Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 43 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica.

Mateus Déda, adolescente, PCD, e um nome pro parlamento futuro. Sim, e por que não?!
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Mateus Déda: um cidadão habilitado para votar. Será que quer ser votado?

Você já imaginou a possibilidade de, em breve – em 2028, quem sabe! - votar num Déda umbilicalmente ligado a Marcelo Déda, com o real DNA deste ex-deputado federal e ex-governador que tão firmemente marcou a política de Sergipe e do Brasil e que faleceu no dia 2 de dezembro de 2013, aos 53 anos!?

Pois esta possibilidade real existe, uma vez que Marcelo Déda deixou cinco descendentes diretos - três filhas mulheres e dois filhos homens. E esta chance política e eleitoral viria exatamente do derradeiro deles. Do caçula: Mateus Déda, um sujeitinho turbinado, mais do que ativo para a condição dele – veio ao mundo com a Síndrome de Down - e que pensa política quase 24 horas por dia – obviamente consorciada com música e futebol. É um flamenguista apaixonado como era o pai.

Pensa e provoca. E provoca naquele mesmo estilo do pai: à esquerda, com leituras pertinentes e próximas da perfeição. No próximo dia 7 de julho Mateus Déda vai fazer 17 anos e no último dia 22 de abril, durante uma estada dele em Aracaju - Mateus mora em Brasília com a mãe Eliane Aquino e o irmão João Marcelo Aquino Déda Chagas -, pegou o caminho do TRE e saiu de lá alegremente com o título de eleitor no bolso.

De tão politizado que o é, de tanto gostar desta atividade e depois do título de eleitor obtido Mateus Déda passou a habitar o centro dos ti-ti-tis da possibilidade de vir a disputar um mandato parlamentar. Este ano ainda não, em virtude da pouca idade dele. Mas disputar em breve sim, por que não? Talvez começando pelo Legislativo de Aracaju.

Mateus Déda - ele gosta deste sobrenome e o assumiria politicamente - traria consigo, sem dúvida, um plus fortíssimo: o de ser a primeira Pessoa Com Deficiência - PCD – da área dele a botar o pé numa esfera legislativa local.

Apesar de ser um adolescente, Mateus Déda impressiona pela maturidade com que trata as coisas da política - e da vida, de um modo geral. Sem grandes fricotes etéreos ou filosofais, só pode ser coisa de DNA - ninguém nega ao pai uma grande cognição intelectual e afetiva.

Mateus Déda: no dia 22 de abril, assinatura no passaporte da democracia, o senhor título de eleitor

E, obviamente, política - afinal, em 206 anos de Sergipe, foi o único ser político a conquistar duas vezes o Governo do Estado num primeiro turno. Identicamente a Prefeitura de Aracaju. Nem mesmo os mais extremados oponentes dele negariam suas qualidades.

Mateus Déda se intromete com quase precisão de adulto com discernimento até na geopolítica universal. Interplanetária. Consegue aferir com razoável precisão a simétrica perversão existente entre as práticas políticas de Donald Trump, de Jair Bolsonaro e seus familiares como extremas-direitas.

O titular desta Coluna Aparte já dialogou algumas vezes com Mateus - o gosto de ambos pela obra de Luiz Gonzaga os une - e foi o suficiente para medir a pulsação diferente desse moleque. Mateus tem raciocínio e interlocução normais para uma pessoa na idade dele, e mais ainda para um PCD. Obviamente a requerer mais vivência.

A mãe, ex-vice-prefeita de Aracaju e ex-vice-governadora de Sergipe Eliane Aquino, recebe a boataria de uma futura candidatura do filho com um riso disfarçado. Não diz sim e nem diz não. Não fomenta nem interdita.

Mas a interlocutores mais próximos Eliane Aquino tem deixado vazar que está passada da hora de PCDs brasileiros deixarem de ser representados por terceiros e passar a ser representados por eles próprios nos parlamentos brasileiros de um modo geral.

Não deixa de ser um fato anormal e nada producente que os parlamentos Brasil afora e adentro estejam repletos de pessoas que se dizem representantes de PCDs de todas as espécies, mas que eles próprios passem quase longe e ao largo, com raras exceções, de se autorrepresentarem nessas ribaltas.

Portanto, se for para quebrar esse ciclo, que venham os Mateus Déda, que retornem os Lucas Aribé e tantos quantos outros PCDs anônimos que pululam por aí vítimas do capacitismo e ainda não tão bem representados.

 

 

 

 

 

 

 

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José Antônio Moura Bonfim
Custo acreditar que alguém escreveu esta matéria.
Rosa Helena
Matéria Excelente explanou de forma clara o perfil do adolescente que traz no seu DNA o gosto pela politica.Tal qual o Pai começou logo cedo o gosto pela política.