OPINIÃO
Por | 01 de Jan de 2018, 09h59
As pesquisas eleitorais resistirão frente à nova realidade digital?
*Cicero Mendes
Compartilhar

Cícero Mendes: \"Há uma dificuldade crescente dos institutos em fazer pesquisas de intenção de voto com alto grau de precisão\"

Os números da internet são impressionantes. Cerca de 2,5 bilhões de novos dados são gerados diariamente através da Web. Em um minuto, as pessoas enviam 204 milhões de e-mails, realizam 3.300.000 publicações no Facebook, trocam mais de 29 milhões de mensagens no WhatsApp e assistem a 4 milhões de vídeos no YouTube. Em um mês, são transferidos cerca de 30 exabytes de informações na internet, de acordo com o Discovery Institute. E esses números certamente aumentam a cada dia.

Hoje, já são mais de 3,4 bilhões de pessoas conectadas. No Brasil, já são mais de 100 milhões, segundo o IBGE. O volume de dados criado nos últimos dois anos é maior do que a quantidade produzida em toda a história da humanidade. Só no Google, 3,5 bilhões de buscas são feitas por dia.

Mas qual o impacto disso nas campanhas eleitorais? Enorme! E entre as mudanças que já podemos perceber está no desempenho das tradicionais pesquisas no pleito eleitoral. Não é arriscado afirmar que devido a essa realidade da Web, as atuais pesquisas de opinião pública estão cada vez mais obsoletas. 

As Mídias Sociais tornaram o diálogo com o leitor mais próximo, fazendo dele um interlocutor ativo. Com elas, o leitor passou a emitir sua opinião para além de seu círculo, tornando-se, inclusive, um leitor influente. As Redes Sociais servem como um termômetro atualizado a cada segundo do que pensa a opinião pública, bem mais eficaz do que uma simples prancheta. 

Há uma dificuldade crescente dos institutos em fazer pesquisas de intenção de voto com alto grau de precisão. Esse certamente é um dos fatores que explicam o fato de tantas pesquisas divergirem do resultado das urnas, mesmo quando feitas às vésperas das eleições. 

Uma informação espalhada pela Web no dia da eleição pode mudar seu resultado. E isso não é uma conspiração, mas um fato. São milhares de informações as quais os eleitores estão expostos, e tudo isso pode influenciar direto no desempenho dos candidatos. 
Estimativas conservadoras mostram que o eleitor recebe na última semana antes de votar 150 vezes mais informações relevantes do que recebia dez anos atrás.

As Mídias Sociais mudaram de vez as eleições. E agora tornaram-se um enorme concorrente dos institutos de pesquisa. Lógico que as pesquisas tradicionais continuarão sendo utilizadas como ferramentas importantes de análise do eleitor e definições de rumo das campanhas, mas a credibilidade delas está cada vez mais abalada pela dificuldade de acompanhar a rapidez impactada nos eleitores pelas Mídias Sociais. Essa é a nova realidade.

*Jornalista e publicitário