OPINIÃO
Por [*] Antonio Samarone | 03 de Set de 2017, 12h01
Sergipe e a complexa lógica política de 2018
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Antônio Samarone: \"O jogo em Sergipe começou antes da definição do regulamento do campeonato\"

Quem vai suceder ao sofrível governo de Jackson Barreto? As composições políticas em Sergipe estão aceleradas.

A candidatura do governador ao Senado apressou o passo da campanha. A caravana de Lula inaugurou os comícios.

Valadares inventou o “pensar Sergipe”. André Moura circula com verbas federais para os aliados. Doutor Emerson, da Rede, está preparando uma surpresa.

Pensam todos: se Jackson, no governo, já está em campanha, já saiu na frente; o jeito é a oposição sair atrás.

O governador, político tarimbado, anda em zigue-zague, ora com Lula, ora com André Moura. Qual o critério? Onde a sua eleição seja mais fácil.

Claro, esse apressamento pode trazer problemas. Como a conjuntura nacional ainda é nebulosa, imprevisível, tudo pode acontecer; muita gente pode ter que voltar atrás e ser obrigado a marchar com quem não estava nos planos.

Adversários podem ser correligionários no próximo ano, e vice-versa. Portanto, é bom amansar a língua.

Vamos a um dos cenários. Com o provável impedimento judicial da candidatura de Lula, mesmo assim, ele continuará sendo a maior liderança política do país. Talvez preso, se fortaleça.

Lula pode se tornar vítima, mesmo as pessoas acreditando que ele participou do banquete da corrupção. A lógica é outra: por que só ele foi impedido de ser candidato?

Em qualquer circunstância, o PT não deixará de ter um nome a presidente da República. Lula indicará esse nome. Para quem já elegeu Dilma, nada é impossível.

Neste cenário, o PT vai procurar compor com os partidos próximos ideologicamente. Uma chapa nacional PT/PSB torna-se provável e seria bom para os dois partidos.

Nesse caso, o PT e o PSB em Sergipe marchariam separados? Valadares já percebeu. Essa semana andou falando que não vai fustigar Lula, que num segundo turno ele marchará com os vermelhos.

E como ficam os petistas candidatos, cada um cuidando do seu negócio? Muitos com parte da campanha à reeleição montada na força da máquina governamental, vão ter que recuar?

Por isso, afirmações do tipo “em Valadares em não voto” podem ser desmentidas. O jogo está aberto.

Vários cenários, várias conjecturas podem ser montadas e desmontadas para a sucessão em Sergipe, com maior ou menor probabilidade. Contudo, nenhuma análise pode deixar de considerar os interesses nacionais.

Pensar as alianças em Sergipe na exclusiva lógica paroquial, pelo menos para os grupos que disputarão com chances a Presidência da República, poderá conduzir a um erro fatal na avaliação política.

O jogo em Sergipe começou antes da definição do regulamento do campeonato.

[*] É médico, professor da
UFS e um dia foi político
e, pelo PT, foi vereador
de Aracaju.