
Temas como política, esporte e entretenimento são vedados nesses sites
A partir do início de maio, apostas sobre temas como esportes, política e entretenimento passam a ser proibidas em plataformas de mercado de previsões no Brasil. A medida, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional – CMN -, busca fechar uma brecha regulatória e definir regras mais claras para esse tipo de atividade.
Na prática, só continuarão permitidos contratos ligados a temas econômicos e financeiros, como inflação, juros ou preço de commodities, que são os bens primários com cotação internacional.
As novas regras constam da Resolução do CMN 5.298, aprovada na noite de quinta-feira, 23, pelo órgão, mas divulgada somente nesta sexta-feira, 24.
O QUE É O MERCADO PREDITIVO? - O mercado preditivo funciona como uma espécie de “bolsa de apostas” sobre eventos futuros. Nele, as pessoas compram e vendem contratos baseados em perguntas simples como “Vai acontecer ou não?”
Se o evento acontecer, quem apostou ganha dinheiro. Se não acontecer, perde.
A diferença em relação às apostas tradicionais é que:
- Nas bets, a empresa define as regras e paga os prêmios;
- Nos mercados preditivos, os próprios usuários negociam entre si.
- Esses contratos são tratados como derivativos, tipo de investimento que depende do valor futuro de algo.
O QUE PASSA A SER PROIBIDO? - Com a nova regra, ficam proibidos no Brasil contratos ligados a:
- Resultados de jogos esportivos
- Eleições e temas políticos
- Reality shows e entretenimento
- Eventos sociais ou culturais
Na prática, boa parte do que fazia sucesso nessas plataformas deixa de ser permitido. A proibição vale inclusive para plataformas estrangeiras que ofereçam esses produtos a brasileiros.
O QUE CONTINUA LIBERADO? - Ainda será possível negociar contratos ligados a variáveis econômicas, como:
- Taxa de juros;
- Inflação;
- Câmbio;
- Preço de petróleo ou outras commodities.
Esses casos continuam sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários – CVM -, que regula o mercado financeiro.
POR QUE O GOVERNO TOMOU ESSA DECISÃO? - O principal motivo é que o governo passou a entender que apostas sobre eventos não-financeiros funcionam, na prática, como jogos de azar, não como investimentos.
Dessa forma, apostas em eventos não financeiros só podem ser feitas por meio de bets, que exigem:
- Licença do Ministério da Fazenda;
- Pagamento de taxas;
- Regras de proteção ao jogador.
Sem esses requisitos, as plataformas de mercado preditivo eram vistas como concorrência irregular às bets.
O QUE MUDA PARA O SETOR? - A decisão reduz drasticamente o espaço de atuação de empresas de mercado preditivo no Brasil, como plataformas internacionais que ofereciam apostas sobre eleições ou eventos globais.
Por outro lado, o governo tenta:
- Evitar riscos para investidores;
- Reduzir especulação excessiva;
- Organizar um setor que crescia sem regras claras.
A regulamentação complementar será feita pela CVM, que também ficará responsável por fiscalizar o cumprimento das novas normas.
QUANDO PASSA A VALER? - As novas regras entram em vigor em 4 de maio e fazem parte de um movimento mais amplo do governo para organizar o mercado de apostas e produtos financeiros no país. (Wellton Máximo, da Agência Brasil)

















