
Gráficos malucos das pesquisas querem deixar doidos também os eleitores
Não é deboche, mas poderia ser - e estaria tudo bem. Na boa, o leitor, assim como quem ouve rádio, assiste à TV ou acompanha notícias pela internet, quase nunca se prende aos detalhes. Daí que as pesquisas eleitorais vêm e vão como balanço em parquinhos, oscilando ao sabor do vento.
Isso pode ser dito assim porque pesquisa virou artigo de propaganda – e um artigo xarope. Perigoso. Claro: talvez sempre tenha sido, mas hoje o escancaro ganhou uma proporção, em alguns casos, quase hilariante. Não que seja engraçada essa tentativa tosca de manipular o “inconsciente” coletivo. O curioso, para dizer o mínimo, é o modo como tudo se dá.
Cá entre nós: como será que a cabeça dos candidatos funciona quando uma pesquisa lhes salta aos olhos? Como analista e eleitor, às vezes tenho a impressão de que querem me e nos fazer de otários.
Mas e o político? O sujeito contrata uma pesquisa, recebe o resultado, reverbera os números quando lhe são favoráveis e fica ali, todo satisfeito, se achando. Minutos depois, vem o adversário com a sua própria “versão dos fatos”. E é outra no extremo oposto. Gente: santa paciência.
É tanto sobe e desce, tanto vem e vai, que o jeito é quase fazer de conta que tudo não passa de armação. Algo circense. E é aqui que o tema me toca como analista: quero - e devo, por obrigação ética e vergonha na cara - ser isento.
Cheguei até discutir com os meus colegas aqui da Redação deste Portal JLPolítica e Negócio a possibilidade de definitivamente não recepcionar pesquisa alguma. Dar as costas em definitivo para a guerra dos algoritmos – às vezes estou mesmo me lixando para eles - e não ser mais um pateta no meio a essa pirâmide de estatísticas.
Afinal, em qual “pesquisa” devo acreditar? A pergunta não nasce de um capricho nem de uma indignação fabricada. Tampouco decorre de simples reclamação pública, dessas que uns e outros fazem conforme a conveniência do momento. A inquietação existe porque, para bom entendedor — diziam os antigos —, meia palavra basta. E, pensando bem, pateta só é bom e bucólico na pena de Disney...
Pensando bem, de novo, talvez o eleitor seja o verdadeiro sábio dessa história. Ele olha toda essa movimentação e, como quem não quer nada, vai rindo de tudo. Ri de si mesmo, alvo preferencial da embromação pública, e ri também de quem tenta enganá-lo. No fim, a vida segue. Mas eu preferia que essas pesquisas não. Que não seguissem.






















