
Em 2025, foram 56 novos projetos captados, em áreas estratégicas
[*] Maíra Bittencourt
Falar em ciência, tecnologia e inovação no Brasil exige, cada vez mais, falar de captação de recursos, gestão administrativa e qualificação de processos. Não há pesquisa forte sem governança administrativa, nem política científica sustentável sem procedimentos claros, segurança jurídica e uso responsável dos recursos públicos.
Foi com essa convicção que a Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe - Fapese - viveu em 2025 um período decisivo de fortalecimento institucional. Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Em 2022, a Fapese gerenciava 59 projetos. Em 2023, esse número subiu para 74. Em 2024, chegou a 86. Já em 2025, alcançamos 124 projetos, mais que o dobro do registrado em três anos antes.
Trata-se de uma trajetória contínua de crescimento que reflete não apenas expansão operacional, mas o fortalecimento da confiança institucional na capacidade da Fundação de gerir recursos públicos com rigor, transparência e eficiência.
Esse avanço também se traduziu em volume financeiro. Em 2025, a Fapese administrou mais de R$ 210 milhões em contratos, o maior montante de toda a sua história. Esses resultados, no entanto, não surgiram por acaso. São consequência direta de um processo de reorganização institucional profunda, orientado por boas práticas de gestão e compliance, aliado à confiança política e institucional no trabalho que vem sendo desenvolvido.
Ao longo desse período, a Fundação promoveu mudanças estruturantes. Atualizamos o Estatuto da Fapese, adequando-o às exigências legais e aos desafios contemporâneos da administração pública. Redesenhamos e reposicionamos a marca institucional, reforçando identidade, propósito e compromisso com a sociedade sergipana.
Também profissionalizamos a governança com a contratação da Diretoria Executiva, fortalecendo a separação entre instâncias estratégicas e operacionais. Investimos no fortalecimento da área jurídica e na modernização administrativa. Implantamos um sistema digital de gestão de projetos, ampliando o controle, a rastreabilidade e a eficiência dos processos.
Contratamos uma plataforma integrada de comunicação e trabalho das equipes, qualificando os fluxos internos e a articulação entre áreas e criamos novos canais permanentes de diálogo com coordenadores e coordenadoras de projetos, aproximando a Fundação de quem está na ponta da pesquisa, da extensão e da inovação.
Esse conjunto de ações explica como foi possível crescer com responsabilidade. Em 2025, foram 56 novos projetos captados, em áreas estratégicas como infraestrutura científica, educação, saúde, sustentabilidade ambiental, inovação tecnológica e desenvolvimento territorial.
A Fapese ampliou e diversificou seu portfólio de financiadores, consolidando parcerias com ministérios, agências federais, estatais, governos estaduais e municipais, além de instituições nacionais e internacionais.
No âmbito do fomento via bolsas, a Fapese encerrou o ano com 268 bolsas ativas, distribuídas entre graduação, pós-graduação, pesquisa, inovação, residência e estágio. São números que traduzem geração de oportunidades, formação qualificada e compromisso com o desenvolvimento científico e social de Sergipe.
No campo da importação para pesquisa científica, a Fundação viabilizou, apenas em 2025, mais de R$ 9,5 milhões em importações de equipamentos de alta complexidade, fortalecendo laboratórios e centros multiusuários da Universidade Federal de Sergipe. Infraestrutura científica não se improvisa: exige planejamento, governança e capacidade técnica, atributos que se constroem com gestão qualificada.
O balanço de 2025 revela, portanto, mais do que números recordes. Mostra a consolidação de um modelo de fundação profissionalizada, orientada por dados e processos, comprometida com compliance e conectada às demandas reais da sociedade. Em um cenário de restrições orçamentárias na educação superior e desafios crescentes para as universidades públicas, esse caminho não é opcional, é estratégico.
Entramos em 2026 com a convicção de que a Fapese está mais forte, preparada e relevante. Investir em gestão e compliance não é um fim em si mesmo. É o meio para garantir mais ciência, mais inovação e mais entregas para o desenvolvimento de Sergipe.
[*] É jornalista, doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo - USP - e pós-doutora em Comunicação pela Universidade da Beira Interior. É professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Sergipe, foi diretora-geral da Empresa Brasil do Comunicação - EBC – e está presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe - Fapese.










