
Neto Batalha: reviravolta em todo planejamento eleitoral
Pode soar estranho - e realmente soa -, mas o deputado estadual Neto Batalha, 34 anos, eleito em 2022 pelo PP, “desistiu de desistir” de disputar eleição este ano. Ele agora está com o pé na estrada, mas não para tentar se reeleger deputado estadual. Mas para se eleger deputado federal, o que são missão e tarefa muito mais difíceis.
Neto Batalha, que obtivera em 2022 apenas 14.990 que o fizera deixar de ser vereador de São Cristóvão para assumir uma das 24 vagas de deputado estadual na Assembleia Legislativa de Sergipe, alegou no final de novembro do ano passado cansaço pessoal, problemas de saúde e necessidade de cuidar mais de si e da família e que, portanto, não iria à reeleição.
Mas Neto Batalha parece ter sido abduzido pelo governador Fábio Mitidieri, que o convenceu a vir para o seu PSD e o convidou a disputar um mandato em Brasília. Ele caiu pra dentro. Remoçado, e cheio de teoria. “Quem me conhece sabe que eu não sou de ficar parado. Sou de enfrentar desafios”, diz.
E detalha melhor essa sua história. “No final de novembro para início de dezembro do ano passado, tomei uma decisão de não ser candidato à reeleição de deputado estadual, e o fiz por alguns motivos pessoais meus e por questões familiares. O fiz para poder dar uma assistência à minha família. Por uma questão de saúde também - encarei uma hérnia de disco que tive. Enfim, peguei esse momento para descansar”, diz Neto.
“Mas não quer dizer que eu estava ali abandonando a política. Inclusive, na minha nota sobre a não ida à reeleição falei que não abandonaria a política, que estava apenas saindo do pleito pela reeleição de deputado estadual. Só que aí nesse tempo em que fiquei do lado de fora, passaram-se os meses de dezembro a fevereiro, e as pessoas perguntavam: “Rapaz, você, agora na sua ascensão política, vendo tudo dar certo, foi vereador, foi deputado estadual, conseguiu ajudar sua esposa a se eleger prefeita em um município, Itabi. Você tem um futuro brilhante, tem feito vários projetos, várias indicações, várias coisas dando certo. Como é que você vai deixar de ser?””, diz Neto Batalha.
“E aí eu fiquei com aquilo tudo na minha cabeça -depois da minha decisão, de as pessoas com esse “rapaz, volte, repense”, e eu gostando sempre da política. Já vem de meus avós, de meu pai Armando Batalha, a gente sempre gosta, mas tem horas que realmente quer dar um tempo. Um passo para trás, para dar dois à frente. E foi aí que fui convidado pelo governador Fábio Mitidieri para me filiar ao PSD e ser candidato a deputado federal”, diz Neto.
E emenda. “Quem me conhece sabe que gosto de desafios e que quando entro numa parada é pra valer. Meu sobrenome já tem Batalha. Realmente a gente leva as coisas a sério. E aí eu aceitei o desafio feito pelo governador e já estou nas ruas, nas comunidades, conversando com as lideranças, com as pessoas. Estamos colocando o nosso nome como pré-candidato a deputado federal, e vem sendo realmente uma enorme surpresa positiva para mim. Estou sendo bem acolhido. Ouço as pessoas falando sobre os meus projetos como deputado estadual, e creio que como deputado federal eu posso fazer muito mais. Enfim, graças a Deus estou motivado para essa eleição como pré-candidato a deputado federal”, justifica.
Mas Neto, não é contraditório desistir de ser candidato à reeleição de deputado estadual e ir para uma disputa mais complexa, como a de federal?, provoca-lhe a Coluna Aparte. “Veja, Jozailto: tem outro aspecto a ser levado em conta aí. Naquele momento do final de novembro, realmente eu estava precisando cuidar um pouco da minha saúde, estava realmente debilitado. Viajei a São Paulo, fiz alguns exames, passei uns três a quatro meses mais diretamente ligado à família e nesse tempo pude cuidar de mim, cuidar da minha saúde, da minha família e daquelas pessoas que a gente gosta e escuta”, diz ele.
“E aí fiz exatamente uma revisão da minha definição naquele período. Ademais, devo dizer que não passei quatro meses meio afastado da política, até porque exerço meu mandato de deputado estadual a todo momento e a todo tempo. Mas esse tempo realmente me fez ficar um pouco com a família, cuidei de mim, com aquelas pessoas a dizer “Volta, Neto” e com o convite do governador Fábio, eu aceitei. E já estamos aqui na batalha”, diz.
E como ficará o seu espólio, sua herança, de deputado estadual? O senhor vai apoiar quem? “Algumas pessoas que me seguem também foram tomar suas decisões porque eu tinha liberado o grupo. Nós estamos agora recompondo com aquelas pessoas, algumas que não fecharam com ninguém, estamos conversando, e outras que a gente está buscando para que realmente possam nos ajudar nessa pré-campanha para deputado federal. Mas para deputado estadual, vou apoiar Antônio de Juca de Bala, filho do prefeito de Laranjeiras. Eu vou votar com ele. Para federal, eles já tinham até compromisso com o pré-candidato a deputado Marcos Franco e eu não poderia querer que ele se desfizesse do acordo, porque palavras têm que ser cumpridas”, diz.
“Naquele momento em que a gente definiu que não seria candidato à reeleição de deputado estadual, fiquei aguardando também meu pai tomar uma decisão. Meu pai também poderia ser candidato a estadual ou a federal. Aguardei. Depois ele tomou a decisão de que também não queria ir para a disputa”, completa Neto Batalha.
E a esposa do senhor entendeu essa sua reviravolta? “A minha esposa e prefeita de Itabi, Gabi de Lica, apoiou nossa decisão. Naquele primeiro momento, ela queria que realmente continuasse como deputado estadual, mas depois que tomei essa decisão, que ela viu que realmente precisava daquele meu momento junto com eles, até para dar um apoio a ela também no município de Itabi como gestora, e também dar um apoio a ela como mulher e a meu filho, e principalmente viu que a minha saúde estava realmente debilitada, ela concordou, mas agora apoia a minha mudança de plano. Ela percebeu que com esse tempo pude me cuidar, realmente já me encontro uma pessoa realmente apta, do jeito que eu sou. Bem ativo, proativo. Quem me conhece sabe que eu não gosto de estar em gabinete. Gosto de estar nas ruas, conversando com as pessoas, e graças a Deus estou motivado e conversando com elas”, diz.





















