Denúncia
Por | 11 de Out de 2020, 17h19
Suposta ameaça ao filho de Nêgo da Farmácia expõe o sistema político sergipano
Júnior de Nêgo da Farmácia afirma sofrer intimidações em razão da atuação parlamentar
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Junior de Joaldo: que a tragédia não se repita na política sergipana

Sergipe viveu um episódio triste em 2003. Após extensa investigação, a polícia concluiu que a ordem para assassinar o então deputado estadual Joaldo Barbosa, o Nêgo da Farmácia, teria partido do suplente dele, o ex-prefeito de Itaporanga d’Ajuda Antônio Francisco Garcez, numa trama urdida por Marcos Nunes, o “Marcos Muganga”, considerado pela Justiça como “pessoa altamente perigosa”, atendendo ordens do seu filho, Antônio Francisco Sobral Garcez Júnior.

O Ministério Público denunciou nove pessoas envolvidas no crime. Além do ex-prefeito, do filho dele e de Marcos Muganga, foram indiciados o empresário Rosemberg Marques - assassinado em 2017 supostamente por ciúme -, o assessor parlamentar José Eduardo Andrade, funcionário da Assembleia Legislativa, o assassino confesso Dorgival Luciano dos Santos - executado em 2016 com vários tiros na porta de casa -, o empresário Floro Calheiros - morto numa operação policial em 2011 - e os policiais Michael Ernandes, Emílio Nascimento e Antônio Braz.

O crime chocou profundamente  Sergipe pela crueza e frieza dos assassinos e, também, pelo motivo torpe: obter o mandato de deputado estadual.

Na semana passada, Joaldo Vieira Barbosa Júnior, conhecido como Júnior de Nêgo da Farmácia, vereador no município de Boquim, filho de Joaldo Barbosa, afirmou sofrer ameaças e intimidações em razão da sua atuação parlamentar. 

Segundo ele narrou à imprensa, no dia 6 de outubro fazia visitas pela cidade de Boquim quando percebeu que um carro e algumas motos o estavam seguindo. 

"Não é normal a gente vê carros e motos seguindo a gente no período eleitoral", disse o vereador.

Júnior de Nêgo da Farmácia narrou também que, quando retornava para casa por volta das 21h, um gol preto com película fumê muito escura e adesivo da polícia no para-brisa, fechou a rua enquanto motos e pessoas, inclusive funcionários do município, teriam chegado para intimidá-lo.

Júnior narra ainda que um servidor da prefeitura gritou na porta da casa dele, fazendo ameaças. O vereador publicou no seu Instagram vídeos com imagens do carro citado e de pessoas na rua.

Essas denúncias são bastante sérias, especialmente por envolver alguém cujo trauma familiar traz lembranças dolorosas. 

"Não estamos com medo, levantamos a nossa cabeça e vamos lutar. Só peço a atenção da Secretaria de Segurança Pública, porque por muito menos do que isso, por muito menos do que ameaças, por muito menos que perseguições, nós vimos um deputado estadual, pela ambição de outras pessoas que queriam o poder a todo custo, ser assassinado. Quem pode nos garantir o que vai ou não acontecer numa campanha fora do normal?", questionou Júnior de Nêgo da Farmácia. 

A suposta ameaça ao parlamentar de Boquim expõe uma mazela indesejável do sistema político sergipano. Mas é preciso lembrar que desde o assassinato do pai dele não há registro de crimes políticos em Sergipe - e é preciso que não volte a tê-lo.

Contudo, é preciso verificar a veracidade da denúncia de Júnior. Em situação de clima político com temperatura elevada, nem sempre os ânimos mais acirrados podem ser controlados. A prevenção ajuda a evitar remédios amargos, um antigo ensinamento ainda muito válido em casos assim.