
[*] Daniel Soares
Nesta quinta-feira, 24, precisamente às 16h no horário de Brasília e às 22h no Catar, a Seleção Brasileira entrará em campo pela primeira vez nesta Copa do Mundo. O adversário, a Sérvia, será o menos importante quando a chuteira do primeiro jogador pisar o relvado do Estádio Lusail. Será o início de uma busca por algo muito maior.
Não que o título de campeão mundial ofertado pela Fifa não seja relevante – ainda mais para a seleção mais vitoriosa neste desporto, com 5 canecos guardados na sua sala de troféus. Contudo, a grande conquista que essa Copa pode nos proporcionar é a união de um povo em um momento de grande divisão e tensão social provocada pela política.
Nos últimos anos, observou-se a divisão de famílias e o afastamento de amigos por causa do lado A ou B. Não é preciso mencionar nomes ou siglas, mas é claro que me refiro aos adeptos do time vermelho e do time amarelo. Todos sabem quem são. Da mesma forma, é dispensável relembrar o histórico da disputa que eles protagonizaram.
Mas vale citar os danos. Lamentavelmente, o rancor tomou conta das pessoas. O “nós contra eles” se apossou do debate e, de uma hora para outra, passamos a viver em dois Brasis, duas nacionalidades distintas ocupando um mesmo território e suportando-se até o limite das suas tensões – que por sinal, parece estar cada dia mais próximo.
E é neste momento que a camisa Canarinho pode ter um papel fundamental. Assim como o Carnaval, o futebol está entre as marcas esplêndidas da identidade do povo daqui. A Copa é um daqueles momentos em que familiares, amigos e colegas de serviço se unem em prol de uma única causa: ver e torcer para a Seleção Brasileira em gramados de além-mar.
Não que Neymar e cia sejam a solução para os nossos problemas, longe disso. Todavia, sentar em frente a televisão e torcer pelo nosso País sempre nos uniu e nos identificou como brasileiros. Até mesmo aqueles que ignoram o esporte bretão durante os quatro anos entre um Mundial e outro não passam despercebidos desse momento durante os dias da peleja.
Não está em nossos atletas o caminho para que as arestas sejam aparadas e as diferenças desfeitas. Mas está em cada um de nós a chance de levantar bandeira branca e, por um momento, reaquecer a chama de sermos uma mesma gente, que vibra pelos nossos craques e, em um momento de vitória, comemora até com um desconhecido, simplesmente por torcermos pelas mesmas cores. É algo que somente o futebol proporciona e que o torna fantástico.
É uma ótima oportunidade para deixar as diferenças de lado e abraçar aquele parente com quem não se fala há muito tempo por causa de pensamentos políticos distintos. Esquecer as mágoas e altercações. Lembrar que somos irmãos de sangue ou de nação e que precisamos nos reconhecer como um só povo. Ainda que seja somente para gritar gol.
[*] É jornalista.








