
Com atuação global e crescimento local, organização aposta em estrutura, disciplina e colaboração para impulsionar empresas no estado
Durante muito tempo, o networking foi visto como uma simples troca de contatos — cartões distribuídos em eventos e conversas rápidas sem continuidade. No ambiente de negócios atual, no entanto, essa lógica ficou para trás. Cada vez mais, empresários têm entendido que relacionamento, quando bem estruturado, pode ser um dos principais motores de crescimento.
Diante deste cenário, grupos de network tem surgido e crescido com um papel fundamental: formar conexões estruturadas que impulsionam negócios, ampliam mercados e mudam a forma de empreender. E o Business Network International - BNI - tem ganhado espaço em Sergipe. Mais do que promover conexões, a organização trabalha com uma metodologia que transforma relacionamento em geração efetiva de negócios.
Criado há 41 anos, hoje está presente em 77 países e com mais de 330 mil membros no mundo. Chegou com força em território sergipano há cerca de 7 anos, reunindo atualmente 141 empresários distribuídos em equipes. A proposta, segundo o diretor executivo regional, Madson Delgado, é clara: profissionalizar o networking. A diferença está na intencionalidade. Mais do que conhecer pessoas, trata-se de construir conexões com propósito claro: gerar oportunidades reais.
“Não é uma simples troca de cartões. É uma coisa intencional, é fazer com que realmente os negócios aconteçam. Nós temos o network como base, mas dentro dele existem técnicas para levar do primeiro contato ao fechamento do negócio. Isso gera resultado. Em Sergipe, por exemplo, já movimentamos cerca de R$ 13 milhões em um ano”, explica Madson.
Madson Delgado: muito além de uma troca de cartõesMENTALIDADE E MODELO - A estrutura do BNI funciona por meio de equipes formadas por empresários de diferentes áreas, mas com uma regra fundamental de que não haja concorrência direta dentro do grupo. Outro pilar da metodologia é a ausência de comissões. No lugar disso, a organização adota a filosofia “Givers Gain” — ganhar contribuindo. “Aqui não se paga comissão por negócio gerado. A lógica é outra. Quando você gera valor para o outro, esse valor retorna para você naturalmente”, assegura o diretor.
Essa transformação também passa pela mudança de mentalidade do próprio empresário. Em vez de buscar clientes de forma isolada, o foco passa a ser a construção de uma rede de confiança. “A gente não precisa caçar negócios. Eles vêm até você quando você executa o método e entrega um bom serviço. Quando eu indico alguém, estou colocando minha reputação junto. Por isso, só funciona se todos entregarem qualidade”, reforça Madson.
A força do modelo também se reflete na diversidade de segmentos presentes. Profissionais de áreas distintas encontram no BNI uma oportunidade de expandir horizontes — como é o caso da cirurgiã-dentista Juliana Assis, uma das integrantes mais antigas em Sergipe. “Entrei sem saber exatamente o que era networking. Saí de um ambiente onde só conversava com profissionais da saúde e passei a ter contato com empresários de várias áreas”, relembra.
“Minha visão mudou completamente. Hoje eu consigo fazer negócios no mundo inteiro. Tenho contatos na Coreia do Sul, na Índia. Projetos que desenvolvi vieram dessa rede. Fechei projetos em São Paulo, desenvolvi iniciativas de odontologia corporativa. Hoje eu digo que posso fazer negócio com alguém no Japão sem precisar estar lá presencialmente. Deixei de ser uma dentista limitada ao consultório”, afirma Juliana.
Juliana Assis: "deixei de ser uma dentista limitada ao consultórioAlém disso, esse tipo de conexão também contribui para o amadurecimento empresarial. Ao conviver com diferentes perfis de empreendedores, o empresário passa a ter acesso a experiências que dificilmente teria de forma isolada. Como membro mais antigo, se tornou comum para Juliana acompanhar o crescimento dos colegas. “A gente vê empresas nascerem, crescerem, se estruturarem. Já vi empresas saírem do online para abrir loja física. É muito gratificante acompanhar essa evolução”, pontua.
Mais do que encontros, o BNI promove uma rotina estruturada de reuniões, acompanhamento de resultados e troca de experiências. Para Madson Delgado, esse é o ponto que diferencia o modelo. “O network por si só não gera resultado. O que gera resultado é o network com método, com disciplina e com acompanhamento. É isso que a gente aplica aqui”, afirma.
Na última quinta-feira, 23, aconteceu o 1º Fórum Estadual do BNI - com casa cheia. O grupo reforçou sua presença e buscou ampliar ainda mais a rede de empresários conectados. A expectativa é consolidar o BNI como uma plataforma estratégica para quem deseja crescer por meio de indicações qualificadas e relações de longo prazo. “Não se trata apenas de conhecer pessoas. Trata-se de construir um ambiente onde os negócios acontecem de forma consistente”, conclui Madson.
Em um cenário cada vez mais competitivo, a construção de redes sólidas deixa de ser opcional e passa a ser estratégica. Mais do que ampliar contatos, o networking passa a ser um ativo de negócios — capaz de gerar receita, abrir mercados e acelerar o desenvolvimento de empresas. No fim das contas, a lógica é simples, mas poderosa: quem se conecta melhor, cresce mais rápido.

















