
Fábio, Lula e Rogério: uma aliança que não foi feita às escondidas e que faz bem a Sergipe
Há muita gente na política sergipana fazendo caras, bocas e trejeitos de dúvidas, ou de incompreensão, sobre o que virá desta aliança que os pré-candidatos ao Governo, Fábio Mitidieri, PSD, e Rogério Carvalho, PT, fizeram esta semana, com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
São caras, bocas e trejeitos naturais mediante o passado recente desses dois personagens - Fábio e Rogério disputaram a eleição de Governo de Sergipe num apertado segundo torno em 2022. Tirando isso, é recomendável que caras, bocas e trejeitos se desfaçam.
Mesmo porque, não estão, nenhum dos dois, a cometer crime algum. Ao contrário: estão praticando um dos aspectos mais saudáveis da política, que é o da transigência, e isso é muito bom num mundo e num momento marcados por tantas intransigências.
Aos mais ressentidos com esta aliança, recomenda-se deixar de bobagem e a mirar-se em coisas bem mais incongruentes e mais graves, como a aliança entre Jackson Barreto e Albano Franco, lá no longínquo em 1998.
E com o agravante de ali não ter havido nenhum grande interesse nacional favorecendo Sergipe, como houve agora com um presidente da República abençoando a aliança e carreando benefícios financeiros enormes para o Estado.
Portanto, a parceria Fábio-Rogério não se trata de um mero acordo político, ou eleitoral, mas de uma aliança clássica entre dois partidos que foram adversários nas eleições passadas e que à luz da conjuntura atual tiveram a maturidade e a responsabilidade de deixar diferenças menores de lado e se unirem por uma causa maior que é Sergipe e o Brasil.
E o mais significativo de tudo isso: tratou-se de uma aliança feita à luz do dia, às claras, sem se esconder nada de ninguém. Os dois principais personagens foram cozinhando de público - e isto é republicano - esta possibilidade, sobretudo depois da diáspora feita pelo pré-candidato Alessandro Vieira em relação ao grupo do Governo.
E outra: Fábio e Rogério nem tratarem de escamotear as diferenças, mas entenderam sabiamente que a causa da união é superior a elas. Sergipe precisa de convergência. Repita-se, portanto: fez-se uma aliança com responsabilidade e maturidade política entre dois partidos e um único projeto de Estado e de Nação.
Quando Fábio Mitidieri declarou que votará pela reeleição de Lula para a Presidência, abriu-se o caminho para a aliança que agora se consuma, pois é claro que Lula precisaria de um palanque mais encorpado em Sergipe.
Nesse sentido, Rogério - que é um senador caro e precioso para Lula e a quem o presidente quer ver reeleito - teve maturidade suficiente para não deixar as chagas menores do passado atrapalharem essa orquestração. Corretíssima a atitude dele, que encontrou em Fábio reação zero. Ambos se atracaram a uma idêntica maturidade.
Portanto, para além das naturais caras, bocas e trejeitos de dúvidas, hoje o que se sinaliza na ribalta da política sergipana são Rogério e Fábio a reverberar a importância destes R$ 1,5 bilhão de recursos vindos da Presidência da República para viabilizar obras importantes em Sergipe.
Quem não quereria um manjar deste e que deixe de substrato uma aliança sacramentada pelo próprio presidente do país e candidato à reeleição? Ademais, é preciso ler o PSD de Sergipe como um partido que tem histórico de boa convivência com o PT.
O próprio governador Fábio Mitidieri costuma lembrar que o PSD nasceu com o PT aqui, e pelas mãos de Marcelo Déda. Teve em Jorge Araújo sua liderança inicial, seguido de Ulices Andrade. E durante muitos anos tiveram uma ótima convivência política. Só resta lembrar que Rogério se elegeu senador em 2018 numa composição com o próprio PSD, que naquele momento indicava Belivaldo Chagas ao governo estadual.
No mais, é sempre bom lembrar que aliança é exatamente isto: “pacto ou tratado entre indivíduos, partidos, povos ou governos para determinada finalidade”. Mas também que ninguém elimine o direito dos insatisfeitos exibirem caras, bocas e trejeitos de dúvidas, ou de incompreensão.
Isto é da natureza da democracia. Mas não resta dúvida de que, olhando de por hoje e de por agora, esta aliança revigora imensamente tanto Fábio Mitidieri quanto Rogério Carvalho.























