e o Estado que me deram a honra de ser cidadão”


JLPolítica - O senhor já se definiu a qual partido se filiará?
WCV - Ainda não. Tenho ciência que para enfrentar um pleito eleitoral é preciso buscar alianças. E é isso que tenho feito. Reconheço, contudo, que o grupo político mais forte é a “vontade do povo”. Por isso, continuamos abertos a composições com grupos que se comprometam com um projeto de verdadeira mudança.

JLPolítica - O que é para o senhor a política institucional, esta dos partidos políticos e das disputas por mandatos?
WCV - Felizmente, não entrei para a política com intenção de aumentar os cofres de casa. Graças a Deus, o futebol me deu uma condição econômica boa e o meu trabalho como empresário tem colaborado bastante nos últimos anos com minha renda mensal. Dito isto, é necessário haver uma conexão entre partido e candidato para ações da instituição e priorizar as demandas da sociedade. Hoje a tendência é o voto na pessoa, mais do que no partido.

JLPolítica - O que é que lhe restou de experiência do vereador de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul?
WCV -Em 2012 fui eleito pelo PDT o vereador mais votado em Caxias do Sul. Havia pouco mais de um ano e meio de minha aposentadoria do futebol. E ser o representante do povo foi uma experiência muito enriquecedora para minha trajetória política. Caxias é uma cidade importante de Rio Grande, apresentei projetos, discuti demandas, levei ideias e acredito que a população aprovou, tanto que nas eleições seguintes fui o primeiro suplente para deputado federal.

Washington Coração Valente: difícil chegar ao topo do futebol brasileiro, mas se sente feliz nesta atividade
DA EXPERIÊNCIA COMO DEPUTADO FEDERAL SUPLENTE
“Foi um período curto de três meses, quando assumi a vaga de Onix Lorenzoni no final de 2018. Logo que cheguei, fiz parte da Comissão do Esporte e apresentei dois Projetos de Lei. Não há como propor soluções simplistas para demandas complexas. Precisamos atuar com base em dados, em evidências. O Brasil não suporta mais achismos ou casuísmos”


JLPolítica - Como foi a sua experiência com o deputado federal suplente?
WCV - Foi um período curto de três meses, quando assumi a vaga de Onix Lorenzoni no final de 2018. Logo que cheguei, fiz parte da Comissão do Esporte e apresentei dois Projetos de Lei. O PL 11220/2018, que incluiu a violência contra o professor como causa de aumento da pena para os crimes e contravenções penais. Já o PL 112219, que prevê a regulamentação do custeio de despesas dos pacientes em rotina de tratamento fora do domicílio - TDF - no Sistema Único de Saúde - SUS. Para além disso, fui autor de requerimento de várias audiências públicas. Entendo que ouvir especialistas é essencial à construção de saídas para problemas sistêmicos. Não há como propor soluções simplistas para demandas complexas. Precisamos atuar com base em dados, em evidências. O Brasil não suporta mais achismos ou casuísmos.

JLPolítica - O senhor vê, ou identifica, muitas diferenças entre as gestões Jair Bolsonaro, Belivaldo Chagas e Edvaldo Nogueira no Brasil, em Sergipe e em Aracaju?
WCV - Tem diferença sim, claro. Cada um com sua personalidade, seu jeito particular de administrar. Todavia, acredito que, independentemente da ideologia política, quando se tem mais parcerias mais a cidade e o estado ganham e consequentemente o povo também.

JLPolítica - Que tipo de diabetes é a que acometeu o senhor, e desde quando?
WCV - Tenho diabetes tipo 1 desde quando rompi o ligamento do tornozelo e desenvolvi a doença com 21 anos de idade. Hoje o Brasil aproximadamente tem 16,8 milhões de pessoas que possuem diabetes e serei um defensor também desta causa nas esferas políticas.

Washington Coração Valente durante uma exposição dos troféus e camisas dele no Parque Shopping Aracaju
DE UMA APROVAÇÃO QUE JÁ VIRIA DO RIO GRANDE DO SUL
“Em 2012 fui eleito pelo PDT o vereador mais votado em Caxias do Sul. Havia pouco mais de um ano e meio de minha aposentadoria do futebol. E ser o representante do povo foi uma experiência muito enriquecedora para minha trajetória política. Caxias é uma cidade importante, apresentei projetos, discuti demandas, levei ideias e acredito que a população aprovou, tanto que nas eleições seguintes fui o primeiro suplente para deputado federal”


JLPolítica - Como o senhor tem enfrentado esse problema crônico?
WCV - Faço uso de medicamentos específicos para a doença e também
cuido da alimentação e pratico atividades esportivas.

JLPolítica - O senhor tem alguma militância ou contribuição em entidades que lidem para atenuar o diabetes?
WCV - Em Caxias do Sul eu fazia parte e ajudava uma associação que trabalhava em prol e na prevenção da doença. Em Sergipe ainda não colaboro com esta causa, apenas com entidades carentes.

JLPolítica - O senhor vislumbra algum tipo de jogo beneficente nestes fim e começo de ano em Sergipe?
WCV - Todo fim de ano a agenda é cheia nos municípios sergipanos. Entendo que estas partidas colaboram bastante para ajudar pessoas carentes em todo o Estado, sobretudo neste momento de crise. A gente troca o ingresso por alimentos perecíveis e doa para instituições de caridade onde o jogo beneficente foi realizado.

JLPolítica - Qual é a origem do sobrenome Stecanela do senhor?
WCV - Isso tem origem lá em Verona, na região de Veneto, norte da Itália, onde meus bisavós nasceram e vieram para o Brasil em 1890.


 

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