Zeca da Silva: “Agora é arregaçar as mangas e trabalhar. Sergipe precisa disso”

Entrevista

Jozailto Lima

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Zeca da Silva: “Agora é arregaçar as mangas e trabalhar. Sergipe precisa disso”

4 de setembro de 2021
"A Secretaria de Agricultura é muito grande e tem uma função social imensa"

“O governador Belivaldo Chagas tem um perfil muito simples e é bem direto nas ações e diretrizes do seu Governo. Ele me deu total confiança e pediu que eu conduzisse com dedicação e compromisso os trabalhos e os projetos da Secretaria. Missão é missão, compromisso é compromisso. Fui convocado pelo amigo André Moura, mas tenho uma relação muito boa com Belivaldo Chagas e agora é arregaçar as mangas e trabalhar. Sergipe precisa disso”.

Estes são o cartão de apresentação e a credencial que o ex-deputado estadual Zeca da Silva apresenta para desfilar pelas veredas do agronegócio sergipano como secretário de Estado de Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca - Seagri -, cargo no qual foi investido desde o dia 23 de agosto.

E Zeca da Silva, 50 anos feitos no último mês de agosto, ele mesmo um produtor rural e pecuarista, chega com uma franca vontade de desnudar a área, contribuir e fazer muito por ela, por acreditar que o agronegócio - mesmo o pequeno, o da subsistência - seja parte importantíssima das vidas brasileira e sergipana.

Como também “parte importantíssima” nesse contexto, admite Zeca da Silva, é a pasta que ele passou a dirigir. “É uma Secretaria muito grande, tem uma função social imensa, hoje está inserida em uma atividade que é a grande força econômica do país, e em Sergipe não é diferente do resto do Brasil. O agro realmente é uma atividade que está pujante, apesar de todas as dificuldades que estamos enfrentando neste período de pandemia”, diz ele.

Para quem nem bem atracou as malas no novo posto de trabalho, Zeca da Silva tem uma visão bem holística do todo da Seagri e dos problemas e das virtudes da agricultura e da pecuária de Sergipe.

“Para as ações da Seagri, foi previsto um orçamento de R$ 41 milhões para 2021, sendo que deste total, entre liquidado e empenhado até agosto já chega a R$ 27 milhões com perspectivas de avançarmos ainda mais até dezembro”, diz Zeca.

“Vale ressaltar que estes investimentos não contemplam as ações da Emdagro e da Cohidro. Já para o ano de 2022, a proposta orçamentária é de aplicarmos cerca de R$ 50 milhões só por meio da Seagri em ações como Garantia-Safra, acesso à terra, fortalecimento de unidades produtivas, sistemas de abastecimento, ações voltadas para a atividade pesqueira e apoio a arranjos produtivos familiares”, reforça.

Zeca da Silva, Belivaldo Chagas e a ata da posse: desde então, é só correr trecho por um Sergipe rural
Zeca da Silva nasceu no dia 15 de agosto de 1971, teve quatro mandatos eletivos, é um fazedor de amizades, mas não quer mais nada com disputas eleitorais

Zeca Ramos da Silva nasceu em Aracaju no dia 15 de agosto de 1971 e é filho de José Luciano Menezes da Silva, 78 anos, e de Maria Lúcia do Prado Menezes Silva, 75.

Ele é casado com a advogada Kelly Christine Sattler Lima Silva, com quem tem dois filhos - Maria Luisa Sattler Lima Silva, de 22 anos, e Carlos Eduardo Sattler Lima Silva, 19.

Zeca da Silva tem um curso superior de Administração de Empresas inconcluso, se elegeu vereador de Aracaju em 2000 e em 2004 - chegou a presidir a Câmara da Capital - e deputado estadual em 2006 e em 2010.

Antes de chegar à Seagri, Zeca passou pela Secretaria de Estado Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Sergipe sob o segundo Governo de Marcelo Déda cumulativamente ao período em que esteve no segundo mandato de deputado, e estava agora presidindo o Iplese - Instituto de Previdência do Legislativo do Estado de Sergipe -, que cuida dos temas previdenciários e das aposentadorias dos deputados estaduais.

“Sempre tive um trabalho mais ligado ao social, sem deixar de lado temas mais políticos. Eu acredito mesmo que a política é um instrumento para mudar a vida das pessoas. Sempre fiz com muita atenção, dedicação e respeito e construí sólidas amizades”, diz ele.

A Entrevista com Zeca da Silva traz um conteúdo que assegura uma excelente leitura.

Zeca da Silva: “Fui convocado pelo amigo André Moura, mas tenho relação muito boa com Belivaldo e agora é arregaçar as mangas”
“BELIVALDO CHAGAS ME DEU TOTAL CONFIANÇA”
“Belivaldo Chagas tem um perfil muito simples e é bem direto nas ações e diretrizes do seu Governo. Ele me deu total confiança e pediu que eu conduzisse com dedicação e compromisso os trabalhos e os projetos da Secretaria. Missão é missão, compromisso é compromisso, e agora é arregaçar as mangas e trabalhar. Sergipe precisa disso”


JLPolítica - O senhor recebeu que diretrizes do governador Belivaldo Chagas quando das tratativas para a sua vinda para a Seagri?
Zeca da Silva -
O governador Belivaldo Chagas tem um perfil muito simples e é bem direto nas ações e diretrizes do seu Governo. Ele me deu total confiança e pediu que eu conduzisse com dedicação e compromisso os trabalhos e os projetos da Secretaria. Missão é missão, compromisso é compromisso. Fui convocado pelo amigo André Moura, mas tenho uma relação muito boa com Belivaldo Chagas e agora é arregaçar as mangas e trabalhar. Sergipe precisa disso.

JLPolítica - O senhor está apenas tomando pé da situação. Mas já consegue ter uma dimensão da Secretaria, dos seus problemas e de suas possibilidades?
ZS -
Claro que sim. Pela dimensão - é uma Secretaria muito grande -, tem uma função social imensa, hoje está inserida em uma atividade que é a grande força econômica do país e em Sergipe não diferente do resto do Brasil. O agro realmente é uma atividade que está pujante, apesar de todas as dificuldades que estamos enfrentando neste período de pandemia.

JLPolítica - Seria premeditado o senhor dizer que já se sente confortável na função?
ZS -
Sim, um pouco. Diria que é muito cedo para que nós tenhamos conhecimento de toda a Secretaria e empresas vinculadas a ela. Estou apenas na primeira semana administrativa.

Zeca com o pai Luciano Menezes e a mãe Maria Lúcia Menezes, a esposa Kelly Silva, a filha Malu Silva e o filho Cadu Silva
DE COMO ZECA IDENTIFICA A SEAGRI
“Pela dimensão - é uma Secretaria muito grande -, tem uma função social imensa e hoje está inserida em uma atividade que é a grande força econômica do país, em Sergipe não é diferente do resto do Brasil. O agro realmente é uma atividade que está pujante, apesar de todas as dificuldades que estamos enfrentando neste período de pandemia”


JLPolítica - Até aqui, qual havia sido a sua relação com a pecuária, a agricultura, enfim, o agronegócio, para além dos próprios negócios?
ZS -
Creio que só com meu próprio negócio, o agropecuário. Sou produtor rural e pecuarista.

JLPolítica - Qual foi o orçamento da Seagri previsto de 2020 para 2021?
ZS -
Para as ações da Seagri, foi previsto um orçamento de R$ 41 milhões para 2021, sendo que deste total, entre liquidado e empenhado até agosto já chega a R$ 27 milhões com perspectivas de avançarmos ainda mais até dezembro. Vale ressaltar que estes investimentos não contemplam as ações da Emdagro e da Cohidro. Já para o ano de 2022, a proposta orçamentária é de aplicarmos cerca de R$ 50 milhões só por meio da Seagri em ações como Garantia-Safra, acesso à terra, fortalecimento de unidades produtivas, sistemas de abastecimento, ações voltadas para a atividade pesqueira e apoio a arranjos produtivos familiares.

JLPolítica - Isso é o suficiente para as demandas dela, ou é insuficiente?
ZS -
Como frisei, esses investimentos não contemplam as ações da Emdagro, da Cohidro e Pronese que dispõem de orçamento próprio voltado também para ações de desenvolvimento do campo sergipano. Portanto, são investimentos que atendem à demanda atual da Secretaria. Mas não impede de que, surgindo outras demandas, possamos levá-las ao governador para obter novos recursos.

O governador Belivaldo Chagas e o secretário Zeca da Silva, com a mão na mesma semente de esperança na agricultura
DAS PREVISÕES ORÇAMENTÁRIAS PARA A SEAGRI
“Para as ações da Seagri, foi previsto um orçamento de R$ 41 milhões para 2021, sendo que deste total até agosto já chega a R$ 27 milhões com perspectivas de avançarmos ainda mais até dezembro. Estes investimentos não contemplam as ações da Emdagro e da Cohidro. Já para 2022, a proposta orçamentária é de aplicarmos cerca de R$ 50 milhões só por meio da Seagri”


JLPolítica - Há uma queixa generalizada contra a assistência técnica que o Governo do Estado presta hoje aos produtores rurais. O que fazer para reverter isso?
ZS -
Primeiro, é preciso dizer que já foi feito muito pela assistência técnica. O governo investiu bastante ao longo dos anos, e a Emdagro é prova viva disso. Claro que, como todo setor, precisa de uma oxigenação e revitalização. Pode ter certeza de que esse é um tema muito importante pra mim e ao qual darei a máxima atenção.

JLPolítica - Há um lamento de que o diálogo entre a Emdagro e o Governo do Estado não é dos melhores, tendo sido inclusive encerrado um convênio que havia entre ambos. O que fazer para emendar isso?
ZS -
Pelo que sei e fui informado, cada um cumpriu com o seu papel.

JLPolítica - A Seagri pretende fazer avançar o Núcleo de Pesquisas de Defensivos Naturais, mantido ali numa triangulação com a UFS e a Emdagro, com participação da SergipTec?
ZS - 
Sim. O governador Belivaldo Chagas autorizou investimentos na Unidade de Produção de Inimigos Naturais que certamente vai trazer importante contribuição para controle de pragas nos cultivos sergipanos, a exemplo a citricultura, entre outros.

Zeca da Silva: “Pela dimensão - é uma Secretaria muito grande -, a Seagri tem uma função social imensa”
RAZÕES PRO AVANÇO DO MILHO DE SERGIPE
“Na nossa avaliação, os investimentos por parte dos produtores em tecnologias dos tratos culturais que envolvem investimentos em sementes de qualidade, melhoria nas técnicas de plantio e novos maquinários agrícolas são fatores importantes que contribuíram para o crescimento na produção e na produtividade, colocando Sergipe como protagonista na produção de cereais no Nordeste, em especial do milho”


JLPolítica - O Estado de Sergipe provavelmente não flerte ainda com a agricultura 4.0, que é a do acesso às melhores tecnologias do setor. Qual é o projeto da Seagri sob seu comando para melhorar isso?
ZS -
É o da busca para que nós conquistemos um espaço nessas novas tecnologias. Através de investimentos públicos e parceria com setores privados é que buscaremos essas novas tecnologias. Não é tão fácil como se pensa, pois requer muito investimento em tecnologia e capacitação técnica.

JLPolítica - Quais foram os fatores ligados ao milho que fizeram o Estado de Sergipe avançar para o quarto lugar na produção desse cereal no Nordeste?
ZS -
Na nossa avaliação, os investimentos por parte dos produtores em tecnologias dos tratos culturais que envolvem investimentos em sementes de qualidade, melhoria nas técnicas de plantio e novos maquinários agrícolas são fatores importantes que contribuíram para o crescimento na produção e na produtividade, colocando Sergipe como protagonista na produção de cereais no Nordeste, em especial do milho. Além disso, os preços atrativos no mercado nacional e internacional e os incentivos fiscais do Governo de Sergipe que desde 2019 reduziu a alíquota do ICMS de 12% para 2% são também fatores significativos.

JLPolítica - Sergipe mais ganha ou mais perde com a monocultura do milho?
ZS -
Dentro de nossa avaliação, Sergipe ganha muito com a cultura do milho, tanto quanto ganham os agricultores que encontram nessa promissora cultura uma renda importante, já que o mercado do milho está aquecido. Ou seja, é uma das commodities de alto consumo, inclusive como insumo para o setor pecuário. Neste aspecto, ganha também o pecuarista local, que pode comprá-lo no próprio Estado.

Zeca Silva, com a esposa e os dois filhos: demarcando bem seu núcleo familiar
AVANÇO DO MILHO NÃO ACABARÁ COM A CAATINGA?
“Não acredito que a cultura do milho esteja oferecendo ameaça ao bioma caatinga. Não houve aumento de área plantada. Pelo contrário, a área colhida de milho hoje é menor que em 2010. O que houve foi aumento de produtividade - quilos por hectare - nos últimos 10 anos. Além disso, temos verificado novas áreas de milho em substituição à pastagem ou em áreas da citricultura”


JLPolítica - O Governo de Sergipe não teme que com a evolução do milho extermine-se de vez o bioma da caatinga no Estado?
ZS -
Não acredito que a cultura do milho esteja oferecendo ameaça ao bioma caatinga. Pelos dados do IBGE, não houve aumento de área plantada. Pelo contrário, a área colhida de milho hoje é menor que em 2010, ou seja, o que houve foi aumento de produtividade - quilos por hectare - nos últimos 10 anos. Além disso, temos verificado novas áreas de milho em substituição à pastagem ou em áreas de plantio da citricultura.

JLPolítica - Há alguma intenção do Estado de investir mais na indústria de beneficiamento dele, para agregar mais valor à produção sergipana e evitar que a maior parte dela vaze daqui apenas em forma de grãos?
ZS -
O Governo de Sergipe já dispões de um Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial - PSDI - que vem permitindo incentivos fiscais através de redução no ICMS. Dentro dessa linha de agroindústria, tivemos recentemente o anúncio de incentivos do Governo de Sergipe na instalação de um moinho de trigo a ser construído no município de São Cristóvão pelo Grupo Maratá.

JLPolítica - Como está a montagem dessa empresa?
ZS -
A previsão é de que as novas instalações entrem em operação em maio de 2022. Outros exemplos são os grandes laticínios sergipanos que recebem o mesmo incentivo. O que precisamos fazer é continuar sensibilizando o setor privado a investir nas potencialidades que dispomos no tocante a outras cadeias produtivas.

Os Menezes da Silva reunidos num quase Dia de Ação de Graças: de tantos, não caberiam numa Arca de Noé
NOSSA CITRICULTURA, AH A NOSSA CITRICULTURA
“Considerando que Sergipe é o menor Estado da federação em área, ainda ocupa uma posição importante, como 5º lugar na produção nacional de laranja, atrás apenas de São Paulo, Minas, Paraná e Bahia, não acredito que volte a alcançar patamares de produção de 10 anos atrás, por vários fatores. Entre eles, pela necessidade de diversificação de cultura”


JLPolítica - Mas até que ponto a troca da cultura da laranja pela do milho beneficiou o sul e o centro-sul de Sergipe?
ZS -
É provável que o retorno financeiro mais rápido da cultura do milho esteja atraindo os agricultores. Do ponto de vista da orientação técnica, é recomendado que haja uma diversificação de culturas. Plantar sempre e sucessivamente uma cultura pode desenvolver pragas e doenças de forma mais intensa. A diversificação traz maior equilíbrio sanitário e ambiental.

JLPolítica - Mas o senhor acha que a crise da citricultura sergipana é irreversível, ou ela pode ser recuperada e reocupar o seu bom lugar na esfera da citricultura brasileira?
ZS -
Considerando que Sergipe é o menor Estado da federação em área, ainda ocupa uma posição importante, como 5º lugar na produção nacional de laranja, atrás apenas dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Bahia, mas não acredito que Sergipe volte a alcançar patamares de produção de 10 anos atrás por vários fatores. Entre eles, pela necessidade de diversificação de cultura, por termos como característica pequenas áreas produtivas, basicamente produtores familiares com pouco investimento em tecnologia. Mas acredito que possamos manter Sergipe entre os maiores Estados produtores nacionais. Nossos produtores têm expertise e o governo está ajudando na revitalização dos pomares. Estamos investindo R$ 150 mil agora em 2021 na recuperação de viveiros telados para produção de borbulhas para citricultura no município de Boquim para atender os produtores dos 12 municípios da região citrícola.

JLPolítica - Há uma máxima de que a produção agrícola e pastoril sergipana é boa, mas o escoamento dela é ruim. Isso exige uma preocupação maior de Estado com estradas?
ZS -
Nossa produção é boa e com a grande vantagem de ser um Estado pequeno, o que facilita o escoamento da produção do campo para a cidade. Para ajudar ainda mais, nosso governo está fazendo reestruturação da malha viária estadual com o programa Pró-Rodovias, um dos eixos do programa Avança Sergipe, que tem como finalidade recuperar a economia sergipana reestruturando 441,5 km de estradas.

Milho faz de Sergipe o quarto produtor desse cereal no Nordeste e, segundo o olhar de Zeca Silva, não ameaça o bioma caatinga
DE COMO INVESTE-SE NO TRIPÉ DA PECUÁRIA
“O Governo vem justamente focando ações nesse tripé, que é a base sobretudo da pecuária leiteira. Muito já foi e está sendo investido em melhoramento genético do rebanho, incentivos para o plantio de milho, palma e outras forrageiras como gliricídia e leocena. Também acreditamos que o caminho é investindo em projetos estruturantes como de armazenamento de água”


JLPolítica - A propósito disso, a Seagri pretende tem um mapeamento melhor das estradas vicinais do Estado?
ZS -
Sim. É propósito nosso dialogar com a Sedurbs e também com as prefeituras sobre a questão das estadas vicinais do Estado, também importantes para escoamento da produção.

JLPolítica - Na esfera da pecuária, o que é possível fazer pelo tripé que envolve e exige mais genética, alimento e água?
ZS -
O Governo de Sergipe vem justamente focando ações nesse tripé, que é a base sobretudo da pecuária leiteira. Muito já foi e está sendo investido em melhoramento genético do rebanho, incentivos para o plantio de milho, palma e outras forrageiras como gliricídia e leocena. Também acreditamos que o caminho é investindo em projetos estruturantes como estes de armazenamento de água. Para se ter ideia, de janeiro a julho deste ano a Cohidro investiu R$ 736 mil em perfuração, limpeza, bombeamento, instalação, recuperação e manutenção de poços coletivos que são para múltiplos usos, que incluem a dessedentação animal, atendendo uma população de quase 22 mil pessoas da zona rural. Fora isso, a Cohidro atualmente está executando obras para implantar outros 22 novos sistemas simplificados de abastecimento de água via programas Água para Todos e Dom Távora, envolvendo a aplicação de R$ 2,65 milhões em recursos do Estado, União e Fida. A empresa está licitando outros R$ 5,24 milhões para recuperação da barragem Barra da Onça, em Poço Redondo, e a construção ou reativação de 51 sistemas de abastecimento via recursos da Caixa Econômica Federal, emendas parlamentares estaduais e federais.

JLPolítica - Com a soja, base alta da alimentação de animais, em preço alto, o Estado tem como pensar em produção mais localizada de alimentos, leguminosas e forrageiras para a nutrição animal?
ZS -
Relativo à soja, por ser uma commodity, dificilmente podemos interferir nos preços e substituí-la totalmente. Pode-se reduzir os custos com alternativas alimentares com o plantio de forrageiras arbóreas, tais como gliricídia, leucena e produção de mandioca com tecnologia que visa a alimentação animal com a parte aérea - esta, para a região Centro Sul e região Agreste do Estado em função do clima.

“Pelos dados do IBGE 2019, nossa produção de camarão em viveiro escavado é de 3.232 toneladas/ano”, afirma Zeca Silva
ATENÇÃO A BARRAGENS FEITAS HÁ 30 ANOS
“Por meio do Programa Águas de Sergipe, cofinanciado pelo Banco Mundial e em execução até 2020, o Governo de Sergipe fez um grande investimento de R$ 6,3 milhões nas ações que priorizam a recuperação, conservação, diagnóstico e monitoramento da segurança hídrica e operacional nas três barragens da Cohidro em Itabaiana e Malhador”


JLPolítica - Há muitos anos o Governo de Sergipe não constrói grandes barragens. Mas quanto à manutenção delas, como vai?
ZS -
Por meio do Programa Águas de Sergipe, cofinanciado pelo Banco Mundial e em execução até 2020, o Governo de Sergipe fez um grande investimento de R$ 6,3 milhões nas ações que priorizam a recuperação, conservação, diagnóstico e monitoramento da segurança hídrica e operacional nas três barragens da Cohidro em Itabaiana e Malhador. Revitalizando os reservatórios que mantêm três de seus perímetros públicos, onde 8.255 pessoas tiram seu sustento com a agricultura familiar irrigada. Houve a contratação de quatro especialistas para integrar o Painel de Segurança de Barragens. São profissionais que orientam como seriam feitas as ações que, em sua maioria, não era feita desde que as barragens entraram em operação, há mais de 30 anos. Tais como a total recuperação da estrutura física e a limpeza e reforma das galerias subterrâneas, a elaboração dos projetos para instalação da instrumentação, da descarga de fundo e do stop log, os estudos hidrológicos, a batimetria e o georreferenciamento.

JLPolítica - Sergipe tem problema de certificação de rebanhos e de alimentos de origem animal, como produtos lacteos?
ZS -
A certificação passa por um processo de adesão voluntária e todos os estabelecimentos que buscaram estão certificados e com assistência peculiar aos produtos produzidos. Os que não buscaram a certificação devem procurar a Emdagro para receber orientações e seguir o processo para agregar valor ao seu produto.

JLPolítica - A Alese aprovou recentemente uma lei nessa esfera, mas para prefixar o que?
ZS -
A Lei que institui o Serviço de Inspeção Agroindustrial, Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal no Estado de Sergipe, aprovada, sim, recentemente atualiza o Regulamento de Inspeção Estadual de produtos de origem animal, que é do ano de 1991 e está ultrapassado, de acordo com o marco legal do Ministério da Agricultura, como também permite que Sergipe faça a sua adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal - SISBI-POA -, possibilitando que os produtos de origem local possam ser comercializados em âmbito nacional.

Zeca, ao lado de Albano Franco e de André Moura: “Sempre fiz (política) com muita atenção, dedicação e respeito e construí sólidas amizades”
NÃO SE ABATE MAIS NA BAHIA BOI SERGIPANO
“Hoje a realidade é diferente, pois temos três frigoríficos em Sergipe que atendem totalmente à demanda do nosso Estado e todos esses estabelecimentos possuem a Inspeção Estadual SIE, gerando emprego e renda para o Estado e o nosso rebanho sendo abatido no próprio Estado”


JLPolítica - Por que dos dois maiores frigoríficos de Sergipe - um em Propriá e outro em Itabaiana -, apenas um tem o SIF - Selo de Inspeção Federal?
ZS -
No momento, todos os frigoríficos do Estado têm apenas Inspeção Estadual. A solicitação do Serviço de Inspeção é uma ação voluntária, o estabelecimento é quem solicita o Serviço, quer seja no âmbito Nacional SIF, Estadual SIE ou Municipal SIM. Esta adesão ao serviço está ligada diretamente com o mercado consumidor que o frigorifico vai atender - se Federal, Estadual ou Municipal.

JLPolítica - Levar bovinos de Sergipe para abater em Riachão do Jacuípe, na Bahia, depois de Feira de Santana, não é um prejuízo à economia sergipana?
ZS -
Isso já foi. Hoje a realidade é diferente, pois temos três frigoríficos em Sergipe que atendem totalmente à demanda do nosso Estado e todos esses estabelecimentos possuem a Inspeção Estadual SIE, gerando emprego e renda para o Estado e o nosso rebanho sendo abatido no próprio Estado.

JLPolítica - O que está faltando para que o Estado de Sergipe chegue a 100% da certificação no controle da febre aftosa do seu rebanho bovino sem as campanhas de vacinação anuais?
ZS -
Para o processo de transição de zona livre de febre aftosa com vacinação para livre sem vacinação, os Estados foram organizados em blocos, considerando critérios técnicos, geográficos, comerciais e de produção.

Zeca: “O agro é uma atividade que está pujante, apesar de todas as dificuldades enfrentadas nesta pandemia”
PELA ZONA LIVRE DE FEBRE AFTOSA
“Para o processo de transição de zona livre de febre aftosa com vacinação para livre sem vacinação, os Estados foram organizados em blocos, considerando critérios técnicos, geográficos, comerciais e de produção. Sergipe faz parte do conjunto de Estados que compõem o Bloco IV - Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins”


JLPolítica - Onde se insere Sergipe aí?
ZS -
Sergipe faz parte do conjunto de Estados que compõem o Bloco IV - Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins -, previsto no Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para Febre Aftosa do Ministério da Agricultura, no qual estão definidas 44 ações a serem desenvolvidas nos âmbitos estadual e nacional, com o envolvimento do Serviço Veterinário Oficial - SVO -, setor privado, produtores rurais e agentes políticos com o prazo máximo até o ano de 2026.

JLPolítica - O senhor teria uma explicação plausível para que o rebanho de bovinos de Sergipe nunca passe de 1,1 a 1,2 milhão de cabeças?
ZS -
Levando em consideração a dimensão territorial e as aptidões regionais do Estado relativo à agricultura, a exemplo do parque citrícola concentrado na região sul - cana de açúcar, milho, arroz entre outras -, fez com que o rebanho bovino se mantenha estável com pequenas flutuações no número de animais.

JLPolítica - Quando é que uma tecnologia mais avançada vai contemplar os pequenos laticínios do sertão, tornar seus produtos mais competitivos e suas atividades melhor remuneradas?
ZS -
Essa ação capitaneada pelo governador, de Adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal – SISBI -, abrirá um mercado que ainda não era explorado pelos nossos laticínios, tendo em vista que a partir da adesão os produtos poderão ser vendidos em todo o país e não só no Estado de Sergipe, possibilitando um mercado local maior para os pequenos laticínios fazendo com que eles absorvam as novas tecnologias apresentadas pela Emdagro.

Zeca da Silva, sincero ou sincericida?: “Não acredito que (a citricultura) volte a alcançar patamares de produção de 10 anos atrás por vários fatores”
A CARCINICULTURA DE UM CAMARÃO SOCIAL
“Temos demanda forte e boas condições de produção do camarão. Tanto é que a carcinicultura tornou-se bastante forte em vários municípios. Nossa produção em viveiro escavado é de 3.232 toneladas/ano e cerca de 95% são pequenos e micro produtores criadores que têm apenas um ou dois viveiros. São caracterizados ambientalmente como pequenos produtores os que possuem terreno abaixo de 10 hectares”


JLPolítica - A carcinicultura sergipana tem que apelo de mercado hoje em dia?
ZS -
Há um apelo de mercado. Ou seja, temos uma demanda forte e boas condições de produção do camarão. Tanto é que a carcinicultura tornou-se ação bastante forte em vários municípios. Pelos dados do IBGE 2019, a nossa produção de camarão em viveiro escavado é de 3.232 toneladas/ano.

JLPolítica - Onde se concentra essa produção hoje?
ZS -
Os municípios maiores produtores são Nossa Senhora do Socorro - 1.120 toneladas/ano -, Brejo Grande, com 832, São Cristóvão, 446, Santos Amaro, 197 e Indiaroba, com 165 toneladas/ano, seguidos de mais 12 outros municípios.

JLPolítica - Então é uma produção quase que familiar...
ZS -
Sim. Em nosso Estado, cerca de 95% são pequenos e micro produtores, que são aqueles criadores que têm apenas um ou dois viveiros. São caracterizados ambientalmente como pequenos produtores os que possuem terreno abaixo de 10 hectares. Isso se torna bastante relevante, porque envolve uma família inteira, pois é com a mão de obra familiar que eles garantem o sustento.

Pose de dia de posse: com sobrinho Luciano, sogro João Lima, pai Luciano, filho Cadu, esposa Kelly e Rodrigo, outro sobrinho
DA BOA HERANÇA DA EXPERIÊNCIA LEGISLATIVA
“Foi uma passagem enriquecedora. Me engrandeceram muito. Tive a oportunidade de conhecer ainda mais de perto os problemas das sociedades aracajuana e sergipana, das mais diversas classes. Sempre tive um trabalho mais ligado ao social. Acredito mesmo que a política é um instrumento para mudar a vida das pessoas. Sempre fiz com muita atenção, dedicação e respeito”


JLPolítica - O senhor não pretende atuar mais junto ao Governo Federal para regular melhor a indústria pesqueira em Sergipe, que parece meio solta, sem controle dos quantitativos pescados?
ZS -
Claro que sim. Isso aí, inclusive, tratamos essa semana com o coordenador da Câmara Empresarial de Pescados da Fecomércio, Humberto Eng. Discutimos ainda sobre o Terminal Pesqueiro, para ver se damos uma situação definitiva sobre aquela obra e todo o levantamento de dados será discutido com os setores ligados para obter informações mais precisas das ações.

JLPolítica - O senhor desistiu das disputas eleitorais?
ZS -
Desisti totalmente. Chance zero de novas disputas.

JLPolítica - O que os mandatos de vereador de Aracaju e de deputado estadual lhe renderam de experiência para a vida?
ZS -
Foram muito produtivos. Foi uma passagem enriquecedora, tanto no legislativo estadual quanto no municipal. Me engrandeceram muito. Tive a oportunidade de conhecer ainda mais de perto os problemas das sociedades aracajuana e sergipana, das mais diversas classes. Sempre tive um trabalho mais ligado ao social, sem deixar de lado temas mais políticos. Eu acredito mesmo que a política é um instrumento para mudar a vida das pessoas. Sempre fiz com muita atenção, dedicação e respeito e construí sólidas amizades.

Zeca da Silva e Kelly Silva: há 25 anos pavimentam uma mesma estrada em conjunto
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