Aparte
Opinião - Israel, Hamas, Lula e a PM do Rio de Janeiro

[*] Adriel Alcântara

A polêmica gerada em torno das últimas falas do presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva sobre a guerra entre Israel e o Hamas me incentivou a escrever sobre uma leiga comparação o que há algum tempo queria fazê-lo.

No dia 7 de outubro de 2023 o grupo terrorista Hamas, de maneira covarde, atacou e matou civis no sul de Israel, cujo resultado foi o assassinato brutal de milhares de israelenses inocentes. Sobre isso, acredito, todos nós concordamos, inclusive o presidente Lula.


A reação do Estado de Israel contra o Hamas, na Palestina, todavia, vem gerando divergências de opiniões. Isso porque já são mais de 20 mil palestinos mortos, dentre os quais 70% são mulheres e crianças.

Para quem não tem entendimento aprofundado, assim como eu, sobre os ataques do Estado israelense à Palestina, na tentativa de ampliar a sua visão, proporei comparar com a realidade brasileira.

Suponhamos que o Estado de Israel seja a Polícia Militar do Rio de Janeiro e que o grupo terrorista Hamas seja uma facção criminosa instalada dentro da favela da Rocinha, sendo nessa situação hipotética o território palestino.

Em 7 de outubro de 2023, a facção criminosa instalada na Rocinha invadiu um Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro e de maneira cruel assassinou mais de 1.500 policiais militares fluminenses. 

Como uma resposta imediata - vamos na linha comparativa -, a Polícia Militar do Rio de Janeiro ocupou toda a favela da Rocinha, localidade onde estavam fincados membros da facção que atacou o Batalhão. Eles poderiam fazer uso de ações de inteligência para identificar, prender ou matar os criminosos. 

Porém, na busca por justiça, a PM do Rio proibiu – continuo no campocomparativo - a entrada e a saída de qualquer pessoa da favela, cortou a energia elétrica e o abastecimento de água de todas as residências e impediu a chegada de comida para os moradores.

O próximo passo da Polícia fluminense seria invadir casa por casa, incendiar barracos, destruir sobrados e matar, sem distinção, algumas dezenas de milhares de pessoas, dos quais dois terços seriam mulheres e crianças.

Essa analogia me faz entender o quão atroz é o ataque desenfreado sobre a Palestina que o Estado de Israel está executando. Mas se você não acha isso uma atrocidade, me desculpe, você já morreu como ser humano.

Esse texto não é, de forma alguma, um meio para justificar os atentados terroristas do Hamas. Pelo contrário! Não é justo, nem humano, que dezenas de milhares de palestinos, em sua maioria pessoas inocentes, paguem com suas vidas os crimes cometidos pelos monstros que integram o Hamas.

Também não é justo, e nem humano, as pessoas perderem suas vidas, dia após dia, nas favelas brasileiras pelo simples fato de morar no mesmo lugar onde uma facção criminosa resolveu se instalar.

[*] É advogado e especialista em Direito do Estado.