Opinião
Por | 10 de Set de 2020, 18h59
Quedar é verbo que Luciano Barreto nunca aprendeu a conjugar
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Marco Queiroz: “Vida ainda mais longa ao nosso ilustre aniversariante. Afinal são 80 anos de uma afirmativa e produtiva sergipanidade\"

[*] Marco Queiroz

Nesta quinta-feira, 10 de setembro, completa mais uma primavera - e não é qualquer primavera, é simplesmente a 80ª -, um ilustríssimo sergipano. Trata-se do meu amigo, o empresário Luciano Franco Barreto.

E levemos em conta que 80 anos é data definitivamente emblemática, dessas que um dia a maioria de nós sempre almejou estar nela rodeado de filhos, de netos, de bisnetos e, em alguns casos raros de exemplo, rodeado de dedicação e de trabalhando. E esse é o caso do amigo Luciano, sempre grande e generoso em tudo que pensa e faz

E digo trabalhando, pois lembro bem do dia do aniversário do Dr. Luciano - é como sempre o chamei -, do ano passado, nos seus 79 anos, em que eu, saindo lá pelas 11h da manhã de uma reunião na Sedetec, resolvi ligar para desejar-lhe que fizesse um dia diferente, pois aquele não era um dia qualquer. Era o seu dia. Mas o amigo, de bate-pronto, me respondeu, assim: “Obrigado, Queiroz, mas eu tô mesmo é trabalhando, pô”. Esse são o amigo Luciano em sua essência.

Devo dizer, no entanto, que essa rotina do nobre Luciano Barreto não é estranha a nenhum dos que o conheceram desde a juventude. Desde aqueles tempos, nos idos de 1968, quando quis o então engenheiro civil fazer voo solo em sua carreira profissional, e criou uma Construtora e deu-lhe que deu o nome de Celi, numa homenagem sincera à amada de toda uma vida, dona Maria Celi, com quem casou, teve três filhos fortes, geraram netos e bisneto que hoje lhe alegram a vida.

Do ano de 1968 até este 2020 o nosso aniversariante de hoje apurou muito o faro para a vida, para a amizade e sobretudo para os negócios. É uma águia, mas quem alçou voou alto mesmo foi a sua Construtora Celi, tornando-se uma das grandes do Nordeste. A organização concebida por ele atravessaria incólume diversos planos econômicos e crises do setor. Nunca desbotou. Ao contrário: se fez sólida e qualitativa, como diz seu slogan.

Com firmeza de princípios e boa análise de cenário, estudioso e com vigor para o trabalho que sempre aumenta nele todos os dias, foi rápida em Luciano Barreto a projeção a líder empresarial. E, com o vigor dos líderes, ele enfrentou batalhas e levantou bandeiras. Nobres bandeiras. Tornou-se ouvido.

Como ninguém na história de Sergipe, Luciano pautou debates em favor de sua classe. E convém lembrar que ganhou a maioria dos embates. Mas, mesmo quando os ventos não lhe apresentavam favoráveis nas acaloradas contendas corporativas, nunca quedou-se inerte, porque quedar-se não é de Luciano. Quedar é verbo que ele nunca aprendeu a conjugar.

Exemplo disso é que numa dessas pelejas corporativas, uma divisão no então sindicato patronal que presidia nos idos de 2007, Luciano, percebendo que a unidade estava ameaçada, preferiu sair da Presidência, mas num movimento ainda mais impressionante criou ele próprio a Aseopp - Associação dos Empresários de Obras Públicas e Privadas -, instituição de classe que dali em diante também representaria com sucesso os interesses da categoria e na qual foi seguido por um contingente respeitoso e respeitável de amigos da área.

Através da Aseopp seu talento associativo reverberou, trouxe para Sergipe grandes seminários sempre em prol da construção civil, em especial das pequenas e médias empresas, e com eles palestrantes de renome, sempre com o escopo de defender o setor. Inegavelmente, a Aseopp hoje é uma referência na proposição de novidades e debates para a melhoria do segmento d a construção civil em Sergipe. Não só da construção civil. Da vida de Sergipe.

Mas como sabemos que nem tudo são flores na trajetória terrena, esse homem de sucesso, amigo leal, capaz de ir às lágrimas com os infortúnios de alguém querido, foi testado em sua fé mais de uma vez e por um momento viu-se cercado da dor que assola todos nós seres humanos, mais dia menos dia: a da perda de um seu ente muitíssimo querido, o Luciano Júnior.

Mas como com Luciano Barreto tudo é diferente, a sua perda e a sua dor ele as transformou em amor. A célebre frase pronunciada pelo saudoso ex-governador Marcelo Déda em um evento alusivo à formatura de jovens carentes, tem endereço físico, nome e sobrenome real: o Instituto Luciano Barreto Júnior converteu-se num instrumento maior de amor ao Estado que lhe viu nascer.

Sei desnecessário lembrar disso aqui e agora, mas ressalto que Luciano Barreto e sua família tocam o ILBJ com recursos próprios, sem aceitar qualquer ajuda externa ou encontro de contas fiscais. Em todo o seu histórico, as homenagens são sempre muito comuns a Luciano. Ele já recebeu muitas. São incontáveis.

As amizades Brasil afora e dentro de Sergipe são identicamente inúmeras, e várias delas estão registradas nas fotos dos corredores da sede de sua querida Construtora Celi, no prédio agradável em frente ao Rio Sergipe, onde se sente o cheiro do salitre acalmar a respiração de quem por ali passa e vê as águas calmas do Rio Sergipe.

É na Celi que o aniversariante faz questão de dar expediente todos os dias há 54 anos. De lá, comanda negócios bem-sucedidos que já vão bem além da construção civil. De lá, ele nutre e irriga amizades como poucos. É alguém de alma boa.

Pelo que conquistou e é, esse nosso amigo Luciano Barreto poderia muito bem dar expediente no espaço mais caro de Sergipe, ou ainda alternar seus expedientes entre seu Estado e um escritório na Faria Lima, em São Paulo. Mas não: ele escolheu aqui ficar e daqui transbordar seu talento empreendedor e a explorar oportunidades empresariais.

O vigor com que Luciano Barreto chega aos 80 anos pode ser expressado numa última passagem da qual agora me recordo. Penso que foi no último dia 1º de setembro, se não me falha a memória, em conversa telefônica, quando eu lhe comentara sobre a tarefa difícil que temos, nós brasileiros, de nos reerguermos ante a queda do PIB nacional no segundo trimestre por causa da pandemia.

Nosso PIB caíra -9,70% no segundo trimestre. Ao que ele me respondeu, também de bate-pronto: “Olha, Queiroz, vamos melhorar. Você já viu o resultado da Bolsa de Valores hoje?”. Este sergipano é assim: atento ao seu derredor, sempre pronto a enfrentar, e com grande conhecimento de causa, todas as batalhas que se apresentam diariamente.

Por isso, todas as homenagens lhe são de fato merecidas. Parabéns ao amigo Luciano e v ida ainda mais longa ao nosso ilustre aniversariante. Afinal são 80 anos de uma afirmativa e produtiva sergipanidade.  

[*] Secretário de Estado da Fazenda de Sergipe. Bancário de carreira da Caixa Econômica Federal, foi superintendente dela no Estado de Sergipe até recentemente.

 

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